Seus livros são todos bem educados, comportados, bem vestidos.
São tão bem lidos, que sinto a vontade irresistível de confundi-los um pouco com minha estranheza.
Quero amassar as lombadas ao debruçar meu queixo sobre uma página enquanto leio outra.
Quero colori-los com muitas cores — principalmente uma que combine com a capa.
Acidentalmente, manchá-los de café.
Mas as aparências enganam.
Quando os abro, um a um, vão me confidenciando as suas histórias — não as deles, as do leitor que você é.
Rabiscos, escritos, setas, caixas...
Todos estão marcados por suas grandes e belas mãos de artesão.
As marcações me deixam saber o que você achou, o que pensava, o que estudava, quais eram seus objetivos, seus interesses, seus sonhos, suas análises.
E, então, fica mais gostoso...
Misturar sua bagunça organizada à minha, como misturamos nossas vidas, nossas línguas.
Quanta diversão.
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