Habitante Terra da Sabedoria
SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
quinta-feira, 7 de maio de 2026
O líder certo para uma empresa deve refletir onde ela está no ciclo de vida, e não existe um protótipo único de "grande CEO" que funcione ao longo do ciclo de vida.
Com o tempo, glorificamos construtores e conquistadores de impérios, tanto na política quanto nos negócios. Embora Steve Jobs tenha recebido status de lenda, por seu papel em trazer a Apple de volta dos mortos, o legado de Tim Cook na Apple, onde ele cumpriu com disciplina e contenção, merece respeito igual. O líder certo para uma empresa deve refletir onde ela está no ciclo de vida, e não existe um protótipo único de "grande CEO" que funcione ao longo do ciclo de vida.
O Índice de Liberdade Acadêmica de 2026 acabou de sair e não está nada bom... Deixe-me explicar:
O Índice de Liberdade Acadêmica de 2026 acabou de sair e não está nada bom... Deixe-me explicar: Todos os anos, 2300 especialistas medem a liberdade das universidades em 179 países. Eles avaliam se os pesquisadores podem se expressar livremente, escolher seu tema de pesquisa, colaborar com outros países, etc. Pois é, más notícias, as pontuações estão no pior 😞 nível de todos os tempos Cerca de cinquenta países regrediram, principalmente entre democracias ocidentais. O caso dos Estados Unidos, por exemplo, é bastante espetacular. Seu índice está diminuindo rapidamente, mais rápido do que o da Turquia ou da Hungria. Os EUA agora estão classificados em 85º lugar no mundo, atrás de países como Mongólia e Gana. A França também está recuando, mais discretamente. Essas não são proibições brutais como em um estado totalitário, mas sim uma pressão difusa sentida por pesquisadores em certas disciplinas. Por exemplo, alguns poderiam se censurar em assuntos sensíveis, por medo de não obter financiamento público. Resumindo, não são boas notícias, então...
Mais do que o dobro do volume de gás cortado devido ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz está sendo desperdiçado a cada ano
Uau! Mais do que o dobro do volume de gás cortado devido ao fechamento efetivo do Estreito de Ormuz está sendo desperdiçado a cada ano porque os países não conseguem lidar com vazamentos de metano e queimas desnecessárias, diz o International Energy Agency (IEA).
COM DESTAQUE À BIODIVERSIDADE
COM DESTAQUE À BIODIVERSIDADE
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um novo mapa-múndi com os continentes de cabeça para baixo e com o Brasil no centro. A publicação do “Riqueza de Espécies 2025” faz parte das celebrações de 90 anos do IBGE e em alusão ao Dia Internacional da Diversidade Biológica, comemorado em 22 de maio.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, afirmou que “o novo mapa-múndi desafia séculos de visão eurocêntrica e reposiciona o Sul Global no centro do debate sobre biodiversidade, poder e futuro do planeta”.
Segundo o IBGE, “essa projeção busca promover uma visão mais justa e ‘descolonizada’ do mundo, corrigindo o viés eurocêntrico presente em mapas tradicionais e servindo como uma ferramenta educacional e de representação mais equilibrada”.
Unidades de Conservação e Terras Indígenas, organizei esses dados para visualizar sua distribuição no território nacional.
Pesquisando sobre áreas preservadas no Brasil, especialmente Unidades de Conservação e Terras Indígenas, organizei esses dados para visualizar sua distribuição no território nacional.No mapa, aparece uma presença em todo o país, mas com forte concentração na região Norte, com grandes áreas contínuas. O gráfico reforça esse padrão. Estados como Roraima 46,1%, Amazonas 29,4% e Pará 24,7% têm uma parcela muito elevada de seus territórios ocupada por Terras Indígenas, enquanto em grande parte do Sul, Sudeste e Nordeste essa proporção é bastante baixa. As duas visualizações juntas ajudam a entender não só onde estão essas áreas, mas também o peso que elas têm dentro de cada estado. Dados do Ministério do Meio Ambiente e do IBGE. Elaboração própria.
Eu sou a minhoca !
O QUE EU REALMENTE FAÇO: Como meu peso em matéria orgânica por dia. Folhas mortas, raízes em decomposição, bactérias, fungos — tudo que entra pela minha boca sai transformado. Minhas excretas (coprólitos) contêm 5 vezes mais nitrogênio, 7 vezes mais fósforo e 11 vezes mais potássio que o solo ao redor. Cada montículo enrolado que você vê na superfície do canteiro é adubo concentrado que eu produzi de graça. Escavo túneis de até 2 metros de profundidade. Cada túnel é um canal de aeração que leva oxigênio às raízes e um canal de drenagem que impede alagamento. Solo com minhocas infiltra água de chuva até 6 vezes mais rápido que solo sem. Aquele canteiro que alaga quando chove forte e seca em dois dias provavelmente não tem minhocas suficientes. Misturo camadas do solo. Carrego matéria orgânica da superfície para baixo e minerais de baixo para cima. Em um hectare, as minhocas movem entre 10 e 50 toneladas de solo por ano — o equivalente a uma camada de 5 mm de solo novo na superfície inteira. Seu canteiro está sendo lentamente reconstruído por baixo sem você perceber. TRÊS ESPÉCIES NO SEU QUINTAL: Minhoca-vermelha-da-califórnia (Eisenia fetida) — 6 a 8 cm, vermelha listrada. Vive nos primeiros 10 cm de solo e em composto. A estrela da compostagem doméstica. Não escava fundo — processa matéria orgânica na superfície. A que você compra para a composteira. Minhoca-gigante (Amynthas spp.) — até 15 cm, cinza-azulada iridescente. Se contorce violentamente quando perturbada. Escava túneis profundos. Muito comum em jardins do Sudeste. Produz coprólitos grandes e granulados na superfície. Minhoca-nativa (Pontoscolex corethrurus) — 8 a 12 cm, cinza-rosada. A minhoca mais comum em solos tropicais brasileiros. Encontrada em pastos, jardins e hortas. Tolera solos ácidos melhor que espécies exóticas. COMO LER O SOLO: Mais de 10 por pá: solo excelente, biologicamente ativo. Continue fazendo o que está fazendo. 5 a 10: solo razoável. Adicione composto e cobertura morta para alimentar mais minhocas. Menos de 3: solo debilitado. Provável compactação, falta de matéria orgânica ou uso de pesticida. Comece a adicionar composto na superfície sem revolver — as minhocas migram de áreas vizinhas em semanas se houver alimento. Zero: solo morto ou muito recente (canteiro novo com substrato comprado). Adicione composto e pare de usar qualquer pesticida de solo. As primeiras minhocas chegam em 1 a 3 meses. O QUE ME MATA: Pesticidas de solo — inseticidas granulados e fungicidas me matam por contato direto. Cada aplicação reduz minha população em 60 a 90%. Aração e revolvimento — destrói meus túneis, expõe meus ovos ao sol e me corta com as lâminas. Solo arado perde 70% das minhocas na primeira passagem. Solo descoberto — sem cobertura morta, o sol aquece a superfície a 50-60°C e me empurra para profundidades onde não consigo processar matéria orgânica. Excesso de sal de fertilizante químico concentrado.
A alfabetização no Brasil é feia, mas é uma flor.
A alfabetização no Brasil é feia, mas é uma flor. Entre 1934 e 1945, Carlos Drummond de Andrade foi chefe de gabinete no Ministério da Educação e da Saúde Pública e, nesse mesmo período, escreveu os livros A Rosa do Povo e Sentimento do Mundo. Absurdo, né? Entre os poemas dos dois livros está "A Flor e a Náusea", onde o poeta caminha por uma rua cinza e no meio do asfalto nasce uma flor feia e sem cor, mas nasce. Em 2025, o Brasil alfabetizou 66% das crianças, superando a meta do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada. Dois anos atrás, eram 56%, e agora são cerca de 200 mil crianças a mais que estão alfabetizadas. É uma flor, o avanço é real, mas ela ainda é feia demais, pois um terço das crianças brasileiras das escolas públicas ainda não se alfabetizam na idade certa. Os resultados da alfabetização são divulgados nacionalmente e de maneira padronizada há apenas três anos. Essa divulgação ocorreu no mês passado, e em cima desses números produziram-se reportagens e rankings, e quem melhorou foi celebrado, quem não melhorou sentiu pressão. Para o bem ou para o mal, a possibilidade de comparar desempenhos incentiva a competição. Mas o papel de alguém que tenta analisar dados precisa ir muito além de rankear. Mais recentemente saíram os microdados, que mostram as informações escola por escola. Fui dar uma olhada e eis que tropecei em uma pedra no meio do caminho, com licença do Drummond. Os microdados revelam: 95% das escolas públicas têm pelo menos uma criança não alfabetizada. Noventa e cinco por cento. Quase todas. E quase metade das escolas públicas brasileiras tem entre 20% e 50% de não alfabetizados, sendo que mais da metade de todos os não alfabetizados estão nessas escolas. Esses números seguem propriedades de uma curva normal, não são uma grande surpresa para quem está acostumado com estatística, mas aqui aparece uma náusea. A náusea é que a atenção pública está voltada para um problema que tem outra forma. Hoje, manchetes, rankings e intervenções prioritárias atingem os melhores e piores do ranking. E não as “escolas do meio”, onde mora a maior parte do problema (mais da metade das crianças não alfabetizadas do nosso país). A pedra não é espetacular, não rende destaque, não recebeu atenção. Mas a pedra está ali, no meio do caminho. O analfabetismo invisibiliza, e a criança que não lê perde acesso ao código pelo qual o mundo se organiza. Quem não enxerga essa criança nos dados também reproduz essa invisibilidade, e as escolas do meio não ganharam manchete. Além disso, microdados ainda não trazem informações sobre raça/cor e educação especial, existem crianças que são ainda mais invisibilizadas. A náusea é dispersa, a pedra persiste, a flor precisa nascer. E todo mundo deveria poder ler Drummond.
Compartilhar mais sobre o que já estão fazendo para incentivar trabalhos orientados a sistemas.
Na minha carreira, deixei de focar principalmente em dietas saudáveis porque continuava vendo o progresso ser desacelerado por decisões fragmentadas. Queria focar mais em como as decisões #FoodSystems levam em conta as interconexões.
Mas não sou ingênuo quanto à realidade: existem desincentivos e riscos reais em agir de forma mais integrada.
Por isso, este artigo recente sobre as barreiras e oportunidades para operacionalizar #systemsapproaches em CGIAR realmente ressoou comigo. Mostra que, apesar do forte compromisso com a transformação de sistemas na CG, o pensamento sistêmico continua subutilizado, e mesmo aqueles que dizem trabalhar com sistemas frequentemente o fazem de forma restrita.
Por quê? Porque os pesquisadores não têm incentivos para trabalhar além das fronteiras. Duas razões principais emergem das descobertas do artigo:
🤕 Primeiro, abordagens sistêmicas raramente produzem os impactos claramente atribuíveis necessários para financiamento e publicação. Se o impacto é definido como mudança de sistemas, ele demora a emergir e é difícil de medir exatamente o que as métricas atuais não recompensam.
🥵 Segundo, a pesquisa baseada em sistemas é mais difícil em termos de gestão. Isso exige abranger diferentes disciplinas e temas, além de todo o tempo e esforço que isso implica. Nas palavras do artigo, é "mais borroso" e "difuso". Sem recompensas, faz sentido racional evitar abraçar a complexidade.
O que este artigo realmente mostra é que, na realidade cotidiana dos pesquisadores, abordagens sistêmicas os expõem a riscos. O triste fato é que, enquanto as abordagens de sistemas carregarem riscos profissionais e institucionais maiores do que permanecerem em silos, elas permanecerão marginais, independentemente de quantas vezes pedimos "transformação de sistemas".
Instituições de pesquisa, financiadores e editoras poderiam fazer muito para mudar isso – e compartilhar mais sobre o que já estão fazendo para incentivar trabalhos orientados a sistemas. Adoraria ouvir exemplos concretos.
𝐌𝐨𝐝𝐞𝐥𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚̃𝐨 𝐜𝐨𝐦𝐨 𝐫𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐧𝐞𝐮𝐫𝐚𝐢𝐬
🛠️ Talvez a ferramenta mais usada da estatística sejam os 𝐌𝐨𝐝𝐞𝐥𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐑𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚̃𝐨.
🤖 Esses modelos estabelecem uma ponte entre a estatística clássica e os modelos preditivos usados em 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐢𝐳𝐚𝐝𝐨 𝐝𝐞 𝐦𝐚́𝐪𝐮𝐢𝐧𝐚.
📊 Por meio deles, podemos compreender relações entre variáveis, avaliar a importância de diferentes fatores e realizar previsões para novos casos.
📉Ao contrário do que muitas vezes se imagina, 𝐨𝐬 𝐦𝐨𝐝𝐞𝐥𝐨𝐬 𝐝𝐞 𝐫𝐞𝐠𝐫𝐞𝐬𝐬𝐚̃𝐨 𝐧𝐚̃𝐨 𝐬𝐞 𝐥𝐢𝐦𝐢𝐭𝐚𝐦 𝐚 𝐫𝐞𝐥𝐚𝐜̧𝐨̃𝐞𝐬 𝐥𝐢𝐧𝐞𝐚𝐫𝐞𝐬.
🚀 Eles também podem ser usados para modelar relações não lineares entre variáveis, seja por meio de transformações, termos polinomiais, funções não lineares ou modelos mais flexíveis, como regressão logística, regressão spline e modelos aditivos generalizados.
🧠 De fato, alguns modelos de regressão podem ser vistos como casos particulares de 𝐫𝐞𝐝𝐞𝐬 𝐧𝐞𝐮𝐫𝐚𝐢𝐬. Por exemplo, a regressão linear corresponde a uma rede neural sem camadas ocultas e com função de ativação linear.
🤖 De modo semelhante, a regressão logística pode ser interpretada como uma rede neural simples, também sem camadas ocultas, mas com uma função de ativação sigmoide na saída.
🚀 Por isso, compreender esses modelos é fundamental para quem trabalha com dados, estatística, aprendizado de máquina e deep learning.
Assinar:
Postagens (Atom)