As reflexões de Figes, Beevor e Nafisi sobre a tragédia e a resistência em sociedades em guerra encontram eco e transformação nos conflitos contemporâneos. Se a Revolução Russa, a queda de Berlim e a Revolução Iraniana representaram momentos de ruptura violenta em que o público e o privado colidiram, os cenários atuais — a guerra em larga escala na Ucrânia, o cerco e a devastação em Gaza, e a repressão de protestos no Irã — revelam tanto continuidades quanto mutações nas formas de resistência e nas configurações trágicas que os povos enfrentam.
A guerra, outrora confinada a campos de batalha relativamente demarcados, expandiu-se hoje para domínios tecnológicos, informacionais e civis que Figes, Beevor e Nafisi não poderiam antever em sua plenitude. No entanto, o eixo central que unia suas obras — a recusa à desumanização como forma de resistência — permanece como fio condutor, agora reconfigurado por drones, inteligência artificial, ativismo transnacional e novas formas de ação civil não violenta.
1. Ucrânia: A Guerra de Resistência como Laboratório de Inovação
A guerra na Ucrânia, iniciada em 2014 com a anexação da Crimeia e a invasão do Donbass, e escalada para uma guerra em larga escala em fevereiro de 2022, constitui o que pesquisadores denominam um "laboratório de resiliência" sem precedentes na história recente. Diferentemente dos conflitos analisados por Figes e Beevor, que trataram de revoluções internas ou do colapso terminal de um regime, a Ucrânia protagoniza uma guerra de resistência defensiva — uma luta por soberania e sobrevivência nacional contra uma potência agressora numericamente superior.
1.1 A Transformação Tecnológica da Resistência
Se Beevor documentou a Batalha de Berlim como um confronto de exércitos convencionais, a guerra na Ucrânia é marcada pela ascensão dos sistemas não tripulados como elemento central do campo de batalha. Em 2026, a Ucrânia produz cerca de 4 milhões de drones por ano, compensando sua desvantagem numérica em termos de efetivos humanos com uma revolução tecnológica que redefine a própria natureza da guerra. Como observa um alto oficial do exército ucraniano: "Quem controlar a zona de morte dos drones terá a vantagem".
Essa transformação não se limita ao aspecto militar. A resistência ucraniana incorpora o que analistas militares chamam de "antifragilidade" — a capacidade não apenas de resistir a choques, mas de se fortalecer com eles. Diferentemente de sistemas robustos (que resistem sem se alterar) ou resilientes (que se recuperam após o choque), redes antifrágeis "se fortalecem e crescem quando submetidas a estressores". A Ucrânia exemplifica essa propriedade: diante da destruição de sua indústria de defesa nos primeiros meses da invasão, o país construiu um ecossistema descentralizado de inovação tecnológica, com brigadas militares operando seus próprios laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, reconfigurando drones comerciais para uso bélico e reduzindo ciclos de desenvolvimento de meses para semanas.
1.2 Resistência Civil e Sociedade Voluntária
A resistência ucraniana, no entanto, não se resume à inovação tecnológica. Como observa Olga Kutsenko em estudo publicado na Taylor & Francis, a resiliência em guerras defensivas frequentemente se caracteriza por "intensificação do ativismo de base, redes horizontais de solidariedade e ampla participação cívica". Esse fenômeno, que Kutsenko denomina "agenciamento e mobilização cívica", representa uma forma de resistência que transcende a esfera militar.
O trabalho de Felip Daza, professor de Resistência Civil na Sciences Po Paris, documenta como a mobilização não violenta na Ucrânia desde 2022 ajudou a "restringir a ocupação, proteger infraestruturas críticas e sustentar a governança" durante a invasão em larga escala. Desde protestos espontâneos até formas organizadas de não cooperação, a sociedade civil ucraniana desenvolveu redes descentralizadas e resilientes que, segundo Daza, demonstram que "a dissuasão efetiva hoje depende não apenas da capacidade militar, mas da capacidade da sociedade de permanecer coesa, adaptável e politicamente ingovernável para um agressor".
A experiência de Denys Sukhanov, líder cívico de Kherson, exemplifica essa resistência cotidiana. Durante a ocupação russa de Kherson em 2022, Sukhanov coordenou um centro humanitário que operou clandestinamente, organizando o fornecimento de medicamentos e alimentos, evacuando civis através de postos de controle militarizados e documentando a resistência pacífica. Sua trajetória — de sobrevivência emergencial à construção de resiliência comunitária de longo prazo — espelha, em contexto contemporâneo, a experiência dos sussurradores russos descritos por Figes, com a diferença crucial de que a resistência ucraniana se organiza abertamente, sem a necessidade de dissimulação constante.
1.3 Desafios e Dilemas Contemporâneos
No entanto, a resistência ucraniana enfrenta desafios que evocam as tragédias descritas por Figes e Beevor. O Ministério da Defesa da Ucrânia reconhece em seu "Livro Verde" de 2026 que a escassez de efetivos e a exaustão da base de recrutamento constituem ameaças existenciais. A solução — uma dependência crescente de automação e inteligência artificial — carrega consigo dilemas éticos e operacionais que os conflitos do século XX não precisaram enfrentar. Como observa um comandante ucraniano: "Em cada parte do campo de batalha, mesmo nos postos de comando, precisamos implementar IA. Ela deve trabalhar para nós, não contra nós".
2. Palestina: Resistência, Cerco e a Política da Sumud
Se a Ucrânia representa uma guerra de resistência com apoio internacional significativo, a Palestina — particularmente a Faixa de Gaza — exemplifica uma forma mais isolada e assimétrica de resistência, marcada por cerco prolongado, devastação militar e a contínua afirmação de direitos nacionais diante de políticas que alguns analistas descrevem como engenharia social.
2.1 O Cerco como Estratégia e a Resistência Marítima
Desde 2007, Israel impõe um bloqueio naval à Faixa de Gaza, que se intensificou dramaticamente durante os ciclos recorrentes de guerra. Em resposta, emergiu um movimento transnacional de resistência civil: as flotilhas da liberdade. Em 2026, a Global Sumud Flotilla planeja lançar o maior esforço civil marítimo até hoje para romper o bloqueio, com até 200 embarcações programadas para partir de portos mediterrâneos em abril, transportando mais de mil profissionais de saúde, engenheiros, advogados e investigadores de crimes de guerra.
O nome escolhido pelos organizadores — Sumud — é significativo. Em árabe, sumud significa "firmeza" ou "constância", um conceito que se tornou central na identidade palestina diante da Nakba de 1948 e das sucessivas ondas de deslocamento. A escolha deliberada desse termo conecta a resistência contemporânea a uma tradição de luta que remonta a 1948, criando uma continuidade histórica que as obras de Figes, Beevor e Nafisi também buscavam estabelecer para seus respectivos povos.
As tentativas anteriores, no entanto, revelam os riscos dessa resistência. Em outubro de 2025, uma flotilha anterior foi interceptada por forças navais israelenses a 200 milhas náuticas de Gaza, com 40 embarcações apreendidas e participantes relatando maus-tratos e abusos sexuais durante a detenção. A história de violência contra ativistas de flotilhas remonta a 2010, quando forças israelenses abordaram a Mavi Marmara, matando dez ativistas.
2.2 Engenharia Social Versus Resistência Identitária
Paralelamente ao cerco físico, uma dimensão menos visível mas igualmente significativa do conflito se desenrola no plano ideológico. Em março de 2026, pesquisadores do Instituto Israelense de Estudos de Segurança Nacional (INSS) publicaram um estudo propondo o que denominam "des-Hamasificação" de Gaza — um programa abrangente de engenharia social que inclui a reforma de currículos escolares, a "purificação" de mesquitas e instituições religiosas, e a substituição de narrativas nacionais palestinas por uma identidade civil "moderada" que se afaste do conceito de luta armada.
O estudo, que cita modelos egípcios e do Golfo como inspiração, reconhece explicitamente que o objetivo é "revogar a legitimidade social da resistência" e "desmantelar seu sistema islâmico enraizado". A proposta prevê um sistema de "tolerância autoritária" — um oxímoro que revela a tensão entre a imposição de valores e a retórica da moderação.
Este esforço de engenharia social encontra paralelos históricos perturbadores. Assim como o regime stalinista buscou erradicar a memória de opositores e criar um "homem novo" soviético, como documentado por Figes em The Whisperers, a proposta de "des-Hamasificação" almeja transformar a própria identidade coletiva palestina. No entanto, como o próprio estudo reconhece com relutância, a resposta palestina sugere que tais esforços podem fracassar: "analistas acreditam que tentativas de 'ocupar a consciência' podem enfrentar um fracasso terrível, como aconteceu em experiências internacionais anteriores, dada a profundidade da injustiça histórica enfrentada pelos palestinos".
2.3 Sumud como Continuidade Histórica
A resistência palestina, em sua forma contemporânea, incorpora tanto os elementos de resistência cotidiana descritos por Nafisi quanto a dimensão trágica documentada por Figes. Como as mulheres iranianas que se reuniam para ler Lolita em Teerã, os palestinos em Gaza e na Cisjordânia preservam sua identidade através de atos aparentemente mínimos: manter escolas funcionando sob bombardeios, documentar violações de direitos humanos, transmitir memórias às novas gerações. O conceito de sumud captura essa resistência silenciosa, cotidiana, que não busca confronto direto, mas afirma obstinadamente o direito de existir.
3. Irã: O Retorno da Resistência nas Ruas
O Irã contemporâneo oferece um terceiro vetor de análise, conectando-se diretamente ao testemunho de Nafisi em Lendo Lolita em Teerã e atualizando-o para um contexto de maior mobilização popular e resposta estatal mais violenta.
3.1 Os Protestos de 2025-2026: Continuidade e Ruptura
Em dezembro de 2025, uma nova onda de protestos irrompeu no Irã, inicialmente motivada por queixas econômicas relacionadas à desvalorização da moeda e à inflação. O que começou como manifestações de comerciantes no Grande Bazar de Teerã rapidamente se espalhou por todo o país, envolvendo estudantes e outros segmentos da população, tornando-se "um dos maiores dos últimos anos".
Diferentemente dos protestos de 2009, 2019 e 2022, o ciclo de 2025-2026 apresentou uma novidade: a multiplicidade de demandas incluía não apenas reformas econômicas, mas também apelos pelo fim do apoio iraniano a grupos armados no Oriente Médio e, em alguns setores, pela restauração da monarquia. Essa diversidade de demandas reflete a fragmentação da oposição iraniana — uma heterogeneidade que, como aponta análise do Atlantic Council, dificulta a formação de uma alternativa unificada ao regime.
3.2 A Resposta do Regime: Repressão e Controle Digital
A resposta do regime às manifestações seguiu um padrão já observado em 2009, 2019 e 2022: após um período inicial de contenção relativa, as autoridades intensificaram a violência e impuseram um bloqueio quase total da internet a partir de 8 de janeiro de 2026. O Líder Supremo Ali Khamenei, que inicialmente diferenciou entre "manifestantes" (com quem se poderia dialogar) e "desordeiros" (que deveriam ser contidos), passou a classificar os protestos como "terrorismo", justificando uma resposta militarizada.
As estimativas de vítimas variam dramaticamente, refletindo o apagão informacional imposto pelo regime. Enquanto fontes estatais mencionam 3.117 mortos, organizações de direitos humanos como a Iran Human Rights e a Human Rights Activists News Agency reportam números significativamente mais altos: até 6.800 civis mortos e mais de 53.000 detidos. Em comparação, os protestos de 2022-2023 resultaram em cerca de 537 mortos, indicando uma escalada na letalidade da repressão.
3.3 Resistência na Era Digital
O bloqueio da internet — uma tática repetida do regime — cria um paradoxo: ao mesmo tempo que dificulta a coordenação dos protestos e a documentação de violações, evidencia a centralidade do espaço digital para a resistência contemporânea. A tentativa de Elon Musk e da Starlink de restaurar o acesso à internet via satélite, embora de eficácia limitada, aponta para uma nova dimensão da resistência: a luta pela conectividade como pré-condição para a ação coletiva.
Esta dimensão digital da resistência distingue os protestos atuais da experiência descrita por Nafisi em Lendo Lolita em Teerã. Enquanto Nafisi e suas alunas se reuniam presencialmente para ler literatura ocidental — um ato de resistência que dependia da intimidade e da confiança interpessoal —, a nova geração de ativistas iranianos opera em um ambiente onde as fronteiras entre o público e o privado são ainda mais porosas, e onde o controle digital do Estado se torna mais intrusivo, mas também mais suscetível a contornos.
Analistas do International Crisis Group alertam, no entanto, que a fragilidade do regime não garante um desfecho positivo. "Alguns dos futuros possíveis do Irã podem ser piores", advertem, citando riscos de violência sectária e a necessidade de assegurar o estoque de urânio enriquecido do país. A memória do colapso estatal na Líbia após a queda de Gaddafi e da guerra civil prolongada na Síria informa a hesitação tanto de opositores quanto de potências externas em empurrar para uma transição abrupta.
4. Diálogos Contemporâneos: Novas Configurações da Resistência
Os três cenários contemporâneos — Ucrânia, Palestina e Irã — permitem atualizar e complexificar as categorias analíticas desenvolvidas por Figes, Beevor e Nafisi.
4.1 Tecnologia como Campo de Resistência
Se Figes documentou a resistência através do sussurro e da memória preservada, e Nafisi através da literatura e da formação estética, o conflito ucraniano revela uma nova dimensão: a tecnologia como campo de batalha e como forma de resistência. A produção descentralizada de drones, a integração de inteligência artificial, a colaboração entre militares e engenheiros civis — tudo isso representa uma forma de resistência que é simultaneamente militar e civil, centralizada e distribuída.
A "antifragilidade" do sistema de defesa ucraniano — sua capacidade de se fortalecer diante de ataques — contrasta com a experiência de resistência descrita por Figes na Rússia stalinista, onde a adaptação frequentemente significava conformidade externa e dissimulação interna. Na Ucrânia, a pressão externa gerou inovação aberta e uma integração sem precedentes entre sociedade civil, setor privado e forças armadas.
4.2 A Internacionalização da Resistência
Outra diferença crucial entre os conflitos do século XX e os contemporâneos é a escala da solidariedade transnacional. As flotilhas para Gaza, que mobilizam ativistas de mais de 150 países e contam com o apoio declarado de líderes como o primeiro-ministro da Malásia, representam uma forma de resistência que opera em múltiplas escalas simultaneamente. A diáspora ucraniana, mencionada na pesquisa de Kutsenko como um fator central na resistência, fornece não apenas recursos financeiros, mas também advocacy diplomático e suporte tecnológico.
Esta internacionalização altera a dinâmica da resistência. Enquanto os sujeitos dos livros de Figes e Nafisi operavam em relativo isolamento — as memórias preservadas nos arquivos familiares soviéticos, as leituras clandestinas em Teerã —, os resistentes contemporâneos podem contar com redes globais de apoio, documentação e visibilidade. Isso não elimina os riscos — como demonstram as interceptações das flotilhas e a repressão aos protestos iranianos —, mas transforma a ecologia em que a resistência se desenvolve.
4.3 Continuidade das Tragédias
Apesar dessas transformações, permanecem as dimensões trágicas que Figes, Beevor e Nafisi documentaram. A violência contra civis, a destruição de infraestruturas essenciais, o deslocamento forçado de populações, a tentativa de apagar identidades coletivas — todos esses elementos persistem. A diferença está nos meios e nas respostas.
A proposta israelense de "des-Hamasificação" de Gaza encontra paralelos inquietantes com as políticas soviéticas de transformação cultural forçada documentadas por Figes . A repressão violenta aos protestos iranianos, com seu padrão recorrente de bloqueio da internet seguido de violência estatal, ecoa os métodos de controle descritos por Nafisi, agora amplificados por capacidades tecnológicas mais sofisticadas. A exaustão da base de recrutamento ucraniana e a dependência crescente de automação evocam o desgaste humano que Beevor documentou em Berlim.
5. Conclusão: A Resistência como Afirmação de Humanidade
Ao conectar as obras de Figes, Beevor e Nafisi aos conflitos contemporâneos na Ucrânia, Palestina e Irã, emerge um fio condutor que atravessa um século de história: a resistência, em suas múltiplas formas, constitui uma afirmação fundamental de humanidade diante de forças que buscam reduzi-la.
Em todos esses contextos, a resistência não se resume a confrontos armados ou a vitórias estratégicas. Ela se manifesta na preservação da memória, na manutenção de laços comunitários, na transmissão de valores e narrativas às novas gerações, na recusa a aceitar a violência como destino. Como escreveu Nafisi, "é na literatura que a vida real adquire forma e sentido" — e essa lição se aplica igualmente à tecnologia na Ucrânia, ao sumud na Palestina, à resiliência dos manifestantes iranianos.
O que mudou, ao longo do século que separa a Revolução Russa dos conflitos de 2026, não é a essência da resistência, mas seus meios e sua escala. A tecnologia, a globalização e a interconexão digital criaram arenas de luta e novas formas de solidariedade, mas não eliminaram a centralidade do ato humano fundamental: a escolha de resistir à desumanização.
Os testemunhos colhidos por Figes nos arquivos soviéticos, por Beevor nos diários de Berlim e por Nafisi em suas memórias iranianas encontram continuidade nos relatos dos engenheiros ucranianos que constroem drones em laboratórios improvisados, dos ativistas que arriscam o mar para levar ajuda a Gaza, dos manifestantes iranianos que desafiam o bloqueio da internet. Em todos esses casos, o que está em jogo é a afirmação de que, mesmo nas circunstâncias mais adversas, a humanidade pode resistir.
A tragédia dos povos em sociedades em guerra, como a compreendemos através dessas obras e desses olhares contemporâneos, não é, portanto, apenas uma história de sofrimento. É também, paradoxalmente, uma história de afirmação — da capacidade de escolher, de criar, de preservar, de resistir. Como observa Kutsenko em seu estudo sobre a resiliência ucraniana, a resistência não é apenas a capacidade de suportar choques, mas "um processo ativo e em evolução no qual estados, comunidades e indivíduos desenvolvem mecanismos de resistência".
Em última instância, é essa capacidade de transformar a tragédia em possibilidade de resistência que conecta as obras de Figes, Beevor e Nafisi aos conflitos que definem nosso presente. A história, nos ensinam esses autores e os eventos que documentam, não é apenas o registro das tragédias que sofremos, mas o testemunho das formas como nos recusamos a ser inteiramente definidos por elas.
Referências Adicionais
DAZA, Felip. Ukrainian Nonviolent Civil Resistance in the Face of War. Barcelona: ICIP, 2022.
DUCLOS, Maurice & MACHIELA, Chad. "Beyond Resilience: A Nuanced Framework for Conceptualizing Resistance Networks". Small Wars Journal, 7 janeiro 2026 .
KUTSENKO, Olga. "Resilience under fire: navigating societal challenges, agency, and innovation in times of war". Innovation: The European Journal of Social Science Research, 2025 .
Ministério da Defesa da Ucrânia. Green Book: Strategic Directions, Challenges, and New Defense Architecture. Kyiv, 2026 .
UK House of Commons Library. Iran protests 2026: UK and international response. Research Briefing CBP-10462, 20 março 2026 .
UNITED24 Media. "The Strategies and Challenges That Could Decide Ukraine’s Fight in 2026". 18 novembro 2025 .