SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

A versão mais antiga e simples de Stonehenge encontrada a poucos quilômetros do famoso monumento

 

A imagem mostra Stonehenge. Há um céu enevoado por trás com os círculos completos do antigo monumento em primeiro plano. Quatro conjuntos de duas grandes pedras verticais, cada uma com outra pedra grande apoiada no topo, que fazem parte do círculo externo. As pedras ainda maiores da área interna são visíveis acima das do círculo externo. A grama verde circunda o monumento por todos os lados.

Crédito,English Heritage

Legenda da foto,As enormes pedras em Stonehenge marcam os movimentos do Sol
    • Author,Alison Francis
    • Role,Repórter de Ciências da BBC News
    • Author,Rebecca Morelle
    • Role,Editora de Ciências da BBC News
  • Published
  • Tempo de leitura: 7 min

Arqueólogos acreditam ter descoberto uma versão anterior — e muito mais simples — do famoso monumento pré-histórico Stonehenge a cerca de 5 km do original.

Tudo o que restou da estrutura mais antiga são dois buracos no solo, mas a equipe de cientistas afirma que eles sustentavam postes de madeira que se alinhavam com o Sol nos solstícios de verão e de inverno — os dias mais longo e mais curto do ano — da mesma forma que em Stonehenge.

O local foi datado em cerca de 5 mil anos, o que o torna 500 anos mais antigo do que Stonehenge.

Artefatos também foram encontrados no local, incluindo cerâmica, ferramentas de sílex e ossos de animais, sugerindo que humanos pré-históricos realizavam encontros ali.

Phil Harding, da empresa Wessex Archaeology, que liderou a escavação, disse que esta foi uma das melhores descobertas de sua longa carreira.

"Dois buracos de postes me dizem [muito] mais sobre as pessoas de 5 mil anos atrás", afirmou.

"Isso me revela informações sobre toda a comunidade, me diz como eles pensavam, como se comportavam, como reverenciavam os céus."

O arqueólogo Phil Harding, que costumava aparecer no programa “Time Team” do Channel 4, usando seu chapéu de marca registrada com duas penas enfiadas na faixa do lado esquerdo. Seus longos cabelos louros estão pendurados em cada lado de seu rosto muito característico. Ele está vestindo uma camisa azul e um moletom, com um casaco aberto por cima. Atrás dele, fora de foco, o círculo externo de Stonehenge é visível e, além dele, a grama da planície de Salisbury.

Crédito,Tony Jolliffe/BBC News

Legenda da foto,Phil Harding diz que descobrir a estrutura foi um momento marcante de sua carreira

As enormes pedras de Stonehenge foram posicionadas com precisão para se alinharem com o Sol.

Se você ficar no centro do círculo ao nascer do Sol no solstício de verão, verá o Sol surgir sobre uma pedra chamada "heel stone", a nordeste do círculo.

No meio do inverno, se estiver no centro do círculo, verá o Sol se pôr sobre a "altar stone", a sudoeste do local.

Um esboço visual gráfico mostrando como Stonehenge (na parte superior) e a estrutura em Bulford (embaixo) se alinham com o nascer do sol do solstício de verão e o pôr do sol do solstício de inverno. As setas laranja apontam para a direita em ambas as estruturas, mostrando de onde o nascer do sol seria visto, e as setas roxas apontando para a esquerda, mostrando onde o pôr do sol seria visto. A legenda da imagem de Stonehenge diz “O nascer do sol do solstício de verão e o pôr do sol do solstício de inverno estão alinhados com Stonehenge”, a legenda da imagem da descoberta de Bulford diz “os pólos se alinham com o sol nascente no solstício de verão a leste e o pôr do sol no solstício de inverno a oeste”.

A nova estrutura, descoberta na vila de Bulford, era uma construção muito mais simples, composta por apenas dois postes de madeira, que há muito tempo apodreceram.

Eles estavam posicionados a 120 metros de distância e estima-se que tinham entre 2 metros e 4 metros de altura.

Quando Harding encontrou os intrigantes buracos, percebeu que eles pareciam se alinhar com o Sol, assim como Stonehenge, localizado a alguns quilômetros dali.

"Peguei meu lápis e régua, liguei os pontos e percebi que eles meio que apontavam na direção geral do nascer do Sol no solstício de verão", disse.

Um pedaço arredondado de sílex que foi cuidadosamente trabalhado para criar uma faca. É branco, com algumas marcas marrons e cinza, e é colocado sobre um fundo preto. As áreas onde pedaços do sílex foram arrancados com outra pedra são claramente visíveis. Não é um círculo perfeito, mas seus lados são arredondados.

Crédito,Tony Jolliffe/BBC News

Legenda da foto,Vários artefatos foram encontrados no local, incluindo esta faca de sílex arredondada

Os vestígios da estrutura anterior foram descobertos há uma década em Bulford, quando o terreno foi preparado para novas moradias militares.

Mas só agora foi realizada uma análise detalhada do alinhamento, que envolveu "voltar no tempo" do ponto de vista celeste.

"O céu — as posições do Sol, da Lua, dos planetas e das estrelas — muda muito lentamente ao longo dos séculos. Não percebemos essas mudanças ao longo de nossas vidas", disse Fabio Silva, arqueoastrônomo da Bournemouth University e da Skyscape Academy.

"Então precisamos basicamente reconstruir o céu, como ele era exatamente há 5 mil anos, onde o Sol nascia e a que horas nascia nesses lugares."

"Se levarmos em conta a largura dos postes… então o alinhamento está exatamente certo. Está precisamente alinhado com o nascer do Sol no solstício de verão e o pôr do Sol no solstício de inverno."

Mapa mostrando o contorno do Reino Unido no canto superior esquerdo em branco. A principal imagem maior é uma imagem de satélite da planície de Salisbury com Stonehenge e Bulford marcados no mapa. Bulford é destacado em vermelho com escrita branca.

Os buracos que sustentavam esses postes não foram a única descoberta durante a escavação; ao redor deles havia dezenas de outros buracos contendo artefatos pertencentes às pessoas pré-históricas da vila de Bulford.

Esses objetos ajudaram a determinar a idade do local. A equipe utilizou datação por radiocarbono, que analisa como uma forma especial de carbono muda ao longo do tempo, para concluir que a estrutura tinha 5 mil anos.

Os artefatos incluíam um chifre que teria sido usado para escavar e outros ossos de animais esculpidos, assim como fragmentos de cerâmica finamente decorados.

Ferramentas feitas de sílex também foram encontradas, incluindo uma rara faca neolítica moldada em formato de disco (discoidal).

"Foi, eu acho, a nossa principal descoberta", disse Harding, da Wessex Archaeology.

"O que a torna tão especial é o trabalho envolvido — trata-se de uma verdadeira obra de arte."

Ele afirmou que a faca foi encontrada em posição vertical, como se tivesse sido cuidadosamente colocada, e questiona se isso poderia ter um significado simbólico.

"Talvez esse formato discoidal seja algum tipo de referência ao Sol, quem sabe?", disse.

O buraco no chão mostra uma rocha clara com um buraco na sombra cavado nela. Na parte inferior, há um poste de medição vermelho e branco, com três blocos de branco e dois blocos de vermelho visíveis no meio. É difícil ver a profundidade, mas na parte inferior há um artefato saliente na parte inferior, no lado esquerdo do buraco. Está na área sombreada e é algo que parece marrom claro e ligeiramente curvo.

Crédito,Wessex Archaeology

Legenda da foto,Cada buraco tinha cerca de meio metro de largura, separados por 120 m

O monumento em Bulford data da mesma época da fase mais antiga de atividade em Stonehenge, quando as primeiras obras de terra foram feitas meio milênio antes de as pedras serem colocadas.

"A descoberta em Bulford sugere, na verdade, que talvez as pessoas que construíram as primeiras fases de Stonehenge estivessem baseadas ou vivendo ali, ou pelo menos se reuniam sazonalmente para realizar o trabalho de construção em Stonehenge", disse Jennifer Wexler, curadora de história da English Heritage, organização britânica que trabalha na preservação de monumentos históricos.

Mas por que essas pessoas pré-históricas eram tão fascinadas pelo Sol?

"As pessoas que construíram Stonehenge e as que viviam em Bulford eram agricultores dos primórdios, e seu sustento dependia diretamente das estações e do movimento do Sol", explicou Wexler.

Um pequeno pedaço de osso que foi esculpido em uma ponta afiada em uma extremidade. Pode ter sido usado para fazer furos ao trabalhar couro. A extremidade pontiaguda está à esquerda e a extremidade mais larga à direita. É branco e marrom claro e tem um fundo preto. Há uma pequena ranhura que percorre cerca de metade de seu comprimento a partir da extremidade mais larga.

Crédito,Tony Jolliffe/BBC News

Legenda da foto,A datação de itens como este osso esculpido mostra que o local tem 5 mil anos

Hoje, o solstício de verão em Stonehenge é o momento de maior movimento de turistas. Milhares de pessoas vão ao local para testemunhar o nascer do sol no monumento.

Mas Wexler diz que, há 5 mil anos, era o solstício de inverno — o dia mais curto do ano — que tinha mais importância para as comunidades antigas.

"O inverno pode ter sido particularmente importante porque é uma época do ano em que a luz está literalmente se extinguindo e talvez fosse necessário fazer algo para evocar esse retorno ou marcá-lo, já que depois chega a primavera, quando se espera que as colheitas e os animais prosperem."

Um fragmento de uma panela no meio da imagem sobre um fundo preto. 
Era originalmente marrom claro, mas ficou enegrecido. Na borda, há uma fileira de entalhes ao redor da panela como decoração. Abaixo disso, descendo em direção ao que teria sido a base, há duas fileiras de outras indentações. Eles foram feitos para parecerem cordas e se encontrarem em um ponto mais estreito marcado com uma linha vertical. O padrão da corda é repetido mais abaixo.

Crédito,Tony Jolliffe/BBC News

Legenda da foto,Cerâmica fina encontrada em Bulford sugere que as pessoas iam ao local para celebrações

'Robin Hood não era herói': como foram apagadas as sombrias e violentas origens medievais do personagem

 

Ilustração de Robin Hood, no meio da floresta, disparando uma flecha

Crédito,Getty Images

    • Author,Caryn James
    • Role,BBC Culture
  • Published
  • Tempo de leitura: 8 min

Importante: esta reportagem contém uma descrição clara de violência que pode ser perturbadora para alguns leitores.

Quando o diretor e roteirista Michael Sarnoski começou a filmar seu novo longa-metragem, ele mostrou ao elenco e à equipe de produção um desenho animado que ele adorava.

Era o Robin Hood animado da Disney, de 1973, que mostra o herói como uma raposa com uma pena no seu chapéu verde, roubando dos ricos para dar aos pobres.

Esta versão tão popular não poderia estar mais longe do profundo e sombrio drama de Sarnoski, A Morte de Robin Hood.

Hugh Jackman interpreta um Robin grisalho, desgastado pelas batalhas e pensativo no final da vida, profundamente consciente da sua própria lenda.

Ele encontra uma mulher que fala sobre o virtuoso justiceiro Robin Hood, mas ele nega sua identidade e se refere a si próprio em terceira pessoa.

"Ele não era um herói. Ele roubava e matava para se divertir, nada mais que isso."

Na verdade, este Robin Hood violento e outras visões revisionistas contra a heroica imagem de benfeitor do personagem estão mais próximas das lendas medievais originais do que A imagem de Robin Hood se transformou ao longo dos séculos. Cada mudança refletia a era que o reinterpretava.

As variações mais sombrias do século 21 remontam às origens da história. Mas, como destacam alguns dos seus criadores, também refletem o presente.

As visões complexas do personagem desafiam um mundo polarizado, onde os heróis e vilões costumam ser exclusivamente bons ou maus, de forma tão simplificada quanto a lenda de Robin Hood se tornou ao longo dos séculos.

Quem foi Robin Hood?

Especula-se muito se realmente existiu um Robin Hood na vida real, mas a maioria dos historiadores concorda que não tenha havido um indivíduo vivo por trás do personagem.

O que existia era uma sociedade com imensas desigualdades, com ricos donos de terras e camponeses empobrecidos, que inspirou sua criação.

As histórias surgiram como tradição oral no século 12, mas os primeiros relatos escritos só chegaram dois séculos mais tarde, em baladas que o mostravam como um personagem famoso, mesmo tanto tempo depois.

Nestes primeiros relatos escritos, não se tratava do nobre Sir Robin de Locksley, como mostram as versões posteriores. Ele não era nobre, mas sim um pequeno proprietário rural, que estava apenas um degrau acima dos camponeses.

Lady Marian só entraria na história no século 16. E Robin podia ser bom para os pobres, mas seu objetivo principal não era ajudá-los.

Seus inimigos eram o clero corrupto e os nobres proprietários de terras, que se aproveitavam dos seus subordinados.

Ilustração de Robin Hood em uma floresta, lutando contra um adversário

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,As histórias sobre Robin Hood surgiram como tradição oral no século 12, mas os primeiros relatos escritos datam de 200 anos depois

Em um posfácio do seu romance revisionista The Traitor of Sherwood Forest ("O traidor da Floresta de Sherwood", em tradução livre), de 2025, a historiadora medieval Amy S. Kaufman descreve o Robin Hood das primeiras lendas como "um vigarista medieval moralmente questionável" — "malandro, violento e irreverente".

A Disney acertou em um ponto: as primeiras baladas indicam que Robin realmente era dissimulado como uma raposa.

Uma mudança importante na história veio no século 16, durante o reinado de Henrique 8° (1491-1547), admirador da lenda que chegava a se vestir como Robin Hood. Foi na época do monarca inglês, que dividiu a Igreja Católica, que a devoção de Robin à Virgem Maria desapareceu da lenda.

Com as classes mais altas acolhendo o personagem, Robin deixou de odiar a nobreza nas influentes crônicas da época, passando ele mesmo a ser nobre.

Ao assumir a posição de um nobre com moral íntegra, que luta contra seus pares desonestos, Robin Hood deixou de questionar a estrutura de poder da sociedade.

Ele foi convocado para ajudar o bom rei Ricardo (1157-1199) a retomar o trono usurpado pelo seu irmão mau, o príncipe João (1166-1216) — uma parábola incluída na produção da Disney, que mostra João como um leão ambicioso, com sede de poder.

Cena do desenho 'Robin Hood' da Disney, mostrando Robin retirando um saco de ouro dos braços do príncipe João, enquanto ele dorme

Crédito,Alamy

Legenda da foto,A animação da Disney produzida em 1973, com Robin Hood como uma raposa, solidificou sua imagem de intrépido benfeitor na cultura popular

Livros infantis do século 19 ajudaram a transformar Robin Hood em um benfeitor menos ofensivo, aceitável para a era vitoriana.

E, no século 20, o cinema perpetuou esta imagem com o ídolo das matinês Errol Flynn (1909-1959) interpretando o intrépido Robin no popular filme As Aventuras de Robin Hood (1938).

A Disney solidificaria esta imagem na cultura popular, talvez na sua versão mais influente.

'Duas versões do mesmo personagem'

Sarnoski conta à BBC que o contraste entre o filme da Disney e a lenda original o fascinava desde criança, quando ele leu uma versão infantil da balada medieval A Morte de Robin Hood.

Nela, Robin morre em silêncio, assassinado por uma prioresa má e seu amante.

"Conheci o Robin Hood da Disney e li em seguida A Morte de Robin Hood, essas duas versões do protagonista", conta o diretor. "Tentar lidar com isso e compreender como aquele pode ser o mesmo personagem realmente me marcou quando eu era criança", conta o diretor.

Errol Flynn, como Robin Hood, duela com Basil Rahtbone em uma escada, em cena do filme 'As Aventuras de Robin Hood' (1938)

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Errol Flynn (dir.) interpretou o intrépido Robin no filme As Aventuras de Robin Hood (1938)

No filme de Sarnoski, Robin Hood é ferido durante uma chocante batalha exibida no filme. Uma flecha atravessa a cabeça de um menino pela parte de trás e sai pelo seu olho e ele é levado a um mosteiro para se recuperar.

Jodie Comer interpreta a prioresa. Ela é gentil, diferentemente do retrato da balada.

"Eu não quis que a prioresa fosse apenas aquela freira malvada, nem que Robin fosse simplesmente aquele herói bom", explica Sarnoski sobre seus personagens, mais profundos.

Quando Robin reflete e começa a se lamentar por seu passado, o filme "realmente se torna uma história sobre ele, que enfrenta sua própria lenda e seu desejo sobre o que seria uma morte correta", prossegue o diretor.

Cena de Hugh Jackman interpretando Robin Hood no filme de 2026

Crédito,A24

Legenda da foto,Hugh Jackman interpreta o protagonista do novo filme do estúdio A24, uma visão revisionista de Robin Hood que retoma a sombria lenda original da Idade Média

A distorção da lenda também é um tema importante do romance de Kaufman. Da mesma forma que Sarnoski, ela formou suas primeiras impressões sobre a história com o desenho da Disney.

"Cresci com a raposa Robin Hood", conta ela à BBC. "Mais tarde, mergulhei nos estudos medievais, descobri as baladas e me perguntei: 'Onde está meu Robin Hood, que conheço e adoro?'"

Seu livro se concentra na personagem fictícia Jane, uma camponesa que se apaixona pela lenda de Robin Hood. Ela se encanta com ele e entra para o seu bando, mas começa a se perguntar se a imagem heroica e o próprio Robin a iludiram com sua sedução.

Fiel às origens do personagem, o Robin de Kaufman não é herói, nem vilão.

Ela conta que, nas baladas, "ele é incrivelmente subversivo, quando você observa como ele se levanta contra as pessoas que detêm o poder, como os reis, a nobreza, a Igreja".

"Mas, em todas as baladas, ele também tem um fim trágico ou é vítima das suas próprias imperfeições."

Cena do filme 'Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões' (1991), com Kevin Costner no papel principal, preparando-se para disparar uma flecha

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Além de Flynn, atores como Douglas Fairbanks, Russel Crowe e Kevin Costner (foto) interpretaram Robin Hood e quase todos mantiveram a imagem estereotipada do personagem.

No século 20, essas visões mais complexas de Robin Hood eram raras.

No cinema, atores como Douglas Fairbanks (1883-1939), Kevin Costner e Russel Crowe interpretaram o papel e quase todos seguiram a imagem estereotipada.

Uma exceção marcante é Robin e Marian (1976), um filme elegante e inteligente, que merece ser muito mais conhecido.

Sean Connery (1930-2020) interpreta um Robin envelhecido que, após décadas, reencontrou Marian (Audrey Hepburn, 1929-1993), agora prioresa.

Este Robin nega que as histórias lendárias sobre ele sejam verdadeiras e aparece contemplativo no final da vida.

"Sempre penso em todas as mortes que presenciei", conta ele a Marian, questionando qual foi o seu propósito.

Cena do filme 'Robin e Marian' (1976), com Sean Connery e Audrey Hepburn abraçados na floresta

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Robin e Marian (1976), com Sean Connery e Audrey Hepburn, é um filme elegante e inteligente, que mostra o personagem contemplativo no final da sua vida

Questões sobre poder, heróis e como as histórias são contadas são exatamente o que faz com que as visões revisionistas pareçam tão atuais.

"O mundo está consolidando o poder de forma similar à Idade Média", segundo Kaufman. "Algumas das coisas que eles precisavam estudar são as mesmas que precisaremos examinar hoje."

Sarnoski destaca como seus personagens utilizam suas histórias como instrumentos de poder.

"Robin usava as histórias como armas e como forma de perpetuar a violência", atraindo seguidores, segundo ele. Já a prioresa "usa as histórias para ajudar e curar as pessoas".

Atualmente, estas estratégias estão por toda parte.

"Estamos, agora, imersos em narrativas, entre as redes sociais, a internet e simplesmente em tudo o que nos rodeia", prossegue Sarnoski.

"Nós nos dividimos muito rapidamente em aldeias e tribos, criando heróis e vilões, e não vivemos na área cinza onde realmente mora a vida."

Por mais estimulantes que possam ser novas versões mais sombrias de Robin Hood, elas provavelmente não irão substituir a imagem criada pela Disney.

"Nem todos querem ver sua fantasia de Robin Hood destruída", explica Kaufman.

"Ele se tornou uma espécie de Papai Noel, no sentido de que representa algo maior que a lenda original, seja ela qual for."

A Morte de Robin Hood está em cartaz nos cinemas brasileiros.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Culture.o estereótipo familiar que imaginamos hoje em dia.