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sábado, 30 de maio de 2026
Prova Nacional Docente (PND) revela situação crítica para a formação de professores de matemática
Prova Nacional Docente (PND) revela situação crítica para a formação de professores de matemática. 🚨 Os dados recentes da PND expõem um cenário de escassez e baixa proficiência que atravessa todos os formatos de oferta e gestões institucionais. No total, tivemos 10.459 concluintes participantes na avaliação, mas impressionantes 76% dos estudantes estão em cursos avaliados com notas 1 e 2. Apenas 43,5% dos participantes de Matemática ficaram acima do nível básico. Para entender a discrepância, em Ciências Sociais esse índice foi de 90,3%, e em História, 75,8%. Analisando a distribuição, mais da metade dos alunos (52%) veio de cursos presenciais, contra 48% de cursos a distância. Nas instituições públicas, 52% dos concluintes tiveram resultado acima do nível mínimo, enquanto nas privadas o índice foi de 32%. -> A realidade nas Instituições Privadas Nos cursos EaD, 1.349 estudantes ficaram acima do nível básico (32,1%). Já os cursos presenciais entregaram, em todo o país, irrisórios 27 alunos acima do básico (38,6%). Embora o desempenho entre os formatos seja muito próximo (32% vs 38%), a EaD formou 50 vezes mais professores acima do nível mínimo. Destaca-se que apenas 14 municípios do Brasil têm cursos presenciais de matemática. -> O panorama nas Instituições Públicas Nas IES públicas, 236 estudantes dos cursos EaD ficaram acima do nível mínimo (36,8%), enquanto nos cursos presenciais foram 2.786 (53,8%). -> Destaques que ilustram a crise - IES Públicas: Apenas 20 cursos presenciais obtiveram nota máxima (5), enquanto 90 presenciais e 20 EaD ficaram com Nota 1. - IES Privadas: Todos os cursos presenciais receberam notas 1 e 2. Apenas 1 curso no Brasil obteve nota 5 - era ofertado a distância. - Esvaziamento crônico: Dos 17 cursos presenciais privados, 13 registraram 5 concluintes ou menos. Entre os 77 cursos EaD privados, 32 registraram 5 concluintes ou menos. -> O Diagnóstico Os dados provam que a crise na formação de professores de matemática está longe de ser explicada pelo formato de oferta dos cursos. Essa catástrofe que une o ensino presencial, o EaD, as públicas e as privadas aponta para um gargalo anterior: as graves deficiências na educação básica brasileira. O aluno ingressa no ensino superior, especialmente no privado, com grandes defasagens. Apesar do esforço realizado pelas instituições, ao final forma-se um número muito pequeno de alunos com conhecimentos adequados. -> A Perspectiva Futura A carência de professores de Matemática não é exclusividade nossa, sendo reportada nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e em outros países. Para o Brasil amenizar esse quadro, é fundamental melhorar a educação básica, reduzindo os déficits de aprendizagem e o distanciamento dos estudantes das exatas. Além disso, conforme previsto no novo PNE, deve-se investir na valorização docente para aumentar a atratividade da carreira.
E ele conclui que o uso de técnicas matemáticas é essencial para o progresso na economia.
Economista ganhador do Prêmio Nobel Paul Krugman - Economia Não é Excessivamente Matemática** Se a economia se apaixonou demais pela matemática tem sido tema de debate há algum tempo. Esse debate ganhou destaque após a crise financeira de 2008 – e a incapacidade da profissão econômica de prever isso acontecendo. Sugestões de que o campo havia se tornado matemático demais, opaco e desconectado da realidade ganharam brevemente mais destaque. Mas o Professor Krugman vê as coisas de forma diferente. Ele argumenta que analisar o que a profissão econômica recompensa – usando a medalha John Bates Clark como indicador – indica que economistas valorizam pesquisas relevantes para problemas do mundo real. Isso, segundo o Professor Krugman, é uma evidência de que o uso da matemática não tornou a economia desconectada do mundo real. Uma explicação importante para muitos não economistas afirmarem que a economia se tornou excessivamente matemática é que esses observadores não gostam das conclusões a que a economia convencional chegou. Isso é particularmente verdadeiro, ele argumenta, em relação às questões relacionadas à globalização. E ele conclui que o uso de técnicas matemáticas é essencial para o progresso na economia.
A filantropia não vai mudar o mundo até que ela mesma mude."
A filantropia não vai mudar o mundo até que ela mesma mude." Alguém disse a parte baixa em voz alta. No novo projeto da Grassroots International, Solidarity Philanthropy: Redefinindo a Relação da Filantropia com os Movimentos Sociais. Aqui está o plano de 10 pontos deles para transformar a filantropia. E como sou conselheiro de dois financiadores, só por curiosidade: O que você acrescentaria a essa lista? Tem algo com o qual você discorda?
Essa imagem mostra os estados do Brasil que mais investem em pesquisa e identifica portanto as suas prioridades.
Essa imagem mostra os estados do Brasil que mais investem em pesquisa e identifica portanto as suas prioridades.São Paulo aloca quase R$ 3 Bilhões na FAPESP e é um grande exemplo a seguir. Por isso consegue pagar bolsas de doutorado de R$ 7 mil e investir até R$ 3 milhões por startup. O IPT e a POLI tem centro de pesquisa financiado por Shell e FAPESP de R$ 160 milhões. Acompanhei essa criação, já como Diretor do IPT. ITA e Unicamp conseguiram R$ 50 milhões de FAPESP e Embraer para montar centro de pesquisa em mobilidade aérea do futuro. Participei desse lançamento quando eu era Reitor. Outros bons exemplos da lista são Santa Catarina e Ceará. SC porque é o décimo do país em população, mas o 4o. em pesquisa. E Ceará porque é o único do Nordeste no top 5. Ausências injustificadas de Rio Grande do Sul e Bahia nesta lista, mesmo sendo grandes estados em população e arrecadação. Os números mostram com clareza uma escolha de prioridades. Onde há investimento consistente em pesquisa, surgem universidades fortes, empresas inovadoras e desenvolvimento econômico sustentável.
E se a meta-crise não for apenas uma crise sistêmica — mas também uma crise de percepção, incorporação e relacionamento?
Estamos vivendo um momento em que quase toda crise gera mais pensamento: mais análises, mais frameworks, mais modelos tentando mapear a complexidade do nosso mundo e, ainda assim, apesar da sofisticação da nossa percepção, algo essencial ainda parece intocado.
No meu artigo recente, exploro uma questão que se tornou central no meu trabalho:
E se a meta-crise não for apenas uma crise sistêmica — mas também uma crise de percepção, incorporação e relacionamento?
Inspirando-me em Jean Gebser, neurociência, ecologia profunda, psicologia arquetípica e conversas em torno do "Terceiro Atrator", reflito sobre o esgotamento da estrutura puramente mental e a possibilidade de outro modo de participação na vida.
Não como otimização, mas como lembrar que sabemos profundamente, desde que não tenhamos esquecido disso.
Lembrando que não somos separados do mundo vivo, mas participantes dele.
O artigo aborda temas como:
• os limites da formação cognitiva
• incorporação e camadas arcaicas de inteligência
• o retorno das formas cíclicas e relacionais de conhecimento
• o feminino como princípio de regeneração
• a perda do ritual, dos limiares e da reciprocidade
• e a possibilidade de que o "Terceiro Atrator" não seja algo que inventamos, mas algo que lembramos.
Esta peça é profundamente pessoal para mim porque surge não apenas da teoria, mas da experiência vivida — de encontros com o corpo, a natureza, os ciclos e a percepção silenciosa de que a verdadeira transformação pode começar onde o controle se dissolve.
Talvez o futuro não dependa apenas de projetar sistemas melhores, mas
Depende se estamos dispostos a reentrar no mundo dos vivos como participantes, e não como controladores.
Dentro da mente do Inferno de Dante!
No panorama da ficção americana, poucos livros são tão ambiciosos, profanos e genuinamente eruditos quanto In the Hand of Dante (2002), de Nick Tosches. O romance, que a crítica Ian Penman descreveu como um "tightrope spin of a novel", é uma experiência de leitura que desafia qualquer categorização confortável. Tosches constrói uma máquina narrativa de duas engrenagens: de um lado, o presente cínico de um escritor fracassado envolvido com a máfia de Nova York; de outro, o passado sublime do poeta Dante Alighieri em busca da palavra divina. Ao fazer isso, ele não apenas escreve uma pseudo-biografia, mas estabelece um diálogo profano e visceral com a Divina Comédia, questionando o próprio ato de escrever, a natureza da autoria e a possibilidade do sagrado no mundo moderno.
📜 Estrutura e Enredo: Um Jogo de Espelhos Setecentista
O livro se desenrola em duas linhas do tempo paralelas, separadas por exatamente setecentos anos. Na trama contemporânea, ambientada no outono de 2001, um personagem chamado Nick Tosches — uma versão ficcional do autor, com a mesma biografia e obras publicadas — é contactado por um amigo ligado ao submundo do crime. Ele deve autenticar o objeto mais valioso da história literária: o manuscrito original da Divina Comédia, escrito pela própria mão de Dante, que teria sido descoberto em uma câmara secreta sob o Vaticano. O que se segue é um "thriller" pseudo-literário que ecoa O Código Da Vinci, mas com uma dose muito maior de niilismo e violência gratuita.
Emoldurando essa aventura corrupta, Tosches reconstrói a jornada do poeta italiano no século XIV. Acompanhamos Dante em seu exílio, sua busca por conhecimento místico na Sicília e sua luta desesperada para completar sua "obra prima", transformando a "grossness of his own humanity" em algo que contivesse a própria respiração do divino.
🔥 O Diálogo com o Inferno de Dante: Dos Círculos de Fogo às Ruas de Nova York
A conexão mais óbvia com a obra de Dante é a descida aos infernos, mas Tosches reinterpreta esse tropo de maneira profundamente original.
Uma Jornada Invertida: Enquanto Dante peregrina por um mundo espiritual e físico, Nick Tosches, o narrador moderno, está à deriva em um "inferno" burocrático e literário. Ele se refere a si mesmo como um "AOL Time Warner product", preso em um ciclo de rants contra editoras, vícios e a futilidade da fama. Para ele, o verdadeiro crime não é a fraude ou o assassinato, "é o próprio pensamento".
O Sagrado e o Profano: Os diálogos entre Dante e um rabino místico no passado exploram a natureza da fé, da linguagem e da criação poética. "All begins with the sigh," Dante é instruído, "the ah from which all words and tongues and attempts to express the inexpressible derive". Em contraste, Tosches embrutece essa busca: sua linguagem é repleta de vulgaridade e violência, como na descrição visceral de um gângster que abre o livro: "Louie pulled off his bra and threw it down upon the casket".
O Manuscrito Como Relíquia Infernal: A própria ideia do manuscrito original serve como uma justaposição poderosa. A Divina Comédia é uma obra-prima da imaginação do além; ao torná-la um objeto físico cobiçado por mafiosos, Tosches a reduz a uma mercadoria, um fetiche de luxo que motiva assassinatos. É a mais pura encarnação da ganância e da corrupção que Dante tanto criticou, transferida do papado para os cassinos de Atlantic City.
📖 Retrato do Poeta: A Desconstrução de um Mito
A grande contribuição de Tosches para o "diálogo" com Dante está em sua abordagem à biografia do poeta. Cansado da "literary theory and interpretations" que, segundo ele, sufocaram a figura humana de Dante, Tosches se propõe a tarefa de reanimá-lo.
Sua pesquisa foi meticulosa: ele aprendeu latim medieval para estudar os manuscritos originais e consumiu textos raros sobre o assunto, a ponto de formular perguntas que nem os maiores especialistas conseguiam responder. O resultado é um Dante profundamente humano e falho. Tosches o descreve como alguém frio com a própria esposa e filhos, consumido por uma "idealized vision of love" por Beatrice, uma obsessão que beira a insanidade criativa. "I like to think what I tried to do in the book was redeem him as somebody who actually came back to seeing the impossibility of what he'd set out to do," disse o autor, "[and] that the love that was earthbound was as powerful as that which was idealized". Este é um retrato que humaniza o mito, mostrando a ganância, o desespero e a solidão que acompanham a criação de algo eterno.
💬 Críticas e Citações: Entre a Audácia e o Excesso
O audacioso projeto de Tosches foi recebido com uma enxurrada de críticas tão contraditórias quanto o próprio livro.
Críticas Positivas e Virtuosismo: Muitos críticos saudaram a ousadia e o virtuosismo linguístico da obra. A San Francisco Chronicle celebrou o livro como "a novel that happily breaks every rule it can". O crítico Ian Penman, do The Guardian, destacou a abertura como "a melhor que li em muito tempo" pela sua precisão gelada. A frase que ecoa essa potência é o mantra do narrador moderno: "So, I must move forward, leaving grace and literary concerns behind me, riding hard on the mare of honesty alone, which overwhelms those lesser things".
Críticas Negativas e Autoindulgência: Por outro lado, o livro foi massacrado por sua autoindulgência e pretensão. A Kirkus Reviews chamou a atenção para o fato de o romance frequentemente "descer à fraqueza de 'Foda-se ele. Foda-se ela'" em meio a lamúrias sobre o estado da indústria editorial. A Historical Novel Society argumentou que a "serena" e "levemente poética" narrativa de Dante não era suficientemente bela para compensar as imagens violentas e vulgares do presente. Uma das críticas mais contundentes veio do The New York Times, que classificou as passagens sobre Dante como "um pouco perfumadas", com o poeta encontrando muitos céus e manhãs de "illimitableness" — um termo que, segundo a resenha, "soaria mais atraente em italiano". Essa dualidade levou muitos a descrever o resultado como, ao mesmo tempo, "maravilhoso e falho".
💎 Conclusão: Um Livro para Quem Acredita no Poder Profano da Literatura
In the Hand of Dante não é um livro para todos. É uma obra que exige paciência com seus devaneios metafísicos e estômago para sua violência gratuita. No entanto, é impossível negar sua originalidade. Tosches conseguiu a proeza de criar uma ficção que é ao mesmo tempo uma homenagem sincera e um chute nas canelas da tradição literária. Ao colocar o manuscrito de Dante "na mão" de um escritor cínico e falível, ele nos força a encarar a verdade inconveniente de que grandes obras de arte são frequentemente concebidas no caos, na obsessão e na imperfeição. É uma leitura para os amantes de livros que não têm medo de ver seus ídolos literários sujarem as mãos.