SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sábado, 6 de junho de 2026

Será que eles conseguirão escapar? Impossível.

 

Backrooms: como surgiu a ideia para o perturbador filme que se tornou um dos maiores sucessos de 2026

Chiwetel Ejiofor, de costas para a câmera, caminha por um longo corredor com paredes e tetos amarelos

Crédito,A24

Legenda da foto,O ator britânico Chiwetel Ejiofor interpreta Clark em Backrooms
    • Author,Alex Taylor
    • Role,Repórter de cultura
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  • Tempo de leitura: 7 min

Um pôster de filme mostrando uma parede coberta com papel de parede amarelo poderia passar despercebido.

Mas não este. É instantaneamente reconhecível por milhões e inspira pavor.

É do mais recente filme de terror de Hollywood, Backrooms ("salas dos fundos").

O filme conhece bem seu público: um público mais atraído pelo terror sussurrado do que por estrelas de cinema, monstros e sangue.

Backrooms são, essencialmente, salas abandonadas e sinistras, sem fim à vista. Pode ser um prédio de escritórios vazio, um corredor ou um vão — zonas intermediárias perturbadoras.

O conceito surgiu em 2019, quando usuários anônimos do fórum 4chan foram convidados a postar imagens inquietantes que simplesmente considerassem estranhas.

Pôster promocional de Backrooms mostra um papel de parede amarelo

Crédito,A24

Legenda da foto,O pôster promocional de Backrooms é baseado no papel de parede amarelo frequentemente usado nessas salas sinistras

Um usuário postou a foto de um escritório abandonado, com papel de parede amarelo-mostarda e iluminação fluorescente.

A publicação dizia: "Se você não tomar cuidado e for jogado para fora da realidade por um noclip [termo de videogame para uma falha técnica ou desaparecimento] nas áreas erradas, você vai parar nos backrooms."

"Não há nada lá além do cheiro de carpete velho e úmido, a loucura do amarelo monocromático, o zumbido incessante das luzes fluorescentes no máximo e aproximadamente 600 milhões de quilômetros quadrados de salas vazias e distribuídas aleatoriamente, onde você ficará preso."

A publicação continuava: "Que Deus te ajude se você ouvir alguma coisa rondando por perto, porque pode apostar que ela já te ouviu."

A imagem original que serviu de inspiração para os Backrooms mostra paredes segmentadas e salas vazias com papel de parede amarelo mostarda.

Crédito,4chan

Legenda da foto,A imagem original dos backrooms foi publicada no 4chan em 2019. Hoje, sabe-se que se trata de uma loja de móveis real no estado de Wisconsin, nos EUA

O conceito acabou se tornando uma minissérie extremamente popular no YouTube, criada por Kane Parsons, que tinha 16 anos na época.

Parsons utilizou o Blender, um software de computação gráfica, para criar ambientes que ultrapassavam os limites do seu orçamento.

Hoje, a série tem mais de 200 milhões de visualizações.

Ela se mostrou tão cativante que o poderoso estúdio de Hollywood A24 — responsável pelo filme de terror indicado ao Oscar A Substância — recrutou Parsons, agora com 20 anos, para fazer uma adaptação para o cinema, que estreou no Brasil em 28 de maio.

Em menos de uma semana, o filme, produzido com um orçamento modesto de US$ 10 milhões (R$ 52 milhões), arrecadou mais de US$ 100 milhões (R$ 517 milhões) nas bilheterias mundiais. Parsons, que se tornou o diretor mais jovem da história da A24, oferece um conselho solene para sobreviver nos backrooms: "Antes de mais nada, faça as pazes com o lugar, porque eu não gosto de dar falsas esperanças."

Do YouTube à tela grande

Kane Parsons, vestido de terno, em uma exibição em Los Angeles de sua adaptação cinematográfica de Backrooms.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O diretor Kane Parsons, de 20 anos, chamou a atenção de Hollywood depois que seu curta-metragem no YouTube sobre bakrooms viralizou

Seu objetivo em 2023 era claro: levar aquela paisagem infernal e desolada para as telonas — um processo árduo e complexo — e fazê-lo de uma forma que remetesse à sua série do YouTube.

Ele me conta que o que mais o empolgou no projeto foi poder usar um orçamento de Hollywood para se aprofundar na história e trazer uma "fisicalidade real", garantindo assim que o filme fosse "diferente da série do YouTube".

Ele afirma que a equipe responsável pelo filme conseguiu isso construindo um cenário gigantesco de aproximadamente 2,8 mil metros quadrados, baseado em seus projetos criados no Blender.

A estética lembra o primeiro vídeo de Parsons no YouTube — intitulado Found Footage ("Imagens Encontradas", em tradução livre) — que acumulou 80 milhões de visualizações e apresentava imagens tremidas, filmadas com uma câmera de vídeo dos anos 90, do sinistro prédio de escritórios amarelado.

"Acho que isso nos permite nos conectar mais profundamente com os personagens", comenta Parsons.

A adaptação da A24, escrita por Will Soodik, usa o conceito de backrooms para explorar a saúde mental.

O indicado ao Oscar Chiwetel Ejiofor interpreta Clark, um vendedor de móveis frustrado que enfrenta dificuldades após o fim de seu casamento.

À medida que a tensão aumenta entre ele e sua terapeuta, Mary — interpretada por Renate Reinsve — Clark descobre uma passagem da loja para os backrooms, um espaço que começa a se alimentar de seus traumas não resolvidos.

A transição dos backrooms para as telonas reflete a ascensão online de um medo específico: a ideia de um espaço liminar, ou de transição.

Um medo real

Parsons, no set de filmagem, discutindo uma cena com Ejiofor.

Crédito,A24

Legenda da foto,Parsons, aqui no set com Ejiofor, diz que sua juventude nunca se apresentou como um problema

Meredith Banasiak, especialista em neurociência e arquitetura que estuda a relação entre edifícios e o bem-estar humano, afirma que corredores e portas frequentemente desencadeiam esse medo.

Eles geram o que é conhecido como "efeito de porta", que confunde nosso cérebro. "Quando os espaços começam a se fundir, nossa maneira de lembrar também começa a se fundir", explica ela.

O filme Backrooms leva isso ao extremo: é um símbolo físico de memórias que "se dissolvem em si mesmas".

Como Clark diz a Mary no filme: "Quanto mais vezes os backrooms evocam algo, menos eles o fazem".

Banasiak observa que sua pesquisa, assim como outros estudos acadêmicos, sugere que sobreviventes de traumas frequentemente consideram esses espaços desafiadores.

Renate Reinsve, que interpreta a terapeuta Mary, está sentada, vestindo uma blusa branca e uma saia cinza.

Crédito,A24

Legenda da foto,Renate Reinsve interpreta a terapeuta Mary. A atriz conta que ela mesma entrou no labirinto dos backrooms na internet antes do início das filmagens

Backrooms tem um fórum no Reddit, com mais de 350 mil inscritos.

Os moderadores do fórum dizem que há algo "profundamente existencial" no conceito e que se trata menos de monstros e "mais da incerteza do que mais pode já existir no espaço com você".

O TikTok está cheio de vídeos sobre o assunto, que acumularam mais de 30 bilhões de visualizações, demonstrando a popularidade desse cenário inspirado nos anos 90 entre a Geração Z (os nascidos entre 1997 e 2012, primeira geração de nativos digitais).

O fenômeno também chegou aos videogames. Há um jogo de sobrevivência gratuito chamado Backrooms disponível no serviço de distribuição digital de jogos Steam e experiências semelhantes oferecidas na plataforma Roblox.

A pesquisador da internet Gunseli Yalcinkaya diz que uma nostalgia melancólica por memórias e espaços pré-internet, e o isolamento da pandemia de covid, podem explicar por que os jovens são atraídos por ideias como backrooms.

Yalcinkaya diz que o conceito captura a insatisfação com o que significa ser jovem hoje, "onde a realidade é constantemente mediada por telas". "Já existe a sensação de que a realidade está falhando, nada mais parece real."

Os espaços liminares da Geração Z

Uma imagem estática da animação computadorizada "Backrooms", criada por Parsons para seu curta-metragem original no YouTube.

Crédito,YouTube/@KanePixels

Legenda da foto,O vídeo original de Parsons sobre os bastidores parecia ter sido filmado em ambientes reais, mas na verdade era uma filmagem criada com um programa chamado Blender

Como observou a publicação de negócios Fast Company, Backrooms está entre vários títulos recentes sobre "espaços liminares" que foram "moldados pelos anos de formação mais traumáticos da Geração Z".

Entre eles também está o filme de terror Iron Lung ("Pulmão de aço"), do YouTuber Markiplier, baseado em um videogame e ambientado em um submarino. Lançado de forma independente, arrecadou mais de US$ 50 milhões (R$ 258 milhões) em todo o mundo.

O trailer de Backrooms, lançado online, rapidamente se tornou um dos vídeos mais vistos da A24, com 31 milhões de visualizações.

Para Matthew Frank, autor da newsletter Crowd Pleaser do The Ankler, veículo de notícias e análises sobre Hollywood, o salto do YouTube para a tela grande "representa uma mudança radical".

Executivos de Hollywood estão buscando tanto o público quanto cineastas do calibre de Parsons na cultura nascida na internet.

Frank diz que o produtor executivo de Backrooms, Chris White, descobriu o trabalho de Parsons depois que seu filho adolescente insistiu para que ele assistisse.

Outro cineasta que ascendeu à fama online, Curry Barker, de 26 anos, também lançou seu filme de terror Obsession ("Obsessão") nos cinemas este mês, após um sucesso semelhante.

Os estúdios também se beneficiam do fato de esses nomes já possuírem um público consolidado, em um momento em que as salas de cinema lutam para competir com o streaming.

"Para o público, Backrooms tem o apelo de ser uma propriedade intelectual nascida na internet", acrescenta Frank.

Quanto a Parsons, a imprensa tem se concentrado bastante em sua juventude ao dirigir um filme de Hollywood, uma abordagem que ele considera cansativa.

Ele temia que sua pouca experiência pudesse afetar a percepção dos colegas no set, mas, segundo ele, isso "nunca foi um problema" durante as gravações.

"Quase imediatamente, éramos só nós, isolados de todos os outros, falando sobre o projeto... Gosto de pensar que compensei qualquer falta de experiência com uma atitude totalmente obsessiva."

Parsons — e talvez Hollywood — encontraram muito o que explorar em Backrooms.

Será que eles conseguirão escapar? Impossível.

Os megabanquetes 'patrióticos' no centro de disputa entre direita e esquerda na França

 

Um grupo de jovens usando camisetas esportivas iguais e boinas pretas sentados a uma mesa comprida com travessas de comida e vinho.
Legenda da foto,Boinas são uma espécie de uniforme nos banquetes, que incluem quatro pratos da gastronomia local
    • Author,Hugh Schofield
    • Role,Correspondente em Paris
  • Published
  • Tempo de leitura: 6 min

Três mil e quinhentos franceses famintos devoram travessas de embutidos e, de tempos em tempos, irrompem em um coro barulhento.

Trata-se da edição mais recente de um fenômeno gastronômico que vem se espalhando pelo interior da França.

A cidade de Colmar, na Alsácia — famosa por seu centro medieval com casas de estrutura de madeira aparente — foi palco, no último fim de semana, de um dos banquets géants (banquetes gigantes), enormes eventos gastronômicos cuja popularidade no país se tornou repentinamente uma questão política polêmica.

Organizados por uma empresa chamada Le Canon Français (O Canhão Francês), os banquetes são extremamente concorridos: por 81 euros (cerca de R$ 483), os participantes têm direito a quatro pratos da gastronomia local, vinho à vontade e várias horas de cantoria e camaradagem.

Mas a festa não agrada a todos. Para o partido de esquerda radical La France Insoumise (LFI, ou "França Insubmissa"), os banquetes têm um lado obscuro.

A LFI afirma ter evidências de cânticos racistas e de funcionários imigrantes sendo insultados. Como a carne de porco aparece frequentemente no cardápio, o partido diz que as festas são pensadas para excluir muçulmanos e vegetarianos.

O partido também cita o envolvimento financeiro de um empresário ultraconservador chamado Pierre-Edouard Stérin como evidência de uma motivação oculta: promover a agenda da direita radical.

Stérin, bilionário que fez fortuna com a Smartbox, empresa de vales-presente de experiências, criou um centro de estudos que defende ideias de direita, como restringir a imigração, proibir o aborto e promover a herança cristã da França.

Fileiras de mesas compridas lotadas de pessoas em um grande salão de pé-direito alto. Pintadas na parede ao fundo, as palavras "Le Canon Français". Em primeiro plano, uma banda com tuba, trompete e dois cornetins, vestida com camisetas vermelhas e bonés de beisebol vermelhos.
Legenda da foto,Os convidados largam os garfos e se juntam em um cântico

"Se estivessem agindo de boa-fé, Le Canon Français nunca teria aceitado Stérin como investidor. Mas aceitaram, pegaram o dinheiro dele", diz Emma Fourreau, membro do Parlamento Europeu pela LFI.

"E é assim porque compartilham o mesmo ecossistema político, cujo objetivo é levar a direita radical ao poder."

No banquete de Colmar, realizado nos arredores da cidade, em um espaço enorme parecido com um galpão, essas acusações são prontamente rejeitadas.

Em uma atmosfera festiva, os convidados se sentam em mesas compridas, com 50 pessoas de cada lado. Muitos homens vestem o que se tornou uma espécie de uniforme do Canon Français: boinas e suspensórios. Algumas mulheres usam um traje tradicional do nordeste da França.

Há uma breve fala da organização, que lembra os convidados da "carta de princípios" assinada na compra do ingresso e que os obriga a se comportar com respeito e decoro. Então a diversão começa: um exército de garçons traz travessas de chucrute, depois queijos e o tradicional bolo kougelhopf — feito com manteiga, passas e amêndoas. O vinho corre solto.

Periodicamente, os comensais largam os garfos e se juntam em coro. Clássicos de artistas como Michel Delpech e Joe Dassin são os favoritos.

São canções de uma geração anterior, mas os participantes – que aparentam ter principalmente entre 20 e 30 anos – as conhecem de cor.

"Viemos por quatro coisas: ambiente, amigos, álcool e comida", diz um jovem, em uma resposta que se repete várias vezes. Ninguém quer falar de política, exceto para dizer que acham que toda a controvérsia é exagerada.

"Nada disso era um problema, mas aí Stérin se tornou acionista e isso deu à LFI uma desculpa para atacar. Não se esqueçam que há eleições no ano que vem", diz Quentin, de Besançon, no leste da França.

A multidão em Colmar era predominantemente – mas não exclusivamente – branca, e muitos disseram estar felizes por poderem celebrar de forma tradicional entre amigos. Mas a BBC não viu nenhum comportamento nem ouviu nenhuma linguagem que pudesse ser interpretada como ofensiva.

Le Canon Français é uma criação de dois empreendedores – Pierre-Alexandre de Boisse e Géraud de la Tour – que começaram a vender vinho pela internet para ajudar um amigo viticultor em dificuldades durante a pandemia de covid-19.

A partir daí, começaram a organizar eventos para arrecadar fundos para projetos de preservação do patrimônio – e o sucesso nessa iniciativa os levou aos banquetes.

Em primeiro plano, vê-se um grande prato de carne de porco e batatas. Ele é servido em uma bandeja de metal por um homem com um relógio de pulso. Ao fundo, centenas de pessoas sentam-se em longas mesas, com garrafas de vinho dispostas ao longo do centro das mesas.
Legenda da foto,O partido de esquerda radical LFI tem criticado a comida servida nos banquetes

De Boisse afirma que estão apenas revivendo uma antiga tradição francesa de jantares coletivos com boa comida local, que remonta à Idade Média.

Após a Revolução Francesa, que levou à abolição da monarquia, havia os banquetes republicanos – que marcaram a chegada do novo sistema. E, até recentemente, cada vila costumava ter seu banquete popular anual – uma espécie de festa popular.

"Hoje em dia, as pessoas perdem muito tempo sozinhas, em casa, nas redes sociais. Perderam o hábito de estarem juntas e conversarem", diz de Boisse. "O que nos dá mais prazer é ver o advogado sentado ao lado do padeiro, batendo um papo."

As acusações da esquerda claramente irritam de Boisse, que insiste que são infundadas.

"É claro que não podemos controlar a mente de todas as pessoas que vêm. E ocasionalmente, talvez alguém bêbado diga alguma besteira" afirma.

"Mas nossas regras são bem claras e estão estabelecidas na carta, que todos assinam ao comprar um ingresso", completa.

Ele diz que a LFI está errada ao afirmar que servem apenas carne de porco. Isso acontece regularmente – porque a charcutaria faz parte da tradição rural francesa – mas não exclusivamente.

E ele se irrita com as alegações de que uma saudação nazista foi vista em um banquete. "Conversei com o cara e ele disse que a acusação era um completo absurdo", diz ele.

Descrevendo-se como um católico da aristocracia empobrecida e um empresário, ele diz que seria ofensivo tanto à sua ética quanto ao seu senso de negócios excluir pessoas dos banquetes.

Quanto a Stérin, ele diz que nunca conheceu o investidor, que "comprou uma participação de 30% simplesmente porque percebeu que éramos muito lucrativos".

Emma Fourreau está em uma varanda ensolarada com plantas ao fundo. Ela veste uma jaqueta marrom aberta e usa uma blusa branca canelada por baixo. Emma Fourreau está sorrindo na foto.
Legenda da foto,A eurodeputada da LFI, Emma Fourreau, diz que o Canon Français compartilha um 'ecossistema político' com o investidor ultraconservador Stérin

Para Fourreau, do LFI, os banquetes são "retrógrados – uma caricatura".

"Eles não representam a França moderna, que é um lugar rico em diversidade."

O partido dela está tentando fazer com que as autoridades locais parem com os banquetes e obteve um sucesso inicial na cidade de Quimper, na Bretanha.

Em Caen, onde um banquete foi realizado em abril, a polícia está conduzindo uma investigação preliminar sobre alegações de provocação racial por parte dos participantes.

De Boisse não nega que muitos – talvez a maioria – de seus frequentadores sejam provavelmente de direita ou direita radical. "Mas veja as eleições. É assim que cada vez mais pessoas no interior estão votando", diz ele.

"Veja bem, eu crio empregos, eu crio felicidade para as pessoas que vêm aos banquetes. Tudo bem, esses políticos não gostam do acionista, não gostam das pessoas que vêm aos banquetes, não gostam do meu nome – mas por que eles têm que nos atacar? Por que eles simplesmente não nos deixam em paz?"