SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 22 de outubro de 2023

Kibutz: a comunidade socialista com papel-chave na formação de Israel.

 

Kibutz: a comunidade socialista com papel-chave na formação de Israel

Israel

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Jovens do Kibutz Givat Brenner em 1950

  • Author, Redação
  • Role, BBC News Mundo

Kfar Aza, Be'eri, Nahal Oz, Magen eram nomes pouco conhecidos antes do ataque surpresa do grupo militante palestino Hamas contra Israel.

São todos kibutzim, plural de kibutz em hebraico, comunas agrícolas israelenses que se provaram uma experiência socialista e democrática radical significativamente bem-sucedida.

A história dos kibutzim começou quatro décadas antes da fundação de Israel, período durante o qual cumpriram muitas das funções de um Estado.

Eles desempenharam um papel fundamental não só no desenvolvimento agrícola e intelectual do país, mas também na sua defesa e liderança política.

Também se tornaram o berço da elite do bloco social-democrata progressista que durante décadas dominou a política, a sociedade e a cultura do país, sendo um viveiro de líderes políticos e militares, bem como de intelectuais e artistas.

Além disso, foram criados por idealistas como comunidades rurais coletivas que combinavam o sonho de estabelecer um lar para os judeus com a visão de construir um mundo melhor.

Por fim, lançaram as bases da comunidade secular em Israel por representarem uma nova forma de ser judeu, mais apegada à terra do que à religião.

Os membros dos kibutzim, os kibutzniks, incorporaram o ideal do sionismo, o movimento político surgido no fim do século 19 que defendia a ideia de formação de Estado Nacional que abrigasse os judeus na Palestina: cidadãos fortes, agricultores qualificados e soldados corajosos, livres do medo e da agitação da diáspora.

Embora os kibutzniks nunca tenham representado mais do que uma pequena percentagem da população israelense, foram indispensáveis na formação do tecido social do país.

Sua influência foi enorme e seu legado fundamental.

A utopia

Primeiras casas do primeiro kibutz, Degania.

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Primeiras casas do primeiro kibutz, Degania.

Logo: BBC Lê
BBC Lê

Podcast traz áudios com reportagens selecionadas.

Episódios

Fim do Podcast

Os kibutzim nasceram baseados em um princípio: cada um de acordo com suas capacidades, cada um de acordo com suas necessidades.

O primeiro kibutz foi fundado em 1909, em terras adquiridas pelo Fundo Nacional Judaico ao sul do Lago Kineret, então sob o controle do Império Otomano.

A Degania foi fundada por um grupo de 12 jovens imigrantes judeus da Europa de Leste que sonhavam em trabalhar a terra e forjar um estilo de vida alternativo que trouxesse igualdade real e conferisse à vida quotidiana um significado especial.

Este kibutz era diferente dos assentamentos agrícolas judaicos anteriores por usar o voto majoritário para tomar todas as decisões. Na sequência, outros kibutzim foram criados seguindo seu exemplo.

Neles todos os membros eram iguais, todos faziam tudo e tudo pertencia a todos, até presentes pessoais, que eram dados para usufruto da comunidade.

O trabalho era um valor em si, e o conceito de dignidade do trabalho elevava qualquer trabalho.

As tarefas eram rotativas: quem era administrador de todo o kibutz num dia, lavava a louça no refeitório comunitário no dia seguinte.

Segundo o ideal de igualdade econômica completa, os membros do kibutz comiam em uma cozinha comunitária, usavam as mesmas roupas e partilhavam a responsabilidade pela criação dos filhos, programas culturais e outros serviços sociais.

O centro da atividade era a agricultura.

Embora o ambiente fosse hostil, as terras muitas vezes desoladas e a água escassa, os kibutz tornou-se um empreendimento poderoso e tecnologicamente avançado no campo da agricultura.

Além disso, a partir das décadas de 1920 e 1930, alguns kibutzim passaram a se industrializar, fabricando uma ampla gama de produtos, desde roupas até sistemas de irrigação, mas especialmente alimentos processados, plásticos e metais.

Desde então, os kibutzim respondem por 33% da produção agrícola e 6,3% da produção industrial de Israel. Ambos os percentuais excedem em muito a sua participação na população, que é de 2,5%.

E politicamente?

Os kibutzim lançaram as bases ideológicas e estruturais de Israel, bem como do movimento trabalhista.

É por isso que o kibutz é considerado um dos principais pilares do Estado de Israel.

Israel

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Mulheres em um kibutz em 1935

Crise existencial

Meninos e professor em aula em um campo de cultivo

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Kibutzim são conhecidos por seu excelente sistema educacional (aulas ao ar livre)

Mas o mundo mudou e os moradores dos kibutzim não tiveram outra escolha senão aceitar a nova realidade.

Isso significou comprometer em muitos aspectos sua ideologia.

Apesar de essas comunidades nunca estarem isoladas do restante da sociedade israelense, as novas gerações não partilhavam das aspirações socialistas; não aceitavam abdicar dos interesses individuais em prol dos comunitários.

Havia também quem considerasse o kibutz um bastião do secularismo contra a tradição, que se opunha à família tradicional e uma ideologia contra a propriedade privada.

Além disso, alguns imigrantes de certas regiões consideraram degradante a ideia de fazer trabalho manual.

Como pano de fundo, o governo trabalhista caiu em 1977, e Israel viveu hiperinflação e crises econômicas nas duas décadas seguintes.

Resultado: para muitos kibutzniks, não havia outra escolha senão mudar ou desaparecer completamente.

Família tirando fotos na fazenda de flores do kibutz

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Em tempos melhores, nos campos de flores do Kibutz Nir Yitzhak, um dos que sofreram ataques do Hamas.

O que aconteceu então foi uma revolução social.

No início do século 21, 179 dos 270 kibutzim de Israel foram privatizados.

Embora seus princípios tenham sido esvaziados, eles não descartaram completamente a sua ideologia original.

Em vez disso, diferenciaram entre economia e gestão, de um lado, e comunidade, de outro.

A nova geração de líderes do movimento continuou interessada na responsabilidade social, mas não tanto no princípio da igualdade.

O pagamento diferenciado foi introduzido, a empresa comercial começou a operar de acordo com parâmetros orientados pelo mercado, a gestão tornou-se profissionalizada e as estruturas comunitárias e empresariais foram separadas.

Mas, em vez de eliminarem totalmente a propriedade pessoal, os membros dos kibutzim privatizados pagam ao kibutz uma taxa progressiva do seu rendimento, de modo que a desigualdade social é menor do que no restantes da sociedade israelense.

A renda comunitária é usada para cuidar dos idosos, dos doentes e daqueles que não conseguem ganhar salários elevados, e também fornecem cuidados médicos, educação e cultura aos seus membros.

Essas mudanças deram sobrevida financeira aos kibutzim, tirando a maioria deles de um estado de crise e atraindo novos membros.

Enquanto isso, jovens israelenses inspirados pela ideia de comunidade do passado criaram novos modelos, como os kibutzim urbanos chamados irbutzim ('ir' significa cidade), nos quais os membros vivem em comunidade em uma área em desenvolvimento e trabalham para fortalecer a população.

E ainda há alguns que permanecem decididamente socialistas.

Um kibutz que manteve a abordagem coletivista tradicional que remonta ao início do século 20 é Be'eri, onde o Hamas, no dia 7 de outubro, matou mais de 120 dos seus 1.100 moradores e sequestrou vários outros.

Como uma reportagem da BBC News Brasil mostrou, um dos moradores assassinados é Celeste Fishbein-Zaarur, de 18 anos, filha e neta de brasileiros. 

O filósofo Martin Buber afirmou que o kibutz foi a tentativa mais impressionante de vida comunitária: "uma experiência que não falhou."

Mas, com todas as dificuldades do final do século passado e as mudanças do início deste século, essa premissa é agora posta em dúvida.

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Parentes de um dos mortos no kibutz Be'eeri, atacado pelo Hamas

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

MAJOR TOM E CRIANÇAS NO CEU! A EVOLUÇÃO DA MATRIX DO SECULO XXI!















[Verso 1]

Vitimização
Eu ouço o chamado
Para sair da
Vitimização
Tem um brilho santo
Mais santo que tu
Isso apagou minha sombra (Sombra)

[Refrão]
Apenas visão de pássaro
Pode me ajudar a transcender
Este arquétipo

[Verso 2]
Oh, quem sou eu
A quem isso aconteceu?
Vitimização
Rejeição, isso nunca deixou um vazio
Que nunca é satisfeito
Afundada em vitimização
Senti que o mundo me devia amor

[Refrão]
Apenas visão de pássaro
Pode me ajudar a transgredir
Para fora desse buraco
Ponte]
Quem sou eu
A quem isso aconteceu?
Para nos transgredir além de nossa tragédia
Precisou de um pelo time
Eu mе sacrifiquei para nos salvar
Eu me rejеitei
Me sacrifiquei
Eu senti pena de mim mesma
Para nos transgredir para fora dessa tragédia
Eu me sacrifiquei
Precisou de um pelo time
Para nos transgredir (Para nos salvar)
Além de nossa tragédia (Para nos salvar)
Eu me sacrifiquei

[Saída]
Vitimização
Vitimização
Eu ouço um chamado
Da vitimização
Fora da
Fora da
Da vitimização
Aqui vou agora

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

CARTA AO MINISTÉRIO PÚBLICO, A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DE FORTALEZA E A SOCIEDADE.



Excelentíssimos senhores membros do Ministério Público, autoridades da Secretaria de Educação de Fortaleza e estimada sociedade, 

Escrevo esta carta com o coração carregado de preocupação e frustração, mas também com a esperança de incitar mudanças essenciais no sistema educacional de nossa cidade. Meu nome é Egidio Guerra, e sou um professor que tem o sonho de educar as gerações futuras e contribuir para um futuro melhor através do ensino público. No entanto, este sonho tem sido ensombrado por condições inaceitáveis e desafios que não podemos mais ignorar.

 

Como disse, tudo começou com um sonho que se tornou realidade: ser professor de escola pública. Em muitos países os melhores ocupam essa profissão para formar as novas gerações. É incomparável educar, viver e sonhar com as crianças e jovens, mas em que condições? Primeiro quero frisar que montamos uma comissão dos concursados aprovados pela UFC junto com a Direção da Faculdade de Educação da UFC. Nós realizamos um evento com a presença da SME/PMF para comemorar a conquista de uma nova geração de professores que saíram da escola pública e agora voltam para ensinar os filhos de trabalhadores, gerando pela educação a ascensão social de ambos, esta é a nossa missão. Nós estávamos todos emocionados como podem ver o vídeo no you tube no Link https://www.youtube.com/watch?v=LopR7w1G60Q

 


Infelizmente, em dois meses dando aulas, a alegria inicial rapidamente se transformou em desespero quando nos deparamos com a realidade cruel e desoladora das escolas públicas em Fortaleza. Nós havíamos criado com uma Professora da Faculdade de Educação da UFC, Dra.Claudiana Melo, o DOCA- Grupos de estudos e pesquisas em docência onde dialogamos sobre a sala de aula, apresentamos casos de como estamos realizando nossas aulas, novas práticas pedagógicas, e pesquisamos. Mas os relatos vinham sem exceção de muita tristeza com as condições em que nos encontramos nas escolas, muitos alunos sem saber ler nem escrever, crianças especiais sem apoio, violências, falta de brinquedos e material pedagógico básico entre outros. 

 

Nós tentamos por diversas vezes, incluindo a UFC, ser escutados pela SME, nunca fomos! Descobrimos que o Ministério Público havia feito um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em relação às escolas em condições precárias com a SME, mas as promessas feitas não foram cumpridas. A Secretaria de Educação de Fortaleza Dalila, que está há anos no poder, havia se comprometido a realizar as mudanças, mas não cumpriu e hoje o processo se encontra na 13a vara Federal. 

 

A SME/PMF, UFC, SINDIUTE e outros fomos convocados para uma nova audiência em abril, foi feito um relato sobre as falas e compromissos que estão no MP. Em resumo, os 4 Promotores da Educação do MP abriram a audiência e pediram para relatar os depoimentos dos novos professores e das escolas onde atuamos, incluindo professores da Rede há mais tempo que confirmam todas as situações nas escolas, eu e outra Professora representantes de nossas escolas no SINDIUTE. Logo após 3 Professoras da Faculdade de Educação da UFC presentes, incluindo a coordenadora do grupo de pesquisa DOCA, Prof. Claudiana Melo, e as coordenadoras do curso, Professores Maurilene e Vanessa, se colocaram à disposição para colaborar no diálogo, construir juntos e afirmaram a situação enfrentada pelos seus ex-alunos, agora professores efetivos nas escolas da rede municipal. A Presidente do SINDIUTE falou negando as vozes dos professores, e afirmando que estava tudo bem nessa gestão da Educação do Prefeito Sarto. Depois a própria SME reconheceu que não foi cumprido o acordo com o MP feito anos atrás, que a comissão sobre violência nas escolas não tinha andado, entre outras omissões. Os promotores pediram a palavra e foram unânimes em dizer que era absurdo o descaso da SME com situações como essas e encaminhou providências. 

 

Nesse mesmo período e depois eu atuei em quatro escolas como Professor de Matemática e Religião sempre em diálogo com outros professores, coordenadores e diretores. Na primeira semana na Escola levei dois professores da UFC, Alex Sandro Coitinho e Maria Jose Santos, visando implantar laboratórios de matemática e tecnologia nas escolas. O que foi negado pela SME mesmo diante das circunstâncias já descritas dessas escolas. Em quase três meses de aulas numa escola em total reforma, onde professores e alunos adoecem, eu fiquei com bronquite e rinite aguda, respirando pela metade do nariz, perdendo a voz e audição com tosse e febre, fico sem conseguir dormir, além do aumento de peso e pressão, e gerou pre diabete. Nessa mesma escola, eu e vários professores pedimos providências sobre a situação da reforma e nada foi feito pela SME. As leis trabalhistas sobre condições mínimas de trabalho nas escolas continuam sendo desrespeitadas hoje em várias escolas, como mostra os muitos depoimentos que entregamos ao MP, inclusive continua nessa escola Yolanda Queiroz, mesmo com os professores pedindo providências em relação a sua saúde.  

 

Portanto em minhas experiências como professor de Matemática e Religião, e de outros professores em várias escolas, testemunhamos todos os dias condições deploráveis e desrespeito às leis trabalhistas. A falta de apoio para alunos com necessidades especiais, a violência nas escolas, a ausência de material pedagógico básico e a negligência com a saúde dos professores são apenas algumas das questões que enfrentamos diariamente.

 

Em todas as escolas públicas que ensinei e ensino desenvolvi uma relação que busca fortalecer a alegria para aprender, interação social, afetos, autonomia, conteúdo atualizado com problemas e desafios atuais, e busco compreender a vida de cada aluno. Todas essas premissas pedagógicas defendidas por Paulo Freire, Vigotsky, Wallon, Morin, Malaguzzi, e mais recente por Viviane Mosé e Pacheco. A SME contrata Viviane e Pacheco para dar palestras, mas negam essas ideias na gestão e nas escolas. Por essas razões e práticas pedagógicas meus alunos falam para todos em sala de aula e quando chego na escola que sou um dos melhores professores que tiveram; isso também é testemunhado por outros professores, coordenadores e diretores da escola. Mas isso também quer dizer que luto por essas melhorias nas escolas com coordenadores e Diretores, em especial em duas escolas que tive que ir a Regional para ter uma reunião pedagógica entre professores para dialogar sobre várias situações aqui citadas, escola que me foi negado sala para passar filmes do Chaplin para os garotos, que nos foi negado um lugar para implantar uma brinquedoteca e que os alunos cometeram violências em sala de aula. Nós mandamos para coordenação mas em poucos minutos retornam para sala de aula , sem nenhuma gestão ou intervenção pedagógica, são quase os mesmos 2 ou 3 que continuaram até o final do ano causando as mesmas violências por problemas cognitivos, pobreza, ausência da família e outros. Necessitamos lidar com esses desafios por outros caminhos, principalmente integrar política educacional com social com a participação ativa de todos os setores da sociedade. Eu passei mais de três décadas atuando com projetos sociais com pessoas lutando com nada e conquistaram muitas vitórias.  Mas nunca tinha visto organizações com recursos que sabem que pessoas estão sofrendo e atuam como capitães do mato para manter seus poderes, sem mudar suas prioridades e práticas de gestão. Por outro lado vi que é possível em outras 2 escolas da rede que ensinei, vi práticas dos Diretores e coordenadores, apoiarem a sala de aula em todos os sentidos e não abandonar o professor sozinho para resolver tudo, vi a capacidade de escuta e diálogo com os professores, bem diferente da gestão da SME/PMF, me permitirem novas práticas pedagógicas porque concordam que não é educação manter o domínio de uma sala no grito ou dar uma aula no quadro sem se preocupar se os alunos estão aprendendo ou suas diversas formas de aprender, buscando transformar suas vidas. Infelizmente existe um tarefismo que privilegia SPAECE e ADRs negando condições mínimas de ensino e aprendizagem.    

 

Neste mesmo período escrevi textos como este visando discutir de forma aberta a educação, a escola pública e gestão educacional. Mas os Diretores começaram a impedir que eu publicasse os textos nos grupos de whatsapp, mesmo sendo representante de escola, por exemplo o Sindiute nunca me colocou no grupo de representantes, assim como a atual gestão da SME há décadas no poder acham que são donos da escola pública? E que as prioridades da escola não podem ser discutidas? e que apenas a voz oficial do Grande irmão de 1984 de George Orwell pode controlar a todos? 

 

Como disse Foucault, é mais fácil produzir fracos do que enfrentar fortes, e apesar das adversidades os professores se tornam cada dia mais fortes, lutando por processos democráticos na escola, e a transparência dos gastos públicos. Não se pode gastar com laboratórios de tecnologia e ciência que não funcionam, enquanto falta o básico e o mínimo nas escolas, enquanto professores e crianças são sacrificadas em suas vidas todos os dias, enquanto metade de nossas crianças vivem na extrema pobreza há décadas, e somos um dos estados que mais mata pessoas do Brasil é essa educação modelo do Brasil? ou um bom negócio para alguns? 

 

Enquanto os mesmos tecnocratas estão no poder em suas organizações há décadas. Por isso estamos discutindo essas ideias e práticas com centenas de professores que pensam e agem diferente porque sofrem as consequências das más educações dos gestores, mas também é necessário que outras pessoas conheçam a realidade de verdade de centenas de escolas em Fortaleza e as vozes dos professores que a SME não vai calar nem vai trocar moedas com os escolhidos. Não podemos perpetuar a educação da mentira, fake news, e publicidade enquanto crianças e professores pagam com suas vidas, as suas humilhações e violências. E abrimos um debate com Professores da academia do Brasil inteiro e de outros países, assim como educadores, jornalistas, artistas, políticos, e outros. É hora de re ocupar as escolas e salvar as crianças, jovens e professores! 

 

Muitas coisas aconteceram nesse período mas no texto não há espaço para falar tudo, apenas iniciar o debate e continuar a mesma jornada e luta.                                                                             

 

Chegou a hora de uma mudança radical. Não podemos mais permitir que a educação pública seja negligenciada. Crianças, jovens e professores merecem um ambiente de aprendizado seguro, saudável e estimulante. Peço encarecidamente que as autoridades competentes intervenham, cumpram as promessas feitas e trabalhem conosco para reestruturar nosso sistema educacional.

 

Estamos dispostos a colaborar, a dialogar e a contribuir para uma educação de qualidade. No entanto, precisamos do apoio e do compromisso de vocês para fazer isso acontecer. Juntos, podemos re ocupar nossas escolas e oferecer um futuro melhor para todos.

 

Atenciosamente,

 

Egidio Guerra- Professor Pedagogo da Rede Municipal de Fortaleza.

 

domingo, 15 de outubro de 2023

A DES HUMANIZAÇÃO DA ESCOLA E DA SALA DE AULA- INFELIZES DIAS DOS PROFESSORES.

 


Não adianta os gestores educacionais partidários dizer "Feliz dia dos professores" e ser coniventes com falsos gastos de publicidade. Esse dinheiro será melhor gasto com pesquisas com os professores, alunos, coordenadores e diretores de escola sobre o que pode melhorar para voltar a humanizar a escola e a sala de aula. 



Se a gente contabilizar e pesquisar a quantidade de memes espalhados pela internet sobre a sala de aula, o sofrimento do professor, e os alunos danados, talvez podemos compreender a profundidade desse fenômeno.  Não adianta reduzir a uma escola, cidade ou colocar a culpa apenas nos estudantes mais violentos. A participação é vital em sala de aula para todo processo de aprendizado, e não adianta querer manter uma aula no grito, como muitos infelizmente são obrigados a fazer, ou empurrar um conteúdo no quadro exigindo que todos sigam o mesmo caminho calados. Isso não é prática pedagógica, principalmente com muitos em sala de aula que não sabem ler nem escrever, crianças especiais sem apoio, e quase sempre as mesmas crianças danadas que permanecem o ano todo com o mesmo comportamento devido a outros problemas cognitivos, familiares, extrema pobreza, violência e outros. Entre zero de participação e cem por cento existem milhares de caminhos, todos passam pela nossa humanidade e da criança. Nunca pelo tarefismo imbecil de realizar atividades como ADR, Spaece e outros que atendem outros objetivos não educacionais, negando outras prioridades mais urgentes há anos às escolas, professores e alunos. Por exemplo, observo alunos errarem sempre as mesmas questões, não por questões pedagógicas e sim cognitivas, elas permanecem sem nenhum apoio, assim como foi seus pais, avós e bisavós, às vezes na mesma escola e morando juntos na mesma casa na periferia há décadas. As suas famílias vivem na extrema pobreza cercados cada vez mais pelo crime. Enquanto na escola que ensino assim como outras falta banheiro, papel para prova, internet e outros assim como centenas de escolas em Fortaleza mas inauguram como espetáculo Laboratórios de tecnologia e outros de ciências onde faltam equipamentos e não funcionam, apenas publicidade eleitoral às custas de vidas de professores e alunos, que não são prioridades.



Não é ousadia dizer que o currículo é a alegria de aprender, que aprendemos pelo corpo-mente em todos os cantos por onde vivemos e andamos, incluindo pela internet, e que as violências e desigualdades há tempo entraram na escola. Mas negamos todos os dias Paulo Freire, Vigotsky, Wallon, Malaguzzi, e Morin nas escolas para sermos escravizados e forçados por um ensino que nega a humanidade do processo de ensino e aprendizagem. 


A educação é o bem mais maduro que criamos como humanidade principalmente em época de guerras, mudanças climáticas, tecnologias que programam o ser humano para seus fins e avanços do crime, desigualdades e violências. Mas não é a educação em séries que diz que esse ser humano tende ao progresso a cada ano na escola, mas uma educação que a qualquer momento busca humanizar o ser e a sociedade mudando a história para o bem comum. Não conseguimos educar sem falar na selva e labirintos que a sociedade transformou a vida sem realizar a promessa de ciência do progresso. Ele vê isso todo dia em suas casas, internet e comunidades e não vai ser uma educação voltada apenas ao trabalho que vai lidar com a complexidade do mundo que vivemos. O mundo clama por aprendermos a fazer política para o bem comum, artes que nos humanizam, uma espiritualidade que lide com a diversidade, aprender a viver em harmonia com a natureza, e todos essas aprendizagens não se reduzem a razão e conceitos, eles necessitam de afetos e relações. Os saberes por si só não produzem uma forma de vida, mais do que gênios precisamos aprender a viver juntos. A inquietação, instabilidade, impaciência, e insatisfação próprias de nossa época nos lembra a todo momento que é preciso educar as pessoas para amadurecer e valorizar bens como a paz, o amor, a natureza, a vida. Não podemos ficar reféns e ensinar o imediato para nota, a eterna juventude em busca de aventuras e novidades, a mobilidade de poucos que nega o valor e a existência do comum e do diferente que existem bem antes do capitalismo.  A humanidade não é e nunca será capitalista e a escola não pode estar a serviço do capitalismo. A racionalidade capitalista não gera educação, a jornada do comerciante não pode ser concluída em nenhum lugar ideal, ele sempre quer mais, gera guerras e destruiu o planeta, mas a humanidade necessita como em milhares de anos conhecer a felicidade tranquila de pertencer a um lugar. De um pequeno grão de terra a Terra da Sabedoria.




quarta-feira, 11 de outubro de 2023

EDUCAÇÃO UM BOM NEGÓCIO E VOTOS PARA OLIGARQUIA ÀS CUSTAS DAS VIDAS DAS CRIANÇAS, JOVENS E PROFESSORES.



 

O Ceará só fica atrás do Maranhão entre as maiores porcentagens (56,41%) de meninos e meninas vivendo em uma casa na qual a renda familiar está abaixo da linha da pobreza, atualmente definida por uma renda familiar mínima mensal de R$ 541. Os dados são do estudo "Pobreza Multidimensional na Infância e Adolescência no Brasil", feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), com dados referentes aos anos de 2016 a 2022.Em números absolutos, são 901 mil (38,85%) crianças e adolescentes vivendo com privação intermediária de renda e 407 mil (17,56%) com privação extrema de renda, com R$ 220 por mês."A pobreza na infância e adolescência vai além da renda, e precisa ser olhada em suas múltiplas dimensões", explica Santiago Varella, especialista em Políticas Sociais do Unicef no Brasil. A pobreza multidimensional que considera estar fora da escola, não ter acesso a saneamento, alimentação adequada ou informações. 




https://www.opovo.com.br/noticias/ceara/2023/10/10/61-das-criancas-cearenses-tem-alguma-privacao-de-direitos.html

 

Sobre o terrorismo e o delírio educacional no Ceara. Qual o critério para uma boa educação? Podemos escolher entre alegria, felicidade, qualidade de vida, uma economia desenvolvida, novas tecnologias, saúde, preservação da natureza, superação dos desafios sociais, entre outros. Mas com certeza educação não é pobreza extrema, criminalidade, corrupção, destruição da natureza, destruição da democracia para beneficiar famílias que vivem da política, exatamente os critérios que definem o Ceará há três décadas com as famílias de Camilo, Ferreira Gomes, e Izolda Arruda Cela no poder. O que a Fundação Lemann, Itaú, Todos pela educação acham dessa pobreza extrema e crimes há décadas comandadas pelas mesmas famílias? Já fizeram o cálculo estatístico para ver a probabilidade das melhores escolas serem no Ceará? Qual fator explica que nossas crianças e professores são diferentes das outros? ou o processo de adestramento para uma prova que busca manter na marra por motivos financeiros, políticos e de marketing uma educação da mentira, pobreza e morte. Agora, uma educação pela brutalidade, ignorância e violência de nossas elites econômicas e políticas conseguem produzir a maior desigualdade e injustiças do mundo ao lado de bilionários que vivem do Estado e da corrupção, usando para outros interesses bilhões do Governo e da cooperação internacional. O que acham os Países, Governos e sistemas legais que doaram e emprestam esse dinheiro para reduzir a pobreza? 



Enquanto Estados como Israel e Japão usaram Educação e tecnologia para lidar com a agricultura, comida melhora saúde, trabalho reduz criminalidade, educação diz respeito a vida, e não a morte e exclusão, enquanto alguns se beneficiam economicamente e politicamente desse caso de terror e delírios com a vida de milhões de crianças e jovens há décadas. 



Durante quase três décadas a Oligarquia do Ministro Camilo Santana, Izolda Arruda Cela, Ferreira Gomes, e suas famílias vivem do Estado, silenciam sobre bilhões de corrupção em seus Governos, bilhões em incentivos fiscais para bilionários que não pagam impostos, bilhões de dólares da cooperação internacional que foram usados para fechar o equilíbrio fiscal do Estado, dinheiro público usado em campanhas milionárias como denunciou Ciro Gomes e Roberto Cláudio, divisão de feudos cidades entre famílias há décadas no poder que ocuparam 9 partidos, ( o PDT é apenas mais um a ser usado pelos News Coronéis do Cangaço da Política que rouba o Estado) como quem troca de roupa para se manter no poder desde a Ditadura Militar até hoje, inviabilizando a democracia para manter os juniores e os netos que herdam o Estado, cargos e orçamentos públicos, controlando o silêncio da Assembleia Legislativa que não fiscaliza corrupção. Camilo Santana que nunca foi educador, sua esposa foi pega pela Polícia Federal comprando votos, seu irmão recebeu do Governo 2 milhões de patrocínio do Estado, vários casos de corrupção em seu Governo como Usina do Cariri entre outros. Enquanto isso mais da metade da população do Ceará vive na pobreza extrema, mata mais pessoas que São Paulo que tem quatro vezes a população, e exclui milhares de crianças e jovens sem conseguir educar há décadas, usa uma minoria para seu case de publicidade, sendo uma boa parte da classe média das cidades do interior, os pobres estudam nas escolas em piores condições como em Fortaleza, e divulga falsas propaganda de laboratórios de tecnologia e científicos vazios, enquanto exclui mais de 60 % da população que não concluiu o ensino médio ou continua analfabeta. 


 

Todo esse dinheiro da corrupção, do Estado e da Cooperação Internacional poderia ter resolvido ou reduzido muitos desses problemas, mas essa nunca foi a prioridade, mas se manter no poder a qualquer preço pelo tamanho da corrupção, mentira e terror que cometeu a ditadura da Oligarquia. O pior: eles se orgulham de sua ignorância e brutalidade enquanto enganam o Brasil usando o MEC para trocar moedas com a Fundação Lemann como o caso da internet, Políticos do Centrão, Bolsonaristas como Acylon, seus aliados no Ceará como Domingos Neto em nome do qual políticos deram um baculejo no Ministro Alexandre, e outros todos parte do projeto de poder da Oligarquia no Ceara.




segunda-feira, 2 de outubro de 2023

FORA DITADORES TRUMP E BOLSONARO! LATINOS, MULHERES, NEGROS, INDIGENAS E JUDEUS JUNTOS COMO VIDAS NEGRAS IMPORTAM E MARCHA DAS MULHERES !

 



[Intro: Joe Biden & Jennifer Hudson]
Good evening
Ella Baker, a giant of the civil rights movement
Left us with this wisdom
Give people light, and they will find the way
Give people light (Hmm)
Those are words for our time

[Verse 1: Joe Biden & Jennifer Hudson, Jennifer Hudson, Joe Biden]
Just a week ago yesterday
It was the third anniversary
Of the events in Charlottesville (Yeah, yeah)
Close your eyes, remember what you saw on the television
Remember seeing those Neo-Nazis
Remember seeing those clansmen, remember
Coming out a field with lighted torches, veins bulging
Spewing the same Anti-semitic bile heard across Europe in the thirties (Hate, hate, hate!)
Remember the violent clash that ensued
Between those spreading hate and those with the courage to stand against it
And remember what the President said when asked?
He said there were quote, "very fine people on both sides"

It was a wake-up call for us as a country (Oh-oh-oh-oh-oh)
And for me a call to action (Uhm-hmm)

[Chorus: Black Eyed Peas & Jennifer Hudson]
People killing, people dying
Children hurting, you hear them crying
Can you practice what you preach?
And would you turn the other cheek
Father, Father, Father help us
Send some guidance from above
'Cause people got me, got me questionin'
Where is the love?

[Verse 2: will.i.am]
What's wrong with the world, mama?
People livin' like they ain't got no mamas
I think the whole world's addicted to the drama
Only attracted to things that'll bring you trauma
Overseas yeah we trying to stop terrorism
But we still got terrorists here livin'
In the USA, the KKK
I can’t believe they’re still hating blacks today
But if you only have love for your own race
Then you only leave space to discriminate
And to discriminate only generates hate
And when you hate, then you're bound to get irate, yeah
Madness is what you demonstrate
And that's exactly how hate works and operates
Man you gotta have love just to set it straight
Take control of your mind and meditate
Let your soul gravitate to the love

[Chorus: Black Eyed Peas & Jennifer Hudson]
People killing, people dying
Children hurting, you hear them crying
Can you practice what you preach?
And would you turn the other cheek
Father, Father, Father help us
Send some guidance from above
'Cause people got me, got me questionin'
Where is the love?

[Post-Chorus: Black Eyed Peas & Jennifer Hudson, Jennifer Hudson, apl.de.ap]
The love (Lo-Love, oh-oh), the love
Where is the love? The love, the love
The love, the love, the love
Where is the love? The love, the love, the love

[Outro: Joe Biden & Jennifer Hudson]
So the question for us is simple: are we ready?
I believe we are, we must be
We can choose a path of becoming angrier, less hopeful, more divided
A path of shadow and suspicion
Or, or we can choose a different path
And together (Ah-ah), take this chance to heal, to reform, to unite (Hmm)
A path of hope and light (Umm-hmm)
This is a life-changing election
This will determine what America is gonna look like for a long, long time (Yes it is)
Character is on the ballot
Compassion is on the ballot (Compassion)
Decency, science, democracy (Yeah)
They're all on the ballot
Who we are as a nation, what we stand for
And most importantly we want to be
That's all on the ballot
And the choice could not be more clear


ARTIGO 26





 

Olha o padeiro entregando o pão

De casa em casa entregando o pão

Menos naquela, aquela, aquela, aquela, aquela não

Pois quem se arrisca a cair no alçapão?

Pois quem se arrisca a cair no alçapão?

Anavantu, anavantu, anarriê

Nê pa dê quá, nê pa dê quá, padê burrê

Igualitê, fraternitê e libertê

Merci bocu, merci bocu

Não há de quê

Rua Formosa, moça bela a passear

Palmeira verde e uma lua a pratear

E um olho vivo, vivo, vivo, vivo a procurar

Mais uma ideia pro padeiro amassar

Mais uma ideia pro padeiro amassar

Anavantu, anavantu, anarriê

Nê pa dê quá, nê pa dê quá, padê burrê

Igualitê, fraternitê e libertê

Merci bocu, merci bocu

Não há de quê

Você já leu o artigo 26

Ou sabe a história da galinha pedrês

E me traduza aquele roque, roque para o português

A ignorância é indigesta pro freguês

Que a ignorância é indigesta pro freguês

Anavantu, anavantu, anarriê

Nê pa dê qua, nê pa dê qua, padê burrê

Igualitê, fraternitê e libertê

Merci bocu, merci bocu

Não há de quê

Você queria mesmo é ser um sanhaçu

Fazendo fiu e voando pelo azul

Mas nesse jogo lhe encaixaram e é uma loucura

Lá vem o padeiro, pão na boca é o que te cura

Lá vem o padeiro, pão na boca é o que te cura

Anavantu, anavantu, anarriê

Nê pa dê quá, nê pa dê quá, padê burrê

Igualitê, fraternitê e libertê

Merci bocu, merci bocu

Não há de quê

Anavantu, anavantu, anarriê

Nê pa dê quá, nê pa dê quá, padê burrê

Igualitê, fraternitê e libertê

Merci bocu, merci bocu

Não há de que

 

Tal qual um pássaro libertino, voando pelos becos da Fortaleza da Belle Époque, a distribuir o pão da cultura como alimento para as almas esguias no deserto do obscurantismo, eis como inicia a homenagem que o cantor e compositor Ednardo dedicou, em forma de música, à Padaria Espiritual, movimento cultural surgido na capital cearense no final de século XIX, marcado pela ironia, irreverência e senso crítico, além do sincretismo literário. ("Olha o padeiro entregando o pão; De casa em casa entregando o pão"). 


Como a atrevida aventura contava com alguns poucos desafetos – sobretudo aqueles para quem a instrução do povo sempre foi algo assustador –, havia o receio de se entregar o "Pão" naquela casa e ser alvo de indecorosos desaforos... ("Menos naquela, aquela, aquela, aquela não; Pois quem se arrisca a cair no alçapão?") 


O "Pão" era o jornal da Padaria Espiritual, entregue de casa em casa pelos próprios "padeiros" – jovens escritores, pintores e músicos, reunidos num levante cultural contra a burguesia, o clero e tudo o mais que representasse a manutenção do status quo. Batendo as asas e dançando, nos passos de uma quadrilha junina (Anavantu, anavantu, anarriê), o pássaro-padeiro distribuía seu jornal, a cantarolar os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, tão cultuados pela Revolução Francesa, mas menosprezados acintosamente, na prática, pela burguesia já vitoriosa.


O "freguês" agradecia o "Pão" recebido, em francês, tão à moda na época (Merci bocu, merci bocu – Obrigado, obrigado), e o padeiro respondia, inicialmente em francês (Nê pa dê qua, nê pa dê qua – De nada, de nada), arremedando um passo de balé (padê burrê), para depois arrebatar, já em português, "Não há de que!"


O pássaro-padeiro, amante das coisas da natureza, estava sempre a procurar novas ideias para amassar como ingrediente do saboroso "Pão". ("Rua Formosa, moça bela a passear; Palmeira verde e uma lua a pratear; Um olho vivo, vivo, vivo a procurar.")


O artigo 26, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, dispõe que: "Todo ser humano tem direito à instrução." A visionária Padaria Espiritual, muito antes, já se dedicava à distribuição da cultura, especialmente a partir da valorização dos elementos regionais, nada obstante o grito de alerta ainda não tenha sido escutado pela maioria das pessoas, que preferem, ainda hoje, por desconhecimento, as coisas das culturas alheias dominantes. (Você já leu o artigo 26; Ou sabe a história da galinha pedrês; E me traduza aquele roque para o português; A ignorância é indigesta pro freguês.)


Cada pessoa deve ser livre, como o sanhaçu, pássaro rebelde das nossas matas; livre para cantar e voar pelo céu, mas sempre nas asas da educação, porque sem instrução e sem cultura se é presa fácil da manipulação do sistema impiedoso. (Você queria mesmo é ser um sanhaçu; Fazendo fiu e voando pelo azul; Mas nesse jogo lhe encaixaram, e é um loucura; Lá vem o padeiro, pão na boca é o que te cura.")