SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

'As gangues, as armas e a batalha pelo Brasil': jornal britânico destaca protagonismo da violência de facções criminosas na eleição

 

Policiais fazem a segurança de um grupo de pessoas durante uma operação no Rio de Janeiro, Brasil, em 28 de outubro de 2025.
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Uma reportagem publicada pelo jornal britânico Financial Times nesta quinta-feira (15/10) retrata a crescente violência de facções criminosas no Brasil e aponta para o peso da segurança pública nas eleições presidenciais de 2026.

Segundo a publicação, "o medo e a raiva em relação ao crime organizado" marcaram uma série de eleições recentes na América Latina e o senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) espera que o mesmo aconteça nas urnas brasileiras.

"A percepção de que as autoridades brasileiras têm sido negligentes no combate aos grupos armados tem sido um dos principais motivos para o surgimento de um movimento populista de direita. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, está em posição privilegiada para vencer a eleição presidencial de 25 de outubro, após ter ficado em primeiro lugar no primeiro turno das eleições", diz a reportagem.

Intitulada "As gangues, as armas e a batalha pelo Brasil", a matéria descreve como facções criminosas e milícias passaram a exercer controle sobre parcelas significativas do território brasileiro, especialmente em comunidades urbanas do Rio de Janeiro, influenciando a vida cotidiana de milhões de pessoas e ampliando seu alcance para praticamente todo o país.

Os repórteres visitaram o Complexo da Penha, na zona norte do Rio, onde moradores relatam a presença constante de barricadas armadas operadas por integrantes do Comando Vermelho. Um deles, o professor de artes marciais Thiago Braga, afirma que a circulação na região passou a ser controlada por traficantes fortemente armados e que o Estado está, em grande medida, ausente. "Se os jovens na barricada são mortos, outros tomam seu lugar. É um processo sem fim", afirmou ao Financial Times.

Policiais durante operaçaõ em comunidade
Legenda da foto,Reportagem também relembra a maior e mais letal ação policial da história do Rio de Janeiro, realizada em 28 de outubro de 2025 nos complexos do Alemão e da Penha

O texto destaca que, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado e da Universidade Federal Fluminense, 31% do território do município do Rio está atualmente sob controle direto ou influência de grupos armados. Nessas áreas vivem quase 3 milhões de pessoas, o equivalente a mais de 40% da população da cidade. Ainda de acordo com a reportagem, o espaço dominado por essas organizações mais do que dobrou desde 2008.

"Poucos lugares na América Latina têm a mesma escala, diversidade e descaramento de comportamento de gangues como o Rio de Janeiro", diz o texto.

Mas o Financial Times afirma que o fenômeno deixou de ser um problema concentrado no Rio. Dados citados pelo jornal indicam que o Comando Vermelho já possui presença em 26 das 27 unidades federativas do país. O Primeiro Comando da Capital (PCC), principal grupo criminoso de São Paulo, também alcançou 26 Estados.

Especialistas ouvidos pela publicação avaliam que ambas as organizações já contam com mais integrantes do que alguns dos mais famosos cartéis da Colômbia e do México.

A reportagem também chama atenção para o avanço dessas organizações sobre a política.

"Em março, Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, foi preso e aguarda julgamento sob a acusação de atuar em favor do Comando Vermelho", cita o jornal.

Flávio e Trump na Casa Branca
Legenda da foto,Flávio Bolsonaro defendeu designação do PCC e do CV como organizações terroristas ao lado de Trump
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Ao abordar as propostas de Flávio Bolsonaro para a área de segurança, o FT destaca promessas de ampliar operações policiais e construir megapresídios para integrantes de facções, em linha com estratégias adotadas em outros países da região, como El Salvador.

A publicação observa, contudo, que diversos especialistas questionam a eficácia dessas medidas. Segundo eles, justamente dentro do sistema prisional surgiram organizações como o Comando Vermelho e o PCC, que posteriormente expandiram suas redes pelo país.

"Bolsonaro, carioca, promete operações policiais mais agressivas e megaprisões para membros de gangues. No entanto, críticos afirmam que isso é exatamente o que o Brasil vem fazendo nas últimas três décadas. O Rio já possui uma das maiores taxas de pessoas mortas pela polícia no mundo", diz o texto.

O FT também destaca a proximidade de Flávio Bolsonaro com o governo de Donald Trump, que defende uma resposta mais militarizada contra a violência de gangues na América Latina e cujo governo classificou o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.

"Para Lula, as pesquisas mostram que a segurança é um de seus pontos fracos. Para a frustração de muitos brasileiros mais pobres, uma ala da esquerda há muito minimiza a necessidade de confrontar grupos armados, argumentando que a redução da pobreza é a melhor maneira de resolver a violência urbana", diz a reportagem.

No entanto, o jornal britânico destaca que durante seu mandato atual, o governo federal lançou uma série de investigações sobre lavagem de dinheiro por gangues de tráfico de drogas.

"Os planos de Bolsonaro podem ter apelo popular, mas não foram bem recebidos por muitos dos especialistas que estudam a violência no Brasil. Eles enfatizam que o Comando Vermelho e o PCC foram fundados dentro de prisões e, desde então, têm usado o sistema para recrutar e construir redes nacionais", afirma o FT.

O jornal sugere ainda que, independentemente do vencedor da eleição presidencial brasileira, uma solução duradoura dependerá de o Estado recuperar o controle de territórios atualmente governados por facções e milícias.

"Na preparação para as Olimpíadas, o Rio tentou implementar um novo modelo que instalava quartéis da polícia em favelas e iniciava o patrulhamento da comunidade. Os níveis de violência caíram em muitas das favelas onde o programa foi implementado. No entanto, o programa, na prática, entrou em colapso em meio a uma grave crise econômica no Estado do Rio em 2016", diz.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Americanos vencem Nobel de Economia por modelo para entender decisões de famílias e empresas

 

Os economistas americanos Robert E. Hall e Michel Woodford
Legenda da foto,Os economistas americanos Robert E. Hall e Michel Woodford
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Os economistas americanos Robert E. Hall e Michael Woodford ganharam o Prêmio Nobel de Economia de 2026 por suas pesquisas sobre os fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica, anunciou nesta segunda-feira (12/10) a Real Academia Sueca de Ciências.

O prêmio reconhece suas contribuições para o estudo de como as políticas monetária e fiscal podem ajudar a estabilizar as oscilações da economia.

"O trabalho dos laureados nos proporcionou uma base teórica sólida para os modelos que agora são utilizados por bancos centrais e governos de todo o mundo", afirmou John Hassler, presidente do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas.

"Graças a eles, estamos mais bem preparados para enfrentar crises econômicas, como crises energéticas ou mudanças repentinas no consumo das famílias", acrescentou.

Em entrevista coletiva de imprensa, Woodford disse por telefone que era "uma enorme honra" receber o prêmio.

"É uma surpresa, mas me sinto muito bem em relação a isso", acrescentou.

'Suavizar os altos e baixos da economia'

Autoridades do Prêmio Nobel de Economia de 2026 durante uma coletiva de imprensa na Real Academia Sueca de Ciências, em Estocolmo. Três representantes estão sentados a uma mesa, enquanto uma tela atrás deles exibe imagens dos dois laureados.
Legenda da foto,Segundo a Academia, Hall e Woodford ajudaram a compreender como as decisões das famílias e das empresas influenciam a economia como um todo

Hall nasceu em 1943, na Califórnia, e é professor da Universidade Stanford. Woodford nasceu em 1955, em Massachusetts, e é professor de Economia Política na Universidade Columbia.

Eles dividirão em partes iguais um prêmio total de 12 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,2 milhão ou cerca R$ 6 milhões).

Em comunicado, a Academia afirmou que "os premiados nos ajudaram a suavizar os altos e baixos da economia".

Em vez de basear os modelos econômicos apenas em relações estatísticas entre variáveis como inflação, produção e consumo, Hall e Woodford apostaram em uma abordagem microeconômica, focada em compreender como as decisões das famílias e das empresas influenciam a economia como um todo.

Um elemento fundamental desses modelos é que tanto as famílias quanto as empresas levam em conta suas expectativas sobre o futuro ao tomar decisões, como quanto poupar ou quais preços definir para seus produtos.

A premiação — cujo nome oficial é Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel — é dada todos os anos a pesquisadores que contribuem para o avanço da ciência econômica.

No ano passado, Joel Mokyr, Philippe Aghion e Peter Howitt dividiram o prêmio por suas pesquisas sobre como a inovação impulsiona o crescimento econômico sustentado.

Desde sua criação, em 1969, um total de 101 pessoas recebeu o Nobel de Economia. Apenas três mulheres foram agraciadas.

domingo, 11 de outubro de 2026

SEGUNDA TENTATIVA DE GOLPE NO BRASIL. AGORA NO TSE.

 



Eles estão roubando o Brasil pela segunda vez

Em 25 de outubro de 2026, o Brasil vai às urnas no segundo turno da eleição presidencial. Lula virou o jogo do primeiro turno, ultrapassando Flávio Bolsonaro em engajamento nas redes sociais, com o maior número de interações diárias já registrado entre os dois candidatos. Mas enquanto o impulso de Lula cresce, um golpe mais silencioso e mais sinistro do que o de 2022 está em curso — não precisa mais de tanques nas ruas, ele se consuma nos tribunais, nos algoritmos e na diplomacia.

O golpe "legal" nos tribunais

Em maio de 2026, dois juízes nomeados por Bolsonaro — Cássio Nunes Marques e André Mendonça — assumiram a presidência e a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É a primeira vez na história de um ano eleitoral que dois juízes bolsonaristas comandam o TSE. Nunes Marques é conhecido pelo "não-intervencionismo", pela "baixa disposição" para sancionar desinformação eleitoral e por enfatizar a "liberdade de expressão".

Isso não é neutralidade. É premeditação.

Em 8 de outubro, Nunes Marques e Mendonça fizeram algo sem precedentes: mandaram remover posts de Lula e de seus aliados nas redes sociais. O motivo: o lado de Lula teria "apresentado como fato certo consequências políticas futuras", ultrapassando "os limites da crítica política". Mendonça chegou a citar o plano de governo de Flávio como "prova" de que as críticas de Lula "carecem de base factual".

Isso é censura pura. Um juiz nomeado por Bolsonaro usa o documento de campanha de Flávio para decidir que o discurso de campanha de Lula é "ilegal". O TSE deixou de ser árbitro da eleição para se tornar tribunal privado da família Bolsonaro.

A Meta está ajudando eles.

A campanha de Lula já recorreu ao TSE alegando que a Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp) está suprimindo sistematicamente o conteúdo de campanha de Lula. Os atos incluem: bloquear a promoção de posts do perfil oficial de Lula no Instagram, interromper a contagem de visualizações e fazer contas de Lula e de líderes de esquerda desaparecerem repentinamente da busca do Instagram antes do primeiro turno.

Enquanto isso, Flávio liderou o primeiro turno com 47,03%. O TSE deu 48 horas para a Meta explicar a "supressão algorítmica seletiva" e investiga 255 contas falsas geradas por IA — que somaram cerca de 58 milhões de visualizações, atacando Lula e a primeira-dama Janja.

A "falha técnica" da Meta só acontece com uma pessoa. Conveniente demais.

A "guerra híbrida" de Trump

O diretor externo de tudo isso é a Casa Branca.

O sistema de inteligência brasileiro (Sisbin) emitiu alerta: o governo Trump fechou a embaixada e os consulados dos EUA no Brasil, com o nome de "razões de segurança", mas na prática é uma operação de "guerra psicológica" coordenada com a campanha de Flávio. A fonte da inteligência chama a ação de "Operação Tio Sam II", referência direta ao codinome "Operação Brother Sam" da intervenção americana no golpe de 1964 no Brasil.

A lógica estratégica é de uma clareza revoltante: criar pânico, fazer o eleitor ficar em casa, reduzir a abstenção... e deixar Flávio vencer com baixa participação. Nas palavras de um agente de inteligência: "As pessoas vão sentir medo, e com medo ou votam no outro, ou simplesmente não votam."

Mais revoltante ainda: 12 congressistas democratas americanos enviaram carta ao secretário de Estado Marco Rubio questionando por que o governo Trump revogou o visto do embaixador do Brasil nos EUA, porque sancionou ministros do Supremo brasileiro e porque se comunica diretamente com a família Bolsonaro. A coordenação entre a família Bolsonaro e o governo Trump para intervir na eleição brasileira já é segredo de polichinelo.

Eles mesmos admitiram

Em 7 de outubro, o presidente do PL, partido de Flávio, Valdemar da Costa Neto, disse algo estarrecedor em entrevista:

"Eles discutiram dar um golpe, mas não deram. E daí?"

Ele foi além: "Você pode planejar um assassinato; se não matou de fato, não é crime."

Isso é o reconhecimento direto da trama golpista de 2022. Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar organização criminosa, tentar abolir violentamente o Estado Democrático de Direito e dar um golpe. O presidente do partido dele agora diz publicamente que planejar um golpe não é crime.

E quando perguntado se Flávio, se eleito, poderia tentar um novo golpe, a resposta de Valdemar foi: "Quem sabe. Pode ser."

Eles não escondem mais. Sabem que basta vencer a eleição para anistiar tudo. Flávio já prometeu "pressionar pela anistia ainda no período de transição" e, se o Congresso não aprovar, usar o poder de indulto presidencial. Prometeu "nomear cinco ministros do Supremo" e ameaçou: "Alexandre de Moraes vai cair" — o juiz que condenou seu pai.

五、Isso não é eleição, é cobertura

Escrevendo isto, minhas mãos tremem.

Não de medo, de raiva. O povo brasileiro já viu esse filme. Em 2022, apoiadores de Bolsonaro invadiram o Congresso, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal, tentando derrubar o resultado da eleição pela violência. Em 2026, mudaram de método: usam a própria eleição para destruir a democracia.

Nos tribunais, juízes nomeados por Bolsonaro removem posts de Lula e protegem as mentiras de Flávio.

Nas telas, a Meta esconde Lula com algoritmos e empurra Flávio para cima.

Fora do país, Trump usa embaixada e consulados para criar pânico, em coordenação com uma guerra psicológica.

Dentro do partido, o presidente do PL diz que planejar um golpe "e daí?".

Isso não é disputa entre esquerda e direita. É disputa entre democracia e facção criminosa. A família Bolsonaro não é adversária política: é uma organização criminosa condenada que usa a eleição como ferramenta para concluir o que não conseguiu pela violência: matar a democracia brasileira.

A virada de Lula nas redes após o primeiro turno provou uma coisa: quando a voz do povo pode circular, eles não ganham. Por isso querem calar Lula. Por isso querem te dar medo. Por isso querem que você duvide do sentido do voto.

O mundo precisa falar 

A democracia brasileira não é assunto só do Brasil. 

Quando o governo Trump interfere abertamente na eleição brasileira, quando a Meta ajuda uma facção criminosa a suprimir um candidato, quando o filho de um conspirador golpista condenado promete anistiar todos os cúmplices — isso não é assunto interno do Brasil, é um ataque frontal à ordem democrática global. 

Nós exigimos: 

A comunidade internacional precisa condenar a interferência do governo Trump na eleição brasileira. Doze congressistas democratas já questionaram, mas está longe de ser suficiente. Todo país que diz defender a democracia precisa se pronunciar.

A Meta precisa ser responsabilizada. O que ela faz no Brasil não é "falha técnica", é manipulação sistemática contra a democracia. Reguladores globais precisam investigar. 

O povo brasileiro precisa saber a verdade. Compartilhe. Mostre a cada brasileiro: alguém está roubando seu voto, alguém está apagando sua voz, alguém está usando o medo para te deixar em casa. 

Em 25 de outubro, vá votar. Calar-se no medo é ajudar eles a vencer. 

 A democracia não morre num único golpe. Ela morre aos poucos: numa decisão judicial, no rebaixamento de um algoritmo, no fechamento de uma embaixada estrangeira, num "e daí?". 

Não a deixe morrer.