Habitante Terra da Sabedoria
SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
terça-feira, 7 de abril de 2026
A Forja da História: O Preço da Grandeza e o Caminho dos Escolhidos. Por Egidio Guerra
A História não se escreve no aconchego das colinas, onde a brisa é mansa e o perigo, apenas uma sombra distante. Ela é forjada no vale profundo, na fenda escura onde o espírito humano é provado como ouro no fogo. Como ensinou o profeta Zacarias: "Levarei esta terça parte através do fogo; eu os refinarei como se refina a prata e os provarei como se prova o ouro" (Zacarias 13:9). Não há monumento erguido por mãos confortáveis, nem legado construído sobre almofadas de seda.
O Inferno que Forja os Escolhidos
Espinosa, o filósofo de lentes polidas, soube disso. Sua biografia não foi escrita nos jardins de Amsterdã, mas no exílio, na solidão, na pedra de moinho das excomunhões. A própria palavra "forjado" carrega o som do martelo sobre a bigorna, o calor da brasa, o suor do ferreiro. Assim é forjado o espírito que ousa.
Davi foi forjado nos campos de batalha contra o leão e o urso, antes de enfrentar Golias — não com armas de guerra, mas com cinco pedras lisas e um nome que ecoava fé. "Tu vens a mim com espada, lança e escudo, mas eu venho a ti em nome do Senhor dos Exércitos" (I Samuel 17:45). Não havia ali privilégio herdado, nem trono prometido sem dor. Ele foi ungido rei ainda pastor, e entre a unção e o trono houve cavernas, fugas, traições e uma alma que aprendeu a dançar diante da Arca, despojado de vaidades.
Jesus foi forjado no deserto de quarenta dias, na agonia do Getsêmani, no silêncio de Deus na cruz. "Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?" (Mateus 27:46). Ali não havia poder terreno, nem exércitos, nem impostos recolhidos pela força. Havia apenas a palavra que acalmava o mar, a mão que tocava o leproso, o corpo que se partia como pão. A Cabala judaica ensina que o Tzimtzum — o ato de Deus contrair Sua própria infinitude para abrir espaço ao mundo — é o modelo do verdadeiro poder: o poder que se esvazia para que o outro exista. Cristo é esse Tzimtzum encarnado.
Abraão foi forjado na ordem terrível: "Toma teu filho, teu único filho, Isaac, a quem amas, e oferece-o em holocausto" (Gênesis 22:2). O pai da fé não teve caminho fácil; deixou Ur dos Caldeus sem saber o destino, viveu como estrangeiro em terra prometida, e passou a vida esperando o filho da promessa. A glória de Abraão não foi palácios, mas tendas; não foi cetro, mas altar.
Os Modernos na Mesma Forja
Victor Hugo escreveu Os Miseráveis no exílio voluntário, expulso de sua França por não se curvar ao imperador. Sua pena foi uma espada; sua palavra, um trono. "A liberdade começa onde termina a ignorância" — ele sabia que o escritor não escreve para aplausos, mas para despertar consciências adormecidas.
Dostoievsky foi forjado diante do pelotão de fuzilamento, a última absolvição no instante do tiro, e depois nos quatro anos de campos siberianos. Ali, entre correntes e ladrões, ele entendeu o que escreveria: "A beleza salvará o mundo". Não a beleza dos salões, mas a que nasce no lodo da alma humana. "Se Deus não existe, tudo é permitido" — mas Dostoievsky sabia que Deus existe, e que o preço de saber disso é carregar o inferno dos outros como se fosse seu.
Gandhi foi forjado na África do Sul, quando o expulsaram do trem por ser "não branco". Ali nasceu o satyagraha — a força da verdade, a insistência na alma. Sem exércitos, sem armas, sem dinheiro, enfrentou o Império Britânico com sal, fuso de algodão e jejum. "Olho por olho e o mundo acabará cego." Ele aprendeu o que a Cabala chama de Gevurah: a severidade que se transforma em amor, a força que se contém para não destruir.
Mandela passou vinte e sete anos na cela da Ilha Robben. Lá dentro, quebraram pedras com picaretas pequenas, e o pó cegava seus olhos. Ele saiu sem ódio. "Se eu odiasse meus algozes, continuaria preso." A forja não o quebrou; o tornou indestrutível. E quando recebeu o poder, não se vingou — criou a Comissão da Verdade e Reconciliação.
O Preço da Vida Incomum
Viver uma vida de serviço não é escolha confortável. Paga-se um preço: a solidão dos que veem além, a incompreensão dos que amam a sombra, a calúnia dos que temem a luz. Não há privilégios herdados nesse caminho — nem sangue azul, nem conexões palacianas. Há apenas um Deus que protege os simples de coração e lhes dá sabedoria para confundir os sábios deste mundo.
"Porque a minha força se aperfeiçoa na fraqueza" (II Coríntios 12:9). O que parece fraqueza aos olhos do mundo — a mansidão, o serviço, o silêncio, o perdão — é, no Reino, a única força verdadeira. Os impérios caem; as oligarquias se desfazem como pó; os bezerros de ouro, por mais reluzentes que sejam, não podem comer feno nem ouvir a prece de uma criança.
A Batalha Mais Dura
A batalha do espírito é mais dura que mil guerras. Milhões de pessoas comuns se vendem ao bezerro de ouro todos os dias — por um cargo, por um like, por um medo disfarçado de segurança. Mas o caminho incomum é outro: é conhecer a si mesmo, descer aos próprios infernos, encontrar ali o rosto de Deus que diz "Eis-me aqui".
O salmista clamou: "Tem misericórdia de mim, ó Deus, pois em ti a minha alma se refugia; à sombra das tuas asas me abrigo, até que passe a calamidade" (Salmo 57:1). Não é fuga; é estratégia. O refúgio não é covardia; é onde se recarrega a coragem para voltar ao vale.
A Aliança Renovada
Deus não se deixa encarnecer em ídolos, nem em sistemas, nem em poderes que oprimem. Ele habita no Ein Sof — o Infinito da Cabala — e se revela no Shekinah, a presença que habita entre os quebrantados. "Onde estão dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mateus 18:20). Não em templos de mármore, não em palácios de vidro.
Derrubar Golias hoje é derrubar estruturas com a palavra justa, com a arte que desperta, com a fé que não se curva, com o sonho que insiste em amanhecer. É enfrentar os gigantes da indústria que exploram, os impérios midiáticos que manipulam, as oligarquias que sequestram a democracia — tudo sem as armas que eles temem, porque eles não sabem lutar contra a verdade nua.
O Chamado Final
Você está pronto para ler o mundo? Para ser forjado por ele, enfrentando suas maldades sem se tornar mal? Para seguir o caminho incomum de conhecer a si mesmo, honrar a vida e honrar a Deus?
De um pequeno grão de terra — a poeira de onde viemos, o pó do Gênesis — pode nascer a Terra da Sabedoria. Mostra-me teu propósito, Senhor. Mostra-me tua vontade para teu Reino. Não o reino dos homens, que passa; mas o Reino que vem quando um coração se decide a não se curvar.
Que a forja nos encontre firmes. Que o fogo nos refine. Que saiamos do vale — não ilesos, mas íntegros — com as mãos vazias de riquezas injustas, mas cheias de um amor que não desiste.
Baruch atah Adonai — Bendito sejas tu, Senhor, que nos forjas no vale e nos chamas pelo nome.
Vamos à luta.
a concatenação de baterias de 4 horas proporciona armazenamento de longa duração (neste caso, 14 horas).
Sim, o sol não brilha à noite, mas as baterias produziram eletricidade a cada minuto na noite passada (4/4), enquanto a Califórnia estabeleceu um novo recorde de descarga de 57,17 GWh/dia. As baterias atenderam 8,01% de toda a demanda da rede principal em 2026, na quarta maior economia do mundo. As baterias custam (se compradas hoje) apenas ~0,28 centavos/kWh de saída de rede, ou 0,86% do custo da eletricidade da rede em CA para 15,8 GW/63,2 GWh das baterias atualmente conectadas à rede. Esses dados ilustram como a concatenação de baterias de 4 horas proporciona armazenamento de longa duração (neste caso, 14 horas).
As águas da Amazônia estão se tornando mais quentes.
🌡️ Usando imagens de satélite, pesquisadores analisaram a temperatura superficial da água de 24 lagos presentes na região central da Amazônia entre o período de 1990 a 2023. O resultado: um aumento médio de 0,6ºC por década, com regiões como Tapajós e Anavilhanas chegando a 0,8ºC por década. As anomalias positivas de temperatura foram mais frequentes na década mais recente (2013 - 2023).
💡 O resultado está correlacionado com o aquecimento global e o aumento da incidência de secas. Em 2023, uma seca sem precedentes provocou a redução dos níveis de água dos rios e lagos amazônicos, o que, aliado a altas temperaturas e pouco vento, provocou um aumento de temperatura das águas que chegou a mais de 40ºC no lago Tefé. Essa temperatura foi registrada ao longo de toda a coluna d'água e teve como consequência a morte de mais de 200 botos e tucuxis.
🔎 O aumento da temperatura das águas interiores em regiões tropicais e subtropicais ainda é pouco estudada. Pesquisas como essa são fundamentais para termos uma compreensão mais ampla sobre os impactos da mudança do clima no Brasil - e para conseguirmos nos preparar para eles.
BRASIL: UMA NAÇÃO SEM ESTADO — A Sentença de Fim da República
Prólogo: A Grande Mentira
O que acontece quando um país abandona seus deuses, enterra sua ética e corrompe suas instituições até o tutano? A resposta está diante de nossos olhos, fedendo a esgoto a céu aberto: o Brasil deixou de ser uma nação. Transformou-se num imenso balcão de negócios onde tudo se vende — sentenças, aposentadorias, verbas da educação, o sangue dos pobres. E a pergunta que ecoa nos infernos de Dostoievski é: Pode o Brasil roubar e mentir à vontade?
A resposta, meus caros, é um SIM retumbante. E não digam que não avisaram.
I. A Lição dos Deuses: Quando a Corrupção Atrai o Fogo Divino
Antes que os homens inventassem o STF e o Orçamento Secreto, os deuses já haviam deixado claro o destino das nações corruptas. A Bíblia, que tantos hipócritas carregam debaixo do braço enquanto roubam os cofres públicos, é impiedosa: "Não torcerás a justiça, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno; pois o suborno cega os olhos dos sábios e perverte a causa dos justos" (Deuteronômio 16:19).
O que diria o profeta Isaías ao ver nossos "juízes desonestos que fazem a injustiça parecer justiça e condenam à morte os inocentes"? Diria o mesmo que disse a Sodoma e Gomorra: "Aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, repreendei o opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa da viúva" (Isaías 1:17). Mas o Brasil não aprendeu. Preferiu o caminho do suborno, que "cega os olhos dos sábios".
E a Cabala judaica, essa tradição mística que alguns poucos estudam em profundidade, vai além. Segundo certas interpretações cabalísticas, a corrupção e a degradação moral de uma nação não são meros acidentes históricos — são sintomas de que essa nação perdeu sua "centelha divina" e se tornou um "prepúcio a ser eliminado" no grande esquema cósmico. É duro? É. Mas olhem ao redor e me digam se o Brasil não se tornou irrelevante no concerto das nações sérias. Enquanto isso, os "donos do poder" brindam à própria impunidade, e o povo — o verdadeiro povo — definha.
II. O Estado Morreu. Quem Matou?
O filósofo Maquiavel, em "O Príncipe", ensinou que o governante sábio deve parecer piedoso, mas agir como leão e raposa. Os nossos governantes foram além: parecem cordeiros, mas são hienas. O Estado brasileiro — esse ente que deveria garantir justiça, segurança e bem-estar — morreu há décadas. Em seu lugar, ergueu-se uma oligarquia parasita que se alimenta do dinheiro público como se fosse seiva de uma árvore plantada para seu exclusivo benefício.
O Caso Master: bilhões de reais em fraudes. O banco quebrou, mas os banqueiros? Passeiam. A Polícia Federal prendeu um ou dois, soltou com tornozeleira, e o escândalo foi varrido para debaixo do tapete da eleição de 2026. O que restou? Aposentados que confiaram suas economias ao sistema financeiro e agora amargam perdas enquanto os investigados posam de vítimas.
O INSS: ah, o INSS... o carro-chefe da roubalheira. O "Careca do INSS" e seus comparsas desviaram milhões que deveriam alimentar velhos que trabalharam a vida inteira. E o que descobrimos?
O Mensalão: o escândalo que abateu a cúpula do PT em 2006, mas que não impediu Lula de ser reeleito — escorado no bom momento da economia. Dinheiro público comprando votos de parlamentares. A República vendida por 50 mil reais por mês para alguns deputados. E os condenados? Muitos estão soltos, alguns voltaram ao poder.
A Petrobras: a Lava Jato prometeu acabar com a corrupção sistêmica. Prendeu dezenas, condenou centenas. Mas o que restou? O petróleo continua sendo roubado, os contratos continuam superfaturados, e os políticos que deveriam fiscalizar continuam de mãos estendidas. A Lava Jato morreu, e com ela morreu a ilusão de que o Brasil um dia seria sério.
E o que dizer de Camilo Santana? O atual ministro da Educação, que se elegeu no Ceará com o apoio da oligarquia Ferreira Gomes — que há décadas se reveza no poder como se o estado fosse uma capitania hereditária. Camilo, que agora aponta dedos para a corrupção na gestão Bolsonaro no FNDE, tem seu próprio esqueleto no armário: sob sua gestão no Ceará, a CGU identificou um rombo de R$ 4 bilhões. Isso mesmo: bilhões. Enquanto isso, as escolas públicas do Ceará continuam carentes de merenda e estrutura.
III. O Eterno Retorno: Oligarquias que Nunca Saem do Poder
Victor Nunes Leal, em "Coronelismo, Enxada e Voto", já explicava nos anos 1940: a República brasileira nunca foi uma democracia de fato. Foi sempre um sistema de reciprocidade perversa, onde os coronéis locais entregavam votos de cabresto em troca de favores do governo. Os coronéis de hoje usam terno e gravata, têm contas no exterior e assessores de imprensa, mas o método é o mesmo.
Os Bolsonaros: Flávio, o senador, investigado por "rachadinha" em seu gabinete quando deputado estadual — um esquema onde assessores devolviam parte do salário ao chefe. O faturamento suspeito de uma loja de chocolates, a compra de uma mansão de 6 milhões em dinheiro vivo. E Jair, o patriarca, que prometeu "varrer a corrupção" com uma "vassoura" — e terminou preso por tentativa de golpe.
Os Ferreira Gomes e Camilo Santana: no Ceará, a mesma família se alterna no poder há décadas. Camilo foi governador, agora é ministro. Seu padrinho político, Cid Gomes, também governador, também ministro. E o povo cearense? Continua pobre, continua votando, continua acreditando que "dessa vez vai ser diferente".
O que essas oligarquias têm em comum? Todas se alternam no poder, todas roubam, todas são investigadas, e todas continuam lá. O rodízio do crime. A gangorra da impunidade.
IV. O Povo das Migalhas: Uma Tragédia em Cinco Atos
Enquanto a elite brinda à própria esperteza, o povo brasileiro — aquele que Victor Hugo descreveria como "os miseráveis" — continua morrendo. Morre na fila do SUS, morre de bala perdida, morre de fome, morre de desesperança.
Dostoievski, em "Crime e Castigo", nos mostrou a alma do homem comum esmagado pela pobreza e pela injustiça. Raskólnikov, o estudante que mata a velha agiota, não é um monstro — é o produto de uma sociedade que lhe negou tudo, inclusive a dignidade. O Brasil de 2026 é Dostoievski em escala continental: milhões de Raskólnikovs potenciais, empurrados ao desespero por um sistema que os trata como lixo.
Shakespeare, em "Hamlet", nos deu a frase que define o Brasil: "Algo está podre no reino da Dinamarca". Mas na Dinamarca de Shakespeare, o podre era a corte. No Brasil, o podre é o reino inteiro — das bases ao topo.
O cidadão comum brasileiro é um herói trágico que ninguém aplaude. Ele trabalha 10 horas por dia, paga 40% de imposto sobre o que ganha, e quando precisa do Estado — para um atendimento médico, para uma vaga na creche, para uma aposentadoria digna — recebe como resposta o silêncio ou a humilhação. E a cereja do bolo: quando tenta denunciar a corrupção, é tratado como chato, como inconveniente, como "inimigo do sistema".
E ainda assim, pesquisas mostram que 82% dos brasileiros acreditam que podem fazer a diferença na luta contra a corrupção. O povo ainda acredita! Mesmo depois de tudo! Mesmo sabendo que 53% dos entrevistados dizem que a corrupção está pior e que 57% acham que o governo faz um trabalho ruim ao combatê-la.
O brasileiro comum é Sísifo empurrando a pedra montanha acima, sabendo que ela vai rolar de novo. É Prometeu acorrentado, com o fígado sendo devorado pela águia da impunidade. É Jó, que perdeu tudo, mas não perdeu a fé — mesmo que a fé seja, neste caso, acreditar que um dia a justiça vai chegar.
V. O Silêncio dos Cúmplices: Bancos, Justiça e Polícia Federal
Onde estão os bancos enquanto o dinheiro dos aposentados é roubado no INSS e no Master? Calados. Cúmplices. O sistema financeiro lucra com a propina, financia as campanhas eleitorais dos dois lados, e quando o escândalo estoura, simplesmente lava as mãos como Pilatos.
Onde está a Justiça? O STF, que deveria ser a guardiã da Constituição, virou extensão do balcão de negócios. Ministros que viajam em aviões de advogados de investigados. Esposas de ministros com contratos milionários com bancos podres. E o ministro relator do caso Master determinando sigilo máximo e centralizando as investigações em suas próprias mãos. A The Economist, a revista britânica que não tem motivo para mentir, publicou que as ligações entre ministros do STF e o caso Master "reforçam a impressão de que a Suprema Corte do país carece de imparcialidade".
Onde está a Polícia Federal? Investigou, prendeu, soltou. Faz o teatro da legalidade enquanto os verdadeiros chefes da máfia continuam no poder. A PF é eficiente para prender o pobre que roubou um galinho, mas para prender o banqueiro que roubou bilhões? Ah, aí precisa de "provas robustas", de "devido processo legal", de "presunção de inocência". O mesmo tratamento que o sistema deu aos grandes corruptos da história: Collor renunciou para não ser cassado; Lula foi preso e solto; Bolsonaro virou inelegível mas continua influente; os figurões do Master e do INSS ainda não viram a cor da cadeia.
VI. Índice de Percepção da Corrupção: O Brasil no Espelho
A Transparência Internacional, que não tem compromisso com partidos mas tem com a verdade, acaba de divulgar o Índice de Percepção da Corrupção 2025: o Brasil obteve 35 pontos, ocupando a 107ª posição entre 182 países.
Isso significa que o Brasil está estagnado em um patamar historicamente baixo, com desempenho inferior à média global e inferior a países de renda semelhante. Desde 2012, o país oscila dentro de uma faixa restrita, sem conseguir sustentar avanços estruturais. As piores pontuações foram registradas em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos).
O relatório mostra que:
A maioria dos países segue estagnada ou piora
Corrupção e enfraquecimento democrático caminham juntos
A impunidade continua sendo um fator central — a dificuldade de investigar, julgar e punir crimes de corrupção em níveis altos do poder permanece como um dos principais elementos associados aos piores desempenhos
O Brasil é um país onde a corrupção não é exceção, é regra. Onde o corrupto é herói, o denunciante é perseguido, e o povo é otário.
VII. A Sentença de Fim da República
Por isso eu pergunto, e quero resposta: Pode o Brasil roubar e mentir à vontade?
A resposta, meus caros, é que pode. Pode sim. Porque não há mais Estado. Não há mais República. O que temos é uma máfia organizada, com ramificações em todos os Poderes, em todos os níveis da federação, abençoada por igrejas cúmplices e fiscalizada por instituições que ora são cegas, ora são coniventes.
O Carnaval acabou? Acabou, sim. Mas não acabou a festa. A festa continua nos gabinetes climatizados de Brasília, nos jatinhos que cruzam o país, nos resorts paradisíacos. A festa continua para a elite. Para o povo, acabou. O povo só recebe a conta.
Victor Hugo, em "Os Miseráveis", escreveu: "Existem homens que cavam a terra e homens que cavam os túmulos. A diferença é que os primeiros encontram ouro, os segundos encontram ossos." No Brasil, a elite cava os túmulos do povo e encontra ouro. E o povo? O povo encontra apenas ossos — os seus próprios.
VIII. Epílogo: O Despertar
Dostoievski também nos ensinou, em "Os Irmãos Karamazov", que se Deus não existe, tudo é permitido. No Brasil, os deuses morreram — ou foram assassinados pela ganância. E tudo é permitido: roubar, matar, mentir, comprar votos, fraudar licitações, desviar aposentadorias, destruir a educação.
Mas há uma diferença entre o Brasil e os infernos de Dostoievski: no inferno, pelo menos, há punição. No Brasil, há impunidade.
E o povo? O povo que não rouba, que trabalha, que paga imposto, que acorda às 5 da manhã para pegar três ônibus e chegar ao trabalho, que cria os filhos com dignidade apesar de tudo — esse povo é a única esperança. Não os políticos, não os juízes, não os banqueiros. O povo.
Shakespeare escreveu em "Júlio César": "A culpa, meu caro Bruto, não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos." A culpa do Brasil não está nos deuses, nem nos astros, nem no acaso. Está em nós — na nossa passividade, na nossa crença de que "não adianta lutar", na nossa entrega ao destino.
Enquanto o povo não se levantar, o Brasil continuará sendo essa nação sem Estado, onde roubar e mentir é permitido, e onde a justiça é uma piada de mau gosto.
Que o povo acorde. Que o povo cruze os braços. Que o povo pare de trabalhar para essa elite parasita. Que o povo invada as ruas e tome o que é seu por direito.
Porque, como escreveu o poeta: "Tudo o que é sólido se desmancha no ar." E o Brasil, esse edifício podre, está prestes a desabar. Que venha a queda. E que, dos escombros, nasça algo novo — ou, pelo menos, algo justo.
Trump afirma que 'uma civilização inteira morrerá esta noite' se o Irã não fechar acordo com EUA

Crédito,EPA
- Author,Anthony Zurcher
- Role,Da BBC News nos EUA
- Tempo de leitura: 5 min
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira (7/4) que "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada".
Trump havia dado um prazo até às 20h desta terça pelo horário de Washington (21h de Brasília) para que o governo do Irã firmasse um acordo que permita a navegação pelo estreito de Ormuz. Depois disso, segundo o presidente americano, em apenas quatro horas, todas as pontes e usinas de energia do país serão "dizimadas".
Nesta terça, Trump publicou uma nova mensagem na sua rede Truth Social: "Eu não quero que isso [a destruição de uma civilização inteira] aconteça, mas provavelmente acontecerá. No entanto, agora que temos uma Mudança de Regime Completa e Total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, QUEM SABE?
"Descobriremos esta noite, em um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte finalmente chegarão ao fim. Deus abençoe o grande povo do Irã!"
Também nesta terça, um oficial americano disse à rede americana CBS News que as forças dos EUA realizaram ataques contra alvos militares na ilha iraniana de Kharg. Os EUA já haviam atacado a ilha em março, com o presidente Trump afirmando que os alvos militares foram "totalmente destruídos". Segundo o oficial, que preferiu não se identificar, a infraestrutura petrolífera não foi alvo do ataque, que teria acontecido na noite passada.
Nas últimas semanas, Trump estabeleceu prazos, fez exigências e lançou ameaças em meio à guerra conjunta de EUA e Israel contra o Irã. Mas raramente elas foram tão explícitas quanto agora.
Em uma entrevista coletiva na segunda-feira, Trump disse a repórteres que pode eliminar o Irã "em uma noite" caso o país não chegue a um acordo antes do prazo estipulado por ele. O presidente americano afirmou acreditar que líderes "razoáveis" do Irã estavam negociando de "boa fé", mas que o resultado permanece incerto.
Segundo o presidente, o Irã precisa firmar um acordo "que seja aceitável para mim". Um dos componentes do acordo deve incluir "tráfego livre de petróleo" pelo estreito de Ormuz.

Crédito,Getty Images

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À medida que as horas finais se aproximam, há poucos sinais de que o Irã esteja pronto para ceder ao ultimato de Trump.
Os líderes iranianos rejeitaram um cessar-fogo temporário e divulgaram sua própria lista de exigências, que um oficial do governo americano descreveu como "maximalista" (o que pode ser interpretado como ambiciosas demais ou irrealistas).
Isso coloca o presidente americano em uma posição delicada. Se não houver acordo, Trump pode estender seu prazo — pela quarta vez nas últimas três semanas. Mas recuar após emitir ameaças tão detalhadas, pontuadas por palavrões e alertas severos, pode prejudicar sua credibilidade enquanto a guerra se arrasta.
É possível que o Irã, e o restante do mundo, concluam que, apesar do poder militar e da habilidade tática dos EUA — demonstrados com clareza na operação realizada no fim de semana para resgatar dois pilotos abatidos dentro do território iraniano — o país não está negociando a partir de uma posição clara de força.
"Vencemos", insistiu Trump durante sua coletiva de imprensa na segunda-feira à tarde.
"Eles estão militarmente derrotados. A única coisa que têm é a psicologia de: 'Ah, vamos colocar algumas minas na água'."
Essa "psicologia" — a capacidade de impedir que petroleiros atravessem o estreito de Ormuz com drones, mísseis e minas — pode ser um trunfo iraniano mais poderoso do que os EUA têm estado dispostos a reconhecer.
Durante a coletiva de segunda-feira, Trump exaltou a precisão militar americana demonstrada no bombardeio "Midnight Hammer" do ano passado contra instalações nucleares do Irã, na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro e na missão de resgate do fim de semana.
O presidente americano e sua equipe de segurança nacional celebraram esse esforço mais recente — que envolveu a coordenação de centenas de aeronaves e militares de elite, além do uso de despistagens e recursos tecnológicos avançados.
Mas o objetivo desse esforço, embora impressionante, foi evitar o que o secretário de Defesa Pete Hegseth reconheceu ser uma possível "tragédia em potencial".
Mesmo que a tragédia tenha sido evitada, o resgate triunfante ressaltou os riscos que as forças americanas ainda enfrentam no Irã. E o presidente pode estar aprendendo que o poder militar dos EUA tem seus limites.
"Podemos bombardeá-los sem piedade", disse ele. "Podemos deixá-los desnorteados. Mas, para fechar o estreito, basta um terrorista."
A outra opção é Trump cumprir suas ameaças. Em várias ocasiões na segunda-feira, ele afirmou que esse era um caminho que não desejava seguir.
Embora Trump tenha dito que o povo iraniano estaria disposto a suportar a campanha militar americana — e acolheria as bombas caindo sobre suas cidades — ele também reconheceu que tudo o que os EUA destruírem agora teria de ser reconstruído, e que o país poderia eventualmente contribuir com esse esforço.
"Eu quero destruir a infraestrutura deles? Não", afirmou. "Neste momento, se formos embora hoje, levará 20 anos para eles reconstruírem seu país."
Ele acrescentou que, se seguisse adiante com suas ameaças de bombardeio, o esforço de reconstrução levaria um século.
Não é exatamente a "idade da pedra" à qual ele advertira que o Irã seria reduzido, mas a crise humanitária resultante — incluindo o impacto regional da retaliação "arrasadora" que o Irã prometeu — poderia ser devastadora.
Mesmo com a proximidade do prazo de seu ultimato, Trump ainda espera um avanço.
"Temos um participante ativo e disposto do outro lado", disse. "Eles gostariam de poder fechar um acordo. Não posso dizer mais do que isso."
Com os riscos tão elevados como estão, a falta de transparência do presidente é notável. Ele tem um plano — "cada detalhe foi pensado por todos nós", disse na segunda-feira —, mas não o divulga.
Isso pode indicar que, nos bastidores, as negociações estão mais avançadas do que foi reconhecido publicamente. Ou pode ser uma combinação de blefe e otimismo exagerado.
"Eles têm até amanhã", disse Trump. "Vamos ver o que acontece. Acredito que estejam negociando de boa-fé. Acho que vamos descobrir."