SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sábado, 27 de agosto de 2022

Shakespeare e Chaplin ressuscitam para reescrever as narrativas politicas do Coronel Ciro Gomes e da Oligarquia Cearense.



Hoje eu fiquei preocupado quando vi Acylon, Prefeito do Eusébio, aliado dos Coronéis Ferreira Gomes há quase 30 anos, falar sozinho no programa eleitoral do PL, o partido do Bolsonaro, será que ele virou facista? Tive que encontrar um jeito de ressuscitar Shakespeare para reescrever Macbeth misturado com Sonhos de uma noite de verão, juntar uma tragédia com uma comédia. Afinal as Narrativas das oligarquias para se manter no poder há qualquer preço, jogando moedas para todos os lados, formando uma carteira de investimento para reduzir riscos, está cada dia mais engraçada para não dizer ridícula. 

Ao mesmo tempo dois irmãos do Coronel Ciro Gomes que a nível nacional é oposição ao PT para tentar evitar a eleição de Lula no primeiro turno, tem dois irmãos seus o Senador Cid Gomes e o Prefeito de Sobral Ivo Gomes, que apoiam os candidatos do PT ao Senado Camilo Santana Gomes e ao Governo do Estado no Ceara. Até Gabriel Marques ficaria surpreendido com o realismo fantástico da narrativa da oligarquia cearense há décadas no poder passando por nove partidos da Ditadura até hoje. 

Gabriel Garcia Marquez teria vergonha de contar a história e o imaginário da America Latina pela pobreza de espirito e riqueza de poder e dinheiro de nossos tristes coronéis. É como se Adam Smith vira Marx e vice-versa, nem precisavam ter nascido para escrever a história, afinal água vira óleo e óleo vira água. Nem a química e a física precisa existir, não faz diferença a ciência, apenas tudo vira uma eterna porra maluquice de loucos e comediantes. Eles usam as vidas e mortes de milhões de cearenses, vivem do Estado e fundos eleitorais para se manter no poder sempre. Até o bobo da corte de Shakespeare pediu demissão. Porém milhares de bobos da corte da nobreza cearense e brasileira vivem no fantástico mundo de fake news, fake história e fake lideres da Oligarquia cearense no mundo imaginário de Dr. Parnassus. Os ratos não importa se direita ou esquerda são os primeiros a abandonar o barco.


 

O hospício político cearense que de loucos não tem nada consegue fazer da prostituição política e mentiras um meio de vida. Porém, repare bem falam em Democracia, povo brasileiro e ética. Rezam todos os dias para São Maquiavel para dividir e eliminar os inimigos, perseguem quem pensa diferente e inviabiliza a Democracia com a Ditadura da corrupção sem fiscalização, sem lei e com incentivos fiscais para empresários bilionários com campanhas milionárias. As prostitutas que vendem seus corpos muitas vezes para estudar ou sustentar sus famílias, que não roubam dinheiro público, ou assaltantes que roubam para comer são mais dignos que muitos políticos. Até pedi para Salvador Dali representar o que o poder tem haver com desejo sexual e luxúria? Só que quando olham para o mercado de votos, a miséria do povo, a velhice massacrada, as mortes pela violência e inocência das crianças talvez brochem ou delirem negando a realidade ?


 

O mundo sempre foi um circo sem igual mas a arte é a única linguagem que não depende da matéria para se expressar e falar com o espirito segundo Deleuze. Shakespeare com suas peças de teatro ou Brecht mudaram a politica talvez mais do que Maquiavel. Sim, existe disputa de poder e guerras mas elas ainda não destruíram a estética, a ética e a luta por justiça social. Apesar de todas as narrativas das oligarquias cearenses como do Coronel Ciro Gomes ainda não apagam a historia e a ciência, apesar que tentam com campanhas milionárias, mentiras, mudanças de partidos e narrativas para inglês e baianos como ACM ver. Ciro ainda tentou obrigar Lula a apoia-lo baseado na sua longa tradição de pesquisa, estudo e projeto de desenvolvimento de como famílias ou juniores se perpetuam no poder trocando moedas entre os poderes.




Chaplin deveria ressuscitar para regravar o dono do mundo e pronunciar o último discurso e ao invés de Hitler será um Coronel matando e deixando metade do povo que tanta ama na miséria e vivendo na violência durante décadas, se reelegendo com promessas que nunca cumpre, elegendo parentes e famílias aliadas, e toda eleição dizendo que a última que vai concorrer como a ultima passada em Paris.  


 

Porém em algumas obras como Donos do Poder de Raymundo Faoro, Casa Grande, e o Quinze de Rachel de Queiroz. O Coronel Ciro e as oligarquias atuam em seus papeis reais vivendo da seca, escravidão, e miséria do povo cearense enquanto representa em entrevistas e programas eleitorais narrativas tristes e ridículas.   


Oh! saudades do Chico Anysio e Jô Soares para dizer verdades politicas pela arte. 



Enquanto isso vamos ler 
Irmãos Karamazov...



Vamos celebrar o horror
De tudo isso com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção

Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha, que o que vem é perfeição




terça-feira, 23 de agosto de 2022

SOMOS CANDIDATOS A MUDAR O MUNDO! MULHERES DE ATENAS SALVEM O BRASIL!



Gostar de pobres por questões religiosas, inspirado em São Francisco de Assis, é diferente de lutar com os pobres para chegar ao poder; e nenhuma dessas duas é minha vida. Minha escolha é entre seres livres e iguais em seus direitos, nos educamos juntos para lutar, construir e amar a democracia, cidadania e economia que permite a essa e as futuras gerações viver existências belas, boas, justas, equitativas e economicamente ambientalmente sustentáveis. Portanto somos candidatos a mudar o mundo não apenas a ser político e buscar o poder a qualquer preço.



Relembrando minhas escolhas de vida, nunca optei por ficar refém de um grupo político visando o poder. A lógica nesses espaços é calar a boca para os erros e corrupções do grupo que faz parte e atacar os inimigos que cometem os mesmos crimes por exemplo de corrupção. Por isso fui expulso duas vezes de partido denunciando corrupção no partido que fazia parte. Os partidos tem donos no Brasil portanto não tem democracia. O que eles cobram externamente não serve para uso interno. Levei tempo para entender isso que militantes babam políticos em troca de favores da mesma forma em Universidades, os estudantes babam professores para acessar o mestrado. A lógica do favor e da nobreza impera no Brasil sem instituições sem regras nem lei.  


https://exame.com/carreira/empreendedores-de-sonhos-m0042479/


 

Resolvi caminhar estudando de forma interdisciplinar diversos caminhos que impactam vidas e cidades, criando e empreendendo projetos e organizações que dessem vida a essas ideias, e dialogando com vários setores sobre suas viabilidades. Essa jornada é diferente de um projeto religioso ou político, pois visamos ser um projeto de sociedade que muda vidas e cidades pela educação. Obviamente isso impacta o debate de políticas públicas. 



Lendo os programas de governos de Bolsonaro, Lula, Simone e o livro de Ciro assim como os Planos ao Governo do Ceará de Wagner, Roberto e Elmano observamos que muito se foca nas consequências, exclui de diversas formas, a maioria da população e as brutalidades e desigualdades que sofrem, isso em parte porque teriam que admitir o que nunca fizeram, assim como evitam falar de privilégios porque atacaram quem financiam suas campanhas. Porém nenhum país desenvolvido como Canadá, Japão e Alemanha mesmo destruído por guerras não alcançaram seus patamares econômicos nem de qualidade de vida sem olhar sua realidade de forma dura, planejar e agir para superar seus desafios coletivos.


 

Portanto vejo pouca participação, humildade e escuta dos políticos em relação a construção conjunta dos planos de governos principalmente sobre sinergias e complementaridades entre governos, empresas, universidades, fundações, comunidades e outros como ocorre em diversos países. Além da brutal exclusão das mulheres, negros, pobres e de suas vozes nos planos de Governos. O corredor entre sociedade civil e governos é muito estreito, se a sociedade se cala, os políticos tomam conta do dinheiro e escolhem prioridades que são mais sobres seus projetos de poder do que da nação, em especial dos pobres.


 

Mesmo São Cícero que teve sua trajetória de vida marcada pela hóstia que virou sangue, assentamentos que viram cidade como Juazeiro e por caminhadas com os sertanejos pobres até a capital Fortaleza, realizou um pacto com as Oligarquias e elites cearenses visando expulsar o interventor do Governo Federal do Ceará. Foi eleito prefeito de Juazeiro por vinte anos e Vice Governador, agora vai se tornar São Cícero, o santo dos pobres nordestinos, mas não mudou a pobreza em que vivia e vive seu povo. 


Enquanto isso Mandela e Gandhi lutaram contra apartheid, castas e colonização, e muito mais que políticos e santos lutaram juntos com seu povo e caminharam para mudar sua sociedade, a história e o mundo. 

      


MULHERES DE ATENAS SALVEM O BRASIL!



Necessitamos cada vez mais das mulheres de Atenas sem Ditaduras nem igrejas que impeçam suas vozes. Portanto, embora em toda a música Chico Buarque conclame as pessoas a imitarem o exemplo das mulheres de Atenas, ele está na verdade fazendo uma crítica. Ele está mostrando que, naquele momento, vivíamos em uma sociedade patriarcal em que a mulher não tinha voz nem direitos, onde seus desejos eram anulados.

 

Veja alguns trechos e as ideias que eles transmitem:

 

  • submissão: vivem para os seus maridos, se perfumam, se banham com leite e se arrumam; quando fustigadas não choram: se ajoelham, pedem e imploram; não têm gosto ou vontade, defeitos ou qualidades (despersonalização); têm medo, apenas; não têm sonhos, só tem presságios; MAIS MULHERES NA POLÍTICA. 

 

  • supremacia masculina: os maridos são chamados de “orgulho e raça”, “poder e força”, “bravos guerreiros”, “heróis e amantes” de Atenas; MULHERES NA LIDERANÇA EM TODOS OS LUGARES E INSTITUIÇÕES. 

 

  • atuação exclusivamente doméstica: quando eles embarcam, soldados, elas tecem longos bordados (inclui a noção de futilidade, já que bordado é um “enfeite”); MULHERES COM OS MESMOS SALÁRIOS E DIREITOS EM TODAS AS PROFISSÕES 

 

  • servidão sexual: guardam-se para seus maridos, ficam em quarentena quando eles embarcam, estão à disposição quando retornam, suportam traições; OBVIO! MULHERES DONAS DE SEUS CORPOS 

 

  • procriam para alimentar a guerra: geram para seus maridos os novos filhos de Atenas; MAĒS QUE LUTAM POR SEUS FILHOS VITIMAS DA VIOLÊNCIAS DO TRAFICO, POLÍCIA E MILÍCIAS.  

 

  • sofrem perdas devido à guerra: temem por seus maridos, jovens viúvas marcadas, gestantes abandonadas, vivem o luto, se conformam e se recolhem às suas novenas;

 

Portanto, de forma até irônica, Chico Buarque se refere à sociedade patriarcal. Ele canta o exemplo das mulheres de Atenas mas, na verdade, está criticando um mundo em que não existe direitos iguais para pessoas de gêneros diferentes.

 

Porém, essa é a crítica feita no primeiro plano. Em segundo plano, temos uma ainda mais forte. Esse homem poderoso e autoritário representa também o Estado, a ditadura militar.

 

Veja que ele não fala para as mulheres se inspirarem nas mulheres de Atenas. O convite dele é para todos, não existe um único destinatário.

O que ele diz, com isso, é que a ditadura impunha a todos os brasileiros uma situação semelhante às das atenienses. Os cidadãos eram maltratados e não tinham o direito de chorar, não tinham gosto ou vontades. Seus sonhos haviam dado lugar aos presságios. Como canta na música, “tinham medo, apenas”.




segunda-feira, 15 de agosto de 2022

1600 DIAS SOBRE NOSSA JORNADA EDUCACIONAL EM BUSCA DE SABEDORIA E OS LIMITES DE NOSSA IMAGINAÇÃO EM NOS TORNAR REFÉNS DE VIDAS TRISTES.


 

Uma jornada educacional é também espiritual em busca de descobrir novas verdades e mundos. Chegar a lugares que nunca tinha ido antes e ampliar seu ser e existência por caminhos únicos. Às vezes escolhemos empobrecer nossa história de vida e ficar reféns de lugares conhecidos assim reduzimos nosso potencial e inteligência. Se temos dificuldade de imaginar uma vida alternativa que pode ser envolvente e interessante, é mais reflexo dos limites de nossa imaginação do que a vida em si.

 

As violências e egoísmos são espetáculos que vemos todos os dias e achamos normal. Agora se eu te convidar para uma jornada educacional onde cooperar com outro, lutar e construir juntos um mundo melhor, aprender com vários projetos e experiências que estão transformando o mundo, você mudaria sua visão do mundo? 


 

O que é a razão e evidências para você? Sua ideologia, seus preconceitos, suas dores ou fatos isolados sem um pensamento crítico e complexo capaz de analisar mas também de propor mudanças possíveis na realidade que o cerca? Marchamos para guerra de todos contra todos numa selva de Hobbes ou somos inocentes como Rousseau propôs caminhando sempre para brutais desigualdades? Acho que devemos aprender a caminhar pelo mar enquanto ele abre um caminho para travessia em busca de terras prometidas, mas as capacidades críticas, criativas e sabedoria são necessárias para liderar, imaginar e construir novos caminhos éticos, estéticos, justos e economicamente ambientalmente sustentáveis.

 

Nós nunca seremos iguais mesmo que sejamos ricos no capitalismo ou pobres porque somos únicos e o sistema econômico não nos define. Na verdade, o significado da palavra economia é lei da casa. A economia é resultado de várias questões, entre elas luta política, educação, cultura, tecnologias, saúde como aprendemos na pandemia, meio ambiente como estamos aprendendo nas mudanças climáticas, e valores como amor, esperança, verdade...



Temos aprendido sobre essas questões em nossas jornadas educacionais e de vida? A grande maioria não! Isso tem reduzido nossas escolhas de vidas por nos tornar reféns de prisões que criamos para nossas vidas. Prisões com correntes e grades curriculares, políticas, ambientais, artísticas, sociais e outras que impedem de imaginar outras vidas e outros mundos possíveis. Sim, somos humanos inteligentes, imaginativos, e lúdicos, mas fomos presos por conceitos e práticas educacionais rígidas que dificultam nossa capacidade de nos reinventar e de mudar nossas vidas e os lugares que vivemos.

 

As desigualdades e brutalidades podem ser superadas sem nos tornamos iguais ou perdermos as liberdades mas pelas nossas diferenças atuando em orquestras sociais cada vez mais complexas, humanas e tecnológicas. Esse foi o caminho da diversidade que construiu a nossa natureza, culturas e o mundo que vivemos. Mas estamos prontos a receber críticas de mundos e verdades que não conhecemos? Estamos prontos a conviver com quem é diferente de mim e aprender com ele? E a imaginar e sonhar com eles? Não somos anjos nem demônios, não precisamos de autoritarismo em nossas vidas, nem de guerras, nem de vaidades e ambições delirantes, nem de opressões e brutalidades. Nós precisamos de educação por caminhos éticos que desafie as escolas e as Universidades a ocupar seu lugar na história e fazer as metamorfoses de médio e longo prazo que precisamos como humanidade realizar e não ceder aos instintos neoliberais imediatos. Na língua inglesa as palavras politics, polite e polícia soam quase iguais e derivam da palavra polis. Sim, precisamos de novas formas de dizer, ver, sentir, ser, viver e nos auto governar de um pequeno grão de terra a Terra da sabedoria. 

  


Sim, precisamos de missões educadoras e inspiradoras que gerem múltiplos, diferentes e singulares caminhos para novos personagens e coletivos construírem suas próprias histórias com outras narrativas e usando tecnologias para fins sociais transformando suas vidas e comunidades. Corações sábios, mestres do conhecimento, aqueles que sabem e conhecem a graça e as bênçãos que em hebraico significam gratuitas e dadas por Deus. Ampliar as leis do Direito ou da religião e educar para uma lei interna e secreta do ser e do Universo que nós sabemos que todos temos um papel vital no mundo. A lei oral no judaísmo é também chamada de Cabala e seu único tribunal é Deus. Os segredos do Antigo Testamento na Bíblia revelam o trabalho da criação e o trabalho da carruagem. Trabalhos que derivam da Cabala que significa sabedoria interior do qual depende o trabalho que realizamos no mundo exterior. Sim, precisamos de mística tanto quanto de razão e sentimento para viver unindo o divino e o humano em uma jornada educacional e espiritual. Símbolos, metáforas, conhecimentos, práticas, experiências numa jornada educacional e espiritual em direção a revelação completa da sabedoria de um pequeno grão de terra, a Terra da Sabedoria.



A sabedoria é vista como a forma que Deus criou o mundo em Salomão, "um sopro do poder de Deus, e um reflexo claro da glória do Todo poderoso”. No livro de Enoque Eslavo, Deus comanda sua sabedoria para criar o homem. A sabedoria é aqui o primeiro atributo de Deus a receber forma concreta a partir de uma emanação da glória divina. A nossa jornada educacional e espiritual continua depois de milênios da humanidade em direção a futuros pós humanos. 

 


Lutamos por uma escola de qualidade para todos, que proteja os animais e entenda suas formas de pensar/sentir, temos muito que aprender com eles e talvez os humanos não sejam tão inteligentes como achamos, aprender com a natureza de diversas formas principalmente como se auto governam os ecossistemas, aprender com as novas tecnologias e humanizá-las mas sempre sintonizados com a busca de uma sociedade mais democrática e solidária. Na jornada educacional temos que aprender como tem ocorrido o processo de imposição/expansão do projeto neoliberal que assola o mundo e como ele se manifesta no cotidiano das escolas e Universidades. 


Segundo Michael Apple “ O objetivo é identificar e tornar visível o processo pelo qual o discurso neoliberal produz e cria uma realidade que acaba por tornar impossível pensar e nomear uma outra realidade. Os educadores precisam se posicionar diante do atual contexto. Eles precisam se conscientizar que são trabalhadores culturais envolvidos na produção de uma memória histórica e de sujeitos sociais que criam e recriam o espaço e as vidas sociais.”




 

       

 

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

CARTA PELA DEMOCRACIA DA VERDADE E DA VIDA DE MILHÕES DE BRASILEIROS.



No Brasil não existe problema em ser corrupto, viver de privilégios do Estado como oligarquias e gangues partidários, juros altos como bancos e títulos da dívida pública de vinte mil famílias da elite brasileira. Hoje elas dão o primeiro passo ao assinar a Carta pela democracia depois de muitos deles gestarem Bolsonaros, Coronéis "Ciro Gomes" e diversos Lulas corruptos no Brasil sem lei nem Democracia vivendo no mercado de votos comprados; muitas vezes com fundos eleitorais devido as brutais desigualdades, tragédias e injustiças que vivem a maioria da população brasileira. Apenas querem focar no PT e em Lula porque ? 

 

Apenas dois crimes assustam as pessoas no Brasil, um deles é dizer verdades como essas e o segundo enxergar a realidade de milhões de lugares e brasileiros que podem lhe ensinar sobre a vida deles.

 

O princípio de uma carta entre cidadãos é o reconhecimento dos direitos e deveres constitucionais como acontece em outros Estados como Alemanha, Israel, Japão e outros. O conceito de Democracia não se reduz a uma resposta às ameaças e delírios de Bolsonaro, e nem à sua irresponsabilidade de fazer gestos relacionados às armas e discursos sobre guerra depois negar tudo isso. Todos sabem que democracia não existe sem liberdade, equidade, justiça social, renda, educação, saúde, ascensão social e outros. Há sobre ascensão social ela não existe no Brasil diante da absurda concentração de renda e como se enrica no Brasil com privilégios do Estado, incentivos fiscais, dinheiro dos Bancos públicos, corrupções e outros no país sem lei. Todos conhecem como funcionam os partidos no Brasil onde dirigentes se perpetuam há décadas fazendo alianças espúrias, negociando cargos nos Estados e cidades, e operando com dinheiro público seus interesses pessoais? Todos conhecem como se chega ao poder comprando votos? Mas ao mesmo tempo quem conhece a situação de nossa educação pública? E saúde?

 

A verdade é um conceito que não foge da realidade e da vida de milhões de brasileiros. 

 

A verdade política começa pelo respeito à vida e à dignidade do outro. Além do Direito, ela é interdisciplinar, passa pela economia, saúde, ciência e outras. 


Essa verdade é plural e democrática. Passa pela voz do povo negro, indígena e, inclusive, por todos que se encontram nos presídios ou que nem estudam nem trabalham, em comunidades pobres. 

 

Uma carta pela democracia deve ser lançada na casa de um sertanejo, na cidade mais pobre nordestina ou numa favela dominada pelo tráfico. Ela também deve ser lida e assinada por funcionários que aparelham instituições como bancos públicos ou universidades federais e que se dizem de esquerda ou direita. Deve ser assinada por militares que pregam golpe e chamam isso de discurso de direita. Deve ser assinada por religiosos que roubam a fé do povo. 

 

Não temos culpa pela ignorância, maldade e violências dessas pessoas que podem até assinar essa carta, mas elas, também, vivem de outras formas de ditaduras: econômicas, políticas, mafiosas, no domínio de gangues partidárias, Estados com suas oligarquias, instituições públicas como feudos e outras.

 

Portanto, essa carta é sobre milhares de vidas que são mortas pelas violências, ausência de políticas públicas, fome, tragédias ambientais, e massacres da polícia e milícias nas periferias e na Amazônia. 

 

Essa carta é para nossas elites que acham o máximo quando viajam à Europa, EUA ou outros países e falam mal do Brasil, mas esquecem que, talvez, elas sejam as piores elites do mundo, nada democrática, e que mantêm seus privilégios com as piores violências, representadas por governos como o de Bolsonaro. É importante lembrar que nossas elites nunca foram e nunca serão nossas elites intelectuais, diferentes de várias democracias que produziram seus heróis e suas verdades. Aqui fake história e fake líderes. Vivemos de ilusões e mentiras, mas as tragédias e sofrimentos nos despertam para revoltas.

 

domingo, 31 de julho de 2022

Estamos esperando o quê?



Amarílio Macêdo, O Estado de S.Paulo 

29 de julho de 2022 | 03h00

 Nossas elites menosprezam a cara da revolta. Aparentam não ter olhos para ver os sinais de agravamento da miséria e do esgarçamento do tecido social e político do País. Será que o Brasil precisa aumentar mais a desigualdade, deteriorar ainda mais as condições ambientais e ameaçar mais e mais a democracia para que a insatisfação se torne visível?

Parte significativa da nossa elite, em sua insensibilidade e ignorância, não vê a potencialidade destruidora de uma força social descontrolada, desorganizada e crescente, dos que já não têm mais nada a perder e que poderão passar a agir no tudo ou nada. Pessoas invisibilizadas, discriminadas e desesperançadas são capazes de explodir como uma horda desenfreada, pronta para ultrapassar todo tipo de barreira e quaisquer limites.

A contagem regressiva se acelera com o aprofundamento do fosso que separa brasileiros pela cor da pele, pela região, condição social, orientação sexual, opção religiosa, por preferências políticas e tendências ideológicas. Nessas

clivagens segregacionistas, viver ou morrer tende a ser indiferente para os que têm a vida relegada a níveis sub-humanos; e os efeitos desse tipo de apatia são devastadores.

O mundo dito civilizado caminha para o mundo da barbárie. Sinais disso são que o nazifascismo está voltando, a guerra assombra o mundo mais uma vez, intensificam-se as crises migratórias, energéticas e alimentícias e a cultura do Velho-Oeste estadunidense se infiltra nas sociedades. No Brasil, a propagação do ódio, a discriminação dos contrários, o cultivo do medo, a disseminação de notícias falsas, a demonização dos meios de comunicação e a destruição de reputações esterilizam o livre debate de ideias, que é o único caminho para a construção de soluções compartilhadas e duradouras.

O nosso país está dividido em dois blocos preocupantemente assimétricos: um pequeno, dos que têm acesso; e um gigante, dos que não o têm. E a pior desigualdade é a impossibilidade de acesso, que resulta na carência de meios para a realização individual e coletiva e na desumanização do viver. A educação, que é condição indispensável para o viver bem e para a ascensão social, não produzirá seus efeitos benéficos enquanto a escola pública brasileira não atingir padrão semelhante ao das escolas privadas; com isso, as discrepâncias continuarão sufocando aqueles que não têm acesso.

Os brasileiros não precisam de esmola nem deveriam ser tratados como fracos, inferiores e incapazes, como historicamente tem sido. A fraqueza, a inferioridade e a incapacidade nascem dos preconceitos dos poucos que, ao longo da nossa história, vêm tendo acesso às benesses civilizatórias, e se acomodaram no falso conforto da indiferença. A gravidade dessa deformação é tão destruidora que pioramos continuamente as diferenças entre os privilegiados e os apartados.

A bem da verdade, há muitas pessoas que detêm os poderes político e econômico no nosso país que não assumem sua responsabilidade como elite. Fazem com que as coisas públicas sejam confundidas com coisas que não têm dono. Esse desrespeito com o que é comum está na base do bloqueio ao acesso dos que não têm o suficiente para morar, se locomover, se comunicar, comer, se divertir, cuidar da saúde, se vestir e se educar dignamente.

Diante deste cenário de desarranjos e de injustiças, e considerando as eleições presidenciais que se aproximam, é evidente que a governabilidade do País não estará inteiramente nas mãos nem do ex-presidente Lula nem do atual presidente Bolsonaro, os dois candidatos que lideram todas as pesquisas de preferências realizadas até agora.

Quem acredita que Lula vitorioso conseguirá governar adequadamente tendo os bolsonaristas desencadeando ações agressivas, instigadas pelo perdedor? Ou, ao contrário, quem acredita que, se Bolsonaro ganhar, a crise nacional, nos campos político, econômico e social, não se agravará ainda mais?

Quem desconsidera o fato de parte da população estar sendo estimulada a se armar e a reagir àquilo de que discorda? Quem acredita que centenas de milhares de pessoas fanatizadas e armadas poderão ser controladas em eventuais desatinos?

Como fica a imagem do País, quando o presidente da República, perante o mundo, ataca sem provas nosso sistema eleitoral, o mesmo que o elegeu, e tenta desmerecer as autoridades constitucionalmente responsáveis por este sistema reconhecido internacionalmente por sua excelência e confiabilidade?

Como poderá desenvolverse um país sendo repudiado pela comunidade internacional? O que acontecerá ao Brasil, se formos submetidos a boicotes?

O desmatamento da Amazônia, por exemplo, é algo tão grave quanto a desconstrução da democracia. O respeito pelo meio ambiente e os processos políticos de diálogo são valores perseguidos pelas pessoas que em todo o mundo defendem o crescimento humanizado e a convivência harmoniosa.

Compete a nós, integrantes das elites brasileiras, assim como a toda a sociedade, opormo-nos de forma clara aos ataques à democracia para fortalecer a ordem pública nacional e o Estado de Direito constitucional, saindo da passividade e da contemplação para agirmos com efetividade nos nossos ambientes de influência.

Há muitas pessoas que detêm o poder político e o econômico no nosso país que não assumem sua responsabilidade como elite

sábado, 30 de julho de 2022

A NOVA POLÍTICA NO BRASIL E NO CEARÁ.

 

 


A nova política no Brasil continua sendo Lula pelo simples fato de falar da fome, desemprego, e a vida real de milhões de brasileiros escrito pela história e democracia brasileira do que há de bom e pior nela como corrupção, aparelhamento do Estado, acordos espúrios e outros. Porém diante de retornos há séculos passados com o que há apenas de pior na nossa história como abandono da ciência, pacto com diversas violências, autoritarismo delirante assim como Ciro Gomes, acordos com o centrão pagos pelo Brasil, privilégios para setores como exército, mercado financeiro e outros. Além do desprezo pela geopolítica internacional, porém, Bolsonaro é autêntico em seu conservadorismo e delírios. Isso por exemplo é melhor que Ciro Gomes, o pior de nossa política que continua não sendo nada, como sempre foi, depois de nove partidos, desde a Ditadura, sua origem oligárquica, muda de discurso e aliados como quem troca de roupa, mente muito sobre o que diz querer fazer no Brasil, mas nunca fez no Ceará no poder durante décadas apenas mantém vários juniores e agora netos vivendo e enriquecendo pelo Estado, assim como bilionários que não pagam impostos, às custas da pobreza, mortes e exclusão da educação da maioria do Ceará. Inclusive vai ser uma eleição interessante no Ceará a Direita falando de pobreza e violência e a esquerda oligárquica que se cala há décadas para isso no poder pedindo desculpas? Ou mais uma vez campanhas milionárias comprando a dignidade de quem nada tem.  

 

No Ceará como sempre, frauda a democracia! Nós temos partidos que são aliados de Lula a presidente com dirigentes sem trajetória política de esquerda que gastam muito dinheiro para ser Deputado em acordos com anuência da Oligarquia para ganhar partido, soma se a outros que ganham mandato de presente do padrinho. Esse Partido apoia o partido de Ciro a nível estadual e Lula a nível nacional porque os Partidos sem Democracia servem a Oligarquia. Apenas mais um Frankenstein político e mais uma narrativa no Ceará para como fizeram recentemente na Prefeitura de Fortaleza se dividem no primeiro turno para no segundo turno a oligarquia ser a única alternativa.     

 

Os Fascismos nascem não somente de Bolsonaros mas tem uma Escola fundada pelo Coronel Ciro Gomes no Ceará onde a força e a violência do dinheiro e dos acordos entre famílias produz fake líderes e fake história que se calam para corrupção e a pobreza. Esse tem sido o nosso passado, presente e futuro sem direito à verdade, vivendo de fake News e claro Ciro Gomes como eterno candidato. Fascismos que matam milhares de jovens sem direito, nem educação, nem trabalho vivendo na miséria com suas famílias há décadas cercados pelo crime organizado. Enquanto marketing educacional e de turismo engana a todos sobre nossa escravidão política e econômica.

 

Sobre o futuro de verdade que passa pela luta contra a pobreza, corrupção, mudanças climáticas, inovações tecnológicas, necessitamos cada vez mais de apoios nacionais e internacionais sem os quais Mandela e Gandhi não venceriam batalhas semelhantes sobre as brutalidades que viviam de apartheid racial e castas. Hoje observamos a Índia se tornando uma grande potência e a África encontrando seu caminho, enquanto no Brasil é mais duro ainda no Nordeste e no Ceará continua sendo tragédia atrás de tragédia de mortes, pobreza, injustiças e desigualdades sem Democracia nem Lei.

 

Não há futuro nem vida para milhões de brasileiros diante de máfias corruptas, crime organizado e gangues partidárias que assaltam o Estado. Nem Lula nem Bolsonaro conseguem enfrentar isso. Nossa esperança é construir outros presentes e futuros com nossos filhos com uma economia, tecnologia, educação e saúde na teia da vida ambiental brasileira que ensina matemática e português com a mesma dedicação ao ensino da ética, estética e justiça socioambiental. Infelizmente por enquanto mesmos políticos e sua oligarquia e novos cangaços em todo Brasil.

 

quinta-feira, 28 de julho de 2022

CORPORIEDADE, AUTONOMIA, INDIVIDUAÇÃO, MULTIPLICIDADE, PRODUÇÃO DA DIFERENÇA E COMPLEXIDADE COMO PRINCÍPIOS DE APRENDIZAGENS E FORMAÇÃO DO SER HUMANO.


 

Aqui propomos uma revisão biográfica sobre pensadores e teorias que pensam os processos de aprendizagem da autonomia, multiplicidade e produção da diferença que seguimos como princípios em nossa jornada de formação como educador social.  

Visamos, assim, o processo regenerativo da educação pela corporeidade, autonomia, multiplicidade e produção das diferenças se dá de forma autopoiética. A autopoiese é um termo que deriva do grego (autopoiesis). De forma mais específica, a etimologia do vocábulo vem de "autós" (por si próprio) e "poiesis" (criação, produção). Seu significado literal é autoprodução. Os sistemas autopoiéticos são sistemas abertos ao futuro, ou seja, ou novo. O termo foi introduzido nas ciências biológicas pelos biólogos Humberto Maturana e Francisco Varela, no ano de 1973, para designar uma organização peculiar a todos os seres vivos "que recriam os próprios componentes necessários para manterem a sua organização." (GRANDESSO, 2011, p. 135). 

A autopoiese descreve a capacidade de uma entidade de se reproduzir. O conceito foi introduzido pela primeira vez na biologia teórica para explicar a cognição e a essência da vida (MATURANA; VARELA, 1980), e, posteriormente, foi desenvolvido na teoria geral dos sistemas. (VON FÖRSTER, 1984). O termo tem sido amplamente utilizado no estudo da cognição e em estudos do sistema nervoso, bem como em sistemas de informação, ciências cognitivas e inteligência artificial. 

A definição de Maturana opera com uma noção de fechamento recursivo do sistema. Um sistema autopoiético não só é capaz de produzir e, eventualmente, alterar suas estruturas, mas também é capaz de reproduzir seus componentes e, em particular, seus elementos específicos do sistema por meio da autorreferência recursiva desses elementos. Assim, sua auto reprodução depende exclusivamente de operações internas e não é dependente do meio ambiente. 

Conforme a autopoiese e a maleabilidade da memória, a vida não é uma condição estática, mas um processo. Assim, como todos seres vivos, somos e nos tornamos movimento em todos os níveis da existência.  Para Maturana e Varela (2001), os sistemas autopoiéticos existem estruturalmente acoplados ao seu meio.

Niklas Luhmann é responsável por introduzir o conceito de autopoiese na teoria dos sistemas sociais. (LUHMANN, 2007, 2010). Um elemento crucial da teoria de Luhmann é a ideia de comunicação como elemento componente prioritário do sistema social autopoiético. Os sistemas sociais são capazes de se reproduzir porque são sistemas de comunicação.

Luhmann (2016), com a sua teoria sistêmica, procurou elaborar uma tese única para sociedade. Ele estendeu o sistema autopoiético, além ao dos seres vivos, mas também aos sistemas psíquicos e sociais. Luhmann, para construir sua teoria geral da sociedade, direcionou seu foco aos sistemas sociais. A sociedade é vista como um sistema social de primeira ordem, contendo sistemas de segunda ordem, ou subsistemas. Para exemplificar teremos o direito como sistema de primeira ordem, que se diferenciou em público, privado, administrativo, comercial, penal, etc. Esta subdivisão seria necessária para que o sistema de primeira ordem possa enfrentar um ambiente sempre mais complexo. As irritações do ambiente influenciam a evolução do sistema a se mudar estruturalmente. Esta peculiaridade, de se auto modificar e de se auto reproduzir, é chamada de autopoiese. (LUHMANN, 2016). 

Na verdade, os seres humanos não fazem parte da sociedade ou de qualquer sistema social, mas pertencem ao seu meio ambiente; a individualidade e a consciência dos seres humanos são características de sistemas psíquicos altamente complexos que operam separadamente dos sistemas sociais. (LUHMANN, 2007, 2010). 

Em vias de fundamentação na autopoieses, que é um alicerce para a teoria sistêmica, é importante ressaltar que este TCC dialoga com a visão fenomenológica hermenêutica, porém com um alerta: “o modo como Husserl se voltou para experiência e para as próprias coisas era absurdamente teórico ou, apresentando as coisas de uma outra maneira, revela uma ausência total de qualquer dimensão pragmática” (VARELA; THOMPSON; ROSCH, 2001, p. 44). Aqui salientamos o intuito de fazer uma pesquisa qualitativa de caráter autobiográfico, permitindo momentos de pesquisa, reflexão e interpretação de minhas próprias práticas em diversos EENEs, com a finalidade de que se identifique como sujeito ativo e consciente de seu processo de aprendizagem e do contexto em que está inserido. A metacognição busca identificar estratégias metacognitivas relacionadas ao monitoramento metacognitivo e à autorregulação da aprendizagem. Como traz Chorobak (2002): 

La metacognición se refiere al conocimiento, concientización, control y naturaleza de los procesos de aprendizaje. El aprendizaje metacognitivo puede ser desarrollado mediante experiencias de aprendizaje adecuadas. Cada persona tiene de alguna manera, puntos de vista metacognitivos, algunas veces en forma inconciente.

 

Para promover tais estratégias metacognitivas no cotidiano escolar, se faz necessário que os profissionais da educação desenvolvam em si, tais estratégias, buscando a promoção da autonomia no processo de aprendizagem. Este processo de inserção social na comunidade pretende fortalecer ações estratégicas voltadas para o reconhecimento das características e desafios dos estudantes, docentes e demais profissionais que atuam na educação básica a uma cultura que provoque e promova, de maneira dialógica e contínua, aprendizagens significativas e inclusivas. 

A aprendizagem do educador e o EENEs se relacionam através de uma mutua interação ou origens interdependentes. O conhecimento é resultado de uma interpretação corporal, contínua em movimento emergente da nossa capacidade de compreender, que por sua vez está enraizada nas estruturas biológicas vividas e experenciadas em um domínio de ação e de cultura. Para tal abordagem, é preciso abandonar a cognição como uma representação de um mundo predeterminado (MATURANA; VARELA, 2001).

Nesse sentido a aprendizagem funciona como uma rede autônoma como um sistema capaz de significar e produzir diferenças. Isso tem sido pesquisador pelas ciências cognitivas.  Um exemplo são os sistemas autônomos e acoplados estruturalmente que aprende e forma argumentos em uma perspectiva autoral que contrapõe à ideia de que o mundo já existe e é capturado pela representação. O mundo conhecimento é resultado de uma interpretação continua emergente da nossa capacidade de compreender, que por sua vez está enraizada nas estruturas biológicas vividas e experenciadas em um domínio de ação e de cultura.  Para tal abordagem, é preciso abandonar a cognição como uma representação de um mundo predeterminado (MATURANA; VARELA, 2001).

Um exemplo são as cores elas fazem parte de um mundo percebido ou experiencial que é produto de nossa história ou acoplamento estrutural. A ideia que a percepção das cores acontece no processamento de informações é redutora. A cor tem diversos atributos como formas e volumes, ela é uma experiência constituída por meio de padrões emergentes de atividade neuronal. As cores dependem das nossas capacidades perceptivas e cognitivas e também do mundo cultural e biológico. A ideia central é apresentar a de ação corpórea. A ação se refere aos processos sensoriais e motores - a percepção e a ação – ligados à cognição vivida. Já corpórea indica os tipos de experiência decorrentes de se ter um corpo com várias capacidades sensório- motoras embutidas em um contexto biológico, psicológico e cultural (MATURANA; VARELA, 2001); (VARELA; THOMPSON; ROSCH, 2001).

Apreender é um processo de dançar com sua mente, corpo, universo e a música da vida vivendo várias experiências incluindo a de transforma-la em conceitos.  A categorização é uma das atividades cognitivas mais fundamentais que todos os organismos realizam, cada experiência é transformada no conjunto de categorias aprendidas e significativas as quais os humanos e outros organismos respondem. A cognição e o ambiente atuam no nível básico da categorização. A estrutura da experiência física e social e a capacidade de projetar imaginativamente a experiência corporal e interacional são fontes para as estruturas conceituais. De acordo com ambas, as tarefas perceptivas e cognitivas envolvem alguma meio de adaptação e transformação do mundo (MATURANA; VARELA, 2001); (VARELA; THOMPSON; ROSCH, 2001).

Nesse sentido, através de diversas leituras e experiências em EENEs venho percebendo que além da união entre mente e corpo, defendida por Espinoza (2009) com sua ideia de conatus, é importante enraizar essa mente-corpo em seu ambiente (INGOLD, 2007). Ingold com sua perspectiva relacional radical de que as propriedades não estão nas coisas em si, mas sempre nas relações, argumenta que mente e ambiente estão unidos. Pois o próprio ambiente é compreendido como uma junção de diversos corpos em movimentos, os quais se formam uns aos outros em suas múltiplas relações.

Assim, os caminhos de percepção, vivências e experiências aonde integramos nossa mente, corpo, afetos e alma com a Terra; atuando dentro de contextos que complementam e geram uma unidade singular com o Universo do qual somos parte conectados por um fluxo de energia e informações (SIMONDON, 2020).

Por isso apresento o conceito de mente corpo terra como um caminho de percepção, vivências e experiências aonde integramos nossa mente, corpo, afetos e alma com a Terra; atuando dentro de contextos que complementam e geram uma unidade singular com o Universo do qual somos parte conectados por um fluxo de energia e informações. Este conceito é uma das jornadas que vivo em espaços educacionais não escolares compreendendo melhor quem sou e o mundo que podemos viver de um pequeno grão de terra a Terra da Sabedoria.  

A cognição é estudada como a conjunção, inseparável e complexa, de um organismo cognoscente com seu meio numa visão sistêmica onde numa perspectiva autoral produzimos diferenças no nosso pensamento e no mundo que vivemos. No nosso caso vamos usar corporeidade porque a mente é compreendida como uma propriedade emergente, inseparável dos componentes que formam o corpo de organismos cognoscentes em interação com seu ambiente. Lembramos também que segundo o Antropólogo Bruno Latour a ciência feita por seres humanos em ambientes econômicos, tecnológicos, sociais e políticos interage com seus meios e encarna seus raciocínios em artefatos tecnológicos em interação com o ambiente; por isso incluímos também os impactos dos instrumentos tecnológicos como uso do celular, internet, inteligência artificial, robótica e outros que interferem nos processos de aprendizagem e conhecimento dos ambientes que vivemos não apenas nas Escolas e Universidades mas em outros espaços educacionais não escolares em minha jornada de formação como educador registrando de forma autoral o relato de minhas aprendizagens e autonomia.

Varela; Thompson; Rosch (2001, p.15) demonstram:

No caso da ciência cognitiva, são máquinas pensantes e atuantes cada vez mais sofisticadas que têm o potencial de transformar a vida do dia a dia talvez de um modo mais eficaz que os livros do filósofo, as reflexões do teórico social ou as análises terapêuticas do psicólogo.

 

Com estas ideias eles permitiram o surgimento de várias teorias que abordam a relação entre ciência e experiência, buscando estabelecer uma fundamentação computacional para experiência da autoconsciência na produção de seres cognitivos sem ego nem eu que existem independentes do mundo, como robôs e inteligência artificial. 

Todo esse processo tecnológico altera a formação de educadores, incluindo educadores sociais, porque interferem nos processos de aprendizagem e autonomia bastante focados na mente sem levar em consideração os diversos contextos, ambientes e interfaces que vivemos numa visão sistêmica.  

Contrapondo a essa visão Merleau-Ponty (2001) encarou esse mundo vivido da experiência humana a partir de um ponto de vista filosófico com base na tradição da fenomenologia. Na França essa tradição de Heidegger (2015) e Merleau-Ponty é continuada por autores tais como Michel Foucault (2012), Jacques Derrida (2019), Deleuze (2018) e mais recente Jacques Rancière (2021). É mesmo Bourdieu (1989) que em seu conceito de habitus traz contribuições da fenomenologia para pensar a questão da agência do sujeito dentro da estrutura.

Na União soviética, décadas antes, as pesquisas de Vygotsky (2007) sobre interação social e linguagem somam a essa abordagem, nos EUA nos concentramos em John Dewey (2010;2012) e suas teorias sobre a experiência e democracia , e no Brasil em Paulo Freire (2019a; 2019b) com sua luta contra a opressão, educação bancária e a busca da construção da autonomia compõe  nosso referencial teórico em defesa da corporeidade da aprendizagem e autonomia vivenciadas não somente nas Escolas e Universidades mas com muito mais intensidade em espaços educacionais não escolares.

Segundo Varela; Thompson; Rosch (2001) as nossas mentes corporificadas e o processo de cognição integrados aos meios, aprendem individualmente e coletivamente vários conceitos e imagens em movimento nos diversos contextos e ambientes onde interagimos socialmente uns com os outros. Aprendemos com a teoria de Vygotsky (2007) sobre a zona de desenvolvimento proximal do outro e como podemos educar para transformar esse potencial em realidade, produzindo juntos diferenças com autonomia em espaços educacionais não escolares. Um passo importante na construção da autonomia Freiriana, alternativas à educação bancária, somando essas razões aprendidas em livros e nas salas de aula buscamos caminhos com mais liberdade e autonomia para minha formação como educador em espaços educacionais não escolares mais livres do discurso escolar produzido por professores, sala de aula e currículos oficiais. 

A autonomia conquistada em nossas jornadas educacionais que se tornam registros e memórias autobiográficas em meios digitais e presenciais mas que sempre foram fortalecidas pelas pesquisas científicas realizadas em conjunto com acadêmicos visando a produção e difusão de conhecimentos por meios orais, escritos, e digitais fortalecemos assim o processo de letramento não apenas nas escolas e universidades mas principalmente no desenvolvimento de discursos e imagens sobre quem somos e o mundo que vivemos. Ampliamos dessas formas nossos conhecimentos, capacidades, habilidades e competências de aprender, criticar, criar e construir em Espaços educacionais não escolares presenciais, mas que são potencializados por meios digitais “combinando o formal, não formal e o informal, é a vontade de configurar um sistema educacional que facilite ao máximo que cada indivíduo possa traçar seu itinerário educacional de acordo com sua situação, suas necessidades e seus interesses. Para tanto o sistema tem que ser aberto, flexível, evolutivo, rico em quantidade e diversidade de ofertas educacionais.” Trata-se de construir programas híbridos de educação formal e não formal que acolham os aspectos mais pertinentes de ambos tipos de educação. O que realmente importa para Ghanem e Trilla (2008) nessa educação híbrida deve ser a qualidade e a pertinência pessoal e social da aprendizagem em questão. Esse desde os 15 anos tem sido o maior desafio de encontrar e criar caminhos para minha formação como educador capazes de produzir aprendizagens e autonomia significativas diante de desafios pessoais e coletivos.

 Freire (2019, p.26 ) no livro Pedagogia da Autonomia aborda o processo de autonomia:

Nas condições de verdadeira aprendizagem os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. Só assim podemos falar realmente de saber ensinado, em que o objeto ensinado é apreendido na sua razão de ser e, portanto, aprendido pelos educandos.

 

Aprender com autonomia segundo Paulo Freire exige construção e reconstrução do saber ensinado em diálogo permanente com o educador e com outras pessoas. Esse é o processo que vivemos em espaços educacionais não escolares de forma autêntica num diálogo aberto entre iguais, mas diferentes em seus lugares de fala e outros.  Segundo Freire (2010, p.13): 

Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-aprender participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e com a seriedade.

 

Eu diria uma experiencia educacional sistêmica e não instrumental ou linear. Sim ele fala da boniteza, o belo estético, o bom ético, a busca da justiça social que podem estar presentes em nossos discursos, formas de educar, conhecimentos, e diálogos que derrubam portas e janelas para multiplicar platôs de lugares e conhecimentos gestando outras formas de dizer e ver o mundo pelo que antes não era visto nem dito, aprendendo a escutar o outro e lembrando sempre que “Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém” (FREIRE, 2010b, p. 105).

Segundo Freire (2010, p 76) “Enquanto o caminho para a educação for restrito, seremos privados da libertação e continuaremos sendo arrastados por ventos e correntes, fortalecendo o sonho do oprimido em se tornar opressor.” 

Infelizmente vamos aprendendo durante a jornada educacional nas escolas e universidades ou na vida a ficar presos e reféns de lugares conhecidos, de saberes como dogmas sem crítica e capacidade de imagina-los, vamos nos submetendo a determinados domínios, controles e disciplinas que atuam na microfísica do poder; incluindo sobre nossas formas de ser, pensar e viver. Por isso Paulo Freire (2010. p.51) nos alerta “O que me surpreende na aplicação de uma educação realmente libertadora é o medo da liberdade”

Esse medo que requer ousadia, temas de outros livros de Paulo Freire, pois a autonomia necessita superar a opressão e ir além da esperança para construí-la por outros caminhos mais amplos, livres, abertos, múltiplos, diferentes quer seja na mistura de saberes, lugares, vidas, culturas, sonhos, economias e outros.  A corporeidade e produção da diferença quando vivida em múltiplos lugares sobre quem eu sou, a vida e a sociedade que vivemos nos tira do fragmento linear, do lugar comum, dos espaços dominados por saberes, poderes, classes, racismos, desigualdades, controles, e disciplinas que nos afetam em busca de outros caminhos não mapeados. Mil platôs como define Deleuze e Guatarri (2000).   

Mil Platôs é composto de quinze "platôs", conceito que, tomado de empréstimo a Bateson, designa uma estabilização intensiva e, no caso, uma multiplicidade conceitual. Pois os conceitos, para Deleuze e Guattari (2000), devem determinar não o que é uma coisa, sua essência, mas suas circunstâncias.

O conceito fixa seu pensar e ilude tua verdade confundindo um momento com o movimento na visão de Bergson que vamos abordar mais à frente com esse despertar nos libertarmos da identidade como critério de verdade para nos permitimos enxergar, afirmar e produzir na multiplicidade as diferenças segundo Deleuze.

A vida é multiplicidade é diversidade e não limites. É força, é conflito, é intensidade isso nos leva a uma vida mais criativa menos sedentária e reféns da escola e paranoica da verdade e das notas. Enxergar essa multiplicidade exige explorar, buscar uma visão sistêmica sem hierarquia em busca de rizomas, ao invés de agir com um corpo organizado buscamos um corpo sem órgãos, buscando novas ligações com as coisas sempre em linhas de fuga para além dos rostos e conceitos que conhecemos. Usamos a micropolítica como máquina de guerra sempre em devir, indo além da repetição, dos enclausuramentos, capaz de produzir diferenças como nômades em movimentos aberrantes, sempre submetendo o real e sua miséria econômicas, políticas e educacionais em busca de outros espaços educacionais escolares além do capitalismo e esquizofrenias produzidas nas escolas. 

Indo além da opressão em busca de autonomia, da repetição em busca da diferença e do conceito isolado em busca do ambiente em movimento. Essa jornada pedagógica que compõe a minha formação como educador, educa a buscar encontrar os fios nessa rede educacional vivenciada que religa e integra saberes mais complexos e interdisciplinares segundo Edgar Morin em diálogo com nossas vidas e o planeta que vivemos, nós aprendemos e transformamos, criando assim novas relações dialógicas entre o visível, as palavras, as coisas e o tempo. Essas práticas pedagógicas baseadas no estudo de arquivos para resgatar as origens do passado no presente de nossas instituições, e práticas somadas as experiências em campo buscam viver e pesquisar como esses espaços educacionais não escolares foram construídos historicamente por saberes e poderes desbravados por Michel Foucault e Deleuze em suas obras para compreender diversas instituições como presídios, hospícios, justiça, clínicas, igrejas, fábricas mas também nas escolas e universidades de como elas impactam nossas vidas e sociedades através de mecanismos, disciplinas e controles que comandam nosso pensar e agir na sociedade negando nossa autonomia. Assim busco pesquisar em minha jornada e formação como educador como outras práticas pedagógicas de Paulo Freire afirmam outros saberes populares não oficiais, olhares diversos e aprendizagens quando colocamos a escuta, esperança, autonomia, e amorosidade como princípios pedagógicos de convivência nesses espaços educacionais não escolares dialogando com os excluídos e oprimidos pela sociedade. 

Buscamos também colaborar e encontrar caminhos na curricularização[1] da extensão para que mais universitários possam dialogar em grupos sobre éticas, estéticas, justiça social e sustentabilidade econômica e ambiental compartilhadas nesses espaços educacionais não escolares colaborando com uma educação integral para a vida. Esses são saberes essenciais para a convivência em uma sociedade democrática, sendo complementar a escola, família e comunidade. É preciso aprender vivendo os caminhos que unem a família, escola, comunidade e espaços educacionais não escolares enxergando as pontes, conceitos e imagens que se transformam em práticas pedagógicas e diálogos entre os diferentes sujeitos, organizações e meios cada vez mais complexos e digitais incluindo além das desigualdades e violências as relações com o meio ambiente e as tecnologias nesses espaços.

Precisamos da sociedade para sobreviver, expandir os afetos, fazer amigos, arranjar emprego, praticar esportes, nos divertir e rir. Se precisamos da vida em sociedade, é melhor saber lidar com ela. Reconhecer os lugares amigáveis, os perigosos e, especialmente, ter consciência do projeto de vida possível de levar à frente.

A escola representa a pólis, a vida na cidade, lugar do ajuste, difícil, entre as partes. A variedade de professores em uma escola, de conhecimento e de sensibilidades variadas permite ao estudante encontrar distintos modelos de identidade. E, entre inúmeras variáveis, por meio da prática do seu livre-arbítrio, escolher os amigos e qual será o desenho, possível, para o seu projeto de vida.” Janice Theodoro da Silva, professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP[2].

Nessa jornada em espaços educacionais não escolares durante minha formação como educador busco valorizar e priorizar as vozes do povo ou dos estudantes diante de tantos discursos privilegiados que se colocam pela força econômica, política e acadêmica buscando anular e praticar violências e preconceitos contra os saberes, poderes e subjetividades produzidos pelas crianças e jovens pobres em suas jornadas em espaços educacionais não escolares sobre suas vidas e o mundo em que vivemos. Assim buscamos na interseccionalidade uma teoria social crítica que sirva de método de pesquisa e incorporação dos saberes destes atores sociais na conquista de seus direitos, liberdades e autonomia de forma autoral onde todos podem aprender nesta jornada (COLLINS, 2022).

Porém, o olho e as vozes da maioria de nosso povo são produtos históricos reproduzidos por afetos, imitações e instruções processadas no seio de várias instituições sociais e na troca entre elas, incluindo as escolas, nos quais se desenvolvem os atos, falas e pensamentos ordinários e extraordinários de nossas vidas que agora ocupam as redes sociais. Somadas, as privações e explorações impostas pelas desfavorecidas condições da vida material de todo oprimido se reproduzem e agravam pelos estigmas atribuídos aos hábitos do seu corpo, às propriedades de sua língua, e às marcas de suas vozes. Essa estigmatização se reforça com os prestígios usufruídos pelas práticas e atributos dos gestos, falas e pronúncias das classes dominantes de nossa sociedade.

Segundo Piovezani (2020,p,16):

Ora, as discriminações fazem reiterada e constantemente do sentido do povo um alvo privilegiado. Sua visão, sua audição, e seu olfato seriam grosseiros e desprovidos de sutileza para devida apreciação das formas, cores, tons e odores elegantes. Seu paladar e seu tato seriam igualmente rudes e carentes de refinamento para a adequada degustação de sabores complexos. Os ruídos e comportamentos dos corpos da gente humilde, assim como sua língua e sua fala, não são poucos poupados nos julgamentos que se produzem em olhares e escutas guiados pela lógica da distinção social. No que se refere principalmente a escuta que quase nunca ouve, mas que sempre deprecia a vontade de povo.

 

Portanto nessa jornada de escuta das crianças e jovens vivenciadas em espaços educacionais não escolares como educador social em meu percurso de vida, buscamos encontrar caminhos e meios que eles mesmos expressem com sua autoria o que seus corpos pensam, vivem e sentem em interação social com diversos meios presenciais e digitais que se tornam registros e memorias autobiográficas na produção de textos, fotos, vídeos, relatos orais via WhatsApp entre outros.  

Nesses discursos autorais das crianças e jovens aprendemos como eles constroem imagens de si e a respectiva construção de uma ética e estética do que consideram bom e belo em suas vidas apesar das brutais injustiças que sofrem e das diversas dificuldades e barreiras que encontram em seus processos de aprendizagem e construção de suas autonomias. Essa dimensão sociológica remete aos trabalhos de Pierre Bourdieu que propôs uma reinterpretação da noção de ethos no conceito de habitus. Como componente do habitus, o ethos designa em Bourdieu o conjunto de princípios interiorizados que guiam nossa conduta de forma inconsciente, a hexis corporal refere-se a posturas, as relações com o corpo, igualmente interiorizadas sendo complementares a noção de cognição proposta por Varella na interação com o meio. 

Por isso escolhi experiências em espaços educacionais não escolares diversos, quer seja nas empresas, movimentos estudantis e sociais, ONGs, projetos ambientais, artísticos, esportivos e tecnológicos que colocam em movimento, a expressão autoral e diferenças produzidas por essas mentes corporificadas em suas jornadas educacionais. Buscamos também a interseccionalidade seguindo o livro de Collins (2022)  como método e teoria social crítica para pesquisar termos interrelacionados como desigualdades sociais, problemas sociais, ordem social, justiça social e mudança social, como impactam essas vidas e seus processos de aprendizagens e autonomia. É preciso investigar como análises críticas e ações sociais nesses espaços educacionais se desenvolvem ou apenas reproduzem mais do mesmo. O significado de teorias sociais incluindo pedagógicas específicas não residem apenas em suas palavras, mas principalmente em como estas ideias são criadas e usadas.

O conceito de interseccionalidade aparece para Collins através de Kimberlé Crenshaw, a mesma descreve de como apareceu pra ela (2022, p. 43):

Eu estava simplesmente olhando para como esses sistemas de opressão se sobrepõem. Mas, sobretudo, observava como no processo dessa convergência estrutural, a política retórica e a política identitária – baseadas nas ideias que sistemas de subordinação não se sobrepõem abandonavam questões causas e pessoas,  que são de fato afetadas por sistemas de subordinação sobrepostos.

 

A interconexão entre pessoas, problemas sociais e ideias agora são centrais para a interseccionalidade como uma forma reconhecida de investigação e práxis críticas capazes de avaliar as práticas pedagógicas, acima de tudo por se referirem à ação social, as ideias de interseccionalidade tem consequências no mundo social (COLLINS, 2022).  

Construímos assim na minha formação como educador uma visão mais sistêmica e autônoma em busca de produzir diferenças porque acompanha uma teoria e pedagogia social crítica, a transformação histórica das palavras e das coisas, os conceitos e imagens que fazemos do mundo e sobre quem somos, mas ao mesmo tempo também autoral pois registrei em meu blog na internet ou redes sociais as vozes, palavras e imagens por computadores ou celulares incluindo nossas memórias, reflexões, ideias, críticas, e imaginações compartilhando nossas vivências e saberes com outros atores sociais diversos que convivemos juntos nesses espaços educacionais não escolares quer sejam professores de escolas, alunos, comunidade, famílias, dirigentes de ONGs, professores de Universidades, empresários, funcionários, políticos e gestores públicos. Caminhamos juntos em torno de uma agenda compartilhada, missões educacionais, objetivos e desafios comuns onde emergiram práticas pedagógicas e sociais gerando um ecossistema educacional e suas relações múltiplas e diversas com os diversos ambientes que vivemos, não apenas a família e a escola. Percebemos assim os acontecimentos que configuram a própria trama da existência, individual e coletiva, afirmando as potências, conflitos e imanências que emergem de nossas capacidades críticas e criativas para compreender a guerra entre discursos, saberes e sentidos na construção de uma educação ética e estética, justiça social, econômica e ambiental que priorize a vida e o planeta Terra.       

 

 



[1] https://prex.ufc.br/pt/curricularizacao/

[2] https://jornal.usp.br/artigos/homeschooling/