SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 18 de outubro de 2026

Uma carta-bússola caleidoscópica para viver com profundas sínteses paradoxais dialéticas. Por João Victor Guerra

 




Uma recusa obstinada em não deixar o mundo ditar o tamanho da nossa sensibilidade, estudando e lendo todos os livros e formas de vida, mas sem se reduzir a uma senha metodologizante que injuria a beleza, drena a alma e podar a infinitude do amor. Viver todas as culturas, mas não se perder nos redemoinhos e moinhos ilusórios de vento, sabendo onde ancorar nosso barco-coração com concretude e densidade para fazer um lar onde passar.

 

Como diz a religião que Victor Hugo se apaixonou no final da vida: primeiro amai-vos, essa é a base, em segundo: instruí-vos.

 

O materialismo histórico sem a teologia, como apresenta Benjamin, é um autômato sem vida. Nossas análises frias, mas precisas, precisa se alimentar da alma da força messiânica de um povo que acenda chamas para seus mortos e que suas memórias explodam o silêncio que o "vencedores da história" querem impor, fazendo, assim, a redenção da humanidade viva e morta.

 

Dito isso, que estejamos atentos e com o coração aberto, para perceber que que muitos momentos de cultura, por trás são instituições da barbárie, e que muito lobos usam pele de cordeiro. Vivem suas próprias desonestidades consigo mesmas. Mas um dia comeram do próprio fruto amargo e se cansaram de perder. Perder seus amores, perder sua humanidade e perderem a si mesmos, enquanto idolatravam bezerros de ouro e não de carne, sangue, suor e espírito.

 

Nossa empatia sempre será incompleta, assim como o mistério sempre é o próximo passado. Isso nos faz tratar as pessoas como sempre além de nossas réguas, métricas e caixas, sabendo que cada um tem uma chama que queima qualquer redução e pode iluminar o mundo. E o mundo é nossa experiência que exige a ampliação da nossa sensibilidade e nos joga nessa travessia perigosa. Daí queremos fugir do mistério, nos informar, ter opinião, agir, controlar em cima da nossa travessia, mas muita fala e ação antes da vida... Só nos faz cair, pois estamos cegos de palavras e números, e não nos permitimos sentir o improviso, imprevisto, inalcançável, incompatível com nossa métricas... E o que seria, Deus, então? Se não, o que começa só além do infinito? 

Ambos os poetas sabiam que a liberdade tem um preço, e que a água que te lava pode também te afogar.

 

"experiência de compartilhamento incompleto" — reconhecer que nunca habitamos plenamente a dor do outro, e que é justamente essa incompletude que nos impede de colonizar a sua dor com a nossa.

 

Ser empata não é sentir pelo outro; é sustentar o mistério do outro sem tentar resolvê-lo.

 

base de qualquer política que não trate o outro como menor de idade perpétuo.

 

sem elevar é apenas destruir.

 

Essa é a transgressão que vale: a que constrói o mundo superior, não a que foge dele.

 

O barco que não ancora é o barco que se perde.

 

". A erudição sem caridade vira comércio; a ciência sem compaixão vira tráfico.

 

Os livros te ensinam a atravessá-la. Mas só a empatia te impede de te perderes nela

sábado, 17 de outubro de 2026

Carta ao meu filho João Victor Guerra




João,

Escrevo-te não como quem ensina, mas como quem, como Rimbaud, reconhece que "eu é um outro" — e que a mente em movimento é a única pátria sagrada que vale a pena defender. Dizes que a batalha pela espiritualidade de um homem vale mil guerras. Concordo. E acrescento: essa batalha não se trava com armas, mas com a recusa obstinada de deixar o mundo ditar o tamanho da tua sensibilidade.

Rimbaud escreveu O Barco Bêbado antes de ver o mar, servindo-se de leituras para compor um hino à adolescência e à descoberta de uma nova poesia. Ele tinha dezenove anos quando abandonou a escrita e partiu para a África, tornando-se traficante de armas — o poeta que Victor Hugo chamava de "Shakespeare menino" morreu amputado em Marselha, tendo trocado a poesia pelo comércio. Mas antes disso, antes do deserto, ele escreveu em Sensação: "Nas tardes de verão, irei pelos vergéis, / Picado pelo trigo, a pisar a erva miúda: / Sonhador, sentirei um frescor sob os pés / E o vento há de banhar-me a cabeça desnuda". Repara: o primeiro movimento de Rimbaud não foi a fuga, foi a entrega — a entrega ao vento, à estrada, ao infinito que sobe na alma. "Calado seguirei, não pensarei em nada: / Mas infinito amor dentro do peito abrigo, / E como um boêmio irei, bem longe pela estrada, / Feliz — qual se levasse uma mulher comigo". Não te dou esse exemplo para que o imites na fuga, mas para que entendas: até o gênio se perde quando a mente deixa de se mover em direção ao que é sagrado. A embriaguez do barco é necessária; o naufrágio não é.

No Barco Bêbado, ele escreveu: "Eu sei os céus rompendo em relâmpagos, e as trombas, / E as ressacas e as correntes: sei o anoitecer, / A Aurora exaltada como um povo de pombas, / E às vezes vi o que o homem acreditou ver". Essa é a promessa da poesia: ver o que outros só acreditam ver. Mas em Uma Temporada no Inferno, o mesmo Rimbaud confessou: "Outrora, se bem me lembro, minha vida era um festim onde todos os corações se abriam, onde todos os vinhos corriam. / Uma noite, sentei a Beleza nos meus joelhos. — E a achei amarga. — E a injuriei". A Beleza pode ser amarga, João. A poesia que enxerga o mundo serve para compreender culturas, economias e ciências — mas também para não esquecer que nenhuma ciência justifica a indiferença. Rimbaud encontrou a chave do festim antigo: "A caridade é essa chave. — Essa inspiração prova que eu sonhei!". Caridade, não caridade pequena, mas a que Hugo praticava.

Victor Hugo passou dezoito anos no exílio por opor-se à ditadura de Napoleão III, e escreveu Os Miseráveis não como romance, mas como tratado teológico sobre a miséria e a dignidade. Ele dizia: "A criança chama-se o futuro. Exerçamos sobre o futuro a santa paternidade do presente. O que fizermos pela infância, o futuro o devolverá ao cêntuplo. [...] Se a criança tiver saúde, o futuro irá bem; se a criança for honesta, o futuro será bom. Iluminemos e ensinemos essa infância que está sob nossos olhos, o século vinte resplandecerá. A tocha na criança é o sol no futuro". João, quando falo de defender os miseráveis, não falo de ideologia: falo do que Hugo sabia — que a grandeza de um homem se mede pela sua capacidade de não endurecer diante da dor alheia. Hugo também escreveu que "há mais de mil anos que a triste Ofélia / Passa, fantasma branco, sobre o longo rio negro" — a mesma Ofélia de Rimbaud, afogada pela "liberdade áspera" que os ventos lhe sussurraram. Ambos os poetas sabiam que a liberdade tem um preço, e que a água que te lava pode também te afogar.

Sobre Jung e a empatia: a psicologia dos tipos junguiana associa a função sentimento à capacidade de acolher a experiência emocional do outro, mas a maturidade empática exige também o que se chama de "experiência de compartilhamento incompleto" — reconhecer que nunca habitamos plenamente a dor do outro, e que é justamente essa incompletude que nos impede de colonizar a sua dor com a nossa. Ser empata não é sentir pelo outro; é sustentar o mistério do outro sem tentar resolvê-lo. Rimbaud escreveu nos Iluminismos: "Eu só tenho a chave desta parada selvagem". A chave da parada selvagem que é o outro nunca é tua. Tu podes apenas caminhar ao lado.

Jacques Rancière, escreveu O Espectador Emancipado para afirmar que quem vê não precisa de um mestre que lhe explique o que vê: a emancipação é a capacidade de ver o que se vê e saber o que pensar a respeito. O método da igualdade das inteligências não é uma utopia pedagógica; é a base de qualquer política que não trate o outro como menor de idade perpétuo. A transgressão que a Cabala propõe — a quebra das regras como abertura para o infinito — não é niilismo: é a recusa de que a ordem dada seja a última palavra. Mas atenção: a Cabala também ensina que as faíscas de santidade caíram e cabe a nós elevarmo-las, não as esmagar. Transgredir sem elevar é apenas destruir. Hugo escreveu que "sim, uma sociedade que tolera a miséria, uma religião que admite o inferno, uma humanidade que admite a guerra, parecem-me uma sociedade, uma religião e uma humanidade de ordem inferior; e é para a sociedade, a humanidade e a religião de um mundo superior que aspiro: sociedade sem reis, humanidade sem fronteiras, religião sem livros sagrados". Essa é a transgressão que vale: a que constrói o mundo superior, não a que foge dele.

Tu me dizes que a vida é um barco e um oráculo em movimento. Que seja. Mas lembra-te do que Rimbaud esqueceu: o barco bêbado, no fim, não ancora em porto nenhum. Ele escreveu: "Órfão, perdido sob os cabelos das enseadas, / Lançado pelo furacão no éter sem pássaros, / Eu, que os monitores e os veleiros hanseáticos / Não teriam salvado, oh! meu casco de pinho". O barco que não ancora é o barco que se perde. Hugo escreveu que "destruiu-se o moinho, mas ainda ficou o vento". O vento que resta é o que nos obriga a continuar escrevendo, mesmo quando a mão treme.

Lembra-te sempre do modo como a poesia de Rimbaud o elevou à África e, na viagem, o fez decifrar culturas, economias e ciências pela leitura obstinada de livros. Não te dou isso como exemplo de erudição, mas como prova de que a mente em movimento sagrado não se contenta com o êxtase — ela quer entender o mundo que a arrebata.

Rimbaud abandonou a poesia aos dezenove anos e partiu para o Áden, depois para o Harar, na Abissínia. O poeta que escrevera O Barco Bêbado sem nunca ter visto o mar tornou-se, na África, um homem que pedia livros com a urgência de quem precisa deles para sobreviver. Em 1882, escrevendo de Áden à mãe, ele não súplica versos: suplica um teodolito, um sextante, uma bússola, um telescópio militar, e "livros, em todo caso, esses sim". Diz à mãe que, sem esses livros, "seria como um cego". Repara, João: o mesmo homem que escreveu "Eu é um outro" agora escreve que sem os livros não vê. A poesia não o cegou para o mundo — ela o fez exigir olhos mais precisos.

Ele pedia tratados sobre ferrovias, mecânica, topografia, geologia, mineralogia prática. Pedia a Petite Encyclopédie Populaire de Amédée Guillemin, volumes sobre O Céu, A Lua, O Sol, As Nebulosas — a vanguarda da divulgação científica do fim do século XIX. Não eram leituras de salão: eram ferramentas de quem atravessava desertos, negociava com chefes abissínios, avaliava rotas de sal e armas. Rimbaud decifrou a economia da região do Harar com a mesma atenção com que outrora decifrara as vogais. Ele escreveu relatos para Le Bosphore égyptien descrevendo a composição das caravanas, as possibilidades de exploração do sal, os projetos de canalização, as disputas entre Menelik e o Emir, as quantidades de armas e munições disponíveis. O poeta que sonhara "inventar um novo idioma" aprendeu línguas locais com facilidade assombrosa e usou esse dom para ler culturas que não eram a sua.

Mas há uma ferida nisso tudo, João, e não quero escondê-la de ti. Os livros que Rimbaud pedia não o salvaram do deserto interior. Ele lia sobre o céu e as nebulosas enquanto negociava café e peles, marfim e armas. A mente em movimento sagrado que tu invocas precisa de uma âncora que Rimbaud não teve: ele quis decifrar o mundo, mas não quis mais ser decifrado por ele. Em Uma Temporada no Inferno, ele já sabia: "A caridade é essa chave". A erudição sem caridade vira comércio; a ciência sem compaixão vira tráfico. Rimbaud leu Guillemin e Couche para atravessar a Abissínia, mas morreu amputado em Marselha, com uma caixa de moedas na cintura, sem ter escrito uma linha sobre o que viu que valesse Iluminuras. 

Que tu, João Victor, leias todos os livros que precisares para entender o mundo — topografia, economia, ciência, cultura. Mas que nunca leias tanto a ponto de esqueceres que a chave do festim antigo se chama caridade. A poesia te eleva à África, se for preciso. Os livros te ensinam a atravessá-la. Mas só a empatia te impede de te perderes nela.

João Victor, teu nome carrega a vitória e a guerra. Que a tua guerra seja sempre contra o terror dos poderes, nunca contra a tua própria capacidade de sentir. Que a tua vitória seja a de permanecer em movimento — sagrado, lúdico, empata — sem te perderes no deserto como Rimbaud se perdeu. Que saibas sentar a Beleza nos teus joelhos sem precisar injuriá-la depois. Que encontres a chave do festim antigo, e que essa chave se chame caridade.

Com amor, 
Teu pai.


Prédio incendiado, mais de mil presos: o que está por trás de dia de protestos na França

 

Um manifestante fica frente a frente com a tropa de choque francesa em meio a confrontos durante uma manifestação contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis na Place de la République, em Paris. O ato faz parte de uma série de protestos em todo o país convocados pelo movimento dos "Coletes Amarelos", que conta com a adesão de estudantes do ensino médio e universitário, professores e pais — que exigem melhores condições nas escolas e ações do governo —, além de sindicatos, trabalhadores, agricultores e aposentados.
Legenda da foto,Um manifestante fica frente a frente com a tropa de choque francesa em meio a confrontos durante uma manifestação contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis em Paris

Um posto de atendimento ao turista foi incendiado em Lyon, na França, em um dia marcado por grandes protestos no país contra a queda na qualidade do ensino e o aumento no custo de vida.

Manifestações de grande escala ocorrem em Paris e em outras cidades da França. Ao todo, mais de mil pessoas foram presas em todo o país.

O Ministério do Interior da França condenou o que classificou como "atos de violência direcionados", e acusou alguns manifestantes de tentativas de saques e ataques à polícia.

Em Marselha, um grupo de manifestantes chegou a invadir a prefeitura, mas foi retirado pela polícia.

Em Paris, Bordeaux e Lyon, as forças de segurança usaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes.

Em uma das manifestações, um grupo de jovens afirmou ao correspondente da BBC News que eles são "pacifistas" e que estão "apenas tentando promover mudanças".

Os episódios ocorrem após três semanas de protestos liderados por estudantes em todo o país, com apelos para que sindicatos de trabalhadores e integrantes do movimento dos "coletes amarelos" se juntem às manifestações.

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu "calma" e instou os manifestantes a demonstrarem "respeito pelas pessoas e pelo patrimônio".

Os protestos representam algo mais profundo para a França?

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Para Hugh Schofield, correspondente da BBC News em Paris, a pergunta que precisa ser feita sobre os protestos na França é a seguinte: trata-se apenas de apenas mais uma manifestação, algo que acontece com frequência no país, ou há algo mais profundo e significativo acontecendo?

Segundo ele, em um certo nível, o movimento assemelha-se muito ao que já ocorreu tantas vezes na França: a causa, a marcha, a destruição, o gás lacrimogêneo, as prisões, as denúncias de brutalidade policial...

Segundo o correspondente, essas cenas culminam num ato final que se desenrola quando todos sentem que já basta.

"Praticamente todo outono, surge na França alguma questão que segue esse mesmo padrão", escreve Schofield.

"Mas será que agora há algo diferente? Algo capaz de transformar o período de 2026-2027 em um daqueles momentos que marcam uma época — como maio de 1968, a Comuna de Paris de 1870 ou as revoluções sociais de 1848 por toda a Europa —, ocasiões em que os protestos realmente trouxeram mudanças?", questiona ele.

Existem argumentos sólidos que sustentam essa visão, observa o jornalista.

"Há a incapacidade de ação do governo centrista francês. Há o experimento fracassado de uma década de 'macronismo' radical. Há uma desilusão generalizada com a política tal como a conhecíamos."

"Há a crise da dívida, que, segundo analistas sérios, poderia levar a França a um calote. Há o empobrecimento provocado pela inflação."

"Há a ascensão dos extremos. Há uma guerra na Europa. Há a figura de Trump. E há as eleições presidenciais francesas, marcadas para abril/maio."

"O mundo está muito instável. As coisas estão mudando", conclui Schofield.

Manifestantes buscam proteção atrás de uma barricada enquanto a tropa de choque francesa utiliza canhões de água em meio a confrontos durante uma manifestação na Place de la République, em Paris. O ato faz parte de uma onda de protestos em todo o país contra o custo de vida e o aumento dos preços dos combustíveis, convocada pelo movimento dos "Coletes Amarelos". A mobilização conta com a participação de estudantes do ensino médio e universitários, professores e pais — que exigem melhores condições nas escolas e ações do governo —, além de sindicatos, trabalhadores, agricultores e aposentados.
Legenda da foto,Manifestantes buscam proteção atrás de uma barricada enquanto a tropa de choque francesa utiliza canhões de água em meio a confrontos durante uma manifestação na Place de la République, em Paris

'Pacifistas' que estão 'apenas tentando promover mudanças': estudantes compartilham suas visões sobre os protestos em Paris

A BBC News conversou com alguns manifestantes nas ruas de Paris.

Estar nas manifestações é "muito importante", disse um estudante, ao explicar que não são apenas alunos que foram para as ruas hoje, mas também os trabalhadores.

Após semanas de protestos estudantis, o movimento dos chamados "coletes amarelos" e sindicatos uniram forças com os jovens em uma manifestação mais ampla contra o custo de vida e a deterioração dos serviços públicos.

"Todas as gerações" estão nas ruas hoje para expor problemas, afirmou um segundo estudante à BBC.

"Isso realmente nos dá força para continuar e sermos ouvidos pelo governo", acrescentou ele.

Outro manifestante disse estar "lutando contra a ascensão de políticas extremistas".

"É impossível viver nessa situação", avalia ele.

Um quarto participante do prostesto descreveu o grupo como "pacifista".

"Estamos simplesmente cansados ​​de tudo isso. Só tentamos fazer com que as coisas mudem, mas nada avança", declarou ele.

No meio da entrevista para a BBC News, os estudantes tiveram que cobrir a boca, à medida que mais uma rodada de gás lacrimogêneo foi lançada por policiais nas proximidades.

Jean-Luc Mélenchon, líder do partido francês de extrema-esquerda La France Insoumise (França Insubmissa – LFI) e candidato à eleição presidencial francesa de 2027, participa de uma manifestação de estudantes do ensino médio e universitários em Paris, como parte de um movimento de protesto nacional liderado por estudantes — com o apoio de professores, pais de alunos e sindicatos — que reivindica melhores condições nas instituições de ensino e medidas concretas.
Legenda da foto,Jean-Luc Mélenchon (em primeiro plano), líder do partido de esquerda 'França Insubmissa', diz que os protestos acontecem 'com calma'

'A violência precisa acabar': as declarações dos políticos franceses

O presidente francês, Emmanuel Macron, pediu "calma" antes dos protestos deste sábado (17/10).

Ele afirmou acreditar no direito de manifestação, mas apelou aos manifestantes para que demonstrem "respeito pelas pessoas e pelo patrimônio".

No início desta semana, a porta-voz do governo declarou que Macron teme que preocupações "legítimas" estejam sendo "exploradas" por forças políticas.

O ministro Sébastien Lecornu sugeriu, também nesta semana, que a indignação dos estudantes estaria sendo manipulada pelo partido de esquerda francês "A França Insubmissa", liderado por Jean-Luc Mélenchon.

"Membros deste partido estão instrumentalizando o movimento estudantil do ensino médio para obter vantagem eleitoral", afirmou Lecornu na quarta-feira (14/10), acusando-os de incentivar os protestos.

Após visitar uma escola que sofreu atos de vandalismo na quinta-feira (15/10), o ministro da Educação, Édouard Geffray, apelou aos manifestantes, e afirmou que "a violência precisa acabar" e que "apenas o diálogo" poderá resolver a questão.

Jordan Bardella, presidente do partido de direita radical "Reunião Nacional", declarou estar "preocupado" com os protestos — segundo comentários citados pela imprensa francesa —, e classificou a situação como uma "oportunidade para uma França caótica se unir em torno de Jean-Luc Mélenchon".

Neste sábado (17/10), Mélenchon se manifestou em postagens no X.

Ele escreveu: "Enquanto os canais de notícias nos inundam com imagens de violência em dezenas de cidades, tudo se desenrola com calma, com dezenas de milhares de pessoas mobilizadas com calma. Dois mundos, duas realidades."

"Em Paris, uma densa procissão desfila calmamente há uma hora ao longo do Boulevard Magenta. Jovem, ativa, inundada de cartazes feitos à mão", observou ele, numa postagem subsequente.