Durante décadas, universidades foram conduzidas por professores, pesquisadores e cientistas, perfis comprometidos com o ato de educar e com a circulação qualificada do conhecimento na sociedade.
Hoje, observa-se um movimento crescente em que grupos educacionais passam a ser liderados por executivos orientados prioritariamente por metas financeiras. O discurso é inovação. A prática, contudo, revela a financeirização da formação.
A discussão no Ministério da Educação sobre restringir a chamada “barriga de aluguel” ocorre após a flexibilização de 2018, que ampliou a oferta de pós-graduações de baixo custo sem supervisão acadêmica consistente. O modelo permitiu o uso do credenciamento como ativo comercial, dissociando certificação de responsabilidade formativa.
Não se trata de um mero problema regulatório, mas de uma mudança estrutural de lógica. Quando a educação passa a ser tratada exclusivamente como commodity:
• O rigor cede espaço à escalabilidade;
• A formação cede lugar à certificação;
• O compromisso científico é substituído pela agressividade comercial.
O que está em pauta excede a pós-graduação. É a credibilidade do conhecimento como bem público. A entrada de CEOs na liderança de grandes grupos educacionais não é, por si, o problema. O risco emerge quando a governança financeira atropela a governança acadêmica, responsável por sustentar progresso social.
Educação não opera sob lógica de curto prazo, como o setor de tecnologia, por exemplo. Seus efeitos são estruturais, intergeracionais e profundamente civilizatórios.
Progresso não é ampliar escala sem critério. Educação não é mercadoria.
No Relatório Estratégico de Convergência, assim como nos projetos que lidero, destaco a importância de revisões estratégicas e reorientações operacionais contínuas. Crescer sustentado apenas por narrativa é arriscado: expõe fragilidades em sustentabilidade regulatória, governança e execução prática.
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