SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

El Amor Es Imposible por Darío Sztajnszrajber

 

El Amor Es Imposible (2023) é a mais recente investida do filósofo argentino Darío Sztajnszrajber em seu projeto de levar a filosofia para além dos muros acadêmicos, "despojando-a de sua língua críptica" e transformando-a em uma ferramenta para interpelar o senso comum . O livro é a "conclusão esperada e ambiciosa de um ciclo temático" que o autor vinha explorando desde 2016, e se propõe a realizar uma "desconstrução radical sobre um dos eventos mais radicais de nossa existência": o amor .

Diferente de seus trabalhos anteriores, Sztajnszrajber admite que este é seu texto "mais genuíno" e implicado, onde ele "vomita" suas perplexidades e expõe sua vulnerabilidade, ainda que sem recorrer a relatos biográficos explícitos . A obra é costurada por oito teses filosóficas que, em vez de oferecer respostas ou receitas para o amor, funcionam como "provocações" para desmontar a "arquitetura sentimental tradicional" sustentada por instituições como o casamento, a monogamia e a ideia de par . O objetivo não é negar a experiência amorosa, mas sim "problematizar o que damos como certo", criando problemas onde nos disseram que não existem .

A seguir, uma análise detalhada de cada uma das oito teses que estruturam o livro.

As Oito Teses Sobre a Impossibilidade do Amor

Tese 1: "O amor é impossível porque todos os amores não são mais que uma cópia do único amor verdadeiro que é o primeiro amor e que além disso nunca existiu."
Esta tese dialoga com princípios da psicanálise e da filosofia, sugerindo que carregamos a idealização de um "primeiro amor" como modelo único e inalcançável . Todas as relações posteriores seriam, então, tentativas frustradas de replicar uma experiência que, na verdade, é uma construção narrativa, uma fantasia forjada no presente. O passado, uma vez vivido, se desintegra e se torna inacessível em sua forma original. Restam apenas "vestígios, rastros", que interpretamos e revivemos de acordo com nossas expectativas atuais e futuras . Assim, o "primeiro amor" é um mito que nos condena à decepção, pois buscamos algo que, em sua essência imaginada, nunca existiu.

Tese 2: "Se o amor é impossível, discutamos o impossível."
Aqui, Sztajnszrajber desconstrói a própria noção de impossibilidade, inspirando-se em filósofos como Derrida e no slogan de Maio de 68: "Sejamos realistas, peçamos o impossível" . O amor é impossível não no sentido de ser inalcançável, mas como "aquilo que se abre uma vez que o possível mostra sua fronteira" . O impossível não é a negação do possível, mas uma categoria que nos convida a questionar as estruturas que determinam nossa realidade. É a busca por "um mundo que nem avizinhamos", um alerta permanente para que não nos acomodemos nas certezas estabelecidas . O "único amor verdadeiro" seria, então, esse amor impossível, que nunca pode ser apresado ou consumado, pois sua essência é "eludir o mundo do possível" para assim perdurar .

Tese 3: "O amor é impossível porque é inefável."
O amor resiste a qualquer tentativa de definição ou apreensão total pela linguagem. As palavras são ferramentas limitadas que não conseguem capturar sua essência . Citando autores como Wittgenstein e Derrida, Sztajnszrajber argumenta que, no momento em que tentamos lexicalizar o amor, impomos a ele uma interpretação simbólica e cultural que o trai. A inefabilidade, longe de ser uma falha, é o que "protege o amor de sua redução às categorias da linguagem" . É por isso que o "te amo" pode ser visto como uma "fórmula industrial, serial, artificiosa, falsa", uma tentativa de capturar o inapreensível que acaba por esvaziá-lo .

Tese 4: "O amor é impossível porque é sempre a destempo."
O amor nunca chega na hora certa. Seja por circunstâncias externas, pela falta de sincronia entre as pessoas ou pela percepção subjetiva, o amor é marcado pelo desencontro . No entanto, essa falta de sincronia, que pode ser uma fonte de frustração, é também o que "mantém vivo o desejo e a fantasia do amor", protegendo-o "da degradação da rotina e da cotidianidade" . O amor a destempo é uma força disruptiva que suspende a previsibilidade do relógio e abre espaço para a experiência do impossível, vivendo na "saudade do que não pôde ser" .

Tese 5: "O amor é impossível porque é incalculável."
O amor genuíno não pode ser produto de um cálculo racional ou de uma estratégia de conveniência. Sua natureza é imprevisível e irrompe na vida como "um assalto que desestabiliza e desarma qualquer planificação" . Ele se opõe ao "pensamento calculador" que busca produtividade e benefício, instaurando uma lógica de gratuidade e perda de controle.

Tese 6: "O amor é impossível porque todo amor é sempre um desamor."
Esta tese aponta para a ambiguidade constitutiva do amor. Amar é também estar sujeito à perda, à frustração e à ausência. A idealização do amor como pura positividade é desmontada para dar lugar a uma visão mais complexa, onde o desamor não é o oposto, mas uma sombra que acompanha inevitavelmente a experiência amorosa .

Tese 7: "O amor é impossível devido aos condicionamentos institucionais do amor."
Sztajnszrajber critica como o amor foi capturado e moldado por instituições como a família, a Igreja e o Estado, que o reduziram a formatos normativos como o casamento monogâmico e heterossexual . Essas estruturas, em vez de protegerem o amor, muitas vezes o engessam, criando expectativas irreais e transformando a relação em um contrato social que sufoca a alteridade. A desconstrução desses "condicionamentos institucionais" é fundamental para liberar o amor de sua versão "comercial, romântica, que nos é vendida como dominante" .

Tese 8: "O amor é impossível porque o amor é o outro."
Esta é a tese que, nas palavras do autor, amarra todas as outras e representa o coração do livro . O amor verdadeiro não é uma expansão do eu, mas uma "retração, uma perda". É a experiência de ser desarmado pelo outro, que nunca pode ser completamente conhecido, possuído ou reduzido a um objeto que nos complete . Sztajnszrajber desconstrói a metáfora da "media naranja", argumentando que ela supõe que somos uma metade à espera de complementação. "Se o outro é um outro, nunca vai te completar porque é um outro, excede aquilo que você supõe que ele tem que ter para te completar" .

Em vez disso, o amor é o encontro com essa alteridade radical, que nos desestabiliza e nos mostra os limites do nosso eu. "O outro é o grande ausente", inclusive da política . E é essa ausência, essa impossibilidade de apreensão total, que torna o amor uma busca eterna e transformadora. Amar é "escapar de si mesmo", é se abrir para o risco da desconstrução da própria identidade .

Uma Análise Crítica, Humana e Existencial

As Origens do Amor: Entre o Mito e a Falta
O livro sugere que a origem do amor não está em uma plenitude passada (o primeiro amor), mas sim em uma falta estrutural. Amamos porque somos incompletos, mas não no sentido de buscar uma "outra metade" que nos complete. A incompletude é a condição de possibilidade para a abertura ao outro. O amor nasce desse vazio, dessa impossibilidade de ser autossuficiente, e é justamente por isso que ele nos move. O "primeiro amor" é uma ficção que criamos para dar sentido a essa busca, um mito de origem que esconde que a origem é, na verdade, a falta.

A Humanidade sem Amor: Um Projeto Inacabado?
A partir da provocação de Sztajnszrajber, podemos refletir sobre para onde caminha a humanidade com ou sem amor. Se o amor, como ele propõe, é essa experiência radical de descentramento do eu e abertura ao outro, então:

  • Com amor, a humanidade caminha para um estado de permanente questionamento e transformação. O amor, em sua impossibilidade, funciona como uma "voz de alerta" que nos impede de cristalizar nossas identidades, relações e instituições . Ele nos força a sair da zona de conforto do "possível" (o mundo do consumo, da utilidade, das normas) para vislumbrar outras formas de existir e de se relacionar. É uma força revolucionária que nos "interpela", que nos desacomoda e nos humaniza na medida em que nos reconhece como seres vulneráveis, capazes de serem afetados pelo outro .

  • Sem amor (ou com a versão domesticada e institucionalizada que o livro critica), a humanidade corre o risco de se fechar em um projeto de autossuficiência e expansão narcísica. Seria um mundo governado pelo "pensamento calculador", onde as relações são meras trocas de conveniência e o outro é apenas um instrumento para a nossa própria realização . Nesse cenário, a solidão não seria a solidão existencial que nos abre ao outro, mas um isolamento egoico, onde estamos sempre cercados de "outros" que são, na verdade, extensões de nós mesmos.

O livro de Sztajnszrajber, portanto, não é um tratado de pessimismo, mas um ato de fé na potência transformadora da filosofia e do amor. Ao afirmar que o amor é impossível, ele nos liberta da tirania de ter que alcançá-lo, possuí-lo ou defini-lo. A impossibilidade não é um ponto final, mas um ponto de partida. É um convite para "animar-se ao impossível", para aceitar que a beleza do amor reside justamente em sua natureza fugidia, em sua capacidade de nos tirar do lugar, de nos lançar em direção ao outro sem garantias de retorno ou sucesso. Como ele mesmo diz, o amor nos leva a um lugar onde "não queremos estar onde estamos" . E talvez seja exatamente essa insatisfação criativa, esse estranhamento em relação ao dado, que nos define como humanos.

Quantum e Cosmos: Introdução à Metacosmologia por Mario Novello

 


O físico e cosmólogo brasileiro Mario Novello, em Quantum e Cosmos, propõe uma reflexão que transcende os limites da ciência tradicional. O livro é um convite para recuperar o "maravilhamento" diante do Universo, um sentimento que, segundo o autor, foi perdido ao longo do século XX quando a cosmologia se reduziu a um "afazer técnico e prático", repleto de equações inacessíveis que não estimulam uma reflexão mais profunda sobre a existência .

Novello parte da crítica do filósofo Martin Heidegger, que via a ciência moderna como incapaz de produzir "modos de pensar amplos" que despertem o espírito. Contra essa visão, o autor argumenta que a cosmologia contemporânea está justamente gerando ideias capazes de renovar o pensamento. É nesse contexto que ele introduz o conceito de metacosmologia: enquanto a cosmologia se dedica ao estudo do nosso Universo, a metacosmologia ousa pensar sobre a totalidade dos "universos compossíveis" e as estruturas que os tornam possíveis .

A obra se debruça sobre a questão fundamental da metafísica, também levantada por Heidegger: "por que existe alguma coisa em vez de nada?" . Para construir essa reflexão, Novello explora uma série de tópicos que desafiam a visão clássica e determinista do cosmos:

  • Fim do Determinismo Clássico: As leis da física, antes vistas como rígidas e eternas, dão lugar a "leis cósmicas variáveis, dependentes do tempo cósmico". A descoberta de processos de bifurcação – fenômenos que podem seguir um entre dois ou mais caminhos possíveis – revela um "cosmos indeciso" e hesitante, que limita o determinismo e abre espaço para o novo e o imprevisto .

  • O Universo Inacabado e Cíclico: O livro contrapõe a visão ingênua de um Universo que teria um fim definitivo num "grande cataclismo (Big Crunch)". Novello, que em 1979 elaborou o primeiro modelo de um universo eterno, defende um cosmos em eterno processo de formação. "O Universo ainda está em formação, é inacabado, eternamente inacabado, imerso em um processo contínuo de formação, criação e destruição". Nessa visão cíclica, o Universo emerge do vazio e para ele retorna, num processo sem fim aparente, onde novos universos podem surgir com diferenças a cada ciclo .

  • Universo Solidário e Ética Cósmica: A obra culmina com a retomada da ideia de Giordano Bruno sobre um "universo solidário". A partir dessa compreensão de interconexão total, Novello sugere a possibilidade de construir uma ética. Se tudo está interligado em um cosmos que se autoconstroi, nossa percepção de separação é uma ilusão, e dessa consciência emerge um novo fundamento para a ação ética no mundo .

Em suma, Quantum e Cosmos é uma obra que transita entre a física, a filosofia e a ética, propondo que a ciência, em vez de nos afastar do mistério, pode nos reconectar com ele através de uma nova forma de pensar que Novello chama de metacosmologia.

Comparação Crítica, Humana e Cosmológica: O Amor Impossível e o Universo Inacabado

A ausência de trechos diretos da obra de Sztajnszrajber impede uma análise textual, mas podemos esboçar um diálogo crítico a partir do que se conhece de seu pensamento. Darío Sztajnszrajber é um filósofo conhecido por desconstruir conceitos arraigados, e seu livro El Amor Es Imposible provavelmente aborda o amor não como algo a ser alcançado ou possuído, mas como uma experiência que só é possível justamente por sua impossibilidade estrutural – uma força que nos tira de nós mesmos e rompe com a lógica da utilidade e da posse.

A tabela a seguir sintetiza os possíveis pontos de diálogo e tensão entre as duas obras:

Eixo Temático"El Amor Es Imposible" (Hipótese Filosófica)"Quantum e Cosmos" (Metacosmologia Científica)Síntese Crítica
Natureza da RealidadeO amor é uma experiência de ruptura com a mesmice, uma desconstrução do sujeito e do objeto. Ele não se encaixa em categorias fixas.O cosmos é indeciso, inacabado e marcado por bifurcações. A realidade não é determinista, mas aberta a possibilidades .Ponto de Convergência: Tanto o amor quanto o cosmos fogem de uma lógica determinista. O amor, como impossibilidade, e o cosmos, como indecisão, apontam para uma realidade que não é dada de antemão, mas que se constrói na relação e na abertura ao acaso.
Relação com o VazioAmar é aceitar a falta, a impossibilidade de completude. O outro não é a metade que nos completa, mas um ser que nos confronta com o vazio constitutivo do ser.O universo emerge do vazio e para ele retorna em ciclos eternos. O vazio não é ausência, mas a potência de onde tudo pode surgir .Ponto de Tensão: Se para a filosofia o vazio pode ser a angústia da incompletude que o amor escancara, para a cosmologia o vazio é a fonte criadora. A ponte se daria ao pensarmos que é exatamente desse "vazio" existencial que a potência do amor – como criação contínua e não como solução – pode emergir.
Conexão e ÉticaO amor verdadeiro desemboca em uma ética da alteridade, onde o outro é reconhecido em sua diferença radical, sem ser reduzido ao eu.A ideia de um "universo solidário", onde tudo está interligado, fundamenta uma nova ética. A separação é uma ilusão .Diálogo Complementar: A metacosmologia oferece uma base ontológica (a interconexão cósmica) para a ética do amor. Se o cosmos é solidário, o amor deixa de ser um mero sentimento subjetivo e se torna um princípio cósmico de reconhecimento do outro como parte indissociável de uma mesma realidade inacabada.
FinalidadeO amor não tem utilidade, não serve para nada. Sua grandeza reside em sua gratuidade.O universo cíclico não tem um fim teleológico. Ele se repete, mas com diferenças, num processo sem propósito externo, apenas autocriação perpétua .Convergência Profunda: Tanto o amor (na visão do filósofo) quanto o cosmos (na visão do físico) são gratuitos. Não existem para cumprir um objetivo pré-determinado. O amor é impossível como produto, mas possível como processo, assim como o universo é um eterno inacabamento, um eterno processo de se fazer.

As Origens do Amor e o Destino da Humanidade e do Cosmos

Se as origens do amor estão na falta, no encontro com o outro e na ruptura com o ego, Quantum e Cosmos sugere que essa dinâmica não é apenas humana, mas cósmica. O amor seria, então, uma manifestação localizada de uma tendência universal à relação e à solidariedade. Assim como o cosmos se autoconstroi a partir do vazio e da bifurcação, o amor humano se constrói na relação com a alteridade, sem um roteiro prévio, sempre "inacabado".

Quanto ao destino da humanidade e do cosmos, o pensamento de Novello oferece uma perspectiva paradoxal. Com amor ou sem amor, o cosmos continuará seu ciclo eterno de criação e destruição. No entanto, a consciência humana desse processo – a capacidade de experimentar o amor como uma força de solidariedade cósmica – pode definir o destino da nossa humanidade. Se nos percebermos como parte desse "universo solidário", nossa ética e nossa ação no mundo podem se alinhar a essa dinâmica criativa e relacional. Sem essa consciência, corremos o risco de viver na ilusão da separação, agindo como se fôssemos uma parte isolada de um todo que, na verdade, nos constitui.

Em conclusão, a leitura conjunta dessas obras nos convida a pensar que, assim como o universo é eternamente inacabado, o amor é uma tarefa infinita. Ambos nos confrontam com o vazio e a possibilidade, e nos chamam a participar ativamente de um processo que é, ao mesmo tempo, profundamente humano e vastamente cósmico.

BaianaSystem Carnaval 2026

 


To chegando de lá e trago realmente um pagode bem incrementadoQue começa mais ou menos assim, hein
Hoje vai ter BalacobacoTem pandeiro e tem cavacoSamba de prato, ninguém vai dar pitaco
Balacobaco, pandeiro, tem cavacoSamba de prato, ninguém vai dar pitaco
Pitaco, pitacoNinguém vai dar pitacoPitaco, pitaco, bateu, subiu, ficou no vácuo
Fraco, fraco, fracoEu 'to firme e não fico fracoBoto a meta de aba retaNo peito um colar de prata
Não importa o que você sabeO que importa é o que você faz com o que sabeNão importa o que você temO que importa é o que você faz com o que tem
Eu sei que eu preciso das notasEu sei que você não me notaEu sei que esse mundo dá voltasO mundo dá voltas
O mundo dá voltasO mundo dá voltasO mundo dá voltasO mundo dá voltas
Hoje vai ter BalacobacoTem pandeiro e tem cavacoSamba de prato, ninguém vai dar pitaco
Balacobaco, pandeiro, tem cavacoSamba de prato, ninguém vai dar pitaco
Pitaco, pitacoNinguém vai dar pitacoPitaco, pitaco, bateu, subiu, ficou no vácuo
Ficou no vácuo, no pandeiro, no cavacoNo atabaque, na cuíca, subindo o Navio PirataE eu não me importoNão perco o focoNem no sufocoPague o meu troco
Eu sei que eu preciso das notasEu sei que você não me notaEu sei que esse mundo dá voltasO mundo dá voltas
O mundo dá voltasO mundo dá voltasO mundo dá voltas
O glamour com o meu sofrimentoÉ a estrela de horário nobreA história de um povo pobreDitada por quem me deviaMinha dor numa galeriaPreencheu o seu bolso de bemFamilícia lhe faz de refémMinha família quase não se criaSolo câmbia se tu aquí miraQue o teu câmbio não chega no NorteNo Nordeste tem falta de aporteMas excesso de cultura e raizEu viajo por esse paísEm um flow retirante high techMonocromo na cor da minha vestePra palavra ser força motrizO seu like não me viralizaNão esqueço de onde eu vimEu prefiro a cachaça a ginAbya Yala que não tem divisaPra esse apoio que não cicatrizaEu sou Robin Hood do agresteFaço com arte, espalho a pesteDo passado que me trouxe aqui
Do futuro não dá pra fugirVou valer toda a sua moedaPartilhar com os meus toda prata que brilha mais forte na selva de pedra




nflama, inflama

Não passa disso, não me engana
Que eu sou sulamericano de Feira de Santana
Avisa o americano
Eu não acredito no Obama
Revolucionário, Guevara
Conhece a liberdade sem olhar no dicionário
Sem olhar no dicionário, ele conhece a liberdade
Vamo que vamo, vou traçando vários planos
Vou seguir cantarolando pra poder contra-atacar

Contra-atacar, contra-atacar
Eu vou traçando vários planos
Pra poder contra-atacar
Contra-atacar, contra-atacar
Traçando vários planos
Pra poder contra-atacar
Contra-atacar, contra-atacar
Eu vou traçando vários planos
Pra poder contra-atacar
Contra-atacar, contra-atacar
Eu vou traçando vários planos

Nas veias abertas da América Latina
Tem fogo cruzado queimando nas esquinas
Um golpe de estado ao som da carabina, um fuzil
Se a justiça é cega, a gente pega quem fugiu

Justiça é cega (contra-atacar)
Justiça é cega (eu quero contra-atacar)
Justiça é cega (eu quero contra-atacar)
Justiça é cega (eu quero contra-atacar)

Inflama, inflama
Não passa disso, não me engana
Inflama, inflama

Esta ciudad es la propriedad
Del señor Matanza
Esta ciudad es la propriedad
Del señor Matanza

Esa olla, esa mina y esa finca y ese bar
Ese paramilitar
Son propriedad del señor Matanza

Ese federal, ese chivato y ese sapo
El sindicato y el obispo general
Son propriedad del señor Matanza

Buenas jineteras y alcohol
Que está bajo control
La escuela y el Monte de Piedad
Son propriedad del señor Matanza

Él decide lo que va, dice lo que no será
Decide quién la paga, dice quién vivirá
Y mi niero que lo llevan y se van
Lo que mata, pan-pan
Son propriedad del señor Matanza

A mi niero llevan pa'l monte
A mi niero llevan pa'l monte
A mi niero llevan pa'l monte
A mi niero llevan pa'l monte

Nas veias abertas da América Latina
Tem fogo cruzado queimando nas esquinas
Um golpe de estado ao som da carabina, um fuzil
Se a justiça é cega, a gente pega quem fugiu

Justiça é cega (contra-atacar)
Justiça é cega (eu quero contra-atacar)
Justiça é cega (eu quero contra-atacar)
Justiça é cega (eu quero contra-atacar)

Inflama, inflama
Não passa disso, não me engana
Inflama, difama
E mas a gente não se engana

A mi niero llevan pa'l monte
A mi niero llevan pa'l monte
A mi niero llevan pa'l monte
A mi niero llevan pa'l monte





Eu quero as coisas
Que o dinheiro não vai te dar
Hoje eu quero as coisas
Sem dinheiro não vai comprar

Eu quero as coisas
Que o dinheiro não vai te dar
Hoje eu quero as coisas
Sem dinheiro não vai comprar

Ah ah ah
Um anel de latão pra te dar
Ah ah ah
De lata tata tá tata
Ah ah ah
Um anel de latão pra te dar
Ah ah ah

Gosto dela colado comigo
Tô contente basta tá contigo
Dança junto, aqui não tem perigo
Chega perto, mais perto
Vou te contar
Chega junto, mais junto
Vou te levar
Não tem dinheiro que pague
Ahh ah ah

Olha o que eu comprei
Presente pra você, iaiá, gostar
Olha o que eu toquei
Presente pra você, iaiá, dançar

Eu quero as coisas
Que o dinheiro não vai te dar
Hoje eu quero as coisas
Sem dinheiro não vai comprar

Eu quero as coisas
Que o dinheiro não vai te dar
Hoje eu quero as coisas
Sem dinheiro não vai comprar

Ah ah ah
Um anel de latão pra te dar
Ah ah ah
De lata tata tá tata
Ah ah ah
Um anel de latão pra te dar
Ah ah ah

Se não houver clamor, não haverá amor sem luta! Por Egidio Guerra.




Se não houver clamor, não haverá romance. Pode guardar isso no peito. Porque a história bonita, a que faz o coração pulsar e a mente se libertar, não se escreve com a caneta dos discursos vazios, mas com o sangue, o suor e a voz rouca de quem grita, ama e luta. 

Sabemos muito bem viver sós. A solidão é a moeda de troca do sistema que nos fragmenta. Mas temos a mais profunda das convicções: a luta da classe média assustada, do pobre esfomeado e do miserável invisível é a mesma luta. O que nos une não é a conta bancária, é a falta de horizonte. E quando acertamos as alianças — aquelas que não são de fachada, mas de trincheira — e quando a vontade de lutar incendeia o medo, a solução para a desigualdade, o racismo e o imperialismo deixarão de ser utopia e vira possibilidade. 

A história de cada grito de uma pessoa — o trabalhador que acorda às 4 da manhã, a mãe que enterra um filho na periferia, o jovem preto que desvia de bala perdida — esse grito solitário se aglomera. E dessa aglomeração nasce um romance libertário, a epopeia da luta de todos. 

Mas não adianta, não. Não adianta o discurso emocionado de uma esquerda de palanque que nunca pisou no barro, que fala sobre vidas das quais nada sabe, mas quer ditar as regras. Não adianta o choro fácil de quem vê a pobreza da sacada. É preciso descer, sujar as mãos e calar a boca para ouvir. Porque por trás do escudo do ICE de Trump e das botas dos bolsonaristas não existe apenas um político corrupto; existe uma suástica, sim, ou o brasão envelhecido das mesmas oligarquias e elites que sugam o Estado há séculos. 

Os avanços da direita sobre os setores populares são fábricas de desespero. O efeito dessa perda não é só econômico, é a aniquilação dos espaços seguros para a mente e para a voz. Mas é exatamente por isso, nesse beco sem saída aparente, que a hora de se revoltar é agora. Agora ou nunca. Agora ou a alma definha de vez. 

Diante desse inimigo comum — esse monstro de múltiplas cabeças que usa toga, farda, batina e terno — novos aliados surgem das cinzas. Necessitamos da ampla solidariedade do antifascismo no mundo. Necessitamos despertar a dócil multidão histérica que reza nas igrejas enquanto é metralhada nas periferias. Porque sem elas, sem os pobres e os crentes, as diversas formas de prostituição, exploração, submissão e os loucos, não venceremos a guerra. Eles estão além dos seus limites de forças. Estão além da resistência física. Estão beirando a insanidade. E com razão. Pois é de enlouquecer qualquer um diante da incompetência, da corrupção e da insensibilidade dos nossos governos, que são apenas as testas de ferro das mesmas oligarquias e elites que vivem do Estado e dos privilégios. 

É fácil ignorar o mal que nos cerca. É cômodo ver só a superfície. Mas nós, que enxergamos a escória, sabemos: eles são os responsáveis pelas maiores desigualdades, corrupção e injustiças do mundo. E contra eles, o romance da nossa revolta será escrito com letras garrafais, nas ruas, com o clamor de quem não tem mais nada a perder, a não ser a própria miséria. 

Lutar é preciso. Clamar é urgente. O romance virá.