SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sexta-feira, 31 de março de 2023

A CORAGEM DA VERDADE E A FALTA DE ESCUTA DOS GESTORES DA EDUCAÇÃO PÚBLICA.


Quem está investigando e pesquisando o problema da educação pública de forma profunda?  Mas tem muita gente interessada em material didático e prédios porque dá dinheiro. Mas quantos estão interessados em quantas crianças estão analfabetas em sala de aula, crianças com problemas de aprendizagem sem apoio, violências e indisciplinas? Mas todo mundo sabe! Os gestores da educação sabem, o Estado sabe, os professores sabem mas quem quer trabalhar para consertar as coisas que não dá dinheiro mas que milhões de vidas dependem disso? O Estado está corrompido em não mudar a vida dos pobres. Assim como a polícia prende os pequenos enquanto os grandes roubam e estão impunes. É como consequência crianças e jovens atiram contra o mundo que lhe destroem, como relatou uma professora que sobreviveu ao ataque na escola em São Paulo.

 

Prezados Professores da Escola X eu ensino em 4 escolas em 9 turmas de matemática, em 8 delas nenhum problema, mas na série A, eu e a Professora tentamos de todas as formas com disciplina, afetos, brincadeiras, e pequenas punições mudar o comportamento de 2 alunos que atacam outros alunos, afetando e prejudicando a turma inteira. Eu falei diversas vezes sobre o conselho de pais, mandei o aluno para direção e coordenação mas depois de minutos retornam para mesma sala, conversei com outros professores que sofrem o mesmo problema em suas turmas e nada é feito. 

 

Como ensinar quando dois alunos fazem o que querem sem nenhuma consequência? O nome disso não é educação. Nas outras escolas onde ensino existe apoio da área administrativa, coordenação e direção em relação a indisciplina e violências em sala de aula. A Escola Y é um exemplo de como toda escola age junta e não faz de conta que o problema não existe. Hoje eu e a Professora estávamos juntos na sala e mesmo falando DEZENAS de vezes não mudam o comportamento, isso desde o início das aulas até hoje, 2 ou 3 alunos podem prejudicar uma turma? 

 

Hoje no final da aula quando uma aluna rasgou o livro, jogou a tarefa no chão, e outro bateu no amigo pela décima vez dei um grito alto para que parassem porque tinham passado todos os limites. Em todas as turmas os alunos me abraçam quando chego pois converso muito com eles se estão bem, mas isso não é suficiente para alguns, é necessário os pais e apoio do AEE tem que fazer sua parte. Na Escola B atuou com um apoio em sala de aula, conseguimos juntos incluir um estudante em várias atividades, até um aluno cubano tenho em sala de aula que só fala espanhol, tudo isso no diálogo encontra-se caminhos, mas na omissão em relação a casos de indisciplina não. 

 

O acontecimento em São Paulo de violência contra os professores é o mais trágico de milhões de violências que se acumulam sem atitudes. Hoje com o grito! A Diretora, coordenadora e professora vinheram ajudar. Tenho apenas uma aula de matemática nessa turma por semana, tenho que dar o conteúdo e passar os exercícios, a maioria faz o exercício, presta atenção, se esforça para aprender, acerta as questões, apesar de níveis de alfabetização distintos e crianças necessitando de apoio em seus processos de aprendizagem. Na outra escola que ensino conquistamos hoje 5 pessoas para apoiar crianças, recebemos jogos depois de oficializar a necessidade urgente para trabalhar com outras Didáticas fora o livro e o quadro, e considero a Escola B um bom modelo para aprender com práticas de gestão escolar que são feitas lá e tem alcançado bons resultados em relação a indisciplina e violências em sala de aula, lidando com alunos que agem com violência e indisciplina contra professores e outros alunos. Nessa turma do ocorrido hoje eu e a Professora há tempos solicitamos o apoio.

 

Enfim, muitos concursados estão pedindo para sair diante das condições surreais que encontram nas escolas. Na Escola C que sou representante do SINDIUTE, os professores que estão há anos sofrendo isso além da falta de alfabetização dos alunos, nós conversamos e todos concordarem em criar outras práticas de gestão escolar diante desse desafio, assim como na Escola D, e em nossas conversas no intervalo relatamos os mesmos problemas sofridos pelos professores da Escola A.


Tenho compartilhado esses problemas com SINDIUTE, SME, UFC e Câmara de vereadores que façam algo pois se houver um teste por sala de aula sobre falta de alfabetização, crianças que precisam de apoio, indisciplina e violências sabemos o que vai ser encontrado e não é culpa dos professores. Essa não é a melhor forma de gastar o dinheiro público e de educar crianças negando todas as teorias e a história da educação no mundo pois crianças não aprendem nessas condições.

 

Em resumo, a lição que aprendi hoje é que a questão central na educação é a ética.  Eu não vou deixar de incentivar a autonomia, interação social e expressão do ser das crianças porque 2 ou três alunos aproveitam esse espaço para brigar e atacar. Não será por dois alunos que enquadramos como o sistema quer, isolando e mantendo no grito. Na Terceira série onde ensino, o mais indisciplinado da turma e inteligente hoje é meu auxiliar e me ajuda a ensinar os outros.  Ele gasta sua energia assim, mas gastar energia rasgando livros, atacando outros, esse é o limite do que não é educar.

domingo, 26 de março de 2023

UM HOLOGRAMA COMPLEXO DA HONESTIDADE INTELECTUAL E SENSIBILIDADE!


 


"Não sou imparcial. Sou parcial a tudo que prometa nos tirar desta triste rotina de oligarquias eternizadas e privilégios intocáveis, ou miséria eternizada e sub-missão intocável, e a esta outra triste rotina de governos de esquerda abatidos no nascedouro - quando não se autodestroem. E, claro, ao Internacional e ao Botafogo, mesmo quando não merecem. No Brasil, ser objetivo é quase uma forma de cumplicidade". Luís Fernando Veríssimo.

 

É aos escravos, e não aos homens livres, que se dá um prêmio para os recompensar por se terem comportado bem.

Baruch Espinoza

 

Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.

Carl Jung

 

É necessário dizer que não é a quantidade de informações, nem a sofisticação em Matemática que podem dar sozinhas um conhecimento pertinente, mas sim a capacidade de colocar o conhecimento no contexto.

Edgar Morin

 

"Se todos concordariam que Sua realidade atual é uma realidade, e que o que é essencialmente compartilhamos é nossa capacidade de construir uma realidade, então talvez todos possamos concordar com um meta-concordância para calcular uma realidade que significaria sobrevivência e dignidade para todos no planeta, em vez de Cada grupo sendo vendido em uma maneira particular de fazer as coisas."

--- Francisco Varela

 

Quando vivemos a autenticidade exigida pela prática de ensinar-aprender participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e com a seriedade.

Paulo Freire 

 

"A linguagem é polissêmica requer interpretação em fatores linguísticos e extralinguísticos. Para entender o que o outro diz, não basta entender suas palavras, mas também seu pensamento e suas motivações."

vygotsky

 

Nas teorias semióticas de Jakob von Uexküll e Thomas A. Sebeok , umwelt (plural: umwelten; do alemão Umwelt que significa "ambiente" ou "envolvente") é o "fundamento biológico que se encontra no próprio epicentro do estudo de ambas as comunicações e significação no animal humano [e não humano]".  O termo é geralmente traduzido como "mundo egocêntrico", ou, "perspectiva do ser em si mesmo".  Uexküll teorizou que os organismos podem ter umwelten diferentes, mesmo que compartilhem o mesmo ambiente. O termo umwelt, juntamente com os termos complementares Umgebung(um Umwelt visto por outro observador) e Innenwelt (o mapeamento do eu para o mundo dos objetos),  têm especial relevância para filósofos cognitivos, roboticistas e cibernéticos, pois oferecem uma solução para o enigma da regressão infinita do Teatro Cartesiano. A teoria designa, de modo geral, que a percepção de si mesmo e do mundo é afetada pela própria conformação (constituição) do ser.[1]

 

Umwelt é um mundo especial de percepção e ação, o mundo que cada espécie biológica e um indivíduo nele constrói para si mesmo, ao qual se adapta e que determina o modo de seu comportamento nele. Umwelt é uma determinada parte do mundo, pois cada ser vivo escolhe entre todas as muitas cores, polifonias, muitos gostos, muitos cheiros do mundo, de toda a variedade de sensações táteis associadas a possíveis contatos com objetos externos no mundo, apenas esses estímulos e esses sinais que correspondem às possibilidades dos órgãos dos sentidos desse ser vivo e atendem às suas necessidades de sobrevivência e atividade bem-sucedida.[2]

 

Enfim, o fundo do poço da vergonha foi atingido quando a informática, o marketing, o design, a publicidade, todas as disciplinas da comunicação apoderaram-se da própria palavra conceito e disseram: é nosso negócio, somos nós os criativos, nós somos os 'conceituadores'!

Deleuze e Guatari

 

As cem linguagens da criança

A criança

é feita de cem.

A criança tem cem mãos

cem pensamentos

cem modos de pensar

de jogar e de falar.

Cem, sempre cem

modos de escutar

de maravilhar e de amar.

Cem alegrias

para cantar e compreender.

Cem mundos

para descobrir.

Cem mundos

para inventar.

Cem mundos

para sonhar.

A criança tem

cem linguagens

(e depois cem, cem, cem)

mas roubaram-lhe noventa e nove.

A escola e a cultura

lhe separam a cabeça do corpo.

Dizem-lhe:

de pensar sem as mãos

de fazer sem a cabeça

de escutar e de não falar

de compreender sem alegrias

de amar e de maravilhar-se

só na Páscoa e no Natal.

Dizem-lhe:

de descobrir um mundo que já existe

e de cem roubaram-lhe noventa e nove.

Dizem-lhe:

que o jogo e o trabalho

a realidade e a fantasia

a ciência e a imaginação

o céu e a terra

a razão e o sonho

são coisas

que não estão juntas.

Dizem-lhe enfim:

que as cem não existem.

A criança diz:

Ao contrário, as cem existem.

          

Loris Malaguzzi

 

sábado, 25 de março de 2023

OUSADIA! OUSA SEUS DIAS! MEIO SÉCULO DE DESAFIOS! OUTRAS ESCOLHAS, OUTRAS VIDAS DESPERTAM!


 


As três lições mais importantes é sempre refletir e apreender com suas escolhas, olhar de igual para igual para qualquer pessoa, sempre ousar dar o primeiro passo para expandir seu ser e seus sonhos. Infelizmente muitas pessoas se isolam em seus mundos particulares e perdem a aventura da vida.

 

Quanto do seu tempo você gasta fora da rotina? O que escolhe tem haver com seu ser ou a sociedade destruiu seu ser e sonhos?  Você consegue escutar sua voz? e seguir uma nova jornada de outras escolhas e vidas? 

 

Mas como escolher sem viver novas experiências? Como despertar sem sentir, agir, pensar, e viver novos desafios? O mundo precisa de mudanças e ela começa por mudar quem somos, viver novas experiências, desafios, ousadias. Ousa seus dias!

 

Ousar é caminhar pelo desconhecido e inventar novos caminhos e destinos. Tudo que conhecemos nasceu de pequenas e grandes ousadias. Dias diferentes como sementes de novos despertares. Amar é a maior ousadia! 

 

Eu amo o mundo, a vida, as pessoas e por isso ouso todos os dias para despertar seu potencial, seus desafios, suas escolhas que compartilhamos para viver outros mundos e outras vidas. Cada lugar que vivemos está se transformando não de forma isolada, mas em redes à luz da ousadia de vários seres olhando para o infinito do seu ser e do universo. Expandir é uma necessidade para não morrer nem matar outros seres, evoluímos em rede e não adianta querer controlar apenas dançar com a vida e o Universo.

 

Cada escolha planta em nosso ser sementes de novos mundos, isso é educar para sermos felizes. Gastar nossa energia no que nos realiza, transforma e desperta nosso ser para os desafios que a vida e o mundo nos convidam a dançar. Novos ciclos, novos séculos, espiritualidades, tecnologias, economias, artes, lutas políticas, sociais, ambientais, caminhos de nos educar com ousadia no mundo que busca destruir vidas e o mundo. Ousadia na sabedoria e nas lutas. Ousadia divina em criar o mundo, a vida e termos o entusiasmo de ter Deus e sua ousadia em nosso ser.


Ousadia a forma relacionada (parrhēsiazomai) é usada para pregar ousadamente em meio a circunstâncias difíceis (cf. Atos 18.26; 19.8; Ef 6.20; I Ts 2.2)

 


OUSAR


Está chegando

Está chegando

Está chegando

Está chegando

Está chegando

Está chegando

Isso é ousar

Isso é ousar


Você tem que apertá-lo contra si

Você só tem pensado sobre isso

É isso que você faz, amor

Segure firme, bem aí

Pule com todos eles e mexa-se

Pule para trás e para frente

E sinta como se você mesmo estivesse lá

Para resolver


Nunca causei nenhum mal

Nunca causei nenhum mal

Isso é ousar

Está chegando

Está chegando

Está chegando

Está chegando

Está chegando

Isso é ousar




Au Palais Royal

O Palácio Real

Gloire à ces damesGlória para as senhoras, Qui sur ma laideur se payentQuem vai pagar pela minha feiura? Au grand bonheur de mon âmePara a alegria de minha alma! Gloire aux canaillesGlória aos canalhas Qui aux coins des rues effrayent (ye-ye-ye-ye-yeye)Que assombram as esquinas (ye-ye-ye-ye-yeye) Ces peignes-culs de versaillesEstes orelhudos de Versailles Au palais royal les bouffons sont des roisNo Palácio Real os bobos são reis Au palais royal les plaisirs font la loiNo Palácio Real os prazeres são a lei Il faut de l'audace et encore de l'audaceÉ preciso ter coragem e mais audácia Aux citoyens d'en basCidadãos de baixo, Ça iraIsso melhorará On perd sa vie pourNós perdemos nossas vidas Le sourire d'une femme (ye-ye-ye-ye-yeye)Pelo sorriso de uma mulher (ye-ye-ye-ye-yeye) Au paradis des escrocsNo paraíso dos vigaristas Dans les tripotsEm casa de jogos Le bourgeois côtoie l'infâme (ye-ye-ye-ye-yeye)Os burgueses se misturam com os vagabundos (ye-ye-ye-ye-yeye) Et l'on s'étripe pour un motE eles lutam por uma palavra Au palais royal les bouffons sont des roisNo Palácio Real os bobos são reis Au palais royal les plaisirs font la loiNo Palácio Real os prazeres são a lei Il faut de l'audace et encore de l'audaceÉ preciso ter coragem e mais audácia Aux citoyens d'en basCidadãos de baixo Ha! Ha! Ha!Ha! Ha! Ha! Danton est dans la placeDanton está em casa, Ça iraIsso melhorará Gloire à nos rêvesGlória aos nossos sonhos Qui sous la misère sommeillentSubjacentes na miséria Que nos colères se soulèventDispondo o aumento de nossa raiva. Gloire à ce jourGlória para este dia Où la patrie se réveilleQuando nosso país acorda Voici enfin notre tourFinalmente chega a nossa vez! Au palais royal les bouffons sont des roisNo Palácio Real os bobos são reis Au palais royal les plaisirs font la loiNo Palácio Real os prazeres são a lei Il faut de l'audace et encore de l'audaceÉ preciso ter coragem e mais audácia Aux citoyens d'en basCidadãos de baixo De l'audace et toujours de l'audaceÉ preciso audácia e mais audácia Ça iraIsso melhorará!


sexta-feira, 17 de março de 2023

REFUNDAR A ESCOLA! O ENSINO DA MATEMÁTICA, ARTES, E ÉTICA INTEGRADOS.


 


A educação, ciência, economia, e a política dependem do ensino da matemática, lógica, cálculo, mas também da imaginação artística, e da ética no mundo onde muitas técnicas, ciências, tecnologias, economia e políticas foram usadas para destruir o mundo e milhões de vidas pelas violências, desigualdades e pobreza.

 


A busca por esses caminhos no ensino envolve pensamentos complexos, dinâmicos, transdisciplinares, sistêmicos para problemas e desafios complexos, dinâmicos, transdisciplinares, e sistêmicos que infelizmente são tratados de forma fragmentada, linear, e instrumental.



Se até para escrever esse texto é preciso didática para alinhar os argumentos, a lógica, imagina para dar aula. Só que a didática em sala de aula exige muito mais que uma abordagem conteudista exige a conquista da atenção, a percepção, memória, as diversas formas de apreender de cada aluno, dialogar com os conhecimentos pré existentes com uma educação humana com afetos, interação social, desenvolvimento de múltiplas linguagens matemáticas, artísticas...

 

E mais importante, a didática não se restringe a sala de aula é preciso lidar com as questões sociais, econômicas, ecológicas para lidar com as violências, desigualdades, processos de alfabetização, letramentos, vários tipos de aprendizagem entre outros.



Quando Spinoza escreveu “Ética demonstrada à maneira dos geômetras” ele aprendeu com a natureza e a espiritualidade usando uma linguagem matemática. Como se deu o desenvolvimento do pensamento matemático de Spinoza? que é considerado um dos filósofos mais importantes para a ciência e a arte. Como a linguagem matemática nos ensina a pensar e criar? É um elemento central da didática através do qual busco mudar a sala de aula.Sem o cálculo não haveria celulares nem GPS. Não teríamos desvendado o DNA nem criado o coquetel que neutralizou a Aids. Não conseguiríamos armazenar milhares de músicas num aparelho que cabe na palma da mão. Os astronautas não teriam acertado o caminho até a lua. Voltamos aos gregos e aos primeiros lampejos do que seria essa linguagem misteriosa e maravilhosa. 



Outro elemento é Jung  que escreveu para Freud “A razão de existir mal no mundo é que as pessoas não são capazes de contar sua história” As crianças e os jovens precisam falar sobre as violências que sofrem por isso precisamos escutá-las. Afetos são necessários em nossa didática como caminhos de autonomia e aprendizagem. Esse princípio ético deveria ser parte do ensino da religião para outras escolas possíveis. Quantas violências sofridas em casa e na comunidade onde moram entram na sala de aula? As desigualdades traduzidas em matemáticas impactam a educação, mas porque queremos falar de notas sem essas métricas? Nós podemos integrar tudo isso em uma pedagogia de projetos, acompanhar a aprendizagem com registros e documentação pedagógica, aprender com o cálculo a dividir os problemas em parte e integrar as soluções tendo a ética como caminho e a arte como expressão.



Estava chovendo quando escrevia essas palavras na casa dos meus alunos, derrubando seus lares, suas famílias, sua alfabetização, educação, suas escolas, suas vidas. Em outras épocas seus corpos eram crucificados, outros morreram em câmaras de gás, hoje seus próprios lares e escolas matam milhões em vida ao lhe negarem o mínimo para apreender. Muitos se omitem e se calam, mas falam em tragédias em outros países ou fascismos políticos em nosso Brasil. Muitos falam em Pedagogia da autonomia, indignação e amorosidade sem vivê-las, em momentos difíceis se calam e se omitem. Poucos que lutam, se revoltam, sentem na pele e denunciam a opressão na escola como Freire fez são criticados pelos capitães do mato que se rendem ao sistema. A fibra ética e coragem não se ensina pelos livros e a escola grita por repensar a didática, a sala de aula, a luta dos professores. 


 

Portanto, repensar a didática e a sala de aula é refundar a escola numa perspectiva freiriana emancipatória, solidária com consciência crítica social e ecológica. Não numa perspectiva da de fazer o L de Lemann, Itaú...Não numa perspectiva de uma razão instrumental mas da experiência: o que nos passa, o que nos acontece, o que nos toca. Pensar a educação: a partir da experiência, do sentido. Uma pedagogia de projetos de vidas e lutas. Não é como papagaios repetir palavras.


 


“Uma sociedade constituída sob o signo da informação é uma

sociedade na qual a experiência é impossível. [...] a obsessão pela

opinião também anula nossas possibilidades de experiência, também

faz com que nada nos aconteça”. (BONDÍA, 2002, p. 22)


 

Ao sujeito do estímulo, da vivência pontual, tudo o atravessa, tudo oexcita, tudo o agita, tudo choca, mas nada lhe acontece. Por isso a velocidade e o que ela provoca, falta de silêncio e de memória, são também inimigas mortais da experiência (p. 23). Na escola: currículo organizado em pacotes cada vez mais numerosos e curtos. Os processos educacionais escolares, pouco contribuem para que os estudantes possam se situar como sujeitos da experiência. Me parece que temos formado professores assim.

 


Ações educacionais (re)fundamentadas sob o prisma freiriano situam-se como importantes instâncias de insurgência e resistência à perspectiva educacional instrumental.


• Ao reduzir a educação à formação para o mercado de trabalho, a perspectiva instrumental, denominada por Freire de educação bancária (1981), assume um caráter funcionalista, impositivo, conforme às demandas mercantis, com acento nos conteúdos de ensino e em processos formativos planificados.


• Na vertente radicalmente oposta à perspectiva instrumental, (re)fundamentar as ações educacionais com base nos pressupostos ontológicos e epistemológicos de Paulo Freire significa militar em prol do fortalecimento da perspectiva educacional autoral, culturalista, emancipadora e solidária. Significa ir ao encontro da conscientização, por meio da pedagogia situada, da educação dialógica, que pensa a aprendizagem a partir das condições reais de cada grupo e concebe a linguagem como prática social.


• Práticas educacionais (re)fundamentadas sob o prisma freireano são potentes para empoderar os sujeitos sociais para as necessárias insurgências e resistências, no atual momento da educação brasileira.

 

Pesce e Bruno (2022, p. 16)

 



quarta-feira, 8 de março de 2023

LIVRO Vida e morte do grande sistema escolar americano: Como os testes padronizados e o modelo de mercado ameaçam a educação



 Resenha da Editora

Um apelo passional pela preservação e renovação da educação pública. O livro Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Americano é uma mudança radical de perspectiva, escrito por uma das mais conhecidas especialistas em educação dos EUA. Diane Ravitch – ex-secretária-assistente de educação e líder do movimento para a criação de um currículo nacional – examina a sua carreira na reforma educacional e repudia posições que ela anteriormente defendeu firmemente. Baseando-se em 40 anos de pesquisa e experiência, Ravitch critica as ideias mais populares de hoje para reestruturar as escolas, incluindo privatização, testes padronizados, responsabilização punitiva e multiplicação irresponsável de escolas autônomas. Ela demonstra conclusivamente por que o modelo empresarial não é uma forma apropriada de melhorar as escolas. Usando exemplos de grandes cidades como Nova York, Philadelphia, Chicago, Denver e San Diego, Ravitch evidencia que a educação de hoje está em perigo. Ravitch inclui propostas claras para melhorar as escolas americanas: – deixe as decisões sobre as escolas para os educadores, não para os políticos ou empresários; – construa um currículo verdadeiramente nacional que estabeleça o que as crianças em cada série deveriam estar aprendendo; – espere que as escolas autônomas eduquem as crianças que precisam de mais ajuda, não que concorram com as escolas públicas; – pague um salário justo aos professores pelo seu trabalho, não um “salário por mérito” baseado em pontuações de testes profundamente falhos e não confiáveis; – encoraje o envolvimento familiar na educação logo a partir dos primeiros anos. Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Americano oferece mais do que apenas uma análise da situação atual do sistema educacional americano. É uma leitura fundamental para qualquer um interessado no futuro da educação americana.Confira a fanpage da Editora Sulina

 

Sobre o Autor

É professora e pesquisadora de educação na Universidade de Nova York e membro associado do Instituto Brookings. De 1991 a 1993, ela foi secretária-assistente de educação e conselheira do secretário de educação Lamar Alexander na administração do presidente George H. W. Bush. O presidente Clinton apontou-a para a Junta Nacional de Assessoramento Governamental, que supervisiona as testagens federais. Ela é autora e editora de mais de 20 livros, incluindo The Language Police e Left Back, e seus artigos apareceram em numerosas revistas e jornais. Nativa de Houston, Ravitch graduou-se nas escolas públicas de Houston, Wellesley College e Universidade de Colúmbia. Ela vive no Brooklyn, Nova York.

Pilotos de caça de Israel se negam a treinar em protesto crescente contra governo

 



Article information

  • Author, Tom Bateman
  • Role, Da BBC News em Jerusalém
  • 7 março 2023

Pilotos de caça de um esquadrão de elite da Força Aérea de Israel prometeram não comparecer ao seu treinamento, em um protesto sem precedentes contra o governo.

Quase todos os 40 pilotos reservistas do 69º Esquadrão se recusaram a participar de um exercício de treinamento de um dia nesta semana.

O protesto já é visto como um movimento político inédito, especialmente por ser organizado por alguns dos reservistas mais importantes para a estratégia militar de Israel.

É também um sinal da crescente oposição aos planos da coalizão nacionalista governista de reformular o sistema jurídico nacional. 

Um piloto que preferiu não se identificar disse ao site de notícias Ynet que a intenção do esquadrão é sinalizar "que não estaremos preparados para servir a um regime ditatorial".

 

Enquanto isso, a companhia aérea nacional El Al confirmou que conseguiu escalar uma tripulação para levar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e sua esposa à Itália para uma visita de Estado planejada para esta semana.

Segundo a imprensa local, os pilotos da empresa estavam se recusando a levar o casal como parte dos protestos.

E outro sinal da crescente preocupação entre a liderança militar de Israel, 10 ex-chefes da Força Aérea de Israel publicaram uma carta aberta pedindo a Netanyahu que "pare e encontre uma solução" para a crise, dado o nível de protesto entre pilotos e tripulações.

"Temos medo das consequências desses processos e do perigo sério e tangível que representa para a segurança nacional do Estado de Israel", disse a carta.

Tudo isso acontece ainda após outro protesto anunciado na semana passada por reservistas da unidade de inteligência de elite 8200, que também disseram que não compareceriam ao trabalho. 

Os reservistas de Israel são um componente-chave de suas forças militares, muitas vezes desempenhando funções de linha de frente e, no caso da força aérea, regularmente envolvidos em operações de combate. 

No fim de semana, Netanyahu se pronunciou sobre o caso postando em sua conta no Twitter uma foto em preto e branco de seus documentos militares, de quando foi recrutado em 1967.

 

Quando somos chamados para o serviço de reserva, sempre comparecemos. Somos uma nação", escreveu ele.

O ministro da Defesa, Yoav Gallant, também pediu que os reservistas compareçam ao serviço.

"Qualquer pedido de recusa prejudica o funcionamento das IDF [Forças de Defesa de Israel] e sua capacidade de realizar seu dever, disse ele.

Reformas polêmicas

Os protestos contra o governo não param de crescer desde que Netanyahu voltou ao poder no final do ano passado, liderando a coalizão nacionalista mais de direita da história de Israel e prometendo mudanças radicais no sistema legal do país. 

Entre as alterações propostas estão novas legislações que dariam ao governo controle total sobre a nomeação de juízes e, eventualmente, retirariam poderes da Suprema Corte.

A maioria dos juristas acredita que as reformas destruiriam a independência do Judiciário, enquanto figuras da oposição descrevem as propostas como uma tentativa de "golpe" do primeiro-ministro e sua coalizão.

Netanyahu também está sendo julgado por acusações de corrupção, que ele nega, e os oponentes afirmam que as reformas legais podem ajudar a protegê-lo da condenação.

As propostas provocaram algumas das maiores manifestações antigovernamentais da história de Israel, com cerca de 150 mil pessoas nas ruas de Tel Aviv e dezenas de milhares em protestos em outros lugares no último sábado.

Durante as manifestações da semana passada, as forças de segurança usaram bombas de efeito moral e canhões de água contra os manifestantes, depois que o ministro da Segurança Nacional de extrema-direita, Itamar Ben-Gvir, prometeu reprimir os "anarquistas" que bloquearam as estradas.

Netanyahu diz que as reformas foram pensadas para impedir que os tribunais ultrapassem seus poderes e que, ao votar em sua coalizão na última eleição, o povo teria aprovado as mudanças. 

Os reservistas da Força Aérea também estão preocupados que a conduta do novo governo linha-dura possa expô-los a processos pelo Tribunal Penal Internacional, já que não poderiam argumentar que há um Judiciário independente em Israel para investigar quaisquer irregularidades dentro de suas forças.

No entanto, organizações de direitos humanos e autoridades palestinas já rejeitam atualmente as investigações conduzidas por Israel sobre a conduta de suas forças, afirmando que são usadas apenas como fachada.

Ameaças de boicote por reservistas em Israel não são incomuns, mas a escala e a importância dos envolvidos é sem precedentes.

Os pilotos se somaram a reservistas de quase todas as unidades de combate ou inteligência de Israel que, nas últimas semanas, ameaçaram não servir se o governo insistir nas reformas controversas.

Segundo relatos, o chefe do Estado-Maior do Exército, tenente-general Herzi Halevi, teria falado com Netanyahu para alertá-lo que os protestos poderiam prejudicar as capacidades operacionais dos militares.

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c724p3z93n4o