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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Grandes olhos


 

Por que países vizinhos sofrem tanto com grandes terremotos, mas Brasil é 'poupado'?

 

Prédio danificado em terremoto na Venezuela

Crédito,Reuters

    • Author,Edison Veiga
    • Role,De Bled (Eslovênia) para BBC News Brasil
  • Published
  • Tempo de leitura: 5 min

terremoto que atingiu a Venezuela na quarta-feira (24/6) e matou mais de 180 pessoas foi registrado na escala Richter como um sismo de magnitude 7,2 - um dos mais fortes já ocorridos no continente em toda a história.

Apesar do abalo fortíssimo no vizinho ao norte, o Brasil foi quase totalmente poupado, com apenas leves tremores tendo sido sentidos em cidades como Manaus ou Belém.

O país parece ser, em geral, poupado de terremotos. Mas a ciência mostra que não é bem assim.

O que acontece é que, como o país está localizado no meio de uma placa tectônica, ou seja, longe das bordas que estão em constante atrito com outras na crosta terrestre, os tremores acabam sendo sentidos com menos intensidade no país.

Tecnicamente, o Brasil está no centro da chamada placa Sul-Americana.

Já os países vizinhos ao Brasil, especialmente os que estão mais próximos à cordilheira dos Andes, têm em seus territórios bordas de duas placas — e são destes encontros que ocorrem os terremotos, alguns deles com catastróficas consequências.

Para entender isso é preciso compreender como os terremotos ocorrem. E isto está diretamente ligado à constituição da crosta terrestre — a camada externa do planeta é formada por gigantescas placas rochosas, chamadas de placas tectônicas.

Tensões constantes

Carro esmagado por edifício

Crédito,Reuters

Legenda da foto,Sismo na Venezuela causou mortes e graves danos em diversas cidades

"Essa parte mais da superfície da Terra seria algo semelhante a um casco de tartaruga, com várias peças se encaixando", compara o geógrafo e historiador Sergio Ribeiro Santos, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

E elas se movimentam a velocidades que podem chegar a até 10 centímetros por ano.

São formações imensas. A placa Sul-Americana, em alguns trechos, pode ter até 200 quilômetros de espessura.

Há placas que "carregam" os continentes, outras que estão cobertas por água marinha e até mesmo as que combinam ambas as superfícies. Professor em um colégio paulistano e mestre em geografia pela Universidade de São Paulo (USP), o geógrafo Sergio de Moraes Paulo faz uma analogia com uma casca de ovo para explicar o que é a crosta terrestre. "Só que uma casca toda fragmentada, em grandes placas, que são as placas litosféricas, as placas tectônicas", pontua ele.

"Como a parte de baixo, o manto, que é como se fosse a clara do ovo, está se mexendo, as placas também se mexem", explica Paulo.

Segundo o professor, esse movimento se torna mais notável nas chamadas "áreas de contato" — ou seja, o limite entre um placa e outra.

O geógrafo Santos explica que essa movimentação se dá por conta das altas temperaturas do interior do planeta.

O movimento das placas faz com que elas estejam constantemente em atrito umas com as outras, como se buscassem se encaixar em um espaço limitado. Elas se empurram, se raspam e se chocam. Se a tensão é constante, há momentos em que a energia chega a um nível em que as rochas se fraturam, se rompem. Mais ou menos como ocorre se pegarmos uma pedra e, com uma ferramenta bastante sólida, formos apertando-a cada vez mais — uma hora ela trinca, quebra.

No âmbito de dimensões gigantescas das placas tectônicas, essa fratura é chamada de falha. Mas a energia liberada desse movimento é tão grande que acaba fazendo vibrar todo o solo ao redor. É isso que faz com que ocorram os tremores.

A área onde essas duas placas colidem é conhecida como limites convergentes.

No meio, a tranquilidade

"O Brasil está bem no meio da placa tectônica, e os terremotos acontecem muito mais próximos dos extremos das placas, nos limites convergentes. Ficamos distantes desses limites", explica o geógrafo Anderson Andrade, pesquisador no Instituto Mackenzie.

"Os países vizinhos ao Brasil, principalmente os mais próximos à cordilheira dos Andes, estão muito perto desses limites convergentes", acrescenta Andrade.

O que ocorre em países vizinhos ao Brasil é justamente a localização — onde se tocam as placas Sul-Americana e a de Nasca, na costa oeste da América do Sul, na região banhada pelo Oceano Pacífico. "Ali temos um movimento mais intenso e os abalos sísmicos. Aí ocorrem os terremotos. Esses abalos podem até chegar ao Brasil, mas como estamos no meio da placa, eles chegam mais fracos", explica Paulo.

Segundo Santos, foi exatamente a fricção entre essas duas placas tectônicas que deu origem à imensa cadeia montanhosa chamada de Cordilheira dos Andes.

"Os países andinos da América do Sul, logo a oeste, estão sobre o contato entre duas grandes placas tectônicas", sintetiza o engenheiro Antonio Eduardo Giansante, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Qualquer movimento entre ambas causatremores e se for mais intenso, tem-se um terremoto. Muitas vezes o contato entre essas placas tem uma quantidade grande energia armazenada e por qualquer variação entre ambas, há liberação dessa energia e reacomodação entre ambas as placas, terremotos de grande intensidade."

Terremotos brasileiros

Dados do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) mostram que o Brasil teve cerca de 100 terremotos no século. Nenhum deles de forte intensidade — na maioria, seus efeitos foram imperceptíveis pela população.

Os terremotos são medidos pela chamada escala Richter e, via de regra, apenas os que atingem mais de 7 graus nessa forma de medição causam alguma destruição. O mais grave do Brasil ocorreu em 1955, quando em algumas localidades do estado do Mato Grosso foram registrados 6,6 graus nessa escala. Na mesma ocasião, localidades do Espírito Santo chegaram a registrar 6,3 graus.

Em 1980, houve um terremoto registrado no Ceará com 5,2 graus na escala Richter. Três anos mais tarde, os sismógrafos marcaram 5,5 graus no estado do Amazonas.

Neste século, alguns episódios marcantes também foram percebidos no Brasil. Em 2007, 6,1 graus de abalo sísmico chegaram a ser percebidos por moradores na divisa entre os estados do Acre e do Amazonas. No mesmo ano, em Minas Gerais, houve um sismo registrado de 4,9 graus.

Em abril de 2008 ocorreu aquela que talvez tenha sido a percepção sísmica de maior repercussão na história recente do Brasil. Na ocasião, 5,2 graus na escala Richter foram registrados em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

O caso mais recente foi em 2018, quando reflexos de um terremoto na Bolívia foram percebidos em determinadas regiões do Brasil.

Segundo as medições do Centro de Sismologia da USP, os últimos tremores registrados no território brasileiro ocorreram em 11 de junho deste ano, quando três pequenos terremotos ocorreram na região de Tucuruí, no Pará — o maior deles, com 3,5 graus de magnitude.

A repercussão dos tremores é proporcional à intensidade deles. Em outras palavras, abalos sísmicos pequenos são muito comuns. "Mas acabamos por ter notícias apenas daqueles mais intensos, que geram imagens impressionantes", diz o geógrafo Paulo.

O argumento para a ação climática não pode ser apresentado apenas na linguagem da economia.


 O argumento para a ação climática não pode ser apresentado apenas na linguagem da economia. Soluções tecnocráticas não podem fazer um futuro diferente parecer possível, desejável ou valer seu custo. Enquanto os sistemas energéticos e a infraestrutura pública digital são as bases técnicas da transição verde, as artes e a cultura formam sua infraestrutura social: como as sociedades imaginam futuros alternativos, constroem legitimidade para buscá-los e se mantêm unidas à medida que as mudanças acontecem.


Novo artigo publicado hoje como parte da nossa pesquisa Valor Público das Artes e da Cultura, antes do Seminário Internacional sobre Cultura e Mudanças Climáticas de amanhã na Somerset House, sediado pelo Ministério da Cultura do Brasil durante a Semana de Ação Climática de Londres.

A economia por trás da turbulência política britânica**



A economia por trás da turbulência política britânica**


O professor Anand Menon, do King's College London, estuda a fragmentação da política britânica, a ascensão da Reforma, a pressão sobre o Partido Trabalhista e os Conservadores, e o clima anti-establishment predominante. Mas quando perguntado o que mais importa, sua resposta é econômica.

A economia britânica mal cresceu desde 2008. Não contraíram, apenas estagnaram, crescendo muito mais devagar do que nas décadas anteriores. Menon argumenta que a estagnação está por trás de quase tudo o mais.

Crescimento prolongado e baixo gera insatisfação. Eleitores insatisfeitos perdem a fé nos partidos tradicionais e experimentam alternativas tanto à esquerda quanto à direita. Isso está acontecendo em todo o mundo desenvolvido, mas é impressionante que esteja acontecendo até no Reino Unido, cujo sistema majoritário simples foi projetado especificamente para sustentar uma estrutura bipartidária estável.

A imigração segue a mesma lógica. Sua relevância como questão, argumenta Menon, está pelo menos parcialmente enraizada na insegurança econômica. Quando a economia tem um desempenho inferior e as pessoas se sentem deixadas para trás, a hostilidade se intensifica. A política está a jusante da economia.

Por isso, sua resposta política é simples de afirmar e difícil de concretizar: restaurar o crescimento, aliviar o custo de vida, reparar os serviços públicos. A dificuldade, como Keir Starmer está descobrindo, é que crises geopolíticas continuam intervindo e desviando o foco exatamente dessas prioridades internas.

Nenhum ser humano é apenas o seu diagnóstico!!!


 Há algo que me preocupa cada vez mais na prática clínica, na educação e nas conversas do cotidiano: a facilidade com que passamos a enxergar pessoas através de rótulos, como se uma condição, um diagnóstico ou uma classificação fossem suficientes para traduzir toda a complexidade de uma vida.


Os avanços da medicina, da psicologia e das neurociências trouxeram conquistas importantes. Muitas pessoas encontraram explicações para sofrimentos antigos, tiveram acesso a direitos, tratamentos e puderam compreender melhor suas próprias dificuldades. O problema não está nos diagnósticos. O problema surge quando eles deixam de ser instrumentos de compreensão e passam a ocupar o lugar da identidade.

Nenhum ser humano é apenas o seu diagnóstico!!!

Na clínica, é comum encontrar pessoas que chegam carregando não apenas seus sintomas, mas também as expectativas, os preconceitos e as limitações que outros construíram em torno delas.

Aos poucos, deixam de ser vistas como crianças, adolescentes ou adultos com histórias singulares e passam a ser percebidas apenas como "o autista", "o TDAH", "o ansioso", "o depressivo". O nome da condição, que deveria servir para orientar cuidados, acaba reduzindo a riqueza da experiência humana a uma única característica.

A Neurociência nos permite compreender mecanismos cerebrais e padrões comportamentais. A Psicologia busca entender emoções, relações e processos de desenvolvimento. A Psicanálise, por sua vez, nos recorda que existe sempre um sujeito por trás do sintoma. Há uma história, desejos, perdas, medos, vínculos, conflitos e recursos internos que não aparecem em nenhum código diagnóstico.

Reduzir pessoas a categorias pode produzir um efeito silencioso e perigoso: começamos a enxergar limitações antes de enxergar possibilidades. Passamos a interpretar comportamentos apenas pela lente do transtorno e esquecemos que a singularidade humana é sempre maior do que qualquer classificação.

Diagnósticos são fundamentais. Eles organizam o cuidado, orientam intervenções e ampliam o acesso ao tratamento. Mas cuidado e humanidade exigem algo que nenhum manual é capaz de oferecer: a capacidade de olhar para além dos rótulos e reconhecer a pessoa em sua totalidade.

Talvez uma das formas mais profundas de respeito seja justamente essa: compreender a condição sem permitir que ela apague a existência de quem a carrega.

Porque os diagnósticos explicam parte da história, mas nunca têm o direito de ocupar o lugar da pessoa.

A América Latina agora extrai mais ouro do que a China, com México, Peru, Brasil e Colômbia elevando a região acima de 390 toneladas ↓


 A América Latina agora extrai mais ouro do que a China, com México, Peru, Brasil e Colômbia elevando a região acima de 390 toneladas ↓


Com a guerra entre o Irã causando estragos nos mercados globais de ações e energia, há uma alta demanda por ativos mais seguros nos quais investidores possam depositar seu dinheiro.

A estabilidade do dólar americano e de outros ativos de refúgio tem sido cada vez mais questionada no último ano, devido a anúncios caóticos de tarifas, políticas de redução de déficits, paralisações governamentais e agora o início de outra guerra no Oriente Médio.

Consequentemente, muitos estão recorrendo ao velho e confiável ouro, o metal precioso que tem sido usado como uma forma de moeda ou ativo desde que os humanos abandonaram o sistema de escambo há muitos séculos. O ouro está em ascensão e, felizmente, a América Latina abriga quatro dos maiores produtores do mundo: México, Peru, Brasil e Colômbia. Juntos, extraíram 390 toneladas no ano passado; A China, a próxima mais próxima, alcançou 380.

Grande parte dessa produção passa por gigantes estrangeiros como Newmont, que opera a maior mina de ouro da América do Sul (Yanacocha, no Peru) e uma das maiores do México (Peñasquito). Mas também há jogadores locais no jogo. FRESNILLO PLC, maior produtora mundial de prata, extraiu 600 mil onças de ouro no ano passado, e Compañía de Minas Buenaventura, no Peru, está investindo 750 milhões de dólares em uma nova mina que começará suas operações este ano.

Este ano marca o 55º aniversário do abandono do padrão-ouro por Nixon (o sistema que vinculava o dólar americano ao ouro a uma taxa fixa de $35 por onça, o que significa que, em teoria, cada dólar era garantido por uma barra de metal mantida em Fort Knox).

Para dar uma ideia do quanto avançamos, hoje uma onça de ouro vale mais de $4,6 mil, abaixo do máximo de final de fevereiro de $5,2 mil, mas mais que o dobro do valor há menos de dois anos.

💌 A história continua...

Trabalhando numa proposta para avaliar o grau de risco climático em 65.559 propriedades rurais em 45 municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, envolvendo quase um milhão de hectares.


 Trabalhando numa proposta para avaliar o grau de risco climático em 65.559 propriedades rurais em 45 municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, envolvendo quase um milhão de hectares.


MUITAS derivações vão resultar desta análise, em função da abordagem metodológica aqui desenvolvida:

- Risco climático baixo: imóveis localizados em áreas com baixa suscetibilidade dos solos, inundação e enxurrada, mesmo nos cenários climáticos futuros.

- Risco climático moderado: imóveis que apresentam alguma exposição física ou climática, mas sem sobreposição crítica entre solo vulnerável, inundação, enxurrada e uso agropecuário intensivo.

- Risco climático alto: imóveis onde há coincidência entre suscetibilidade ambiental elevada e agravamento previsto nos cenários climáticos de 2026–2040.

- Risco climático muito alto: imóveis situados em áreas onde solos frágeis, risco de inundação, risco de enxurrada e maior pressão climática futura se sobrepõem espacialmente.

- Áreas prioritárias para adaptação: municípios e imóveis onde as camadas indicam maior chance de perdas produtivas, danos à infraestrutura rural e necessidade de medidas preventivas.

- Áreas prioritárias para monitoramento: imóveis localizados em zonas sensíveis, onde pequenas mudanças de chuva, temperatura ou uso do solo podem ampliar significativamente o risco.

- Áreas com maior vulnerabilidade produtiva: propriedades com uso agropecuário relevante situadas sobre ambientes fisicamente suscetíveis e expostas a cenários climáticos mais severos.

- Áreas com maior segurança relativa: imóveis onde o uso agropecuário ocorre em locais com menor suscetibilidade territorial e menor agravamento climático projetado.

- Municípios estratégicos para gestão pública: municípios que concentram maior número de imóveis expostos e, portanto, devem ser priorizados em planejamento, defesa civil, crédito, seguro rural e políticas de adaptação.