SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Quando 7 é 10: A Incompletude das Escolas e Universidades por Egidio Guerra.

 

Num mundo onde 7 pode ser 10 e 70% pode representar 100%, revela-se uma verdade fundamental: os sistemas de medida que criamos são, por essência, incompletos. Quando o objetivo é a criatividade, a relação entre cultura, educação e economia reside precisamente naquilo que escapa às objetividades das provas, teorias e ciências estabelecidas. Esta dimensão imensurável é onde a verdadeira inovação germina.




A matemática e a lógica já nos alertaram para esses limites. Kurt Gödel, com seus Teoremas da Incompletude, demonstrou que qualquer sistema axiomático consistente é necessariamente incompleto: sempre haverá verdades que não podem ser provadas dentro do próprio sistema. Essa revolução lógica ecoa em outras teorias que desestabilizam a pretensão de totalidade: a Teoria da Complexidade mostra como sistemas adaptativos geram propriedades emergentes impossíveis de prever a partir de suas partes isoladas; o Princípio da Incerteza de Heisenberg estabelece limites fundamentais ao que podemos medir e conhecer simultaneamente; e a Teoria do Caos revela como pequenas variações iniciais podem produzir resultados vastamente diferentes, tornando previsões de longo prazo intrinsecamente problemáticas.




Nas ciências humanas e educacionais, pensadores como Paulo Freire desnudaram a fragilidade dos modelos bancários de educação, onde provas e notas servem mais à domesticação que à libertação. Para Freire, a verdadeira aprendizagem ocorre no diálogo entre saberes, na problematização do mundo, não na mera reprodução de conteúdos. Michael Apple nos mostrou como o currículo oficial e seus sistemas de avaliação reproduzem desigualdades sociais, privilegiando certos saberes em detrimento de outros. Pierre Bourdieu, por sua vez, demonstrou como a "reprodução cultural" perpetua hierarquias sociais, transformando a escola em instrumento de manutenção do status quo, onde provas e diplomas funcionam como "capital cultural" distribuído de forma desigual.



Os "tijolos" metaforizados pelo Pink Floyd em Another Brick in the Wall devem, de fato, derrubar os muros do modelo tradicional de ensino. É preciso substituir a lógica da prova punitiva por ecologias de aprendizagem que valorizem a pesquisa, a extensão e o diálogo intercultural. Uma educação interdisciplinar, intersetorial e sistêmica, capaz de reconhecer múltiplas epistemologias e formas de conhecimento.




A história está repleta de exemplos que comprovam como as métricas tradicionais falham em capturar o potencial criativo:

  • Albert Einstein teve dificuldades na escola tradicional, com um professor chegando a dizer que ele "nunca chegaria a lugar nenhum". Sua revolução na física surgiu justamente de sua capacidade de pensar fora dos sistemas estabelecidos.

  • Charles Darwin foi considerado um estudante medíocre, mas sua curiosidade observacional e pensamento conectivo revolucionou nossa compreensão da vida.

  • Vincent van Gogh vendeu apenas uma pintura em vida, sendo considerado um fracasso pelo sistema artístico de sua época. Sua percepção única do mundo só foi valorizada postumamente.

  • Steve Jobs, que abandonou a faculdade, revolucionou a economia global ao conectar criatividade, design e tecnologia de maneiras imprevistas pelos modelos tradicionais de negócio.

  • Lygia Clark e Hélio Oiticica, artistas brasileiros, transcenderam as categorias estéticas estabelecidas, criando obras que dialogavam com o corpo, o espaço e a participação, desafiando os critérios convencionais de avaliação artística.

Quando 7 vira mil, não se trata de mera inflação numérica, mas do reconhecimento de que o potencial humano não cabe em escalas limitadas. A verdadeira educação é aquela que consegue enxergar o imensurável, valorizar o incompleto como espaço de possibilidade, e transformar a incerteza em motor criativo.

Num mundo complexo e em transformação acelerada, precisamos menos de provas que classificam e segregam, e mais de processos educativos que conectem, problematizem e libertem. A economia criativa do século XXI não será construída por reprodutores de respostas prontas, mas por questionadores capazes de formular novas perguntas – justamente aquelas que as provas tradicionais não sabem como avaliar.

O desafio contemporâneo é construir instituições de aprendizagem que sejam tão incompletas, complexas e abertas quanto a realidade que pretendem compreender e transformar. Onde a nota seja apenas um dos muitos elementos em um ecossistema de desenvolvimento humano, e onde a excelência seja medida não pela conformidade, mas pela capacidade de criar novas conexões entre cultura, educação e economia em prol de um mundo mais justo e inventivo.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Não É Apenas Hamlet: O Sofrimento como Forja da Grande Literatura!

 


A imagem arquetípica do escritor atormentado – um Hamlet contemplando a caveira, mergulhado em dúvida existencial – é mais do que um estereótipo romântico. É um reflexo de uma verdade profunda e muitas vezes dolorosa: as maiores visões da condição humana nasceram não em salões dourados, mas nos vales sombrios do sofrimento pessoal. A biografia de gigantes como Cervantes, Dostoiévski, Gogol e Victor Hugo não é um mero pano de fundo para sua obra; é a chama que a fundiu, a ferida de onde jorrou seu entendimento único da vida.

Miguel de Cervantes, o pai do romance moderno, não concebeu as aventuras de Dom Quixote a partir de uma vida tranquila. Veterano da Batalha de Lepanto, onde perdeu o movimento da mão esquerda, foi capturado por piratas e passou cinco anos como escravo em Argel. Sua vida foi uma sequência de fracassos financeiros, injustiças e encarceramentos. Dessa experiência direta com a violência, o cativeiro e a absurda burocracia do Império Espanhol, emergiu não um relato amargo, mas uma obra que equilibra, com compaixão infinita, a tragédia e a comédia, o ideal sublime e a realidade grosseira. O “cavaleiro da triste figura” é filho das cicatrizes de seu criador.

Fiódor Dostoiévski é talvez o caso mais extremo. Condenado à morte por atividades subversivas, encarou o pelotão de fuzilamento apenas para ter sua pena comutada no último instante. Seguiram-se anos de trabalhos forçados na Sibéria, onde conviveu com assassinos e a miséria humana em sua forma mais crua. Daí nasceu sua compreensão aguda da psicologia do desespero, da redenção pelo sofrimento, da luta entre fé e niilismo. Seus personagens – Raskólnikov, o assassino atormentado; o Príncipe Míchkin, o “idiota” de bondade trágica; os irmãos Karamázov em seu conflito metafísico – são explorados com uma profundidade que a mera observação social não poderia fornecer. Foi necessário que Dostoiévski encarasse o abismo para mapeá-lo para nós.

Nikolai Gogol, por sua vez, consumiu-se na luta entre suas aspirações espirituais e sua visão satírica de uma Rússia grotesca e burocrática. Sua vida foi de profunda insegurança, autoflagelação e um criativo desespero que o levou a queimar a segunda parte de “Almas Mortas”. Seu sofrimento não era físico, como o de Dostoiévski, mas espiritual e intelectual, traduzido em uma comédia que beira o pesadelo, onde o absurdo é a norma.

Victor Hugo, o titã romântico, viu sua vida política desmoronar com o golpe de Napoleão III, forçando-o a um exílio de duas décadas. Essa experiência de desenraizamento e indignação política alimentou obras monumentais como “Os Miseráveis”, onde a compaixão pelos desvalidos e a fúria contra a injustiça social atingem uma dimensão épica. Seu sofrimento foi pela coletividade, e dele extraiu um hino à resistência humana.

Esses gigantes, e tantos outros – como Camus, que perdeu o pai na guerra e lutou contra a tuberculose; ou Clarice Lispector, marcada pela perda precoce da mãe e pelo exílio eterno – nos legaram mais do que histórias. Eles transformaram suas tragédias pessoais em instrumentos de investigação universal. A arte que criaram transborda os limites da história e da ciência. A história nos diz o que aconteceu; a ciência, como as coisas funcionam. Mas a grande literatura pergunta: o que significa sentir isso? Como se carrega o fardo da existência?

É esse conhecimento, visceral e empático, que serve de guia para nossas próprias dores. Ao ver um Raskólnikov ou um Jean Valjean, um Quixote ou um Akaki Akakievitch (o escriba de “O Capote”, de Gogol), nós nos reconhecemos. Nossas angústias, medos e falhas são validadas, compreendidas e, de certa forma, redimidas pela profundidade com que são retratadas. Elas nos oferecem um mapa da alma humana em seus territórios mais acidentados.

Assim, a literatura forjada no sofrimento não é um catálogo de desgraças. É um ato de resiliência e alquimia. O escritor transforma o chumbo da experiência dolorosa no ouro do entendimento. E esse ouro, por sua vez, nos serve como ferramenta: para enfrentar nossos próprios invernos, para construir pontes de empatia e, coletivamente, para sonhar e edificar mundos melhores – mundos que tenham aprendido as lições de compaixão, resistência e esperança extraídas dessas profundezas. Não é apenas Hamlet. É toda a humanidade, em sua glória e em seu sofrimento, refletida e iluminada pela chama da grande arte.

A Alquimia das Limonadas: Transformando Azedumes em Vitórias Singulares

 


Há uma metáfora que atravessa séculos de literatura e biografias humanas: "Quando a vida te der limões, faça uma limonada." Esta aparente simplificação esconde uma profunda alquimia existencial, documentada nas narrativas daqueles que transformaram acontecimentos ruins em vitórias singulares.

As Raízes Literárias da Transformação

A ideia de transmutar sofrimento em força aparece já nas tragédias gregas, onde personagens como Édipo encontram uma forma de sabedoria mesmo na desgraça. Séculos depois, Viktor Frankl, em "Em Busca de Sentido", narra sua experiência nos campos de concentração nazistas e desenvolve a logoterapia — a busca por significado mesmo no sofrimento mais extremo. Sua "limonada" foi criar uma abordagem terapêutica que ajudaria milhões, derivada do mais amargo dos limões.

Biografias que Ilustram a Transmutação

Helen Keller, cega e surda desde tenra idade, poderia ter sucumbido ao isolamento. Em vez disso, com a ajuda de Anne Sullivan, transformou suas limitações em uma voz única que defendeu direitos humanos e inspirou gerações. Seus limões — a escuridão e o silêncio — tornaram-se uma limonada de percepção tátil e comunicação extraordinária.

Nelson Mandela passou 27 anos na prisão, tempo suficiente para cultivar o ressentimento. No entanto, usou esse período para desenvolver uma paciência estratégica e uma visão de reconciliação. Sua "limonada" foi transformar o cárcere em crisol para uma liderança que uniria uma nação dividida.

Frida Kahlo transformou a dor física crônica e as limitações físicas em uma arte visceral e original. Seus limões — um acidente devastador e múltiplas cirurgias — fermentaram na limonada colorida de autorretratos que exploravam identidade, sofrimento e resistência.

O Processo da Transformação

Analisando esses e outros relatos biográficos, observa-se um padrão na fabricação existencial de "limonadas":

  1. Aceitação do Limão: Como escreveu Carl Jung, "aquilo que você nega, o submete; aquilo que você aceita, o transforma". A primeira etapa é reconhecer a realidade amarga, sem romantizá-la.

  2. A Extração do Suco: Representa o processo de extrair lições, habilidades ou novas perspectivas da experiência difícil. Stephen Hawking transformou suas limitações físicas em uma capacidade extraordinária de visualização teórica.

  3. A Adoçagem: Encontrar significado e propósito no sofrimento, como fez Malala Yousafzai ao transformar um atentado talibã em um movimento global pela educação feminina.

  4. O Servir aos Outros: Muitas dessas "limonadas" singulares tornam-se bebidas coletivas. A escritora norte-americana Maya Angelou transformou traumas de infância em poesia que falava às feridas de milhões.

Limonadas Contemporâneas

Na vida comum, essa alquimia também se manifesta: pais que perdem filhos e criam fundações de apoio, profissionais que são demitidos e descobrem vocações mais alinhadas, pessoas com doenças crônicas que se tornam especialistas e apoiadoras de outros na mesma condição.

A neurociência moderna corrobora essa metáfora: situações desafiadoras podem desenvolver resiliência neuronal, criando caminhos mentais mais complexos e adaptativos. A psicologia positiva chama isso de "crescimento pós-traumático".

O Equilíbrio Necessário

É crucial notar que a metáfora da limonada não sugere que todo sofrimento tenha uma finalidade redentora, nem que devamos buscar o sofrimento. Antes, propõe que, diante dos limões inevitáveis da existência, temos certa agência sobre o que fazer com seu suco azedo.

Como escreveu Haruki Murakami: "Quando você sai de uma tempestade, você não é a mesma pessoa que entrou nela". As biografias que estudamos revelam que as mais saborosas limonadas humanas muitas vezes são preparadas com os limões mais ácidos — aqueles que, em suas cascas rugosas, escondem potencial de transformação singular.

A vida continuará a distribuir limões — imprevistos, perdas, fracassos, limitações. A arte existencial, conforme documentada nessas narrativas de transformação, reside não na recepção dos frutos azedos, mas na coragem de espremê-los, adoçá-los à nossa maneira, e compartilhar a bebida resultante com um mundo igualmente sedento de significado.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Agente de imigração mata homem a tiros em protesto em Minneapolis; o que se sabe.

 

Policiais fazem guarda no local de um tiroteio envolvendo agentes federais de imigração no bairro Whittier, no sul de Minneapolis, Minnesota, EUA, em 24 de janeiro de 2026

Crédito,REUTERS/Seth Herald

Legenda da foto,Agente disparou "em legítima defesa", disse porta-voz do governo americano
Tempo de leitura: 6 min

Um homem morreu neste sábado (24/1) em Minneapolis, nos Estados Unidos, após um tiroteio envolvendo agentes federais do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).

A vítima foi identificada por familiares como Alex Jeffrey Pretti, um cidadão norte-americano de 37 anos que trabalhava como enfermeiro de terapia intensiva. Ele é a segunda pessoa morta por um agente do ICE na cidade neste mês.

A porta-voz Tricia McLaughlin afirmou que agentes realizavam uma "operação direcionada" contra um "imigrante em situação irregular procurado por agressão violenta" quando alguém se aproximou portando uma pistola semiautomática calibre 9 mm.

"Os agentes tentaram desarmar o suspeito, mas o homem armado resistiu violentamente", disse McLaughlin.

"Temendo por sua vida e pela segurança dos demais agentes, um agente disparou em legítima defesa. Socorristas que estavam no local prestaram atendimento médico imediatamente ao indivíduo, mas ele foi declarado morto no local."

McLaughlin acrescentou que o suspeito estava com dois carregadores e sem documentos de identificação, e que manifestantes chegaram depois ao local "para obstruir e agredir as forças de segurança".

Por meio dos vídeos do ocorrido, não é possível confirmar essa versão, razão pela qual vários representantes do Partido Democrata pediram que o caso seja investigado.

O comandante da Patrulha de Fronteira, Greg Bovino, reiterou o que havia sido divulgado pela porta-voz e, em uma declaração à imprensa, afirmou que o agente envolvido era "altamente treinado", embora não tenha revelado sua identidade.

O governador de Minnesota, Tim Walz, afirmou ter conversado com a Casa Branca sobre o que chamou de "mais um tiroteio horrível por agentes federais" e exigiu que o presidente Donald Trump retire "milhares de tropas violentas e sem treinamento" do Estado.

"Acabei de falar com a Casa Branca após outro tiroteio horrível esta manhã. Minnesota não aguenta mais. Isso é nauseante", escreveu Walz.

"O presidente deve encerrar esta operação. Retire agora as milhares de tropas violentas e sem treinamento de Minnesota."

Em uma coletiva de imprensa, o prefeito da cidade, Jacob Frey, descreveu a ofensiva federal contra a imigração como uma "invasão" de agentes mascarados que atuam com impunidade. Ele apelou diretamente ao presidente Trump, pedindo que "seja um líder".

"Que Minneapolis venha em primeiro lugar, que os Estados Unidos venham em primeiro lugar", afirmou. Ele disse ainda que o presidente deveria "agir agora e destituir esses agentes federais".

A polícia afirma que a vítima, um homem branco e cidadão estadunidense, era um proprietário legal de arma de fogo, e que sua única interação conhecida com as forças de segurança estava relacionada a multas de estacionamento.

Arma que o homem morto a tiros em Minneapolis portava, segundo o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos

Crédito,Departamento de Segurança Nacional dos EUA

Legenda da foto,O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos divulgou uma foto do que afirma ser a arma que o homem morto a tiros em Minneapolis portava

Em uma publicação na Truth Social, Trump defendeu o trabalho do ICE em Minnesota e compartilhou uma imagem da pistola que, segundo agentes federais, o suspeito possuía.

"Esta é a pistola do atirador, carregada (com dois carregadores adicionais cheios!) e pronta para uso – o que tudo isso significa? Onde está a polícia local? Por que não foi permitido que protegessem os agentes do ICE? O prefeito e o governador os impediram? Diz-se que muitos desses policiais não foram autorizados a fazer seu trabalho, que o ICE teve que se proteger por conta própria — e isso não é nada fácil!", comentou Trump em sua rede social.

Sem apresentar provas, Trump lançou uma série de acusações sem apresentar provas, alegando que havia uma "fraude financeira em larga escala" em Minnesota, com "bilhões de dólares desaparecidos".

Os vídeos do incidente

Imagens divulgadas pela imprensa mostram manifestantes reunidos no bairro de Whittier, no sul de Minneapolis, e confrontos com forças de segurança enquanto protestos ocorriam no local.

A BBC Verify confirmou dois vídeos que mostram o que ocorreu durante o tiroteio. Um deles, filmado do interior de uma cafeteria e loja de donuts na Avenida Nicollet, mostra o momento em que agentes cercam e derrubam um homem.

Um agente uniformizado parece golpeá-lo várias vezes antes de serem ouvidos múltiplos disparos. Esse mesmo homem então cai no chão. Não está claro o que aconteceu antes do incidente.

Um segundo vídeo foi gravado na mesma rua, mas a alguns metros de distância. Deste ângulo, os agentes são visíveis, mas o homem detido não. Ouvem-se dez disparos e, durante o tiroteio, os agentes recuam em direção à rua.

O Departamento de Segurança Nacional afirmou que o suspeito estava armado com uma pistola e divulgou uma foto da arma que ele supostamente portava.

A BBC ainda não conseguiu confirmar, a partir dessa imagem, a quem a arma pertence nem onde ela foi encontrada.

Protestos contra batidas anti-imigração

Agentes federais no local de um tiroteio envolvendo agentes federais de imigração em Minneapolis, Minnesota, EUA, em 24 de janeiro de 2026.

Crédito,REUTERS/Tim Evans

Legenda da foto,Agentes federais realizavam uma "operação direcionada" contra um "imigrante em situação irregular procurado por agressão violenta", disse porta-voz do governo americano

Manifestantes se reuniram em Minneapolis para protestar contra as operações batida anti-imigração do governo republicano.

Desde 6 de janeiro, cerca de 2 mil agentes federais estão na região enviados pelo governo Trump, no que foi descrito pelo Departamento de Segurança Nacional como a maior operação de imigração já realizada — parte de uma repressão ampliada após alegações de fraude em programas de assistência social no estado.

A mobilização faz parte de uma campanha lançada pelo ICE no fim do ano passado para mirar imigrantes em Minneapolis com ordens de deportação, incluindo membros da comunidade somali da cidade.

Protestos ocorreram desde a chegada dos agentes e se intensificaram a partir de 8 de janeiro, quando uma mulher foi morta a tiros por um agente do ICE durante uma operação na cidade. Renee Nicole Good, de 37 anos, foi baleada dentro do próprio carro.

O governo Trump afirmou que o agente agiu em legítima defesa. Autoridades locais, porém, contestam essa versão e dizem que Good não representava ameaça.

Vídeos do incidente mostram agentes do ICE se aproximando de um carro parado no meio da rua e ordenando que a motorista saísse do veículo. Um deles puxa a maçaneta da porta. Quando o carro tenta arrancar, um agente que estava à frente aponta a arma e dispara. O veículo então se afasta e colide com a lateral da via.

A esposa de Good disse à imprensa local que o casal havia ido ao local para apoiar vizinhos afetados pela operação de imigração.

O agente que atirou é Jonathan Ross, veterano do ICE que já havia sido ferido em serviço após ser atropelado por um carro.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que Ross atirou porque Good estaria tentando atropelá-lo. O prefeito democrata de Minneapolis, Jacob Frey, rejeitou essa versão e disse que a mulher tentava deixar o local, não atacar um agente.

O FBI conduz a investigação do caso.

Nesta sexta-feira (23/1), a detenção de um menino de cinco anos durante uma operação contra imigrantes na cidade também provocou indignação.

Liam Conejo Ramos e seu pai, Adrian Conejo Arias, de nacionalidade equatoriana, foram detidos quando chegavam à residência onde vivem.

MANIFESTO TO THE NATION AND THE WORLD: ON THE URGENT NEED TO PRESERVE DEMOCRACY



In the spirit of observation that Alexis de Tocqueville, in his work "Democracy in America," dedicated to studying the dangers that threaten the republic—the tyranny of the majority, soft despotism, contempt for the law, and the weakening of intermediary bodies—we, the undersigned, address all citizens of conscience. Tocqueville admired the American associative fabric, that "habitat of liberty" which prevented the rise of arbitrary power. Today, that fabric is being deliberately torn apart.

The history of this great nation is a chronicle of the perpetual struggle to expand the circles of liberty, justice, and law. Abraham Lincoln, in preserving the Union, stated that a "house divided against itself cannot stand." Franklin Delano Roosevelt, facing the shadow of totalitarianism, spoke of the "four essential freedoms." John F. Kennedy urged every citizen to ask what they could do for their country. Martin Luther King Jr. dreamed of a nation where men would not be judged by the color of their skin but by the content of their character. These voices echo in the collective conscience, reminding us that democracy is not a gift but a daily, vigilant, and costly achievement.

Today, that achievement is under unprecedented attack. The administration of Donald J. Trump has degenerated into a personalist kleptocracy that systematically tramples constitutional principles, corrodes institutions, and shames the United States before the world. This is not mere political disagreement but a succession of acts that border on—and often cross into—illegality and barbarism.

We have observed, first with horror and then with organized indignation:

  • The tacit support of a genocide in Gaza, making us complicit in unspeakable suffering.

  • The threats and warlike adventures against Venezuela, Cuba, Greenland, and others, replacing diplomacy with blackmail and brute force.

  • The transformation of immigration agencies into a modern Gestapo, ICE, responsible for illegal deportations and the tragic deaths of citizens like Renee Nicole Good, a mother, and Alex Jeffrey Pretti, a heroic nurse serving our veterans. Their deaths are not isolated incidents; they are symptoms of a state that has lost compassion and respect for life.

  • The moral and legal corruption personified in the President himself: 34 convictions for falsifying business records, proven financial fraud, sexual abuse, and defamation against E. Jean Carroll, and serious allegations of pedophilia that stain the highest office.

As Bernie Sanders has said: "This is not about left or right. It is about defending common decency and justice against a man who sees the Presidency as a personal business and the American people as subjects to be plundered. We say: Enough!"

President Barack Obama warned us: "Democracy is not automatic. It must be nurtured, it must be defended." And today, that defense requires civic courage. Millions have already taken to the streets, from New York to Los Angeles, Chicago to Houston, raising a unified cry that echoes that of the Revolution: "No King!" We will not accept a king, a despot, a man above the law.

Senator Kamala Harris proclaims: "We are witnessing a systematic abuse of power that wounds the soul of our nation. ICE, under this administration, personifies the worst of authoritarianism. Defending our immigrant values is defending the very idea of America."

The Governor of California echoes: "Our state, and all states that believe in human dignity, will not bow. We will resist illegality and protect our people."

This is not merely an American appeal. It is a cry from Humanity. The new de facto "Constitution" that Trump seeks to impose—based on whim, impunity, and contempt for international law—is a planetary threat. It emboldens tyrants, undermines decades-old alliances, ridicules the fight against the climate crisis, and endangers global peace.

Therefore, our voice joins the international chorus:

  • The UN Secretary-General reminds us that respect for the UN Charter and human rights begins at home.

  • The European Economic Community and the Presidents of Germany, France, and Spain affirm: the transatlantic alliance is built on shared values, not on mercantile interests subject to the whims of one man.

  • The Presidents of Mexico, Colombia, Chile, Brazil, Canada, and the nations of Africa and Asia, know all too well: arrogant imperialism and destabilization are recipes for the suffering of their people.

  • China, in its complex relationship with the U.S., observes the hypocrisy of those who preach rules they do not follow.

  • Planet Earth cries out for leaders who listen to science, not deny it for profit.

What will be next? This is the question that hangs over all of us. The next country invaded? The next right revoked? The next life brutalized by ICE? The next democratic institution strangled?

History will not judge kindly those who, in a moment of crisis, remained silent. History calls us to act. The House of Representatives, with the courage of its Democratic members and conscience-driven Republicans, has the constitutional and moral duty to initiate impeachment. The Senate has the obligation to judge with serenity and severity.

We conclude, in the words of Abraham Lincoln, that this nation, "under God, shall have a new birth of freedom—and that government of the people, by the people, for the people, shall not perish from the earth." So that this promise does not perish, to honor the sacrifices of all who came before us, and to secure a future of dignity for those who will come after, we, the American people, in unison with Humanity and with History itself, demand:

The impeachment of Donald J. Trump. Now.

Signed,

  • Bernie Sanders, United States Senator

  • Barack Obama, 44th President of the United States

  • Kamala Harris, Senator and former Attorney General

  • Governor of the State of California

  • The American Democratic Party and its Congressmembers

  • António Guterres, Secretary-General of the United Nations

  • Ursula von der Leyen, President of the European Commission

  • The Presidents of Germany, France, Spain, Mexico, Colombia, Chile, Brazil, Canada, China, and the peoples of Africa and Asia.

  • In the name of Humanity and Planet Earth.

One people, one struggle: for Democracy.

This response is AI-generated, for reference only.

MANIFESTO AOS EUA E AO MUNDO: SOBRE A NECESSIDADE URGENTE DE PRESERVAÇÃO DA DEMOCRACIA




No espírito de observação que Alexis de Tocqueville, em sua obra “Da Democracia na América”, consagrou ao estudar os perigos que espreitam a república – a tirania da maioria, o despotismo brando, o desprezo pela lei e o enfraquecimento dos corpos intermediários –, nós, abaixo-assinados, dirigimo-nos a todos os cidadãos de consciência. Tocqueville admirou o tecido associativo americano, aquele “habitat da liberdade” que impedia o surgimento de um poder arbitrário. Hoje, esse tecido está sendo deliberadamente rasgado.



A história desta grande nação é uma crônica da luta perpétua para alargar os círculos da liberdade, da justiça e do direito. Abraham Lincoln, ao preservar a União, afirmou que uma “casa dividida contra si mesma não pode subsistir”. Franklin Delano Roosevelt, perante a sombra do totalitarismo, falou das “quatro liberdades” essenciais. John F. Kennedy incitou cada cidadão a perguntar o que poderia fazer por seu país. Martin Luther King Jr. sonhou com uma nação onde os homens não fossem julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Essas vozes ecoam na consciência coletiva, lembrando-nos de que a democracia não é um presente, mas uma conquista diária, vigilante e custosa.


Hoje, essa conquista está sob um ataque sem precedentes. A administração de Donald J. Trump degenerou numa cleptocracia personalista que sistematicamente espezinha os princípios constitucionais, corrói as instituições e envergonha os Estados Unidos perante o mundo. Não se trata de mera divergência política, mas de uma sucessão de atos que beiram – e muitas vezes ultrapassam – a ilegalidade e a barbárie.



Observamos, primeiro com horror e depois com indignação organizada:

  • O apoio tácito a um genocídio em Gaza, tornando-nos cúmplices do sofrimento inominável.

  • As ameaças e aventuras belicistas contra Venezuela, Cuba, Groenlândia e outros, substituindo a diplomacia pela chantagem e pela força bruta.

  • A transformação de agências de imigração numa Gestapo moderna, o ICE, responsável por deportações ilegais e pela morte trágica de cidadãos como Renee Nicole Good, mãe de família, e Alex Jeffrey Pretti, enfermeiro herói que servia nossos veteranos. Suas mortes não são incidentes isolados; são sintomas de um Estado que perdeu a compaixão e o respeito pela vida.

  • A corrupção moral e legal personificada no próprio Presidente: 34 condenações por falsificação de registros, fraudes financeiras, abuso sexual e difamação comprovados contra E. Jean Carroll, e alegações graves de pedofilia que mancham o cargo mais alto.




Como disse Bernie Sanders: “Isto não é sobre esquerda ou direita. É sobre a defesa da decência comum e da justiça contra um homem que vê a Presidência como um negócio pessoal e o povo americano como súditos a serem espoliados. Nós dizemos: Basta!”



O Presidente Barack Obama nos alertou: “A democracia não é automática. Ela precisa ser alimentada, precisa ser defendida.” E hoje, a defesa exige coragem cívica. Milhões já tomaram as ruas, de Nova Iorque a Los Angeles, de Chicago a Houston, erguendo um grito uníssono que ecoa os da Revolução: “No King!” Não aceitaremos um rei, um déspota, um homem acima da lei.




A Senadora Kamala Harris proclama: “Estamos testemunhando um abuso sistemático de poder que fere a alma de nossa nação. O ICE, sob esta administração, personifica o pior do autoritarismo. Defender nossos valores imigrantes é defender a própria ideia de América.”



O Governador da Califórnia Newson ecoa: “Nosso estado, e todos os estados que acreditam na dignidade humana, não se curvarão. Resistiremos à ilegalidade e protegeremos nosso povo.”

Este não é apenas um apelo americano. É um grito da Humanidade. A nova “Constituição de facto” que Trump tenta impor – baseada no capricho, na impunidade e no desprezo pelo direito internacional – é uma ameaça planetária. Ela incentiva tiranos, solapa alianças de décadas, ridiculariza a luta contra a crise climática e põe em risco a paz global.



Por isso, nossa voz se une ao coro internacional:

  • Secretário-Geral da ONU lembra que o respeito à Carta das Nações Unidas e aos direitos humanos começa em casa.

  • Comunidade Econômica Europeia e os Presidentes da Alemanha, França e Espanha afirmam: a aliança transatlântica é feita de valores compartilhados, não de interesses mercantis submetidos à volatilidade de um homem só.

  • Os Presidentes do México, Colômbia, Chile, Brasil, Canadá, e das nações da África e Ásia, sabem muito bem: o imperialismo arrogante e a desestabilização são receitas para o sofrimento de seus povos.

  • China, em sua complexa relação com os EUA, observa a hipocrisia de quem prega regras que não segue.

  • Planeta Terra clama por líderes que ouçam a ciência, não a neguem por lucro.

Qual será o próximo? Esta é a pergunta que paira sobre todos nós. O próximo país invadido? O próximo direito revogado? A próxima vida brutalizada pelo ICE? A próxima instituição democrática estrangulada?

A História não julgará com brandura os que, em momento de crise, ficaram em silêncio. A História nos chama a agir. A Câmara dos Representantes, com a coragem de seus membros Democratas e de Republicanos de consciência, tem o dever constitucional e moral de iniciar o impeachment. O Senado tem a obrigação de julgar com serenidade e severidade.

Concluímos, nas palavras deAbraham Lincoln, que esta nação, “sob Deus, terá um renascimento da liberdade – e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não perecerá da Terra".



Para que essa promessa não pereça, para honrar os sacrifícios de todos que vieram antes de nós, e para garantir um futuro de dignidade para os que virão depois, nós, o povo americano, em uníssono com a Humanidade e com a própria História, exigimos:

O impeachment de Donald J. Trump. Agora.

Assinado,

  • Bernie Sanders, Senador dos Estados Unidos

  • Barack Obama, 44º Presidente dos Estados Unidos

  • Kamala Harris, Senadora e ex-Procuradora-Geral

  • Governador do Estado da Califórnia

  • O Partido Democrata Americano e seus Congressistas

  • António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas

  • Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia

  • Os Presidentes da Alemanha, França, Espanha, México, Colômbia, Chile, Brasil, Canadá, China, e dos povos da África e da Ásia.

  • Em nome da Humanidade e do Planeta Terra.

Um só povo, uma só luta: pela Democracia.