SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 5 de julho de 2026

A confiança de Erling Haaland e o possível peso psicológico carregado pelo Brasil! Por Egidio Guerra

 

Brasil 1 x 2 Noruega: uma derrota que expõe questões muito maiores do que o futebol

A eliminação da Seleção Brasileira diante da Noruega por 2 a 1, nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, ficará marcada como uma das derrotas mais dolorosas da história recente do futebol brasileiro. A Noruega, liderada por Erling Haaland, mostrou organização coletiva, confiança e eficiência, enquanto o Brasil voltou a apresentar dificuldades emocionais e táticas em um jogo decisivo. Haaland marcou os dois gols da classificação norueguesa, enquanto o Brasil desperdiçou um pênalti no primeiro tempo e só diminuiu nos acréscimos.

A derrota não pode ser atribuída apenas a um jogador, a um treinador ou a um lance específico. Ela representa um conjunto de fatores que envolvem preparação psicológica, modelo de jogo, formação de atletas e, em sentido mais amplo, diferenças estruturais entre sociedades.

1. A confiança de Erling Haaland e o possível peso psicológico carregado pelo Brasil

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Erling Haaland entrou em campo transmitindo aquilo que psicólogos do esporte chamam de autoeficácia, conceito desenvolvido pelo psicólogo Albert Bandura. A autoeficácia é a crença de que se é capaz de executar uma tarefa com sucesso. Quanto maior essa crença, maior tende a ser a capacidade de enfrentar situações de pressão.

Haaland demonstrou exatamente esse perfil. Em nenhum momento pareceu intimidado pela camisa brasileira. Pelo contrário, procurou constantemente o confronto com os zagueiros, atacou os espaços e aproveitou as oportunidades decisivas. Sua postura transmitia segurança não apenas para si, mas para toda a equipe norueguesa.

Do lado brasileiro, é possível levantar uma hipótese diferente. Desde 2006, o Brasil acumula eliminações traumáticas em momentos decisivos:

  • 2006 – França
  • 2010 – Holanda
  • 2014 – Alemanha (7 x 1)
  • 2018 – Bélgica
  • 2022 – Croácia
  • 2026 – Noruega

Cada eliminação cria uma narrativa de fracasso que aumenta a pressão sobre as gerações seguintes. Não significa que exista um "trauma clínico" coletivo, mas há amplo consenso na psicologia do esporte de que experiências negativas repetidas podem influenciar a confiança, a tomada de decisão e a ansiedade competitiva.

Autores como Daniel Kahneman demonstram que seres humanos tendem a sentir o peso das perdas com intensidade maior do que o prazer das vitórias. Em decisões sob pressão, isso pode favorecer escolhas conservadoras.

No futebol, isso pode significar:

  • menos ousadia;
  • mais passes para trás;
  • menor agressividade ofensiva;
  • receio de errar.

É impossível provar que esse foi exatamente o motivo da derrota, mas o comportamento observado em diversas eliminações brasileiras é compatível com uma equipe que, em momentos decisivos, passa a administrar riscos em vez de criar vantagens.


2. Educação, saúde, economia e o desenvolvimento esportivo

À primeira vista, pode parecer exagero relacionar futebol com políticas públicas. Entretanto, o esporte de alto rendimento é consequência direta do desenvolvimento humano.

A Noruega figura há anos entre os países com maior índice de desenvolvimento humano do planeta. Seus indicadores incluem:

  • educação pública de elevada qualidade;
  • sistema universal de saúde;
  • baixo índice de pobreza;
  • elevada renda per capita;
  • menor desigualdade social.

Essas condições oferecem às crianças um ambiente mais estável para o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional.

Já o Brasil possui enorme potencial esportivo, mas enfrenta desafios históricos relacionados à desigualdade social, violência, educação desigual e acesso limitado ao esporte organizado em muitas regiões.

Isso produz diferenças importantes.

Enquanto muitas crianças norueguesas treinam em ambientes estruturados, com acompanhamento médico, nutricional e psicológico desde cedo, inúmeras crianças brasileiras dependem do talento individual para superar dificuldades sociais.

Curiosamente, o Brasil continua revelando jogadores extraordinários justamente apesar dessas dificuldades.

Isso demonstra que talento nunca foi o problema.

O desafio é transformar talentos individuais em excelência coletiva.


3. Quando o coletivo potencializa o craque

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Existe uma característica comum entre as grandes seleções atuais.

O coletivo trabalha para potencializar seu principal atacante.

Na Noruega:

  • o sistema procura Haaland constantemente.

Na Argentina:

  • durante anos a equipe foi reorganizada para favorecer Lionel Messi.

Em Portugal:

  • muitos movimentos ofensivos procuram Cristiano Ronaldo.

Na França:

  • a velocidade e profundidade favorecem Kylian Mbappé.

No Brasil, porém, muitas vezes ocorre o contrário.

Mesmo tendo Vinícius Júnior como um dos jogadores mais desequilibrantes do mundo, a Seleção frequentemente não consegue reproduzir o ambiente que ele encontra em seu clube.

Sua principal característica é atacar espaços em velocidade.

No entanto, durante boa parte do jogo contra a Noruega, o Brasil encontrou poucos momentos para explorar exatamente esse tipo de situação.

Da mesma forma, o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães no primeiro tempo foi um momento decisivo da partida. Depois disso, o Brasil perdeu confiança, enquanto a Noruega cresceu emocionalmente.


4. O recuo da Seleção Brasileira

Uma das críticas mais recorrentes após o jogo foi o comportamento da equipe.

Historicamente, o futebol brasileiro sempre foi associado a:

  • pressão ofensiva;
  • criatividade;
  • drible;
  • imposição técnica.

Contra a Noruega, em vários momentos, a equipe recuou, diminuiu a intensidade da marcação alta e permitiu que os noruegueses administrassem o ritmo até encontrarem Haaland em situações favoráveis. Analistas também destacaram uma postura mais cautelosa da equipe.

Esse comportamento contrasta com o estilo que tornou o Brasil pentacampeão.

Não significa que atacar sempre seja a melhor estratégia.

Mas uma seleção historicamente conhecida por assumir o protagonismo pareceu, em vários momentos, aceitar o papel de esperar o adversário.


5. Por que os jogadores brilham nos clubes e não repetem o desempenho na Seleção?

Essa é uma das maiores questões do futebol brasileiro.

Nos clubes europeus:

  • treinam diariamente;
  • possuem modelos táticos consolidados;
  • repetem movimentos centenas de vezes;
  • convivem anos com os mesmos companheiros.

Na seleção nacional ocorre o oposto.

Os atletas se apresentam poucas vezes ao ano.

Há pouco tempo para treinos.

Mudanças frequentes de treinadores dificultam a construção de identidade tática.

Além disso, o ambiente emocional é completamente diferente.

Enquanto no clube o erro faz parte da temporada, na Copa do Mundo um único erro pode significar quatro anos de espera.

Esse contexto aumenta a ansiedade competitiva, tema amplamente estudado por psicólogos do esporte como Rainer Martens.


Conclusão

A eliminação para a Noruega não pode ser reduzida à atuação brilhante de Haaland nem explicada apenas por falhas individuais brasileiras. Ela evidencia um conjunto de fatores: uma Noruega que jogou com confiança, organização e um plano coletivo voltado a potencializar seu principal atacante, frente a um Brasil que desperdiçou oportunidades, perdeu um pênalti decisivo e mostrou dificuldades para manter intensidade e convicção ao longo do jogo.

Também seria simplista afirmar que diferenças em educação, saúde e economia determinam diretamente resultados esportivos. Esses fatores influenciam a formação de atletas ao criar ambientes mais ou menos favoráveis ao desenvolvimento humano, mas não explicam sozinhos o desempenho de uma seleção. O Brasil continua produzindo alguns dos melhores jogadores do mundo, o que indica que o talento individual permanece abundante.

O grande desafio parece estar em transformar esse talento em um projeto coletivo consistente. As seleções campeãs costumam combinar organização tática, estabilidade de trabalho, preparação psicológica e um modelo de jogo que potencializa seus principais atletas. Para o Brasil voltar ao topo, talvez seja necessário investir não apenas em técnica, mas também em continuidade, identidade e preparação mental para que a equipe recupere a confiança nos momentos decisivos e volte a jogar com a personalidade que historicamente caracterizou o futebol brasileiro.

sábado, 4 de julho de 2026

 

Orlando Gill, o goleiro que vendeu o próprio uniforme para salvar o filho e se tornou herói do Paraguai na Copa do Mundo

Orlando Gill posa para foto com troféu de melhor jogador

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Gill foi eleito o melhor jogador da partida entre Paraguai e Alemanha
    • Author,Ben Collins
    • Role,BBC Sport
  • Published
  • Tempo de leitura: 4 min

O goleiro paraguaio Orlando Gill passou por momentos muito difíceis, mas agora se tornou o herói do Paraguai na Copa do Mundo 2026.

Com seus quase 2 metros de altura, ele defendeu dois pênaltis e garantiu a vitória por 4 a 3 nas cobranças sobre a Alemanha — após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar —, classificando a seleção paraguaia para as oitavas de final.

Aos 26 anos, Gill tem sido um dos grandes destaques entre os goleiros deste Mundial. Mas, poucos meses atrás, era praticamente um desconhecido.

Até janeiro de 2025, ele havia disputado apenas três partidas pela equipe principal do San Lorenzo, da Argentina.

Menos de quatro anos antes, chegou a vender o próprio uniforme para sustentar a esposa e o filho, que enfrentou complicações de saúde após nascer prematuro.

Um herói dentro de casa

Orlando Gill pulando para defender pênalti

Crédito,Reuters

Legenda da foto,Orlando Gill defendeu dois pênaltis na vitória do Paraguai sobre a Alemanha nas oitavas de final

Gill passou pelas categorias de base dos clubes paraguaios Club 13 de Junio e CS San Lorenzo.

No início de 2019, foi convocado para defender a seleção paraguaia no Campeonato Sul-Americano Sub-20. E estreou na equipe principal do San Lorenzo em setembro de 2020.

Ele havia disputado apenas duas partidas como profissional quando sua esposa, Melissa Ávalos — com quem se casou em janeiro de 2021 — engravidou em 2022

O nascimento do filho era esperado para 31 de dezembro de 2022. No entanto, devido a complicações de saúde, Melissa precisou ser internada, e os médicos induziram o parto em 7 de dezembro.

Mas o bebê, chamado Lautaro, só nasceu no dia seguinte. Devido a graves complicações, Melissa precisou passar por uma cirurgia de emergência, enquanto o recém-nascido permaneceu internado na UTI.

A família conseguiu voltar para casa a tempo do Natal, mas passava por dificuldades financeiras.

"Não tínhamos nada, e o Orlando vendeu as roupas do clube em que jogava na época para conseguir pagar as despesas", escreveu Melissa no Instagram no ano passado.

Ela também relatou o esforço do goleiro para sustentar a família durante aquele período.

"Nosso filho lutou pela vida, e o pai dele esteve sempre ao nosso lado. Vendeu tudo: vendeu a camisa da seleção sub-20, que nem pôde guardar de lembrança, vendeu suas roupas, seus tênis. Literalmente vendeu tudo", contou.

Um herói em campo

Cerca de um ano após o nascimento do filho, e depois de ter disputado apenas duas partidas como profissional, Gill recebeu a oportunidade que mudaria sua carreira.

O San Lorenzo de Almagro, da Argentina, apostou no goleiro e o contratou por empréstimo.

Ele encerrou 2024 entre os reservas e só se firmou como titular do time principal em 2025. O desempenho chamou a atenção do técnico da seleção paraguaia, Gustavo Alfaro.

Após ser convocado nas datas Fifa de março e junho, e com o Paraguai já classificado para a Copa do Mundo, Gill estreou pela seleção principal na última partida das Eliminatórias, contra o Peru, em setembro.

A partir daí, disputou cinco amistosos e conquistou a vaga de titular para o Mundial.

Orlando Gill defendendo um pênalti

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Até o início de 2025, Gill nunca havia sido convocado para a seleção principal do Paraguai. Agora, é um dos jogadores mais importantes da equipe

A estreia de Gill em Copas do Mundo começou com um tropeço: o Paraguai foi goleado por 4 a 1 pelos Estados Unidos, um dos países-sede do torneio.

Desde então, porém, o goleiro sofreu apenas um gol em três partidas — incluindo a prorrogação contra a Alemanha — e defendeu 16 dos 17 chutes que foram na direção do gol.

Na disputa de pênaltis que garantiu a classificação paraguaia, Gill fez duas grandes defesas e foi eleito pela Fifa o melhor jogador da partida.

O prêmio foi dedicado à família, especialmente ao sobrinho Alexander, que, segundo o goleiro, está internado no Paraguai.

Depois de ver o próprio filho sobreviver a um parto repleto de complicações, Gill agora tenta transmitir força ao sobrinho enquanto segue escrevendo, ao lado da seleção paraguaia, uma das histórias mais improváveis desta Copa do Mundo.

"Esta classificação é para um sobrinho meu que está passando por um momento muito difícil e está internado. Espero que ele melhore logo. Eu prometi que, se fosse eleito o melhor em campo, dedicaria esta classificação a ele", afirmou o jovem goleiro.

Mãos fracas e visão turva: estamos ficando com 'corpo de celular'?

 

Ilustração mostrando uma pessoa olhando para baixo em direção ao celular, sobreposta a uma imagem de raio X na mesma posição

Crédito,BBC/Serenity Strull/Getty Images

    • Author,Thomas Germain
    • Role,BBC Future
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  • Tempo de leitura: 7 min

Nossas preocupações com os possíveis efeitos do tempo que passamos em frente às telas normalmente se concentram na nossa mente.

Mas, recentemente, observei um pequeno calo no meu dedo mínimo, exatamente no ponto onde apoio meu telefone celular. Isso me levou a imaginar o que o aparelho estaria causando para o resto do meu corpo.

Conversei com alguns especialistas para descobrir. E a resposta não é promissora, como você já deve estar adivinhando.

As recentes descobertas da ciência indicam que os nossos celulares e seus parceiros digitais podem alterar o formato do pescoço, prejudicar a visão, afetar a capacidade motora e reduzir a força muscular dos seus usuários.

As pessoas chegam a recear que a tecnologia que dirige nossas vidas possa causar aumento das rugas e que alguns desses problemas físicos talvez gerem declínios cognitivos e outros problemas mais sérios.

Não sei o que você pensa a respeito, mas eu não estou disposto a ficar simplesmente sentado assistindo (até porque o tempo que passamos sentados também é parte do problema).

Felizmente, existem algumas medidas que podemos tomar para evitar que a tecnologia prejudique o nosso corpo.

Deformação da espinha

Se você estiver lendo esta reportagem em um telefone celular, provavelmente está inclinando sua cabeça para olhar para baixo.

Esta "postura da cabeça para frente" pode colocar até 27 kg de pressão sobre o pescoço.

Ao longo do tempo, ela pode prejudicar os discos da espinha, degenerar as juntas e os músculos e até reduzir a nossa capacidade pulmonar.

Esta condição já tem um nome: "pescoço tecnológico". E pode alterar permanentemente a aparência do nosso corpo.

Exercícios específicos com orientação médica podem ajudar a corrigir o problema. Mas existem mudanças mais simples que podemos tomar de imediato, como segurar o celular em um ponto mais alto.

Posicione a tela do aparelho no nível dos olhos, idealmente à distância de um braço em relação ao rosto. O mesmo conselho se aplica aos monitores de computador.

Especialistas afirmam que intervalos de tempo de tela podem ajudar. Tente parar por 20 minutos a cada meia hora.

Pele irritada e rugas no pescoço?

Surgiu recentemente uma nova preocupação: o pescoço tecnológico causa rugas?

"Teoricamente, faz sentido", segundo a dermatologista Justine Hextall, do Colégio Real de Medicina do Reino Unido.

O estresse repetitivo causa rugas. Por isso, inclinar-se para frente e dobrar o pescoço todo o tempo pode ser um problema, segundo ela.

Mas não existem bons estudos comprovando esta relação, explica Hextall. Ela não recomenda usar os produtos para a pele anunciados na internet como sendo especiais para o "pescoço tecnológico".

Existem outros problemas de pele preocupantes, especialmente entre os usuários de smartwatches (relógios inteligentes) que nunca tiram o dispositivo do pulso.

"Um ambiente escuro e úmido [como a área embaixo do relógio] é ótimo para criar fungos", segundo ela. "Por isso, você pode sofrer irritações ou até eczema."

O relógio também pode danificar a barreira da pele. Por isso, Hextall afirma que ele pode gerar sensibilidade a alguns dos ingredientes dos produtos tecnológicos, como níquel, borracha, látex e um grupo de substâncias conhecidas como acrilatos.

Aqui, a solução é simples: tire o smartwatch do pulso com mais frequência e lave a pele. A dermatologista também recomenda usar um creme de barreira, se você for usar o relógio o dia inteiro.

Prejuízos à visão

incidência de miopia vem disparando há décadas. E, se considerarmos o que terá mudado na nossa vida durante período, é fácil apontar a tecnologia como sendo a culpada.

Talvez seja verdade, mas não da forma como pensamos, segundo o professor de optometria Donald Mutti, da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos.

"Fizemos um estudo longitudinal por mais de 20 anos do desenvolvimento dos olhos das crianças, examinando fatores de risco para o surgimento e progressão da miopia", explica Mutti.

Uma questão fundamental foi se há ou não conexão entre a miopia e o "trabalho de perto" — tarefas que mantêm você concentrado em algo que está perto do seu rosto, como o celular.

"A resposta foi 'não exatamente'", segundo o professor. Mas o estudo descobriu outro motivo: o tempo passado fora de casa parece ter efeito protetor.

"A ideia é que a luz brilhante dos ambientes externos estimula a liberação de dopamina da retina", explica Mutti. E, aparentemente, este processo pode afetar o desenvolvimento dos olhos.

Mulher jovem de óculos escuros e cabelos esvoaçantes em ambiente externo, em dia de sol

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,A luz brilhante dos ambientes externos estimula a liberação de dopamina da retina, o que pode afetar o desenvolvimento dos olhos

A tecnologia faz parte de uma mudança global que nos leva a passar mais tempo em ambientes internos. Por isso, Mutti acredita que os aparelhos eletrônicos podem causar efeitos negativos indiretos à nossa visão.

Aqui, a solução é simples, segundo ele. Precisamos apenas passar mais tempo em ambientes externos.

Além de ser bom para os olhos, pode nos ajudar a dormir melhor. Basta usar protetor solar e óculos escuros, para evitar os efeitos prejudiciais da luz do Sol.

Enfraquecimento das mãos

Os cientistas consideram cada vez mais a força de aperto das mãos como um indicador da saúde geral das pessoas.

Um estudo concluiu que este fator prevê a morte precoce melhor do que a pressão arterial. E a força das mãos está em declínio em muitos países, especialmente entre os mais jovens.

"O declínio geracional não é uma simples questão de mãos mais fracas. Ele pode ser um alerta precoce sobre a saúde futura dos grupos mais jovens", explica o professor de sociologia médica Johannes Beller, da Universidade Médica de Lausitz, na Alemanha.

"Existe uma preocupação razoável de que a mudança para o trabalho sedentário junto ao computador colabore com o declínio das condições físicas", segundo ele. E é plausível que também haja efeitos sobre a força de aperto das mãos.

Mão segura firmemente uma bola de tênis amarela, em frente a uma folhagem

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os cientistas consideram cada vez mais a força de aperto das mãos como indicador da saúde geral das pessoas

Você deve ser capaz de apertar uma bola de tênis ao máximo possível e manter o aperto por 15 a 30 segundos. Se não conseguir, existem exercícios que podem melhorar sua condição girando os pulsos, como ensina outra reportagem da BBC.

Mas a questão não é apenas aumentar a força de aperto das mãos, mas sim melhorar as condições físicas como um todo. Ou seja, neste caso, dê um pulo na academia.

Coordenação entre as mãos e os olhos

Aparentemente, a tecnologia também afeta as habilidades motoras, que conectam a mente e o corpo para gerar movimentos precisos.

Ela pode melhorar suas habilidades de clicar e deslizar, como diz o professor de psicologia do desenvolvimento e educação Sebastian Suggate, da Universidade de Regensburg, na Alemanha.

"Mas, se você examinar o desenvolvimento da coordenação motora como um todo, particularmente as habilidades motoras finas, as evidências convergem para um efeito negativo", segundo o professor.

Neste ponto, nós sabemos muito mais sobre os efeitos nas crianças do que nos adultos. A própria pesquisa de Suggate mostra uma associação entre o aumento do tempo de tela e a pouca coordenação motora.

Isso é especialmente alarmante porque existe correlação entre a coordenação motora e o desenvolvimento acadêmico e cognitivo de crianças e adolescentes.

Seu conselho é não entrar em pânico, nem proibir as telas. Em vez disso, introduza conscientemente atividades manuais no seu dia a dia.

Mão escreve com caneta em um caderno pautado

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O simples e, às vezes, esquecido ato de escrever à mão pode nos ajudar a manter a coordenação motora

Tarefas manuais continuadas podem ajudar, como cozinhar ou se dedicar ao artesanato. Suggate, por exemplo, faz trabalhos com madeira, mas você pode aprender a tocar um instrumento ou simplesmente escrever à mão.

"Não é o fim do mundo", segundo ele. "Os efeitos são sutis."

"Mas, mesmo se os efeitos individuais forem pequenos ou moderados, coletivamente, ao longo de gerações, estamos falando em uma possível degradação intelectual da sociedade e incapacidade de pensar na realidade, já que as mãos são um ponto central de contato que temos com o mundo."

Thomas Germain é jornalista sênior de tecnologia da BBC. Ele escreve (em inglês) a coluna Keeping Tabs e é um dos apresentadores do podcast The Interface. Seu trabalho revela os sistemas ocultos que conduzem sua vida digital e como você pode viver melhor dentro deles.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Technology.