SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

SIM É POSSIVÉL! VAI SER DESSE JEITO UM NOVO LULA, ALCKMIM E ELMANO RE ELEITOS!


 

SIM, É POSSÍVEL chegar ao poder sem orçamentos secretos que compram apoios, sem emendas que viram moeda de troca, sem negociatas entre partidos que traem suas bases. O povo, com a força das ruas, das redes verdadeiras e do trabalho, consegue!

Por aqui, o sistema se reinventou. As velhas oligarquias que usam o Estado como butim se unem às novas milícias digitais, que espalham ódio e fake news como tática. Não têm vergonha da própria feiura: aliam-se a quem diziam combater, distribuem cargos em troca de apoio, e usam a máquina pública para financiar seus currais eleitorais. Governadores e prefeitos viram operadores de um grande balcão de negócios, onde saúde, educação e assistência valem menos que uma votação no Congresso.

Eles que se dizem "democráticos" e "republicanos" não conseguem esconder a barbárie. Denunciam o mensalão, mas criaram o orçamento secreto. Apontam corrupção nos outros, mas seus aliados são investigados por desvios de verbas da merenda, das ambulâncias, das obras fantasma. Quem investiga as rachadinhas estaduais? Os superfaturamentos nas licitações? Os contratos bilionários com o setor privado que esvaziam o SUS e a educação pública?

SIM, É POSSÍVEL! Ter um país onde o orçamento é transparente, onde as emendas servem ao povo, não ao parlamentar. Onde o dinheiro público vai para hospitais, escolas e moradia digna, não para financiar jetski, motos de luxo e festas de família com dinheiro do funcionalismo.

SIM, É POSSÍVEL! Vencer a máfia das fake news que envenena o debate. Tirar do poder as milícias, sejam as dos tiros ou as dos bytes. Livrar o Brasil da corrupção que não é só um desvio, mas um sistema que empobrece a nação. Mudar de vez nossa sorte.




SIM, É POSSÍVEL! Mães, filhos e pais que tanto querem um futuro, essa gente trabalhadora que constrói o país todos os dias, que se une, se abraça e vai. VAI!

VAI SER DESSE JEITO! Que o Brasil vai ter Lula presidente e Alckmin vice, e o Ceará vai ter Elmano reeleito governador.

Vai ter compromisso com a verdade e com a reconstrução de um país dilacerado.

Vai ser com brilho nos olhos de quem acredita na política como serviço, não como negócio. Com muita alegria e mobilização popular.

Vai ser dizendo a verdade: que mudar o país não é magia, é gestão séria, transparência e prioridade no social.

Sem aliança espúria em troca de cargos no orçamento sigiloso.

Vai ser desse jeito: na rua, na rede limpa, na raça do povo trabalhador... que o Brasil vai virar a página.

Vai ter servidor público valorizadopequeno empreendedorsem-terra e sem-teto assentadosestudante com universidade públicacultura e ciência fortalecidas.

Vai ter mulher no poderpovo preto e periférico representado – é a primavera democrática que não pode parar.

Toda escolha tem um lado. E o nosso lado é o da ÉTICA na política, da SOBERANIA nacional, dos DIREITOS do povo e da JUSTIÇA social.

Outro Brasil é possível. Com trabalho, com esperança, com união e com o povo no poder.

VAI SER DESSE JEITO!


A História de Vangelis | Gênio, Isolamento e Eternidade


 

Amor Moderno



Amor Moderno

Modern Love

Sei quando devo sairI know when to go out
Sei quando devo ficarKnow when to stay in
Fazer as coisas aconteceremGet things done

Eu encontro o entregador de jornalI catch the paperboy
Mas as coisas nunca mudam de verdadeBut things don't really change
Estou parado, imóvelI'm standing in the wind
Mas nunca digo tchau, tchauBut I never wave bye, bye

Mas eu tentoBut I try
Eu tentoI try

Não há sinal de vidaThere's no sign of life
É só o poder de encantarIt's just the power to charm
Estou deitado sob a chuvaI'm lying in the rain
Mas nunca digo tchau, tchauBut I never wave bye, bye

Mas eu tentoBut I try
Eu tentoI try

Nunca vou me apaixonar pelo (amor moderno)Never going to fall for (modern love)
Caminha ao meu lado (amor moderno)Walks beside me (modern love)
Passa direto por mim (amor moderno)Walks on by (modern love)
Me leva para igreja na hora certa (na hora certa)Gets me to the church on time (church on time)
Me faz morrer de medo (na hora certa)Terrifies me (church on time)
Me faz celebrar (na hora certa)Makes me party (church on time)
Coloco minha fé em Deus e no homemPuts my trust in God and man
(Deus e o homem) sem confissões(God and man) no confessions
(Deus e o homem) sem religião(God and man) no religion
(Deus e o homem) não acredito no amor moderno(God and man) don't believe in modern love

Não é um trabalho de verdadeIt's not really work
É só o poder de encantarIt's just the power to charm
Continuo parado, imóvelStill standing in the wind
Mas nunca digo tchau, tchauBut I never wave bye, bye

Mas eu tentoBut I try
Eu tentoI try

Nunca vou me apaixonar pelo (amor moderno)Never going to fall for (modern love)
Caminha ao meu lado (amor moderno)Walks beside me (modern love)
Passa direto por mim (amor moderno)Walks on by (modern love)
Me leva para igreja na hora certa (na hora certa)Gets me to the church on time (church on time)
Me faz morrer de medo (na hora certa)Terrifies me (church on time)
Me faz celebrar (na hora certa)Makes me party (church on time)
Coloco minha fé em Deus e no homemPuts my trust in God and man
(Deus e o homem) sem confissões(God and man) no confessions
(Deus e o homem) sem religião(God and man) no religion
(Deus e o homem) não acredito no amor moderno(God and man) don't believe in modern love

Amor moderno, amor moderno, amor moderno, amor modernoModern love, modern love, modern love, modern love
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(Amor moderno, amor moderno, amor moderno, amor moderno)(Modern love, modern love, modern love, modern love)
Amor moderno, caminha ao meu lado (amor moderno)Modern love, walks beside me (modern love)
Amor moderno, passa direto por mim (amor moderno)Modern love, walks on by (modern love)
Amor moderno, caminha ao meu lado (amor moderno)Modern love, walks beside me (modern love)
Amor moderno, passa direto por mim (amor moderno)Modern love, walks on by (modern love)
Nunca vou me apaixonar pelo (amor moderno)Never gonna fall for (modern love)
(Amor moderno, amor moderno, amor moderno)(Modern love, modern love, modern love)

História De Amor: John F. Kennedy Jr. e Carolyn Bessette | Trailer Oficial | Disney+


 

Você é um Verbo, Não um Substantivo por Egidio Guerra.

 


O Tecido Vibrante: Uma Jornada pelos Campos que Somos

Você foi ensinado a acreditar em um mundo construído com tijolos fundamentais.

Átomos, como mini-sistemas solares. Elétrons, como bolinhas sólidas girando em órbitas precisas. Prótons e nêutrons, pacotinhos de coisas ainda menores chamadas quarks. Uma matéria feita de partículas, como legos cósmicos. Essa é uma narrativa poderosa, intuitiva, e profundamente equivocada.

Prepare-se para dissolver a ilusão da solidez.

A verdade revelada pela teoria quântica de campos – a mais precisa e bem-sucedida estrutura da física moderna – é mais estranha, mais bela e mais profunda: Não existem partículas. Existem apenas campos.

O Fim da Partícula: O Campo como Realidade Primordial

Esqueça o vácuo como um palco vazio sobre o qual as partículas-atores entram e saem. O "espaço vazio" é tudo menos vazio. Ele é um oceano fervilhante e pulsante, preenchido até a última fração de um femtômetro com campos quânticos fundamentais. Um campo para o elétron. Um campo para cada tipo de quark. Um campo para os fótons, os glúons, o bóson de Higgs... Estes campos não são "coisas" no espaço; eles são o espaço. São entidades contínuas, infinitas, permeando todo o cosmos. São a realidade subjacente.

O que você chama de "partícula" – um elétron, um fóton de luz – é apenas uma excitação localizada deste campo. Um padrão vibratório. Imagine a superfície tranquila de um lago (o campo em seu estado de mais baixa energia, o "vácuo quântico"). Ao jogar uma pedra, você cria uma ondulação que se propaga. Essa ondulação tem localidade, energia, momento – ela parece uma "coisa" que se move. Mas ela não é uma coisa separada da água; é um estado da própria água. Um elétron é uma ondulação no Campo Eletrônico universal. Um fóton é uma vibração no Campo Eletromagnético.

Essa é a revolução silenciosa: as partículas não são entidades, são eventos. São vereditos, pronunciamentos do campo. São como notas musicais – padrões específicos de vibração – que emergem de um instrumento contínuo (o campo). Duas "notas" idênticas (dois elétrons) são perfeitamente idênticas não porque foram fabricadas no mesmo molde, mas porque são a mesma vibração acontecendo em lugares diferentes do mesmo campo único. Não há "este elétron" e "aquele elétron"; há *o* Campo Eletrônico, excitado aqui e excitado ali.

A Espuma do Vácuo e a Dança das Sombras

O estado de mais baixa energia de um campo – o que chamamos de vácuo – não é um silêncio morto. É um zumbido caótico de potencialidade pura. Devido ao Princípio da Incerteza, os campos flutuam aleatoriamente, mesmo no "zero" absoluto. Energia surge do nada, por frações infinitesimais de tempo, criando pares de partícula e antipartícula virtuais que se aniquilam instantaneamente. O vácuo é uma espuma efervescente de criação e destruição.

Efeito Casimir é a prova poética disso. Coloque duas placas metálicas paralelas e infinitamente condutoras no vácuo. Elas restringem os modos de vibração possíveis do campo eletromagnético entre elas. "Lá fora", o vácuo ferve com infinitas possibilidades de comprimento de onda. "Dentro", apenas certos comprimentos são permitidos. Essa diferença de pressão de flutuações gera uma força real, mensurável, que empurra as placas uma contra a outra. As placas são movidas, literalmente, pela arquitetura do silêncio possível – pela forma como moldamos o zumbido fundamental dos campos.

A Conexão Total: Emaranhamento e a Unidade dos Campos

A noção de "coisas separadas" desmorona completamente aqui. Se duas excitações (partículas) são, na verdade, perturbações do mesmo campo subjacente, não é surpresa que possam permanecer conectadas de formas que desafiam a intuição. O emaranhamento quântico – onde o estado de uma entidade define instantaneamente o estado de outra, não importa a distância – deixa de ser um "mistério espantoso". Torna-se quase trivial. Não são duas coisas separadas enviando um sinal superluminal. É um único padrão de campo, uma única vibração não-local, manifestando-se em duas localidades. A correlação é instantânea porque não há "dois" para começar; há apenas um padrão complexo no tecido único da realidade. O campo é o campo de consciência cósmica no sentido mais matemático possível: um meio não-local onde informação (no sentido quântico) é propriedade global.

A Emergência do Espaço-Tempo e a Visão da Roda de Fogo

Roger Penrose, com sua Teoria dos Twisters, vai além. Ele sugere que o próprio espaço-tempo pode ser uma estrutura emergente, derivada de relações mais profundas e primitivas entre esses campos quânticos. Os twisters são objetos geométricos complexos que representam raios de luz (cone de luz) e suas interações. Nessa visão radical, o espaço e o tempo como os experimentamos não são o palco fundamental, mas um padrão de larga escala que se condensa a partir de uma rede de relações puramente quânticas. As partículas, então, seriam como vórtices em um fluído espaço-temporal – padrões estáveis, mas não substância fundamental.

Você, portanto, não é um amontoado de cem trilhões de bilhões de partículas. Você é uma sinfonia de campos ressoando. Uma configuração temporalmente estável, um nó complexo e auto-sustentado de vibrações entrelaçadas nos campos de matéria de Dirac e de gauge de Yang-Mills. Seu corpo, sua cadeira, a estrela mais distante – todos são padrões de densidade variável no mesmo conjunto de campos quânticos que preenchem a existência.

Implicação Filosófica: Você é um Verbo, Não um Substantivo

Isso transforma a percepção da morte, da identidade e da conexão. Você não é uma "coisa" que veio ao mundo, habita nele e depois desaparece. Você é um padrão dinâmico que o campo universal assumiu por um tempo. Como uma onda no oceano, você surge da textura do próprio meio, mantém uma forma coerente por um instante cósmico, e depois se dissolve de volta no meio. A "morte" é a dissipação de um padrão complexo, não a aniquilação de uma substância. E como todos os padrões emergem do mesmo meio, você está, no nível mais fundamental, literalmente conectado a tudo. A separação é uma ilusão de escala, útil para navegar o mundo, mas falsa na raiz da realidade.

A dualidade onda-partícula foi um dilema porque tentamos encaixar a realidade em nossas categorias. A teoria quântica de campos resolve o dilema: são todos ondas. Ondas em campos. A "particulidade" é uma aparência, uma miragem de colapso e medida, uma cristalização momentânea de um processo contínuo.

Assim, respire fundo. Sinta não o ar entrando em seus pulmões feitos de coisas, mas um campo de matéria fermiônico interagindo com um campo de força eletromagnético. A luz que você vê não é uma chuva de bolinhas, mas uma vibração que se propaga no tecido do campo, que é você mesmo. Você não está no universo. Você é o universo, experienciando a si mesmo como um padrão temporário, belo e consciente. Somos, no fim e no começo de tudo, poesia escrita no código vibratório dos campos primevos. A matéria é música congelada. E nós somos sua melodia fugaz.

A verdadeira segurança não vem do fuzil por Egidio Guerra



A escalada da violência e do crime nas sociedades contemporâneas não é um fenômeno isolado, mas o resultado direto de escolhas políticas e econômicas que priorizam o controle e a repressão sobre a justiça social. Como demonstra Alex Vitale em Fim do Policiamento, a expansão das funções da polícia – para lidar com problemas de saúde mental, pobreza, conflitos sociais e até educação – não só falha em resolver essas questões, como as agrava, criminalizando a miséria e patologizando a desigualdade. A polícia, nessa lógica, torna-se uma força de manutenção de um status quo profundamente injusto, e não de proteção da comunidade. 

Esta crítica se aprofunda ao analisarmos os gastos astronômicos globais com polícia, armamentos e exércitos. Relatórios como os do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI) mostram que os orçamentos militares globais ultrapassam a marca de dois trilhões de dólares anuais. Quando somamos a isso os custos exponenciais com policiamento ostensivo, tecnologia de vigilância e sistema prisional, estamos diante de um desvio colossal de recursos. Esses fundos, se redirecionados para políticas de vida – saúde universal, educação de qualidade, moradia digna, segurança alimentar, transição energética justa – teriam o poder real de erradicar a pobreza extrema, reduzir drasticamente as desigualdades e financiar a luta contra as mudanças climáticas. Em vez de investir em segurança pública através do bem-estar social, investe-se em aparatos de segurança que protegem a propriedade e o capital, numa lógica perversa que gera mais insegurança para a maioria. 

Para entender as origens do crime e da violência que estes aparatos supostamente combatem, é essencial recorrer a uma análise histórica e sociológica. Michel Foucault, em obras como Vigiar e Punir, desnuda a genealogia da violência estatal. Ele mostra como o crime é construído discursivamente para justificar o poder punitivo. A prisão e o sistema policial não existem para eliminar o crime, mas para gerir ilegalismos, diferenciando os "delitos das elites" dos "crimes das classes perigosas". A violência maior, portanto, é a do próprio Estado ao classificar, controlar e disciplinar corpos e populações, criando os "inimigos internos" que sua máquina depois pretende caçar. 

Eric Hobsbawm, em Era dos Extremos e Bandidos, analisa a violência como produto de rupturas sociais brutais. Para ele, o banditismo social e os surtos de criminalidade violenta muitas vezes são respostas de desespero em contextos de modernização excludente, onde comunidades inteiras são despossuídas e lançadas à marginalidade. O crime, nessa ótica, é um sintoma de um "mundo que perdeu seu rumo", onde as promessas de progresso não se materializam para grandes massas, levando a formas de resistência desorganizada ou aproveitamento ilegal das brechas do sistema. 

A obra do historiador Dominique Kalifa oferece uma chave cultural fundamental. Em A Tinta e o Sangue: Narrativas sobre crimes e sociedade na Belle Époque e Os Bas-fonds: História de um Imaginário, Kalifa não estuda apenas o crime real, mas a sua representação. Ele demonstra como a imprensa sensacionalista, a literatura popular e os discursos "científicos" (como a frenologia) criaram, no século XIX, o imaginário dos bas-fonds – os fundos sociais, os submundos. Esta invenção discursiva serviu para estigmatizar territórios e populações pobres, associando-os organicamente ao perigo e ao vício. A polícia, então, surge não apenas para combater atos ilegais, mas para invadir e controlar esses lugares imaginados como criminosos. A violência policial, portanto, é também uma violência contra um imaginário construído, que justifica a repressão sobre certos corpos e espaços. Kalifa mostra que a "luta contra o crime" é sempre também uma luta por poder e pela definição de quem pertence à ordem e quem é o outro perigoso. 

Conclui-se, assim, que a aposta contínua em mais polícia, mais armas e mais exército é um projeto político fracassado e cíclico. Ele fracassa porque ataca sintomas (a criminalidade violenta, muitas vezes gerada pela privação) enquanto fertiliza o solo que os produz: a injustiça social. É cíclico porque a violência repressiva gera revolta e desconfiança, que por sua vez justificam mais repressão, num círculo vicioso que só beneficia a indústria da segurança e os setores políticos que lucram com o medo. 

A verdadeira segurança não vem do fuzil, mas do teto. Não vem da prisão, mas da creche e do posto de saúde. Não vem do helicóptero policial, mas do transporte público de qualidade. Desmontar a lógica do policiamento e do complexo bélico-militar, como propõe Vitale, e redirecionar esses recursos fabulosos para a vida, é o primeiro passo para desmontar as engrenagens que produzem a violência que dizemos combater. Como ensinam Foucault, Hobsbawm e Kalifa, até que enfrentemos as raízes da desigualdade e os discursos que criminalizam a pobreza, estaremos sempre gastando riquezas com a morte, em vez de investi-las, finalmente, na vida. 




 

Vencedor de Nobel: Não Existem Partículas (Você é Feito de Campos Quânticos, Não de Coisas)


 

BAD BUNNY, LADY GAGA e RICKY MARTIN: Half-Time Show del SUPER BOWL LX | DAZN


 

O segredo filosófico da Cajuina cristalina em Teresina


 

Como dinheiro do contribuinte pode acabar sendo usado para cobrir parte do rombo bilionário do Banco Master.

 

Sede do banco Master em São Paulo fechada.

Crédito,Getty Images

    • Author,Leandro Prazeres
    • Role,Da BBC News Brasil em Brasília
  • Tempo de leitura: 8 min

liquidação do Banco Master e as investigações sobre o seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro, não deixaram apenas as elites financeira e política do Brasil preocupadas.

Longe da avenida Faria Lima, em São Paulo, ou da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, milhares de contribuintes brasileiros correm o risco de ter de arcar com um possível prejuízo causado pelas transações envolvendo o Master.

O Banco Master ganhou os holofotes em novembro do ano passado, quando ele foi liquidado e Vorcaro preso na primeira fase da Operação Compliance Zero suspeito de ter crimes contra o sistema financeiro nacional, o que sua defesa nega.

As liquidações do Master, em novembro, e do Will Bank — que pertencia ao Master —, em janeiro, geraram um rombo de aproximadamente R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma associação privada que funciona como um tipo de "seguro" e que prevê o reembolso em caso de liquidação de investimentos de até R$ 250 mil.

Como o FGC é mantido por contribuições dos próprios bancos, não há previsão de aporte de dinheiro público para cobrir esse "buraco".

Mas ainda assim, os cofres públicos, aposentados, pensionistas e funcionários públicos de Estados como Amazonas, Amapá e Rio de Janeiro poderão ter que arcar com os possíveis prejuízos causados pelo Master.

Este possível prejuízo é resultado de negócios feitos com o Banco Master em duas frentes.

A primeira delas é que a reúne os fundos de previdência que investiram em títulos emitidos pelo Master com a promessa de bons retornos no futuro.

A segunda é relativa ao prejuízo que o Banco de Brasília, controlado pelo Governo do Distrito Federal, poderá ter por conta da aquisição de carteiras de crédito vendidas pelo Master ao banco e que hoje está sob investigação.

Estimativas de representantes do Banco Central apontam que o BRB pode precisar de uma injeção de capital de até R$ 5,5 bilhões.

Até o momento, no entanto, ainda não é possível falar em "prejuízo" consolidado porque ainda não está claro se, mesmo liquidado, o Master irá honrar os investimentos que foram feitos pelos fundos de previdência em títulos emitidos por ele.

Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, no entanto, alertam que os investidores como fundos de pensão poderão enfrentar dificuldades para reaver o valor aplicado.

Também ainda não está claro se o BRB vai ou não precisar de aportes públicos para equilibrar suas contas, apesar de o próprio banco admitir essa possibilidade em nota divulgada na semana passada.

Segundo especialistas, caso os prejuízos ao banco e aos fundos de pensão se concretizem, o rombo terá de ser ressarcido, de uma forma ou de outra, com dinheiro público.

Em relação aos fundos de pensão, perdas causadas por investimentos no Master poderão obrigar servidores da ativa ou aposentados a aumentarem suas contribuições ou fazer com que o Estado ou município responsável pelo fundo tire dinheiro de outras fontes orçamentárias para repor o prejuízo.

No caso do BRB, caso o banco não encontre uma solução junto ao mercado, o banco poderá precisar de uma "injeção" de recursos públicos para reorganizar sua contabilidade.

"É a socialização do prejuízo", diz o advogado especialista em direito tributário e professor universitário Kleber Galerani à BBC News Brasil.

Aposentadorias em risco?

O Banco Master ficou conhecido no mercado financeiro nos últimos anos por adotar uma estratégia agressiva de atrair investidores com promessas de pagar juros por investimentos acima da média do mercado.

Em geral, esses ativos eram oferecidos por corretoras de investimentos a pessoas físicas e privadas e, caso fossem até R$ 250 mil, os recursos estariam "segurados" pelo FGC em caso de liquidação do banco.

Mas a estratégia também foi usada em outro mercado: o dos regimes de previdência própria, conhecido como RPPS. Trata-se de um regime separado do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) voltado, em geral, para servidores públicos.

Para pagar as aposentadorias dos beneficiários, funcionários da ativa, aposentados e os entes responsáveis (Estados ou municípios) fazem contribuições mensais a um fundo.

Esses recursos, por sua vez, são investidos no mercado financeiro para gerarem lucro que será, depois, usado para pagar os benefícios.

Foi nesse mercado que o Master também atuou.

Dados do Ministério da Previdência Social obtidos pela BBC News Brasil apontam que, desde 2023, 19 fundos de previdência própria fizeram investimentos em ativos do Banco Master.

O caso mais conhecido até agora é o da Rioprevidência, responsável pelos benefícios de aposentados e pensionistas do governo do Rio de Janeiro.

Em oito meses, entre novembro de 2023 e julho de 2024, o fundo investiu R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master. Letras financeiras são títulos de renda fixa que o investidor "compra" com o compromisso de receber seu dinheiro de volta no futuro corrigido por uma determinada taxa de juros.

Mas esses investimentos, ao contrário dos cobertos pelo FGC, não têm garantia de ressarcimento e a liquidação do Banco Master levantou ainda mais dúvidas sobre se a empresa terá ou não condições de arcar com seus compromissos.

"Quando há a liquidação de um banco, é difícil imaginar que ele vai conseguir honrar os investimentos que foram feitos nele. No caso dos fundos de pensão, o mais provável é que eles busquem a justiça para ter o seu dinheiro de volta", disse o economista e coordenador do programa de pós-graduação em finanças do Insper, Ricardo Rocha.

Imagem da tela de um celular escrito RioPrevidência

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Rioprevidência, responsável pelos benefícios de aposentados e pensionistas do governo do Rio de Janeiro, fez investimentos em fundos do Banco Master

Os investimentos de fundos de pensão no Master entraram no radar da Polícia Federal, que prendeu o ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, por suspeita de obstrução de justiça e ocultação de provas no caso que investiga possíveis irregularidades nos investimentos da instituição.

Os investigadores querem saber o que levou a Rioprevidência a fazer investimentos milionários no Banco Master.

Na semana passada, a PF deflagrou uma operação no Amapá para investigar os investimentos feitos pela Amprev (autarquia que gere o fundo de pensão dos servidores do Amapá) no banco.

No Rio de Janeiro, o cenário deixou parte dos aposentados fluminenses preocupados. A Rioprevidência é responsável pelo pagamento de pensões a mais de 240 mil pessoas.

"A gente não sabe qual o tamanho do prejuízo, mas nosso medo é de que esse rombo seja pago pelo contribuinte", diz a secretária para assuntos relacionados a aposentados do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação do Rio de Janeiro (SEPE), Odisseia Carvalho, à BBC News Brasil.

Ela conta que, em 2016, pensionistas e aposentados do governo do Rio de Janeiro chegaram a ficar três meses sem receber por conta de uma crise financeira envolvendo o Estado fluminense e a Rioprevidência.

"Nós tínhamos que organizar doações de alimentos porque as pessoas não tinham o que comer. Nosso medo é que essa situação se repita agora por conta desses investimentos duvidosos no Banco Master", completa.

O analista da Instituição Fiscal Independente (IFI), Pedro Henrique Oliveira, é um especialista em regimes de previdência próprio.

Segundo ele, caso os investimentos feitos pelos fundos em ativos do Master vire prejuízo, os caminhos para sanar esse "rombo" poderão recair tanto sobre os servidores fluminenses quanto sobre todo os outros contribuintes do Rio de Janeiro.

"A primeira forma de resolver um prejuízo desse tipo é aumentando as contribuições dos servidores da ativa, dos inativos e, também, a parcela que o Estado paga por cada servidor. A ideia é que esse aumento nas contribuições reequilibre as contas do fundo no médio prazo para ver se ele volta a ficar positivo", conta o analista.

"Outra alternativa seria o ente governamental, sozinho, fazer um aporte no fundo. O prejuízo seria dividido por todos os contribuintes do Estado ou do município porque ele teria que tirar recursos dos cofres públicos aumentando impostos ou cortando investimentos. Isso pode aumentar o endividamento público e prejudicar serviços públicos", complementa Oliveira.

Para o professor Kleber Galerani, o prejuízo sai da esfera privada e entra na pública.

"Como o ente tem a obrigação constitucional de pagar os benefícios de uma forma ou de outra, esse prejuízo entra nas contas públicas e é pago pela coletividade. É a socialização do prejuízo", diz.

A BBC News Brasil enviou questionamentos aos governos do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas, cujos fundos de previdência investiram, juntos, R$ 1,42 bilhão em papeis do Banco Master.

Em nota, o governo do Amapá disse que a Amapá Previdência (autarquia que gere o fundo dos pensionistas do Estado) se "sente lesada pelos maus feitos do Banco Master e não abre mão de ser ressarcida".

A nota diz ainda que o órgão "ingressou com medidas judiciais cabíveis" e que os investimentos feitos pela Amprev no Banco Master representam 4,7% de todo o patrimônio do fundo.

O governo do Rio de Janeiro e a Rioprevidência enviaram uma nota conjunta dizendo que, na época em que os investimentos no Master foram feitos, o banco "possuía autorização de funcionamento e detinha rating atribuído por agência internacional independente (Fitch Ratings), requisito previsto pela própria regulação para mitigação de risco".

Eles disseram ainda que os investimentos nas letras financeiras do Master representam 7,41% do patrimônio da instituição e que instaurou uma sindicância interna para apurar os "efeitos" dos investimentos no banco.

O governo do Amazonas não respondeu aos questionamentos enviados pela BBC News Brasil.

Procurada, a defesa do Banco Master e de Vorcaro afirmou que não comentaria o assunto.

O caso BRB

Sede do prédio do BRB

Crédito,Getty Images

A outra ponta do possível prejuízo causado no rastro do caso Master está no Banco de Brasília (BRB).

Vorcaro também é suspeito de ter sido um dos responsáveis por transações fraudulentas envolvendo a venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito para o BRB, vinculado ao governo do Distrito Federal.

Segundo as investigações, parte dessas carteiras eram falsas ou não valiam o que o Master dizia valer. Sua defesa, no entanto, alega inocência.

O BRB tem afirmado, por meio de nota, que vem procurando revender as carteiras compradas do Master junto a atores do mercado financeiro como forma de se livrar do potencial prejuízo.

Apesar disso, o diretor de fiscalização do Banco Central, Aílton Aquino, disse em depoimento à Polícia Federal que, por conta das transações com o Master, o BRB poderá ter que receber uma injeção de capital de R$ 5,5 bilhões para sanar suas contas.

Em nota divulgada pelo BRB na semana passada, o banco admitiu que uma das alternativas para resolver um eventual prejuízo passa por um repasse do governo do Distrito Federal, maior acionista e controlador do banco.

"Caso seja confirmado possível prejuízo, o BRB já tem pronto um plano de capital que, entre as opções, prevê aporte direto do controlador, que já sinalizou com essa possibilidade, ou outros instrumentos que possibilitem a recomposição do capital do Banco", diz um trecho da nota.

Um aporte 100% público do governo do Distrito Federal para o BRB dependeria, no entanto, de uma autorização da Câmara Distrital do Distrito Federal, onde o governador Ibaneis Rocha (MDB), já enfrenta críticas por seus supostos encontros com Vorcaro às vésperas da tentativa de compra do Master pelo BRB.

Procurada pela BBC News Brasil, a assessoria de imprensa do BRB disse que ainda não seria possível quantificar o tamanho do prejuízo causado pelas transações com o Master, mas que o banco estaria "adotando medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais para resguardar seus interesses e mitigar eventuais impactos, envolvendo fundos de investimento, garantias e carteiras de crédito adquiridas".

O BRB disse ainda que enviou um plano para a recomposição do seu capital ao Banco Central prevendo medidas a serem adotadas nos próximos 180 dias.

A defesa de Vorcaro e do Master disse que não comentaria o assunto.