SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Na Alemanha Juventude grita com DISARSTAR - Siamo tutti em homenagem aos Bolsonaros!

 


Wir kommen in schwarz, DiggaMit paar Litern EthanolKeine Liebe für den StaatSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaEy, 20359, nicht VenedigBrüder ticken im goldenen KäfigWir fangen an zu träumen, wenn es regnetHier wo der Wald vor lauter Bäumen nicht zu sehen istO ist auf der Flucht, D geht in EinzelhaftIn eure Welt haben wir niemals reingepasstWo ich meine Heimat habIn meinen zwei Zimmern hinterm Hans—Alber—PlatzUnd im Herzen von TextSie machen Kunst als wäre es nicht mehr als GeschäftWäre ich Spotify wären die wegUnd wärst du nicht so ein BastardDann wäre ich nettCheckKein Flex und kein DripKeine heftigen HitsAber Zeilen wie SteineVerwechsle uns nichtMach frei am ersten Mai, Herr PolizeiGlaub mir, es ist besser für dichWir kommen in schwarz, DiggaMit paar Litern EthanolKeine Liebe für den StaatSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaWir holen uns den ThronWir stürmen Babylon so oder soVon Konstantinopel bis RomIhr ModeikonenMeine Leute haben noch nicht mal Kohle für StromWir schreiben Geschichte und ihr nur GeschichtenMach Sitz und Platz und bell, du HundIst mir egal was eure bürgerliche Mitte hält von unsFahnen sind rot, Poloshirt schwarzLegacy großWer ging nie so radikal in die ChartsAus Hamburg, hey DisarstarHab einen Hund, doch immer KaterUnd einen Impact auf dein MindsetWie dein Onkel oder VaterMach ein KreisMach ein KreisMach ein KreisMach einWir kommen in schwarz, DiggaMit paar Litern EthanolKeine Liebe für den StaatSiamo tutti AntifaWir kommen in schwarz, DiggaMit paar Litern EthanolKeine Liebe für den StaatSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti AntifaSiamo tutti Antifa

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Foucault e O Engajamento Político: A Revolta de Março de 1968 ! Por Egidio Guerra




O período em que Michel Foucault lecionou na Universidade de Túnis, entre setembro de 1966 e o verão de 1968, representa um capítulo fundamental e, por muito tempo, pouco explorado de sua trajetória intelectual e política . Longe de ser um mero interlúdio exótico, sua estadia na Tunísia funcionou como um cadinho onde suas experiências pessoais, seu engajamento militante nascente e sua produção filosófica se fundiram, preparando o terreno para as grandes viradas de seu pensamento na década de 1970 . 

O Contexto: Uma Tunísia Pós-Colonial em Efervescência 

Foucault chegou à Tunísia numa época de intensa ebulição. O país, independente da França desde 1956, vivia as "dores do parto das sociedades pós-coloniais" . Sob a presidência de Habib Bourguiba, a nação experimentava um misto de projetos de engenharia social, lutas faccionais e um caldeirão de ideologias concorrentes, como o socialismo, o pan-arabismo e o pan-africanismo . Esse cenário de "fervor intelectual" e efervescência revolucionária contrastava fortemente com a relativa estabilidade política da França, de onde Foucault provinha. 

O filósofo instalou-se na pitoresca vila de Sidi Bou Saïd, um refúgio de artistas, onde se dedicava à escrita de A Arqueologia do Saber, publicado em 1969 . No entanto, a calma do seu local de trabalho contrastava com a agitação que tomava conta da universidade e das ruas. 

O Professor e Seus Alunos: Paixão pelo Saber 

Na Faculdade de Letras e Ciências Humanas de Túnis, Foucault ocupou pela primeira vez uma cátedra de filosofia, algo que não fizera na França . Seu ensino era diversificado e inovador. Ministrava cursos de psicologia sobre "a projeção", história da arte focada na pintura renascentista e barroca, e um curso público intitulado "O Lugar do Homem no Pensamento Ocidental Moderno" . 

Mas foi seu curso sobre a história da filosofia, dedicado a Descartes — mais precisamente ao Discurso do Método e às Meditações — que deixou marcas profundas em seus alunos. Um plano detalhado deste curso, conservado nas notas de seus estudantes, revela a profundidade de sua análise. Foucault não via o Discurso do Método como um texto inaugural isolado, mas sim como um sintoma de uma ruptura epocal. Ele o analisava à luz do início da Idade Clássica, caracterizada pelo poder monárquico centralizado e pelo capitalismo mercantil, e pela fundação de novas formas de racionalidade científica (economia política, ciência da natureza, geometria algébrica) . 

Para Foucault, o Discurso representava uma ruptura com a filosofia medieval ao substituir o problema do "ser" pelo problema da "verdade". A filosofia, a partir dali, definia-se como o método para se atingir essa verdade, com o sujeito ("o bom senso", a "luz natural") como fundamento de todo conhecimento. Ao ensinar Descartes na Tunísia, Foucault não apenas transmitia um conteúdo; ele demonstrava, na prática, como o discurso filosófico se constitui e se transforma em contextos históricos e políticos específicos. Seus alunos, com sua "avidez absoluta de saber", encontravam nas palavras do professor ferramentas para pensar sua própria realidade. 

O Engajamento Político: A Revolta de Março de 1968 

O ponto de virada na experiência tunisiana de Foucault foi o movimento de contestação estudantil de março de 1968 . A juventude tunisiana levantou-se contra o imperialismo ocidental e o autoritarismo do governo de Bourguiba . A resposta do Estado foi feroz: repressão violenta, invasão da universidade e prisões em massa . 

Diante desse cenário, Foucault e seu companheiro, Daniel Defert, abandonaram qualquer pretensão de neutralidade acadêmica. Transformaram sua casa em Sidi Bou Saïd em um espaço de acolhimento e resistência, abrigando estudantes perseguidos, alimentando-os e permitindo que redigissem e imprimissem panfletos de oposição. Quando mais de uma centena de jovens foram julgados por "atentado à segurança do Estado", Foucault testemunhou em sua defesa e usou sua influência como intelectual francês para tentar amenizar as duras sentenças. Apesar de seus esforços, muitos foram condenados a longas penas de prisão, uma experiência que o marcou profundamente com "amargura e raiva" . 

Este foi o batismo de fogo de Foucault na militância política direta. Mais tarde, ele próprio declararia: "Provavelmente só no Brasil e na Tunísia encontrei nos estudantes tanto seriedade e tanta paixão" . Foi o confronto com o "poder intolerável" do estado tunisiano  que o impeliu, ao retornar à França, a fundar o Groupe d'Information sur les Prisons (GIP) e a escrever obras seminais como Vigiar e Punir. O engajamento ao lado dos estudantes tunisianos foi o laboratório onde sua análise do poder começou a se forjar na prática, e não apenas na teoria . 

O Legado Intelectual e a Sombra do Colonialismo 

O período tunisiano também foi prolífico em termos de produção intelectual. Além de concluir A Arqueologia do Saber, Foucault proferiu conferências no Clube Tahar Haddad, incluindo as famosas "O que é um Autor?" e "O Nascimento da Moeda", e uma sobre "A Pintura de Manet" . Essas palestras, gravadas na época, só foram redescobertas e ouvidas publicamente em 1987, durante um colóquio em sua homenagem no mesmo clube . 

Recentemente, em 2023, foi publicado um manuscrito de Foucault intitulado O Discurso Filosófico, escrito em 1966, logo após As Palavras e as Coisas. Por muito tempo, acreditou-se que este texto fosse o curso ministrado por ele em Túnis. Na verdade, trata-se de um longo ensaio que ocupa uma posição intermediária entre suas duas grandes obras arqueológicas, e que aprofunda a análise do discurso filosófico de Descartes a Nietzsche . Este mal-entendido editorial evidencia como a associação de Foucault com a Tunísia se tornou um elemento importante para a compreensão de sua obra. 

No entanto, a passagem de Foucault pela Tunísia não está isenta de críticas e contradições, especialmente do ponto de vista pós-colonial. Alguns estudiosos apontam que, apesar de seu engajamento pontual, Foucault manteve-se em grande parte alheio à sociedade tunisiana, convivendo majoritariamente com franceses e levando um estilo de vida que, para alguns críticos, evocava a figura de um "colonizador". Sua obra praticamente ignora o colonialismo e a questão da "raça" como problemas filosóficos centrais, o que levanta questões sobre os limites de seu eurocentrismo. Intelectuais como Edward Said, que se inspiraram em Foucault para desenvolver a crítica do orientalismo, também apontaram a ausência de uma reflexão mais profunda do filósofo francês sobre o tema . 

Conclusão 

O curso de Foucault em Túnis foi muito mais do que um simples posto de ensino no estrangeiro. Foi um choque de realidade que transformou o filósofo em militante, um observador da história em seu tempo real. A "avidez de saber" de seus alunos tunisianos e a brutalidade da repressão que sofreram deixaram cicatrizes que moldaram seu pensamento futuro. Se, por um lado, sua experiência carrega as ambiguidades de um intelectual europeu num contexto pós-colonial, por outro, foi precisamente ali, entre as salas de aula e as celas da prisão de Túnis, que Foucault começou a articular, na prática, as questões sobre poder, resistência e verdade que o consagrariam como um dos pensadores mais influentes do século XX .