SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Davi Contra Golias : São Paulo Unida Contra a Tirania!




Meus irmãos e minhas irmãs, povo do Estado de São Paulo, 

Hoje, diante de vocês, não se apresenta um candidato tradicional, apoiado por estruturas poderosas ou bancado por máquinas de fazer dinheiro. Apresento-me como um servo, inspirado pela história mais antiga de resistência e fé que a humanidade conhece: a história de Davi contra Golias. 

Olhem ao redor. O Gigante que nos aterroriza não é um guerreiro filisteu, mas uma tirania muito mais perversa e difusa. É a tirania do dinheiro, que transforma a política em mercado, o voto em moeda de troca e o bem público em butim privado. É a tirania das forças da violência, que ceifam vidas nas periferias, que corrompem nossas instituições e que fazem do medo a sua principal ferramenta de governo. 

Este Golias moderno se alimenta da nossa divisão. Ele quer nos ver separados, uns contra os outros. Mas eu digo a vocês: a nossa força está na união do povo de Deus. 

Assim como Davi uniu as tribos de Israel, precisamos unir judeus, católicos, evangélicos e todos os homens e mulheres de boa vontade contra esse inimigo comum. Nossas diferenças de rito ou tradição são nada diante da nossa fé comum em um Deus de justiça, que se curva para ouvir o clamor dos oprimidos e que não se curva diante dos altares do dinheiro. 

Vejam o exemplo do nosso mestre Jesus. Que cena ele protagonizou no Templo? Com um chicote na mão, cheio de santa indignação, Ele derrubou as mesas dos cambistas e expulsou os vendilhões. Ele gritou: "A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a transformais num covil de ladrões" (Mateus 21:12-13). 

E o que é a Economia, senão a lei da nossa casa? 

A própria palavra "Economia" vem do grego oikonomiaoikos (casa) e nomos (lei, administração). Portanto, Economia é a lei da casa, a administração do lar, que é o nosso Estado, a nossa sociedade, a nossa pátria. 

Este Estado, São Paulo, é a nossa casa. Eles distorceram a lei da casa. Transformaram a administração do bem comum num instrumento de enriquecimento privado. 

Nós vamos, com a força da fé e da lei, derrubar essas mesas da corrupção! E para isso, vamos nos inspirar num dos maiores pensadores da nossa época, o Prêmio Nobel de Economia, Amartya Sen. 

Amartya Sen, um sábio que dedicou sua vida a entender a economia como um instrumento de humanização, nos ensina algo revolucionário. Nascido no que hoje é Bangladesh, ele viu de perto a pobreza e a desigualdade, e dedicou sua vida a responder à pergunta mais ética que existe: onde está o valor próprio da vida humana? 

Em sua obra-prima, "Desenvolvimento como Liberdade" , Sen nos mostra que o verdadeiro desenvolvimento não se mede apenas pelo crescimento do PIB, pela renda per capita ou pela quantidade de pontes e viadutos que se constrói . Isso é a visão dos poderosos, dos novos Césares, que querem nos reduzir a números em suas planilhas. 

O desenvolvimento real, o desenvolvimento que liberta, é a expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam . É a liberdade de estar bem alimentado, de escapar de doenças evitáveis, de ter uma educação de qualidade, de viver sem medo da violência. É a liberdade de ser capaz de agir como membro de uma comunidade, de participar das decisões, de não ser dominado pelas circunstâncias. 

Para Amartya Sen, a pobreza não é apenas a falta de renda. É a privação de capacidades básicas . É quando um jovem na periferia não tem a liberdade de escolher seu futuro porque a escola é ruim, porque não há oportunidade de trabalho, porque a bala perdida o espera na esquina. A pobreza é a negação da liberdade de viver a vida que se tem razão para valorizar . 

E quando falamos de escolha coletiva, do bem comum, Sen nos ilumina novamente. Em sua obra fundamental "Escolha Coletiva e Bem-Estar Social" , ele demonstra que uma sociedade justa não pode ser construída apenas pela soma de interesses individuais ou pela tirania da maioria . É preciso considerar os direitos, as liberdades reais e a diversidade das pessoas. É preciso ouvir a voz dos que sempre foram silenciados. 

Que paralelo poderoso com a nossa fé! 

A doutrina social da Igreja, em diálogo com o pensamento de Amartya Sen, nos fala de um "desenvolvimento pleno, humano e integral" . Um desenvolvimento que não separa o pão da alma, a justiça social da liberdade individual. Um desenvolvimento que vê o ser humano como um fim em si mesmo, e não como meio para o enriquecimento de poucos. 

E quando os poderosos, os novos Césares deste Império financeiro, vierem nos cobrar lealdade, nos oferecer migalhas em troca de nossos votos e de nosso silêncio, lembraremos das palavras de Jesus: "Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (Mateus 22:21). 

Perguntemos a eles: o que é de César? O imposto arrecadado para construir estradas, hospitais e escolas. Isso é de César, ou melhor, é do povo, que o financia! E o que eles nos devolvem? O caos, a violência e as migalhas da corrupção. 

Jogue a moeda para ver de que lado cai. Por muito tempo, essa moeda foi manipulada por eles. Uma rede de interesses, tecida por "reis e rainhas" protegidos por várias fileiras de vassalos, que usam o dinheiro público para financiar seus delírios de poder. Eles se veem como deuses, impondo sua história, seus rituais e suas maldades, enquanto milhares de inocentes sofrem com a falta de água, de segurança e de esperança. 

Mas a moeda está no ar, e agora, nós vamos decidir de que lado ela cai! 

Cai do lado do povo que clama por justiça? Cai do lado da juventude que quer construir, e não apenas sobreviver? Cai do lado daqueles que, como nos tempos de Davi, preferem a verdade e a fé a se curvar ao gigante? 

Sim, eles têm as informações, o poder e o dinheiro. Mas como se ganha uma guerra quando o inimigo é uma rede de interesses ocultos? 

A resposta está nas pequenas ações em rede de grande impacto público. Na união de cada comunidade de fé, de cada associação de bairro, de cada jovem que se recusa a ser apenas mais um a ser "blindado" pelas máfias que dominam o mundo político e financeiro. Nossa campanha não será movida a dinheiro sujo de contratos superfaturados. Será movida a fé, a esperança e à força das nossas convicções. 

Não vamos usar Maquiavel para derrotar César ou Hitler. Vamos usar a verdade. Vamos expor, com provas, como esses "reis" são, na verdade, "amadores" presos às suas próprias vaidades, acreditando que são eternos. Nós vamos construir uma nova ética, deixando claro por que as desigualdades aumentam: porque as raízes do poder são antidemocráticas e corruptas. 

Davi não venceu Golias com a força do gigante, mas com a precisão da fé e a coragem de um jovem. 

Minha proposta é esta: sermos essa pedra, atirada com fé, para derrubar o gigante da tirania em São Paulo. Para isso, precisamos de um exército de Davi, formado por todos vocês. 

  • Judeus, Católicos e Evangélicos: unidos na defesa da vida e da justiça social, seguindo o exemplo de diálogo entre a fé e a razão que pensadores como Amartya Sen nos inspiram . 

  • Trabalhadores e Empresários: unidos na busca por um desenvolvimento ético e sustentável, onde a economia volte a ser a "lei da casa" que cuida de todos. 

  • Juventude e a Melhor Idade: unidos na construção de pontes entre a memória e a inovação, para que cada jovem tenha a liberdade de escolher seu futuro, como Sen nos ensina . 

Chega de servir a César e seu império de corrupção! Chega de viver das migalhas que caem de suas mesas! Nós queremos o banquete inteiro: o banquete da dignidade, da segurança, da educação de qualidade, da saúde para todos e da água que é um direito, e não uma mercadoria. 

A moeda gira no ar. Muitos correm para pegar a sobrevivência. Mas nós não vamos correr atrás de migalhas. Vamos, juntos, mudar o jogo. 

Dai a César o que é de César: a nossa indignação e a nossa resistência. E a Deus, e ao povo de São Paulo, o que é nosso por direito: um futuro de paz, justiça e prosperidade. 

Que Deus abençoe a nossa luta e abençoe o Estado de São Paulo. 

Juntos, somos a pedra que vai derrubar o gigante!