SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Por que protestos no Irã são maior teste para regime desde 1979 e tornam próximos dias decisivos.

 

Veículo pegando fogo em uma rua de Teerã

Crédito,AFP

Legenda da foto,Autoridades buscam retomar o controle no Irã após semanas de protestos
    • Author,Lyse Doucet
    • Role,Correspondente internacional da BBC News
  • Tempo de leitura: 8 min

Os governantes do Irã enfrentam seu maior desafio desde sua própria revolução de 1979.

Agora, estão respondendo com uma repressão sem precedentes. Desencadearam uma forte ofensiva de segurança e um bloqueio quase total de internet em uma escala nunca antes vista em crises anteriores.

Muitas das ruas, que antes ecoavam com gritos de indignação contra o regime, agora começam a ficar em silêncio.

"Na sexta-feira [9/1] estava lotado, a multidão era impressionante e houve muitos tiros. No sábado à noite, tudo se acalmou", disse um morador de Teerã à BBC.

"É preciso estar louco para sair de casa agora", comentou um jornalista iraniano.

Desta vez, a agitação interna é agravada por uma ameaça externa, com os repetidos alertas do presidente americano, Donald Trump, sobre uma possível ação militar, sete meses depois dos Estados Unidos terem atacado importantes instalações nucleares durante uma guerra de 12 dias entre o Irã e Israel, que enfraqueceu o regime.

Mas, para usar uma analogia frequente do líder americano, isso também deu ao Irã "mais uma carta" para jogar. Trump afirma que Teerã solicitou voltar à mesa de negociações.

Presidente dos EUA, Donald Trump, falando em um púlpito com microfone. Atrás dele há uma bandeira dos EUA

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Donald Trump afirmou que suas forças armadas estão avaliando 'opções muito fortes' contra o Irã

Mas o Irã não está em uma posição favorável: Trump disse que talvez precise tomar alguma medida antes de qualquer reunião; as negociações não dissiparão completamente a tensão gerada pelos protestos.

E o Irã não se renderá às exigências maximalistas dos Estados Unidos, incluindo a interrupção total do enriquecimento de urânio, o que ultrapassaria limites no cerne da doutrina estratégica dessa teocracia.

Apesar da pressão do momento, não há sinais de que os líderes iranianos vão mudar de rumo.

"Sua inclinação é reprimir os protestos, tentar sobreviver a este momento e depois decidir qual caminho seguir", disse Vali Nasr, da Escola de Estudos Internacionais Avançados Jhon Hopkins e autor do livro Iran's Grand Strategy (A grande estratégia do Irã, em tradução livre).

"Mas, dada sua situação difícil com os Estados Unidos, com Israel e com as sanções, mesmo que consigam sufocar esses protestos, eles não têm muitas opções para melhorar a vida dos iranianos", acrescenta.

Imagens de manifestantes usando roupas pretas em um local repleto de coisas quebradas

Crédito,Reuters

Legenda da foto,Os protestos deixaram centenas de mortos no Irã

Novos protestos, as mesmas perguntas

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Esta semana pode ser decisiva para o rumo dos acontecimentos, pois determinará se o Irã e a região em geral se verão imersos em uma nova onda de ataques militares ou se a força bruta conseguiu sufocar por completo esses protestos, como já aconteceu no passado.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou aos diplomatas em Teerã, que "a situação está agora sob controle total".

Do lado de fora, sob a luz do dia, as ruas de Teerã estavam repletas de pessoas que o governo havia convocado para sair às ruas e retomá-las dos manifestantes.

Cinco dias após um bloqueio total das comunicações, uma imagem ainda mais assustadora chega ao mundo por meio dos terminais de satélite Starlink, da criatividade técnica iraniana e da coragem de alguns.

Chegam relatos de médicos sobre hospitais lotados de vítimas, vídeos de necrotérios improvisados ao ar livre com longas fileiras de sacos pretos para cadáveres, e áudios enviados a jornalistas do serviço Persa da BBC, que expressam choque e medo.

Uma criança segura uma pintura do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Ali Khamenei disse que não cederá a Donald Trump

Os números aumentam. Na última onda de protestos de 2022 e 2023, que durou mais de seis meses, grupos de direitos humanos registraram cerca de 500 mortos e mais de 20 mil detidos.

Desta vez, em poucas semanas, os relatos indicam que o número de mortes já é muito maior e que mais de 20 mil pessoas foram detidas até o momento.

O governo não nega o derramamento de sangue, e a televisão estatal também exibe imagens de necrotérios improvisados — e até admite que alguns manifestantes morreram.

As ruas do Irã estão em chamas. Vários prédios do governo foram incendiados por manifestantes enfurecidos. Eles são símbolos do sistema, mas o governo condena os ataques contra a propriedade pública, classificando-os como obra de "terroristas e agitadores".

A linguagem jurídica também se endureceu durante este período: os "vândalos" serão acusados de "travar uma guerra contra Deus" e enfrentarão a pena de morte.

Segundo a Organização Hengaw para os Direitos Humanos, um manifestante de 26 anos, detido na última quinta-feira, será executado nesta quarta-feira (14/1).

O governo atribui a maior parte da culpa pelo recrudescimento da violência interna a inimigos estrangeiros — termo-chave usado para se referir a Israel e aos Estados Unidos.

Desta vez, a acusação é reforçada pela evidência clara de infiltração da agência de segurança israelense Mossad durante a guerra de 12 dias no ano passado.

A cada nova onda de agitação no Irã, surgem as mesmas perguntas: até onde se estenderão esses protestos? Quem está indo às ruas e praças? Como as autoridades responderão?

Irã

Crédito,Reuters

Legenda da foto,Manifestantes nas ruas do Irã

Explosão inesperada

Esta última onda foi singular em muitos aspectos.

Começou de forma mais comum. Em 28 de dezembro, os comerciantes que vendiam produtos eletrônicos importados em Teerã foram surpreendidos pelo colapso repentino da moeda; fecharam suas lojas, entraram em greve e incentivaram outros comerciantes a fazer o mesmo.

A resposta inicial do governo foi rápida e conciliadora. O presidente Masoud Pezeshkian prometeu diálogo e reconheceu as "demandas legítimas" em um país onde a inflação dispara para quase 50% ao ano e a desvalorização da moeda causa estragos para a já precária vida da população.

Pouco depois, um novo subsídio mensal de cerca de US$ 7 (R$ 38) foi depositado nas contas bancárias de todos para aliviar a situação. Mas os preços continuaram subindo e a onda de descontentamento se intensificou.

Menos de três semanas depois, os iranianos marchavam por toda parte, desde pequenas cidades provinciais empobrecidas até as principais metrópoles, exigindo mudanças políticas e econômicas.

Já não há soluções rápidas nem simples; o problema é o sistema.

Um grupo de iranianos bloqueia uma rua durante protesto em Teerã

Crédito,Getty Images

A sobrevivência do sistema

O Irã está devastado por anos de sanções internacionais paralisantes, má gestão, corrupção, uma profunda indignação pelas restrições às liberdades sociais e a angústia pelo custo desse prolongado confronto com o Ocidente.

Mas, até agora, o sistema parece se manter de pé.

"O elemento mais importante que ainda falta para um colapso total é que as forças repressivas decidam que já não se beneficiam do regime e que já não estão mais dispostas a matar por ele", explica Karim Sadjadpour, pesquisador da Fundação Carnegie, em Washington.

Antes dessa crise se instalar, sabia-se que os atores mais poderosos nos círculos governantes do Irã estavam profundamente divididos em questões-chave.

Entre elas, a retomada ou não das desafortunadas negociações com os Estados Unidos sobre um novo acordo nuclear e de como restaurar a dissuasão estratégica após os golpes sofridos por seus aliados militares e parceiros políticos durante a guerra em Gaza.

Ali Khamenei ajeitando os óculos

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O aiatolá Alí Khamenei, de 86 anos, continua sendo a autoridade máxima do Irã

Mas a sobrevivência do sistema, seu sistema, é o que importa acima de tudo.

A autoridade máxima continua recaindo sobre o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, que está rodeado pelos seus defensores mais leais, entre eles o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, que agora exerce uma grande influência sobre a economia, a política e a segurança da República Islâmica.

Sabe-se que as ameaças quase diárias de Trump intensificaram a atenção da cúpula do poder. Também provocaram especulações generalizadas sobre o impacto de qualquer intervenção externa.

Uma ação militar poderia fortalecer os manifestantes, mas também poderia ser contraproducente.

"O principal efeito seria consolidar a unidade da elite e suprimir as divisões dentro do regime em um momento de grande vulnerabilidade", afirma Sanam Vakil, diretora do programa de Oriente Médio e África do Norte no centro de estudos Chatham House, com sede em Londres.

O papel de Reza Pahlavi

Uma das vozes iranianas mais influentes a pedir a intervenção do presidente Trump é a do ex-príncipe herdeiro exilado Reza Pahlavi, cujo pai foi deposto como xá do Irã durante a revolução islâmica de 1979.

Contudo, seu apelo e seus estreitos vínculos com Israel são controversos.

Outras vozes, desde a vencedora do prêmio Nobel da Paz Narges Mohammadi, ainda presa no Irã, até o premiado cineasta Jafar Panahi (diretor de Foi Apenas um Acidente, filme cotado ao Oscar), insistem que a mudança deve ser pacífica e vir de dentro do país.

Em meio a essa atual agitação, Pahlavi tem demonstrado sua capacidade para impulsionar e dar forma a essa revolta.

Seus apelos, feitos no início da semana passada, parecem ter atraído mais pessoas às ruas, apesar do rigoroso frio do inverno

Reza Pahlavi posa para uma foto de braços cruzados

Crédito,Reuters

Legenda da foto,Reza Pahalvi, filho do xá do Irã deposto pela revolução islâmica de 1979, apoia a intervenção de Trump

É impossível saber o alcance de seu apoio e se esse profundo desejo de mudança leva alguns a se apegar a um símbolo familiar. A bandeira iraniana pré-revolucionária, com o leão e o sol, voltou a ser hasteada.

Pahlavi insiste que não pretende restaurar a monarquia, mas sim liderar uma transição democrática. Contudo, no passado, ele não foi uma figura unificadora dentro da dividida diáspora iraniana.

Os temores ao colapso e ao caos, os problemas financeiros e outros fatores também preocupam aos iranianos, inclusive aqueles que apoiam o clero governante. A reforma, não a revolução, é a opção que alguns consideram.

A história nos ensina que quando o fervor e a força se encontram nas ruas, a mudança pode vir de cima ou de baixo. É sempre imprevisível e, muitas vezes, perigosa.

A Contenda das Escolas: Desenvolvimentismo, Globalização e os Limites do Crescimento - Uma Análise Histórica e Contemporânea

 


Introdução: O Grande Divórcio da Economia

A economia política moderna tem sido palco de uma contenda fundamental entre duas visões de mundo que moldam o destino das nações: de um lado, os economistas desenvolvimentistas, que concebem o desenvolvimento como um processo histórico de transformação estrutural liderado pelo Estado; de outro, os economistas da macroeconomia globalizada, que priorizam a estabilidade de preços, a integração financeira internacional e a alocação eficiente via mercados. Esta disputa não é meramente técnica, mas reflete diferentes concepções sobre o papel do Estado, a soberania nacional e os objetivos últimos da atividade econômica.

Raízes Históricas: A Formação do Paradigma Desenvolvimentista

O desenvolvimentismo emergiu como resposta ao desafio da periferia capitalista, particularmente na América Latina pós-Segunda Guerra Mundial. A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), sob a liderança intelectual de Raúl Prebisch, formulou a teoria estruturalista que identificava na deterioração dos termos de troca entre centro e periferia a origem do subdesenvolvimento. Celso Furtado, seu mais brilhante discípulo brasileiro, aprofundou esta análise em obras como "Formação Econômica do Brasil" (1959), argumentando que o desenvolvimento exigia uma transformação produtiva que superasse a especialização em produtos primários.

O desenvolvimentismo brasileiro alcançou seu ápice nos anos 1950-1970, materializando-se no Plano de Metas de JK (1956-1960) e no II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) do regime militar (1975-1979). Seus pilares incluíam:

  1. Industrialização por substituição de importações

  2. Planejamento estatal indicativo

  3. Empresas estatais em setores estratégicos (Petrobras, Eletrobras, Vale)

  4. Proteção tarifária e controle de capitais

Como observou Maria da Conceição Tavares, este modelo criou um "núcleo endógeno de decisão" que permitiu ao Brasil realizar, em décadas, transformações que levaram séculos nos países centrais.

A Contrarrevolução Globalizante: O Consenso de Washington

A crise da dívida dos anos 1980 e o colapso do socialismo real criaram condições para o avanço da contra-narrativa. O Consenso de Washington (John Williamson, 1989) sintetizou o receituário que se tornaria hegemônico: disciplina fiscal, liberalização financeira e comercial, privatizações e desregulamentação. A macroeconomia, influenciada pelas expectativas racionais (Robert Lucas) e pela teoria dos ciclos reais, passou a focalizar-se quase exclusivamente no controle da inflação e na credibilidade dos policy makers.

No Brasil, este paradigma triunfou com o Plano Real (1994), que priorizou a estabilização monetária através de âncora cambial e altas taxas de juros, e com as reformas liberalizantes de Fernando Henrique Cardoso. A abertura comercial unilateral (1990-1994) expôs a indústria nacional à competição internacional, enquanto a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000) institucionalizou a ortodoxia fiscal.

Diferenças Fundamentais: Abordagens em Conflito

DimensãoDesenvolvimentismoMacroeconomia Globalizada
Objetivo PrimárioTransformação estrutural e soberania nacionalEstabilidade de preços e integração internacional
Papel do EstadoPlanejador e investidor diretoRegulador e garantidor de "boas instituições"
Política IndustrialAtiva e seletivaHorizontal e neutra
Regime CambialAdministrado para competitividadeFlexível ou fixo como âncora nominal
Conta de CapitaisControles seletivosLiberalização plena
Referência TemporalLongo prazo (ciclos de Kuznets)Curto/médio prazo (ciclos de negócios)

Impactos na Vida Cotidiana: Para Além do Capital

O desenvolvimentismo sempre manteve uma tensão entre crescimento e distribuição. Furtado, em sua fase mais crítica, alertava sobre o "subdesenvolvimento desenvolvido" - crescimento sem inclusão social. Programas como o Bolsa Família (2003) e a valorização real do salário mínimo nos governos Lula representaram tentativas de conciliar crescimento com redução da desigualdade, dentro de um marco que Luiz Carlos Bresser-Pereira chamou de "novo desenvolvimentismo social".

Já o paradigma globalizado tende a dissociar bem-estar social de políticas macroeconômicas, delegando a proteção social a programas focalizados de transferência de renda, enquanto a política econômica se concentra em criar "condições de mercado" favoráveis. A financeirização da vida cotidiana - crédito ao consumo substituindo aumento real de renda - é um fenômeno intimamente ligado a esta visão.

A Economia Ecológica: O Desafio Radical às Duas Visões

Aqui surge uma terceira perspectiva que questiona os fundamentos de ambos os paradigmas: a Economia Ecológica, cujos precursores incluem Nicholas Georgescu-Roegen ("A Lei da Entropia e o Processo Econômico", 1971) e Herman Daly. Seus postulados desafiam tanto desenvolvimentistas quanto globalistas:

  1. Limites Biofísicos Absolutos: A economia é um subsistema da biosfera, não algo independente. O crescimento contínuo (PIB) é impossível num planeta finito - a tese do decrescimento (Serge Latouche) e do estado estacionário (Daly).

  2. Incomensurabilidade de Valores: Serviços ecossistêmicos e biodiversidade não podem ser adequadamente precificados. Como argumenta Joan Martínez-Alier, existe uma incomensurabilidade de valores entre lógicas econômicas, ecológicas e culturais.

  3. Justiça Intergeracional: Ambos os paradigmas ignoram o custo imposto às futuras gerações pelo esgotamento de recursos não-renováveis. O economista brasileiro José Eli da Veiga tem destacado como o "capital natural" precisa ser incorporado às contas nacionais.

  4. Crítica ao Produtivismo: Desenvolvimentistas e globalistas compartilham a fé no crescimento como solução. A Economia Ecológica questiona esta métrica, propondo indicadores alternativos como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) ou o Felicidade Interna Bruta (FIB) do Butão.

Momentos de Conflito no Brasil e no Mundo

No Brasil:

  • 1950-1964: O projeto nacional-desenvolvimentista enfrenta a oposição liberal, culminando no golpe de 1964.

  • Década de 1990: As privatizações e a abertura comercial geram o "manifesto dos economistas" em defesa da indústria nacional.

  • Governos do PT (2003-2016): Tentativa de conciliar ortodoxia macroeconômica com políticas sociais ativas, gerando a crítica dos dois lados.

No Mundo:

  • Crise Asiática (1997): Expôs os riscos da liberalização financeira prematura, reacendendo debates sobre controles de capital.

  • Crise de 2008: Questionou a eficácia dos modelos macroeconômicos dominantes e reviveu keynesianismos.

  • Acordo de Paris (2015): Colocou a questão ecológica no centro, desafiando modelos de crescimento tradicionais.

Conclusão: A Síntese Necessária?

O século XXI exige uma síntese que nem o desenvolvimentismo tradicional nem a macroeconomia globalizada oferecem. Como observa a economista indiana Jayati Ghosh, precisamos de um "desenvolvimentismo ecológico" que reconheça:

  1. A necessidade de transformação estrutural verde, com investimento massivo em energias renováveis e economia circular.

  2. A urgência de justiça socioambiental, reconhecendo que os mais pobres são os mais vulneráveis às mudanças climáticas.

  3. A importância de controles democráticos sobre os fluxos financeiros, como propõem economistas pós-keynesianos como Thomas Piketty e sua proposta de imposto global sobre o capital.

A contribuição brasileira pode ser decisiva, resgatando a tradição estruturalista da CEPAL para pensar não apenas centro-periferia, mas também a relação humanidade-natureza. Como alertou Celso Furtado já em seus últimos escritos, o verdadeiro desenvolvimento não é o que maximiza produção, mas o que "cria as condições para a realização do potencial humano". Nesta definição, talvez encontremos o ponto de partida para uma economia que sirva à vida, e não apenas ao capital.