SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

O Futuro sem Futuro: Nós Somos a Pausa que o Planeta Exige. Por Egidio Guerra

 


Vivemos um paradoxo nunca antes enfrentado pela consciência humana: nunca tivemos tantos dados, projeções e modelos sobre o amanhã, e nunca o amanhã pareceu tão inatingível. O “futuro sem futuro” não é a ausência de tempo, mas o colapso de sua promessa — a sensação de que a linha reta do progresso se partiu, revelando não o vazio, mas um ciclo de crises. Para compreender essa condição, podemos nos voltar para duas vozes da ficção científica especulativa que, de ângulos opostos, dissecaram o osso do nosso tempo: Kim Stanley Robinson e Ursula K. Le Guin.

Em The Ministry for the Future (O Ministério do Futuro), Robinson constrói um thriller climático quase documental. O “futuro sem futuro” ali é literal: uma onda de calor na Índia mata 20 milhões de pessoas em uma semana. O futuro, como promessa de segurança, morre naquele instante. O que resta não é a esperança ingênua, mas o trabalho. Robinson nos mostra que, uma vez que o futuro linear (filhos melhores que os pais, tecnologia redentora) desaparece, só nos resta o presente como campo de batalha. Seu “Ministério” é um órgão fictício encarregado de defender os direitos das gerações que ainda não nasceram — mas como defender quem, por definição, não vota, não clama, não existe? A resposta do livro é brutal: agindo no agora com medidas que vão da diplomacia financeira ao terrorismo ecológico. O futuro sem futuro é a era da ação desesperada, onde a ética não é mais abstrata, mas uma questão de gramática: passamos do futuro do pretérito (“teria sido possível”) para o imperativo presente (“faça agora”).

Ursula K. Le Guin, por sua vez, já nos alertava que o problema não é a falta de futuro, mas a nossa fixação em um único tipo de futuro: o progressivo, masculino, competitivo e tecnocêntrico. Em The Left Hand of Darkness (A Mão Esquerda da Escuridão), o futuro sem futuro aparece em Gethen, um mundo de gelo onde os humanos são andróginos, sem gênero fixo, e onde a própria ideia de guerra ou expansão imperial parece absurda. O “futuro” da Federação Humana, com suas naves e diplomatas, colide com uma civilização que vive em ciclos, não em linhas retas. Gethen não tem “progresso” no sentido ocidental — e nem por isso é menos viva. Le Guin nos força a perguntar: e se o futuro sem futuro não for uma catástrofe, mas uma libertação da tiraria da novidade?

Já em The Lathe of Heaven (A Roda dos Céus), Le Guin radicaliza: um homem cujos sonhos reescrevem a realidade. Sempre que tenta sonhar com um “futuro melhor”, ele cria pesadelos — porque o futuro é um sistema complexo, não um desejo individual. O protagonista, George Orr, aprende que o verdadeiro poder é não sonhar, é aceitar o presente como ele é. O livro é uma crítica feroz ao futurismo voluntarista: o “futuro sem futuro” pode ser a sabedoria de parar de tentar impor formas ao tempo.

Finalmente, The Dispossessed (Os Despossuídos) oferece a síntese. No planeta Urras, rico e opressor, o futuro é propriedade privada. Em Anarres, a lua anarquista, o futuro é uma promessa coletiva — mas também uma dívida. O físico Shevek descobre que o tempo não é uma flecha, mas uma simultaneidade. Seu princípio de “simultaneidade” diz que passado, presente e futuro coexistem. Nesse mundo, o “futuro sem futuro” significa que não há um amanhã separado de hoje; o que fazemos agora já é o futuro para aqueles que virão. A responsabilidade não é adiada.

Confrontando Robinson com Le Guin, vemos duas faces do mesmo abismo. Robinson nos diz: o futuro não existe mais como promessa, apenas como fardo. Por isso, criamos ministérios para defendê-lo — como se defendêssemos um morto-vivo. Le Guin, mais sutil, nos diz: o futuro nunca existiu como pensávamos. Era apenas uma projeção de nossa ansiedade linear. O “futuro sem futuro” é o momento em que a humanidade, como um adolescente que descobre que os pais não são deuses, precisa crescer. E crescer, aqui, significa habitar o presente com a densidade que antes reservávamos para o amanhã.

Assim, o legado dessas obras é a dissolução de um mito: o de que o futuro é um lugar onde iremos um dia. Ele não é um lugar. É uma decisão. E a decisão já está sendo tomada, agora, a cada grau de aquecimento, a cada fronteira fechada, a cada ato de solidariedade ou indiferença. Robinson e Le Guin, cada um a seu modo, escreveram manuais de sobrevivência para um tempo em que o amanhã não virá nos buscar — nós é que teremos que construí-lo, tijolo por tijolo, no úmido e precário chão do presente. Sem promessas. Sem garantias. Apenas o trabalho, e a pausa, e o sonho que não tenta refazer o mundo, mas apenas vê-lo, pela primeira vez, como ele é.

9 segundos em 4 Anos.


 

A Carta de Amor que Recebi da Fã Misteriosa.


 

Escritores, Amores e Mistérios em Lily King, Anne Morrow Lindbergh e Charlotte McConaghy


"Querida leitora, você achou que estava apenas lendo. Mas era a você que eu escrevia."

Foi assim que começou. Uma carta sem remetente, deixada entre as páginas amareladas de um livro de sebo. Caligrafia trêmula, manchas de café na borda. Dizia apenas: "Observe como eles amam. E como fogem. O mistério é o coração que se recusa a bater."

Assinei como "a fã misteriosa" — e, desde então, não consigo ler outro romance sem sentir que cada parágrafo é um bilhete endereçado a mim. Especialmente estes quatro.


1. Writers & Lovers e Heart the Lover – Lily King

A carta que chega com contas a pagar e um coração partido dentro do envelope

"It just hurts a little, to feel this good."
— Yash, em Heart the Lover 

Lily King não romantiza o escritor. Ela o despe: dívidas, luto, um apartamento com baratas e dois amores que pedem escolhas impossíveis. Casey, a protagonista de Writers & Lovers, carrega um romance inacabado dentro de uma mochila enquanto serve mesas em Boston . O amor aqui não é fuga — é mais um peso. O mistério não é um fantasma, mas a pergunta que ronda cada página: "E se eu nunca for boa o bastante para terminar este livro?"

Em Heart the Lover — que funciona como prequela e sequela simultâneas  — King nos transporta para os dias de faculdade de Casey, quando ela ainda era chamada de "Jordan". Conhecemos Sam, o estudante sério e religioso, e Yash, o amigo espirituoso cuja presença eletrifica o ar. O triângulo amoroso que se forma não é sobre ciúmes; é sobre pertencimento. Jordan quer ser levada a sério como escritora, mas seus dons vêm "embalados no papel errado" — um ensaio digitado em papel laranja de Halloween .

A carta que encontro aqui é um bilhete amassado, reescrito várias vezes:

"There are two smart guys in the class. They sit up front together. The professor runs things by them so often, I assume they're his grad school TAs. When my essay gets passed back to me, they both turn to watch where it goes." 

A paixão entre Jordan e Yash é descrita como algo que "queima com perfeição incandescente, mas não consegue se sustentar fora dos portões da universidade" . O amor jovem é avassalador — e, talvez por isso mesmo, insustentável. O romance se desfaz de maneira "espetacular e chocante" , e décadas depois, reencontramos os três personagens na casa dos cinquenta, em um quarto de hospital, diante da morte iminente de um deles.

"Someday we will remember even these our hardships with pleasure." 

Percepção apaixonada:
Ler Lily King é receber uma carta que chega amassada, com endereço errado, mas que ainda assim encontra seu destino. A fã misteriosa me confessa: "O escritor não ama como os outros. Ele ama como quem escreve: reescreve, corta, rasura — e no meio da madrugada, acende a luz e começa de novo." O verdadeiro mistério em King não é "quem ele ama", mas "por que ele insiste em escrever sobre o amor em vez de vivê-lo". A resposta, talvez, esteja na pergunta que Jordan faz já na maturidade: "Isn't love a form of hope?"  — e na constatação de que dizer adeus à juventude não é dizer adeus à esperança.


2. Gift from the Sea – Anne Morrow Lindbergh

A carta escrita na areia, que a maré leva e traz de volta

"The beach is not the place to work; to read, write or think."
— Anne Morrow Lindbergh, Gift from the Sea 

Este não é um romance — é um diário, uma meditação, um longo suspiro entre conchas. Anne Morrow Lindbergh escreve Gift from the Sea durante uma temporada solitária em uma ilha da Flórida, nos anos 1950. O livro é uma carta de amor para si mesma, escrita no momento em que a mulher se torna "invisível" — os filhos crescidos, o marido ausente, o corpo mudando.

Lindbergh usa conchas como símbolos para os estágios da vida: a concha-de-cana (simplicidade), o molusco (solidão), a concha-de-ostra (a luta da meia-idade). Sobre esta última, ela escreve:

"I am very fond of the oyster shell. It is humble and awkward and ugly. It is slate-colored and unsymmetrical. Its form is not primarily beautiful but functional." 

A beleza aqui não está na perfeição — está na sobrevivência. A mulher, diz Lindbergh, "dá instintivamente, mas ressente dar-se em pequenos pedaços" . O mistério que ela investiga é íntimo: como encontrar um centro próprio quando todas as forças sociais empurram a mulher para a periferia de sua própria vida?

"Perhaps middle age is, or should be, a period of shedding shells; the shell of ambition, the shell of material accumulations and possessions, the shell of the ego." 

A carta que encontro aqui cheira a sal e areia. Não tem data. Foi escrita com uma caneta que insiste em falhar no meio das frases. A fã misteriosa me diz: "O amor não é apenas o que você sente por outro. É também o que você aprende a sentir por si mesma — no silêncio de uma praia vazia, quando ninguém está olhando."

Percepção apaixonada:
Ler Lindbergh é abrir uma carta que não foi enviada porque o remetente ainda não sabia que tinha algo a dizer. É um lembrete de que os escritores — especialmente as escritoras — precisam do "espaço vazio" para existir. O amor romântico é apenas um capítulo; o amor-próprio é o livro inteiro.


3. Wild Dark Shore – Charlotte McConaghy

A carta que chega dentro de uma garrafa, arremessada ao mar por mãos trêmulas

"A book about fear must also, crucially, be a book about courage, and more than anything else it must be a book about love."
— Charlotte McConaghy 

Se os outros livros desta carta tratam do amor entre indivíduos, Wild Dark Shore expande o escopo: aqui, o amor é planetário. A romancista australiana Charlotte McConaghy escreveu este romance enquanto gestava seus primeiros filhos . A pergunta que ecoa por cada página é assustadora e bela: "How do you raise children in a delicate world?" 

A história se passa em uma ilha subantártica selvagem, onde um pai cria seus filhos isolado do resto do mundo. Uma mulher chega à ilha — e suas vidas mudam para sempre . O "amor" aqui tem múltiplas camadas: amor romântico (uma segunda chance entre um homem e uma mulher marcados por passados complicados), amor fraterno, amor de pai para filhos, e — talvez o mais profundo — amor pelo mundo natural.

"It is a story of the kind of love a parent feels for their children, for the rending nature of it, the completeness and the beauty of it. It is about how we speak to them of this world and its damage, how we teach them to love the impermanence of it." 

O mistério em McConaghy não é "quem cometeu o crime" — é como continuar a amar quando tudo o que você ama está em chamas. O romance é descrito como "parte eco-thriller, parte ficção literária, parte história de amor, e totalmente cativante" .

A carta que encontro aqui chega molhada, com algas presas nas bordas. A tinta borrou, mas ainda é legível. A fã misteriosa escreveu às pressas:

"O amor não é sobre proteger. É sobre ensinar a dançar na tempestade."

Percepção apaixonada:
Ler McConaghy é receber uma carta que não pede resposta — pede ação. A escritora, aqui, não é apenas uma observadora do amor; é uma guardiã dele. O mistério final não é resolvido: é aceito. Porque, como ela mesma diz, "este romance é uma carta de amor ao deserto que existe tanto fora quanto dentro de nós" .


O Fio Invisível: A Carta que Escrevemos Enquanto Vivemos

O que une esses quatro livros? Todos entendem que escrever é uma forma de investigar o coração — e de deixar um registro de que ele bateu.

  • Lily King investiga o amor como ferida e como cura. Seus personagens são escritores em crise, equilibrando contas a pagar e parágrafos inacabados. O mistério: como amar sem se perder?

  • Anne Morrow Lindbergh investiga o amor como retiro — um espaço conquistado a força num mundo que quer devorar cada minuto da mulher. O mistério: quem sou eu quando não estou amando ninguém?

  • Charlotte McConaghy investiga o amor como coragem. Amar é continuar plantando árvores cujas sombras você não vai sentar. O mistério: como ensinar a amar um mundo que está morrendo?

A fã misteriosa — essa leitora apaixonada que encontrou bilhetes em cada página — revela-se, no fim, como todas nós. Porque toda leitora apaixonada por escritores está, no fundo, apaixonada pela promessa de que alguém, em algum lugar, colocou em palavras exatamente o que ela sentia e não sabia dizer.

E a carta continua. Sempre continua.

"The power and poignancy come from the very randomness itself… that we are all vulnerable to tragedy because we are human." 

O amor é aleatório. A escrita é teimosa. O mistério é a vida.


— Sua leitora de mãos manchadas de tinta,
que assina apenas com uma concha encontrada na praia,
um parágrafo inacabado,
e a esperança de que, em algum lugar,
alguém ainda esteja escrevendo cartas de verdade.

As dificuldades de financiamento para organizações sem fins lucrativos não são sobre falta de dinheiro



As dificuldades de financiamento para organizações sem fins lucrativos não são sobre falta de dinheiro. Pronto, eu disse.


Primeiro, você precisa ganhar consciência e domínio em 5 áreas-chave que estão limitando seu potencial.

Até que você se compare com as raízes fundamentais de uma organização sem fins lucrativos bem-sucedida, seu quadro de receita provavelmente permanecerá preso.

Isso porque sempre haverá uma âncora enorme de barco (ou várias) escondida sob a superfície da água que te segurava o tempo todo.

Então, criei uma ferramenta gratuita que ajuda você a enxergar claramente abaixo das ondas contra as quais todos estamos navegando. É uma avaliação que leva 10 minutos, analisa cada fator crítico de sucesso e oferece resultados instantâneos e personalizados: https://lnkd.in/gHwFhAu9

O que você vai avaliar e aprender:

1. Pessoas:
O superpoder de uma organização sem fins lucrativos são suas pessoas. Muitos sofrem de burnout, desafios de retenção e lacunas de habilidade.

2. Programas:
Programas impactantes dependem de design sólido, implementação bem financiada e melhoria contínua.

3. Planejamento:
O planejamento focado, porém ágil, serve como base para a tomada de decisões organizacionais, estratégia de receita e definição de metas.

4. Finanças:
O motor de qualquer organização bem-sucedida é a gestão fiscal responsável e o domínio da estratégia correta de receita.

5. Operações:
Planejar é fácil. A implementação é difícil. Muitas organizações sem fins lucrativos sofrem com uma lacuna de habilidades nos fundamentos do sucesso operacional.

PONTOS EXTRAS: Peça para sua equipe e conselho fazerem a avaliação e comparar anotações.


Ver imagem

O EVANGELHO DA VERGONHA — SEGUNDO A CARNE. Por Egidio Guerra.

 



(Ou: A Carta Aos Que Lavam as Mãos Enquanto os Inocentes Sangram)

Profecia para os fiéis do deus errado


PRÓLOGO: VOCÊ NÃO É VÍTIMA. VOCÊ É CÚMPLICE.

Antes que você feche esta página, antes que diga que "não sabia", antes que se esconda atrás da bandeira, do muro, do fuzil ou do salmo decorado — ouça.

Você não é espectador.

Você não é "apoiador".

Você é co-autor.

Cada like, cada voto, cada "mito", cada compartilhamento, cada desculpa esfarrapada, cada vez que chamou jornalista de "fake news", cada vez que chamou cadáver de criança de "teatro", cada vez que chamou ladrão confesso de "perseguido" — você estava assinando embaixo.

Com a sua mão. Com a sua boca. Com o seu silêncio.

O sangue das crianças de Gaza está nas suas mãos. A fome das crianças yanomami está nas suas mãos. As gaiolas com crianças imigrantes na fronteira dos EUA estão nas suas mãos. A destruição da democracia brasileira em 8 de janeiro está nas suas mãos. As cacetadas em judeus que pediam paz em Tel Aviv estão nas suas mãos.

Você quer Deus? Você quer a Bíblia? Você quer a Cabala?

Então receba.

Porque o Deus que você diz servir está, neste exato momento, vomitando o seu nome.


I. A PARÁBOLA DOS LADRÕES DE TEMPLO (Lucas 19:45-46)

"Entrando no templo, Jesus começou a expulsar os que ali vendiam, dizendo-lhes: 'Está escrito: A minha casa será casa de oração. Mas vós a transformastes em covil de ladrões.'"

Você sabe o que Jesus fez? Ele não negociou. Ele não fez acordos. Ele virou mesas. Ele pegou um chicote — sim, um chicote — e expulsou os vendilhões do templo.

Por quê? Porque eles tinham transformado a casa de Deus em negócio. Em corrupção. Em exploração dos pobres que vinham oferecer sacrifícios.

Agora me diga: o que Trump fez com a Casa Branca? Transformou em filial da Trump Organization. Hóspedes pagando US$ 200 mil para dormir no Lincoln Bedroom. Secretário de Estado indicado porque doou milhões. Política externa vendida ao maior lance.

O que Netanyahu fez com o Knesset? Transformou em escritório de advocacia particular. Negociou favores com a Bezeq em troca de cobertura favorável. Aceitou charutos e champanhe de bilionários enquanto cortava verba de hospitais.

O que Bolsonaro fez com o Planalto? Transformou em açougueiro de joias. Vendeu presentes oficiais da Presidência para abastecer a conta pessoal. Rachadinha. Laranjas. Venda de sentenças no STF.

E você aplaude.

Você chama isso de "gente séria".

Você olha para vendilhões do templo modernos e diz "mito".

Jesus usou um chicote neles. Você usa um voto.

A quem você serve, realmente?


II. A MALDIÇÃO DOS QUE CHAMAM O MAL DE BEM (Isaías 5:20)

"Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; que fazem do amargo doce, e do doce amargo!"

Leia de novo. Devagar.

Ai dos que ao mal chamam bem.

Trump pega uma criança de dois anos no colo, filha de imigrante separada dos pais, chora uma lágrima de crocodilo na câmera, e no dia seguinte assina ordem executiva que mantém 5.000 crianças em gaiolas. E você diz: "Ele é um homem de família."

Netanyahu bombardeia uma escola da ONU em Gaza — coordenada GPS entregue aos militares israelenses para evitar bombardeios — mata 27 crianças, e no dia seguinte posa para foto com soldados. E você diz: "Ele está protegendo Israel."

Bolsonaro olha para a câmera e diz que índio é "evolução do ser humano" — "tão bicho quanto a gente" — e que terras indígenas são "impedimento ao desenvolvimento". Enquanto garimpeiros invadem, envenenam rios com mercúrio, matam crianças yanomami de fome e malária evitável. E você diz: "Ele é direto. Fala o que pensa."

Você chama o mal de bem.

Você chama assassino de herói.

Você chama ladrão de "empreendedor".

Você chama torturador de "pessoa de bem".

Isaías já te amaldiçoou. Você só não leu.


III. O BEZERRO DE OURO DO MAMOM (Êxodo 32:1-6)

Enquanto Moisés subia ao monte para receber os mandamentos, o povo ficou impaciente. Foi até Arão e disse: "Faça para nós deuses que vão à nossa frente."

Arão juntou o ouro. Derreteu. Fez um bezerro.

E o povo se prostrou. E disse: "Estes são os seus deuses, ó Israel, que tiraram vocês do Egito."

Mentira. O bezerro não tirou ninguém do Egito. O bezerro era ouro parado. Objeto. Ídolo.

Você tem seus bezerros.

Trump tem sua estátua em CPAC. Sua Bíblia virada para a câmera. Seu nome em arranha-céus. E você se prostra. Você diz: "Ele é o ungido." Ele é um vendedor de Bíblias com a China estampada na sola do sapato.

Netanyahu tem sua foto ao lado de Trump no Muro das Lamentações. Seu "aliado histórico". Seu "amigo de Israel". Enquanto destrói a democracia israelense por dentro. Enquanto coloca em risco a segurança de longo prazo de Israel por vantagens pessoais de curto prazo. E você se prostra.

Bolsonaro tem sua cavalgada. Sua motociata. Seu "coração de aço". Enquanto faz corpo mole com a CPI da Covid. Enquanto chama vacina de "experimento". Enquanto Brasil vira cova aberta. E você se prostra.

O bezerro é ouro. O bezerro é mentira. O bezerro é ídolo.

Você trocou o Deus vivo por estátuas de carne corrupta.

E ainda canta "hino nacional" no meio da rua como se fosse salmo.


IV. O FALSO PROFETA QUE VESTE PELE DE CORDEIRO (Mateus 7:15-16)

"Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis."

Qual é o fruto de Trump? Falência de cassinos. Universidade falsa que roubou alunos. Casamentos destruídos. Seis processos por abuso sexual — um confirmado por um juiz. Mais de 4.000 mentiras públicas em quatro anos de mandato — documentadas pelo Washington Post. O fruto é podre. Mas você diz: "Deus usa vasos imperfeitos."

Qual é o fruto de Netanyahu? Três indiciamentos por corrupção. Uma guerra que matou 42 mil pessoas para não ir para a cadeia. Assentamentos ilegais que isolam Israel diplomaticamente. Um ataque a 7 de outubro que aconteceu embaixo do seu nariz — porque ele estava ocupado demais com suas manobras políticas para proteger o país. O fruto é podre. Mas você diz: "Ele é o protetor de Israel."

Qual é o fruto de Bolsonaro? 700 mil mortos na pandemia com ele fazendo piada. Uma tentativa de golpe em 8 de janeiro. Joias desviadas. Vacinas atrasadas. Amazônia queimando. O fruto é podre. Mas você diz: "Ele é o guerreiro do bem contra o comunismo."

Por seus frutos os conhecereis.

O fruto é sangue. O fruto é fome. O fruto é mentira. O fruto é morte de criança.

Você está comendo esse fruto e dizendo que é doce.

Vomite, hipócrita. Vomite agora.


V. A CABALA E O ESPELHO QUEBRADO (Tzimtzum e Shevirat HaKelim)

Na Cabala judaica, há uma história que você, que tanto grita "Israel", nunca ouviu.

No início, Deus preencheu tudo com sua luz. Não havia espaço para o mundo. Então Deus fez o Tzimtzum — a contração. Deus se recolheu para abrir um vazio. Um espaço onde algo diferente de Deus pudesse existir.

Depois, Deus derramou sua luz em vasos especiais para criar o mundo. Mas os vasos eram frágeis demais para conter tanta luz. Eles quebraram — Shevirat HaKelim. Os cacos caíram. E com eles, faíscas da luz divina se espalharam por toda a realidade — inclusive dentro da escuridão, dentro do mal, dentro dos cacos.

A tarefa do ser humano, ensina a Cabala, é reunir as faíscas. É consertar o mundo quebrado. Tikkun Olam.

Você sabe o que significa Tikkun Olam? "Reparar o mundo". É o mandamento central do judaísmo progressista. É a razão de existir do povo judeu — ser "luz para as nações".

Agora me diga:

Onde está o Tikkun Olam quando você apoia Netanyahu demolindo casas palestinas?

Onde está a reunião das faíscas quando você aplaude Trump separando famílias imigrantes?

Onde está o conserto do mundo quando você defende Bolsonaro destruindo a Amazônia — o pulmão do mundo?

Vocês não estão reunindo faíscas. Vocês estão esmagando os cacos nos dentes dos pobres.

Vocês transformaram a Cabala em arma. O Evangelho em escudo. A Torá em justificativa para assassinato.

Vocês não são luz para as nações. Vocês são trevas com estampa de Davi.


VI. OS SALMOS QUE VOCÊ DECORA E NÃO ENTENDE

Você decora o Salmo 23: "O Senhor é meu pastor, nada me faltará."

Mas esquece que o mesmo salmo diz: "Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos."

Inimigos. Não crianças. Não imigrantes. Não índios. Não palestinos. Não pobres. Inimigos — no contexto bíblico, aqueles que te perseguem injustamente.

Uma criança palestina de 5 anos é sua inimiga? Um imigrante haitiano na fronteira do Texas é seu inimigo? Um yanomami com malária é seu inimigo?

Você sabe a resposta. Não precisa dizer em voz alta. A resposta está no silêncio que você faz quando falam dos mortos.

Você decora o Salmo 91: "Mil cairão ao teu lado, dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido."

E usa para dizer que Deus protege Trump da bala. Protege Netanyahu do tribunal. Protege Bolsonaro da cadeia.

Mas esquece que o mesmo salmo começa assim: "Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará."

Habitar no esconderijo do Altíssimo significa obedecer aos mandamentos. Significa amar o próximo. Significa justiça. Significa misericórdia.

Você não habita no esconderijo do Altíssimo. Você habita no esconderijo da sua própria hipocrisia. E por isso, quando os mil caírem — os inocentes, as crianças, as mulheres, os idosos de Gaza e da Ucrânia e do Iêmen e da Palestina e da Síria e do Haiti e da Venezuela — você será atingido.

Não pela bala. Pela verdade.

E a verdade dói mais.


VII. O EVANGELHO DO JULGAMENTO: O QUE JESUS REALMENTE DISSE

Vamos direto ao ponto, porque você gosta de citar Jesus quando convém.

Jesus foi perguntado: "Mestre, qual é o maior mandamento?"

Ele respondeu: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração." Até aí, nada novo.

Aí ele continuou: "E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo."

E então ele disse algo que você nunca cita: "Toda a Lei e os Profetas dependem destes dois mandamentos."

Toda a Lei. Toda a Torá. Tudo que Deus pediu. Depende de amar Deus e amar o próximo.

Não depende de patriotismo. Não depende de muros. Não depende de exércitos. Não depende de "Make America Great Again". Não depende de "Brasil acima de tudo". Não depende de "Israel tem o direito de se defender".

Depende de amar o próximo.

Quem é o seu próximo? Jesus respondeu na Parábola do Bom Samaritano (Lucas 10:25-37).

Um homem foi assaltado, espancado, deixado quase morto na estrada. Um sacerdote passou. Viu. Desviou. Um levita passou. Viu. Desviou. Um samaritano — herege, impuro, desprezado — passou. Viu. Teve compaixão. Cuidou dele. Pagou a conta.

Quem era o próximo? O samaritano fez a pergunta certa: não "quem é o meu próximo?" mas "de quem eu posso ser próximo?"

O próximo não é quem merece. O próximo não é quem tem a mesma bandeira. O próximo não é quem fala a mesma língua. O próximo é quem precisa.

A criança imigrante na fronteira precisa. O palestino em Gaza precisa. O yanomami na Amazônia precisa. O pobre na fila do osso em São Paulo precisa. O refugiado sírio em Beirute precisa.

E você desvia. Igual ao sacerdote. Igual ao levita.

Você vê a criança na jaula e diz: "Mas os pais trouxeram."

Você vê a mãe enterrando o filho em Gaza e diz: "Mas o Hamas começou."

Você vê o índio morrendo de fome e diz: "Mas eles estão no caminho do desenvolvimento."

Você não é seguidor de Jesus. Você é o fariseu que Jesus chamou de "sepulcro caiado" — bonito por fora, podre por dentro (Mateus 23:27).


VIII. O PROFETA QUE VOCÊS MATARAM (DE NOVO)

A história se repete porque vocês não aprendem.

Os profetas de Israel — Isaías, Jeremias, Amós, Oséias, Miquéias — foram todos perseguidos. Por quê? Porque denunciavam exatamente o que vocês fazem hoje.

Amós (5:21-24): "Detesto, desprezo as vossas festas... Mas corra o juízo como as águas, e a justiça como um ribeiro impetuoso."

O que Amós estava dizendo? Que Deus não quer culto, não quer cântico, não quer oferta. Deus quer justiça. Quer que o pobre seja tratado como gente. Quer que o órfão e a viúva não sejam esmagados.

Vocês lotam igrejas. Gritam "aleluia". Levantam a mão no culto. Mas na segunda-feira, votam em quem corta bolsa-família. Aplaudem quem chama imigrante de "invasor". Defendem quem chama índio de "bicho".

Isaías (1:15-17): "Quando estenderem as mãos, esconderei de vocês os olhos; mesmo que multipliquem as orações, não as ouvirei. Porque as mãos de vocês estão cheias de sangue! Lavem-se, purifiquem-se, tirem a maldade de seus atos... Busquem a justiça, acabem com a opressão, defendam o órfão, tomem a causa da viúva."

Suas mãos estão cheias de sangue. Você pode lavar com água benta. Pode esfregar com sabão de aleluia. Pode mergulhar na pia batismal. O sangue não sai.

Só sai com arrependimento. Não arrependimento de chorar no culto — arrependimento de mudar o voto. De mudar o apoio. De mudar o discurso.

Mas você não quer. Prefere a mentira confortável. Prefere o "coitado do mito perseguido". Prefere o "Estados Unidos cristão". Prefere o "Israel eterno e inquestionável".

Então guarde o sangue. Ele é seu agora.


IX. O DITADOR QUE VOCÊ BEIJA (Judas 1:16)

A carta de Judas — um livro pequeno, quase esquecido, que você nunca leu — descreve exatamente vocês:

"Estes são murmuradores, queixosos, andando segundo as suas concupiscências; e a sua boca diz coisas muito arrogantes, admirando as pessoas por interesse."

Admirando as pessoas por interesse. É isso.

Você não ama Trump. Ama o que ele te dá — a sensação de poder, de pertencimento, de "estar do lado vencedor". A ilusão de que você também é rico, também é forte, também é "dono do mundo" só porque ele está lá.

Você não ama Netanyahu. Ama o que ele representa — a fantasia de que Israel é invencível, de que os judeus são os escolhidos para dominar, não para servir. A distorção sionista que trocou "Tikkun Olam" por tanques.

Você não ama Bolsonaro. Ama o que ele destrói — o "sistema", a "esquerda", a "velha política". Acha que queimar tudo é solução, porque você tem raiva. E tem raiva porque foi enganado. E foi enganado porque quis.

Você beija a face do ditador esperando que ele te dê um cargo, um like, uma migalha de reconhecimento.

Enquanto isso, as crianças morrem. Os pobres passam fome. A terra queima.

E você está lá. Com a camisa da bandeira. O adesivo no carro. O story no Instagram com a frase "Deus, Pátria, Família".

Família? Cuja família? A sua? Pois a família palestina, a família venezuelana, a família haitiana, a família yanomami, a família síria — essas, você ajuda a destruir.


X. A PARÁBOLA DOS DOIS FILHOS (Lucas 15:11-32)

O filho pródigo. Você conhece.

Um filho pede a herança. Sai. Gasta tudo com farra. Perde tudo. Cai na miséria. Volta para o pai arrependido. O pai corre, abraça, mata o bezerro gordo, faz festa.

O outro filho — o "bonzinho" que ficou em casa — fica indignado. "Nunca me deste um cabrito para festejar com meus amigos, mas quando volta esse seu filho que gastou tudo, você mata o melhor bezerro!"

O pai responde: "Você está sempre comigo. Tudo que é meu é seu. Mas era preciso festejar, porque este seu irmão estava morto e reviveu."

Você é o filho que ficou em casa. O "bom moço". O "cristão fiel". O "eleitor de bem".

Mas você não quer o perdão para ninguém. Você quer o castigo. Quer o inferno para os outros. Quer a cadeia para os adversários. Quer a morte para os inimigos.

Você esqueceu que a parábola é sobre arrependimento e perdão. Não sobre moralismo. Não sobre "nós contra eles".

O pai não perguntou para o filho pródigo: "Você votou em quem?" O pai só viu que o filho estava de volta.

Mas você pergunta. Você separa. Você condena.

E na porta do céu, se ela existir, você será o filho mais velho — olhando de longe a festa dos arrependidos, dos imigrantes, dos palestinos, dos yanomami, dos pobres, dos "comunistas", dos "petralhas", dos "esquerdistas", dos "terroristas".

Todos dentro.

Você do lado de fora.

Porque você nunca aprendeu que o amor não faz distinção. Você só aprendeu a odiar com elegância.


XI. O CHICOTE QUE VOLTA (Gálatas 6:7)

"Não se enganem: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá."

Você semeou vento. Colherá tempestade.

Semeou divisão. Colherá solidão.

Semeou ódio. Colherá desprezo.

Semeou morte de criança. Colherá o peso que nenhum ombro suporta.

Não é ameaça. É lei. A Bíblia chama de "semeadura e colheita". Os físicos chamam de "causa e efeito". A história chama de "Karma". A Cabala chama de "justiça divina".

Trump está sendo processado. Será condenado? Não sei. Mas a história já o condenou. Seus netos terão vergonha do sobrenome.

Netanyahu está sendo julgado. Será preso? Não sei. Mas os judeus do futuro pedirão desculpas por ele — como pedem desculpas por Bar Kochba, o falso messias que destruiu Israel lutando contra Roma.

Bolsonaro está inelegível. Será preso? Não sei. Mas o Brasil já o jogou na lata de lixo da história — ao lado de Collor, ao lado de Médici, ao lado de todos que acharam que o poder era eterno.

E você? O que você está semeando?

Cada postagem de apoio a assassino. Cada compartilhamento de fake news. Cada vez que você defendeu o indefensável. Cada vez que chamou vítima de "ator". Cada vez que riu da desgraça alheia.

Isso é semente. E vai brotar.

Pode demorar. Mas vai brotar.

E quando brotar, não diga que não avisaram.


XII. O CHAMADO AO VOMITO (APOCALIPSE 3:15-16)

A carta à igreja de Laodiceia é para você:

"Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno — nem frio nem quente — estou a ponto de vomitar você da minha boca."

Você é morno.

Não é ateu — ateu pelo menos questiona. Não é pagão — pagão pelo menos tem coragem de adorar outros deuses. Não é revolucionário — revolucionário pelo menos arrisca a pele.

Você é morno. Vai à igreja no domingo. Vota no monstro na segunda. Diz "Deus é amor" e aplaude o muro. Canta "Aleluia" e justifica a bomba.

Deus está com ânsia de vômito por sua causa.

Não porque você pecou — todos pecam. Mas porque você misturou. Misturou o Santo com o profano. Misturou o Evangelho com o nacionalismo. Misturou a Torá com o apartheid. Misturou a justiça com a vingança.

Você fez um coquetel moral que cheira a enxofre.

E Deus, se existe, está tapando o nariz.


EPÍLOGO: O EVANGELHO DA VERGONHA — SEGUNDO VOCÊ

Você quer saber qual é o verdadeiro "Evangelho da Vergonha"?

Não é o que eu escrevi.

É a sua vida.

Você é o evangelho da vergonha. Cada ato seu é um versículo. Cada voto é um capítulo. Cada silêncio é um salmo.

E o mundo lê você. Seus filhos leem você. Seus vizinhos leem você. A história lerá você.

E vai sentir vergonha.

Não de Trump. Não de Netanyahu. Não de Bolsonaro.

De você.

Porque eles são monstros — isso todo mundo sabe. Mas você é o cúmplice anônimo. O apoiador silencioso. O "eleitor preocupado". O "cristão que ora".

Você lava as mãos como Pilatos. Mas Pilatos pelo menos teve um momento de dúvida. Você nem isso.

Você está certo. Você sempre está certo. Você nunca erra. Você nunca se engana. Você nunca se arrepende.

Essa é a sua vergonha. E ela é eterna.


APÊNDICE: O QUE VOCÊ PODE FAZER AINDA HOJE (SE SOUBER OUVIR)

A Cabala ensina que mesmo a maior escuridão contém faíscas de luz. Mesmo o vaso mais quebrado pode ser reparado. Mesmo o pecado mais grave pode ser redimido — pelo arrependimento verdadeiro.

Arrependimento verdadeiro não é choro. É mudança.

  1. Pare de mentir para si mesmo. Trump não é cristão. Netanyahu não é justo. Bolsonaro não é honesto. Você sabe. Apenas admita.

  2. Pare de chamar o mal de bem. Chame de assassino quem mata criança. Chame de ladrão quem rouba. Chame de corrupto quem vende o país. Sem eufemismo. Sem "mas".

  3. Pare de idolatrar. Você não precisa de um "messias" político. Você precisa de política decente — que é chata, lenta, negociada, imperfeita. O oposto do espetáculo que eles te vendem.

  4. Olhe para as vítimas. Não desvie o olhar. Olhe para a foto da criança morta em Gaza. Olhe para a foto da criança yanomami com os olhos fundos. Olhe para a foto da criança na jaula em Texas. Olhe. Sinta. Chore. Depois, aja.

  5. Mude o voto. Não na próxima eleição. Agora. Mude o apoio. Mude o discurso. Mude o like. Mude o compartilhamento. Mude a camisa. Mude o adesivo do carro.

  6. Peça desculpas. Para um imigrante. Para um palestino. Para um índio. Para um pobre. Para um judeu que luta por justiça em Israel. Para um evangélico que chora ao ver o nome de Cristo manchado. Peça desculpas. Não espere que aceitem. Peça mesmo assim.

  7. Reze. Se você ainda reza. Mas reze de verdade. Não reze "para o mito vencer". Reze "Senhor, tende piedade de mim, pecador". Reze o salmo 51: "Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito reto."

Porque o seu espírito, neste momento, está torto. E só um coração puro — não um voto puro, não uma bandeira pura, não um discurso puro — pode consertar.


AMÉM? AMÉM.

— Uma profecia não de Deus, mas da sua própria consciência, que você abafou por tempo demais


NOTA FINAL:

Este texto não é antissemita. É antinetanyahista. A Cabala citada é de fontes respeitadas do judaísmo progressista — sábios que ensinam que apoiar a ocupação, a corrupção e a desigualdade é violar o Tikkun Olam.

Este texto não é antiamericano. É antitrumpista. O Evangelho citado é aquele que Jesus realmente pregou — o Evangelho dos pobres, dos oprimidos, dos imigrantes, dos refugiados, das crianças. Não o Evangelho da prosperidade, do nacionalismo ou do muro.

Este texto não é antibrasileiro. É antibolsonarista. A Bíblia citada é a que denuncia reis corruptos, profetas falsos e líderes que pisam nos pobres. O Brasil que amamos é o Brasil da democracia, da floresta em pé, dos povos originários vivos. Não o Brasil da motociata, da joia desviada e do "cidadão de bem" armado.

Se você se ofendeu, ótimo. A ofensa é o primeiro passo para a consciência.

Se você concordou, agora é hora de agir.

Se você é um dos apoiadores que leu até aqui — e ainda não sentiu vergonha — então não há mais o que fazer.

Apenas lembre: a história vai contar. E o que ela vai contar não será bonito para você.