Habitante Terra da Sabedoria
SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026
O Rombo de R$ 51,8 Bilhões: A Classe Média Pagando a Fatura da Farra
PQP! R$ 51,8 BILHÕES! É esse o número, brasileiro. Meio bilhão de centenas de milhões de reais que o Fundo Garantidor de Créditos — o FGC — vai ter que desembolsar para tapar o buraco deixado pelos espertalhões do Banco Master, Will Bank e Banco Pleno .
Para você entender a magnitude da coisa: os quatro "bancões" do país — Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil — tiveram um lucro combinado de R$ 107,8 bilhões em 2025 . O rombo do Master representa quase METADE desse valor: 48,05% de todo o lucro dos maiores bancos do país foi pro ralo por causa de um esquema que envolve títulos falsos, créditos podres e uma farra regulatória que durou anos .
E não para por aí. O FGC é um fundo PRIVADO, mantido pelos bancos, mas adivinha quem paga a conta no fim do dia? VOCÊ. Os bancos vão repassar esse custo para os clientes na forma de taxas mais altas, juros mais caros, serviços mais escassos. O prejuízo de meia dúzia de picaretas de terno e gravata vai ser socializado com o povo brasileiro. Como sempre.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse em evento que "a instituição é vítima de um eventual problema que possa ter ocorrido com quem tomou aquelas decisões" e que "você tenta salvar a instituição e pune as pessoas que possam ter feito mal" . Belas palavras. Mas cadê a punição? Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, comprou o Banco Pleno em julho de 2025 com autorização do BC — mesmo com técnicos apontando irregularidades e "créditos podres" ligados ao Master . O BC autorizou a venda mesmo assim. Agora o rombo aumentou em mais R$ 4,9 bilhões.
Oito instituições já foram liquidadas . Oito! Banco Master, Master de Investimento, Letsbank, a corretora do grupo, a Reag (que escondia prejuízos), o Will Bank, e agora o Pleno e a Pleno DTVM . É uma hecatombe financeira. E os responsáveis? Estão em casa, com tornozeleira eletrônica, ou pior: soltos, esperando a poeira baixar para recomeçar o esquema em outro lugar.
O FGC tinha cerca de R$ 160 bilhões em patrimônio, com R$ 125 bilhões disponíveis . Agora, o Conselho do Fundo já aprovou um plano de recomposição que prevê antecipação de CINCO ANOS de contribuição pelos bancos, mais aumentos extraordinários de 30% a 60% no valor pago mensalmente . É a classe bancária pagando — e repassando pra você — a conta da própria incompetência regulatória e, quem sabe, conivência.
Comparações Internacionais: O Brasil é um Caso à Parte?
Enquanto isso, no mundo civilizado, como lidam com essas coisas?
Nos Estados Unidos, o combate à fraude em 2025 se concentra no fortalecimento da identidade digital: autenticação multifatorial, biometria, inteligência artificial aplicada à validação de usuários . E já estão correndo atrás do prejuízo causado pelos deepfakes — vídeos e áudios falsificados para enganar clientes e até executivos . A Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM americana, tem 5 MIL funcionários . CINCO MIL. Para fiscalizar um mercado colossal, mas com estrutura.
Na Europa, a principal arma continua sendo a regulamentação pesada. Desde o GDPR, as empresas são obrigadas a ter rastreabilidade total dos dados, responsabilidade corporativa em caso de falhas e planos claros de prevenção e resposta a incidentes . É burocracia? É. Mas funciona. Porque investidores, clientes e parceiros confiam mais em negócios que demonstram transparência e maturidade em segurança da informação.
No Brasil, a CVM tem 500 funcionários para fiscalizar R$ 16,7 TRILHÕES em ativos . Quinhentos. É um absurdo tão grande que chega a ser piada de mau gosto. Em agosto de 2025, a CVM informou ao governo que precisaria ampliar em 544 o número de inspetores federais — mais que dobrar o quadro — para conseguir fiscalizar os mais de 90 mil fundos de investimento do país . E o que fizeram? Nada. O mesmo de sempre.
Aqui, o sistema bancário foi formatado nos anos 1960. Depois do Plano Real, tivemos uma concentração bancária absurda. A partir de 2010, veio a flexibilização, o avanço das fintechs, a venda de crédito por empresas não bancárias . Tudo isso barateou o crédito — sim — mas também criou um espaço regulatório onde espertalhões como os do Master puderam prosperar. O Banco Central classifica instituições pequenas como de "menor exigência regulatória" porque oferecem "reduzido risco ao sistema financeiro" . Só que, quando a casa cai, o estrago é enorme. O Master detinha 0,57% do ativo total do sistema, mas o rombo no FGC já é histórico .
O economista Pedro Paulo Silveira, da A3S Investimentos, resume: "O sistema financeiro por natureza é instável. A legislação precisa ser atualizada" . Cleveland Prates, da FGV, completa: "Faltou supervisão. A CVM tem um número muito pequeno de funcionários para o crescimento do mercado financeiro" .
Enquanto isso, a SEC americana fiscaliza com 5 mil pessoas. A CVM brasileira tenta fiscalizar com 500. E ainda tem gente que acha que o problema é falta de lei. Não, meu amigo. O problema é falta de VONTADE POLÍTICA para fiscalizar. Porque fiscalizar de verdade implica prender gente grande. E gente grande tem amigo no STF, tem jatinho para levar ministro, tem doação de campanha para governador, tem pastor abençoando.
O Risco Sistêmico: Pode Quebrar o Sistema Financeiro Brasileiro?
A pergunta que não quer calar: esse rombo de R$ 51,8 bilhões pode quebrar o sistema financeiro brasileiro?
A resposta curta: não, não vai quebrar o sistema inteiro. O Banco Central repete à exaustão que o conglomerado Master detinha apenas 0,57% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional, e o Pleno, 0,04% . Ou seja, individualmente, são fichas num cassino de bilhões.
MAS — e esse "mas" é gigante — o problema não é o tamanho do estrago AGORA. É o precedente. É a confiança. É o que acontece quando o investidor, seja ele pessoa física ou fundo de pensão, começa a desconfiar que o sistema inteiro é uma casa da mãe joana.
O FGC tinha cerca de R$ 160 bilhões em patrimônio . Com um rombo de R$ 51,8 bilhões, o fundo perdeu quase um terço da sua capacidade. E olha que esse número não inclui as linhas emergenciais que o FGC já tinha adiantado para o Master antes da liquidação . O Conselho do FGC já aprovou um plano de recomposição que prevê adiantamento de cinco anos de contribuição pelos bancos e aumento de 30% a 60% no valor pago mensalmente . Os bancos querem até usar recursos do compulsório bancário — dinheiro que deveria estar parado no BC como garantia — para ajudar a reconstruir o Fundo . É o ovo da serpente: o sistema se auto-recompondo com o dinheiro que deveria proteger o sistema.
E as consequências internacionais? Ah, meu amigo, aí é que a coisa fica preta. O Brasil é visto pelo mercado internacional como um país de risco elevado. Sempre foi. Mas escândalos como esse — envolvendo banqueiros, políticos, ministros do STF, e agora um rombo bilionário no fundo garantidor — jogam gasolina na fogueira.
Os títulos públicos brasileiros já pagam um dos juros mais altos do mundo. Qualquer aumento da desconfiança faz o "risco Brasil" disparar. Isso significa que, para vender seus títulos no exterior, o governo precisa oferecer taxas ainda mais altas. Mais juros. Mais dívida. Mais dinheiro público indo para o bolso de investidor estrangeiro. É o povo pagando de novo.
As taxas de juros internas também sobem. Se o FGC está mais fraco, os bancos precisam oferecer mais garantias, mais spread, mais taxa para continuar captando. O crédito fica mais caro. A economia desacelera. O desemprego sobe. Tudo por causa da farra de alguns picaretas que transformaram o sistema financeiro num cassino.
O presidente do BC, Galípolo, tenta acalmar os ânimos: "O prejuízo no FGC seria maior se não fosse a atuação do Banco Central" . Pode até ser. Mas a atuação do BC foi tardia, foi frouxa, foi, no mínimo, negligente. Como autorizam a venda do Banco Pleno para um ex-sócio do Master em julho de 2025, com indícios de fraude já na mesa, e só liquidam em fevereiro de 2026? O que aconteceu nesses seis meses? Mais créditos podres sendo criados? Mais investidores sendo enganados?
O caso Master expõe os limites do sistema regulatório brasileiro . O modelo de regulação flexível para instituições pequenas pode até ter razão de existir — diminui custo e estimula nichos ignorados pelos grandes bancos. Mas depende da capacidade efetiva dos órgãos de controle de acompanhar a atuação dessas instituições . E essa capacidade, como vimos, é patética.
A Sentença de Morte da República (Continuação)
Por isso eu repito: a República acabou. O que temos é uma máfia organizada, com ramificações em todos os Poderes, em todos os níveis da federação, abençoada por igrejas cúmplices e fiscalizada por instituições que ora são cegas, ora são coniventes.
O rombo de R$ 51,8 bilhões no FGC é a prova cabal de que o sistema foi sequestrado por uma elite que não respeita nada nem ninguém. Enquanto isso, 160 mil credores do Banco Pleno esperam, ansiosos, para saber se vão receber alguma coisa . Pessoas físicas, pequenos investidores, aposentados que colocaram suas economias em CDBs que prometiam rendimentos acima da média — todos agora dependem da boa vontade do liquidante, da eficiência do FGC, da justiça tardia.
O lucro dos bancões em 2025 foi de R$ 107,8 bilhões . O Itaú, sozinho, lucrou R$ 12,3 bilhões só no quarto trimestre . Enquanto isso, o FGC, que é pago pelos bancos, terá que desembolsar R$ 51,8 bilhões para tapar o buraco de um esquema criminoso. E adivinha quem vai pagar a conta no fim? Você. Sempre você.
O economista Silveira diz que "o sucesso da regulação flexível depende da capacidade efetiva dos órgãos de controle" . Pois bem: a capacidade efetiva é ZERO. A CVM tem 500 funcionários para 16,7 trilhões. O BC autorizou venda de banco com indícios de fraude. A Polícia Federal prendeu, mas soltou. O STF tem ministro viajando no avião do advogado do investigado. O governador Ibaneis defendeu a compra do Master pelo BRB. O pastor cunhado do dono do Master foi o maior doador da campanha de Bolsonaro.
Sobrou alguém? Alguém está me ouvindo?
Peças desculpas, bilionários, corruptos, oligarquias. Em resumo: criem um coral afinado para pedir perdão pelas milhões de mortes do povo brasileiro. Suas mãos estão sujas de sangue, roubo e privilégios. Vocês mataram a República. Mataram a esperança. Mataram o futuro. E ainda têm a cara de pau de posar para fotos com Bíblias na mão, discursos patrióticos na boca e contratos fraudulentos no bolso.
O rombo de R$ 51,8 bilhões no FGC é só a ponta do iceberg. É o reflexo, no sistema financeiro, da podridão que tomou conta de todas as instituições brasileiras. Enquanto o povo morre na fila do hospital, na bala perdida, na falta de escola, na miséria, a elite financeira, política e judiciária brinda com champanhe nos jatinhos particulares, nos resorts de luxo, nos gabinetes climatizados.
Que a história — essa que vocês tentam comprar, manipular, silenciar — lhes cobre o preço. Que o povo — esse que vocês exploram, humilham, assassinam — um dia acorde e cobre. E que, se houver justiça neste país, ela comece por vocês. Porque se a República acabou, se o Carnaval virou o ano inteiro, se as máfias tomaram conta, então que venha o ajuste de contas. E que ele seja implacável.