Em resposta ao meu texto argumentando que a economia é política, alguém no Twitter/X perguntou retoricamente: o que há de político ou ideológico na lei da utilidade marginal decrescente ou na lei dos retornos à escala?
Essa questão reflete uma defesa comum da economia como uma ciência sem valores e não política, e é importante explicar por que essa defesa em si é política.
À primeira vista, essas leis podem parecer totalmente apolíticas. No entanto, elas moldam a lente através da qual estudamos a economia, e essa escolha de lente tem sérias implicações políticas.
A produção não é apenas uma questão de "eficiência", que a lei dos retornos enfatiza. Também é uma questão de classe, poder e relações sociais — dimensões que a economia dominante trata como secundárias ou fora de seu núcleo analítico.
Da mesma forma, o consumo não é apenas uma questão de preferências individuais de "utilidade" respondendo às quantidades, como enfatizado pela lei da utilidade marginal decrescente. Também está ligada à desigualdade, identidade e limites ecológicos — questões que, novamente, recebem atenção limitada na economia convencional.
Dessa forma, a economia dominante reflete prioridades políticas no que escolhe destacar e no que abstrai, muitas vezes recorrendo a um formalismo matemático simplificado para isso.
O que chama atenção não é apenas que essas prioridades raramente são reconhecidas nos livros de economia como tal, mas também que formas alternativas de entender a economia são frequentemente marginalizadas ou tratadas como não científicas.
É por isso que continuo dizendo que, hoje, estamos treinando economistas que podem construir modelos, mas que não realmente entendem a economia. https://lnkd.in/eJ6snPhy
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