SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 12 de abril de 2026

Descrevemos como dois modos muito diferentes de financiamento público das associações transformam seus modos de ação,


 Enquanto sindicatos e federações setoriais convocam manifestações amanhã, o Vers l'Avenir (Pascale Serret ) apresenta o estudo que Thomas Chevallier e eu acabamos de publicar.Descrevemos como dois modos muito diferentes de financiamento público das associações transformam seus modos de ação, especialmente no contexto atual da austeridade. Se o Estado se recusa a prejudicar a liberdade de iniciativa, não deveria também questionar os efeitos dos subsídios públicos na autonomia das associações?

Essa questão assume um significado particular no atual contexto de austeridade, o que torna as associações e, portanto, suas ações com o público mais precárias. Será que as mobilizações de associações e sindicatos diante das políticas dos governos de Azur e Arizona poderiam ser um sinal de retorno ao movimento social dentro de um setor associativo profissionalizado?
Este texto não fornece respostas prontas, mas busca alimentar o debate. Se essas observações ressoarem com sua realidade, não hesite em contatar os autores para refletir com eles sobre um segundo volume desta pesquisa, que buscará identificar essas dinâmicas em detalhes para que possam responder melhor a elas.

Um ótimo gráfico sobre aprender coisas novas, do Wait But Why



Educação da Mente, Corpo, Espírito no tempo entre mundos! Por Egidio Guerra.




Introdução: O Falso Conflito e a Busca por Integração

Há uma narrativa dominante que atravessa a modernidade ocidental: a de que ciência e religião estão em guerra perpétua. Galileu contra a Igreja, Darwin contra os criacionistas, o iluminismo racionalista contra a obscuridade supersticiosa. Esta narrativa, como mostram Nicholas Spencer, Peter Harrison, Thomas Dixon e Adam Shapiro, é em grande parte uma construção histórica – uma "tese do conflito" que serve mais a interesses ideológicos do que à compreensão precisa do passado ou do presente.

Mas se o conflito entre ciência e religião é em parte uma ilusão, o que resta? Resta a possibilidade de uma integração mais profunda – uma conversa entre diferentes modos de conhecer, diferentes práticas de transformação pessoal, diferentes visões do que significa ser humano. Esta conversa envolve quatro domínios que raramente são pensados juntos: a educação (como formamos as próximas gerações), a meditação (como treinamos a mente para a atenção e a sabedoria), a ciência (como investigamos a natureza empírica da realidade) e a religião (como nos orientamos em relação ao transcendente e ao sagrado).

Este ensaio conecta seis obras que, juntas, traçam um mapa dessa conversa. Zachary Stein nos alerta que vivemos "um tempo entre mundos" – um período de transição civilizatória em que a educação precisa ser reinventada. David Temple nos oferece uma visão do "humanismo cosmoerótico" como resposta à metacrise. Evan Thompson, filósofo e cientista cognitivo, nos mostra como a meditação pode ser estudada pela neurociência sem ser reduzida a ela. E os historiadores Spencer, Harrison, Dixon e Shapiro desmontam o mito do conflito perpétuo, abrindo espaço para uma compreensão mais matizada das relações entre ciência e religião.

"Science and religion do not have one essential relationship. They have a history, and that history is complex, fascinating, and contingent." – Thomas Dixon & Adam Shapiro, Science and Religion: A Very Short Introduction


Parte I: Desmontando o Mito do Conflito Perpétuo (Spencer, Harrison, Dixon & Shapiro)

A Invenção da "Guerra" entre Ciência e Religião

Antes de podermos integrar ciência e religião, precisamos entender por que elas foram separadas. Peter Harrison, em The Territories of Science and Religion, oferece uma contribuição fundamental: os próprios conceitos de "ciência" e "religião" são invenções modernas. Antes do século XVII, não existia "ciência" como uma atividade distinta; existia "filosofia natural". Não existia "religião" como um sistema de crenças separado; existia "fé" e "teologia". A separação entre os dois domínios, argumenta Harrison, é um artefato histórico, não uma necessidade transcendental.

Nicholas Spencer, em Magisteria: The Entangled Histories of Science & Religion, desenvolve este argumento em uma direção ligeiramente diferente. Ele reconhece que houve conflitos reais (Galileu, Darwin), mas argumenta que a história é muito mais de entrelaçamento do que de guerra. Cientistas foram profundamente religiosos; teólogos foram profundamente científicos. A ideia de duas "magistérias" separadas e incomensuráveis – uma para fatos, outra para valores – é uma simplificação excessiva.

"The relationship between science and religion has not been one of constant warfare, nor of peaceful coexistence, but of complex and often productive entanglement." – Nicholas Spencer, Magisteria

Thomas Dixon e Adam Shapiro, em Science and Religion: A Very Short Introduction, oferecem o resumo mais acessível deste debate historiográfico. Eles mostram como a "tese do conflito" foi promovida no século XIX por figuras como John William Draper e Andrew Dickson White, que tinham interesses políticos específicos (promover o secularismo, marginalizar as instituições religiosas). A tese do conflito, portanto, é menos uma descoberta histórica do que uma arma ideológica.

Implicações para o Diálogo Contemporâneo

O que esta revisão historiográfica implica para o nosso presente? Em primeiro lugar, que não estamos condenados ao conflito. Se a separação entre ciência e religião é uma construção histórica, então ela pode ser reconstruída. Podemos encontrar novas formas de integrar o conhecimento científico com a sabedoria religiosa, a investigação empírica com a prática contemplativa, a explicação mecânica com a busca de significado.

Em segundo lugar, que tanto os "novos ateus" (que insistem no conflito) quanto os "criacionistas" (que também insistem no conflito, mas do outro lado) estão presos a uma imagem ultrapassada da história. A complexidade real – de entrelaçamento, de influência mútua, de tensão criativa – é muito mais interessante do que a caricatura da guerra.


Parte II: Educação em um Tempo entre Mundos (Stein)

A Crise da Modernidade e o Fracasso da Escola

Zachary Stein, em Education in a Time Between Worlds, parte de um diagnóstico sombrio: a modernidade está em colapso. Não no sentido apocalíptico, mas no sentido estrutural: as instituições, os sistemas de pensamento, as formas de vida que definiram os últimos séculos estão se mostrando inadequados para enfrentar os desafios do presente – mudança climática, desigualdade crescente, instabilidade política, crise de sentido.

E a educação? A escola moderna, argumenta Stein, foi projetada para servir a um mundo que já não existe. O modelo fabril de educação – alunos enfileirados, currículos padronizados, avaliações quantitativas – nasceu da Revolução Industrial e da necessidade de formar trabalhadores disciplinados e cidadãos nacionalistas. Este modelo pode ter sido funcional no século XIX e meados do XX, mas está falhando no século XXI.

"We are living in a time between worlds. The old world is dying, and the new world is struggling to be born. Education, as we know it, was designed for the old world. It will not serve us in the new."

Educação Integral: Mente, Corpo, Espírito

A proposta de Stein não é meramente reformista (ajustar o currículo, melhorar a formação de professores). É transformadora: precisamos repensar o próprio propósito da educação. Não se trata mais de transmitir informações ou treinar habilidades técnicas. Trata-se de formar seres humanos capazes de navegar na complexidade, de cultivar a sabedoria, de agir com integridade em um mundo em transformação.

Isto implica uma educação que integre:

  • A mente analítica: o pensamento crítico, a alfabetização científica, a capacidade de avaliar evidências

  • O corpo e a emoção: a inteligência emocional, a atenção plena, a capacidade de regular os próprios estados afetivos

  • O espírito e os valores: a reflexão ética, a busca de sentido, a abertura ao transcendente

Stein não usa a palavra "religião" explicitamente, mas sua visão de uma educação pós-moderna é profundamente espiritual – não no sentido sectário, mas no sentido de reconhecer que os seres humanos são animais que buscam significado, e que a educação não pode ignorar essa dimensão sem se tornar vazia.


Parte III: Meditação, Neurociência e a Natureza do Self (Thompson)

A Consciência como Fenômeno a Ser Investigado

Evan Thompson, em Waking, Dreaming, Being: Self and Consciousness in Neuroscience, Meditation, and Philosophy, é a ponte entre a educação e a prática contemplativa. Thompson não é apenas um filósofo da mente; é também um praticante de meditação que levou a sério a afirmação das tradições contemplativas de que a mente pode ser treinada e que a consciência pode ser investigada a partir de dentro.

O livro é uma exploração magistral de três estados da consciência: a vigília (waking), o sonho (dreaming) e o sono profundo (being). Thompson mostra como cada um desses estados é estudado pela neurociência contemporânea e como cada um é abordado pelas tradições contemplativas (budismo, ioga, vedanta). O resultado é um diálogo genuíno entre ciência e meditação – não uma redução da meditação a processos cerebrais, nem uma rejeição da ciência em nome da experiência subjetiva.

"The self is not a thing but a process. It is not located in the brain but enacted through the whole body in interaction with the environment. And it is not a permanent entity but a constantly changing pattern of experience."

A Crítica do "Neuro-Buddhismo"

Thompson é cuidadoso em evitar o que ele chama de "neuro-Buddhismo" – a tendência de alguns cientistas e praticantes de afirmar que a neurociência "provou" as verdades do budismo. Ele argumenta que há descontinuidades reais entre as duas tradições. O budismo não é uma "ciência da mente" avant la lettre; é uma tradição soteriológica (voltada para a libertação) que usa conceitos e métodos que não são redutíveis à linguagem da neurociência.

Da mesma forma, Thompson critica a tendência oposta – a de rejeitar a neurociência como irrelevante para a compreensão da meditação. Ele mostra, com exemplos concretos, como o estudo dos correlatos neurais da meditação pode enriquecer nossa compreensão da prática, sem reduzi-la.

Implicações para a Educação e a Religião

O trabalho de Thompson tem implicações profundas tanto para a educação quanto para a religião. Para a educação: se a atenção e a regulação emocional podem ser treinadas através da meditação, então a escola deveria incluir práticas contemplativas em seu currículo. Não como doutrina religiosa, mas como tecnologia da mente – um conjunto de técnicas para cultivar a concentração, a empatia e a autoconhecimento.

Para a religião: se a meditação pode ser estudada cientificamente sem perder sua dimensão de transformação pessoal, então o diálogo entre ciência e religião pode se dar em termos experienciais, não apenas doutrinários. Não precisamos concordar sobre a existência de Deus ou a natureza da alma para reconhecer que a prática meditativa produz mudanças mensuráveis na atenção, na compaixão e no bem-estar.


Parte IV: Primeiros Princípios e Valores em Tempos de Metacrise (Temple)

O Diagnóstico: A Metacrise

David Temple, em First Principles and First Values: Forty-Two Propositions on CosmoErotic Humanism, the Meta-Crisis, oferece o quadro mais abrangente (e o mais controverso) deste conjunto de obras. Seu diagnóstico é que estamos enfrentando não apenas uma crise econômica, ecológica ou política, mas uma metacrise – uma crise de crise, um colapso dos próprios sistemas de sentido que usamos para entender e responder às crises.

A metacrise tem múltiplas dimensões: ecológica (colapso dos sistemas de suporte à vida), tecnológica (IA, biotecnologia, armas autônomas), epistêmica (pós-verdade, erosão da confiança nas instituições) e espiritual (perda de significado, niilismo, anomia). As respostas convencionais – mais tecnologia, mais regulação, mais educação – são insuficientes porque operam dentro do mesmo paradigma que criou a crise.

Humanismo Cosmoerótico: Uma Visão Integradora

A resposta de Temple é o que ele chama de humanismo cosmoerótico (CosmoErotic Humanism). O termo é deliberadamente provocativo: "cosmo" refere-se à totalidade da existência, do cosmos físico à consciência humana; "erótico" refere-se à energia de atração, de conexão, de desejo – não apenas sexual, mas criativa, no sentido platônico do Eros que impulsiona a busca pelo Belo e pelo Bom.

O humanismo cosmoerótico propõe uma integração de:

  • Primeiros princípios: verdades fundamentais sobre a natureza da realidade (inspiradas na filosofia perene, na ciência contemporânea e nas tradições contemplativas)

  • Primeiros valores: orientações normativas sobre o que vale a pena buscar (inspiradas no humanismo, no ecologismo profundo e nas éticas da virtude)

Temple oferece 42 proposições que articulam esta visão. Elas vão desde afirmações cosmológicas ("o universo é um processo criativo em evolução") até afirmações éticas ("o florescimento humano não pode ser separado do florescimento do planeta") até afirmações práticas ("a educação deve cultivar tanto a mente analítica quanto o coração compassivo").

Críticas e Riscos

O projeto de Temple é, ao mesmo tempo, inspirador e profundamente problemático. A crítica mais óbvia é o risco de sincretismo vazio – de juntar elementos de tradições diferentes (budismo, cristianismo, ciência, filosofia ocidental) em uma colcha de retalhos que satisfaz a ninguém. O termo "cosmoerótico" pode soar como mais um jargão new age, mais uma tentativa de criar uma "espiritualidade universal" que dilui as diferenças em vez de honrá-las.

Além disso, há o risco de elitismo intelectual. As 42 proposições de Temple são densas, abstratas, exigem um leitor altamente educado e familiarizado com múltiplos discursos. Como traduzir isso em prática educacional acessível a todos? Como evitar que o humanismo cosmoerótico se torne uma filosofia para poucos iluminados, em vez de um guia para a transformação coletiva?

Apesar desses riscos, a contribuição de Temple é importante: ele nos força a perguntar quais valores devem orientar a educação, a ciência e a religião em um tempo de transição. Não podemos nos contentar com o vazio do relativismo ("todos os valores são igualmente válidos") nem com a rigidez do dogmatismo ("estes valores são absolutos e inegociáveis"). Precisamos de um terceiro caminho – e Temple, apesar de suas falhas, está tentando traçá-lo.


Parte V: Síntese – Para uma Educação Integral em Tempos de Transição

Os Quatro Pilares de uma Nova Educação

Conectando as seis obras, podemos esboçar uma visão da educação para o século XXI – uma educação que integra ciência, meditação, religião (entendida como busca de sentido) e ação no mundo.

PilarFonteConteúdo
Alfabetização CientíficaSpencer, Harrison, Dixon & ShapiroCompreensão do método científico, história da ciência, relação entre ciência e outros modos de conhecer
Prática ContemplativaThompsonTreinamento da atenção, regulação emocional, investigação da consciência a partir de dentro
Cultura HumanistaSteinFilosofia, literatura, história, artes – como fontes de significado e reflexão ética
Engajamento com a MetacriseTempleCompreensão dos desafios sistêmicos (ecológicos, tecnológicos, políticos) e cultivo da agência transformadora

A Meditação como Ponte entre Ciência e Religião

Uma das contribuições mais importantes de Thompson é mostrar como a meditação pode servir como ponte entre ciência e religião. A meditação é:

  • Empiricamente investigável: pode ser estudada pela neurociência, pela psicologia, pela fisiologia

  • Experiencialmente acessível: qualquer pessoa, independentemente de crenças religiosas, pode praticar e colher benefícios

  • Profundamente transformadora: quando praticada seriamente, leva a mudanças na autopercepção, na regulação emocional e na relação com os outros

A meditação não substitui nem a ciência nem a religião; mas oferece um terceiro espaço onde elas podem se encontrar. Não precisamos concordar sobre a existência de Deus para reconhecer que a atenção plena reduz o estresse. Não precisamos abandonar o método científico para reconhecer que a prática contemplativa pode nos ensinar algo sobre a natureza da mente.

A Religião como Fonte de Valores e Significado

O que a religião (entendida em sentido amplo) oferece que a ciência não pode oferecer? Spencer, Harrison, Dixon e Shapiro mostram que as religiões não são apenas sistemas de crenças sobre o sobrenatural; são tradições vividas que oferecem:

  • Comunidade: pertencimento, apoio mútuo, rituais compartilhados

  • Ética: orientações sobre como viver, o que valorizar, o que evitar

  • Significado: narrativas que situam a vida individual em um contexto cósmico

  • Transformação pessoal: práticas (oração, meditação, jejum, peregrinação) que moldam o caráter

A educação secular moderna tende a ignorar ou marginalizar essas dimensões, tratando a religião como um fenômeno privado (quando não irracional). Mas, como Stein argumenta, a educação não pode ser neutra em relação aos valores. Ou ela cultiva certos valores explicitamente, ou os cultiva implicitamente (através do currículo oculto, das práticas institucionais, das hierarquias de prestígio). A pergunta não é se a educação deve ser orientada por valores, mas quais valores devem orientá-la.

O Desafio da Integração

Integrar ciência, meditação, religião e educação não é fácil. Há tensões reais:

  • Entre a abertura da investigação científica (nada é sagrado, tudo pode ser questionado) e o compromisso da prática religiosa (algumas verdades são fundamentais, alguns valores são inegociáveis)

  • Entre a terceira-pessoa da ciência (observação objetiva, mensuração) e a primeira-pessoa da meditação (experiência subjetiva, introspecção)

  • Entre a urgência da ação (precisamos responder à metacrise agora) e a paciência da transformação pessoal (a mudança de caráter leva tempo)

Estas tensões não podem ser resolvidas de uma vez por todas. Precisamos aprender a navegá-las – a manter múltiplas perspectivas em mente, a reconhecer quando uma é mais apropriada que a outra, a evitar tanto o dogmatismo (uma perspectiva é sempre superior) quanto o relativismo (todas as perspectivas são igualmente válidas).

Conclusão: A Escola como Comunidade de Aprendizagem Integral

O que emerge da conexão entre Stein, Temple, Thompson, Spencer, Harrison, Dixon e Shapiro é uma visão da educação como comunidade de aprendizagem integral – um espaço onde a mente analítica, o coração compassivo e o espírito contemplativo podem se desenvolver juntos.

Esta visão implica:

  • Currículos que integram ciência, humanidades e práticas contemplativas – não como disciplinas separadas, mas como modos complementares de conhecer

  • Professores formados não apenas em conteúdo, mas em pedagogia da atenção – capazes de cultivar nos alunos a capacidade de concentração, escuta e reflexão

  • Ambientes que honram o corpo e o movimento – não apenas a sala de aula, mas o jardim, o estúdio de arte, o espaço de meditação

  • Avaliações que vão além do cognitivo – que reconhecem o desenvolvimento ético, a regulação emocional, a capacidade de colaboração

Esta visão é, reconhecidamente, utópica. Não será realizada amanhã, nem provavelmente nesta década. Mas, como Stein nos lembra, vivemos em um "tempo entre mundos" – um período de transição em que o velho está morrendo e o novo ainda não nasceu. Nesses momentos, o papel da educação não é apenas reproduzir o passado ou gerenciar o presente. É cultivar as sementes do futuro – as capacidades, os valores, as formas de ser que serão necessárias no mundo que está por vir.

"The task of education in a time between worlds is not to prepare students for the world as it is, but to help them become the kind of people who can create the world as it could be." – Zachary Stein, Education in a Time Between Worlds

A pergunta que fica é se teremos a coragem, a sabedoria e a paciência para realizar esta tarefa. A resposta não está nos livros, por mais inspiradores que sejam. Está em nós – nas escolhas que fazemos a cada dia, nas práticas que cultivamos, nas comunidades que construímos. A educação integral não é algo que podemos ter; é algo que devemos nos tornar.

sábado, 11 de abril de 2026

O Narcisista COLAPSA ao Trair um Empata Desperto (E Ele Sabe Disso…) Jung Revela


 

EUA e Irã não conseguem chegar a acordo após negociações históricas de paz no Paquistão, diz J.D. Vance

 

Vice-presidente dos EUA, J.D. Vance e premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, sentados na cadeira

Crédito,Jacquelyn Martin / POOL / AFP via Getty Images)

Legenda da foto,Vice-presidente dos EUA, J.D. Vance foi recebido pelo premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, antes de dar início às trativas com Irã
    • Author,Lyse Doucet, Carrie Davies e Azadeh Moshiri
    • Role,Da BBC News em Islamabad, Paquistão
  • Tempo de leitura: 4 min

Os EUA e o Irã não chegaram a um acordo nas históricas negociações para o fim da guerra realizadas durante este sábado (11/4) e a madrugada de domingo (12/4), no Paquistão.

O vice‑presidente americano, J.D. Vance, que lidera a delegação do país, disse que Estados Unidos deixaram claras suas "linhas vermelhas", enquanto o Irã "não concordou com nossos termos".

"Nós saímos daqui com uma proposta muito simples, uma forma de deixar claro que esta é nossa oferta final e a melhor possível. Vamos ver se o Irã a aceita."

Segundo Vance, "a simples realidade é que precisamos ver um compromisso afirmativo de que eles não buscarão uma arma nuclear nem buscarão os meios que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear".

Ele descreveu isso como o "objetivo central" do presidente americano, Donald Trump.

O vice-presidente afirmou que os EUA agora planejam deixar o Paquistão, a quem agradeceu por mediar as negociações.

Em uma publicação nas redes sociais, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, descreveu as conversas como "intensivas", mas afirmou que o sucesso das negociações em curso "depende da seriedade e da boa-fé da parte oposta".

Baqaei também pediu que os EUA se abstenham de "exigências excessivas e pedidos ilegais" e aceitem os "direitos e interesses legítimos" do Irã.

Entre os temas que ele diz estar sendo discutidos estão o Estreito de Ormuz, o programa nuclear do Irã e "o fim completo da guerra".

Os representantes dos dois países se reuniram por mais de 16 horas no Serena Hotel, em Islamabad, capital do Paquistão, para negociar o fim da guerra iniciada no dia 28 de fevereiro, quando americanos e israelenses lançaram um ataque contra o território iraniano.

O dia começou com as duas delegações se reunindo separadamente com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que disse esperar que ambos os lados "se engajem de maneira construtiva".

As conversas presenciais marcam um evento histórico, já que são as de mais alto nível entre os EUA e o Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

O Irã chegou a Islamabad enfatizando sua profunda desconfiança em relação à diplomacia — suas discussões com os EUA no ano passado e neste ano foram ambas interrompidas pela guerra.

Por isso, insistiu que só trataria com uma autoridade americana mais graduada, em particular o vice-presidente J.D. Vance, visto como o mais forte opositor de engajamentos militares dispendiosos na equipe do presidente Donald Trump.

Nas redes sociais, o presidente Donald Trump disse durante o sábado que "recebeu muitos relatos" das conversas em Islamabad.

Depois, na Casa Branca, Trump disse a repórteres que, independentemente de um acordo ser ou não alcançado com o Irã, isso "não faz diferença para mim".

"Independentemente do que aconteça, nós vencemos", disse ele. "Derrotamos totalmente aquele país."

Sharif também recebeu o líder do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que lidera a delegação no Paquistão

Crédito,Ministério das Relações Exteriores do Irã

Legenda da foto,Sharif também recebeu o líder do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, que lidera a delegação no Paquistão

Em uma postagem no Truth Social, Trump também afirmou neste sábado que o Irã está "perdendo muito" no conflito e diz que os EUA estão "desobstruindo" o Estreito de Ormuz — uma rota marítima crucial que foi essencialmente fechada por Teerã.

Em seguida , o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) publicou uma mensagem no X dizendo que as forças dos EUA haviam começado a "criar as condições para a remoção de minas no Estreito de Ormuz" e que duas embarcações "transitaram pelo Estreito de Ormuz... como parte de uma missão mais ampla para garantir que o estreito esteja totalmente livre de minas marítimas

Após a publicação, o Irã negou que dois contratorpedeiros dos EUA tenham navegado por Ormuz.

"A alegação do comandante do Centcom sobre embarcações americanas se aproximando e entrando no Estreito de Ormuz é firmemente negada", informou a agência de notícias iraniana Fars, citando um porta-voz do quartel-general das forças armadas.

"A iniciativa para a passagem de qualquer embarcação cabe às forças armadas da República Islâmica do Irã."

Serena Hotel à noite

Crédito,REUTERS/Akhtar Soomro

Legenda da foto,Encontro ocorre no Serena Hotel, em Islamabad, sob forte esquema de segurança

Conversas entre Israel e Líbano

Enquanto as conversas no Paquistão aconteciam, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, divulgou uma declaração dizendo ter dado sua "aprovação" para negociações de paz com o Líbano.

Isso ocorre no momento em que os militares israelenses afirmam ter atingido mais de 200 alvos do Hezbollah, o grupo militante xiita e partido político libanês, nas últimas 24 horas.

Netanyahu afirmou que o Líbano entrou em contato várias vezes no último mês para iniciar conversas diretas.

"Eu dei minha aprovação, mas sob duas condições: queremos o desmantelamento das armas do Hezbollah e queremos um acordo de paz real que dure por gerações", disse Netanyahu, segundo a agência de notícias AFP.

Os embaixadores dos dois países nos EUA concordaram em se reunir em Washington na próxima semana, enquanto buscam anunciar um cessar-fogo, informou a presidência libanesa na sexta-feira.

O vice-primeiro-ministro do Líbano, Tarek Mitri, disse à BBC que, para que as conversas sejam "significativas", Israel deveria interromper seus ataques ao país.

Mitri disse ao programa Sunday with Laura Kuenssberg, da BBC: "Não estou usando a palavra condicional, mas acho que, para que essas reuniões sejam significativas, precisamos ver algum tipo de cessação das hostilidades, ainda que provisória".

"Como é possível se engajar em discussões significativas, preparando negociações de verdade para tratar de todas as questões, como fazer isso enquanto dezenas e centenas de pessoas estão sendo mortas ou feridas?

"É preciso pôr um fim a isso, colocar isso em suspenso, para poder ter uma conversa construtiva, mas iremos à reunião na terça-feira, que será realizada no Departamento de Estado", completou

O Ministério da Saúde do Líbano afirmou neste sábado que o número de mortos no país desde a última onda de ataque de Israel já ultrapassou 2 mil. Outras 6,4 mil ficaram feridas desde 2 de março.