SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

'Estamos vendo você': o recado do Reino Unido à Rússia em acusação de atividade 'maligna' que ameaçava infraestrutura submarina na costa britânica.

 

Navio do Ministério da Defesa britânico navegando

Crédito,Ministério da Defesa do Reino Unido

Legenda da foto,Foto de arquivo da fragata britânica HMS St. Albans, que foi destacada para rastrear o submarino russo
    • Author,Olivia Ireland
    • Role,BBC News
    • Author,Thomas Copeland
    • Role,BBC Verify 
    • Author,Frank Gardner
    • Role,Repórter de segurança, BBC News
  • Tempo de leitura: 6 min

Três submarinos russos realizaram uma operação "secreta" sobre oleodutos e cabos submarinos nas águas ao norte do Reino Unido, afirmou o ministro britânico da Defesa, John Healey.

Um navio de guerra e uma aeronave do Reino Unido foram destacados para deter a atividade "maligna" de Moscou e "não houve evidências" de danos à infraestrutura britânica no Oceano Atlântico, segundo Healey.

Dirigindo-se especificamente ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, o ministro declarou:

"Estamos vendo você. Observamos sua atividade sobre nossos cabos e oleodutos e você deve saber que qualquer tentativa de danificá-los não será tolerada e trará sérias consequências."

A Embaixada da Rússia em Londres negou as acusações de Healey, segundo a agência de notícias estatal russa Tass.

Diagrama mostrando o rastreamento dos submarinos que se dirigiram a cabos submarinos britânicos, ilustrando o lançamento de boias de sonar na água para detecção das embarcações subaquáticas

O Reino Unido depende dos seus cabos submarinos e oleodutos para o transporte de dados e energia.

Existem cerca de 60 cabos submarinos que chegam a diversos pontos ao longo do litoral britânico, particularmente no leste e no sudoeste da Inglaterra.

Mais de 90% do tráfego diário de internet do Reino Unido passa por esses cabos submarinos.

Healey declarou na quinta-feira (9/4), em entrevista coletiva em Downing Street (a sede do governo britânico, em Londres) que a Rússia havia enviado um submarino classe Akula como tática de distração, enquanto dois dos seus submarinos espiões Gugi inspecionavam aqueles cabos.

O ministro afirmou que o submarino de ataque logo saiu das águas britânicas e retornou para a Rússia ao ser monitorado, enquanto as duas embarcações Gugi permaneceram no local.

Segundo a Tass, a Embaixada russa afirmou que o país "não estava ameaçando a infraestrutura submarina, que realmente é fundamental para o Reino Unido. Não estamos usando retórica agressiva neste sentido".

A Marinha britânica destacou a fragata HMS St. Albens, o navio-tanque RFA Tidespring e os helicópteros antissubmarinos Merlin para rastrear todos os três submarinos russos.

Outros países se envolveram para acompanhar a atividade russa, mas Healey mencionou nominalmente apenas a Noruega.

"Nossas forças armadas deixaram [a Rússia] certa de que eles estavam sendo monitorados, que seus movimentos não eram secretos, como planejava o presidente Putin, e que sua tentativa de realizar uma operação dissimulada havia sido exposta", declarou Healey.

"Nós os observamos, conseguimos rastreá-los e lançamos boias de sonar para demonstrar que estávamos monitorando cada hora das suas operações."

O secretário britânico da Defesa, John Healey, falando à imprensa

Crédito,Reuters

Legenda da foto,O secretário britânico da Defesa, John Healey, revelou a atividade dos submarinos russos nas águas ao norte do Reino Unido durante entrevista coletiva na sede do governo britânico, em Londres

Os submarinos Gugi representam uma ameaça considerável para o Ocidente.

A sigla significa, em russo, Diretório Principal de Pesquisa em Águas Profundas. O organismo faz parte da Marinha russa, mas é tão sigiloso que se reporta diretamente ao ministro da Defesa e ao presidente do país.

Sua sede fica em São Petersburgo, no mar Báltico. Mas a organização tem uma base no Ártico, de onde pode se deslocar até a baía de Olenya, na península de Kola, onde fica a frota estratégica de submarinos nucleares da Rússia.

A Gugi é especializada em vigilância, sabotagem e reconhecimento subaquático. Nenhuma outra nação do planeta, exceto os Estados Unidos, detém a mesma capacidade de operar equipamento militar em profundezas extremas.

Esse equipamento inclui o tipo de submarinos em miniatura não tripulados que a Rússia teria usado para navegarem sobre os cabos de dados britânicos no Atlântico Norte.

Esses "minissubmarinos" podem ser lançados secretamente, à noite, de navios espiões como o Yantar, que havia sido observado vagando em torno do Canal da Mancha. Eles têm a capacidade de cortar cabos ou, em alguns casos, de se conectar a eles, para permitir que a Rússia monitore os dados sendo transmitidos.

Tudo isso se encaixa em uma situação de guerra híbrida: atos hostis que não chegam a configurar um ataque letal imputável ao seu autor.

O receio do Reino Unido e da Otan é de que toda a vigilância dissimulada russa dos oleodutos e cabos submarinos ocidentais se destine a oferecer a Moscou um ponto de partida, caso algum dia surjam hostilidades.

Se isso acontecer, a expectativa é que a Rússia tentaria interromper ou prejudicar ao máximo possível os dados britânicos, acionando dispositivos que possam ter sido posicionados previamente, antes de uma eventual guerra.

Healey também acusou Putin de tentar capitalizar a "distração" mundial com a guerra no Oriente Médio e afirmou que a Rússia é quem representa a "principal ameaça à segurança do Reino Unido".

Ele declarou que Moscou ainda "representa uma ameaça", mas expressou sua confiança de que o Reino Unido poderá rastrear e monitorar atividades futuras, continuando a expor "qualquer operação secreta que Putin deseje realizar e possa ameaçar nossos interesses vitais".

Mapa mostrando os oleodutos e cabos submarinos que connectam o Reino Unido à América do Norte e à Europa

Os oleodutos e cabos submarinos fazem parte de uma infraestrutura fundamental para vários países do mundo.

Mais de 600 cabos submarinos conectam o planeta por 1,4 milhão de quilômetros. Eles transmitem eletricidade e informações através dos mares e oceanos, muitas vezes subindo à superfície em locais discretos.

O pesquisador de energia marinha Sidharth Kaushal, do Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês), declarou à BBC que a unidade militar russa Gugi opera minissubmarinos de águas profundas, respaldados por uma grande "nave-mãe".

Esses veículos são "alvos complexos", segundo Kaushal, pois são projetados para evitar serem detectados, reduzindo a quantidade de ruído emitida, a água que eles deslocam e sua capacidade de detecção por sensores magnéticos.

Kaushal destacou que, provavelmente, os submarinos conseguiram recolher dados sobre a rede britânica de cabos submarinos, apesar de serem monitorados pela Marinha do Reino Unido.

Ele afirma que a capacidade britânica de restringir suas operações em tempo de paz é "limitada" e destaca que organizações privadas e militares podem realizar legalmente esse monitoramento, "desde que estejam em águas internacionais".

Mas Kaushal afirma que a Marinha britânica pode ter reunido informações de inteligência vitais ao monitorar a operação, a fim de aprender mais sobre o que está sendo mapeado, as táticas usadas pela Rússia e "possivelmente recuperar algum objeto de vigilância deixado para trás".

Os gasodutos do mar do Norte

O Reino Unido também depende de uma rede de gasodutos subaquáticos, principalmente no mar do Norte. Eles fornecem energia essencial de plataformas continentais do Reino Unido e da Noruega.

Eles incluem o gasoduto Langeled, com 1.166 km de extensão, entre a Noruega e o Reino Unido. Cerca de 77% das importações britânicas de gás vêm da Noruega, através dos gasodutos do mar do Norte.

A BBC revelou em 2025 que a Rússia vinha praticando "guerra híbrida" contra o Reino Unido e a Europa ocidental, a fim de punir ou dissuadir as nações ocidentais de manter seu apoio militar à Ucrânia.

A "guerra híbrida" ocorre quando um Estado hostil realiza um ataque anônimo, que pode ser negado, normalmente em circunstâncias altamente suspeitas, que não pode ser considerado um ato de guerra atribuído ao seu autor.

A Embaixada russa já havia declarado anteriormente "não ter interesse pelas comunicações submarinas britânicas".

A arriscada volta da Artemis 2: como astronautas pilotaram 'bola de fogo' de volta à Terra, passo a passo.

 

Artemis

Crédito,Reuters

Legenda da foto,Imagem capturada por um dos astronautas logo após a entrada na atmosfera
    • Author,Catherine Heathwood
    • Role,Serviço Mundial da BBC
  • Tempo de leitura: 5 min

Depois de viajar pela maior distância já percorrida pelo ser humano, os astronautas da missão Artemis 2 tiveram sucesso em uma das partes mais arriscadas da jornada: o retorno à Terra.

A cápsula Orion pousou no oceano Pacífico, perto do litoral de San Diego, no Estado americano da Califórnia, por volta das 21 horas de Brasília desta sexta-feira (10/4).

"Na verdade, venho pensando na reentrada desde 3 de abril de 2023, quando fomos designados para esta missão", declarou recentemente do espaço o piloto da Artemis 2, Victor Glover.

"Ainda nem comecei a processar tudo o que aconteceu... e pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo."

Impressão artística da cápsula Orion reentrando na atmosfera terrestre, descendo sobre a superfície do planeta, rodeada por um brilho ardente

Crédito,NASA

O retorno, passo a passo

No seu último dia completo no espaço, a tripulação começou a se preparar para o retorno à Terra, estudando os procedimentos de reentrada e pouso. Eles também experimentaram suas roupas de compressão, que podem ajudar a evitar vertigens na volta à gravidade terrestre.

Foto dos quatro tripulantes da Artemis 2, com o polegar para cima, flutuando no interior da espaçonave

Crédito,NASA

Legenda da foto,Os quatro tripulantes da Artemis 2 são os especialistas da missão Christina Koch e Jeremy Hansen, o piloto Victor Glover e o comandante Reid Wiseman

O módulo da tripulação e o módulo de serviço se separaram cerca de 20 minutos antes que a Orion atingisse a atmosfera superior da Terra.

A cápsula, então, se virou, para que seu escudo térmico pudesse suportar a maior parte das ardentes temperaturas geradas e manter os astronautas em segurança no seu interior.

A espaçonave precisava entrar na atmosfera em um ângulo muito específico. O professor Chris James, do Centro de Hipersônica da Universidade de Queensland, na Austrália, explica que existe uma margem de erro, mas é muito pequena — um grau para mais ou para menos.

Infográfico mostra as etapas da descida da Orion, da separação do módulo de serviço até o pouso no Oceano Pacífico

'Começa a diversão'

O diretor de voo da Artemis 2, Rick Henfling, explicou durante uma entrevista coletiva na quarta-feira (8/4) que a Orion atingiria a interface de entrada a uma altitude de 122 km. "É ali que realmente começa a diversão", segundo ele.

À medida que a Orion se arremessou pela atmosfera, seu escudo térmico foi exposto a temperaturas de cerca de 2.700 °C, equivalentes à metade do calor da superfície do Sol.

Houve muita preocupação com o escudo térmico, pois ele foi seriamente danificado durante a primeira missão Artemis, não tripulada. Mas os engenheiros conseguiram resolver o problema, ajustando o ângulo de reentrada na atmosfera.

Homem de meia-idade com uniforme da Nasa e gravata vermelha fala em frente a uma enorme fotografia da superfície lunar

Crédito,AFP via Getty Images

Legenda da foto,Rick Henfling é o diretor de voo da Artemis 2

Logo após a reentrada, a cápsula perdeu completamente o contato com a Terra por seis minutos.

James explica que, durante a descida pela atmosfera, o aquecimento do ar causado pela espaçonave faz com que elétrons sejam arrancados dos átomos de oxigênio e nitrogênio, formando um plasma eletricamente carregado que bloqueia os sinais de rádio.

Reduzindo a velocidade

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A espaçonave entrou pela atmosfera da Terra a mais de 40 mil km/h. E, para reduzir a velocidade, a primeira etapa foi usar a própria atmosfera como freio.

A cápsula Orion é projetada para não ser aerodinâmica. Por isso, "ela atinge a atmosfera literalmente como um tijolo voador e usa essa força de arrasto da própria atmosfera para reduzir sua velocidade", afirma James.

Os veículos não tripulados podem entrar na atmosfera em cerca de um minuto, a uma força de cerca de 100 Gs. Mas ele explica que os seres humanos não conseguem sobreviver nessas condições.

Para que a tripulação possa suportar a descida, entrar em ângulo faz com que ela possa levar cinco minutos em vez de um, reduzindo a força G a que eles serão expostos.

Com a espaçonave em segurança, diversos paraquedas foram abertos em sequência para reduzir a sua velocidade.

Os paraquedas de desaceleração são projetados para estabilizar e reduzir a velocidade da espaçonave antes da abertura dos paraquedas principais. A queda no oceano ocorreu a 32 km/h.

Uma equipe de resgate aguardava os astronautas, perto do litoral da Califórnia.

Airbags laranja brilhantes se inflaram para ajudar a manter a cápsula na vertical, permitindo a saída da tripulação em segurança.

Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador.



“Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática.” Paulo Freire

 

Cold War - Dwa Serduszka (Official Lyric Video)




 

Nem toda dor é o fim… às vezes é o caminho.


 

Granada retrocede a los años 30 con el rodaje de 'La bola negra'


 

AMARGA NAVIDAD Tráiler Español (2026) Pedro Almodóvar


 

Caetano Veloso - The Man I Love


 

Inovação...


 Inovação...


Por mais poderosa e avançada que as Forças Armadas dos Estados Unidos tenham se tornado; É prudente lembrar que a vantagem tecnológica vem da física e da engenharia.

Sem ciência e a inovação dos cientistas – o estilo de combate da Primeira e Segunda Guerra Mundial por meio de táticas de força bruta é tudo o que você tem.

#Education com aumento de bolsas para STEM deve ser uma prioridade. Sem inovações na ciência, não só o #military perde vantagem; O resto da sociedade também.

Rumo a 2030: 5 Revelações Surpreendentes do Novo Plano Quinquenal da China




O destino da segunda maior economia do mundo não é fruto do acaso, mas de um roteiro meticulosamente traçado que reverbera em cada cadeia de suprimentos global. O 15º Plano Quinquenal (2026-2030) surge como o projeto estratégico definitivo para consolidar a "Modernização ao Estilo Chinês". Para o observador atento, este documento não é apenas uma diretriz burocrática; é o mecanismo que ditará o ritmo da inovação tecnológica e da segurança energética global na próxima década.

Mais do que buscar a expansão do PIB — que já ultrapassou a marca histórica de 140 trilhões de yuans(19,44 trilhões de dólares) no plano anterior —, Pequim agora sinaliza uma mudança de paradigma: a transição de um gigante industrial movido a volume para uma potência tecnológica definida pela autossuficiência.

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1. O Fim da "Quantidade": A Ascensão das Novas Forças Produtivas Qualitativas

A China encerrou oficialmente a era do crescimento a qualquer custo. O 15º Plano Quinquenal consolida o conceito de "Novas Forças Produtivas Qualitativas", uma resposta estratégica para escapar da "Armadilha da Renda Média". O foco migrou do volume bruto para a "eficiência total dos fatores", priorizando o valor agregado e a sofisticação institucional sobre a simples expansão fabril.

  • Intensificação em P&D: O plano estabelece um crescimento médio anual superior a 7% nos gastos em pesquisa e desenvolvimento por parte de toda a sociedade.
  • Eficiência e Inovação: A meta é um aumento estável da produtividade total dos fatores, garantindo que o progresso científico seja o motor primário do crescimento econômico.

"Ter como tema principal a promoção do desenvolvimento de alta qualidade, ter a reforma e inovação como força motriz fundamental, atender às crescentes necessidades do povo por uma vida melhor como objetivo fundamental." (Capítulo 2)

Reflexão: Para investidores globais, esta mudança é um divisor de águas. Pequim está trocando a "mão de obra barata" pela "engenharia de alta precisão". Ao focar na qualidade em vez da quantidade, a China desafia a hegemonia tecnológica ocidental, transformando-se de "fábrica do mundo" em seu laboratório de inovação disruptiva.

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2. Fronteiras de Ficção Científica: De Interfaces Cérebro-Máquina a Robôs Humanoides

O Capítulo 5 e a Coluna 3 detalham o "Planejamento Prospectivo para Indústrias do Futuro". Trata-se de uma aposta audaciosa em setores que ainda ocupam o estágio experimental no restante do mundo, mas que Pequim pretende escalar comercialmente até 2030.

  • Inteligência Incorporada: O plano destaca o desenvolvimento de robôs humanoides e algoritmos de ponta que unificam o "cérebro grande e pequeno" (coordenação motora e cognitiva avançada) das máquinas.
  • Interface Cérebro-Computador (BCI): Pesquisas focadas em chips especializados e algoritmos de codificação para diagnóstico de doenças cerebrais e reabilitação motora.
  • Biomanufatura: Avanços em design inteligente de germoplasma biológico e fermentação inteligente para revolucionar a medicina e a energia.
  • Computação Quântica: Foco em computadores quânticos universais tolerantes a falhas e na construção de uma rede de comunicação quântica integrada entre céu e terra.

Análise: Ao liderar setores antes que eles se tornem padrões globais, a China busca a "vantagem do pioneiro". A menção a algoritmos que unificam diferentes níveis de processamento em robôs humanoides revela uma ambição de integração sistêmica que poucos países conseguem emular.

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3. O Desafio Demográfico: Construindo uma Sociedade "Amigável à Natalidade"

Diante de uma força de trabalho que começa a encolher, o Capítulo 37 detalha a estratégia populacional para converter o antigo "dividendo demográfico" em um robusto "dividendo de talentos".

  • Longevidade: A meta ousada é elevar a expectativa de vida média nacional para 80 anos.
  • Qualificação de Massa: O plano prevê o aumento da média de escolaridade da população em idade ativa para 11,7 anos.
  • Infraestrutura Social: A criação de uma sociedade "amigável à natalidade" envolve o aprimoramento de serviços de cuidados infantis e o suporte a uma população em envelhecimento, integrando saúde e assistência social de forma tecnológica.

Reflexão: Esta não é apenas uma política social; é uma estratégia de sobrevivência econômica. A China pretende compensar a redução da massa de trabalhadores com a automação industrial e o aumento drástico da qualificação técnica de cada cidadão.

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4. A "Rede Única Nacional": Infraestrutura Gigante em Desertos e Mar Aberto

A infraestrutura chinesa entra em uma fase monumental de sustentabilidade e segurança energética (Capítulo 7 e Coluna 5). O objetivo é garantir a soberania de recursos através de uma matriz de energia limpa sem paralelos.

  • Energia no Deserto: Construção de bases massivas de energia eólica e solar nos desertos de Kubuqi, Ulan Buh, Tengger e Badain Jaran, integrando a produção das regiões áridas com a demanda do leste.
  • Metas de Energia: O plano visa atingir 110 milhões de quilowatts em energia nuclear costeira e mais de 100 milhões em energia eólica offshore.
  • Logística e Conectividade: Conclusão da rede ferroviária de alta velocidade "Oito Verticais e Oito Horizontais" e o fortalecimento do Novo Corredor Internacional de Transporte Terrestre-Marítimo no Oeste.
  • Transmissão: A capacidade de transmissão de eletricidade do Oeste para o Leste deve superar 420 milhões de quilowatts.

Análise: Essa reconfiguração logística é o alicerce para a "China Bonita". Ao conectar desertos remotos a centros urbanos por meio de uma rede inteligente, o país busca uma independência energética que blinde sua economia de choques geopolíticos externos.

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5. A Soberania Digital: O Projeto "Leste-Oeste" e o Salto para o 6G

O Quarto Capítulo define as diretrizes para a "China Digital", onde os dados são tratados como o novo fator de produção essencial.

  • Economia Digital: A meta é que as indústrias centrais do setor representem 12,5% do PIB.
  • Projeto "Leste-Oeste": Uma rede nacional integrada que move o processamento de dados para o oeste do país, onde a energia é abundante, otimizando a capacidade computacional nacional.
  • Infraestrutura Soberana: Implementação de uma rede nacional de blockchain e expansão do sistema Beidou para autonomia total em navegação e dados.
  • Conectividade de Próxima Geração: Foco na evolução para o 5G-A, construção de 1 milhão de portas de rede óptica de alta velocidade (50G PON) e a verificação acelerada de aplicações para o 6G.

Reflexão: A soberania digital chinesa, apoiada por uma internet via satélite de órbita baixa, visa eliminar qualquer dependência de infraestruturas controladas por estrangeiros. É a digitalização servindo como escudo e espada na competição tecnológica global.

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O que entendo...

O 15º Plano Quinquenal é o manifesto de uma China que prioriza a resiliência sobre a expansão desenfreada. Ele atua como a ponte final para a "modernização socialista básica" de 2035, onde a autossuficiência tecnológica não é um desejo, mas um requisito.

Ao consolidar um mercado interno unificado e infraestruturas físicas e digitais integradas, Pequim redefine as regras do jogo.

A pergunta que fica para os líderes mundiais e estrategistas é:

Em um mundo cada vez mais fragmentado, o foco da China em autossuficiência tecnológica e um mercado interno blindado redefinirá as regras da globalização como a conhecemos?