SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

segunda-feira, 19 de junho de 2023

AS DIFERENÇAS ENTRE OS GESTORES EDUCACIONAIS E AS CRIANÇAS SOBRE O QUE PENSAM SOBRE EDUCAÇÃO!

 



Eu fico com a pureza da resposta das crianças é a vida... Ás vezes fico pensando e até sonho com situações que passei em sala de aula com a fala de meus alunos sobre fome, a falta do lápis, não saber ler, abandono, situações de violências e mortes que presenciaram, doenças sem apoio, muitas vezes provocadas pelas reformas na escola, sobre ficar em casa sozinho encontrar a mãe ou avó a noite, entre outras e tantas histórias que acontecem todos os dias em várias escolas. Eu também fico pensando nos discursos de muitos gestores educacionais e líderes que usam a educação para manter suas posições e outros interesses sobre uma das melhores educação do Brasil, SPAECE e a melhor rede do mundo, tudo está ótimo. É importante lembrar na História que os nazistas deliravam sobre os seus poderes enquanto negavam a realidade que as pessoas viviam. Eles repetiam palavras, ideologias, tudo que os chefes mandam, a rede dos que obedecem, os capitães do mato eram brilhantes, mesmo que isso não apaga a realidade de milhares de crianças e suas escolas. Eu fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita, viver sem ter a vergonha de ser feliz. Eu acredito que é possível educar criança sem sua FAMÍLIA inteira, sem se render a RELIGIÃO A ou B, sem PÁTRIA mas como humanidade, desde que a educação não se renda a interesses de políticos, de fundações empresariais, nem de gestores educacionais que se perpetuam no poder há anos cometendo os mesmos erros contra o direito das crianças e professores em acordos das casas grandes as custas das senzalas. 



Muitos educadores sentem prazer em se deixar guiar pelos chefes e combatem juntos qualquer sinal de sensibilidade e verdade que vai contra os discursos oficiais. Um Nazista da SS alemã como Rudolf sonhava em se tornar missionário para levar a civilização branca para África. Ainda hoje impomos uma educação branca as crianças e jovens negros que sofrem todos as consequências do racismo estrutural. Fortaleza e Ceará matam mais jovens que São Paulo com 4 vezes a população, muitos deles passaram vários anos na escola, e suas vidas não mudaram, somos a cidade mais rica do Nordeste e de bilionários, onde a maioria da população vive na pobreza há décadas com esse mesmo modelo de educação que não deu certo nos EUA. Mas somos a cópia da cópia, negamos Paulo Freire todos os dias que alfabetizou pessoas em 40 dias, aqui duram décadas e nada. Ainda usam as estatísticas para enganar as pessoas falando de pequenos ganhos dos últimos anos que não alteram a exclusão da maioria no acesso à educação, sem se alfabetizar e concluir o ensino médio, mas as prioridades continuam novos prédios, propaganda e outros interesses eleitorais nas escolas com o silêncio dos vereadores sobre a realidade.  



A liberdade mental e de expressão é diferente da repetição para provas. O poder das palavras do português é tão grande que o menor acontecimento, traumas ou sofrimentos em nossas vidas pode mudar seu significado e nos fazer ver um mundo diferente. E podemos fazer isso com o ensino do português e matemática falando de suas vidas, é assim que educo. É possível mudar o destino de vidas escutando e apoiando as necessidades dos alunos, mas também podemos compreender o mundo dos gestores educacionais para enfraquecer suas certezas fanáticas. Dar sentido às coisas para sair do caos permite um trabalho de reconstrução. Quando a representação que o ferido faz de seu trauma está de acordo com as narrativas circundantes familiares, escolares e culturais, o prazer e o orgulho de voltar a viver, superam a infelicidade de ter sido mutilado. “Você não é mais uma folha levada pelo vento, você adquiriu um grau de liberdade" Quem escreve isso é um especialista em educação infantil, o psiquiatra Dr. Boris Cyrulnik, autor do livro O lavrador e os comedores de vento. Ele perdeu os pais e foi preso para ser levado à morte aos 6 anos na segunda guerra mundial pelos nazistas que são comedores de vento. Eu fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita, viver sem ter a vergonha de ser feliz. 



A novidade da educação agora é a tecnologia? A sereia ou a fome ?Todos sabemos que a falta de alimentação prejudica o aprendizado na “era da neurociência”? A escola aprendeu isso? Aprendeu sobre a importância do brincar na educação infantil? mas sem brinquedos e espaços lúdicos? É mais barato comida e brinquedos que propaganda falsa. Mas há décadas no poder políticos e gestores educacionais pactuam e negam essa triste realidade. Sim, é possível escapar do destino biológico e social, mas não pela ausência de caminhos. Enquanto isso culpam as crianças? que não conseguem apreender? Que crescem em ambientes que destinam prisão? Que brigam muito e são indisciplinados? Gostaria que os políticos e gestores educacionais ouvissem a República das crianças e não a Oligarquia deles e dos amigos da SEDUC. A arte e o esporte são prioridades nos melhores sistemas educacionais do mundo e não o português e a matemática, o debate de ideias na escola fortalece a democracia e o pensamento não a repetição. Eu fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita, viver sem ter a vergonha de ser feliz.  


 


As crianças não devem ser excluídas dentro da escola, proibidas de viver na escola, de se calarem sobre suas vidas fora da escola ou não ser escutadas, não adianta culpar suas famílias, temos que transformar essas realidades em ações educacionais e políticas para mudar vidas e pensamentos incluindo dos gestores educacionais. As nossas crianças já são expulsas de nossa sociedade assim como suas famílias e comunidades. A insurreição pedagógica é necessária quando a criança é humilhada pela sociedade. A Dignidade é recuperada quando a revolta restabelece a confiança da criança dilacerada pela vida.  Buscar que as crianças falem sobre suas vidas faz sofrer, mas se ninguém escuta elas se calam. Os sonhos nos salvam de loucas realidades em que é normal matar crianças e jovens. É preciso aprendermos a compartilhar dores e sofrimentos na escola e na sociedade. Isso é saúde mental. Não nos acostumarmos com a infelicidade de morrer, sofrer, viver na miséria ou educar para isso é preciso compreender para transformar. A compreensão do horror nos faz dominar melhor os agressores. Para dar sentido ao sem sentido é preciso colocar em ordem e educar nossas almas. 


 


Desconfiar de ideias claras como SPAECE é urgente, ela é uma ideia sombria. De onde vem essa maneira de tentar dizer o que é o saber? Dos principais pensadores da educação não! É na infância que colocamos os problemas fundamentais que formam nossa vida. Algumas crianças nascem ouvindo histórias nazistas, racistas e excludentes de seus pais como se fossem heróis e reproduzem seus comportamentos, enquanto a maioria vive na miséria. A maioria se for falar de suas vidas a memória sangra. Os nossos heróis educacionais da elite ou capitães do mato tem feito muita gente sofrer e sangrar com suas proezas que nos afastam do real dos efeitos da educação da mentira e da morte. Os detalhes do banal dos brinquedos, lápis, comida os incomodam por suas grandiosidades são perturbadas pelas verdades que não aparecem nas propagandas. Eles buscam impedir os questionamentos e vivem de delírios. E preparam a guerra contra os que não pensam como eles, tipo eu.




As primeiras palavras das crianças designam objetos do contexto, tipo bola, aos poucos elas se afastam no espaço para brincar, e entre cinco e seis anos seu cérebro permite a representação do tempo, a idade da narrativa. Eu fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita, viver sem ter a vergonha de ser feliz. Somente continuar nosso caminho de educadores e das crianças rumo a autonomia é que temos acesso a um grau de liberdade interior e exterior. É que podemos julgar ou avaliar as narrativas que ouvimos de políticos e gestores educacionais, alguns se rendem às narrativas dos gestores e se calam ou omitem em relação à realidade das escolas e das crianças. A maioria dos educadores preferem tocar as pedras, sentir o cheiro da vida, e experimentar o prazer de compreender a realidade do que se render aos discursos podres dos poderes. Nós ficamos com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita, viver sem ter a vergonha de ser feliz.     




domingo, 18 de junho de 2023

shalom aleijem




 

A Paz Esteja Convosco

A paz esteja convosco
Anjos do céu
Anjos do altíssimo
Do Rei, do Rei dos reis
O Santo, bendito seja

Vinde em paz, anjos da paz
Anjos da paz
Anjos do altíssimo
Do Rei, do Rei dos reis
O Santo, bendito seja

Abençoai-me com paz
Anjos da paz
Anjos do altíssimo
Do Rei, do Reis dos reis
O santo, Bendito Seja

Que vossa partida seja em paz
Anjos da paz
Anjos do altíssimo
Do Rei, do Rei dos reis
O Santo, bendito seja



sábado, 17 de junho de 2023

ENSINANDO A CURIOSIDADE, CORAGEM, SENSIBILIDADE E ÉTICA - 1900 dias ou 80 dias ciclo B.


Os meus “alunos” se assim podemos chamar porque são vidas onde nossas relações e o impacto da educação dura toda vida. Nos últimos 30 anos buscamos caminhos que levasse a aprendizagem estimulando sempre a criatividade, coragem, sensibilidade, e ética em ambientes de sala de aula e vivências que tem o poder de transformar nosso pensamento e quem nós somos.



É fácil reduzir a razão ao conteúdo, mas pergunto e a percepção, atitudes, imaginação derivam apenas do conteúdo? Uma pergunta de mil respostas, 

mas na sala de aula se reduz ao conteúdo?



É preciso ter coragem para saber que um novo mundo começou e nunca deixou de nascer todos os dias! É preciso ter sensibilidade para senti-lo e ética para vivê-lo com a justa medida, mas tudo começa com alegria e curiosidade de apreender! É preciso dar vida com coragem aos conhecimentos ensinados na escola, ampliando as vivências de uma geração, misturando saberes e sensibilidades, a tecer fios com a ética de novas realidades que preencham sua vida e cidades com significados que amplie suas existências.


 

Sim desenvolver pensamentos sistêmicos, complexos e transdisciplinares que dialoguem com missões educadoras capazes de realizar isso, colaborando na superação de desafios coletivos. Sim, os desafios têm sabores diferentes da reprodução de palavras porque o conhecimento é vivo. 


 

Hoje podemos pensar que somos o Nordeste brasileiro e como vamos nos transformar? Necessitamos entender que evolução não pára, mas os livros e as escolas estacionam em interesses que querem usar ela, cada vez mais há um diálogo entre os seres vivos, a natureza, a tecnologia e o Universo. Entender essa integração, essa dança do movimento e da vida nos ajudará a descobrir outros caminhos para outras realidades possíveis e consideradas impossíveis.   



Entender que talvez seres de outros planetas não seja absurdo. É preciso incluir isso no nosso verso e no metaverso, na nossa compreensão da ciência, da natureza e do humano. É preciso pesquisar, isso dialoga muito mais com a ideia de extraterrestre. É preciso ao mesmo tempo entender que talvez as nossas maiores ameaças somos nós com as bombas nucleares. Entender porque algumas pessoas deram seus conhecimentos e talentos para construir a bomba atômica mesmo que ela pudesse destruir o mundo! Eles só foram refletir depois que tinham feito, então a educação exige refletir antes ou agora sobre seus impactos com sensibilidade e ética.


 

Compreender que não é somente o saber científico que nos interessa, mas existem outros saberes sendo produzidos a toda hora que levam também a ciência ou não. Os saberes comuns ancestrais e outros impactam o mundo, mas da mesma forma há também muita ignorância, violências e maldades, é preciso transformar isso e não apenas negar ou combater.



Nós estamos fazendo um Game Terra da Sabedoria para transformar tudo isso em missões educadoras que conquistam corações e mentes. As missões educadoras servem para que 99% de nossa população possa canalizar sua energia para algo que transforme o seu ser, sua mente, sua vida, o lugar onde mora, mas com dados e metas claras. Há muitas dores a serem resolvidas na economia, na saúde, há muita energia a ser liberada na educação, no social, nas tecnologias, há muita coisa que devemos aprender com a natureza, com a espiritualidade, com outros planetas, há muita coisa a amar nossa família, os animais e a humanidade. E porque vamos continuar gastando energia, escola, saber com mais do mesmo que tem provocado muita dor, tragédia, e mortes no mundo que vivemos?




domingo, 11 de junho de 2023

A habilidade mental que mudou a história da humanidade

 

Mulher segurando um tipo de balão com lanterna

CRÉDITO, GETTY IMAGES

Legenda da foto, 

A capacidade humana de previsão nunca será 100%, mas isso não significa que estamos condenados a repetir os erros de ontem

  • Author, Thomas Suddendorf, Jon Redshaw e Adam Bulley
  • Role, BBC Future

No início de 2020, na cidade alemã de Krefeld, uma mãe e suas duas filhas escreveram desejos de Ano Novo em seis lanternas de papel e as deixaram voar.

A visão de lanternas subindo ao céu lentamente, iluminadas por velas no interior, seduziu as pessoas ao longo dos tempos. No entanto, quando esta família estava imaginando seu futuro, não previu o que aconteceria mais tarde naquela noite.

As lanternas foram se afastando e finalmente chegaram à jaula de macacos no zoológico de Krefeld. As chamas incendiaram o local, deixando dezenas de primatas mortos, incluindo dois gorilas, cinco orangotangos e um chimpanzé.

A capacidade humana de previsão nunca será 100%. Mas isso não significa que estamos condenados a repetir os erros de ontem.

Não podemos prever onde nossas lanternas soltas ao céu vão pousar e, portanto, é por um bom motivo que elas se tornaram ilegais em tantos países.

Nossas mentes também podem reconhecer que muitos supostos avanços da humanidade, motivados por nossos desejos de um futuro melhor, vêm com consequências nada inofensivas: florestas estão queimando, geleiras estão derretendo e a biodiversidade está em declínio.

Estamos extraindo aceleradamente tudo o que queremos do planeta e deixando montanhas de lixo em troca. Nosso lixo pode ser encontrado nas fossas marinhas mais profundas e nos confins da atmosfera. 

A atividade humana, impulsionada por tramas e planos, impactou o planeta de uma forma tão dramática que os cientistas declararam uma nova época geológica: o Antropoceno.

Como nossa capacidade de pensar no futuro — e suas falhas — nos trouxeram a esse ponto? Isso pode mostrar a saída para os nossos problemas? 

Recentemente, publicamos um livro chamado The Invention of Tomorrow ("A invenção do amanhã", em tradução livre), que busca respostas para essas perguntas e muito mais. 

É sobre a notável habilidade de previsão dos seres humanos e todas as maneiras com as quais ela transformou o mundo, para melhor e para pior. 

Quando nossos ancestrais hominídeos aprenderam a pensar sobre o futuro, isso foi uma virada de jogo, não apenas para nós, mas também para o planeta.

Na mitologia grega, a humanidade ganhou seus distintos poderes quando a figura de Prometeu nos deu um presente: o fogo dos céus. 

Não há dúvida de que sem a chama, nossa espécie nunca teria prosperado — mas talvez o que seja menos conhecido nessa história é que o nome Prometeu tem um significado próximo a "previsão".

Construção queimada a noite

CRÉDITO, GETTY IMAGES

Legenda da foto, 

Dezenas de primatas morreram após uma lanterna cair acidentalmente em um zoológico em Krefeld, na Alemanha, no início de 2020

Nas últimas duas décadas, pesquisas científicas trouxeram cada vez mais evidências sobre a base cognitiva da nossa capacidade de "viajar mentalmente no tempo". 

A memória e a previsão têm muitos pontos em comum, e o comprometimento de uma tende a afetar o outra. 

As crianças gradualmente adquirem a capacidade de dirigir suas máquinas mentais do tempo para o passado e o futuro por volta da mesma idade e, no final da idade adulta, a memória e a previsão também tendem a declinar juntas.

Mas é claro que existem diferenças profundas entre o passado e o futuro, principalmente o fato de que o futuro é incerto. Uma das razões pelas quais a previsão humana é tão poderosa é que podemos pensar em várias versões de como o futuro pode ser, permitindo-nos comparar nossas opções e tomar melhores decisões no presente. 

A previsão está intimamente ligada ao que significa ser humano: é fundamental para as noções de responsabilidade moral, de senso de livre arbítrio e está nas nossas ansiedades mais profundas.

A capacidade de pensar sobre o futuro pode ser rastreada até o Pleistoceno. Podemos ver pistas do desenvolvimento das capacidades de previsão dos nossos ancestrais na forma de ferramentas de pedra cuidadosamente trabalhadas e restos de fogueiras. 

Prevendo o que poderia estar por vir, eles montaram lanças com pedras, sabendo que mais tarde poderiam usá-las para matar à distância, e criaram objetos móveis que permitiriam transportar coisas para diferentes pontos no espaço e no tempo.

Nos milênios seguintes, os humanos continuaram adquirindo habilidades relativas à previsão, moldando a si mesmos e a seu destino. 

Eles observaram as regularidades de seu mundo e inovaram com ferramentas como calendários, o dinheiro e a escrita. Estes, por sua vez, melhoraram drasticamente a capacidade de coordenar eventos futuros. Mais e mais pessoas plantaram sementes que só seriam colhidas meses depois.

Muito mais tarde, a aplicação disciplinada da previsão, através do método científico, tornou-se a chave para inaugurar a era moderna. 

O método científico envolve essencialmente três etapas: os dados devem ser coletados por meio da observação ou da experimentação; explicações para esses dados devem ser geradas; e, finalmente, hipóteses devem ser derivadas dessas explicações e colocadas à prova. 

A previsão é parte integrante desse processo: o trabalho dos cientistas é fazer e testar previsões. Se elas não forem consistentemente confirmadas, as hipóteses são substituídas ou corrigidas.

Pessoa de guarda-chuva olhando para celular com previsão do tempo

CRÉDITO, GETTY IMAGES

Legenda da foto, 

No século 17, Robert Hooke especulou que um dia 'podemos ser capazes de ver as mudanças no clima a alguma distância antes que elas se aproximem de nós'

O método científico criou novos caminhos para se prever o futuro — como para saber o que ocorrerá com as marés ou com o clima. No século 17, Robert Hooke vislumbrou como a ciência poderia ser usada para melhorar drasticamente a vida humana. 

Hooke arriscou afirmar que, um dia, "podemos ser capazes de ver as mudanças no clima a alguma distância antes que elas se aproximem de nós e, assim, podemos ser capazes de prever e prevenir muitos perigos que podem ser evitados, e o bem da humanidade seria promovido".

Com mais previsões, as pessoas também ganharam controle crescente sobre o futuro, colocando os humanos em um curso de revolução tecnológica radical. Sem elas, não teríamos visto a Revolução Industrial — com suas máquinas a vapor, mineração de carvão e fábricas têxteis. 

A noção de uma relação íntima entre ciência, tecnologia e “progresso” rapidamente se espalhou — assim como a poluição e as más condições de trabalho, sem falar na escravidão, na exploração colonial e na guerra com armas cada vez mais sofisticadas. 

As inovações continuaram, trazendo eletricidade, combustão interna, telecomunicações e, por fim, microchips, satélites e armas de destruição em massa.

Para o bem ou para o mal, a previsão transformou o mundo. A população de Homo sapiens explodiu após a Revolução Industrial, saindo de cerca de 1 bilhão de pessoas há 200 anos para cerca de oito vezes esse número agora. Nós superamos em muito a população de todos os outros primatas combinados. Os mamíferos mais numerosos no planeta hoje são aqueles que cultivamos.

E nosso impacto na Terra não se restringe a nossos próprios organismos. O peso combinado de produtos materiais humanos (prédios, estradas, computadores, lâmpadas, lixo...) foi estimado em 30 trilhões de toneladas.

Isso não quer dizer que descobertas científicas não tenham trazido muitos benefícios. Graças aos avanços da medicina, por exemplo, bem como em aspectos relacionados, como higiene, segurança e saúde pública, os bebês nascidos hoje podem esperar viver cerca de duas vezes mais do que os nascidos há apenas um século. 

Imagine enfrentar uma operação sem nada para anestesiar a dor. Mesmo reis e rainhas em qualquer ponto da história, exceto no último século aproximadamente, não tinham a expectativa de vida que os cidadãos da maioria dos países têm hoje e nem acesso a anestésicos. 

Ainda no século 18, cinco monarcas europeus no poder morreram de varíola. Mas a medicina moderna deu aos humanos um novo controle sobre sua própria biologia: a capacidade de curar ferimentos e doenças, e até mesmo prevenir problemas antes que eles surjam.

Muito do nosso progresso foi possível porque as pessoas previram um mundo melhor, comunicaram-se sobre isso e cooperaram para criá-lo. Pensar no futuro desempenhou um papel essencial no progresso humano e contribuiu para nos trazer muitas coisas pelas quais podemos ser gratos.

Prever, porém, é uma habilidade imperfeita.

Placa informando que gasolina contém chumbo

CRÉDITO, GETTY IMAGES

Legenda da foto, 

A adição de chumbo à gasolina foi uma das inovações mais desastrosas da história

A vida pública está repleta de figuras importantes que falharam em prever o que hoje parece óbvio. 

Albert Einstein afirmou em 1932 que "não há a menor indicação de que a energia [nuclear] será obtida um dia", enquanto o presidente da empresa de aspiradores Lewyt Corp previu em 1955 que "aspiradores movidos a energia nuclear provavelmente serão uma realidade em 10 anos". 

O diretor geral do Correio dos EUA declarou em 1959 que "antes que o homem chegue à Lua, a correspondência será entregue em poucas horas por mísseis guiados de Nova York à Califórnia, à Grã-Bretanha, à Índia ou à Austrália". 

E quando o homem pousou na Lua pela primeira vez, muitas pessoas previram que haveria colônias lunares até o final do século, com Vênus e Marte prontos para novas ondas de colonização. Enquanto isso, pouca gente previu o que de fato iria transformar grande parte de nossas vidas: a internet e os smartphones.

A falha em prever também pode ter consequências traiçoeiras. Para facilitar o funcionamento dos motores dos carros, o inventor Thomas Midgley Jr. introduziu chumbo na gasolina, que ele não previu que produziria um dos piores poluentes do mundo. Ele também não previu que o CFC (clorofluorcarbono) que introduziu nos refrigeradores seria uma das principais causas da destruição da camada de ozônio. 

Como disse um historiador ambiental, Midgley "teve mais impacto na atmosfera do que qualquer outro organismo na história da Terra". 

Evidentemente, muitas de nossas soluções inovadoras para problemas criam novos problemas que exigem novas soluções. 

Em outros casos, o potencial de desastre deveria ter sido fácil de prever. Infelizmente, a tragédia das lanternas no zoológico de Krefeld não foi uma anomalia. 

Veja o Balloonfest '86, quando uma organização de caridade em Cleveland, nos EUA, tentou conquistar um recorde mundial do Guinness ao lançar 1,5 milhão de balões cheios de hélio no céu. Após seis meses de planejamento cuidadoso, milhares de pessoas se reuniram em uma tarde de sábado para assistir ao evento. As crianças encheram e amarraram balões com entusiasmo por horas.

Então, por volta das 14h, os balões foram soltos em praça pública. Em retrospectiva, parece impensável que essa façanha tenha sido permitida – é como se ninguém envolvido tivesse sido capaz de prever as agora óbvias consequências que estavam prestes a acontecer. 

Logo, a cidade e os arredores foram abarrotados pelo lixo que caía; milhares de balões foram parar na pista do aeroporto da cidade, interrompendo o tráfego aéreo. Milhares de balões causaram estragos nas estradas. Dois pescadores perdidos se afogaram enquanto equipes de resgate não conseguiam localizá-los entre todos os balões flutuando no Lago Erie.

Muito além desse episódio, décadas de descarte de lixo deixaram as águas do mundo repletas de materiais produzidos pelo homem. Quem lê as notícias em 2023 não pode mais alegar desconhecer o impacto ambiental da humanidade.

Centenas de balão perto de edifício histórico

CRÉDITO, GETTY IMAGES

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No evento Balloon '86, o lançamento de 1,5 milhão de balões teve efeitos desastrosos

Mas, até o início do século 19, as pessoas em geral nem mesmo sabiam que as espécies poderiam ser extintas, muito menos ser levadas à extinção por nossas próprias ações. Como relata a jornalista Elizabeth Kolbert, apesar do desaparecimento da ave dodô nas Ilhas Maurício ter sido observado um século após sua descoberta, a possibilidade da extinção só foi compreendida no decorrer do século 19, quando ossos do mastodonte foram descobertos. 

Esses fósseis pertenciam a uma espécie vistosa demais para ter sido ignorada se ainda estivesse viva. Somente sabendo da possibilidade de extinções podemos planejar evitá-las.

Reduzir nosso impacto na natureza exige formas cada vez mais sofisticadas de previsão. Em vez de sermos movidos por intuições ou apelos emocionais despertados por golfinhos, pandas, tigres e outras espécies carismáticas, agora podemos analisar sistematicamente os custos e benefícios previstos em diferentes caminhos de ação. 

Por exemplo, considere como temos lidado com os oceanos. Em 2010, o Plano Estratégico das Nações Unidas para a Biodiversidade estabeleceu uma meta para proteger pelo menos 10% dos oceanos do mundo. Mas nem todas as águas oceânicas são iguais. As da Austrália, por exemplo, contêm o maior sistema de recifes do mundo, onde cerca de 600 tipos de corais criaram cerca de 3.000 recifes em uma extensão de mais de 340.000 km².

Assim, pesquisadores australianos desenvolveram o algoritmo Marxan, uma abordagem científica para o planejamento da conservação que tem sido usada para recuperar a Grande Barreira de Coral. O sistema pioneiro incorpora grandes quantidades de dados biológicos e econômicos para potencializar os esforços da conservação. Hoje, o software é usado em mais de 120 países. 

Mergulhador em recife de corais

CRÉDITO, REUTERS

Legenda da foto, 

Mergulhador perto da ilha Lady Elliot, na Grande Barreira de Corais, na Austrália

Quando traçamos o futuro da nossa relação com a natureza, muito depende daquilo que valorizamos e queremos alcançar. Seremos confrontados com duras decisões morais. A ciência pode nos ajudar a planejar o futuro, mas cabe a nós escolher qual caminho seguir. 

Também podemos aprender com nossos erros. Afinal, os balões não podem mais ser lançados para fins comemorativos em Cleveland, e a União Europeia finalmente proibiu os plásticos de uso único em 2021. 

Todos os países do mundo pararam de usar combustível com chumbo, 100 anos depois que Midgley o introduziu.

Após a descoberta do buraco na camada de ozônio, pessoas em todo o mundo eliminaram gradualmente o uso dos produtos químicos manufaturados responsáveis por ele — incluindo aqueles no refrigerador de Midgley. 

A proibição dos clorofluorcarbonetos foi ratificada por todos os países, e o consumo de substâncias que destroem a camada de ozônio caiu para menos de 1% do que era na década de 1980. 

À luz do rápido aumento das temperaturas globais causado pelas emissões de gases de efeito estufa, o Acordo de Paris de 2016 fez governos de todo o mundo se comprometerem com ações destinadas a manter o aquecimento global abaixo de 2°C em comparação com os níveis pré-industriais.

Esses esforços globais foram conquistas extraordinárias que incluíram o reconhecimento dos nossos erros, o uso de ferramentas de previsão e a criação de saídas para os nossos problemas. Mas evitar futuras crises exigirá que nossos planos sejam executados.

A previsão humana é uma ferramenta incrivelmente poderosa. Aprendendo a dirigir melhor nossas máquinas mentais do tempo, podemos criar um futuro pelo qual vale a pena esperar.

*Partes deste texto foram uma adaptação de trechos do livro "The Invention of Tomorrow: A Natural History of Foresight" (Basic Books, 2022) de Thomas Suddendorf, Jon Redshaw e Adam Bulley.