SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Pesquisa identifica 3 tipos cerebrais diferentes de TDAH: como isso pode mudar tratamento para o transtorno

 

Menina se distrai olhando para o alto enquanto segura lápis, supostamente enquanto faz lição de casa

Crédito,Getty Images

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Por décadas, médicos e pesquisadores trataram o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade — o TDAH — como se fosse uma condição relativamente única, variando apenas no quanto cada pessoa era desatenta, hiperativa ou impulsiva.

Agora, um estudo publicado em fevereiro de 2026 na revista científica JAMA Psychiatry, uma das publicações de psiquiatria mais respeitadas do mundo, vem colocar em xeque essa visão.

Usando imagens de ressonância magnética do cérebro de mais de mil crianças, pesquisadores de universidades na China, nos Estados Unidos e na Austrália conseguiram identificar três perfis cerebrais distintos dentro do TDAH — o que a pesquisa chama de "biotipos".

Segundo o estudo, cada um dos perfis tem suas próprias características no cérebro, com diferentes sintomas predominantes e implicações para quais tratamentos funcionam melhor para cada perfil.

O problema com o diagnóstico atual

O manual que orienta os diagnósticos psiquiátricos em boa parte do mundo, o DSM, classifica o TDAH com base em comportamentos observáveis — dificuldade de atenção, impulsividade, agitação — e a partir daí define se o quadro é predominantemente desatento, hiperativo ou combinado.

O problema é que esse sistema foi construído com base em consenso clínico — grupos de especialistas deliberando sobre quais comportamentos são clinicamente relevantes — e não necessariamente no que ocorre no funcionamento do cérebro.

Mas o novo estudo demonstra que o que ocorre no cérebro é muito mais variado do que as categorias do DSM conseguem descrever.

"O TDAH é caracterizado por uma considerável heterogeneidade clínica, e os sistemas de classificação existentes limitam o desenvolvimento de abordagens baseadas em neurobiologia", escrevem os pesquisadores logo na abertura do artigo.

Para Guilherme Polanczyk, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Neurodesenvolvimento e Saúde Mental da USP e do Programa de Diagnóstico e Intervenções Precoces do IPq (Instituto de Psiquiatria), o DSM continua sendo um instrumento válido — mas insuficiente para dar conta da diversidade real dos pacientes.

"Existe um grupo muito heterogêneo de pessoas com TDAH, assim como ocorre em outros diagnósticos", afirma.

"As técnicas de neurociência, sem dúvida, têm potencial para identificar esses subgrupos, e entendemos que, eventualmente, isso poderia levar a tratamentos mais direcionados e específicos."

Ilustração de criança com fios coloridos emaranhados no lugar do cérebro

Crédito,Getty Images

Como o estudo foi feito

A equipe, liderada pelo médico e pesquisador Qiyong Gong, da Universidade de Sichuan, na China, coletou imagens de ressonância magnética estrutural — um exame que mostra a anatomia do cérebro em detalhes — de crianças com e sem TDAH em seis centros de pesquisa diferentes, espalhados por China e Estados Unidos.

No total, participaram 446 crianças com diagnóstico de TDAH e 708 sem o transtorno no grupo principal do estudo. Os resultados foram depois verificados em um segundo grupo independente, com mais 554 crianças com TDAH. A média de idade era de cerca de 11 anos.

A partir das imagens, os pesquisadores construíram o que chamam de "redes de similaridade morfométrica" — uma forma de mapear como diferentes regiões do cérebro se assemelham entre si em estrutura e volume.

Regiões que crescem e se desenvolvem de forma parecida tendem a trabalhar juntas, e alterações nessa rede podem revelar como o cérebro de uma criança difere do padrão esperado.

Para estabelecer esse padrão de referência, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada modelagem normativa. Com ela, é montada uma espécie de curva de crescimento aplicada ao cérebro.

Assim como um pediatra usa uma curva de peso para avaliar se uma criança está dentro do esperado para sua idade, essa abordagem quantifica o quanto o cérebro de cada criança se afasta da norma em determinadas regiões.

Com esses desvios mapeados individualmente, os pesquisadores aplicaram algoritmos para agrupar as crianças de acordo com os padrões encontrados — sem usar nenhuma informação clínica, apenas os dados cerebrais.

O que emergiu foram três grupos distintos.

Os três biotipos

Biotipo 1 — O mais grave: combinado com desregulação emocional

Este grupo reuniu 142 crianças e foi o que apresentou os quadros mais intensos. As alterações cerebrais estavam concentradas no córtex pré-frontal medial e numa estrutura chamada pálido — regiões ligadas ao controle emocional, à tomada de decisão e à regulação do comportamento.

Clinicamente, essas crianças tinham os maiores níveis tanto de desatenção quanto de hiperatividade/impulsividade. Mas o que mais se destacou foi a dificuldade de controlar as emoções: elas tinham mais problemas para lidar com frustração, raiva e angústia do que os outros grupos.

Ao longo do tempo, enquanto os outros biotipos mostraram melhora nessa área, o biotipo 1 permaneceu mais estável — ou seja, os sintomas emocionais persistiam.

Esse grupo também apresentou maior taxa de transtornos de humor associados, como ansiedade e depressão, embora o número de casos não fosse grande o suficiente para ser conclusivo estatisticamente.

O destaque dado à desregulação emocional é um dos pontos que mais chamou a atenção de especialistas. Para Polanczyk, esse achado dialoga diretamente com uma linha de pesquisa em crescimento.

"A irritabilidade vem sendo bastante estudada e reconhecida como um fator associado a maior gravidade e a maior dificuldade de resposta aos tratamentos", diz.

O próprio grupo do pesquisador tem um estudo em fase de publicação que, usando o temperamento como critério de agrupamento em crianças pequenas com TDAH, chegou a conclusão semelhante: a irritabilidade distingue um subgrupo específico de pacientes.

Para Danielle Admoni, psiquiatra especializada em infância e adolescência pela Unifesp, o estudo confirma algo que a prática clínica já sinalizava: a dificuldade de controlar emoções não é apenas um efeito colateral do TDAH — em certos perfis, ela pode ser tão definidora do quadro quanto a desatenção ou a hiperatividade.

Ela aponta implicações diretas para o tratamento: "A gente tem casos de TDAH que melhoram muito pouco com a medicação. Será que nesses casos a gente não precisa associar alguma coisa pensando nessa desregulação emocional — de repente um estabilizador de humor, alguma outra medicação — entendendo que isso pode ser algo mais central do que se pensava até então?"

Biotipo 2 — Predominantemente hiperativo/impulsivo

Com 177 crianças, este foi o maior dos três grupos.

As alterações cerebrais estavam concentradas no córtex cingulado anterior e, novamente, no pálido — um circuito ligado ao controle de impulsos e à capacidade de inibir comportamentos.

O perfil clínico bateu bem com a neurobiologia: hiperatividade e impulsividade eram os sintomas dominantes, com a desatenção aparecendo em menor grau.

Ao longo do acompanhamento, esse grupo mostrou melhora na regulação emocional — ao contrário do biotipo 1.

Biotipo 3 — Predominantemente desatento

Este grupo reuniu 127 crianças. As alterações cerebrais eram mais localizadas, concentradas principalmente no giro frontal superior, uma região associada à atenção sustentada e à memória de trabalho — aquela capacidade de manter informações na cabeça enquanto se realiza uma tarefa.

Clinicamente, a desatenção era o sintoma dominante, com hiperatividade e impulsividade em segundo plano.

Das três, foi a configuração que apresentou os desvios cerebrais menos extensos, sugerindo um quadro mais focal e, possivelmente, mais específico de responder a certas intervenções.

Mãe ajuda filho com lição de casa enquanto ele mexe em brinquedo

Crédito,Getty Images

Por que as descobertas importam

A descoberta mais relevante do estudo não é simplesmente o número de biotipos — mas sim o fato de que esses grupos foram identificados sem que os pesquisadores usassem qualquer informação clínica.

O algoritmo olhou apenas para o cérebro e chegou a agrupamentos que, depois, se mostraram coerentes com o comportamento das crianças. Isso é o que os cientistas chamam de validação convergente: duas formas diferentes de olhar para o mesmo problema chegam à mesma conclusão.

Isso é relevante porque sugere que esses biotipos não são apenas uma construção estatística conveniente — eles podem refletir diferenças biológicas reais. E se as diferenças são biológicas, elas potencialmente respondem de formas diferentes a tratamentos.

O estudo foi além e investigou quais substâncias químicas do cérebro apresentavam alterações em cada biotipo.

Os três perfis mostraram padrões distintos: o biotipo 1 envolve dopamina e serotonina — ligadas a humor, motivação e bem-estar — além de acetilcolina, relacionada à memória e atenção. O biotipo 2 apresentou alterações em glutamato, o principal mensageiro de ativação do cérebro, entre outras substâncias. O biotipo 3 mostrou alterações mais restritas, também ligadas à serotonina.

Os medicamentos mais usados no TDAH hoje — como o metilfenidato, conhecido como Ritalina — agem principalmente na dopamina e na noradrenalina, substâncias ligadas à atenção e ao autocontrole.

Mas se o biotipo 2 tem seu perfil dominante ligado ao glutamato — principal mensageiro de ativação do cérebro — e ao sistema endocanabinoide — rede de receptores que regula humor, dor e sono —, a pergunta que se coloca é direta: esse grupo responde da mesma forma ao tratamento convencional? Talvez não.

O que o estudo não responde — e por que os resultados ainda pedem cautela

Apesar da consistência dos achados, os próprios pesquisadores foram cuidadosos ao demarcar o que o estudo pode e não pode afirmar. E há críticas externas que merecem atenção.

O estudo fotografa o cérebro em um momento — não acompanha as mesmas crianças por anos para ver se o biotipo muda com o tempo.

Em crianças, cujo cérebro ainda está em intensa formação, isso é uma limitação real.

A psiquiatra Danielle Admoni lembra que o desenvolvimento cerebral segue em transformação até por volta dos 30 anos, o que torna o quadro ainda mais dinâmico.

Mas ela vê nisso não apenas uma limitação, e sim uma pista clínica importante: "Você pode transitar entre esses três subtipos ao longo da vida — pode começar com um e depois migrar para outro. Os biotipos não são estanques, assim como a plasticidade neuronal também não é."

Isso, na sua avaliação, reforça a necessidade de acompanhar o paciente longitudinalmente, e não apenas fazer um diagnóstico fixo em um momento.

Outro ponto de atenção é que a amostra é predominantemente masculina — 76% dos participantes com TDAH eram meninos.

Como o transtorno se apresenta de formas diferentes em meninas, Polanczyk reforça que validar os biotipos em amostras com maior representação feminina é um passo necessário antes de qualquer generalização.

Outro ponto diz respeito à viabilidade prática. O estudo foi feito em centros de pesquisa com equipamentos sofisticados e protocolos rigorosos.

"A neuroimagem é pouco acessível quando se pensa em saúde pública — essa é uma barreira concreta", alerta Polanczyk. Para que esses achados possam ser traduzidos para a prática clínica, será necessário desenvolver métodos de subtipagem que funcionem com recursos disponíveis em diferentes contextos.

E, talvez o ponto mais importante: o fato de existirem três perfis cerebrais distintos não significa que tratar cada um de forma diferente vai necessariamente mudar os resultados clínicos.

Isso ainda precisa ser testado em ensaios clínicos específicos — o que pode levar anos. O próprio Polanczyk adverte contra o entusiasmo prematuro: "Muitas vezes as pessoas antecipam implicações clínicas e já propõem tratamentos específicos, mas ainda não chegamos a esse ponto."

Crianças riem durante aula em jardim de infância

Crédito,Getty Images

O que vem a seguir

O estudo lança as bases para uma abordagem que cientistas chamam de "medicina de precisão" aplicada à psiquiatria: em vez de tratar o TDAH como um bloco único, identificar qual é o perfil neurobiológico de cada paciente e ajustar o tratamento a partir daí.

"As pessoas não vão manifestar a mesma doença da mesma maneira, e o tratamento não vai ser o mesmo. A ideia é uma coisa mais precisa — sintomas específicos, subtipos específicos, e não só da parte de sintomas, mas também da parte de tratamento e de acompanhamento", resume Admoni.

O caminho, contudo, passa necessariamente por ensaios clínicos que testem se subgrupos diferentes respondem de forma distinta a intervenções distintas.

Um estudo randomizado do grupo de Polanczyk, publicado há alguns anos, já apontou nessa direção: crianças pequenas com TDAH e irritabilidade respondiam melhor ao treinamento parental do que à medicação, que se mostrou mais eficaz nas questões de atenção e cognição.

"Estudos como esse, que identifiquem quais subgrupos respondem melhor ou pior a determinadas intervenções, são fundamentais", diz o pesquisador. "A escolha de medicações específicas por subgrupo só será possível depois desse caminho percorrido."

É uma visão que ainda está no horizonte — não na mesa do consultório. "É um caminho promissor, mas ainda em construção", resume Polanczyk.

São Paulo é campeão de 'homicídios ocultos', apesar de ter menor taxa de assassinatos do país, aponta Atlas da Violência

 

Viatura da Polícia Civil de São Paulo com dois agentes ao fundo, desfocados

Crédito,Governo de São Paulo/Divulgação

Legenda da foto,SP é o Estado com maior número de Mortes Violentas por Causa Indeterminada
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São Paulo é há alguns anos o Estado com menor taxa de homicídios do país no ranking do Atlas da Violência, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Na mais recente edição do levantamento, divulgado nesta terça-feira (26/05), em 2024 o índice foi de 6,6 assassinatos para cada 100 mil habitantes, nível bastante inferior ao da média registrada no país, de 20,1.

Esse número quase dobra, entretanto, quando se leva em consideração o que os pesquisadores chamaram de "homicídios ocultos": mortes violentas classificadas como de causa indeterminada no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, mas que provavelmente foram causadas por assassinatos.

A metodologia desenvolvida por pesquisadores do Ipea procura dar conta do número significativo de mortes que os Estados não conseguem explicar, seja por um problema de comunicação entre as secretarias de saúde e as polícias, seja por conta do volume de mortes cujas causas não são elucidadas pelas autoridades.

"Muitas vezes a declaração de óbito vem com o campo da causa em branco porque o médico legista não tem mais informações pra saber se uma pessoa que está com perfuração de arma de fogo, por exemplo, se aquilo foi um acidente, um suicídio ou homicídio", diz o técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Daniel Cerqueira.

Em 2024, o total de Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI) no país chegou a 17.207 - número que corresponde, para efeito de comparação, a 40% dos homicídios formalmente registrados na base de dados no mesmo período (42.590).

Usando aprendizagem de máquina, os pesquisadores têm usado informações sobre as características das vítimas (como idade, sexo, estado civil, escolaridade e município de residência) e da situação em que a morte ocorreu (instrumento usado, dia, mês, ano e local do incidente) para calcular a probabilidade de que aquele óbito que entrou para as estatísticas como causa indeterminada tenha sido na verdade um assassinato.

O modelo estatístico foi montado a partir de uma base de dados que compila todas as mortes violentas registradas no país desde 1996.

Vamos supor que eu tenha um jovem de 22 anos, pardo, que morreu no meio da rua às dez da noite por perfuração por arma de fogo [e teve o óbito classificado como causa indeterminada]", ilustra Cerqueira.

"Com base no padrão de letalidade do Brasil e nas características desse cara, o modelo vai apontar a probabilidade de aquele jovem ter sido vítima de homicídio", completa.

Entre 2023 e 2024, os homicídios ocultos no país como um todo praticamente dobraram, de 3.755 para 7.083. São Paulo concentra 2.824 desse total, quase 40%. Desde o início da série histórica do Atlas da Violência, em 2014, o Estado é campeão no número de homicídios ocultos, que seguem crescendo. Só entre 2023 e 2024, a alta foi de 24%.

As Mortes Violentas por Causas Indeterminadas seguem a mesma tendência. Em 2024, segundo ano da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), foram 5.844 registradas em São Paulo, 34% do total.

Levando-se em consideração os homicídios ocultos, a taxa de assassinatos do Estado praticamente dobra, vai de 6,6 por 100 mil habitantes para 12,8, e o Estado cai da primeira para a terceira posição no ranking, atrás de Santa Catarina (8,8) e do Distrito Federal (10,9).

Questionada pela BBC News Brasil, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que seus dados "são de natureza jurídica e criminológica, diferentemente dos utilizados como referência pelo levantamento e que são coletados pelo DataSUS".

"Estes identificam a natureza dos óbitos sob o ponto de vista sanitário. Seus critérios e finalidades são absolutamente distintos, portanto, não é razoável qualquer tipo de comparação", diz a nota.

Daniel Cerqueira discorda. O técnico aponta que são semelhantes as tendências apontadas no decorrer da última década pelos dados de homicídios estimados (que levam em consideração os ocultos) pelo Ipea e os dados de mortes violentas intencionais do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública do Ministério da Justiça e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

"É importante qualificar as informações. Sem aferir o grau de qualidade, muitas vezes a gente pode estar com o termômetro quebrado e fazer um diagnóstico errado", opina o pesquisador.

"Como é que a gente pode querer aplicar o remédio mais efetivo se a gente está gerando um diagnóstico errado?", acrescenta.

"Eu acho um mistério porque há tantos anos São Paulo tem esse número grande de mortes por causas indeterminadas. É o Estado mais rico da federação. Não é questão de falta de técnicos habilitados", comenta Cerqueira.

Segundo os dados públicos disponíveis no repositório da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, em 2024 o Estado registrou 2.630 homicídios dolosos, 138 casos de lesão corporal seguida de morte e 170 vítimas em latrocínios (roubos seguidos de morte). Um total de 2.938, ante 3.041 homicídios registrados no Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde e 5.865 homicídios estimados (que leva em conta os ocultos).

A reportagem questionou a pasta sobre as mortes não elucidadas pela polícia, mas não teve resposta.

A secretaria afirmou que "a atual gestão implantou o SPVida, que faz monitoramento e análise minuciosa dos casos registrados com vítimas fatais, garantindo que cada ocorrência seja registrada e investigada adequadamente, para evitar que casos de homicídio sejam erroneamente classificados como morte suspeita. Estes dados são disponibilizados para consulta, como forma de compromisso com a transparência".

Os Estados mais violentos do Brasil

Mesmo caindo no ranking se contabilizados os homicídios ocultos, São Paulo continua entre as regiões com menores taxas de homicídios do país. Os índices no Estado recuaram significativamente nas últimas duas décadas.

Na série histórica do Atlas da Violência, que começa em 2014, o indicador caiu de 14,1 assassinatos por 100 mil habitantes naquele ano para 6,6 em 2024, o dado mais recente.

Em nota à reportagem, a SSP afirmou que "a queda progressiva no número de crimes contra a vida é reflexo do investimento em diversas políticas públicas, com a melhoria de procedimentos, ações e equipamentos das polícias, além do aperfeiçoamento dos sistemas integrados de comando e controle com as forças policiais em todo o Estado de São Paulo".

A trajetória das últimas duas décadas coincide com o fortalecimento da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado, que desde meados dos anos 2000 se consolidou como força hegemônica do crime na região, e é apontado por pesquisadores como uma das razões para a dinâmica do indicador.

Ao contrário do que acontece em outros Estados, em São Paulo não há uma disputa intensa por território entre diferentes grupos criminosos com conflitos armados — ainda que, nos últimos anos, o Comando Vermelho tenha voltado a fazer incursões em território paulista.

A Unidade da Federação com maior índice de homicídios do país, por exemplo — o Amapá, com 45,7 assassinatos por 100 mil habitantes e 47,1, se considerados os homicídios ocultos —, é palco de competição entre diferentes facções em um contexto de disputa pela rota internacional do tráfico de drogas que passa pela região amazônica, a chamada rota do Solimões.

Lá atuam principalmente os grupos Família Terror do Amapá, aliada do PCC, e União Criminosa Amapaense, vinculada ao Comando Vermelho, conforme o estudo Cartografias da Violência na Amazônia, divulgado em novembro do ano passado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

O mesmo documento destaca que, em 2024, além dos conflitos entre facções, um volume expressivo de mortes violentas intencionais registradas pelo Amapá foi cometido por policiais, 37,7% do total.

Depois do Amapá, os Estados com maiores taxas de homicídios do país foram Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3), que também registram a presença de diferentes grupos criminosos em conflito.

As 10 cidades de mais de 100 mil habitantes com maiores taxas de homicídios estimadas do país estão na Bahia e no Ceará. Maranguape (CE) é a mais violenta, seguida por Jequié (BA), Maracanaú (CE), Itapipoca (CE), Caucaia (CE), Juazeiro (BA), Feira de Santana (BA), Porto Seguro (BA), Simões Filho (BA) e Camaçari (BA).

Redução de homicídios e preocupação com 'ponto cego' da estatística

O Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, o que equivale a uma taxa de assassinatos de 20,1 por 100 mil habitantes, índice 7,4% menor do que em 2023 e menor patamar da série histórica.

Apesar da queda da violência letal, os autores alertam para o que chamam de "aumento crítico na subnotificação dos homicídios", referindo-se ao avanço das Mortes Violentas por Causa Indeterminada, que cresceram 88,6% de um ano para outro.

Isso, segundo o estudo, "dificulta a identificação da dinâmica criminal em diferentes territórios e compromete o planejamento, o monitoramento e a avaliação de políticas públicas de segurança".

Além de São Paulo, as Mortes Violentas por Causas Indeterminada cresceram em outros 12 Estados, especialmente no Rio Grande do Norte (117,9%), no Rio de Janeiro (85,7%) e em Alagoas (88%).

Diante da alta, os autores recomendam cautela na análise da melhora dos indicadores de violência na última década.

"Embora o país mantenha tendência de redução dos homicídios em comparação aos picos registrados na década passada, a piora da qualidade da informação pode estar criando um 'ponto cego' estatístico, especialmente em estados com maiores fragilidades institucionais na investigação e no preenchimento dos sistemas de mortalidade", diz o texto.


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30 Ferramentas para Prática Regenerativa!


 30 Ferramentas para Prática Regenerativa!


Regeneração é a prática de alinhar a atividade humana com a capacidade da vida de renovar e florescer, e essas ferramentas ajudam grupos a passar de enquadrar e sentir regeneração, expandir ambição e imaginação, até projetar ações concretas através de sistemas e lugares.

As Ferramentas: 
1. Vídeo Regenerativo dos Futuros Delegados
2. A Grande (Re)Virada
3. A Espiral Regenerativa
4. Descrições Regenerativas
5. Volte a Ter Razão
6. Estruturas e Fluxos
7. Qualidades Mútuas da Vida
8. A Janela da Vitalidade
9. Princípios de Vida
10. Dons Únicos da Vida
11. Reconhecimento das Práticas de Cuidado
12. Sistemas aninhados
13. Quadrantes Regen-Degen
14. A Lente Regenerativa
15. Doze Princípios para Avaliação Focada em Transformação
16. O Diretório de Regeneração
17. Direções da Bússola para Mapeamento Biorregional
18. O Quiz Biorregional
19. Três Horizontes
20. Três Estágios de Mudança
21. Critérios H2+
22. Agrupamento de Reforço
23. Mapeamento de Atores Regenerativos
24. Pedidos e Ofertas
25. Loops da Ambição
26. Dinâmica Regenerativa com o Framework dos 4 Retornos
27. Ondas Adaptativas
28. A Mandala Mundial
29. Navegação por Dilema
30. A Roda da Sabedoria