SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 26 de abril de 2026

Ela teve um sonho que levou ao diagnóstico de câncer: o cérebro realmente envia mensagens enquanto dormimos?

 

Uma mulher está sentada sobre uma rocha cinza coberta de musgo, com as pernas cruzadas e as mãos apoiadas no colo. Seu rosto está encoberto por uma pequena nuvem. Ela veste jeans, tênis e um suéter rosa claro.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Adeline diz que, se não tivesse sonhado com a mãe lhe pedindo para ir ao médico, ela não teria recebido o diagnóstico precoce de câncer
    • Author,Kate Bowie
    • Role,BBC World Service
  • Tempo de leitura: 7 min

Em 2011, Adeline teve um sonho que mudou sua vida.

Ela estava deprimida e sentia muita falta da mãe, que havia morrido três anos antes.

"Até que ela apareceu no meu sonho", conta Adeline, cujo nome foi alterado para preservar a identidade da jovem, que mora em Hong Kong.

"Lembro de dizer: 'Ah, mãe, finalmente estou te encontrando, como você está?' E ela respondeu: 'Estou bem, mas quero te dizer uma coisa: por favor, vá fazer um check-up o quanto antes'."

Adeline levou a sério a mensagem e marcou uma consulta médica.

Depois disso, foi diagnosticada com câncer em estágio inicial, que pôde ser tratado porque foi detectado de forma precoce.

"Sou muito grata", diz Adeline. "Sem esse sonho, eu não teria me apressado a fazer o exame."

Pessoas de diferentes culturas interpretam sonhos há milênios.

As sociedades do Antigo Egito, da Grécia e da Babilônia acreditavam que os sonhos podiam ser proféticos.

Nas religiões abraâmicas, sonhos enviados por Deus são considerados "visões".

E, em alguns grupos indígenas, os sonhos são vistos como visitas de espíritos auxiliares.

Adeline conta que conhecia a crença tradicional chinesa de que ancestrais podem transmitir mensagens por meio dos sonhos — mas nunca imaginou que isso pudesse acontecer com ela.

Hoje, o fascínio pelos sonhos também migrou para a internet. Usuários do fórum DISCUSS, criado em Hong Kong, compartilham métodos de interpretação, enquanto centenas de pessoas no Reddit contam ter usado o ChatGPT para interpretar seus sonhos.

Mas o que sonhos como o de Adeline podem realmente nos dizer? E até que ponto cientistas e psicólogos acreditam que devemos levá-los a sério?

Gráfico mostra áreas do cérebro

Por que nós sonhamos?

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Nossos cérebros adoram sonhar. Estamos "praticamente sempre sonhando" quando entramos no estágio de movimento rápido dos olhos, conhecido como sono REM, afirma o neurocientista Abidemi Otaiku, do Imperial College de Londres, no Reino Unido.

Isso significa que podemos passar até um terço do tempo em que estamos dormindo sonhando.

Na verdade, se perdemos sonhos por falta de sono profundo, o cérebro tende a compensar depois, produzindo sonhos mais vívidos — um processo conhecido como "rebote do REM".

"O corpo realmente quer sonhar e vai compensar quando tiver a oportunidade", explica Otaiku.

O motivo exato pelo qual dormimos, contudo, ainda é um mistério. De forma geral, pesquisadores acreditam que o sono ajuda o cérebro a se recuperar e oferece tempo para organizar as memórias do dia.

Exames mostram que, durante o sono, o funcionamento do cérebro muda, alterando a forma como percebemos os sonhos naquele momento.

Quando estamos sonhando, os lobos frontais — responsáveis pelo raciocínio — ficam altamente desativados. Ao mesmo tempo, o sistema límbico — ligado às emoções — se torna hiperativo.

"Essa é uma das razões pelas quais os sonhos costumam ser tão estranhos e, muitas vezes, não fazem muito sentido", afirma Otaiku.

Os sonhos devem nos ajudar a tomar decisões?

Pesquisas indicam que o conteúdo dos nossos sonhos pode influenciar as decisões que tomamos quando estamos acordados.

Em um estudo, ex-fumantes que sonhavam que estavam fumando tinham menos chance de recaída. Um efeito parecido foi observado entre pessoas divorciadas: aquelas que sonhavam com seus ex-parceiros apresentavam melhor saúde mental um ano depois.

"É como se elas estivessem processando algo emocionalmente difícil. E o mais importante é que não faz diferença se o sonho é positivo ou negativo", explica o psicólogo e pesquisador de sonhos Dylan Selterman, dos Estados Unidos.

Na verdade, ambos os estudos mostraram que sonhos negativos também podem ajudar — e às vezes até mais do que os positivos — as pessoas a lidar com problemas.

"Você está elaborando aquilo e enfrentando a situação de forma construtiva", diz Selterman.

Os sonhos também podem ajudar a resolver problemas. Um estudo da Universidade de Harvard mostrou que pessoas que sonharam com um labirinto tiveram um desempenho melhor ao tentar resolvê-lo depois.

Isso pode acontecer devido à "poderosa combinação" de o cérebro ter mais tempo para processar um problema e os sonhos nos permitirem analisá-lo de uma forma mais criativa, diz Selterman.

No dia a dia, isso pode aparecer como aquela inspiração repentina sobre algo que você já vinha pensando.

"O sonho acaba dando um empurrãozinho nessa direção", resume Selterman.

Uma mulher de cabelos longos e cacheados, vestindo um suéter azul, está deitada com as mãos sobre a barriga, dormindo em tapetes, cercada por travesseiros.
Legenda da foto,Estudos mostraram que sonhar com um problema pode nos ajudar a resolvê-lo

Os sonhos podem revelar nossos verdadeiros sentimentos?

Isso não significa que os sonhos revelem sentimentos ocultos ou "verdadeiros" — apenas que o cérebro, mesmo durante o sono, continua envolvido com assuntos que são importantes para nós quando estamos acordados.

Selterman afirma ter testemunhado participantes de estudos terminarem seus relacionamentos por causa de sonhos, mas essas pessoas já haviam relatado problemas em seus relacionamentos.

"Foi como um empurrãozinho a mais que faltava… elas sentiram que estavam ganhando algum tipo de insight sobre si mesmas, mas aquilo já fazia sentido com o que elas acreditavam", explica.

Então, será que devemos nos preocupar quando sonhamos com uma pessoa inesperada?

"Se você está em um relacionamento feliz, saudável e bem-sucedido, e uma noite sonha que está se envolvendo com outra pessoa, tudo bem — isso é comum", diz Selterman.

"Não há motivo para se sentir culpado… isso não é necessariamente sinal de alguma coisa", acrescenta.

Nossos sonhos podem prever o futuro?

Nossos cérebros são preparados para perceber quando nossos sonhos parecem prever o futuro e para se lembrar quando eles coincidem com eventos da vida real.

"Todas as vezes em que você sonha e os sonhos não correspondem ao mundo real, você se esquece deles", diz o neurocientista Otaiku.

Mas pode haver outra explicação para que nossos sonhos pareçam uma espécie de "premonição". Uma das teorias relaciona isso às habilidades de "interocepção" do cérebro.

"Algumas pessoas chamam isso de sexto sentido. Basicamente, é a capacidade do cérebro de captar o estado interno do corpo", diz Otaiku.

As áreas do cérebro envolvidas na interocepção costumam se sobrepor às que atuam nos sonhos. Por isso, alguns pesquisadores sugerem que isso poderia explicar por que certos sonhos parecem antecipar doenças.

"É um mecanismo plausível para explicar esse tipo de experiência", acrescenta.

Abidemi Otaiku sorri para a câmera. Ele é um homem negro, tem cabelo e barba preto, e está em um ambiente interno, vestindo uma blusa cinza.

Crédito,Dr Abidemi Otaiku

Legenda da foto,A interocepção pode ser uma das razões pelas quais nossos sonhos parecem prever o futuro, afirma Abiemi Otaiku

Quanta atenção devemos dar aos nossos pesadelos?

Um número cada vez maior de pesquisas de neurocientistas como Otaiku sugere que os sonhos podem ser um indicador do risco de desenvolver certos distúrbios cerebrais.

"Quanto mais frequentes são os pesadelos, maior pode ser o risco de desenvolver demência e doença de Parkinson", afirma.

Ele apresenta três teorias: os pesadelos podem ser um sinal precoce dessas doenças; os pesadelos podem causar problemas de saúde; ou tanto os pesadelos quanto as doenças podem ter uma causa em comum, como fatores genéticos. Ainda são necessárias mais pesquisas para saber qual dessas teorias é a correta.

Otaiku afirma que esses achados não devem ser motivo de preocupação excessiva, mas uma oportunidade para cuidar melhor da saúde. Reduzir o estresse, dormir bem e evitar assistir conteúdos de terror antes de dormir podem ajudar.

E nos casos mais graves, há opções de tratamento. A terapia de ensaio de imagens ajuda os pacientes a mudar o final de pesadelos recorrentes. Já o medicamento prazosina, para pressão arterial, pode bloquear os pesadelos sem impedir sonhos normais.

"É extremamente plausível que o tratamento de pesadelos traga benefícios imediatos e até de longo prazo para a saúde", conclui Otaiku.

Devemos interpretar nossos sonhos?

Buscar significados simbólicos universais nos sonhos pode ser problemático, já que ignora o contexto individual, alerta Selterman.

"Um tubarão provavelmente tem um significado diferente para um biólogo marinho e para um dentista", explica.

Por outro lado, ele afirma que observar padrões e temas recorrentes pode ajudar a entender melhor a nós mesmos.

"Talvez você esteja sonhando muito com alguém querido que já morreu, ou com um trabalho que gostaria de ter no futuro… ou com amigos e pessoas especiais", diz.

Monitorar isso pode trazer insights importantes sobre quem somos e sobre nossos relacionamentos.

"Se há algum significado nos sonhos, ele provavelmente está ligado à nossa vida social", afirma Selterman.

Adeline conta que hoje presta mais atenção aos próprios sonhos e os usa como um lembrete para se conectar com seus sentimentos.

"Devemos confiar na nossa intuição sobre qual é a mensagem. Olhando para dentro, dá para encontrar a resposta", diz.

Os jovens chineses solitários e desiludidos que buscam carinho e conexão com 'pais virtuais'

 

Ilustração de um casal transmitindo ao vivo no seu canal de rede social, rodeado por jovens com aparência triste, acenando com flores e corações para os influenciadores

Crédito,BBC/Andro Saini

    • Author,Eunice Yang
    • Role,BBC News China
  • Tempo de leitura: 7 min

Como muitos outros jovens, Vincent Zhang fica sempre "grudado" no telefone celular na hora do almoço. Mas o seu conteúdo favorito é de um casal de meia-idade que ele chama de seus "pais virtuais".

Os influenciadores preferidos de Vincent no Douyin (a versão chinesa do TikTok) são Pan Huqian e Zhang Xiuping.

Seus vídeos mostram abertamente sua adorável vida familiar. E o casal frequentemente trata os espectadores como se fossem seus próprios filhos.

Em menos de três anos, sua conta atraiu mais de 1,8 milhão de seguidores.

Em um dos vídeos mais populares, Pan e Zhang dizem: "Quem é o adulto da família? Você anda cansado de trabalhar e estudar? Não se force demais. Mamãe e papai sabem que você suporta muito por aí."

"Meus pais nunca me dizem para não me forçar demais, nem que eu já sou bom o suficiente", lamenta Vincent. "Mas os pais virtuais só me perguntam se estou feliz hoje."

Os "pais virtuais" entraram na moda na internet chinesa em 2024. Desde então, mais de uma dezena de influenciadores, como Pan e Zhang, ganharam inúmeros seguidores.

Estas discussões trazem à tona a insatisfação cada vez maior de muitos jovens chineses millennials (os nascidos entre 1980 e 1995) e da geração Z (entre 1996 e 2012) com a dinâmica familiar tradicional, que leva as obrigações e a obediência a virem antes do afeto.

Na rede social chinesa RedNote, a hashtag "pais chineses" foi visualizada mais de 500 milhões de vezes, com mais de 1,2 milhão de comentários.

Muitos também estão frustrados porque seus pais não compreendem as dificuldades de enfrentar uma economia lenta e as pressões de atender às expectativas dos pais como filhos únicos — o resultado da política chinesa de controle da natalidade, adotada entre 1979 e 2015.

Mãe com jaqueta roxa e pai com jaqueta branca passeiam no parque com um menino em um carrinho

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Muitos jovens chineses cresceram sozinhos, devido à política do filho único adotada pelo país (1979-2015)
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Vincent teve sucesso e, hoje, mora em Xangai, onde trabalha como desenvolvedor web.

Sua jornada de trabalho é extenuante. Ele pratica a escala 996 adotada no setor de tecnologia, que leva os profissionais a trabalhar das 9 horas da manhã às 21 horas, seis dias por semana.

Mas ele acha as ligações telefônicas semanais com seus pais ainda mais estressantes.

Eles costumam criticar sua escolha de carreira, segundo ele, e acreditam que um emprego no governo seria mais estável. Ou perguntam quando ele irá trazer uma namorada para casa.

Vincent se sente menos sozinho quando participa com os demais da seção de comentários do canal de Pan e Zhang. Muitas pessoas como ele escrevem para o casal e os chamam de "mãe" e "pai".

Suas mensagens costumam falar do seu dia a dia e, às vezes, eles pedem parabéns pelos seus aniversários. Mas algumas mensagens são extremamente alarmantes.

Em um desses casos, uma menina chamada Dian Dian disse a Pan que não queria viver mais, que sofre de depressão e, por isso, tinha pensamentos suicidas.

"Fiquei falando com ela por duas horas, mas ela não respondeu depois de 40 minutos", contou Pan, em uma entrevista no Douyin em 2024. Ele disse que não sabia o que havia acontecido com ela.

Uma semana depois, ele recebeu uma ligação de Dian Dian. A jovem disse que, agora, se sentia muito melhor.

"Percebi que havia feito algo muito significativo e me senti orgulhoso por muito tempo", conta Pan.

Mulher jovem observa a conta de Pan e Zhang no seu telefone celular

Crédito,Gentileza

Legenda da foto,A conta de Pan e Zhang no Douyin já atraiu mais de 1,8 milhão de seguidores

Pan compreende a dor que pode causar uma família negligente, pois ele próprio não teve uma infância feliz.

Ele cresceu em uma yáodòng, uma espécie de casa subterrânea tradicional, na província de Shaanxi, no norte do país.

Aos 14 anos, ele saiu de casa para ser o provedor da família, quando sua mãe sofreu paralisia.

"Fiquei fora de casa por 33 anos e meus pais nunca disseram uma palavra de incentivo", disse ele, na mesma entrevista ao Douyin.

Quando nasceu sua filha Jiangyu, Pan estava determinado a criar uma atmosfera familiar diferente. E, ao contrário das famílias chinesas típicas, Pan e Zhang sempre dizem a Jiangyu que a amam.

Jiangyu incentivou seus pais a produzir vídeos curtos e eles se tornaram criadores de conteúdo em tempo integral, após o fechamento da empresa de Pan, em 2024.

Ele não tem grandes planos para sua conta, mesmo com o potencial de ter altos lucros vendendo produtos com streaming ao vivo.

"Espero poder fazer um pouco para que eles sintam o carinho do amor paternal", afirma ele.

'Literatura de sopa de abobrinha'

Além do conteúdo relativo aos pais virtuais, também viralizou, no segundo semestre do ano passado, o conteúdo humorístico chamado de "literatura de sopa de abobrinha".

Esta tendência foi inspirada por uma cena de um minuto, que mostra um filho recusando educadamente uma tigela de sopa de abobrinha da sua mãe, mas acaba sendo repreendido por mau temperamento.

Muitos usuários jovens afirmam que esse vídeo captura a falta de comunicação típica das famílias chinesas, especialmente quando os pais ignoram os desejos dos filhos, dizendo que algo é para o seu próprio bem.

Zhao Xuan, de 28 anos, faz parte deste grupo.

Ela já silenciou o chat do grupo da família porque seus pais raramente demonstram que se importam. E, sempre que falam com ela, é simplesmente o retratado na "literatura de sopa de abobrinha", segundo ela.

Zhao também acredita que seus pais preferem seu irmão de 15 anos. A cultura tradicional chinesa considera que apenas os meninos podem carregar a linhagem da família.

Quatro jovens adultos imersos nos seus telefones celulares, sentados em um banco em Pequim, na China

Crédito,Getty Images

Zhao conta que sua mãe é muito controladora sobre todos os aspectos da sua vida.

Depois que se formou, ela encontrou um emprego em tempo integral na França, mas sua mãe disse para ela desistir e voltar para a China.

"Antes de voltar, minha mãe insistia que iria tomar conta de mim. Fiquei sensibilizada", ela conta.

"Mas, na verdade, ela só queria que eu voltasse para casa para cuidar do meu irmão... Ela me trata da mesma forma que fazia quando eu era menor. Mas ela é uma mãe modelo para o meu irmão."

No passado, Zhao chegava às lágrimas ao conversar com suas amigas, tentando entender o comportamento dos seus pais. Mas, agora, ela recorre a memes e vídeos humorísticos.

As reações similares de outras pessoas fizeram com que ela percebesse que sua experiência não é a única e que ela poderia lidar com suas questões familiares com humor.

Trauma político

Foto histórica de meninas durante a Revolução Cultural chinesa

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Muitos pais chineses de hoje em dia viveram os tumultuados tempos da Revolução Cultural (1966-1976)

A estudiosa de questões de gênero Guo Ting, da Universidade de Toronto, no Canadá, afirma que se identifica com os pais chineses. Ela observa muitas "razões históricas" por trás das altas expectativas com seus filhos e suas dificuldades de expressar afeição.

Na época em que os pais de hoje em dia eram mais jovens, o discurso público negligenciava as emoções pessoais, segundo ela.

Eles passaram pela Revolução Cultural Chinesa, uma década de violência e instabilidade entre 1966 e 1976. Naquela época, só se demonstrava amor pelo país ou pelo seu líder da época, Mao Tsé-Tung (1893-1976).

Para Guo, a insegurança e a ansiedade dos pais de hoje podem ser explicadas pelas "turbulências e pela pobreza que eles atravessaram, bem como pelo ambiente inóspito, de sobrevivência do mais adaptado, que eles precisaram enfrentar".

Parte da imprensa estatal tentou conduzir a discussão na internet em termos do conceito tradicional de piedade filial, aconselhando às gerações mais novas que fossem mais compreensivas com seus pais.

Mas esta estratégia parece não funcionar com Vincent, por exemplo: "Posso entender as dificuldades dos meus pais, mas também tenho meus próprios traumas", afirma ele.

Alguns pais virtuais contrataram empresas de gestão para monetizar seu conteúdo, mas Vincent conta que ainda deseja assistir aos seus vídeos.

"Eles me dão o único carinho da minha vida. E é melhor do que nada."

Com edição de Grace Tsoi e Alexandra Fouché. A ilustração no alto da página é de Andro Saini, do Departamento de Jornalismo Visual da BBC Leste Asiático.