SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Maior equívoco do filme 'A Odisseia' é misoginia do diretor Christopher Nolan, diz especialista em mitologia grega

 

Imagem do filme mostra cena com Penélope

Crédito,Universal Studios

Legenda da foto,Penélope é interpretada por Anne Hathaway no filme. Segundo Cláudio Moreno, na epopeia ela é uma mulher poderosa e inteligente
    • Author,Stephanie Rodrigues
    • Role,Da BBC News Brasil em Londres 
    • Author,Iara Diniz
    • Role,Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Published
  • Tempo de leitura: 10 min

Poucas obras carregam o peso simbólico de A Odisseia. Séculos depois de ser escrita, a jornada de Odisseu — nome grego do herói que ficou conhecido como Ulisses na tradução para o latim — continua sendo revisitada em diferentes linguagens e ganhou uma nova adaptação para o cinema pelas mãos de Christopher Nolan.

O filme de Nolan estreou com a maior bilheteria da carreira do diretor. Mas, para Cláudio Moreno, professor, autor de crônicas sobre o mundo antigo (reunidas nas coletâneas Um Rio que Vem da Grécia100 Lições para Viver Melhor - Histórias da Grécia Antiga e Noites Gregas), a adaptação deixa de lado justamente uma das dimensões mais importantes do poema atribuído a Homero: a força e a complexidade de suas personagens femininas.

"Homero, quem quer que seja Homero, fez na Odisseia um livro com mulheres poderosas", afirma Moreno, que também apresenta o podcast Noites Gregas, em que conta histórias da mitologia grega.

"O mundo feminino foi muito mal contemplado ali [na adaptação de Nolan], sabendo que havia grandes personagens."

A Odisseia é um poema épico que acompanha o retorno de Ulisses a Ítaca após a Guerra de Troia. O que deveria ser uma viagem de poucos dias se transforma em uma jornada de dez anos, marcada por monstros, deuses, tentações e desafios que colocam à prova a inteligência e a capacidade de sobrevivência do herói.

O poema já foi recontado diversas vezes ao longo dos séculos e reúne, segundo Moreno, uma das narrativas mais universais da humanidade.

"Um homem que quer voltar para encontrar sua mulher, seu filho, seu lar, seu cachorro e a si mesmo. E é impedido por vários obstáculos. Então, nessa sequência, há, na Odisseia, uma narrativa perfeita", destaca.

"É como uma pedra jogada no fundo do rio que rolou 400 anos. Não tem aresta, não tem falha, não tem nada."

Embora o protagonista da epopeia seja um homem, Moreno destaca que as mulheres ocupam papel central na história. A tentativa de voltar para casa e recuperar o reino é atravessada pelas estratégias, pelos conselhos e pelos conflitos com deusas, ninfas e mortais.

Personagens como Penélope, Circe, Calipso, Atena e Nausícaa, presentes na obra escrita há quase três mil anos, não são figuras secundárias: elas representam poder, inteligência, conhecimento, além de desempenharem papéis decisivos na construção da narrativa.

Contudo, segundo Moreno, suas histórias foram apagadas no filme de Nolan.

Em entrevista à BBC News Brasil, o especialista em mitologia grega criticou as escolhas feitas por Nolan na adaptação e afirmou que o filme privilegiou a ação e o espetáculo visual em detrimento de elementos que considera essenciais da obra original.

Para o professor, há vários equívocos no filme, mas o maior deles "é a misoginia do Nolan".

"O Nolan deixou fora muita coisa, o que seria natural com o filme daquele tamanho. Mas o que ele deixou fora é importantíssimo", afirma.

"Pra mim, o maior equívoco é a misoginia de Nolan, ele não faz bons personagens femininos."

Cláudio Moreno usando uma blusa preta e óculos com armação preta

Crédito,Reprodução/Youtube Noites Gregas

Legenda da foto,Cláudio Moreno é especialista em cultura clássica. Para ele, obra de Nolan no cinema apagou a história das mulheres de A Odisseia

A crítica de Moreno dialoga com um debate antigo sobre a forma como Christopher Nolan constrói suas personagens femininas.

Ao longo da carreira, o diretor foi alvo de críticas de espectadores e críticos que apontam que suas personagens mulheres — embora frequentemente interpretadas por grandes atrizes — costumam ter menos espaço narrativo e profundidade psicológica do que os protagonistas masculinos.

Em filmes como A OrigemBatman: O Cavaleiro das Trevas e Oppenheimer, alguns críticos observaram que determinadas personagens femininas acabam funcionando principalmente em relação à trajetória dos homens ao seu redor — como figuras ligadas à motivação, à perda ou ao apoio emocional — em vez de terem seus próprios conflitos e arcos dramáticos plenamente desenvolvidos.

A seguir, os principais pontos da crítica do especialista sobre as figuras femininas de A Odisseia.

Penélope: a mulher que sustenta o reino

Imagem mostra Penélope sentada cerca por pretendentes.

Crédito,Print Collector/Getty Images

Legenda da foto,Penélope com os pretendentes, 1509. Pintura do artista Bernardino (1909)

Penélope (interpretada no filme pela atriz Anne Hathaway) está longe de ser apenas a esposa que espera o retorno de Ulisses, segundo Moreno.

Na epopeia de Homero, ela é uma mulher poderosa, que sustenta sozinha o reino de Ítaca durante os 20 anos em que o marido permanece ausente — dez lutando na Guerra de Troia e outros dez tentando voltar para casa.

Em uma sociedade profundamente patriarcal, diz o professor, a personagem consegue adiar a pressão de pretendentes — que querem que ela se case de novo —e preservar o trono graças à própria inteligência.

"É inteligentíssima, espertíssima. O próprio Ulisses, quando volta, tem que dar um jeito de convencê-la de que ele é Ulisses, porque ela vai propor uma série de provas", destaca.

Para o especialista, a relação entre os dois também ajuda a explicar a força da personagem, que foi apagada no filme.

Ele explica que durante a Guerra de Troia, era comum que os guerreiros mantivessem concubinas nos acampamentos, para satisfazer seus desejos sexuais. Mas esse não era o caso de Ulisses "porque ele é fiel a Penélope", pontua.

É somente depois de ser lançado pelos deuses em sua longa viagem de volta que o herói passa a se envolver com outras figuras femininas.

"Quando ele sai do mundo humano e os ventos levam ele para o outro lado, ele vai passar uma espécie de peregrinação por três mulheres, que compõem, na verdade, o encontro dele com o mundo feminino, todas diferentes."

Circe: a feiticeira que revela o caminho de volta

Imagem mostra Ulisses e Circe rodeado de homens, alguns transformados em animais

Crédito,Fine Art Images/Heritage Images via Getty Images

Legenda da foto,Ulisses e Circe, 1630, pintura do artista Jacob Jordaens

Em A Odisseia, Circe é uma das personagens femininas mais poderosas da narrativa. Feiticeira, ela é capaz de despertar o lado animal dos homens — simbolizado pela transformação dos companheiros de Ulisses em porcos —, mas sua relação com o herói vai muito além desse episódio.

Na avaliação de Moreno, a adaptação de Nolan reduz a personagem a uma figura raivosa e perde a complexidade que Homero lhe atribui.

"No filme é uma coisa incompreensível. É uma vizinha braba, furiosa, de mal com a vida."

Circe é interpretada pela atriz Samantha Morton no filme.

Segundo o professor, na obra original Circe reconhece em Ulisses o homem anunciado por antigas profecias e acaba se apaixonando por ele. Os dois vivem juntos por um período, mas a relação é marcada pela independência de ambos, e não pela submissão.

"Claro que ela é uma mulher poderosa, uma mulher independente. As paixões duram um ano, dois, depois a fila anda. Ela mesma diz: 'Olha, Ulisses, volta'. Como um casal altamente moderno, cada um segue para o seu lado, numa boa."

Ele lembra, inclusive, que a feiticeira desempenha um papel decisivo na jornada do herói. É ela quem o orienta sobre como chegar ao mundo dos mortos e prosseguir em sua viagem de volta para Ítaca.

"Ela ajuda muito, fala sobre o mundo dos mortos, tem que passar lá", pontua. "Mas no filme, é um desastre."

Calipso: a que oferece a imortalidade

Uma mulher sentada com uma taça na mão

Crédito,Buyenlarge/Getty Images

Legenda da foto,Circe oferecendo uma taça a Ulisses,1891. Obra de John William Waterhouse

Depois de deixar a ilha de Circe e visitar o mundo dos mortos, Ulisses chega à ilha de Calipso. Na epopeia, a ninfa se apaixona pelo herói, cuida dele e deseja que ele permaneça ao seu lado.

Segundo Moreno, Calipso é "uma mulher ardente, apaixonada" e a relação entre os dois é marcada por uma inversão dos papéis tradicionais.

"Ele é um escravo sexual. Ela exige o cumprimento das suas obrigações matrimoniais."

Mas o filme reduz essa complexidade.

"Calipso [interpretada pela atriz Charlize Theron] parece uma enfermeira, uma cuidadora. Fica sendo uma enfermeira atraente, mas muito séria, muito preocupada com o enfermo. A Calipso perde o brilho", afirma o professor.

Para ele, uma das cenas mais importantes da Odisseia ficou de fora da adaptação: na tentativa de convencer Ulisses a permanecer em sua ilha, Calipso lhe oferece aquilo que todo mortal deseja — a imortalidade, sem velhice e sem doença.

Mas o herói recusa.

"Ele diz: 'Não, eu quero voltar para casa'. Ele recusa a imortalidade. Não tem outro personagem na literatura grega que faça isso."

Na avaliação de Moreno, a escolha reforça o amor de Ulisses por Penélope e desfaz a imagem de um herói movido apenas pelo desejo.

"Vai valorizando a Penélope. Evidentemente, vai tirando essa imagem que muitos têm de que Ulisses era um cachorro."

Outra passagem que, segundo ele, desaparece no filme ocorre quando Zeus ordena, por meio de Hermes, que Calipso liberte Ulisses. A ninfa reage com indignação e protagoniza o que Moreno considera uma das primeiras cenas de revolta feminina da literatura ocidental.

"Ela recebe uma ordem de Zeus para soltar Ulisses. Ela fica furiosa e, na Odisseia, tem uma cena inédita de revolta feminina: 'Vocês, homens, fazem o que querem...'."

"No filme, nada. Está tudo morno."

Atena: a deusa poderosa reduzida a uma figura secundária

Um desenho mostra uma mulher apontando direção a um homem

Crédito,Bridgeman via Getty Images

Legenda da foto,Ulisses ajudado por Atena disfarçada de uma jovem, chega ao palácio de Alcínoo. Ilustração de Antoine Calbet para A Odisseia", 1897

Atena é a divindade que acompanha toda a jornadade de Ulisses, protegendo o herói e intercedendo a seu favor.

É descrita por Moreno como uma das "figuras mais poderosas e interessantes do Olimpo", mas que foi totalmente esvaziada na adaptação.

"Atena, coitada da Atena, a deusa dos olhos brilhantes. No filme [interpretada por Zendaya], ela é uma mocinha tímida, ingênua, olhando meio assustada. É uma pálida Atena."

Ele destaca que na epopeia, é ela quem convence Zeus a permitir o retorno de Ulisses. A pedido dele, Hermes leva a Calipso a ordem para libertar o herói, dando início ao último trecho de sua viagem de volta para casa.

Nausícaa: a que foi cortada do filme

Desenho mostra uma mulher deitada na cama e outra no ar falando com ela

Crédito,Ivy Close Images/Universal Images Group via Getty Images

Legenda da foto,Na epopeia, Atena aparece em um sonho para Nausícaa e aconselha que ela vá ao rio lavar roupas para que pudesse encontrar Ulisses

O maior exemplo de como a adaptação de Nolan esvazia o papel das mulheres é a ausência de Nausícaa no filme, segundo Moreno.

Na Odisseia, a jovem princesa encontra Ulisses depois do naufrágio na ilha dos feácios, acolhe o herói e lhe oferece a possibilidade de começar uma nova vida.

"A Nausícaa oferece para Ulisses uma comunidade maravilhosa, um reino maravilhoso", explica Moreno.

Segundo o professor, a princesa se apaixona pelo herói, enquanto o próprio pai sugere que gostaria de tê-lo como genro.

Mas, mesmo diante da oportunidade de permanecer em um reino próspero e recomeçar a vida, Ulisses decide partir.

"Ele se despede numa cena delicadíssima e volta para Ítaca."

Para Moreno, retirar Nausícaa da adaptação "foi o maior crime de todos" e elimina o último teste vivido por Ulisses antes de chegar em casa.

O que Nolan deixou pelo caminho

Atores Matt Damon e Zendaya interpretam Ulisses e Atena no filme

Crédito,Universal Studios

Legenda da foto,Atores Matt Damon e Zendaya interpretam Ulisses e Atena no filme, mas a forma como são retratados alteram a 'essência de Odisseia' segundo Moreno

As mudanças promovidas por Nolan vão além das personagens femininas e alteram a essência da Odisseia, avalia Cláudio Moreno.

Segundo ele, o filme privilegia a dimensão visual da jornada de Ulisses — as batalhas, os cenários e os efeitos especiais — em detrimento dos elementos que dariam profundidade à obra original.

"Virou uma história de aventura, de maravilhosas paisagens, efeitos. Mas pouca coisa ele acrescentou. Na verdade, ele desperdiçou. Ele fez uma viagem junto com Ulisses, não pegando o que era importante", afirma.

O professor reconhece que um filme de grande orçamento precisa lidar com as exigências do cinema comercial e com as expectativas do público, mas diz que, ao adaptar a epopeia, Nolan teria perdido justamente os aspectos que tornam a obra única.

"Aquilo que a Odisseia tem de coisas importantes sobre a vida, sobre tudo, tudo ele apagou", afirma Moreno.

Entre os elementos que, de acordo com ele, ficaram pelo caminho está a dimensão humana do personagem.

Segundo Moreno, a jornada de Ulisses não é apenas uma sequência de aventuras, mas uma transformação marcada por perdas, escolhas e aprendizados.

O professor cita como exemplo a passagem pelo mundo dos mortos, um dos episódios centrais do poema, em que Ulisses encontra figuras do passado e confronta as consequências da guerra.

"Quem pode ir ao mundo dos mortos? E que lições ele trouxe de lá?", questiona.

Para ele, o filme também erra ao tentar transformar Ulisses em um personagem movido pelo arrependimento da guerra. Segundo ele, essa leitura é incompatível com o contexto da epopeia.

"Podia ser até um filme pacifista, mas Ulisses jamais serviria como um líder pacifista. A luta para ele não era uma maldade, era a vida dele."

O DEPUTADO FEDERAL DA ESPIRITUALIDADE E DA COEXISTÊNCIA PACÍFICA ENTRE RELIGIÕES.

 




Caríssimo eleitor, buscador da verdade,

Você que já se ajoelhou sem saber as palavras; você que já sentiu o silêncio falar mais alto que qualquer prece; você que sabe que o amor é maior que todas as fronteiras — esta carta é para você.

Sou candidato a Deputado Federal. Meu time é o quarenta — quatro décadas de caminhada, de busca espiritual, de encontro com o sagrado em cada ser humano. Meu atacante é o dezenove — como Yamal, a juventude que entra em campo com a leveza de quem ainda não aprendeu a duvidar. E juntos, time e atacante, vamos vencer a maior de todas as Copas: a Copa do Brasil com Cidadania, Justiça e Espiritualidade para todos.

Mas esta partida não se joga com as armas deste mundo. Ela se joga com a força do amor, com a sabedoria da Cabala, com o respeito à diversidade das crenças, com a humildade de quem sabe que o mistério é maior que todas as respostas.

Pai, eu quero aprender a orar?

Sabe, alguns falam em Justiça, outros em Amor. Eu não sei o que espero de ti. Talvez nada, talvez tudo — o silêncio de me encontrar em Ti e contigo em minhas preces. Sabe, eu cansei de ser eu. Os mesmos sonhos, as mesmas dores e amor, são sempre as mesmas palavras. Talvez nem sempre os mesmos medos. Tua presença me dá coragem.

Por mais que eu tente, não consigo ter raiva de nada nem de ninguém. Este mundo transforma seres em marionetes sem culpa de jogos que os destroem ou os fazem fugir sem rumo. A palavra perdão significa muito pouco neste mundo. Ele é tão injusto e triste que uma lágrima vale mais que qualquer oração. Essa lágrima é sincera. Às vezes, o que oram em Teu nome não é.

A vida tem vários caminhos e muitos seguem os mesmos, e não importam as dores — suas e dos outros. Quando vejo tanta gente boa neste mundo em busca de um propósito, de uma missão... O que cada um faz de verdade com sua vida? Nas horas antes de orar? Porque se culpam ou culpam a Ti, se em vão preferem não se encontrar? Será que temos que aprender a orar?

Todo mundo quer ter sorte neste mundo: bênçãos, milagres, perdão. Todo mundo tem direito. Todos são Teus filhos, e ninguém conhece a dor do outro. Cada um ora do seu jeito e pede o que quiser. Em Teu lugar, de que forma julgaria o sonho de cada um?

Lembro-me de quando era criança e rezava para ti. Não entendia de nada. Ainda bem. Apenas queria Te falar, de forma simples, sem pensar o que sentia. Hoje há várias coisas que me nego a aprender. Nem repetir, nem buscar me proteger do mal que se aproxima de mim. Pois minha ousadia é viver assim. Tentar entender os porquês de o mundo ter ficado assim.

A Cabala e a antropologia da religião

A Cabala judaica nos ensina que o mundo foi criado por um ato de contração — Tzimtzum — onde Deus se retirou para abrir espaço para a criação. Nesse espaço vazio, algo de Deus permaneceu, como faíscas de luz espalhadas por toda a criação. A missão do ser humano é recolher essas faíscas, reparar o mundo — Tikkun Olam. Cada ato de bondade, cada prece sincera, cada encontro com o sagrado é um passo nessa reparação.

O Rabino Nilton Bonder, em sua sabedoria, nos lembra: "A alma impura está sempre pronta a transgredir por novos caminhos, muitas vezes em nome do sagrado. As primeiras intenções sempre serão as mais puras que as segundas, assim como uma criança que ainda não aprendeu a orar." Como disse o Mestre dos Justos, "no lugar onde os penitentes se encontram, os justos não podem ficar em pé." Porque o caminho da busca sincera, com todas as suas quedas, é mais sagrado do que a perfeição imóvel.

A antropologia da religião nos ensina que o sagrado é uma dimensão universal da experiência humana. Em todas as culturas, em todos os tempos, os seres humanos buscaram o transcendente, o mistério, o fundamento do ser. O sagrado não é propriedade de nenhuma religião — é um dom de todos os povos.

A coexistência pacífica entre religiões

Vivemos num mundo que muitos acreditam na Ciência e poucos duvidam da Fé. Querem encontrar a forma certa de orar, de viver, de amar. Há julgamentos para tudo, cada vez mais neste mundo. E mais uma vez vou orar mesmo sem saber. E vou dizer: amanhã é um novo dia,  e tua criação sempre realizará algo de novo em minha vida e neste mundo. Sempre surpresas virão do passado e do futuro. Não quero Te pedir nada, e tudo pode realizar em minha vida. Pai, o Senhor sabe o que sinto, penso e vivo — e não há diferença entre os três. Eu nunca desisti de Ti nem Você de mim. E sem saber o que mais precisava, sempre aconteceu.

Todos dizem que todos tem um preço. Todos dizem que a sociedade virou um circo e todos tem que representar seu papel. Eu descobri meu preço e o papel que devo representar. Quando a gente coloca a confiança numa pessoa, num sonho, em busca do amor, de ser livre, de conquistar um ideal — e vai perdendo a fé, vendo tudo tão superficial, tão sem sentido, triste. Afinal, quanto você aguenta de pressão e não entrega teu amor, sonhos, ideais? Quanto em ti ainda tem de puro, vivo de verdade, capaz de suportar a insensibilidade e mentiras, mesmo quando se fala de amor, sonhos, vida e ideais? Quanto mais acredita em algo que te move, mais vai errando porque não consegue compreender o mundo em que vive. Você vai ficando cansado, perdido — e é mais do que pode suportar.

O meu preço, a minha escolha é que prefiro o sofrimento, a dor, e mesmo a morte. Prefiro morrer lutando por amor e por um mundo melhor do que entregar minha vida por qualquer oferta. Antes de reclamar do mundo, se olhe no espelho e comece a mudança por você. Se despeça de tudo que você faz de ruim neste mundo. Se despeça de você mesmo, se despeça de Deus ou do que acredita ser Ele — mas que faz várias coisas que negam suas preces.

Uma nova ética para a humanidade

Há uma diferença enorme entre o que somos e o que a sociedade nos transforma. E cada vez mais a sociedade nos transforma em milhares de coisas que não somos. O amor que tenho por ela é o mesmo ódio que sinto pelos monstros desta sociedade. Quantas crianças inocentes e felizes em busca de carinho e proteção são ofertadas como oferenda a rituais de destruição da alma, do ser, da vida — onde lhes é arrancado pela força a capacidade de amar, de sonhar, de dizer "eu te amo". Drogas, consumo, corrupção, perversões sexuais, violência — palco de ilusões, espetáculos, vazios que são cânceres e transformam pessoas em sujeitos irreconhecíveis diante do espelho.

Eu não vou falar em psicologia, religião, remédios como antídoto para "resolver" estes problemas. Eles também fazem parte deste mercado e querem ser a receita e rei do nosso destino, como as coisas que eles prometem destruir. Eu vou falar de amor, do sagrado, de fé, de liberdade — de coisas que não custam nada e estão dentro de cada ser para além desta sociedade. Eu vou falar de desigualdades brutais, do mal produzido por mal governo. Eu vou falar sobre vaidades que deslumbram os monstros desta sociedade que fazem coisas para saciar os males que os comem por dentro. Mas, ao mesmo tempo, olhando nos olhos deles, eu vou falar de amor. Quero que eles saibam que nada dos seus poderes, castelos, prazeres, é maior que o amor que a vida me ensina.

A minha oração é minha vida. Não nego a Ti nem a mim. Não quero aprender o que é justiça nem amor — apenas vivê-los.

A missão no Congresso: construir pontes entre o céu e a terra

Minha décima missão, ao entrar no Congresso Nacional, será defender a liberdade religiosa, o diálogo inter-religioso e uma nova ética que coloque o amor e o sagrado no centro da política.

Apresentarei projetos de lei que:

1. Instituam o Dia Nacional do Diálogo Inter-religioso — celebrando a diversidade das crenças e a busca comum pelo sagrado, com eventos em escolas, universidades e comunidades.

2. Criem o Conselho Nacional de Coexistência Religiosa — com representantes de todas as tradições religiosas e espirituais do Brasil, para promover o diálogo, a paz e a compreensão mútua.

3. Estabeleçam a Lei de Proteção dos Espaços Sagrados — garantindo a preservação de templos, terreiros, igrejas, mesquitas, sinagogas e locais de peregrinação como patrimônios culturais e espirituais.

4. Instituam o Programa de Educação Espiritual e Ética nas Escolas — incluindo o estudo das tradições religiosas e espirituais, a filosofia da religião, a ética e a cidadania global — com respeito à diversidade e sem proselitismo.

5. Criem o Fundo Nacional de Apoio a Projetos de Espiritualidade e Cuidado — para financiar iniciativas de acolhimento, saúde mental, combate ao suicídio, cuidado com idosos e crianças, e promoção do bem-estar espiritual.

6. Estabeleçam a Lei de Combate à Intolerância Religiosa — com penas rigorosas para discriminação e violência contra qualquer tradição religiosa ou espiritual, e programas de educação para a tolerância.

7. Instituam o Prêmio Nacional de Coexistência Religiosa e Paz — reconhecendo lideranças, organizações e projetos que promovem o diálogo, a reconciliação e a convivência pacífica entre diferentes crenças.

8. Criem o Programa de Formação de Lideranças Religiosas para a Justiça Social — capacitando líderes religiosos e espirituais para atuar em suas comunidades na defesa dos direitos humanos, na promoção da paz e no cuidado com a Terra.

Por que me escolher como seu jogador na Seleção Brasileira do Congresso?

Porque não sou um político de carreira. Sou um buscador — da verdade, do amor, do sagrado. Sou um educador que ensina que a espiritualidade não é privilégio de poucos, mas direito de todos. Sou um empreendedor social que construiu pontes entre as pessoas, as comunidades e as tradições.

Sou o criador do Ecossistema Digital Terra da Sabedoria — um portal onde cada ser humano pode despertar sua singularidade e suas missões neste mundo. Um lugar onde a arte anda junta com a espiritualidade, onde a tecnologia serve ao humano, onde o capital está a serviço da vida.

Escolha o quarenta — porque são quatro décadas de estrada, de busca, de encontro com o sagrado em cada ser humano. Escolha o dezenove — porque é a juventude que avança, a esperança que não se apaga, a energia de Yamal que faz gol quando o jogo parece perdido.

Escolha quatro mil e dezenove na urna. Não é um número. É uma oração. É uma prece. É a convocação para a partida mais sagrada de todas: a construção de um Brasil onde a espiritualidade é reconhecida, o diálogo é a lei, e o amor é a política.


O apito final

Todos dizem que todos tem um preço. Todos dizem que a sociedade virou um circo e todos tem que representar seu papel. Eu descobri meu preço e o papel que devo representar: ser um servo do amor, um construtor de pontes entre o céu e a terra.

Eu sou apenas um cara que sempre acreditou que é possível empreender sonhos. E empreendemos juntos vários — mudando a vida e as ideias de milhares de pessoas, de um pequeno grão de terra à Terra da Sabedoria.

Hoje, o espírito quer encontrar a verdade. Um dia novo nascerá, e sorriremos quando enxergarmos o preço das várias corrupções sobre a vida de milhões de pessoas. O quanto a falta de direitos e dinheiro provocam sofrimento, dores e mortes. O quanto o que você acha saber é exatamente os modelos e conhecimentos que mantêm este mundo do jeito que está!

Como podemos contribuir com a educação de jovens para uma nova ética? Como podemos questionar, à luz de uma nova ética, as ideias que diversas organizações empresariais, governamentais, científicas e outras estão vendendo como únicas formas de pensar o mundo em que vivemos? Se nossa educação só serve para encher o bolso, é uma ética. Mas se queremos inclusão, justiça social, amor, espiritualidade, arte e sustentabilidade do planeta, é outra ética. Outras formas de pensar, agir e ser. 

É preciso compreender indo além da razão — o sentir e o imaginar, vivenciando e experimentando outros modelos, ideias e tecnologias de vida. Conhecendo pessoas diversas e aprendendo o valor de tudo isto. Favorecer e fortalecer este debate nas comunidades, juventudes, governos, universidades e outros segmentos. 

Talvez este seja o melhor caminho para lidar com profundas desigualdades — onde mais do que os pobres, são os ricos e poderosos que precisam ser educados sobre os efeitos de seus poderes nas vidas de milhões de pessoas e da natureza. 

Faça parte dessa jornada. Vista a camisa. Entre em campo comigo. 

Vamos vencer a Copa do Brasil com Cidadania, Justiça e Espiritualidade para todos — com a força do amor e a luz do sagrado. 

Com a humildade de quem ora sem saber e a coragem de quem ama sem medida, 

Egidio Guerra de Freitas — Candidato a Deputado Federal | 4019 

 

"A minha oração é minha vida. Não nego a Ti nem a mim. Não quero aprender o que é justiça nem amor — apenas vivê-los. Pai, o Senhor sabe o que sinto, penso e vivo — e não há diferença entre os três. Eu nunca desisti de Ti nem Você de mim. E sem saber o que mais precisava, sempre aconteceu."