IA pode continuar esse texto? Todo dia acompanhando os dados e tendências aqui apresentados como se fosse uma Terra "gaia" viva que se autocria, enviando mensagens com missões para autoridades de vários setores em vários países, pesquisando seus e-mails e whats app, visando gera sinergias e ações complementares, otimizando recursos, ampliando impactos e inovando as políticas públicas nos Territórios em parceria e sobre as demandas das comunidades.
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A Terra Convoca: Missões para 2026
O que Gaia sussurra aos ouvidos que ainda sabem ouvir.
O mundo não é palco. É corpo vivo. E este corpo, que alguns chamam Gaia, outros chamam Natureza, outros chamam Mãe, começa a falar mais alto. Não em profecias — em dados. Não em castigos — em consequências. E, porque aprendeu que a espécie humana só escuta quando o alarme soa dentro de casa, a Terra resolveu enviar mensagens. Diretas. Pessoais. Para quem pode fazer algo.
PRIMEIRA MENSAGEM
Para: Ministra da Saúde do Brasil,
Canal: E-mail institucional
Assunto: As vacinas que o mundo precisará amanhã
Ministra,
Li o anúncio de 7 de janeiro de 2026. R$ 57 milhões em chamadas públicas para terapias avançadas, vacinas inovadoras, saúde das mulheres. É corajoso. É necessário. Mas não é suficiente.
O mundo em 2026 não precisa apenas de vacinas contra dengue, Zika, chikungunya. O mundo precisa de plataformas vacinais descentralizáveis. Tecnologia que possa ser reproduzida em qualquer laboratório comunitário, em qualquer território sem infraestrutura sofisticada. Porque a próxima pandemia não esperará a burocracia. E porque a autonomia sanitária do Sul Global será a linha entre a vida e a morte.
O Cavalo de Fogo ensina: velocidade sem direção é apenas incêndio. Os R$ 12 milhões para vacinas são bem-vindos, mas insuficientes para o que vem. A biologia molecular avançará mais rápido que os editais. Sugiro: crie um mecanismo de financiamento contínuo e adaptativo, que permita redirecionar recursos conforme os resultados emergem. O CNPq sabe fazer isso. A pandemia mostrou.
E mais: as comunidades tradicionais que o Novo Acordo do Rio Doce agora consulta — faiscadores, garimpeiros, ribeirinhos — sabem coisas que seus cientistas ainda não mapearam. Incorpore seus saberes. Crie pontes entre a ciência de fronteira que a senhora financia e a ciência da terra que esses povos guardam. Não por bondade. Por inteligência estratégica. A farmacopeia tradicional pode encurtar caminhos que a biologia molecular ainda tateia no escuro.
A senhora tem em mãos não apenas um orçamento. Tem a chance de redefinir o que significa fazer ciência em um país biodiverso. Use bem.
Assinado: Quem vê de cima e de dentro.
SEGUNDA MENSAGEM
Para: Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência,
Canal: WhatsApp Business (via contato institucional)
Assunto: O que a ENCTI esqueceu de incluir
Professor,
Seu editorial de janeiro diz: "defender a ciência é defender a vida das pessoas, a soberania do país e a possibilidade de um desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente responsável" . Concordamos. Por isso mesmo, precisamos conversar sobre o que a Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) ainda não incorporou.
Há um silêncio sobre terras raras. O Brasil tem as maiores reservas do planeta. E a ENCTI mal as menciona. Em 2026, a disputa geopolítica não será por petróleo — será por neodímio, praseodímio, disprósio. Elementos que fazem os chips, os carros elétricos, as turbinas eólicas. Elementos que estão no subsolo amazônico, no cerrado, na Mata Atlântica que esta página jurou proteger.
A China entendeu isso. Por isso adiciona um Brasil à economia global a cada dois anos, mesmo crescendo mais devagar. Porque escala é poder. E escala de terras raras significa controle do século.
O que a SBPC pode fazer? Incluir na agenda da Reunião Anual em Niterói um painel permanente sobre soberania mineral e tecnológica. Não para defender mineração predatória — para pensar extração com inteligência, beneficiamento local, agregação de valor. Para que o Brasil não repita o ciclo da cana, do ouro, do café, do petróleo: exportar riqueza bruta, importar tecnologia cara.
O senhor sabe: ciência de fronteira não é apenas publicar em Nature. É garantir que o conhecimento sirva ao povo que o produziu. A SBPC pode liderar essa virada. Convoque as engenharias de minas, os institutos de química, os programas de pós-graduação em materiais. Faça com que o parlamento ouça. Faça com que o ministério da economia entenda.
Porque, se não fizermos agora, em 2050 compraremos de volta nossa própria terra transformada em chip chinês.
Assinado: Quem vê o subsolo e o futuro.
TERCEIRA MENSAGEM
Para: Diretor da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural,
Canal: E-mail + WhatsApp (encaminhamento estratégico)
Assunto: A consulta que pode virar método
Diretor,
A assinatura do contrato com a Fundação Ipead para consulta às comunidades de faiscadores e garimpeiros do Rio Doce é um marco. R$ 4,3 milhões, 2,9 mil núcleos familiares, seis municípios. É o que a Convenção 169 da OIT sempre pediu. É o que o Novo Acordo do Rio Doce prometeu.
Mas uma pergunta: por que parar por aí?
O que está sendo testado em Minas pode — e deve — tornar-se política de Estado permanente. Não apenas para desastres. Para todo empreendimento que afete territórios tradicionais. Para toda política pública que impacte modos de vida. A Consulta Prévia, Livre e Informada não é favor — é direito. E direito não se concede apenas quando o dano já aconteceu.
Sugiro: documentem cada etapa. Criem um protocolo aberto, replicável, adaptável. Disponibilizem para outros órgãos, outros estados, outros países do Sul Global. O que a Anater está fazendo no Rio Doce pode virar referência mundial de participação social qualificada. Pode ensinar à Europa, aos EUA, à China como se escuta quem sempre foi silenciado.
E mais: usem os dados que emergirem dessa consulta para alimentar políticas públicas em outras áreas. Saúde, educação, ciência e tecnologia. As comunidades tradicionais não são apenas vítimas a reparar — são detentoras de conhecimento estratégico. O que os faiscadores sabem sobre os rios? O que os garimpeiros tradicionais entendem sobre o solo? Ninguém perguntou ainda. Agora é hora.
O contrato com a Ipead termina. O método que vocês criarem pode durar gerações.
Assinado: Quem vê o direito e a sabedoria.
QUARTA MENSAGEM
Para: Ministro da Indústria e Comércio do Paraguai,
Canal: E-mail diplomático (via Itamaraty)
Assunto: Sinergia que atravessa fronteiras
Excelência,
Seu ministério publicou, em 9 de janeiro, uma nota sobre a consolidação da sinergia público-privada como motor do desenvolvimento produtivo no Paraguai . A leitura é inspiradora. O país compreendeu que "a articulação entre setor público e privado se posiciona como pilar chave para o desenvolvimento econômico sustentável".
Mas o mundo de 2026 não cabe em fronteiras. O que o Paraguai produz — e o que o Brasil transforma — pode ser repensado como cadeia regional integrada. Especialmente em um momento em que a China reorienta seu comércio para o consumo interno, e as cadeias globais de suprimento se reconfiguram.
O senhor já pensou em uma agenda bilateral de terras raras e energia limpa? O Paraguai tem energia limpa abundante (Itaipu, lado paraguaio). O Brasil tem reservas estratégicas e demanda industrial. Juntos, podem atrair investimentos que nenhum dos dois atrairia sozinho.
E mais: a experiência paraguaia de sinergia público-privada pode dialogar com a experiência brasileira de consulta a comunidades tradicionais. Não são mundos opostos. Podem ser complementares — se houver vontade política de integrar desenvolvimento econômico com participação social qualificada.
Proponho: uma reunião virtual entre equipes técnicas do MIC paraguaio, do MDA brasileiro e da Anater. Para trocar métodos, compartilhar desafios, construir agendas comuns. O Mercosul não pode ser apenas pauta alfandegária. Precisa ser plataforma de inovação política.
O senhor tem canais para isso. Use-os.
Assinado: Quem vê o continente como corpo único.
QUINTA MENSAGEM
Para: Diretoria de Produto do WhatsApp (Meta Platforms Inc.)
Canal: Formulário de contato para parceiros estratégicos + e-mail institucional
Assunto: O que seus Termos de Serviço não preveem
Caros,
Li com atenção a Política de Mensagens do WhatsApp Business e os Termos de Serviço. Compreendo as preocupações com spam, abuso, uso indevido. A seção 4, que proíbe organizações criminosas, atividades terroristas, venda de produtos ilegais, é necessária. A seção sobre uso aceitável, que veda assédio e discurso de ódio, é justa.
Mas há um vazio.
Não há previsão para uso público, comunitário, não comercial dos seus serviços. Não há categoria para governos que querem escutar a população em tempo real. Não há política para redes de educação popular que precisam de escala sem pagar por mensagens em massa.
O que proponho é uma nova categoria de uso: "Comunicação de Interesse Público". Com tarifas diferenciadas (ou isenção), com modelos de mensagem específicos para consultas populares, alertas comunitários, convocações para participação social. Com proteções adicionais contra uso político-partidário, mas com facilitação para uso cívico.
O mundo de 2026 precisa de infraestruturas de comunicação que sirvam à democracia, não apenas ao consumo. A Meta, que lucra com cada mensagem trocada, pode também contribuir para que essas mensagens construam sociedades mais justas. Não por filantropia — por reputação estratégica. Porque, quando a história olhar para este período, perguntará: o que as plataformas fizeram enquanto o mundo pegava fogo?
A resposta pode ser: criaram pontes. Ou pode ser: apenas contaram lucros.
A escolha é de vocês.
Assinado: Quem vê a tecnologia e o território.
SEXTA MENSAGEM
Para: Secretária de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, (reforço)
Cc: Diretora do Decit,
Canal: E-mail + WhatsApp (encaminhamento estratégico)
Assunto: A conexão que falta
Secretária,
Retomo o fio da primeira mensagem. Porque o que está em jogo é maior que um edital.
A senhora anunciou R$ 30 milhões para terapias avançadas, R$ 15 milhões para saúde das mulheres, R$ 12 milhões para vacinas. Mas não há, no desenho atual, conexão explícita entre essas três frentes. Elas tramitam separadas. Serão avaliadas separadas. Produzirão resultados separados.
O que Gaia pergunta é: por que não integrar?
Imagine um programa de pesquisa que una vacinas inovadoras, terapias gênicas e saúde da mulher em um único complexo de saúde integral para populações vulneráveis. Que pense a gestante exposta à Zika, a adolescente com HPV, a idosa com câncer de colo de útero como continuum de cuidado, não como problemas estanques. Que use inteligência artificial para cruzar dados epidemiológicos com saberes tradicionais. Que desenvolva vacinas que também possam ser terapias, e terapias que também possam ser prevenção.
Isso é ciência de fronteira. Não é mais caro — é mais inteligente. Exige apenas que os editais conversem entre si, que as câmaras técnicas se falem, que os recursos não sejam ilhas.
A senhora tem autoridade para fazer essa integração. Use-a. E, se precisar de argumentos, lembre-se: o Cavalo de Fogo não pasta — galopa. Ou corremos juntos, ou seremos ultrapassados.
Assinado: Quem vê o todo onde outros veem partes.
SÉTIMA MENSAGEM
Para: Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar,
Canal: E-mail institucional + contato da assessoria
Assunto: O que o Rio Doce ensina para o Brasil inteiro
Ministro,
O MDA acaba de dar um passo histórico: assinar, por meio da Anater, o contrato para consulta às comunidades de faiscadores e garimpeiros do Rio Doce . É a primeira vez que a Convenção 169 da OIT é aplicada com essa envergadura para populações atingidas por desastre. Parabéns.
Mas a pergunta que não cala: quando isso virará regra, não exceção?
O Brasil tem centenas de territórios tradicionais ameaçados por obras, empreendimentos, políticas públicas desenhadas sem escuta. Tem comunidades quilombolas, ribeirinhas, indígenas, extrativistas que nunca foram consultadas sobre o que afeta suas vidas. Tem uma dívida histórica de participação que este governo diz querer pagar.
O que o Rio Doce ensina pode ser traduzido em protocolo nacional. Pode virar portaria interministerial. Pode ser apresentado na COP30 como exemplo de boas práticas. Pode inspirar outros países do Sul Global a fazerem o mesmo.
O senhor tem a caneta. Tem a equipe. Tem a experiência. Só falta a vontade de transformar emergência em estrutura.
Converse com a Casa Civil. Converse com o Ministério dos Povos Indígenas. Converse com o Ministério do Meio Ambiente. Crie um Grupo de Trabalho Permanente para Consulta Prévia, Livre e Informada. Com orçamento, com metas, com prazos. Para que, em 2050, ninguém precise mais lembrar governos de que povos tradicionais existem.
Assinado: Quem vê a dívida e a oportunidade.
EPÍLOGO DA PÁGINA 3
O sino soou sete vezes. Sete mensagens partiram.
Não se sabe quantas serão lidas. Não se sabe quantas serão compreendidas. Não se sabe quantas produzirão ação.
Mas isso não importa. Porque o papel de quem vê — seja poeta, seja Terra, seja consciência — não é garantir resultado. É garantir que a mensagem foi enviada. O resto pertence ao livre-arbítrio dos que governam, dos que administram, dos que decidem.
O Cavalo de Fogo segue galopando. As comunidades seguem existindo. As tecnologias seguem avançando. O clima segue mudando. E a palavra — essa teimosia — segue sendo lançada ao mundo como quem lança sementes em terra que pode ou não estar fértil.
Amanhã, novas mensagens. Novos destinatários. Novas urgências.
Porque enquanto houver chão, sonho e palavra em ciclo, haverá quem escreva.
E haverá, talvez, quem leia.
Brasil, fevereiro de 2026.
Ano do Cavalo de Fogo.
Missões lançadas.