SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 14 de junho de 2026

A AAA tem trabalhado ativamente com os departamentos para defender a antropologia, ajudando programas a expressar seu valor para estudantes que buscam medicina, direito e além.


 A presidente da AAA, Carolyn Rouse, não poupou em responder ao relatório recentemente divulgado "State of Scholarship" da Vanderbilt/WashU, um documento da comissão que destaca a antropologia e outras disciplinas das humanidades, argumentando que sua pesquisa foi comprometida por ideologias políticas.


"Já ouvi palavras como 'descontrolada'" para descrever o relatório, ela disse ao Inside Higher Ed. "É tão mal feito — eu ficava querendo fazer 'acompanhar mudanças' nele, como se estivesse corrigindo como um artigo — e ainda assim tem todo esse poder por causa de quem esses [autores] são."

O que está em jogo é real. Para administradores já céticos em relação às humanidades, Rouse alerta: "Isso é apenas uma confirmação de que eles estavam certos, e eles fecharão seus departamentos de antropologia."

A AAA tem trabalhado ativamente com os departamentos para defender a antropologia, ajudando programas a expressar seu valor para estudantes que buscam medicina, direito e além. Continuaremos expandindo nossos esforços para apoiar, defender e promover nosso campo.

Por que Jovens da Direita Lutam Contra a Própria Geração e suas Vidas? Por Egidio Guerra

 



O tema central da juventude ligada às novas direitas, e a aparente contradição de que estes jovens lutam contra os interesses da sua própria geração e suas vidas, é um fenômeno complexo que tem desafiado pesquisadores em todo o mundo. Longe de ser um movimento homogêneo ou irracional, a identificação dos jovens com pautas conservadoras e radicais revela profundas transformações sociais, políticas e subjetivas. Para compreender este paradoxo, é fundamental lançar mão de análises contemporâneas, como as de Beatriz Besen, e de um olhar histórico e crítico, a partir da Escola de Frankfurt, que nos alerta sobre os perigos do autoritarismo e a fragilidade da memória democrática.

O Paradoxo da Participação: A Busca por Pertença em um Mundo Hostil

A pesquisa da psicóloga Beatriz Besen, sintetizada em seu livro Novas Direitas – Juventude além dos extremos, oferece uma chave de leitura fundamental para desmontar os estereótipos que cercam esses jovens. A partir de entrevistas biográficas com ativistas no Brasil e na Alemanha, Besen revela que, para muitos, o ativismo político não é apenas uma escolha ideológica, mas uma busca por reconhecimento, pertencimento e transformação pessoal. Em um contexto de crise das narrativas progressistas e de um futuro cada vez mais incerto, as novas direitas oferecem um sistema de representação do mundo que, para eles, é coerente e cheio de sentido.

Essa identificação se dá, muitas vezes, em um movimento que a pesquisadora chama de “participação liminar”: uma combinação de práticas democráticas (como estudo e militância) com agendas que tensionam a democracia liberal, como ataques a minorias e ao próprio Estado. Este paradoxo ajuda a explicar a pergunta do título: ao lutar contra pautas como a diversidade, a equidade de gênero e os direitos humanos, esses jovens frequentemente atacam conquistas que beneficiariam a todos, incluindo a si mesmos, mas agem movidos por uma sensação de que a “ameaça do Outro” é real e iminente. Eles não se veem como vilões ou alienados, mas como uma contracultura que desafia o status quo, sentimento que foi, por muito tempo, associado à esquerda.

A Lógica da Destruição: Negacionismo e a Recusa do Coletivo 

A obra Cloroquination, de Flávio Emeren e Chloé Pinheiro, que analisa a propagação de falsas curas para a COVID-19 no Brasil, ajuda a compreender um dos mecanismos práticos dessa “luta contra si mesmo”. O livro documenta como a desinformação e o negacionismo científico se tornaram armas políticas, adotadas especialmente por setores da direita, e disseminadas por redes sociais que têm grande penetração entre os jovens. Ao abraçar discursos que negam a ciência, atacam a saúde pública e relativizam tragédias humanitárias, esses jovens não apenas colocam em risco suas próprias vidas e as de seus pares, mas também minam a própria ideia de vida em sociedade. A lógica do “cada um por si” e da “auto responsabilidade”, que Besen identifica como uma característica do neoliberalismo internalizado por esses ativistas, transforma o outro em um concorrente ou inimigo, inviabilizando a solidariedade geracional.

A Sombra do Passado: A Memória do Nazismo e o Fascismo Cotidiano 

Para completar o quadro, a análise da Escola de Frankfurt sobre a memória do nazismo é mais atual do que nunca. A famosa exigência de Theodor Adorno de que a educação tenha como primeira meta “que Auschwitz não se repita” ganha contornos dramáticos diante do crescimento da extrema direita entre os jovens. Na Alemanha, país com um dos mais robustos sistemas de educação sobre o Holocausto, o partido de extrema direita AfD obtém expressiva votação entre os mais jovens, que se sentem atraídos por um discurso de pertencimento nacional e por uma falsa promessa de ordem. O estudo de Adorno sobre a “personalidade autoritária” — que descreve sujeitos com tendência ao convencionalismo, à submissão à autoridade e à agressividade contra “outgroups” — fornece um arcabouço para entender como certos tipos psicológicos e sociais são mais suscetíveis a discursos de ódio e soluções mágicas e autoritárias para seus medos e frustrações.

A aparente incoerência de os jovens aderirem à discursos que os prejudicam, portanto, deixa de ser um mistério. É a manifestação de um mal-estar profundo, catalisado por redes sociais que amplificam o medo do outro e minam a confiança na democracia. Ao se identificarem com as novas direitas, esses jovens encontram um senso de propósito e identidade que o mundo contemporâneo parece lhes negar. No entanto, fazem isso abraçando ideologias que defendem o individualismo contra o coletivo, a desinformação contra o conhecimento e a autoridade contra a liberdade. Como nos alertaram Adorno e Horkheimer, o perigo do fascismo não reside apenas em grandes líderes, mas na sua capacidade de se insinuar nos anseios cotidianos de pessoas comuns, que podem ver no autoritarismo uma resposta para suas aflições — mesmo que essa resposta as conduza, a si e à sua geração, a um beco sem saída. E pensando em si mesmas, nos seus grupos, independente da ciência, dos números sobre pobreza, mortes e exclusão educacional, em acordos com a máquina que destrói a democracia com a compra de votos, destroem a importância vital de aprender com a luta, de escrever a História, de plantar as sementes da ética e dos sonhos, de profundar a democracia. Fortalecendo a autoritarismo de "esquerda" e a falta de memória. Alguns líderes fakes de esquerda são piores que os jovens de direita, porque mentem, roubam e matam dizendo ser em nome do povo.



 

A economia é importante demais para ser deixada para os economistas; Todos precisamos de um lugar à mesa de formulação de políticas."


 Como diz o Professor de Economia Ha-Joon Chang, uma boa política econômica não exige bons economistas. Precisamos de antropólogos e filósofos, cientistas ambientais e cientistas sociais, historiadores e geógrafos, e até, ouso dizer, epidemiologistas. A economia é importante demais para ser deixada para os economistas; Todos precisamos de um lugar à mesa de formulação de políticas." - Kate Pickett


E, de fato, a economia não precisa de economistas, e entre esses não-economistas está Kate, um epidemiologista social que nos traz um dos livros do ano.
Neste livro, como uma verdadeira detetive de 'saúde', ela apresenta os dados relevantes que um cientista social (sociólogo) proporia, a etnografia 'qualitativa' que um antropólogo descreveria, a história das causas por trás das causas que um historiador nos lembraria, e a geografia da saúde enquanto viajamos entre países e analisamos o bem e o mal que cada sociedade nos oferece...

Sendo britânico e realizando mais pesquisas neste país, o livro é um excelente retrato dessa sociedade, e aqui está minha recomendação para todos os britânicos: examinem esses pontos cegos; para o resto de nós, como eu (mesmo morando na Inglaterra), é a conexão entre todos esses pontos que torna uma sociedade boa ou ruim. Kate analisa outros países em sua pesquisa no estilo detetive, usando diferentes bancos de dados.

Seu livro com Richard Wilkinson, 'The Spirit Level' (2009), que comprei na minha segunda viagem ao Reino Unido (2010) e que guardei com carinho, continua sendo um dos meus 5 livros favoritos deste século. Provavelmente plantaram uma semente em mim para enquadrar tudo em torno da 'Saúde'; então Mallmann plantou não apenas mais uma semente, mas o quadro holístico (biopsicossociocultural) que, como antropólogo, me permite descrever a saúde da nossa sociedade ocidental ou de outras sociedades. https://lnkd.in/epuT84DG

Neste livro, descubro o pensamento triádico de Kate não apenas através do excelente spoiler no início do livro sobre os 3 caminhos a seguir:

"Alerta de spoiler: os três grandes são focados na prevenção, em dar a cada criança um bom começo de vida e meios de subsistência suficientes para todos."

Também temos dados de três faces (capa) e suas referências aos 3Cs para construir a educação de uma boa sociedade:

Cuidado, consideração, cooperação
Cuidado, criticidade, criatividade
Caráter, comunidade, contexto
Conectar, construir, criar
Pensamento crítico, criatividade, colaboração
Criação, conexão, curiosidade
Criatividade, desafio, comunicação
Competência, criatividade, cuidado

A cereja do bolo foi ela mencionar 'De volta ao Básico' através da citação de John Major:
"É hora de voltar a... valores fundamentais, hora de voltar ao básico..."

A surpreendente recuperação dos manguezais após décadas de destruição pelo homem

 

Árvores de mangue espalhadas pela água do mar rasa e clara, com conjuntos de árvores mais densos ao fundo

Crédito,Getty Images

    • Author,Matt McGrath
    • Role,repórter de meio ambiente
    • Author,Esme Stallard
    • Role,repórter de ciências e clima, BBC News
  • Published
  • Tempo de leitura: 5 min

Os manguezais presentes nas zonas litorâneas do planeta protegem milhões de pessoas contra tempestades e absorvem imensos volumes de gases do efeito estufa. E, agora, eles estão revertendo seu declínio de forma inesperada, segundo os cientistas.

As árvores dos mangues vinham sofrendo rápido declínio há décadas. Elas foram cortadas para a construção de casas e a instalação de fazendas de criação de peixes.

Mas um novo estudo demonstra que, desde 2010, o crescimento dos mangues pelo mundo vem superando as perdas anuais. Isso se deve ao fortalecimento das proteções legais em diversos países e ao aumento da consciência das pessoas sobre a sua importância, especialmente após desastres como o tsunami de 2004 no Oceano Índico.

Mas o principal fator, segundo os pesquisadores, é a notável capacidade natural de regeneração desses ambientes, quando os seres humanos deixam de destruí-los.

Homem de camiseta azul e calça escura anda por uma passarela de madeira sobre o mar, carregando duas mudas de plantas dos mangues, com outras já plantadas na água, nos dois lados da passarela

Crédito,Chaideer Mahyuddin/AFP via Getty Images

Legenda da foto,Eventos climáticos extremos levaram algumas comunidades a ganhar mais consciência sobre a importância dos manguezais para a proteção costeira

Os mangues são heróis pouco reconhecidos do meio ambiente.

Eles armazenam até cinco vezes mais dióxido de carbono por área que as florestas terrestres. E suas raízes emaranhadas também podem reduzir a velocidade das ondas e proteger comunidades litorâneas contra marés de tempestade e tsunamis.

As mesmas raízes oferecem um berçário perfeito para muitas espécies de peixes e outros animais marinhos, protegendo-os contra os predadores e fornecendo enormes quantidades de alimento.

Mas todos estes benefícios ficaram seriamente ameaçados no século passado. O aumento da criação de peixes, da agricultura e a expansão das cidades litorâneas levaram muitos manguezais a serem derrubados e rapidamente removidos.

Entre os anos 1980 e 2010, mais de 12 mil quilômetros quadrados de manguezais foram destruídos na Ásia, África e no continente americano. Esta área corresponde a duas vezes o tamanho do Distrito Federal (DF).

Mas o novo estudo mostra uma reversão desta tendência, especialmente ao longo da última década. Agora, a perda líquida total (a área de mangue perdida e não substituída) desde os anos 1980 foi reduzida para cerca de 849 km².

O trabalho de restauração das últimas décadas ajudou as florestas degradadas a se recuperarem, mas a grande mudança veio da expansão natural dos manguezais em muitas partes do mundo, após a queda do desmatamento.

Com isso, as áreas de mangue se estabilizaram na Indonésia e cresceram em Mianmar, dois dos países com maior quantidade de manguezais do mundo.

Na Indonésia, o tsunami de 2004 parece ter ajudado a mudar a mentalidade das pessoas sobre a importância dos manguezais, o que reduziu a derrubada de árvores para a criação de peixes.

"Algumas ilhas eram cobertas de mangues", conta Zhen Zhang, da Universidade Tulane, nos Estados Unidos, o principal autor do estudo.

"Depois do tsunami, aquelas ilhas permaneceram muito bem protegidas, o que aumentou a consciência da população sobre a importância de preservar os manguezais."

Uma mudança de consciência pública similar ocorreu em Mianmar, após a passagem do ciclone Nargis, em 2008, e a proibição nacional do desmatamento, em 2016.

A tecnologia também fez parte do processo, segundo os pesquisadores.

Neste estudo, foi empregado um sistema diferente de formação de imagens via satélite, para mapear as florestas com mais detalhes. Ele mostrou muito mais árvores novas do que os estudos anteriores.

As imagens vieram dos satélites Landsat, "que são muito sensíveis às mudanças das copas das árvores e fornecem observações globalmente consistentes, que as avaliações anteriores não encontravam", explica a professora Elizabeth Robinson, diretora do Instituto de Pesquisa Grantham, em Londres. Ela não participou do estudo.

"Este é um avanço considerável em relação às avaliações globais anteriores", contou ela à BBC News.

Mas parte desta expansão, provavelmente, tem dois lados. Ela pode ter ocorrido às custas de danos ambientais em outros locais.

Em muitos países, incluindo o Brasil, novos manguezais tomaram conta das margens dos rios e litorais oceânicos, devido à grande quantidade de nutrientes nos seus sedimentos.

Mas este desenvolvimento se deveu à destruição das florestas e à mineração no interior do continente, que podem ter levado nutrientes do solo, como o nitrogênio, para os cursos d'água, beneficiando os manguezais ao longo dos rios.

"Esta é uma boa notícia para os manguezais", explica Pete Bunting, da Universidade de Aberystwyth, no Reino Unido, um dos autores do estudo. "Existem mais manguezais do que pensávamos e eles estão demonstrando sua resiliência."

"Mas esta só é realmente uma boa notícia se não houver completa desordem rio acima."

A pesquisa também demonstra que a combinação de restauração e queda da destruição dos manguezais foi um sucesso, mas não de maneira uniforme em todo o mundo. Por isso, a África central e oriental aparece como foco de destruição no estudo.

"O delta do rio Níger é o símbolo dos impactos da poluição sobre os manguezais", afirma Bunting.

"A poluição causada pelo petróleo trouxe impactos em massa. E, se você olhar no Google Earth, poderá ver linhas retas atravessando os manguezais, onde ficam os oleodutos."

Manguezal com diversas árvores com raízes aéreas emergindo das águas azuis

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os manguezais vêm se expandindo naturalmente em muitas áreas costeiras desde 2010

Os ciclones tropicais continuam sendo uma ameaça séria. Eles são responsáveis por algumas das perdas mais significativas de manguezais registradas pelo estudo, todos os anos, da Austrália até o mar do Caribe.

Ainda assim, os autores da pesquisa concordam que a recuperação é uma boa notícia.

"Estamos seguindo na direção certa, pois você pode ver uma tendência muito clara de redução do nível de perda", explica Zhen Zhang à BBC.

O estudo também descobriu que muitos dos manguezais existentes estão se fortalecendo. Desde os anos 1980, a proporção de manguezais com dossel fechado (os mais ricos e densos em carbono) aumentou em cerca de 20%.

"Por isso, acho que estamos no caminho certo", conclui Zhen.