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Por que tantas mulheres africanas clareiam a pele?

 

Diversos frascos de produtos de clareamento da pele, de diferentes fabricantes, expostos sobre uma mesa

Crédito,AFP via Getty Images

    • Author,Oyenike Balogun
    • Role,The Conversation*
  • Tempo de leitura: 6 min

Em certos países africanos, mais de 50% das mulheres usam regularmente produtos de clareamento da pele.

Na África do Sul, este índice é de 32% e, na Nigéria, chega a 77% — um número muito maior do que em outras regiões do planeta.

Estes tratamentos podem trazer consequências significativas. Os comprimidos e cremes de clareamento da pele são vendidos livremente e já foram relacionados a grave descoloramento da pele, lesões a órgãos, condições neurológicas e complicações perigosas durante cirurgias.

Mas os pesquisadores ainda não sabem ao certo por que as mulheres usam esses produtos. E esta é uma questão importante, pois a resposta para essa questão deve orientar a criação de soluções de saúde pública.

Uma explicação intuitiva é que as mulheres clareiam a pele porque estão insatisfeitas com a sua cor. Mas é surpreendentemente difícil confirmar esta hipótese.

A maioria das pesquisas sobre a imagem do corpo depende de medidas explícitas — essencialmente, pesquisas que questionem diretamente às participantes como elas se sentem em relação à aparência.

Mas o meu trabalho como pesquisadora de métodos combinados e psicóloga clínica indica que este método tem limites.

As pessoas nem sempre respondem a estas questões com precisão. Existem situações em que preferir ter pele mais clara pode parecer, ou ser considerado uma confissão autodepreciativa. Nestes casos, fortes pressões sociais definem como as pessoas respondem a este tipo de questionamento direto.

Mulher reclinada com toalha na cabeça e creme para clarear a pele no rosto, com outras mulheres desfocadas ao fundo

Crédito,AFP via Getty Images

Legenda da foto,Na Nigéria, 77% das mulheres usam produtos para clarear a pele — um índice muito superior a outras partes do mundo
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Para solucionar o problema, meus colegas e eu abordamos a questão de outra forma.

No nosso estudo recentemente publicado, verificamos se uma avaliação implícita, o Teste de Associação Implícita da Pele (Skin IAT, na sigla em inglês), pode revelar algo que as escalas de autoavaliação talvez não registrem.

O exame é adaptado do Teste de Associação Implícita do psicólogo social Anthony Greenwald e seus colegas. Ele avalia a rapidez com que os participantes associam imagens de tons de pele claros e escuros a palavras positivas ou negativas.

A lógica é simples. Se alguém associar automaticamente a pele clara a palavras positivas e a pele escura a termos negativos, esta associação aparece no seu tempo de resposta, mesmo se aquela pessoa nunca disser isso diretamente em uma pesquisa.

Os desenvolvedores de medidas implícitas indicam que estes testes eliminam o viés da autoavaliação, determinando associações automáticas e instintivas, em vez de pedir crenças expressas, comportamentos ou avaliações de si próprio.

Os testes de associação implícita podem contornar o filtro que mostra o que as pessoas se sentem confortáveis para admitir. E também foram empregados para avaliar outras preferências implícitas, como raça, peso, religião e idade.

Nossas conclusões revelaram um desequilíbrio surpreendente: cerca de 79% dos participantes demonstraram preferência automática por pele mais clara no teste implícito, enquanto as pesquisas padrão do nosso estudo identificaram menos de um terço das pessoas pesquisadas.

Estas conclusões são importantes por destacarem o fato de que as forças que levam ao clareamento da pele em todo o continente africano não podem ser reduzidas a uma simples construção psicológica.

Suas raízes estão em séculos de história colonial, na circulação global de ideais de beleza eurocêntricos, em sistemas econômicos que relacionam o capital social à pele mais clara e em ambientes midiáticos que reforçam incessantemente estas hierarquias.

Um projeto de pesquisa que enfrente esta complexidade deve ser igualmente multidimensional, combinando medidas implícitas e explícitas com abordagens qualitativas, que criem espaços para que as mulheres articulem, nos seus próprios termos, como a cor da pele influencia suas vidas.

Avaliando as respostas inconscientes

Nosso estudo incluiu uma amostra de 221 mulheres negras, predominantemente sul-africanas. Esta amostra representou a maior parcela de participantes para esta pesquisa online, dirigida a mulheres negras africanas de todo o continente.

Pedimos a elas que preenchessem duas autoavaliações de satisfação com a cor da pele, além do Teste de Associação Implícita da Pele.

Para poderem participar do estudo, as participantes precisaram se identificar como mulheres negras africanas, ter pelo menos 18 anos de idade e estar dispostas a responder questões sobre sua aparência física.

Após o teste implícito, 78,5% demonstraram preferência por um pele mais clara. As duas autoavaliações identificaram percentuais muito menores (18,5% e 29,8%, respectivamente).

O resultado do teste implícito no nosso estudo (78,5%) ficou mais próximo do limite superior dos índices de clareamento da pele no continente (77%, na Nigéria).

Este desequilíbrio na avaliação é importante. Ele pode indicar que, para um número substancial de mulheres negras africanas, a preferência da cor da pele pode operar abaixo do nível consciente. Ou, talvez, abaixo do nível que elas se sentem confortáveis para expressar.

Estas são mulheres que, em uma pesquisa, poderão responder que estão satisfeitas com sua pele, mas suas associações automáticas contam outra história.

Outdoor anunciando produto de clareamento da pele, indicando dados de contato na Costa do Marfim

Crédito,AFP via Getty Images

Legenda da foto,Os produtos de clareamento da pele já foram relacionados a diversas condições médicas

Pesquisas melhores

Como pesquisadores, não estamos defendendo o abandono das autoavaliações. Elas registram questões como comportamentos conscientes, valores e crenças. Por isso, elas permanecem indispensáveis para muitas pesquisas.

Na verdade, nossas conclusões indicam a necessidade de usar mais de um método para investigar o que os participantes realmente pensam e sentem.

As avaliações implícitas examinam associações que podem operar abaixo do limite da reflexão deliberada.

Entrevistas detalhadas, grupos focais e métodos baseados em comunidades podem revelar uma variada textura de experiências, de uma forma que nenhuma escala, implícita ou não, pode registrar.

Por isso, os métodos mistos não são uma conciliação de ferramentas imperfeitas. Eles são a resposta apropriada a um fenômeno que é, ao mesmo tempo, estrutural, cultural e profundamente pessoal.

Com os países africanos enfrentando as dimensões de saúde pública de uma prática comum, mas pouco compreendida, a comunidade de pesquisa tem a obrigação de fazer o seu melhor. Isso inclui o investimento em ferramentas de avaliação desenvolvidas especificamente para as mulheres negras africanas — e em conjunto com elas.

Isso significa considerar a variedade regional. E também levar a sério a possibilidade de que aquilo que as mulheres contam sobre seus corpos nem sempre coincidem com seus sentimentos íntimos ou experiências inconscientes.

* Oyenike Balogun é professora de psicologia da Universidade Bentley, nos Estados Unidos.

Este artigo foi publicado originalmente no site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons. Leia aqui a versão original em inglês.

Quando e por que o cristianismo abandonou a circuncisão enquanto o judaísmo, não

 

Ceremônia de 'brit milá' (circuncisão judaica)

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,A Lei de Moisés estabelece que os judeus do sexo masculino devem ser circuncidados no oitavo dia de nascimento, um rito conhecido como brit milá
    • Author,Felipe Llambías
    • Role,BBC News Mundo
  • Tempo de leitura: 8 min

No oitavo dia de nascimento, como todo homem judeu, Jesus foi circuncidado.

Mas essa prática foi abandonada pelos cristãos, diferentemente de outros rituais que o judaísmo e o cristianismo ainda mantêm e partilham, como a oração conjunta nos templos ou a celebração em datas semelhantes do Natal e do Hanukkah ou da Páscoa e do Pesach.

E a resposta de por que os cristãos não retiram o prepúcio (camada de pele que cobre a cabeça do pênis) dos bebês está na Bíblia.

Segundo o Novo Testamento, a ruptura entre o judaísmo e o cristianismo no que se refere à circuncisão ocorreu por volta do ano 50 e teve como protagonistas são Paulo e são Pedro, que tiveram uma intensa discussão sobre o assunto.

"Foi o primeiro conflito institucional da igreja", explica Miguel Pastorino, professor de filosofia da religião e antropologia filosófica da Universidade Católica do Uruguai, bacharel em teologia, doutor em filosofia e ex-padre, à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

São Paulo — que naquela época não era santo, mas apenas Paulo de Tarso — passou de fariseu, ou seja, fervoroso defensor da Lei de Moisés que perseguia discípulos de Jesus, a ser um dos propagadores mais entusiastas da palavra de Cristo em todo o mundo, diz a Bíblia.

Paulo de Tarso era, como Jesus de Nazaré, Pedro da Galileia, e os outros apóstolos, judeu. Como tal, eram circuncidados.

A religião judaica era uma das únicas monoteístas até então. Os gregos, romanos e egípcios acreditavam em várias divindades.

Para o povo judeu, Elokim (Deus) havia dito a Abraão: "Este é o meu pacto que você deve manter, entre você, eu e sua posteridade: todo homem entre vocês deve ser circuncidado".

Além dos judeus, os muçulmanos — que também acreditam no profeta Abraão — continuaram essa prática até hoje.

Embora não seja mencionada no Alcorão, a circuncisão aparece nos hadiths (registros escritos de comunicações orais do Profeta Maomé).

Circuncisão na história

A remoção do prepúcio, que envolve a retirada da pele do pênis que cobre a glande, é uma prática que não começou com a religião, mas muito antes.

É o procedimento cirúrgico mais antigo do mundo: acredita-se que ele tenha se originado no Egito há cerca de 15 mil anos, segundo o livro An Illustrated Guide to Pediatric Urology (Um guia ilustrado para urologia pediátrica, em tradução livre), do cirurgião pediátrico e acadêmico Ahmed al Salem.

Al Salem explica que muitas culturas incorporaram a circuncisão por razões que vão desde a higiene até os rituais de maioridade, oferecendo cerimônias aos deuses ou como marcas de identidade cultural.



Cena da circuncisão no antigo Egito retratada em um papiro

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Acredita-se que a circuncisão tenha sido realizada pela primeira vez no Egito
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"A religião mandava em tudo, desde nas práticas higiênicas até na alimentação, no sexo, na política. Os sistemas religiosos nascem conjuntamente como tudo nasce na cultura, e antigamente eram difíceis de separar. Quando tiveram de legislar sobre algumas práticas de higiene na época, a religião teve um papel fundamental nisso. Porque a lei era a lei de Deus, não havia outra", explica Pastorino.

Essa visão contém nuances no judaísmo.

"Há quem diga que, além do conceito religioso, sua utilidade sanitária e higiênica gerou maior adesão a essa prática. Mas não dá para determinar se a origem foi higiênica e sanitária e depois houve um acordo sobre a divinização ou religiosidade do evento, ou se foi o contrário. Mas há uma conjunção inegável entre a prática da circuncisão e saúde e higiene", diz o rabino Daniel Dolinsky.

Nos tempos antigos, os sumérios e semitas também circuncidavam os homens.

Maias e astecas também adotavam a prática, segundo relatório publicado em 2007 pelo programa Unaids das Nações Unidas.

Embora difundida, a circuncisão não era universalmente aceita.

Para os antigos gregos, que exercitavam seus corpos e admiravam a nudez masculina, o prepúcio era um símbolo de beleza, e a circuncisão não era bem-vista.

"A preferência estética pelo prepúcio mais longo e cônico é reflexo de um ethos mais profundo envolvendo identidade cultural, moralidade, propriedade, virtude, beleza e saúde", escreveu o historiador Frederick M. Hodges, especializado em história da medicina, em um artigo de 2001.

Um prepúcio não circuncidado, mas curto, que não cobria toda a glande do pênis, era considerado defeituoso.

"Entre a população judaica, a dificuldade em manter a prática da circuncisão se tornou um problema em particular durante o Período Helenístico [entre a morte de Alexandre o Grande e a anexação da península grega por Roma], devido à influência da cultura helenística sobre os judeus que desejavam assimilar a cultura dominante", diz Cynthia Long Westfall, professora de Novo Testamento no McMaster Divinity College, no Canadá, em seu livro Paul and Gender ("Paulo e Gênero", em tradução livre).

"Além disso, houve um período em que a circuncisão era ilegal: Antíoco Epifânio havia ordenado aos habitantes da Judeia que não circuncidassem mais seus meninos. Consequentemente, alguns judeus tentaram esconder sua circuncisão", acrescenta.

O confronto de são Paulo com são Pedro

Diferentemente de como funcionava o judaísmo, que não buscava converter ninguém à sua religião, Jesus pediu a seus discípulos que espalhassem seus ensinamentos por onde pudessem.

Paulo de Tarso, que provavelmente chegou a Jerusalém na adolescência ou no início da idade adulta e passou a infância rodeado de gregos, foi o principal promotor da evangelização após a crucificação de Jesus.

Ele viajou pelo que hoje é Israel, Líbano, Síria, Turquia, Grécia e Egito, territórios que faziam parte do império de Alexandre, o Grande, espalhando a mensagem de Jesus sobretudo entre aqueles que chamavam de "gentios", termo que designava não-judeus.

Os não-judeus viam a circuncisão como uma mutilação genital comparável à castração, diz Long Westfall.

"Por isso, a circuncisão tinha um estigma no mundo greco-romano, e era um processo muito doloroso para um homem adulto."

São Pedro e São Paulo, pintados por El Greco no Renascimento

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Em sua pregação, Paulo dizia que a única coisa necessária para a salvação de Deus era a fé — e não cobrava a circuncisão

"Essa é a norma que estabeleço em todas as igrejas. Alguém foi chamado sendo já circuncidado? Não esconda a sua condição. Alguém foi chamado sem ser circuncidado? Não seja circuncidado. Não vale de nada ser circuncidado ou não; importa é cumprir os mandamentos de Deus", escreveu ele em sua primeira carta aos coríntios.

"Paulo era um judeu, era cidadão romano, tinha cultura grega, era um cara muito culto e dominava as três culturas — a hebraica, a grega e a romana — e sabia traduzi-las", diz Pastorino.

"Cristo nos resgatou da maldição da Lei", disse Paulo em sua carta aos gálatas, se referindo à Lei de Moisés, que incluía a circuncisão.

Mas sua posição não foi aceita pelos outros apóstolos.

Na carta a Tito incluída na Bíblia cristã, Paulo narra esse confronto. "Existem muitos rebeldes, charlatães e enganadores, especialmente aqueles que apoiam a circuncisão. É preciso calar suas bocas", ele escreveu.

Manuscrito da Bíblia cristã no Museu Bizantino de Atenas

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Tanto o início da prática do ponto de vista religioso quanto sua supressão no cristianismo são explicados na Bíblia cristã

Na Epístola aos Gálatas, Paulo contou sobre o desentendimento que teve com Pedro um dia em Antioquia, cidade da atual Turquia onde se formou uma grande comunidade de seguidores de Jesus.

Segundo sua versão, Pedro costumava fazer refeições com os gentios, mas quando um grupo de enviados de são Tiago chegou à cidade, ele começou a se separar deles "por medo dos partidários da circuncisão".

"Falei na cara dele que esse comportamento era repreensível", disse ele aos gálatas.

"Eu disse a Pedro na frente de todos: 'Se você, que é judeu, vive como se não fosse, por que força os gentios a praticar o judaísmo?'"

O momento da reconciliação

Segundo o relato do Novo Testamento, alguns dos judeus cristãos mais apegados à tradição e à Lei de Moisés viajaram para Antioquia e disseram aos gentios que estavam se aproximando daquele cristianismo primitivo que, se eles não fossem circuncidados, não obteriam a salvação.

É por isso que Paulo voltou a Jerusalém - e que foi convocada uma reunião de apóstolos para resolver a questão. Foi o chamado Concílio de Jerusalém.

Lá, Paulo falou sobre o grande número de fiéis que conquistou fora da Judeia e sua visão prevaleceu.

Tiago, que originalmente era contra a adesão de não-circuncidados, mudou de ideia e disse: "Devemos parar de impedir que os gentios se voltem para Deus".

Papiro dos evangelhos originais

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Os apóstolos registraram em papiros os eventos do cristianismo primitivo

E Pedro também cedeu. E disse: "Por que agora estão tentando provocar Deus colocando um jugo no pescoço dos discípulos, que nem nós nem nossos ancestrais poderíamos suportar? Não pode ser!"

O conflito termina também com um pacto entre os apóstolos: Paulo ficou com a pregação entre os pagãos, e Pedro e Tiago com os judeus, explica Pastorino.

Os apóstolos, segundo o relato bíblico, enviaram então uma carta aos não-judeus de Antioquia, Síria e Cilícia na qual diziam a eles que haviam tomado a decisão de não impor "nenhum fardo sobre eles, exceto os seguintes requisitos: abster-se do que é sacrificado aos ídolos, sangue, carne de animais estrangulados e imoralidade sexual".

Quando a carta chegou a Antioquia, os crentes a leram e celebraram; eles não precisariam ser circuncidados.

"Paulo foi um verdadeiro defensor do homem gentio e removeu um sério obstáculo à propagação do evangelho", observa Long Westfall.

Com o passar dos anos, a linha dura que se limitava aos que já eram judeus deixou de existir.

Cristãos circuncidados

Apesar da abolição dessa prática pelo cristianismo, existem grupos na África que têm a circuncisão como rito: o cristianismo copta no Egito, o cristianismo ortodoxo na Etiópia e a Igreja Nomiya no Quênia são alguns exemplos.

E embora não seja por motivos religiosos, cinco países do mundo com cultura cristã tiveram ou têm a maioria de sua população masculina circuncidada.

Bebê chorando

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,A circuncisão também é praticada por razões culturais diferentes da religião em muitos países

Um deles é os Estados Unidos. Em 1870, o médico Lewis Sayre, um dos fundadores da Associação Médica Americana, começou a praticá-la para prevenir e curar certas doenças.

Suas publicações científicas, além de sua promoção da circuncisão, tornaram a prática universal para quase todos os recém-nascidos, diz Al Salem.

E dos Estados Unidos a prática saltou para o Canadá e o Reino Unido, onde aconteceu o mesmo, e depois para a Austrália e a Nova Zelândia.

Divergências científicas sobre os riscos e benefícios da retirada do prepúcio fizeram com que a circuncisão deixasse de ser praticada como forma de prevenção em recém-nascidos, exceto nos Estados Unidos, onde a maioria dos homens tem até hoje a glande descoberta.

*Este texto foi publicado originalmente em 4 de fevereiro de 2023.