SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 7 de junho de 2026

Como a Copa do Mundo de futebol expõe a relação tensa entre seus três países-sede

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, mostram papéis com os nomes dos seus países, durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo da Fifa de Futebol Masculino 2026

Crédito,AFP via Getty Images

Legenda da foto,Copa do Mundo 2026 será realizada em meio a um período turbulento nas relações diplomáticas entre Estados Unidos, México e Canadá
    • Author,Anthony Zurcher, Jessica Murphy e Will Grant
    • Role,BBC News
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  • Tempo de leitura: 7 min

É como chegar para um jantar no exato momento em que os anfitriões estão em meio a uma acalorada discussão.

Os torcedores que viajarem para a América do Norte, para acompanhar a Copa do Mundo 2026, irão encontrar três países-sede que passam por momentos de tensão.

O torneio será disputado em 16 cidades espalhadas pelos Estados UnidosMéxico e Canadá, que enfrentam um período turbulento em suas relações diplomáticas.

Os problemas atuais pareciam distantes quando os líderes dos três países se reuniram para o sorteio dos grupos da Copa do Mundo na capital americana, Washington DC, em dezembro. Eles chegaram a posar para uma selfie com o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Mas manter a mesma coesão ao longo de um torneio que irá durar 39 dias, provavelmente, será bem diferente.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem destacando sem rodeios que o seu país é a potência dominante no continente.

Isso fez com que viessem à tona as tensões bastante concretas existentes entre as três nações, em setores como o comércio, migração e tráfico de drogas, que entraram em ebulição desde que Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Por outro lado, se tudo der certo, a Copa poderá estabelecer laços mais fortes entre os três países.

Tensões relativas ao comércio, ao turismo — e a Trump

O México e o Canadá são os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos. Mas eles não se esqueceram de que estavam entre os primeiros países a serem atingidos pelas tarifas de importação de Donald Trump.

O Canadá já havia se indignado com os repetidos comentários do presidente americano sobre transformar o país no "51° Estado" americano e respondeu com suas próprias medidas contrárias.

Províncias canadenses retiraram bebidas americanas das prateleiras e seus cidadãos reduziram consideravelmente suas viagens para o vizinho do sul, o que também acabou irritando os Estados Unidos.

Os problemas com os Estados Unidos também prejudicaram as relações entre o Canadá e o México, indica o diretor de política internacional da Universidade de Calgary, no Canadá, Carlo Dade.

O Canadá foi acusado de "trair" os mexicanos ainda antes do segundo mandato de Trump, quando autoridades americanas e canadenses acusaram o México de servir de porta de entrada para os investimentos chineses na América do Norte.

"Foi um completo desrespeito", comenta Dade.

O episódio levou o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, a também procurar remediar a situação com o México, enquanto tenta diversificar o comércio do país, se afastando dos Estados Unidos.

Três é demais

Esta é a primeira vez que a Copa do Mundo é realizada em três países. E, como o torneio de 2026 envolve um continente inteiro, existe um enorme número de autoridades envolvidas.

Com os torcedores viajando entre as três nações para acompanhar as partidas, o reforço dos controles de imigração dos Estados Unidos pode criar dificuldades logísticas e inflamar os nervos já fragilizados das pessoas envolvidas.

E os receios americanos com a segurança, amplificados pela guerra em andamento contra o Irã, poderão trazer ainda mais frustrações e criar o potencial de que incidentes aparentemente inócuos possam escalar de forma inesperada.

Fim do content

"Promover conjuntamente eventos esportivos globais não é necessariamente uma receita para um relacionamento agradável entre os países-sede", afirma Lindsay Sarah Krasnoff, escritora e professora de esporte global da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos.

Krasnoff relembra que a Copa do Mundo Feminina de 2023, realizada na Austrália e na Nova Zelândia, teve resultados positivos. Mas o torneio masculino de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, foi considerado um "saco de gatos" entre duas nações com um histórico longo e irregular.

"O evento não prejudicou as relações bilaterais, mas é considerado historicamente como uma espécie de empate", explica a professora.

A própria Fifa expressou grandes esperanças para este modelo.

"É um momento em que três países e todo um continente afirmam em conjunto: 'Estamos unidos para receber o mundo e oferecer a maior, melhor e mais inclusiva Copa do Mundo da Fifa já realizada", afirmou a organização dirigente do futebol mundial.

Tapando o sol com a peneira?

Os líderes de cada uma das nações podem desejar fazer uso do torneio não só para mostrar que eles conseguem se dar bem com seus vizinhos, mas para desmentir os críticos sobre questões domésticas.

Este, com certeza, é o caso do México, onde reina uma certa apreensão sobre a Copa do Mundo.

Existem dúvidas sistemáticas sobre a capacidade do principal aeroporto da capital mexicana, seu saturado sistema de transporte público e o próprio Estádio Azteca, na Cidade do México, agora renovado.

Isso sem falar na presença de membros de cartéis nas ruas, poucos meses atrás, em uma exibição de violência curta, mas generalizada.

Agora, o principal sindicato dos professores promove uma greve nacional, reivindicando melhores condições de trabalho e aumento das aposentadorias. Protestos em massa ameaçam fechar as principais vias que levam aos jogos.

Seu slogan é "sem solução [para suas exigências], a bola não rola".

Vista aérea do Estádio Azteca, no México, palco da abertura da Copa do Mundo da Fifa de Futebol Masculino 2026

Crédito,AFP via Getty Images

Legenda da foto,México e África do Sul abrem a Copa do Mundo 2026 no Estádio Azteca, na Cidade do México, no dia 11 de junho

Mas, apesar de todas as dificuldades, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, permanece resoluta e confiante.

"Este é o momento de presenciar o melhor futebol do mundo e mostrar a todos quem somos", declarou ela no ano passado, "não só um país com imenso patrimônio cultural, mas de pessoas empoderadas."

Seria errado tapar o sol com a peneira, encobrindo os problemas enfrentados pelo México durante a preparação para a Copa, defende o jornalista esportivo mexicano Rafael Puente.

"Espero, realmente, que os torcedores mostrem paciência e bom comportamento, frente a alguns desses problemas que não podemos esconder", destaca ele.

"Só o que podemos esperar é a animação, ilusão e expectativa que o povo mexicano demonstrou no passado, particularmente sobre a participação da seleção nacional."

Os objetivos do trio além do torneio

Analistas indicam que os três vizinhos da América do Norte poderão atingir outras conquistas, se conseguirem sucesso no esporte nas semanas que se aproximam.

O trio está em meio a uma difícil revisão do histórico acordo norte-americano de livre comércio, conhecido como USMCA, na sigla em inglês. Esta revisão trouxe incertezas sobre a parceria comercial do continente, mantida, de alguma forma, desde 1994.

O México já iniciou negociações formais com os Estados Unidos, o que deverá ser seguido pelo Canadá.

Os canadenses buscam fortalecer seus laços comerciais com a China, enquanto o México aumentou suas tarifas de importação sobre o país asiático.

Ambos se movimentam em direções diferentes em relação ao "aumento da importância da China como preocupação primária" no governo Trump, segundo Dade.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tira uma selfie com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Trump, Sheinbaum e Carney posaram para uma selfie com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo, em dezembro

A Copa do Mundo oferece uma oportunidade para a diplomacia, como pudemos observar quando Trump, Carney e Sheinbaum se reuniram, sorrindo, durante o sorteio dos grupos em dezembro.

"Quando você reúne os líderes, geralmente sai algo bom", comenta Dade.

Trump se vangloria frequentemente do seu país como o "mais atraente" do mundo. Ele certamente considera a Copa do Mundo como uma oportunidade de colocar os Estados Unidos sob os holofotes mundiais.

Seu desejo de dominar os acontecimentos, seja comparecendo a eventos ou disparando postagens na rede Truth Social, pode alimentar ressentimentos entre os dois países vizinhos — e prejudicar as relações diplomáticas no continente a longo prazo.

Por outro lado, ele investiu pesadamente no sucesso do torneio e pode se esforçar ainda mais para evitar os incidentes diplomáticos que poderiam prejudicar os eventos.

O futebol é uma caixinha de surpresas, diz o velho ditado. E tão imprevisíveis quanto o próprio esporte são os possíveis resultados deste novo experimento, de reunir três países para promover uma Copa do Mundo.

"Já se sabia desde o princípio que seria muito complicado, desde a definição dos países-sede", conclui Krarsnoff.


A operação secreta que tirou 13 kg de urânio enriquecido da Venezuela e levou aos EUA

 

Um técnico da Organização Internacional de Energia Atômica supervisiona o envio de urânio pela Venezuela.

Crédito,AIEA

Legenda da foto,A Organização Internacional de Energia Atômica ofereceu treinamento e supervisionou as medidas de segurança para o translado de urânio
    • Author,Ángel Bermúdez*
    • Role,BBC News Mundo
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  • Tempo de leitura: 7 min

Em uma noite no fim de abril, um comboio militar venezuelano percorreu, discretamente, os 160 km entre a sede do Instituto Venezuelano de Pesquisas Científicas (Ivic, na sigla em espanhol), nos arredores de Caracas, e o porto de Puerto Cabello, no Estado de Carabobo.

No veículo escoltado, estava um contêiner com cerca de 13 kg de urânio altamente enriquecido (com concentração acima de 20%), a caminho dos Estados Unidos.

A operação envolveu os governos da Venezuela, dos Estados Unidos e do Reino Unido, além da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea). Segundo revelaram depois, todos trabalharam durante anos para garantir que o envio ocorresse em segurança.

Em uma declaração divulgada em 8 de maio, a Aiea explicou que se tratava de "uma missão conjunta cuidadosamente planejada, realizada sob rígidas medidas de segurança, já que este tipo de material nuclear pode representar um risco de proliferação ou uma ameaça à segurança se cair em mãos erradas".

Segundo Jack Crawford, pesquisador do grupo de Proliferação e Política Nuclear do Royal United Services Institute, instituto britânico de estudos de defesa, o urânio altamente enriquecido (HEU, na sigla em inglês) é usado em reatores nucleares em todo o mundo para fins pacíficos, como pesquisa ou propulsão de submarinos nucleares, mas também pode ser empregado para produzir material físsil ou até mesmo para bombas.

"Os 13 kg de urânio altamente enriquecido que foram retirados [da Venezuela] são, teoricamente, suficientes para serem refinados posteriormente e produzir uma pequena arma nuclear, ainda que contivessem pouco mais de 20% de urânio-235 — e o HEU só é considerado de grau militar a partir dos 90%", explicou Crawford à BBC Verify.

"Sua retirada constitui o esforço internacional mais recente para eliminar de maneira proativa a possibilidade de que urânio altamente enriquecido destinado a usos pacíficos possa ser adquirido por atores não estatais ou governos que busquem desenvolver armas nucleares", acrescentou.

Há anos, os vínculos do governo venezuelano com Irã, Rússia, Cuba e Coreia do Norte têm sido motivo de preocupação para o governo dos Estados Unidos e, segundo especialistas ouvidos pela BBC Verify, serviços de checagem de fatos da BBC, também para a AIEA.

Mas como a Venezuela chegou a ter urânio altamente enriquecido e por que o entregou aos Estados Unidos?

Átomos para a paz

O presidente Eisenhower durante a apresentação dos selos postais relacionados ao programa Átomo para a Paz.

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Venezuela obteve seu reator nuclear experimental no contexto do programa Átomos para a Paz, lançado pelo governo de Eisenhower

Os 13 kg de urânio altamente enriquecido da Venezuela tinham sido usados como combustível para o RV-1, primeiro reator nuclear da América Latina.

Esse reator experimental foi instalado no início da década de 1960 no Instituto Venezuelano de Pesquisas Científicas, no contexto do programa Átomos para a Paz, lançado pelo governo do presidente norte-americano Dwight Eisenhower na década de 1950.

Em 8 de dezembro de 1953, diante da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Eisenhower lembrou que a tecnologia nuclear de uso bélico havia anos deixara de ser monopólio dos Estados Unidos. E alertou para os riscos de proliferação, à medida que mais países aprendiam a produzir bombas atômicas.

Eisenhower afirmou então que era preciso ir além da redução dessa ameaça e sugeriu colocar essa tecnologia a serviço da humanidade.

"Não basta tirar essa arma das mãos dos soldados. É preciso colocá-la nas mãos daqueles que saibam livrá-la de seu revestimento militar e adaptá-la às artes da paz", disse.

Ele propôs, então, a criação de uma agência de energia atômica sob o guarda-chuva da ONU, que ficaria encarregada de definir formas para que o material nuclear "servisse aos propósitos pacíficos da humanidade" e a energia atômica pudesse ser aplicada a diversas necessidades em áreas como medicina e agricultura.

A ideia era que as potências capazes de produzir material nuclear o fornecessem à agência da ONU, que o manteria seguro e o colocaria nas mãos de pesquisadores dedicados a investigar os usos pacíficos dessa energia.

O discurso de Eisenhower plantou a semente para a criação da AIEA, mas também deu origem à iniciativa Átomos para a Paz, pela qual os Estados Unidos ofereceriam capacitação e tecnologia a países em desenvolvimento para ajudá-los no uso pacífico da energia atômica.

Menos de um ano após o discurso na ONU, os Estados Unidos reformaram a Lei de Energia Atômica para permitir a exportação de tecnologia e materiais nucleares a outros países, desde que estes se comprometessem a não usá-los para o desenvolvimento de armamento.

Em março de 1955, o governo Eisenhower foi além e autorizou a Comissão de Energia Atômica norte-americana a fornecer aos Estados do "mundo livre" quantidades limitadas de material físsil, além de assistência para a construção de reatores nucleares.

Um ano depois, o governo da Venezuela adquiriu de uma empresa norte-americana o reator RV-1, com capacidade de 3 megawatts, que seria inaugurado em 22 de novembro de 1960.

O RV-1 operou como reator de pesquisa até 1991, quando foi parcialmente desativado.

Segundo as autoridades venezuelanas, o fechamento definitivo ocorreu em 1997, quando parte do combustível foi retirada e o restante permaneceu sob custódia segura até agora.

Depois, o reator foi convertido em uma instalação para esterilização de instrumentos médicos e outros materiais por raios gama.

Durante os anos em que esteve operacional, o RV-1 utilizou combustível nuclear vindo dos Estados Unidos e do Reino Unido, segundo a AIEA.

Da captura de Maduro à extração do urânio

Um grande guindaste levanta um contêiner cinza, ao lado do qual aparecem três pessoas de costas, com capacetes de proteção.

Crédito,NNSA

Legenda da foto,O urânio foi carregado no porto da cidade de Puerto Cabello e enviado secretamente para os Estados Unidos

O governo britânico, que também participou da operação, disse à BBC Verify que as autoridades venezuelanas tinham solicitado a retirada do restante do combustível nuclear em 2017 e que o Reino Unido se uniu ao planejamento no ano seguinte, a pedido da AIEA.

Mas foi a captura, em 3 de janeiro, do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que, ao que tudo indica, teve papel decisivo para que a extração do urânio enfim acontecesse.

Segundo declaração de 7 de maio do ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, a ação militar norte-americana para capturar Maduro "aumentou objetivamente o nível de risco e confirmou a urgência" de executar a operação para retirar o urânio, que a Venezuela vinha solicitando havia anos.

Conforme o comunicado, a operação militar norte-americana afetou as imediações da sede do Ivic, chegando a apenas 50 metros de distância do antigo reator.

Foi assim que, no início de abril, começou a operação secreta, com a participação das autoridades venezuelanas, da Administração Nacional de Segurança Nuclear dos EUA (NNSA, na sigla em inglês), da AIEA e do governo do Reino Unido.

De acordo com o comunicado das autoridades venezuelanas, a AIEA ficou responsável por supervisionar as salvaguardas, executar a verificação técnica adequada, acompanhar institucionalmente o processo e oferecer capacitação à equipe venezuelana.

As autoridades britânicas ficaram responsáveis pelo traslado do urânio enriquecido da Venezuela até o complexo nuclear de Savannah River, em Aiken (na Carolina do Sul, EUA), cujas instalações são atualmente usadas para o processamento de materiais nucleares.

A Nuclear Transport Solutions, uma divisão da Nuclear Decommissioning Authority (NDA), autoridade britânica de desativação nuclear, forneceu o navio de carga Pacific Egret, no qual o urânio foi transportado para fora da Venezuela, segundo as autoridades norte-americanas.

Imagem de satélite do navio Pacific Egret atracado em Puerto Cabello.

Crédito,Vantor

Legenda da foto,O navio britânico Pacific Egret chegou e partiu discretamente da Venezuela

A embarcação deixou de transmitir sua localização via satélite em 11 de abril, quando estava em Charleston (Carolina do Sul). Uma semana depois, encontrava-se atracada em Puerto Cabello, conforme verificou a BBC Verify por meio de imagens de satélite de alta resolução.

Imagens captadas em 4 de maio mostram o Pacific Egret — seguido pelo que parece ser um navio-escolta — durante o retorno aos EUA, onde já estava em 8 de maio, segundo imagens do porto de Charleston feitas naquela data.

"Foi um esforço meticulosamente coordenado, com rígidas medidas de segurança em vigor durante todo o processo", declarou o Office for Nuclear Regulation, órgão regulador nuclear do Reino Unido.

Em comunicado, o Departamento de Estado dos EUA também informou que a operação foi concluída com sucesso e destacou que, até o início de maio, a NNSA havia "retirado ou confirmado a eliminação de mais de 7.340 kg de material nuclear para uso militar".

Segundo a AIEA, a maior parte dos reatores nucleares de pesquisa construídos nas décadas de 1960 e 1970 precisava de urânio altamente enriquecido para realizar seus experimentos.

Hoje, essas pesquisas podem ser feitas com urânio pouco enriquecido (LEU, na sigla em inglês), no qual a concentração de urânio-235 fica abaixo de 20%.

A agência afirma que, no mundo todo, mais de uma centena de reatores de pesquisa e instalações de produção de isótopos médicos foram fechados ou adaptados para usar urânio pouco enriquecido no lugar do altamente enriquecido.

Isso permitiu a recuperação de cerca de 7 mil kg de urânio altamente enriquecido, aos quais agora se somam os 13 kg vindos da Venezuela.

*Com informações da BBC Verify.