"É necessário ser raposa para conhecer as armadilhas e leão para espantar os lobos." — Nicolau Maquiavel, O Príncipe, Cap. XVIII
No tabuleiro da política cearense, as peças se movem silenciosamente, mas o objetivo é claro: a perpetuação de um nome, de uma família, de uma oligarquia. Sob a máscara da aliança e da lealdade partidária, articula-se um plano que faria o próprio secretário florentino sorrir de admiração — ou de horror.
1. O Falso: A Aliança como Cenário
O primeiro movimento do "Príncipe Oligárquico" é construir a fachada da fidelidade. Em público, o Senador do Ceará estende a mão ao Presidente Lula e Governador Elmano. Discursos são feitos, acordos são selados, fotografas são tiradas. O povo acredita ver unidade em torno de projetos comuns.
Mas Maquiavel sabia: "Os homens são tão simples e tão sujeitos às necessidades presentes, que aquele que engana sempre encontrará quem se deixe enganar" [Paráfrase de O Príncipe, Cap. XVIII]. A aliança com Lula e Elmano não é um pacto de coração, mas uma necessidade tática — um escudo contra suspeitas, um disfarce para a verdadeira operação em curso.
2. A Traição: As Peças e a imprensa no Xadrez, as narrativas.
É aqui que entra o "verdadeiro Maquiavel". O segredo não está na força bruta, mas na astúcia da raposa. As peças foram dispostas no tabuleiro com precisão cirúrgica:
Peça no Xadrez, Nome na Política, Função no Plano
Peão Avançado, Júnior Mano, atuar na base, desgastar adversários, preparar o terreno para o movimento decisivo, cumprir a missão sem levantar suspeitas.
Bispo nas Entrelinhas, Idilvan Alencar, usar a máquina educacional e a capilaridade na capital para construir uma narrativa paralela, minando silenciosamente a confiança na atual gestão municipal aliada ao Governador, negociando Fortaleza.
Cavalo em Movimento, Bismarck, ocupar espaços na frente tirando vaga federal do PT, cumprir sua missão na grande jogada. E outros movimentos aparentemente locais, todos prometidos como Possíveis Senadores como Roberto Monteiro, Eunício, Chiquinho mas que serve para fragmentar apoios dos adversários, serem usados como peças e fingir lealdades.
O objetivo de mover essas peças não é vencer agora, mas trair no momento certo. Maquiavel ensina que "as injúrias devem ser feitas todas de uma só vez" [O Príncipe, Cap. VIII]. A traição será rápida, total e devastadora.
3. O Verdadeiro Objetivo: 44 Anos de Poder com Ciro.
Qual é o prêmio final? Não é um mandato. É uma dinastia. O plano não visa beneficiar o atual governador, tampouco fortalecer Lula no Ceará. Pelo contrário:
Trair o Governador significa abandoná-lo na hora H, retirar apoios decisivos em uma eleição crucial, fazê-lo naufragar sozinho.
Trair Lula significa, usar sua imagem e seu prestígio, virar as costas ao presidente, elegendo um nome próprio como Camilo infiltrado pela Oligarquia.
Enquanto quem lucra com isso? No Ceara o Irmão de Cid: Ciro Gomes.
A projeção de 44 anos no poder (1991-2035) não é aleatória. Ciro já foi governador (1991-1994), ministro da Fazenda e da Integração Nacional, e construiu uma carreira nacional. O plano é pavimentar seu retorno definitivo ao comando do Ceará como trampolim para um projeto nacional duradouro, ou garantir que um sucessor de sua linhagem — seus irmãos Cid e Ivo, ou aliados diretos — mantenha o espólio político da família Ferreira Gomes por mais quatro décadas.
Como registrou a Folha de S.Paulo, os Ferreira Gomes disputam o poder no Ceará desde 1890, revezando-se ou rompendo oligarquias apenas para restaurar o próprio domínio. Derrotar os "coronéis" nunca foi o fim; foi apenas o meio para se tornarem os novos coronéis.
4. A Moral Maquiavélica: O Fim Justifica os Peões
Maquiavel não condena a traição; ele a descreve. Para o Príncipe que deseja manter-se no poder, "não deve afastar-se do bem, se possível, mas deve saber entrar no mal, se necessário" [O Príncipe, Cap. XVIII].
Nesse xadrez cearense, Júnior Mano, Idilvan Alencar, Bismarck, Camilo Santana não são pessoas, são peças descartáveis. Se forem descobertos, serão sacrificados. A opinião pública os chamará de "traidores", mas o verdadeiro arquiteto do plano — o Príncipe Oligárquico — permanecerá nas sombras, aguardando o momento de colher os frutos.
Conclusão: Enquanto o povo assiste ao teatro da política institucional, o verdadeiro jogo ocorre nos bastidores. A lealdade é uma moeda; a traição, um investimento. E no Ceará, a aposta é que o nome Ferreira Gomes ainda ditará os rumos do estado por quase meio século. Resta saber se o tabuleiro suportará o peso de tantas ambições e falsidades — ou se as próprias peças, um dia, se rebelarão contra o jogador.
"Quem quer que seja responsável por fundar uma república e lhe dê leis, deve pressupor que todos os homens são maus e que eles sempre usarão a maldade de sua mente sempre que tiverem oportunidade." — Nicolau Maquiavel, Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio



