SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Agente de imigração mata homem a tiros em protesto em Minneapolis; o que se sabe.

 

Policiais fazem guarda no local de um tiroteio envolvendo agentes federais de imigração no bairro Whittier, no sul de Minneapolis, Minnesota, EUA, em 24 de janeiro de 2026

Crédito,REUTERS/Seth Herald

Legenda da foto,Agente disparou "em legítima defesa", disse porta-voz do governo americano
Tempo de leitura: 6 min

Um homem morreu neste sábado (24/1) em Minneapolis, nos Estados Unidos, após um tiroteio envolvendo agentes federais do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês).

A vítima foi identificada por familiares como Alex Jeffrey Pretti, um cidadão norte-americano de 37 anos que trabalhava como enfermeiro de terapia intensiva. Ele é a segunda pessoa morta por um agente do ICE na cidade neste mês.

A porta-voz Tricia McLaughlin afirmou que agentes realizavam uma "operação direcionada" contra um "imigrante em situação irregular procurado por agressão violenta" quando alguém se aproximou portando uma pistola semiautomática calibre 9 mm.

"Os agentes tentaram desarmar o suspeito, mas o homem armado resistiu violentamente", disse McLaughlin.

"Temendo por sua vida e pela segurança dos demais agentes, um agente disparou em legítima defesa. Socorristas que estavam no local prestaram atendimento médico imediatamente ao indivíduo, mas ele foi declarado morto no local."

McLaughlin acrescentou que o suspeito estava com dois carregadores e sem documentos de identificação, e que manifestantes chegaram depois ao local "para obstruir e agredir as forças de segurança".

Por meio dos vídeos do ocorrido, não é possível confirmar essa versão, razão pela qual vários representantes do Partido Democrata pediram que o caso seja investigado.

O comandante da Patrulha de Fronteira, Greg Bovino, reiterou o que havia sido divulgado pela porta-voz e, em uma declaração à imprensa, afirmou que o agente envolvido era "altamente treinado", embora não tenha revelado sua identidade.

O governador de Minnesota, Tim Walz, afirmou ter conversado com a Casa Branca sobre o que chamou de "mais um tiroteio horrível por agentes federais" e exigiu que o presidente Donald Trump retire "milhares de tropas violentas e sem treinamento" do Estado.

"Acabei de falar com a Casa Branca após outro tiroteio horrível esta manhã. Minnesota não aguenta mais. Isso é nauseante", escreveu Walz.

"O presidente deve encerrar esta operação. Retire agora as milhares de tropas violentas e sem treinamento de Minnesota."

Em uma coletiva de imprensa, o prefeito da cidade, Jacob Frey, descreveu a ofensiva federal contra a imigração como uma "invasão" de agentes mascarados que atuam com impunidade. Ele apelou diretamente ao presidente Trump, pedindo que "seja um líder".

"Que Minneapolis venha em primeiro lugar, que os Estados Unidos venham em primeiro lugar", afirmou. Ele disse ainda que o presidente deveria "agir agora e destituir esses agentes federais".

A polícia afirma que a vítima, um homem branco e cidadão estadunidense, era um proprietário legal de arma de fogo, e que sua única interação conhecida com as forças de segurança estava relacionada a multas de estacionamento.

Arma que o homem morto a tiros em Minneapolis portava, segundo o Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos

Crédito,Departamento de Segurança Nacional dos EUA

Legenda da foto,O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos divulgou uma foto do que afirma ser a arma que o homem morto a tiros em Minneapolis portava

Em uma publicação na Truth Social, Trump defendeu o trabalho do ICE em Minnesota e compartilhou uma imagem da pistola que, segundo agentes federais, o suspeito possuía.

"Esta é a pistola do atirador, carregada (com dois carregadores adicionais cheios!) e pronta para uso – o que tudo isso significa? Onde está a polícia local? Por que não foi permitido que protegessem os agentes do ICE? O prefeito e o governador os impediram? Diz-se que muitos desses policiais não foram autorizados a fazer seu trabalho, que o ICE teve que se proteger por conta própria — e isso não é nada fácil!", comentou Trump em sua rede social.

Sem apresentar provas, Trump lançou uma série de acusações sem apresentar provas, alegando que havia uma "fraude financeira em larga escala" em Minnesota, com "bilhões de dólares desaparecidos".

Os vídeos do incidente

Imagens divulgadas pela imprensa mostram manifestantes reunidos no bairro de Whittier, no sul de Minneapolis, e confrontos com forças de segurança enquanto protestos ocorriam no local.

A BBC Verify confirmou dois vídeos que mostram o que ocorreu durante o tiroteio. Um deles, filmado do interior de uma cafeteria e loja de donuts na Avenida Nicollet, mostra o momento em que agentes cercam e derrubam um homem.

Um agente uniformizado parece golpeá-lo várias vezes antes de serem ouvidos múltiplos disparos. Esse mesmo homem então cai no chão. Não está claro o que aconteceu antes do incidente.

Um segundo vídeo foi gravado na mesma rua, mas a alguns metros de distância. Deste ângulo, os agentes são visíveis, mas o homem detido não. Ouvem-se dez disparos e, durante o tiroteio, os agentes recuam em direção à rua.

O Departamento de Segurança Nacional afirmou que o suspeito estava armado com uma pistola e divulgou uma foto da arma que ele supostamente portava.

A BBC ainda não conseguiu confirmar, a partir dessa imagem, a quem a arma pertence nem onde ela foi encontrada.

Protestos contra batidas anti-imigração

Agentes federais no local de um tiroteio envolvendo agentes federais de imigração em Minneapolis, Minnesota, EUA, em 24 de janeiro de 2026.

Crédito,REUTERS/Tim Evans

Legenda da foto,Agentes federais realizavam uma "operação direcionada" contra um "imigrante em situação irregular procurado por agressão violenta", disse porta-voz do governo americano

Manifestantes se reuniram em Minneapolis para protestar contra as operações batida anti-imigração do governo republicano.

Desde 6 de janeiro, cerca de 2 mil agentes federais estão na região enviados pelo governo Trump, no que foi descrito pelo Departamento de Segurança Nacional como a maior operação de imigração já realizada — parte de uma repressão ampliada após alegações de fraude em programas de assistência social no estado.

A mobilização faz parte de uma campanha lançada pelo ICE no fim do ano passado para mirar imigrantes em Minneapolis com ordens de deportação, incluindo membros da comunidade somali da cidade.

Protestos ocorreram desde a chegada dos agentes e se intensificaram a partir de 8 de janeiro, quando uma mulher foi morta a tiros por um agente do ICE durante uma operação na cidade. Renee Nicole Good, de 37 anos, foi baleada dentro do próprio carro.

O governo Trump afirmou que o agente agiu em legítima defesa. Autoridades locais, porém, contestam essa versão e dizem que Good não representava ameaça.

Vídeos do incidente mostram agentes do ICE se aproximando de um carro parado no meio da rua e ordenando que a motorista saísse do veículo. Um deles puxa a maçaneta da porta. Quando o carro tenta arrancar, um agente que estava à frente aponta a arma e dispara. O veículo então se afasta e colide com a lateral da via.

A esposa de Good disse à imprensa local que o casal havia ido ao local para apoiar vizinhos afetados pela operação de imigração.

O agente que atirou é Jonathan Ross, veterano do ICE que já havia sido ferido em serviço após ser atropelado por um carro.

A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, afirmou que Ross atirou porque Good estaria tentando atropelá-lo. O prefeito democrata de Minneapolis, Jacob Frey, rejeitou essa versão e disse que a mulher tentava deixar o local, não atacar um agente.

O FBI conduz a investigação do caso.

Nesta sexta-feira (23/1), a detenção de um menino de cinco anos durante uma operação contra imigrantes na cidade também provocou indignação.

Liam Conejo Ramos e seu pai, Adrian Conejo Arias, de nacionalidade equatoriana, foram detidos quando chegavam à residência onde vivem.

MANIFESTO TO THE NATION AND THE WORLD: ON THE URGENT NEED TO PRESERVE DEMOCRACY



In the spirit of observation that Alexis de Tocqueville, in his work "Democracy in America," dedicated to studying the dangers that threaten the republic—the tyranny of the majority, soft despotism, contempt for the law, and the weakening of intermediary bodies—we, the undersigned, address all citizens of conscience. Tocqueville admired the American associative fabric, that "habitat of liberty" which prevented the rise of arbitrary power. Today, that fabric is being deliberately torn apart.

The history of this great nation is a chronicle of the perpetual struggle to expand the circles of liberty, justice, and law. Abraham Lincoln, in preserving the Union, stated that a "house divided against itself cannot stand." Franklin Delano Roosevelt, facing the shadow of totalitarianism, spoke of the "four essential freedoms." John F. Kennedy urged every citizen to ask what they could do for their country. Martin Luther King Jr. dreamed of a nation where men would not be judged by the color of their skin but by the content of their character. These voices echo in the collective conscience, reminding us that democracy is not a gift but a daily, vigilant, and costly achievement.

Today, that achievement is under unprecedented attack. The administration of Donald J. Trump has degenerated into a personalist kleptocracy that systematically tramples constitutional principles, corrodes institutions, and shames the United States before the world. This is not mere political disagreement but a succession of acts that border on—and often cross into—illegality and barbarism.

We have observed, first with horror and then with organized indignation:

  • The tacit support of a genocide in Gaza, making us complicit in unspeakable suffering.

  • The threats and warlike adventures against Venezuela, Cuba, Greenland, and others, replacing diplomacy with blackmail and brute force.

  • The transformation of immigration agencies into a modern Gestapo, ICE, responsible for illegal deportations and the tragic deaths of citizens like Renee Nicole Good, a mother, and Alex Jeffrey Pretti, a heroic nurse serving our veterans. Their deaths are not isolated incidents; they are symptoms of a state that has lost compassion and respect for life.

  • The moral and legal corruption personified in the President himself: 34 convictions for falsifying business records, proven financial fraud, sexual abuse, and defamation against E. Jean Carroll, and serious allegations of pedophilia that stain the highest office.

As Bernie Sanders has said: "This is not about left or right. It is about defending common decency and justice against a man who sees the Presidency as a personal business and the American people as subjects to be plundered. We say: Enough!"

President Barack Obama warned us: "Democracy is not automatic. It must be nurtured, it must be defended." And today, that defense requires civic courage. Millions have already taken to the streets, from New York to Los Angeles, Chicago to Houston, raising a unified cry that echoes that of the Revolution: "No King!" We will not accept a king, a despot, a man above the law.

Senator Kamala Harris proclaims: "We are witnessing a systematic abuse of power that wounds the soul of our nation. ICE, under this administration, personifies the worst of authoritarianism. Defending our immigrant values is defending the very idea of America."

The Governor of California echoes: "Our state, and all states that believe in human dignity, will not bow. We will resist illegality and protect our people."

This is not merely an American appeal. It is a cry from Humanity. The new de facto "Constitution" that Trump seeks to impose—based on whim, impunity, and contempt for international law—is a planetary threat. It emboldens tyrants, undermines decades-old alliances, ridicules the fight against the climate crisis, and endangers global peace.

Therefore, our voice joins the international chorus:

  • The UN Secretary-General reminds us that respect for the UN Charter and human rights begins at home.

  • The European Economic Community and the Presidents of Germany, France, and Spain affirm: the transatlantic alliance is built on shared values, not on mercantile interests subject to the whims of one man.

  • The Presidents of Mexico, Colombia, Chile, Brazil, Canada, and the nations of Africa and Asia, know all too well: arrogant imperialism and destabilization are recipes for the suffering of their people.

  • China, in its complex relationship with the U.S., observes the hypocrisy of those who preach rules they do not follow.

  • Planet Earth cries out for leaders who listen to science, not deny it for profit.

What will be next? This is the question that hangs over all of us. The next country invaded? The next right revoked? The next life brutalized by ICE? The next democratic institution strangled?

History will not judge kindly those who, in a moment of crisis, remained silent. History calls us to act. The House of Representatives, with the courage of its Democratic members and conscience-driven Republicans, has the constitutional and moral duty to initiate impeachment. The Senate has the obligation to judge with serenity and severity.

We conclude, in the words of Abraham Lincoln, that this nation, "under God, shall have a new birth of freedom—and that government of the people, by the people, for the people, shall not perish from the earth." So that this promise does not perish, to honor the sacrifices of all who came before us, and to secure a future of dignity for those who will come after, we, the American people, in unison with Humanity and with History itself, demand:

The impeachment of Donald J. Trump. Now.

Signed,

  • Bernie Sanders, United States Senator

  • Barack Obama, 44th President of the United States

  • Kamala Harris, Senator and former Attorney General

  • Governor of the State of California

  • The American Democratic Party and its Congressmembers

  • António Guterres, Secretary-General of the United Nations

  • Ursula von der Leyen, President of the European Commission

  • The Presidents of Germany, France, Spain, Mexico, Colombia, Chile, Brazil, Canada, China, and the peoples of Africa and Asia.

  • In the name of Humanity and Planet Earth.

One people, one struggle: for Democracy.

This response is AI-generated, for reference only.

MANIFESTO AOS EUA E AO MUNDO: SOBRE A NECESSIDADE URGENTE DE PRESERVAÇÃO DA DEMOCRACIA




No espírito de observação que Alexis de Tocqueville, em sua obra “Da Democracia na América”, consagrou ao estudar os perigos que espreitam a república – a tirania da maioria, o despotismo brando, o desprezo pela lei e o enfraquecimento dos corpos intermediários –, nós, abaixo-assinados, dirigimo-nos a todos os cidadãos de consciência. Tocqueville admirou o tecido associativo americano, aquele “habitat da liberdade” que impedia o surgimento de um poder arbitrário. Hoje, esse tecido está sendo deliberadamente rasgado.



A história desta grande nação é uma crônica da luta perpétua para alargar os círculos da liberdade, da justiça e do direito. Abraham Lincoln, ao preservar a União, afirmou que uma “casa dividida contra si mesma não pode subsistir”. Franklin Delano Roosevelt, perante a sombra do totalitarismo, falou das “quatro liberdades” essenciais. John F. Kennedy incitou cada cidadão a perguntar o que poderia fazer por seu país. Martin Luther King Jr. sonhou com uma nação onde os homens não fossem julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Essas vozes ecoam na consciência coletiva, lembrando-nos de que a democracia não é um presente, mas uma conquista diária, vigilante e custosa.


Hoje, essa conquista está sob um ataque sem precedentes. A administração de Donald J. Trump degenerou numa cleptocracia personalista que sistematicamente espezinha os princípios constitucionais, corrói as instituições e envergonha os Estados Unidos perante o mundo. Não se trata de mera divergência política, mas de uma sucessão de atos que beiram – e muitas vezes ultrapassam – a ilegalidade e a barbárie.



Observamos, primeiro com horror e depois com indignação organizada:

  • O apoio tácito a um genocídio em Gaza, tornando-nos cúmplices do sofrimento inominável.

  • As ameaças e aventuras belicistas contra Venezuela, Cuba, Groenlândia e outros, substituindo a diplomacia pela chantagem e pela força bruta.

  • A transformação de agências de imigração numa Gestapo moderna, o ICE, responsável por deportações ilegais e pela morte trágica de cidadãos como Renee Nicole Good, mãe de família, e Alex Jeffrey Pretti, enfermeiro herói que servia nossos veteranos. Suas mortes não são incidentes isolados; são sintomas de um Estado que perdeu a compaixão e o respeito pela vida.

  • A corrupção moral e legal personificada no próprio Presidente: 34 condenações por falsificação de registros, fraudes financeiras, abuso sexual e difamação comprovados contra E. Jean Carroll, e alegações graves de pedofilia que mancham o cargo mais alto.




Como disse Bernie Sanders: “Isto não é sobre esquerda ou direita. É sobre a defesa da decência comum e da justiça contra um homem que vê a Presidência como um negócio pessoal e o povo americano como súditos a serem espoliados. Nós dizemos: Basta!”



O Presidente Barack Obama nos alertou: “A democracia não é automática. Ela precisa ser alimentada, precisa ser defendida.” E hoje, a defesa exige coragem cívica. Milhões já tomaram as ruas, de Nova Iorque a Los Angeles, de Chicago a Houston, erguendo um grito uníssono que ecoa os da Revolução: “No King!” Não aceitaremos um rei, um déspota, um homem acima da lei.




A Senadora Kamala Harris proclama: “Estamos testemunhando um abuso sistemático de poder que fere a alma de nossa nação. O ICE, sob esta administração, personifica o pior do autoritarismo. Defender nossos valores imigrantes é defender a própria ideia de América.”



O Governador da Califórnia Newson ecoa: “Nosso estado, e todos os estados que acreditam na dignidade humana, não se curvarão. Resistiremos à ilegalidade e protegeremos nosso povo.”

Este não é apenas um apelo americano. É um grito da Humanidade. A nova “Constituição de facto” que Trump tenta impor – baseada no capricho, na impunidade e no desprezo pelo direito internacional – é uma ameaça planetária. Ela incentiva tiranos, solapa alianças de décadas, ridiculariza a luta contra a crise climática e põe em risco a paz global.



Por isso, nossa voz se une ao coro internacional:

  • Secretário-Geral da ONU lembra que o respeito à Carta das Nações Unidas e aos direitos humanos começa em casa.

  • Comunidade Econômica Europeia e os Presidentes da Alemanha, França e Espanha afirmam: a aliança transatlântica é feita de valores compartilhados, não de interesses mercantis submetidos à volatilidade de um homem só.

  • Os Presidentes do México, Colômbia, Chile, Brasil, Canadá, e das nações da África e Ásia, sabem muito bem: o imperialismo arrogante e a desestabilização são receitas para o sofrimento de seus povos.

  • China, em sua complexa relação com os EUA, observa a hipocrisia de quem prega regras que não segue.

  • Planeta Terra clama por líderes que ouçam a ciência, não a neguem por lucro.

Qual será o próximo? Esta é a pergunta que paira sobre todos nós. O próximo país invadido? O próximo direito revogado? A próxima vida brutalizada pelo ICE? A próxima instituição democrática estrangulada?

A História não julgará com brandura os que, em momento de crise, ficaram em silêncio. A História nos chama a agir. A Câmara dos Representantes, com a coragem de seus membros Democratas e de Republicanos de consciência, tem o dever constitucional e moral de iniciar o impeachment. O Senado tem a obrigação de julgar com serenidade e severidade.

Concluímos, nas palavras deAbraham Lincoln, que esta nação, “sob Deus, terá um renascimento da liberdade – e que o governo do povo, pelo povo e para o povo não perecerá da Terra".



Para que essa promessa não pereça, para honrar os sacrifícios de todos que vieram antes de nós, e para garantir um futuro de dignidade para os que virão depois, nós, o povo americano, em uníssono com a Humanidade e com a própria História, exigimos:

O impeachment de Donald J. Trump. Agora.

Assinado,

  • Bernie Sanders, Senador dos Estados Unidos

  • Barack Obama, 44º Presidente dos Estados Unidos

  • Kamala Harris, Senadora e ex-Procuradora-Geral

  • Governador do Estado da Califórnia

  • O Partido Democrata Americano e seus Congressistas

  • António Guterres, Secretário-Geral das Nações Unidas

  • Ursula von der Leyen, Presidente da Comissão Europeia

  • Os Presidentes da Alemanha, França, Espanha, México, Colômbia, Chile, Brasil, Canadá, China, e dos povos da África e da Ásia.

  • Em nome da Humanidade e do Planeta Terra.

Um só povo, uma só luta: pela Democracia.



sábado, 24 de janeiro de 2026

De 'periferia' do Rio a maior PIB do Brasil: como São Paulo virou o Estado mais rico do país

 

Imagem aérea de São Paulo mostram prédios e ponte estaiada ao fundo.

Crédito,Alex Robinson/Getty Images

    • Author,Rute Pina
    • Role,Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Tempo de leitura: 10 min

A cidade de São Paulo completa 472 anos neste domingo (25/1). Com mais de 11 milhões de habitantes, a maior metrópole do Brasil se tornou um centro cultural e financeiro, sendo também o principal motor do Estado mais rico do país, que leva o mesmo nome.

Se fosse um país, o estado de São Paulo teria uma economia maior que a da Argentina. Em 2024, ele registrou um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 3,5 trilhões — quase o triplo do segundo colocado no ranking nacional, o Estado do Rio de Janeiro, com R$ 1,3 trilhão.

Mas nem sempre foi assim. Até meados do século 19, São Paulo era uma província sem grande relevância econômicapolítica ou demográfica.

Censo de 1872, o primeiro levantamento populacional do país, estimou cerca de 30 mil habitantes na capital paulista. No mesmo ano, a cidade do Rio de Janeiro tinha aproximadamente 270 mil moradores.

A transformação que viria nas décadas seguintes é, nas palavras do jornalista e historiador Rafael Cariello, "o tipo de coisa que acontece pouco na história econômica mundial".

"São Paulo era uma província que importava pouco e era uma espécie de periferia do Rio", afirma.

Cinco décadas depois, o Censo de 1920 mostrava uma população 19 vezes maior na capital paulista: cerca de 580 mil habitantes.

Legenda do vídeo,Em 1872, a capiital paulista tinha 30 mil habitantes, quase dez vezes menos que o Rio de Janeiro.

Ainda não havia o cálculo do PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos, para medir a riqueza no Brasil Imperial. Mas era possível ter uma ideia de quais províncias eram mais ricas.

Um dos indícios era o volume de impostos arrecadados pelo governo central. Outro, o que entrava e saía pelos portos.

"Sabemos que São Paulo era relativamente pobre ou, pelo menos, não tão rica quanto outras províncias pelos impostos arrecadados pelo governo central. E, grosso modo, eram essas as que importavam ou exportavam em maior volume", explica o pesquisador.

As províncias mais ricas do país se concentravam nas regiões produtoras de commodities como a cana-de-açúcar para exportação, nas Minas Gerais do ouro e na capital do país, o Rio de Janeiro (de 1763 a 1960).

Mesmo com solo fértil e terras propícias para a agricultura, São Paulo tinha produção agrícola menor do que outras regiões do país.

Como, então, uma província periférica e relativamente pobre se transformou no Estado mais rico do Brasil? A BBC News Brasil conversou com especialistas para entender os caminhos que levaram São Paulo concentrar poder econômico no país.

Rua do Rosário, atual Rua 15 de Novembro, em 1880

Crédito,Arquivo Nacional

Legenda da foto,Rua do Rosário, atual Rua 15 de Novembro, em 1880: capital paulista registrou 30 mil habitantes no Censo de 1872

O desafio de transporte

Para produzir e exportar mais, São Paulo tinha que resolver um problema: a Serra do Mar.

A ligação entre o interior e o litoral, por onde escoavam os produtos para exportação, exigia a travessia de uma região montanhosa tão íngreme que recebeu dos colonizadores portugueses o apelido de "a muralha".

Por séculos, esse percurso foi feito por trilhas, muitas delas foram abertas e usadas por povos indígenas, como o antigo Caminho do Peabiru — uma rota indígena criada antes da colonização, que ligava o oceano Atlântico ao Pacífico.

A primeira estrada pavimentada veio só no fim do século 18. Concluída em 1792, a Calçada no Lorena era estreita e sinuosa: 50 km com 133 curvas do alto da serra até Santos.

"O planalto paulista era um dos terrenos mais férteis e bons para cultivo no Brasil, desde sempre. Mas era muito caro levar qualquer coisa de lá para o litoral ou trazer algo do litoral para o planalto pelo custo de transporte", diz Cariello.

Locomotiva da Cia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF)

Crédito,Arquivo Nacional

Legenda da foto,A chegada da ferrovia no Estado foi a grande revolução para a economia paulista

Na mesma época, o café começava a ganhar espaço na agricultura brasileira. Mas, em São Paulo, só compensava plantar em áreas próximas ao litoral, como o Vale do Paraíba, na divisa com o Rio de Janeiro.

Até então, a produção era escoada em tropas de mulas.

"Quando eram muitos dias, você tinha que alimentar a mula e tinha que dar muito milho para as mulas, e milho era muito caro. Era a gasolina da época", descreve o pesquisador.

O estudo de Cariello mostra que o avanço do café rumo ao interior paulista se deu, inicialmente, por uma mudança política. Foi a descentralização do poder no Império e a criação de um sistema de pedágios que permitiram investimentos nas estradas e, com isso, baratearam o transporte.

Cariello analisou registros de um antigo posto de fiscalização em Cubatão, próximo a Santos.

"Os tropeiros que desciam a serra com mulas carregadas de café, açúcar e outros produtos tinham que declarar o que traziam e de onde vinham. Esses registros eram anotados, dia a dia, entre 1835 e 1867", explica.

Ao sistematizar os números, ele identificou a origem das cargas que chegavam ao porto.

"Entre 1835 e 1850, o volume de café exportado do Vale do Paraíba e do interior paulista era equivalente. Mas, a partir de 1850, há um salto vertiginoso na produção do interior, especialmente de Campinas, Limeira, Rio Claro, Piracicaba e Itu."

Rafael Cariello

Crédito,Fernando Otto/BBC

Legenda da foto,Rafael Cariello pesquisou como o avanço do café rumo ao interior paulista se deu, inicialmente, por uma mudança política

Como o café chegou a regiões tão distantes se o transporte seguia lento e caro? A resposta, segundo pesquisador, está em uma transformação institucional.

Em 1831, o então imperador Dom Pedro 1º abdica do trono. A partir de 1834, uma reforma constitucional descentralizou parte do poder no Império e permitiu que as províncias criassem suas próprias assembleias legislativas.

São Paulo toma uma decisão que, mais tarde, vai ter grande impacto em seu desenvolvimento econômico. O Estado decide pagar mais impostos para melhorar as estradas e diminuir a duração, e consequentemente o custo, das viagens. E isso é feito através da criação de dezenas de pedágios.

O dinheiro arrecadado então é usado para construir estradas melhores, e é isso que permite que o café comece a ser plantado mais longe do litoral.

Em 1846, foi inaugurada a Estrada da Maioridade, uma via com nove metros de largura, menos curvas e muito mais eficiente que a anterior para vencer a Serra do Mar.

"Esse pedágio passou a representar quase metade da arrecadação da província", diz o pesquisador.

"Ou seja, mudança política permitiu que a elite paulista resolvesse um problema de coordenação e arrecadação de impostos — um problema que o centro, o Rio de Janeiro, não conseguia resolver. A minha explicação é essa: uma descentralização do poder político permitiu que São Paulo enriquecesse."

A grande revolução, no entanto, viria duas décadas depois: a chegada da ferrovia no Estado, em 1867. A São Paulo Railway Company ligava a capital paulista a Jundiaí.

Construída com capital inglês, a ferrovia também recebeu investimentos dos produtores de café paulistas porque seria por ela que a produção seria transportada até o Porto de Santos.

Na mesma época, países como os Estados Unidos passavam a consumir grandes volumes de café. Com um mercado externo em expansão e infraestrutura mais eficiente, as plantações do grão se espalharam para outras partes do Estado.

Fim da escravidão e migrações

Em 1850, o Brasil proibiu o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A decisão foi tomada, em grande parte, por pressão política da Inglaterra, que via no país um potencial mercado consumidor para seus produtos industrializados.

São Paulo passou a incentivar a imigração, principalmente de europeus, para suprir as demandas da produção de café.

"Existe uma razão econômica evidente, mas por trás também havia um projeto racial. Buscava-se o embranquecimento da população brasileira. A preferência por imigrantes europeus estava alinhada às teorias raciais e higienistas da época", afirma o historiador Pietro Amorim, pesquisador do Museu do Café, em Santos.

Entre meados do século 19 e o final dos anos 1970, a antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás, na capital paulista, recebeu cerca de 3 milhões de pessoas. Em 1891, o edifício abrigou aproximadamente 90 mil imigrantes — o triplo da população que São Paulo tinha apenas duas décadas antes, em 1872.

Vista aérea da antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás

Crédito,Fernando Otto/BBC

Legenda da foto,A antiga Hospedaria de Imigrantes do Brás recebeu cerca de 3 milhões de pessoas em menos de um século. Hoje, funciona no prédio o Museu da Imigração

Esses imigrantes não apenas trabalharam nas lavouras de café, mas também ajudaram a tornar mais dinâmica a economia local, criando um mercado consumidor e empreendendo em pequenos negócios.

A demanda por roupas, sapatos, chapéus e outros bens impulsionou o surgimento das primeiras indústrias no Estado.

"A transformação que São Paulo vivencia entre 1872 e a década de 1950, quando se torna a maior cidade do Brasil, é resultado direto desse fluxo migratório", explica o historiador Henrique Trindade, coordenador do setor Educativo e de Formação do Museu da Imigração.

"Essa mudança começa demograficamente, mas logo se expande para o campo econômico, social e cultural."

A migração, no entanto, não se restringiu a imigrantes estrangeiros. A partir do século 20, São Paulo passou a receber também fluxos de migrantes vindos de outras regiões do país, especialmente do Nordeste. Em 1929, pela primeira vez, o número de brasileiros que chegavam ao Estado superou o de estrangeiros.

Industrialização

Embora esse primeiro impulsionamento da indústria, o Estado ainda dependia muito do café. A virada mais forte para a indústria veio a partir da crise de 1929.

O mundo entrou em colapso econômico, e o Brasil teve dificuldade de importar produtos, principalmente os industrializados.

São Paulo já tinha aqui uma base industrial que podia responder a essa impossibilidade de que o país tinha de importar produtos, explica Elizabeth Balbachevsky, professora associada ao departamento de Ciência Política da USP.

"Essa herança que São Paulo traz para o século 20 acaba dando para São Paulo uma dianteira que se preserva até hoje", diz.

Com Getúlio Vargas, o Brasil passa a adotar, a partir de 1930, uma política de proteção à indústria nacional. "A indústria paulista se beneficia mais uma vez dessa dinâmica", afirma a professora.

Nas décadas seguintes, o café começa a perder espaço como motor da economia paulista, enquanto o Estado incentiva outras atividades econômicas.

"A partir dos anos 1970, há um movimento de diversificação maior na economia e na própria agricultura. Começa um plano de erradicação dos cafezais e o incentivo a outros produtos e outras atividades, como a industrialização, o petróleo. E o café vai declinando na sua posição de motriz da economia paulista", afirma Amorim, do Museu do Café.

A construção da 'superioridade paulista'

Ponte Estaiada e prédios espelhados em São Paulo

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Desenvolvimento de São Paulo está ligado também à chegada de imigrantes

Elizabeth Balbachevsky argumenta que parte do sucesso econômico de São Paulo se deve ao fato de a província não ter sido importante no projeto colonial português. Para ela, isso teria protegido a formação institucional do Estado de uma caraterística fundamental de outras regiões, o patrimonialismo.

"Não é porque São Paulo era mais rico, maior, ou tinha terras melhores. Isso você encontra no Brasil todo", afirma.

"Mas, de alguma forma, a colonização paulista se preservou de uma característica marcante do projeto ibérico nas Américas, essa mescla entre Estado e interesses privados."

Segundo ela, essa relativa ausência de uma lógica patrimonialista teria aberto espaço para uma iniciativa capitalista mais autônoma e menos dependente.

"Criou-se uma institucionalidade menos parasitária da atividade econômica", defende.

Mas essa explicação é contestada pelo sociólogo e pesquisador Jessé Souza, autor de mais de 20 livros, entre eles A Elite do Atraso (Editora Leya) e Classe Média no Espelho (Sextante).

Para ele, o diferencial paulista não foi institucional, mas simbólico. Após a derrota de São Paulo no levante de 9 de julho de 1932 (revolta contra o governo de Getúlio Vargas), a elite local percebeu que precisava estabelecer domínio para consolidar poder político, econômico e racial.

"O que São Paulo fez foi usar o poder simbólico para se legitimar como se fosse uma espécie de Estados Unidos no Brasil, com resgate dos Bandeirantes como desbravadores, seguindo uma lógica protestante", afirma.

"A elite paulista entendeu que não bastava ter as fazendas de café ou as indústrias. Era preciso bombardear a população com uma mentira que fizesse com que o restante do país, especialmente quem não é branco, se sentisse inferior."

Monumento aos Bandeirantes no Ibirapuera

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O resgate dos bandeirantes na historiografia paulista foi, para Jessé Souza, parte de um projeto de dominação ideológica

Para Souza, esse processo começa com a criação do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, em 1894, mas se consolida com a fundação da USP, nas décadas seguintes.

"Não estou dizendo que a USP é ruim. É a melhor universidade do país. Mas ela também foi uma usina ideológica a serviço desse projeto de poder."

Para ele, a elite paulista foi capaz de repaginar o escravismo sob a linguagem da moralidade, da modernidade e da meritocracia.

"Enquanto o Nordeste teve quase 400 anos de escravidão, São Paulo teve quase 100, mas assumiu o comando ideológico do país com um pensamento profundamente racista. A elite trouxe imigrantes brancos para cá e criou a ideia de que São Paulo era uma Europa no meio da África."

Esse imaginário, diz Souza, foi fundamental para a exclusão política e econômica da maior parte da população brasileira.

"São Paulo conseguiu usar o racismo para impedir o acesso popular ao Estado. Porque a elite precisa do Estado para se apropriar de recursos públicos. E fez isso dizendo que o nordestino era preguiçoso, que os pobres não sabiam votar, que só ela tinha competência para liderar o país."

Segundo ele, o investimento nessa narrativa, por meio de institutos, universidades, jornais, rádios e televisões, foi central para manter São Paulo no centro do poder.

"Se você escuta a mesma ideia por 100 anos, acaba acreditando", afirma. "E a ideia é essa: São Paulo é mais virtuoso, trabalhador e moderno. Quando, na verdade, foi só mais eficiente em naturalizar um projeto de dominação."