SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 17 de maio de 2026

Como cuidar dos seus cabos de celular (certamente não da maneira como você está fazendo)

 

Cabo branco enrolado sobre um fundo verde

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Existe uma maneira correta de enrolar um cabo de carregador?
    • Author,Thomas Germain
    • Role,BBC Future
  • Published
  • Tempo de leitura: 5 min

Michael Pecht tortura cabos de carregadores. Ele é fundador do Centro de Engenharia Avançada do Ciclo de Vida, da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, laboratório para onde empresas de tecnologia enviam aparelhos para descobrir as causas de falhas.

"Somos como um necrotério", disse Pecht. "Só que de eletrônicos."

Sua equipe já submeteu cabos USB a todo tipo de teste extremo: esmagou, esticou, conectou repetidamente e muito mais. Como se isso não bastasse, Pecht ainda coloca os cabos danificados em aparelhos de raio X para analisar os danos.

Liguei para Pecht com o que parecia ser uma pergunta simples: existe uma maneira correta de enrolar um cabo de carregador?

Passei a vida inteira acreditando que o ideal era enrolar os cabos em voltas largas e soltas, sem apertar demais, porque dobrar ou embolar fios seria uma forma rápida de estragá-los.

É uma ideia muito comum entre as pessoas que conheço, então imaginei que ouviria alguma explicação científica confirmando minha forma de enrolar cabos.

Em vez disso, descobri que eu e provavelmente milhões de outras pessoas estávamos nos preocupando à toa.

"Isso simplesmente não faz diferença", afirma Pecht. "Já fizemos trabalhos para algumas das maiores fabricantes de computadores do mundo, aquelas em que você está pensando agora. Nunca vimos cabos apresentarem defeito por terem sido enrolados da maneira errada."

A resposta contrariava tanto tudo o que eu acreditava sobre cabos que resolvi procurar outros especialistas. Todos disseram a mesma coisa: você pode enrolar cabos de carregadores do jeito que quiser.

No entanto, existem outros hábitos que realmente reduzem a vida útil dos cabos, coisas que faço todos os dias há décadas. Coitados dos meus fios. Gostaria de ter sabido disso antes.

A boa notícia é que posso compartilhar o que aprendi para que você não cometa os mesmos erros.

Nossos cabos trabalham duro, mas raramente pensamos neles até que parem de funcionar e nos deixem sem carregar nossos aparelhos. Será que eles não merecem um pouco mais de consideração?

E, se isso não bastar, vale lembrar que cuidar melhor dos cabos também ajuda o bolso e o meio ambiente.

Cuide bem dos seus cabos

"Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que destroem cabos e as que não destroem", diz Kyle Wiens, cofundador da iFixit, companhia voltada à sustentabilidade e aos direitos do consumidor que ajuda pessoas a consertarem os próprios eletrônicos.

É doloroso admitir, mas acho que pertenço ao grupo que destrói cabos.

"Quando os cabos quebram, quase sempre o problema aparece na junção entre o fio e o conector."

Preparado para uma aula de anatomia? Os cabos são formados por pequenos fios metálicos revestidos por uma camada isolante. Na extremidade, esses fios se ligam a um conector. E é justamente nessa junção que os problemas costumam surgir.

Faz sentido, se você pensar bem. Quando um cabo está em uso, o conector funciona como ponto de apoio, e toda a dobra se concentra na ponta do fio.

Imagine um clipe de papel. Se você dobrá-lo repetidamente no mesmo ponto, ele quebra.

"Em nível microscópico, dobrar o metal além do limite elástico faz com que as ligações entre os átomos se rompam e se reorganizem à medida que mudam de posição", explica Robert Hyers, chefe do departamento de engenharia mecânica e de materiais do Instituto Politécnico de Worcester, nos EUA.

"Isso provoca um acúmulo de defeitos chamados deslocamentos, em que os átomos deixam de se alinhar corretamente, como ondulações em um tapete."

Quando esses "deslocamentos" se acumulam demais, o metal endurece e acaba se rompendo. É exatamente o mesmo processo que ocorre nos fios metálicos dentro dos cabos.

Talvez isso faça você sentir pena suficiente desses átomos para evitar alguns hábitos bastante comuns.

"Uma coisa que muita gente faz, e eu também às vezes, quando bate a preguiça, é puxar o cabo pelo fio para desconectá-lo", diz Pecht, da Universidade de Maryland. "Isso coloca pressão extra justamente na parte mais frágil do cabo. O correto é puxar pelo conector [ou plug]."

Segundo Hyers, do Instituto Politécnico de Worcester, outro problema comum é usar cabos curtos demais.

Se você precisa esticar o cabo para alcançar a tomada, está danificando o acessório. O mesmo vale para quem usa o celular na cama enquanto ele está carregando e força o conector em um ângulo acentuado para continuar mexendo no aparelho.

"Outra coisa que vemos com frequência é gente conectando o celular e apoiando o aparelho no porta-copos do carro", afirma Wiens, da iFixit. "O telefone acaba ficando apoiado sobre o cabo, e todo o peso do aparelho, incluindo os impactos do carro em movimento, fica concentrado justamente nesse ponto."

Pare com isso. É praticamente maltratar os cabos.

Há um detalhe importante: o jeito de enrolar os cabos realmente faz diferença no caso de fios mais longos e pesados.

Qualquer pessoa que trabalhe com cinema ou áudio provavelmente conhece a técnica "over-under" ("por cima e por baixo", em tradução livre), usada por profissionais para enrolar cabos sem danificá-los.

Mas Wiens e outros especialistas afirmam que essas regras não valem para os cabos finos e flexíveis usados para carregar celulares e computadores.

Cabo branco sobre um fundo turquesa

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os cabos são formados por pequenos fios metálicos revestidos por uma camada isolante. Na extremidade, esses fios se ligam a um conector. E é justamente nessa junção que os problemas costumam surgir

Prefira cabos trançados

Wiens, da iFixit, afirma que enrolar cabos apertados demais não ajuda. Mas, a menos que você dobre o fio em um ângulo muito fechado, puxe pelo conector ou force o cabo enquanto o enrola, dificilmente a maneira de guardá-lo causará danos.

No fim das contas, quase todo o desgaste acontece na região do conector.

"Se você cuidar bem dessa parte, o cabo vai durar mais do que eu", diz Hyers, do Instituto Politécnico de Worcester.

Mas isso também depende da qualidade do cabo.

Todos os especialistas ouvidos afirmam que boa parte do problema está nos modelos baratos e mal fabricados.

Talvez seja melhor evitar aqueles cabos frágeis vendidos por poucos reais em postos de gasolina. Investir em modelos mais resistentes pode sair mais barato do que precisar substituí-los o tempo todo.

Outro ponto importante é observar se o cabo é trançado. Esses modelos usam tecido reforçado ou uma malha de nylon envolvendo os fios, em vez do revestimento plástico comum.

"Essa é uma boa referência", afirma Wiens. "Até a Apple passou a usar cabos trançados em seus modelos recentes, justamente porque a malha oferece mais resistência e protege melhor os fios."

No fim, tudo isso pode parecer detalhe.

Cabos provavelmente são a parte menos interessante da tecnologia no dia a dia. Eles estão ali apenas para funcionar. E, quando funcionam, quase ninguém presta atenção neles.

Mas, quando são mal cuidados, acabam falhando aos poucos — uma pequena rachadura microscópica de cada vez.

3 formas divertidas de manter o cérebro jovem por mais tempo

Jovens plantando uma muda em um jardim

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Nosso tempo de "vida saudável" está diminuindo em muitas partes do mundo
    • Author,Melissa Hogenboom
    • Role,BBC Future*
  • Published
  • Tempo de leitura: 8 min

Se você tivesse duas opções — uma tarefa fácil e outra difícil — qual escolheria fazer? O mais provável é que todos nós optássemos pela mais fácil, e com razão.

Recorrer a atalhos mentais é algo inerente à nossa biologia: uma estratégia evolutiva criada para poupar energia.

tecnologia apenas ampliou essa capacidade. Por isso, é tão tentador buscar atalhos e concluir tarefas com o mínimo de esforço possível.

Mas se isso levar a uma redução do nosso esforço mental, pode acabar prejudicando nossa longevidade e a saúde de forma geral.

Nosso tempo de "vida saudável" — ou seja, o número de anos em que as pessoas vivem com boa saúde — está diminuindo em muitas partes do mundo.

Segundo pesquisadores, à medida que as pessoas vivem mais, o número de anos que elas passam com problemas de saúde tende a aumentar.

Uma menina vestida com calça jeans e camisa azul está deitada em uma poltrona preta, olhando para o celular.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,A tecnologia está tornando nossa vida cada vez mais fácil. Mas quais os efeitos disso em nosso corpo?

Quando se trata do cérebro, há medidas que podem ajudar a prolongar uma vida saudável.

Basicamente, quando participamos de atividades que nos desafiam, estamos construindo o que os especialistas chamam de "reserva cognitiva", que tem um efeito protetor sobre o cérebro.

E existem muitas formas de fazer isso no dia a dia.

"Independentemente da idade, há coisas que podemos fazer — em maior ou menor grau — que podem dar um pequeno impulso às nossas habilidades cognitivas", afirma o psicólogo Alan Gow, da Universidade Heriot-Watt, em Edimburgo, na Escócia.

E a boa notícia é que não precisamos mudar radicalmente nossa rotina: basta fazer pequenas mudanças graduais nos aspectos físico, social e mental para proteger o cérebro.

A seguir, apresentamos três formas simples e prazerosas para começar.

1. Navegação espacial

Dois homens caminham ao lado de uma mulher no que parece ser um destino turístico no Oriente Médio. O homem à direita usa chapéu e carrega um mapa.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Se perder em lugares novos e encontrar a saída faz o cérebro trabalhar de diferentes maneiras

Uma estratégia para se proteger do declínio cognitivo associado ao envelhecimento é focar em uma parte específica do cérebro.

Acredita-se que o hipocampo — área cerebral fundamental para a navegação espacial — seja a primeira parte do cérebro afetada pela doença de Alzheimer, vários anos antes de os sintomas começarem a se manifestar.

"Há anos sabemos que pessoas com Alzheimer frequentemente ficam desorientadas. Esse costuma ser um dos primeiros sintomas", explica o neurologista Dennis Chan, do University College London, no Reino Unido, especializado na detecção precoce da doença.

E a detecção precoce é crucial, acrescenta ele: "Quanto antes identificarmos [os sinais de declínio cognitivo], mais rápido poderemos agir".

Por isso, proteger essa área do cérebro pode ajudar a prevenir ou retardar o surgimento dos sintomas.

Diversos estudos mostram, por exemplo, que motoristas de ambulância e de táxi apresentam uma das menores taxas de mortalidade associadas ao Alzheimer em comparação com outras profissões.

Segundo pesquisadores, isso acontece justamente porque esses profissionais exercitam mais o cérebro em tarefas de "processamento espacial".

Também se sabe que taxistas que passaram anos memorizando as ruas da cidade sem recorrer a mapas têm um hipocampo maior.

A motorista de uma ambulância, usando uma grande jaqueta laranja, sorri para o colega sentado no banco do passageiro.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Profissionais como motoristas de ambulância e de táxi costumam apresentar menor mortalidade por Doença de Alzheimer em comparação com outras profissões

Da mesma forma, um estudo realizado com homens saudáveis que realizaram uma tarefa de navegação espacial durante quatro meses revelou uma melhora em suas habilidades de orientação e nenhuma perda de volume do hipocampo.

Já os participantes do grupo de controle — aqueles que não realizaram a tarefa — apresentaram a contração cerebral associada ao envelhecimento que já era esperada.

Ainda não está claro se estimular essa região do cérebro poderia prevenir a demência, mas desenvolver uma maior reserva cognitiva pode oferecer uma proteção adicional.

Isso ajuda a explicar por que, como destaca Dennis Chan, análises cerebrais feitas após a morte revelaram que alguns idosos apresentavam extensas alterações no tecido cerebral associadas à Doença de Alzheimer, apesar de nunca terem manifestado sintomas em vida.

Segundo ele, uma das explicações para esse fenômeno é que o "andaime cerebral" dessas pessoas era extremamente robusto — possivelmente graças ao estilo de vida, embora fatores genéticos também pareçam desempenhar um papel importante.

E, apesar do aumento do risco de demência com o envelhecimento, Chan afirma que o fato de existirem pessoas que nunca desenvolvem sintomas deve servir de incentivo para todos nós.

Duas amigas usando um mapa para se localizar.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Aprender a se localizar sem usar o celular pode ser uma forma simples de exercitar o cérebro

"Em geral, são pessoas fisicamente ativas, intelectualmente mais ativas e com uma vida social mais intensa."

Todos nós podemos nos esforçar para desenvolver nossas habilidades espaciais por meio de esportes ou, no caso das crianças, brincando com blocos de montar.

Descobrir como chegar a um destino sem recorrer ao mapa do celular também pode ser benéfico, já que o uso do GPS tem sido associado à piora da memória espacial.

Além disso, alguns videogames podem ajudar, desde que tenham sido desenvolvidos com o rigor adequado.

Por exemplo, um pequeno estudo realizado com idosos mostrou que aqueles que jogaram um videogame de navegação espacial em realidade virtual apresentaram melhora na memória.

Vale destacar que esse jogo foi desenvolvido especificamente por pesquisadores. Portanto, isso não significa necessariamente que o nosso videogame favorito vá ajudar a melhorar a memória.

2. Vida social ativa

Uma mesa com vários pratos e um grupo de amigos reunido para jantar.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Pessoas socialmente mais ativas apresentam menor declínio cognitivo do que as mais retraídas

Nesse sentido, diversas pesquisas têm mostrado que nos manter socialmente ativos nos protege contra o declínio cognitivo.

Por exemplo, os centenários que tem mais vida social apresentam melhor saúde cerebral, enquanto participar de atividades sociais na meia-idade tem sido associado a uma maior capacidade cognitiva na velhice.

Isso também foi confirmado por um amplo estudo observacional, que concluiu que pessoas que permaneceram mais socialmente ativas durante a meia-idade e a velhice apresentavam um risco entre 30% e 50% menor de desenvolver demência. Segundo os autores, isso acontece porque esse tipo de atividade aumenta a reserva cognitiva.

Manter-se socialmente ativo também pode retardar o surgimento dos sintomas.

De acordo com um estudo realizado com 1.923 participantes idosos — focado naqueles que acabaram desenvolvendo demência —, os menos ativos socialmente desenvolveram a doença cinco anos antes daqueles que eram mais ativos.

Acredita-se que isso aconteça porque manter uma vida social ativa ajuda a reduzir o estresse, tornando as pessoas mais resilientes diante dos desafios da vida.

O estresse crônico, por outro lado, tem sido associado à perda de neurônios no hipocampo.

Grupo de mulheres conversando

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Uma conversa estimulante traz benefícios para a saúde do cérebro

"O fator protetor está na capacidade de dialogar, debater e compartilhar ideias. Essas conversas também podem exercer um efeito protetor sobre o cérebro", afirma a epidemiologista Pamela Almeida-Meza, do King's College London.

Quando interagimos com outras pessoas, ativamos diversas áreas do cérebro: desde as relacionadas à linguagem e à memória até as envolvidas no planejamento futuro.

"Existe um componente cognitivo que estimula a mente. Portanto, isso pode favorecer a saúde cerebral; mas também sabemos que manter boas conexões sociais reduz uma série de fatores de estresse de natureza fisiológica", afirma Alan Gow.

3. Aprendizado ao longo da vida

Um homem consertando um cartão de memória de um computador. Ele segura uma lupa na mão.

Crédito,Getty Images

Um dos principais indicadores de um bom envelhecimento é a quantidade de anos que uma pessoa dedica à educação.

Indivíduos que passam mais tempo se formando apresentam menor risco de desenvolver demência.

O aprendizado ao longo da vida pode contribuir para gerar os mesmos benefícios protetores à saúde.

Nosso cérebro responde bem diante de desafios e da novidade, já que isso fortalece as áreas cerebrais mais vulneráveis ao envelhecimento.

Já é comprovado que, ao manter o cérebro ativo, o declínio cognitivo é mais lento.

Uma razão fundamental para esse fenômeno é que o aprendizado gera novos neurônios e, ao mesmo tempo, fortalece os já existentes, o que pode atuar como um mecanismo de proteção contra o envelhecimento e a morte celular.

Isso é a neuroplasticidade em ação: a capacidade do cérebro de se adaptar e se transformar ao longo de toda a vida.

"É precisamente essa plasticidade, e essa capacidade de regenerar novas células nervosas e sinapses, que confere às pessoas resiliência frente à Doença de Alzheimer", afirma Dennis Chan.

Uma mulher faz anotações em um livro.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Aprender coisas novas exige as áreas do cérebro que são mais afetadas pela demência

Todos nós podemos aumentar nossa reserva cognitiva à medida que envelhecemos.

Em um estudo longitudinal que acompanhou participantes desde a infância até o final dos 60 anos, Pamela Almeida-Meza e seus colegas descobriram que a reserva cognitiva aumentava por meio de atividades enriquecedoras, como a educação e atividades de lazer.

Aqueles que a desenvolveram, apresentaram menor declínio da memória, mesmo entre os que obtiveram pontuações baixas em testes cognitivos na infância.

Embora possamos nos beneficiar em qualquer idade, isso se torna particularmente importante nas fases mais avançadas da vida, aponta Almeida-Meza.

Isso ocorre porque, à medida que envelhecemos, nossa vida cotidiana se torna mais rotineira e temos menos oportunidades de aprender.

Existem diversas formas de conseguir isso: é possível tentar a jardinagem — que já foi associada à preservação da função cognitiva —, participar de um clube do livro ou simplesmente comentar o que se está lendo com um amigo.

Em resumo, o que fica claro é que qualquer atividade que estimule o cérebro é benéfica para a saúde integral, seja escolher uma rota diferente para caminhar, ler Proust ou priorizar relações sociais.

Tudo isso contribui para construir um cérebro resiliente e para desacelerar o declínio associado ao envelhecimento, tornando também a vida mais gratificante no processo.

*Esta é uma adaptação para o português de um artigo publicado originalmente pela BBC Future. Se quiser ler o original em inglês, clique aqui.