Caríssimo eleitor, guardião da Terra,
Você que sente no corpo o calor que não existia antes; você que sabe que a água que bebe e o ar que respira são patrimônios da vida, não mercadorias; você que acredita que a economia pode ser justa e a política pode ser poesia — esta carta é para você.
Sou candidato a Deputado Federal. Meu time é o quarenta — quatro décadas de caminhada, de chão pisado, de pontes construídas entre a educação, a economia e a ecologia. Meu atacante é o dezenove — como Yamal, a juventude que entra em campo com a leveza de quem ainda não aprendeu a duvidar. E juntos, time e atacante, vamos vencer a maior de todas as Copas: a Copa do Brasil com Cidadania, Justiça e Ecologia para todos.
Mas esta partida não se joga com as regras de ontem. Ela se joga com um novo olhar — um olhar que entende que a economia é a lei da casa, e que a casa é a Terra. Ela se joga com a sabedoria de quem aprendeu que a educação, a economia e a política não podem mais funcionar independentes da vida.
A jornada que me trouxe até aqui: das mandalas ao curso pioneiro da UFC
Minha história com a Economia Ecológica começou onde a vida brota: na terra. Na Agência Mandalla, na Paraíba, aprendi com Willy Pessoa e tantos outros que o solo pode ser curado, que a fome pode ser vencida e que a natureza nos ensina quando a escutamos. Lá, construímos mandalas e hortas comunitárias pelo Brasil — não como enfeite, mas como tecnologia social de produção de alimentos, orientada pela agroecologia e pela sustentabilidade.
No Bairro Serviluz, em Fortaleza, vimos a comunidade se organizar em torno da terra, transformando um território à beira-mar em espaço de cultivo, resistência e esperança. No Grande Jangurussu, onde quase trezentas mil pessoas vivem no lado mais pobre e que mais mata em Fortaleza, testemunhamos a força de uma "cidade insurgente" que, de baixo para cima, construiu os alicerces de sua própria emancipação. Lá, o Banco Palmas, REAJE e tantas outras organizações comunitárias mostraram que a Economia Ecológica não é teoria — é vida.
E aprendi com as comunidades indígenas e quilombolas, levando estudantes de universidades brasileiras e americanas para conviver com a economia que brota da terra. Aprendi que os guardiões da floresta e do cerrado sabem o que nós, urbanos, esquecemos: que a vida é uma teia, e que cada fio importa.
Foi essa caminhada que me levou à Universidade Federal do Ceará (UFC), para cursar o primeiro curso de graduação em Economia Ecológica do mundo. Criado em 2015, o bacharelado é pioneiro e único no planeta. Lá, com professores como Fábio Sobral, Otoniel e Ayala compreendi que a Economia Ecológica não é apenas uma disciplina — é uma filosofia de vida, uma jornada educacional que dialoga ao mesmo tempo com as vidas, as ciências e o planeta Terra.
As rochas como poema épico da Terra
A jornalista científica Laura Poppick, em seu livro "Strata: Stories from Deep Time" (2025), nos ensina que "os sedimentos são como um poema épico da Terra. Quando formos sábios o suficiente, talvez possamos ler neles toda a história passada". Poppick nos guia por 4,54 bilhões de anos de história da Terra, através de quatro grandes transformações: o acúmulo de oxigênio na atmosfera, as glaciações da "Terra Bola de Neve", a ascensão das plantas e o mundo-estufa dos dinossauros. Ela nos mostra que entender como a Terra respondeu a mudanças drásticas no passado pode nos oferecer lições para o presente e o futuro.
Quando leio as rochas, vejo o que nós, humanos, estamos prestes a perder. E quando vejo as comunidades do Jangurussu cultivando a terra, vejo o que podemos salvar.
O ar que respiramos e a ciência que ignoramos
Carl Zimmer, em "Air-Borne: The Hidden History of the Life We Breathe" (2025), revela que o ar não é um vazio estéril, mas um ecossistema dinâmico e densamente povoado — o aerobioma. Ele nos conta a história sombria de como a ciência da aerobiologia foi sistematicamente marginalizada, e como essa negligência custou vidas na pandemia de COVID-19.
Zimmer nos mostra que os oceanos e florestas lançam trilhões de células no ar, que micróbios "comem" nuvens e que a vida viaja milhares de quilômetros no vento. O ar que respiramos é vida. E a vida que respiramos está sendo ameaçada.
Os rios vivos e a gramática da animação
Robert Macfarlane, em seu livro "Is a River Alive?" (2025), nos faz uma pergunta que parece simples, mas é revolucionária: os rios estão vivos? Ele nos convida a abandonar a linguagem que reduz os rios à condição de "coisas" — "palavras criam mundos", escreve ele. Adotar uma "gramática de animação" — referir-se aos rios como "quem" em vez de "o quê" — é o primeiro passo para reconhecer sua subjetividade e agência.
Macfarlane viaja pela floresta nublada de Los Cedros, no Equador, onde identifica não um, mas três rios: o visível, o "rio fúngico" subterrâneo (redes de micorrizas) e o "rio celeste" de vapor d'água nas correntes atmosféricas. Em Chennai, na Índia, testemunha "tão próximos da morte quanto qualquer coisa que já vi na vida" — como o Rio Adyar, fétido e sufocado por esgoto. E no Canadá, ele se entrega ao rio Mutehekau Shipu (Rio Magpie), guiado pela poeta Innu Rita Mestokosho, que o aconselha: "No rio, seja o rio". Dias na água produziram nele "o sentimento intensificado de alguma forma crescer junto com o rio: não pensar com ele, mas ser pensado por ele".
O livro é uma introdução literária ao movimento dos Direitos da Natureza, que já reconheceu o Rio Whanganui na Nova Zelândia, o Rio Ganges na Índia e o Mutehekau Shipu no Canadá como "entidades vivas" e sujeitos de direito. Macfarlane pergunta: se os rios estão vivos, como devemos, então, viver com eles?
A grande migração já começou
Jake Bittle, em "The Great Displacement" (2023), nos mostra que a migração climática não é uma ameaça futura, mas uma realidade presente. Incêndios florestais, furacões, elevação do nível do mar e secas já estão forçando milhares de pessoas a abandonarem suas casas. Entre 2016 e 2020, mais de seis milhões de americanos perderam suas casas devido a desastres climáticos.
Bittle argumenta que as consequências do aquecimento global são amplificadas por sistemas humanos frágeis — mercados de seguros em colapso, programas de assistência a desastres subfinanciados, crises habitacionais e desigualdades raciais e econômicas. Como ele escreve, "as mudanças climáticas estão aplicando estresse a uma ordem social e econômica já frágil, alargando rachaduras que estiveram lá o tempo todo".
Em Pointe-au-Chien, Louisiana, comunidades indígenas não reconhecidas enfrentam a erosão costeira e a extinção cultural. Para famílias como os Verdins, a decisão de ficar ou partir não é apenas econômica — é existencial. Deixar a terra significa a extinção cultural de uma comunidade que existe há gerações. "Quando uma comunidade desaparece, desaparece também um mapa que nos orienta no mundo".
O livro termina com a pergunta que nos assombra: para onde iremos? Bittle identifica cidades como Buffalo, Duluth e Cincinnati como potenciais "refúgios climáticos", mas alerta que o mercado imobiliário ainda não está respondendo aos riscos climáticos de forma adequada.
Entre a água, o fogo e o poder
Jeff Goodell, em "The Water Will Come", documenta a inevitável ascensão dos mares. Em Miami, cidade construída sobre calcário poroso, a água do oceano já aflora pelas galerias de esgoto em dias de maré alta. O autor cita o prefeito de South Miami, Philip Stoddard, sobre a usina nuclear Turkey Point: "É impossível imaginar um lugar mais estúpido para construir uma usina nuclear do que Turkey Point". A citação exemplifica uma tese recorrente no livro: a negação e o planejamento míope colocam infraestruturas críticas em risco catastrófico.
John Vaillant, em "Fire Weather", narra o incêndio que destruiu Fort McMurray, Alberta, em 2016. O ponto crítico foi um fenômeno chamado "crossover", quando a temperatura ambiente ultrapassa a umidade relativa do ar — o ambiente se torna um aliado do fogo, alimentando-o com altas temperaturas, baixa umidade, combustível seco e vento. Vaillant aplica o "Problema de Lucrécio" para entender a falha de resposta: há um abismo entre a experiência individual e o que é realmente possível. As autoridades não conseguiram compreender a escala da ameaça porque nunca haviam experimentado algo assim. "A falha mais importante foi uma falha de imaginação".
Jonathan Blitzer, em "Everyone Who Is Gone Is Here", revela como as intervenções geopolíticas dos Estados Unidos na América Central geraram ondas migratórias que hoje chegam à sua fronteira sul. A política de imigração é governada por "uma política de crise permanente, com a fronteira como seu palco". O princípio da dissuasão — a ideia de que desviar pessoas suficientes fará com que outros parem de tentar vir — é fundamentalmente falho e persiste sob administrações democratas e republicanas.
A conexão entre os três livros é clara: a água e o fogo são agentes de um planeta em desequilíbrio, mas o poder humano — corporativo, estatal, militar — determinou a magnitude desse desequilíbrio e continua a determinar quem sofre suas consequências. A separação entre "crise ecológica" e "crise política" é artificial. "As pessoas dizem que essa caravana é sobre política? Bem, claro, se por política você quer dizer fome".
O desafio do nosso tempo: a Terra no limite
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) — o principal organismo internacional responsável por avaliar as evidências científicas sobre as mudanças climáticas — nos alerta: as emissões globais de gases de efeito estufa precisam cair 43% até 2030. O planeta está no limite. A economia que conhecemos — baseada na extração, no desperdício e na desigualdade — está destruindo a casa que nos sustenta.
A palavra Economia significa "lei da casa". E economistas como Amartya Sen, Thomas Piketty e Joseph Stiglitz têm trabalhado para devolver a economia à humanidade, à democracia e ao mercado sem desigualdades. Já grande parte dos políticos tem vendido a humanidade e o mundo, abandonando as pessoas à morte.
Chegou a hora de a escola renascer da relação com a vida, com a comunidade, com a Terra. Uma educação que não transforma pessoas, nem suas casas ou comunidades, não pode ser considerada educação. As ciências estão a serviço da humanidade, não como meios de escravizá-la.
A missão no Congresso: o Deputado Federal da Economia Ecológica
Minha oitava missão, ao entrar no Congresso Nacional, será transformar a Economia Ecológica em política pública — integrando educação, economia, ecologia e tecnologia a serviço da vida.
Apresentarei projetos de lei que:
1. Instituam o Programa Nacional de Economia Ecológica — com recursos do Orçamento Geral da União, do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) e de fundos internacionais, para financiar projetos de desenvolvimento sustentável em todos os territórios.
2. Criem o Selo "Território de Economia Ecológica" — reconhecendo comunidades, cidades e regiões que adotarem práticas de desenvolvimento sustentável, com benefícios fiscais e acesso prioritário a recursos públicos.
3. Estabeleçam a Lei de Educação para a Economia Ecológica — incluindo nos currículos escolares e universitários a economia ecológica, a educação ambiental, o desenvolvimento sustentável e a cidadania planetária.
4. Instituam o Fundo de Apoio a Projetos Comunitários de Economia Ecológica — com recursos para hortas urbanas, agroecologia, reflorestamento, energia renovável e economia solidária, geridos por associações comunitárias e conselhos populares — como as mandalas que construímos no Serviluz e no Jangurussu.
5. Criem o Programa Nacional de Segurança Hídrica, Energética e Alimentar — com cartografias participativas para ensinar as comunidades a garantirem água, energia e alimentos, integrando saúde, trabalho, renda, lazer e cultura.
6. Estabeleçam a Lei de Proteção do Aerobioma e da Qualidade do Ar — inspirando-me no trabalho de Carl Zimmer, para monitorar e proteger a vida invisível que respiramos.
7. Instituam o Observatório Nacional da Economia Ecológica — para monitorar os impactos das políticas públicas sobre o meio ambiente, a economia e a sociedade, com dados abertos e controle social.
8. Criem o Programa de Cartografia Comunitária — para que as escolas e comunidades mapeiem seus territórios, seus recursos e seus desafios, construindo coletivamente planos de desenvolvimento sustentável.
Por que me escolher como seu jogador na Seleção Brasileira do Congresso?
Porque não sou um político de carreira. Sou um educador que ensina transformando. Sou um cineasta que filma a beleza do que é possível. Sou um empreendedor social que construiu, há quarenta anos, mandalas, hortas, redes e vidas.
Sou o criador do Ecossistema Digital Terra da Sabedoria — um portal para existências belas em uma era em que tudo estará conectado em UM. Sou o articulador de redes que conectam comunidades, universidades, governos, ONGs e empresas em sinergias sociais e ambientais.
Escolha o quarenta — porque são quatro décadas de estrada, de chão, de vida. Escolha o dezenove — porque é a juventude que avança, a esperança que não se apaga, a energia de Yamal que faz gol quando o jogo parece perdido.
Escolha quatro mil e dezenove na urna. Não é um número. É uma jornada. É uma orquestra espiritual de amor à vida e à Terra. É a convocação para a partida mais bonita de todas: a construção de um Brasil onde a economia é a lei da casa — e a casa é a Terra.
O apito final
A boa notícia é que hoje podemos transformar a educação, a economia e a política a serviço da humanidade e da Terra. Em qualquer pedaço de chão ou território — dentro ou fora da escola — podemos reconstruir nossas vidas, comunidades, educação, economia e política por outros caminhos.
Dialogando com os passados, presentes e futuros, e com novas formas de ser, viver e governar. Inovar as políticas públicas pela sociedade é buscar transformar a comunidade no Estado, transformar a escola em práticas pedagógicas de reconstrução das vidas — enfrentando as desigualdades e violências — e da Terra, com reflorestamento, hortas e jardins ao seu redor.
Como disse Rachel Carson, citada por Laura Poppick: "Os sedimentos são como um poema épico da Terra. Quando formos sábios o suficiente, talvez possamos ler neles toda a história passada."
Chegou a hora de ler essa história. E de escrever a próxima.
Faça parte dessa jornada. Vista a camisa. Entre em campo comigo.
Vamos vencer a Copa do Brasil com Cidadania, Justiça e Ecologia para todos — e, de quebra, salvar a Terra e a humanidade com a mesma jogada.
Com a sabedoria de quem aprendeu que a economia é a lei da casa,
Egidio Guerra de Freitas — Candidato a Deputado Federal | 4019
"A boa notícia é que hoje podemos transformar a educação, a economia e a política a serviço da humanidade e da Terra. Em qualquer pedaço de chão ou território — dentro ou fora da escola — podemos reconstruir nossas vidas, comunidades, educação, economia e política por outros caminhos. Dialogando com os passados, presentes e futuros, e por novas formas de ser, viver e governar."





