SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Mensagens de Vorcaro mostram comparação entre banqueiro e Jeffrey Epstein: 'Jeff tá amador demais'

 

Banco Master
    • Author,Leandro Prazeres
    • Role,Da BBC News Brasil em Brasília
  • Published

Mensagens de WhatsApp extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro e obtidas pela BBC News Brasil registram uma conversa em que o banqueiro e um contato identificado no aparelho como o empresário Flávio Carneiro fazem comparações com o criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.

O diálogo ocorreu em 19 de dezembro de 2023, em meio a comentários sobre publicações do investidor Vladimir Timerman, gestor da Esh Capital e autor de denúncias sobre operações do Banco Master.

Uma captura de tela reproduzida em relatório da Polícia Federal mostra uma postagem de Timerman em rede social, datada do dia anterior, que dizia: "No meio das minhas investigações tenho convicção de que encontrei o Jeffrey Epstein brasileiro...". O texto não identifica a quem ele se referia.

Na conversa, o banqueiro escreveu "Jeff epstein" e "Carapuça caiu kkkk".

Depois, afirmou ter percebido que a publicação se referia a outra pessoa. Carneiro respondeu: "Essa aí não tem sua cara pq o jeff tá amador demais". Vorcaro enviou: "Kkkk".

Carneiro disse à BBC News Brasil que é amigo de Vorcaro, mas que nunca trabalhou para o banqueiro e não tinha conhecimento de todas as suas atividades. Afirmou não se lembrar exatamente do assunto da conversa, mas disse recordar que o contexto era uma disputa entre Vorcaro e Timerman.

"Acredito se tratar de um comentário sobre algum trecho de matéria publicada a respeito do tema entre eles", disse.

Vorcaro está preso preventivamente desde 4 de março na investigação sobre supostas fraudes no Banco Master.

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Além desse caso, a PF abriu uma investigação preliminar sobre suspeitas de exploração sexual de mulheres envolvendo o banqueiro, conforme revelou o UOL e confirmou a BBC.

Em uma conversa de 18 de agosto de 2025, Vorcaro associou as festas que organizava aos seus negócios ao responder à então namorada, Martha Graeff, que questionava por que ele seguia determinadas mulheres nas redes sociais.

"Fazia parte do meu business. Nunca te escondi o que fiz e pq fiz", respondeu o banqueiro. "Fiz festa com 300 desse tipo. Não quer dizer que fiquei."

Outros diálogos registram supostos pagamentos pela presença de mulheres e valores adicionais caso elas ficassem com convidados. Há também propostas de investimento em agências de modelos e uma discussão sobre contratações e vistos.

Esses temas também aparecem na história de Jeffrey Epstein, que, como revelou a BBC News Brasil, financiava modelos no Brasil e avaliou propostas de investimento relacionadas a algumas das mesmas agências brasileiras de modelos citadas nas mensagens de Vorcaro, mas a ideia não avançou.

Os registros examinados não estabelecem ligação entre os dois homens.

Epstein foi condenado em 2008 nos Estados Unidos por crimes relacionados à prostituição, um deles envolvendo uma menor de idade.

Em 2019, voltou a ser preso, acusado de tráfico sexual de menores, e morreu na prisão antes do julgamento. Vorcaro não responde a nenhum desses crimes nem há qualquer suspeita de envolvimento com menores de idade.

A defesa de Vorcaro nega, em nota, as acusações de suposta exploração sexual de mulheres.

"Nego veementemente que tenha, em algum momento, explorado ou desrespeitado mulheres. Isso não é da minha índole. Na verdade, a falsa narrativa criada é exatamente o oposto do que sou, o que pode ser confirmado por qualquer mulher que me conheceu ou com quem me relacionei", disse a nota divulgada na terça-feira (13/10).

Festas, pagamentos e cobranças

Em outros diálogos, Vorcaro e uma interlocutora discutem valores pela presença de mulheres em eventos e pagamentos adicionais caso ficassem com alguém.

Em outubro de 2024, o banqueiro encaminhou as condições "Presença 2 mil Se ficar com alguem 10 mil". Em fevereiro de 2025, a interlocutora confirmou o recebimento de um pagamento após discutir com ele valores relativos a um encontro.

Em setembro, o portal Metrópoles publicou outra conversa, de 7 de março de 2025, em que a mulher cobrava Vorcaro em nome de uma amiga e dizia: "Ela disse que ficou com o kassio!". O banqueiro respondeu: "Me manda aqui" e "Dados e valor". A BBC News Brasil também obteve essas mensagens.

O Metrópoles associou a referência a "kassio" ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, que negou ao veículo ter encontrado a mulher mencionada.

À BBC News Brasil, a assessoria do ministro afirmou que ele nunca trocou mensagens com Vorcaro, pediu algo ao banqueiro ou votou a seu favor, tendo inclusive votado pela manutenção da prisão. Disse ainda que ele nunca autorizou terceiros a falar em seu nome.

Propostas envolvendo agências de modelos

O banqueiro Daniel Vorcaro fala ao microfone com fundo azul
Legenda da foto,Daniel Vorcaro está preso desde 4 março deste ano

Além das festas e dos pagamentos, mensagens de Vorcaro trocadas com o empresário Tiago Polo registram propostas de investimento em agências de modelos.

Em resposta à BBC News Brasil, Polo afirmou que sua relação com Vorcaro foi profissional e pontual, com trabalhos remunerados de relações públicas e produção de eventos.

"Nunca recrutei mulheres para encontros de natureza sexual, nem para Daniel Vorcaro nem para qualquer outra pessoa", disse.

Polo disse que foi procurado em 2023 para sondar um possível investimento de Vorcaro numa agência de modelos, com o pedido de que o nome do banqueiro não fosse mencionado nas conversas iniciais.

Em 19 de outubro de 2023, Polo sugeriu uma reunião com uma pessoa, que seria um diretor da Ford Models, para discutir projetos na empresa ou a abertura de uma nova agência.

"Ele vende?", perguntou Vorcaro, segundo as mensagens.

Polo respondeu que também tinha a agência Allure entre as possibilidades. Na mesma mensagem, atribuiu a outro interlocutor uma afirmação sobre a finalidade da proposta: "A ideia da agência seria uma forma de ajustar as meninas indiretamente".

"Vamos na top", respondeu Vorcaro, conforme as mensagens, "Ford". Depois perguntou: "Mas ele vende uma parte?".

Sobre a expressão "ajustar as meninas", Polo afirmou à BBC News Brasil que reproduzia uma fala de outra pessoa e que não poderia dizer o que ela pretendia expressar.

Ele disse que sua participação nas conversas tratava exclusivamente de um possível negócio no setor de moda, sem relação com a contratação de mulheres para festas ou encontros particulares.

A Ford Models Brasil afirmou à BBC News Brasil que nunca teve contato com Vorcaro, Polo ou outros representantes do banqueiro e que nunca recebeu proposta de compra ou parceria.

Disse que não está à venda e atua exclusivamente no mercado de moda, sem contratar ou disponibilizar modelos para festas e eventos.

Em 30 de novembro, a discussão se concentrou na Allure. Polo sugeriu que Vorcaro entrasse como investidor ou comprasse a agência, ou metade dela, mantendo seu responsável na operação.

"Cara, vamos fazer", respondeu Vorcaro. Quando Polo perguntou em nome de quem preparar o contrato, o banqueiro escreveu: "Vou colocar um fundo". "Senao nao tem como eu por a grana", completou.

Em dezembro, a conversa registra o envio, por Polo, de arquivos com nomes que fazem referência a um contrato de compra e venda de quotas e a termos da Allure. Esses registros não comprovam a conclusão da compra.

A Allure Management afirmou à BBC News Brasil que seu responsável, Felipe Nisti, conversou com Polo em 2023 sobre uma proposta de investimento para o crescimento da agência, voltada exclusivamente à moda e à publicidade.

A empresa negou que Nisti conheça ou tenha mantido contato direto com Vorcaro e disse jamais ter mantido relação societária, comercial ou contratual com o banqueiro.

Segundo Polo, os contatos com as agências eram sondagens comerciais para um possível investimento no setor de moda. Polo disse que apenas aproximou as partes, sem receber remuneração por essa intermediação, e que a negociação com a Allure não foi concluída.

As mensagens também registram uma discussão sobre contratações e vistos.

Como revelou o UOL, em uma conversa de 16 de fevereiro de 2024 examinada pela BBC News Brasil, Vorcaro escreveu a um interlocutor: "Vamos tirar visto famiglia", "Contratar todas allure" e "E marca entrevista". O contato respondeu: "Deixa comigo".

O diálogo não identifica as mulheres, não esclarece o destino dos vistos nem comprova que as contratações ou os pedidos tenham sido realizados. A Allure nega ter mantido relação societária, comercial ou contratual com Vorcaro.

O que caracteriza exploração sexual?

Para Carlos H. Borlido Haddad, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador da Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas, distinguir prostituição autônoma de exploração sexual exige examinar como ocorreu o recrutamento, o que foi prometido às mulheres e se elas tinham liberdade para recusar encontros e definir clientes, preços e ganhos.

Lívia Miraglia, professora da UFMG e coordenadora da Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas da Faculdade de Direito da universidade, diz que também é necessário investigar quem controlava o dinheiro e os deslocamentos e se havia retenção de documentos, dívidas impostas ou vigilância.

"A avaliação é sempre concreta: a vulnerabilidade por si só não configura o crime, é preciso demonstrar que o agente se aproveitou dela", afirma.

Haddad diz que a responsabilização de quem financia viagens exige demonstrar conhecimento da finalidade de exploração.

"O mero financiamento de passagem não é crime." Segundo ele, registros financeiros, mensagens, documentos de viagem e depoimentos ajudam a estabelecer esse vínculo.

O auditor fiscal do trabalho e pesquisador Maurício Krepsky acrescenta que o recrutamento de mulheres em situação migratória precária para trabalho sexual pode configurar tráfico de pessoas para exploração sexual ou trabalho análogo à escravidão.

Ele ressalta, porém, que o trabalho sexual voluntário de adultos "é lícito e protegido pelas normas gerais do trabalho, inclusive de saúde e segurança do trabalho".

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Quanto a província de Alberta gera de riqueza para o Canadá e o que aconteceria se ela conquistasse a independência?

 

Um homem está parado na calçada, acenando com uma bandeira azul de Alberta. Apoiada na grama à sua frente, está uma grande placa da mesma cor azul, com o brasão da província, onde se lê "Soberania de Alberta Já!".
Legenda da foto,Os habitantes de Alberta votarão nesta segunda-feira sobre a realização de um referendo sobre a independência no futuro
    • Author,Nadine Yousif
    • Role,Da BBC News no Canadá
  • Published

Para Keith Wilson, a província canadense de Alberta, no oeste do país, é um caso à parte.

Alberta conta com enormes reservas de petróleo e gás, um setor agrícola de peso e uma mão de obra jovem e qualificada, o que faz de sua economia uma potência que não pode ser ignorada, diz Wilson — que apoia a independência da província.

A província realiza um plebiscito nesta segunda-feira (19/10), oferecendo aos moradores duas opções: votar pela permanência no Canadá ou votar para dar início ao processo de preparação de um referendo sobre a independência em uma data futura.

Embora a consulta não seja uma escolha direta entre "ficar ou sair", ela ainda tem potencial para se tornar um dos acontecimentos mais significativos da história recente do Canadá e um importante teste para a unidade nacional.

Uma questão fundamental é central no debate: Alberta seria mais rica se fosse um país independente?

Para Wilson, a resposta é sim.

"A economia de Alberta é única. É fundamentalmente diferente do resto do Canadá — temos as pessoas, as instituições e a infraestrutura necessárias para prosperar", afirma ele.

Os separatistas de Alberta argumentam há muito tempo que a província tem sido prejudicada por fazer parte do Canadá e que uma maior parte da riqueza proveniente do petróleo e do gás deveria permanecer dentro de suas fronteiras, em vez de ser compartilhada com o governo federal em Ottawa, o que geraria uma economia de dezenas de bilhões de dólares.

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Fim da Promoção Agregador de pesquisasMas muitos discordam desses cálculos.

A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, que se opõe à independência, prevê um desfecho mais sóbrio. Ela afirma que a província poderia ter de arcar com cerca de 400 bilhões de dólares canadenses (R$ 1,4 trilhões) apenas em custos de transição, além de perder bilhões em investimentos e comércio devido à turbulência política.

Um relatório encomendado pelo governo de Danielle Smith e divulgado no início deste mês estimou que os custos da separação ficariam entre 50 bilhões e 170 bilhões de dólares canadenses (R$ 180 bilhões e R$ 610 bilhões) ao longo de cinco anos, além de apontar perspectivas altamente imprevisíveis para o longo prazo.

O relatório adverte que uma Alberta independente teria pela frente uma extensa lista de medidas a implementar, a um custo elevado.

O governo teria que criar agências para administrar impostos e segurança nacional, desenvolver sua própria constituição, sistemas jurídico e judicial, e planos de pensão, além de negociar a divisão de ativos federais, como parques nacionais e bases militares.

Lennie Kaplan, ex-funcionário da área financeira de Alberta, afirma que se espera que a província assuma uma parcela da dívida nacional do Canadá, entre muitos outros desafios e responsabilidades fiscais.

Um relatório sobre a independência de Alberta, elaborado pela CanadaWest Foundation, um centro de estudos sem fins lucrativos com sede em Alberta, estima que a província poderá ficar com uma dívida adicional que varia entre 258 bilhões e 333 bilhões de dólares canadenses (R$ 925 bilhões e R$ 1,2 trilhões).

Com o impacto projetado sobre o PIB de Alberta e os custos adicionais envolvidos, o relatório estima que a separação poderia afetar diretamente o bolso dos moradores da província, reduzindo sua renda disponível em média em 5,8%.

"Por que precisamos criar toda essa incerteza que pode impactar e prejudicar a situação fiscal da província no futuro? Por que não trabalhamos internamente no Canadá para resolver esses problemas?", questiona Kaplan.

Pesquisas de opinião indicam que entre 20% e 25% dos moradores de Alberta pretendem votar a favor do avanço para um referendo sobre a separação, com níveis de apoio mais elevados entre eleitores mais jovens, residentes de áreas rurais e conservadores.

Por trás do movimento separatista está a crença de que Alberta é incompreendida e negligenciada pelos tomadores de decisão do governo federal em Ottawa. Durante décadas, esse sentimento alimentou a sensação de que as províncias do oeste do país são ignoradas pelo governo central

Mapa do Canadá

Durante muito tempo restrito às margens da política provincial, o movimento separatista ganhou força por diversos motivos. Entre eles, a revolta gerada pela resistência política e ambiental que inviabilizou projetos de oleodutos para escoar o petróleo de Alberta — que não tem acesso ao mar — até portos na costa do país.

Uma década de governo liberal em Ottawa também causou frustração na tradicionalmente conservadora Alberta. Além disso, persiste a desconfiança em relação ao governo federal devido ao que alguns habitantes de Alberta consideraram lockdowns excessivos durante a pandemia de covid-19.

Ao longo do último ano, organizadores do movimento separatista realizaram assembleias públicas em toda a província para avaliar o interesse da população. Em seguida, lançaram uma petição popular pela separação no início deste ano, que obteve mais de 300 mil assinaturas.

Smith, a primeira-ministra, decidiu no início deste ano que autorizaria uma votação.

Alberta abriga o setor de petróleo e gás do Canadá, com reservas de petróleo estimadas como as quartas maiores do mundo. O petróleo bruto é, de longe, o produto de exportação mais lucrativo do Canadá, representando 142 bilhões de dólares canadenses (R$ 500 bilhões) somente em 2025.

A maior parte é vendida para refinarias nos EUA.

A província possui o maior PIB per capita do país e contribui com bilhões anualmente para a arrecadação de impostos federais devido à sua economia forte.

A província não recebe pagamentos de "equalização" desde 1965. Esses repasses são transferências feitas pelo governo federal às chamadas províncias "menos favorecidas", ou seja, aquelas com menor capacidade de arrecadação e riqueza.

Cálculos realizados por Tegan Hill e Nathaniel Li, economistas do centro de estudos Fraser Institute, mostram que a contribuição líquida total de Alberta para Ottawa desde 2007 foi de 322 bilhões de dólares canadenses.

"Isso é quase quatro vezes mais do que na Colúmbia Britânica, mais de quatro vezes mais do que em Ontário", disse Hill à BBC. "As outras sete províncias foram beneficiárias líquidas, o que significa que Ottawa gastou ou transferiu mais dinheiro para essas províncias do que arrecadou."

Hill explica que o montante que Alberta contribui para o resto do Canadá é uma das principais frustrações citadas por aqueles que são a favor da separação.

O sentimento, segundo ela, é: "Estamos pagando para sustentar essas outras províncias, e se seguíssemos nosso próprio caminho, poderíamos ficar com toda essa riqueza para nós mesmos."

Dinheiro

Essa crença está no cerne das projeções econômicas do Alberta Prosperity Project, um dos principais grupos que se organizam em favor da independência.

Em seu plano fiscal, divulgado no ano passado, eles estimam que Alberta economizará até 47 bilhões de dólares canadenses (R$ 170 bilhões) anualmente se deixar de pagar impostos federais.

O plano reconhece que os custos de Alberta seriam maiores se a província fosse independente, pois teria que arcar com despesas como defesa nacional e diplomacia internacional, estimando esses custos em até 31,6 bilhões de dólares canadenses (R$ 130 bilhões) anualmente.

Isso seria um adicional ao pagamento de serviços que Alberta, como província, já cobre, como saúde e educação, que custam cerca de 75 bilhões de dólares canadenses (R$ 270 bilhões) ao ano.

Após o pagamento de todas as despesas essenciais, o Projeto de Prosperidade de Alberta estima um superávit de 24 bilhões a 46 bilhões de dólares canadenses (R$ 86 bilhões a R$ 164 bilhões) por ano.

Com todo esse dinheiro extra, os defensores da separação argumentam que Alberta poderia reduzir os impostos individuais em mais de 10 mil dólares canadenses (R$ 35 mil) por ano, investir em infraestrutura ou aplicar o excedente no fundo soberano da província.

Mas vários economistas argumentam que essas projeções carecem de clareza e provavelmente superestimam o retorno financeiro.

O primeiro-ministro Mark Carney costuma apontar o Brexit — a votação para separar o Reino Unido da União Europeia — como um exemplo de advertência para Alberta.

Segundo um relatório publicado no início deste ano, a economia do Reino Unido sofreu uma queda de 6% devido aos efeitos do Brexit. Se a economia de Alberta sofrer um destino semelhante após a independência, poderá encolher em 62 bilhões de dólares canadenses (R$ 222 bilhões) anualmente, de acordo com uma projeção do economista Trevor Tombe, de Calgary.

Ele estimou que isso também resultaria em uma redução de 175 mil empregos.

Wilson rejeita essa comparação, argumentando que "a dinâmica fundamental é completamente diferente".

Ele diz que algumas das projeções do lado que defende a permanência são todas "apocalípticas", brincando que o único ponto negativo possível que eles não incluíram é "um grande asteroide atingindo o Canadá".

"Somos uma economia baseada em recursos naturais. Temos poder de negociação. Temos produtos que o mundo deseja. É por isso que o investimento vem para cá, apesar das restrições impostas por Ottawa", afirma.

Um moleque playboy X Presidente Idoso.



O texto abaixo é uma reação indignada ao que foi o debate da Band no último domingo (18/10), entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro. É um desabafo sobre a postura do candidato do PL, que transformou o confronto em um espetáculo de cortes para redes sociais, fugiu de todas as acusações sérias e desrespeitou um homem de 80 anos.


Que vergonha alheia. Flávio Bolsonaro não foi a um debate presidencial; ele foi gravar conteúdo para o TikTok.

O sujeito passou o programa inteiro trabalhando para a timeline, não para o país. A estratégia, treinada com o marqueteiro Duda Lima, com Pablo Marçal e com Nikolas Ferreira, era clara: circular atrás de Lula, fazer caras e bocas, gesticular, virar o debate inteiro em cortes para viralizar nas redes sociais. Não apresentou uma proposta. Não mostrou nenhuma postura de um presidente que precisa lidar com líderes do mundo inteiro, grande parte deles idosos, com educação e valores. Flávio Bolsonaro não debateu o Brasil: ele só queria o frame perfeito para o Instagram.

E o desrespeito? Foi a tônica. Um homem de 45 anos, debochando, ironizando e tentando desestabilizar um presidente de 80 anos. A campanha do próprio PT classificou a postura como “desrespeitosa” e “infantil” com “um senhor”. Flávio não discutiu propostas e foi desrespeitoso com um homem idoso, resumiu um ministro de Lula. E não foi só a idade: foi a postura de moleque mesmo, de quem não tem argumento e apela para a piada, para o deboche, para a pirotecnia. A consequência disso é grave: ao apostar repetidamente no deboche diante de um adversário idoso — Lula tem 80 anos —, Flávio corre o risco de transmitir uma imagem de imaturo e, sobretudo, desrespeitoso.

Agora, o mais grave: o silêncio. Lula fez acusações sérias, uma a uma. E Flávio, simplesmente, fugiu de todas. Não respondeu sobre os R$ 134 milhões ligados ao filme “Dark Horse” e ao banqueiro Daniel Vorcaro — Lula chamou a resposta evasiva de “desfaçatez de miliciano”. Não explicou a rachadinha, o esquema de corrupção no seu gabinete na Assembleia do Rio. Não esclareceu a milícia, a relação com o crime organizado. Não respondeu sobre a garota de 5 anos, o caso em que atuou como advogado de um policial militar que matou uma criança com um tiro de fuzil. Não aceitou o desafio de abrir os sigilos bancários e telefônicos para provar quem é corrupto — desconversou. 

Flávio Bolsonaro é o retrato de uma estratégia que Steve Bannon popularizou: inundar o ambiente com bobagem, com provocação, com “lacração”, para que o eleitor não preste atenção no que realmente importa. O debate não foi sobre o país. Foi sobre o corte. Foi sobre o engajamento. Foi sobre esconder, atrás de uma dancinha e de uma palavra escrita na palma da mão, a falta de projetos, o golpe, a corrupção, o envolvimento com a milícia e o fato de ter sido advogado de um assassino.

Enquanto isso, o candidato que deveria apresentar propostas para o Brasil se comportou como um influencer de quinta categoria, brincando atrás do presidente, sem responder a nenhuma das acusações sérias. E depois do debate? Ainda teve a cara de pau de fazer uma dancinha, como se tudo não passasse de um jogo, de uma brincadeira, de mais um conteúdo para as redes.

Não é sobre idade. É sobre respeito. É sobre decência. É sobre a diferença abissal entre quem tem propostas e quem tem apenas cortes. Flávio Bolsonaro mostrou, mais uma vez, que não está pronto para o cargo que disputa. E o pior: mostrou que não está pronto nem para o mínimo — o mínimo de respeito por um idoso, por um adversário e pelo próprio debate democrático.