SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Poder de compra dos sálarios no mundo.


 

Previsão de Crescimento do FMI para 2026:


 Previsão de Crescimento do FMI para 2026:

🇺🇸 EUA: 2,3%
🇩🇪 Alemanha: 0,8%
🇫🇷 França: 0,9%
🇮🇹 Itália: 0,5%
🇪🇸 Espanha: 2,1%
🇬🇧 Reino Unido: 0,8%
🇯🇵 Japão: 0,7%
🇨🇦 Canadá: 1,5%
🇨🇳 China: 4,4%
🇮🇳 Índia: 6,5%
🇷🇺 Rússia: 1,1%
🇧🇷 Brasil: 1,9%
🇲🇽 México: 1,6%
🇸🇦 Arábia Saudita: 3,1%
🇳🇬 Nigéria: 4,1%
🇿🇦 África do Sul: 1,0%

A INDUSTRIALIZAÇÃO da inteligência artificial acaba de dar mais um passo.


 A INDUSTRIALIZAÇÃO da inteligência artificial acaba de dar mais um passo.

📍Na cidade de Foshan, no sul da China, foi inaugurada a primeira linha AUTOMATIZADA de produção de ROBÔS humanoides do país, com capacidade para fabricar mais de 10 mil unidades por ano. ✅ 1 robô montado a cada 30 minutos ✅ 92% de AUTOMAÇÃO nos processos-chave ✅ controle de PRECISÃO com erro de apenas 0,02 milímetros ✅ INTEGRAÇÃO via plataforma de internet industrial com RASTREAMENTO em tempo real A linha combina: ✅ arquitetura MODULAR e FLEXÍVEL ✅ ESTAÇÕES móveis e inteligentes ✅ veículos AUTÔNOMOS para transporte de peças ✅ visão computacional e montagem com controle de força Enquanto modelos de IA dominam o debate, a China avança na industrialização dessa tecnologia, integrando hardware, software e manufatura em escala.

A Fratura das Elites: Trump, os Novos Magnatas e o Caminho para a Desintegração

 



Em um cenário de crescente instabilidade política e social, três obras recentes oferecem um diagnóstico afiado e complementar sobre as forças que estão reconfigurando o poder no Ocidente. End Times: Elites, Counter-Elites, and the Path of Political Disintegration, de Peter Turchin, Going Infinite: The Rise and Fall of a New Tycoon, de Michael Lewis, e Trump in Mirror Land: Subterranean Reflections, de Manfred F.R. Kets de Vries, convergem para um ponto crucial: a crise não é um acidente, mas o produto previsível da degradação das velhas elites, da ascensão de contra-elites disruptivas e da emergência de novos magnatas que personificam tanto o excesso quanto o descontentamento popular.

1. O Colapso da Coesão Interna das Elites (Turchin)

Peter Turchin, em End Times, aplica a cliometria (a história matemática) para demonstrar que as sociedades entram em ciclos de desintegração quando a produção de elites supera a capacidade de absorção do sistema. Segundo Turchin, a partir da década de 1980, os Estados Unidos viram uma superabundância de graduados e aspirantes a posições de poder, enquanto o número de posições de elite verdadeiramente influentes permanecia estável ou diminuía. Essa “sobreprodução de elites” leva a uma luta interna feroz, onde a lealdade ao sistema é substituída por facções predatórias.

A crítica central de Turchin às elites tradicionais é que elas se tornaram endogâmicas e rent-seeking: em vez de recrutar talentos amplamente e governar para o bem comum, passaram a se reproduzir internamente (legados em universidades, redes de contatos) e a extrair riqueza do sistema produtivo por meio de finanças, lobby e regulações favoritas. Essa degradação moral e funcional das elites cria um vácuo de legitimidade. É nesse vácuo que figuras como Donald Trump e novos magnatas encontram terreno fértil.

2. Trump: O Espectro Subterrâneo (Kets de Vries)

Manfred F.R. Kets de Vries, psicanalista e estudioso de liderança, oferece em Trump in Mirror Land uma análise clínica do fenômeno Trump. Longe de vê-lo como uma aberração, Kets de Vries argumenta que Trump é o “reflexo subterrâneo” das frustrações coletivas – um líder narcisista que espelha e amplifica o ressentimento das massas contra as elites fracassadas.

Para Kets de Vries, a genialidade perversa de Trump está em explorar a teatralidade do poder. Ele não governa por políticas detalhadas, mas por performances de ruptura. Quando Turchin fala de “contra-elites” – grupos que canalizam a raiva popular para destronar as elites dominantes – Trump se torna o contra-elite por excelência: um bilionário que se apresenta como outsider, um magnata imobiliário que fala como um operário. A crítica implícita de Kets de Vries é que as elites tradicionais, ao se isolarem em sua arrogância tecnocrática, criaram um monstro psicopolítico. Trump não é a causa da desintegração; ele é o sintoma mais visível de um sistema que perdeu a capacidade de integrar seus membros mais ambiciosos e frustrados.

3. O Novo Magnata: Sam Bankman-Fried (Michael Lewis)

Em Going Infinite, Michael Lewis narra a vertiginosa ascensão e queda de Sam Bankman-Fried (SBF), o fundador da FTX. À primeira vista, SBF parece o oposto de Trump: ascético, obcecado por matemática e utilitarismo (efetivo altruísmo). No entanto, ambos são produtos da mesma disfunção elítica.

Lewis descreve SBF como um novo magnata sem lastro – um prodígio que enxergava as regras tradicionais (inclusive as éticas) como meros obstáculos a serem calculados ou contornados. A crítica de Lewis é sutil: o “altruísmo efetivo” de SBF era uma fachada para uma ambição desmedida, que via o sistema financeiro como um jogo infinito. Assim como as elites de Turchin extraíam riqueza sem criar valor real, SBF criou um castelo de criptomoedas lastreado em nada além de fé algorítmica.

A conexão com Trump e Turchin fica clara: os novos magnatas (Musk, SBF, os bilionários da tecnologia) são a encarnação da “contra-elite” que não quer reformar o sistema, mas substituí-lo por um playground próprio, com regras opacas e nenhum compromisso com o bem público. Quando SBF colapsa, não é a moralidade que o derruba, mas um erro de cálculo – o mesmo tipo de hubris que leva as elites predatórias ao desastre.

4. Síntese Crítica: A Dança dos Espelhos

A crítica conjunta que emerge dos três livros é devastadora:

  1. Turchin mostra que o sistema político-econômico está estruturalmente quebrado, produzindo mais aspirantes a elite do que vagas, gerando instabilidade inevitável.

  2. Kets de Vries demonstra que Trump é o “espelho subterrâneo” desse colapso – um líder que reflete o pior de todos os mundos: a riqueza do magnata e o discurso do ressentido.

  3. Lewis adiciona o elemento trágico-cômico: os novos magnatas (como SBF) acreditam que podem transcender as velhas regras, apenas para descobrir que a realidade – e a lei – cobra seu preço.

O fio condutor é a ilusão da excepcionalidade. As elites tradicionais se achavam insubstituíveis; Trump se acha imune às normas; SBF se acreditava inteligente demais para falir. Todos caem no mesmo abismo de desintegração que Turchin prevê.

Conclusão: O Retorno do Político

Os três autores, cada qual a seu modo, sugerem que a saída não virá de novos magnatas ou líderes messiânicos, mas de um rebaixamento das expectativas elíticas. Enquanto não houver uma reforma radical no recrutamento das elites (menos rent-seeking, mais serviço público), a dança entre Trumpes e SBFs continuará. O “fim dos tempos” de Turchin não é o apocalipse, mas o fim de uma ordem que confundiu riqueza com virtude, espetáculo com liderança e algoritmos com ética. E nesse fim, como mostram Lewis e Kets de Vries, os novos magnatas são apenas os palhaços tristes de um circo que já pegou fogo.

Chineses vão poder ler Darcy Ribeiro pela primeira vez em mandarim


 

Boletim do futuro: 15 anos depois! Notas dos Diários das Crianças que deram certo!




Hoje, ao fechar o diário, fiquei pensando em algo que me desassossega e, ao mesmo tempo, me enche de esperança.

Peguei a lista da minha turma. 25 nomes. 25 rostos. 25 universos. E me perguntei: se daqui a 15 anos eu pudesse dar notas para eles — não em português ou matemática, mas em coisas que realmente importam para a vida — como seria esse boletim?

Imaginei um sistema de avaliação completamente diferente. Sem estrelas, sem conceitos A, B ou C. Sem comparações. Apenas uma fotografia das possibilidades que cada um desenvolveu para ser feliz, para resistir, para criar, para amar, para pensar.

E assim nasceu, na minha cabeça, o Boletim da Vida Inteira. As notas seriam estas:

  • Felicidade: não aquela alegria passageira, mas a capacidade de encontrar sentido e contentamento mesmo nos dias cinzentos.

  • Resiliência: a arte de cair, levantar, aprender com a queda e seguir.

  • Criatividade: a coragem de inventar soluções novas para problemas velhos, de ver o que ninguém vê.

  • Amorosidade: o talento de cuidar, de escutar, de construir pontes onde outros erguem muros.

  • Lógica: a clareza de pensar, de conectar causas e efeitos, de não se deixar enganar. 

  • Capacidade científica: a curiosidade metódica, o prazer de perguntar "por quê?" e de buscar respostas com rigor.

  • Cidadania ativa: a disposição de se importar com o coletivo, de agir por um mundo mais justo.

  • Qualidade de vida: o equilíbrio entre corpo, mente, afeto e propósito — para si e para sua família.

Aí me fiz a pergunta mais difícil: como classificar 25 crianças nesses quesitos?

A verdade é que não dá. Não dá porque, aos 5 ou 6 anos, o que temos diante de nós são brotos. Alguns já mostram a flor mais cedo, outros vão demorar anos para desabrochar. E o solo em que cada um cresce é tão desigual...

O menino que hoje não para quieto na roda de história — talvez ele seja, daqui a 15 anos, um empreendedor criativo, cheio de energia para transformar ideias em ação. A menina que hoje chora por qualquer coisa — talvez ela seja uma psicóloga amorosa, que entende a dor alheia como ninguém. A criança que hoje adora empilhar blocos e contar formigas — talvez ela seja uma engenheira ou cientista brilhante. E aquela que prefere abraçar os colegas a fazer qualquer atividade — talvez ela seja a líder comunitária que segura uma rede de afetos. 

Então, percebi: o boletim que proponho não pode ser uma classificação. Não posso dizer que João será mais feliz que Maria, ou que Pedro será mais resiliente que Ana. Porque cada um vai trilhar um caminho único. O que posso fazer, como professor, é plantar sementes.

  • Sementes de alegria (Spinoza): para que aprendam que estudar e viver podem ser um ato de prazer, não de obrigação.

  • Sementes de interação (Vigotsky): para que saibam que ninguém aprende sozinho, que o outro é essencial.

  • Sementes de concretude e afeto (Freire): para que nunca percam de vista que a vida real é matéria-prima do conhecimento, e que o amor é a base de tudo.

Daqui a 15 anos, não quero saber quem tirou a maior nota em lógica ou criatividade. Quero saber se cada um daqueles 25 alunos conseguiu, à sua maneira, construir uma vida que faça sentido. Quero saber se foram capazes de ser felizes sem machucar os outros. Se foram resilientes sem se tornarem duros. Se foram criativos sem perder o pé no chão. Se foram amorosos sem se anularem. Se usaram a lógica e a ciência para melhorar o mundo, não para dominá-lo.

Esse é o meu verdadeiro boletim: não uma lista ordenada dos melhores, mas um espelho onde cada um, ao se olhar, reconheça sua própria beleza e potência.

E se a diretora, os pais, o sistema, pedirem notas? Se quiserem classificar meus alunos em "fracos" ou "fortes"? Eu direi: desculpe, mas a única classificação que aceito fazer é a de que todos são infinitamente mais do que qualquer prova pode medir.

Amanhã, ao entrar em sala, olharei para cada um desses 25 universos com ainda mais reverência. Meu trabalho não é prepará-los para o mercado ou para o vestibular. Meu trabalho é ajudá-los a se preparar para a vida — com todas as suas notas, dissonâncias e sinfonias. E, no fim, que cada um possa reger sua própria orquestra.

 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Diário da Infância dos meus alunos, e nós professando juntos várias aprendizagens e mundos! 14 de Abril de 2026. Por Egidio Guerra.

 



Hoje, ao entrar em sala, respirei fundo antes de qualquer palavra. O cansaço era real, mas aquela centelha de alegria — a alegria de Deus, que me move — já pedia passagem. Mas não é só ela. Trago comigo princípios que conversam entre si, como uma orquestra ainda em ensaio, mas que busca seu tom.

Inicialmente, lembro de Spinoza: a aula precisa ser alegre. Não uma alegria forçada, mas aquela que nasce quando a criança se sente capaz, quando o conhecimento é descoberto, não peso. E a alegria, para mim, só se completa em Vygotsky: ela precisa ser compartilhada, construída na interação social, na conversa entre pares, no conflito cognitivo que vira aprendizado. E ali, bem no meio da brincadeira, entra Paulo Freire: trabalhar a autonomia e afetividade com Wallon, o valor da natureza, a concretude das vidas dessas crianças. Cada aluno que chega é uma trajetória, uma história se formando em vários lugares — em casa, na rua, no ônibus, na feira — com razões, emoções, imaginações que ainda nem sei nomear. Meu papel é descobrir isso e seguir com ele nessa jornada. Cada aluno é um universo.

Transformar a sala nesse microcosmo onde o ser e o universo se encontram é meu desafio diário. É ali que ele pode viver situações concretas e, a partir da sua curiosidade genuína, construir — não decorar — seu letramento em português, matemática, ciências, tudo interagindo.

Pensando nisso, tenho pesquisado como isso acontece em outros lugares. Não como receita, mas como inspiração. Vejamos alguns exemplos.

A abordagem de Reggio Emilia me encanta. Aqui, o ambiente é o terceiro educador. As crianças são tratadas como protagonistas, capazes e curiosas. Aprendi que atividades simples, como a "Leaf Art", onde os pequenos exploram folhas com lupas e criam arte com os relevos, conectam natureza, observação científica e expressão artística. Outra prática incrível é o uso de "sombras": posicionar objetos próximos à janela e ver as formas que criam, ou usar o corpo para fazer fantoches de sombra, explorando ciência e criatividade ao mesmo tempo. Na cidade de Pistóia, as crianças saem a campo para observar a paisagem, desenham e reconstroem a cidade medieval na sala com materiais simples como pedras e retalhos. É a vida concreta entrando pela porta da sala. 

No Canadá, o aprendizado baseado em brincadeiras é levado a sério. Em Ontário, o programa de tempo integral integra a brincadeira ao currículo, mostrando que crianças que brincam mais desenvolvem habilidades de resolução de problemas e auto regulação. Uma prática que adorei foi a criação de adereços pelas próprias crianças: ingressos de ônibus, cardápios de restaurante, receitas para médicos de brinquedo, tudo feito por elas. Isso é letramento funcional puro! Outro exemplo é o uso de câmeras para criar livros coletivos, como "Round Things", onde cada criança fotografa objetos redondos. No norte do país, as crianças brincam ao ar livre mesmo em temperaturas abaixo de zero, escorregando em montes de neve e explorando pegadas de animais, o que desenvolve resiliência e confiança.

Na Finlândia, a brincadeira é a espinha dorsal da educação até os 7 anos. Eles acreditam que brincar desenvolve todas as dimensões da criança: social, emocional, física e cognitiva. Um exemplo é a "Play and Move", uma atividade semanal onde crianças de 5 a 6 anos praticam movimentos como saltos, cambalhotas e arremessos em estações rotativas. Além disso, a abordagem de "florestas-escola" é inspiradora: os alunos passam o dia inteiro na floresta, escolhem uma "pergunta-foco" para explorar, medem árvores, criam gráficos e aprendem ciências na prática. A cada 45 minutos de aula, 15 minutos de brincadeira livre ao ar livre, garantindo movimento e descanso mental. 

Na Noruega, as "barnehager" (jardins de infância) frequentemente acontecem inteiramente ao ar livre, em qualquer clima. As crianças sobem em árvores, constroem abrigos e cozinham em fogueiras. O foco não é preparar para o aprendizado formal, mas nutrir independência e resiliência através da exploração não estruturada. Um estudo norueguês mostrou que a brincadeira na natureza tende a ser mais criativa e inclusiva do que a que acontece em parques infantis tradicionais. Eles também valorizam a "brincadeira de risco" supervisionada, onde as crianças aprendem a regular emoções e tomar decisões seguras. 

Volto para minha realidade. Hoje, inspirado nisso, trouxe uma caixa de papelão grande. Anunciei: "Vamos construir nossa cidade?" As crianças se animaram. Primeiro, desenharam o que queriam: casas, um mercado, uma árvore. Depois, com a caixa, criamos o "mercado". Em grupos, decidiram quem seria o vendedor, quem faria o dinheiro (pedaços de papel), quem escreveria a placa. Vi ali a alegria de Spinoza no brilho dos olhos, a interação social de Vygotsky nos acordos e desentendimentos, e a concretude de Freire quando uma menina disse: "Minha mãe compra pão na padaria perto de casa". Aquele mercado de papelão era, ao mesmo tempo, a sala de aula e o mundo. 

Não é adestramento. É uma grande orquestra, onde ensino e aprendizado se misturam. E eu, professor, sou apenas um maestro aprendiz, tentando escutar cada nota, cada universo, e ajudá-los a encontrar a própria melodia. 

 

Antes de dormir! Diário 

E assim, ao final deste dia, sento-me para escrever o que realmente importa: o Diário da Infância dos meus alunos.

Não um diário meu, deles. Porque cada risada, cada pergunta inesperada, cada silêncio pensativo, cada conflito resolvido com um abraço ou com uma palavra ainda desajeitada — tudo isso é deles. Eu sou apenas o escriba que testemunha, o arquivista de memórias que nem sabem que estão construindo.

Hoje, ao observar o "mercado de papelão" que inventamos, vi mundos inteiros se abrindo:

A Maria Clara, que chegou tímida no início do ano, assumiu o papel de vendedora com tanta segurança que me lembrou que a alegria (Spinoza) é também coragem.

O Miguel, que mal falava, negociou com o Arthur quantas frutas valiam por um desenho — e ali, sem saber, estavam fazendo matemática e sociabilidade (Vigotsky).

A Lavínia, que ontem contou que a mãe perdeu o emprego, desenhou uma placa de "promoção" no mercado. Ela trouxe a concretude da sua vida para a brincadeira (Freire). E nós aprendemos com ela.

Nós, professando juntos várias aprendizagens e mundos!

Porque sim, a palavra é professar. Não no sentido religioso apenas, mas no sentido de declarar, de testemunhar, de viver aquilo em que se acredita. E eu acredito que ensinar é um ato de amor que se professa todos os dias, sem fanfarra, mas com a certeza de que cada pequeno gesto semeia algo.

Nós, professamos juntos:

Aprendizagens que não cabem em provas: saber esperar a vez, pedir desculpas, dividir um giz de cera, escutar o outro até o fim.

Mundos que se cruzam: o mundo da casa com o mundo da escola, o mundo do faz de conta com o mundo real, o mundo de cada criança com o mundo coletivo.

Vi isso hoje, ao final da aula. As crianças, sem que eu pedisse, começaram a guardar os materiais. Ajudaram umas às outras. A Sofia pegou a mão do Benjamin, que estava triste porque a torre de blocos caiu. E disse: "Vamos fazer outra maior". Isso não está em nenhum currículo oficial. Mas é a maior lição que poderia dar.

O Diário da Infância dos meus alunos é feito desses instantes. E eu tenho o privilégio de estar aqui, não para adestrar, não para memorizar, mas para professar com eles:

Professamos a curiosidade que vira pergunta.

Professamos a criatividade que vira solução.

Professamos a crítica que vira escolha consciente.

Professamos a lógica que vira organização do pensamento.

E, acima de tudo, professamos que cada um é um universo, e que a sala de aula pode sim ser o lugar onde esses universos se encontram, se estranham, se reconhecem e aprendem a girar juntos.

Amanhã tem mais. Outro mercado, outra cidade, outra história. E eu estarei aqui, professor-aprendiz, maestro dessa orquestra imperfeita e bela, celebrando a alegria que vem de Deus, de Spinoza, de Vigotsky, de Freire — mas, sobretudo, a alegria que vem de ver uma criança descobrir que ela é capaz.

Que continuemos professando juntos, dia após dia, mundos e mais mundos.