SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A Natureza como Proteção contra Enchentes no Rio Grande do Sul: Uma Perspectiva Biogeográfica e Ecossocialista. Por Egidio Guerra Biogeógrafo.

 




As enchentes históricas que atingiram o Rio Grande do Sul em abril e maio de 2024 — com acumulados de chuva superando 700 mm em algumas regiões — expuseram com brutal clareza a fragilidade de um modelo de ocupação territorial que despreza os limites ecológicos. Para mim, Egidio Guerra, geógrafo, economista ecológico e militante ecossocialista, cada enchente não é um "desastre natural", mas o sintoma de uma crise civilizatória profundamente enraizada na lógica do capitalismo predatório. A natureza, quando preservada, é nossa principal aliada; quando destruída, torna-se nossa maior adversária.

Animais aquáticos e o colapso dos ecossistemas

O impacto das enchentes sobre a fauna aquática gaúcha foi devastador e revelador. Pesquisadores do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar/UFRGS) registraram, pela primeira vez, a presença da tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus) em ambientes salobros e marinhos do litoral norte gaúcho, com 188 exemplares encontrados encalhados na orla. A origem do problema é inequívoca: o transbordamento de criadouros comerciais durante as cheias de maio de 2024 liberou essa espécie exótica na Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí, que então desaguou no mar.

Mais alarmante ainda é a situação do boto-de-Lahille (Tursiops gephyreus), um golfinho costeiro ameaçado, com pelo menos 600 indivíduos em toda sua área de ocorrência no sul do Brasil, Uruguai e Argentina. O Projeto Gephyreus, em parceria com o ICMBio, investiga como as enchentes podem ter agravado o quadro de saúde já debilitado desses animais, descarregando poluentes das cidades, remobilizando contaminantes depositados no solo e alterando a disponibilidade de presas.

Espécies invasoras: a segunda onda da destruição

As enchentes não apenas deslocam espécies nativas — como jacarés avistados no bairro Menino Deus, garças pescando na avenida Borges de Medeiros e capivaras migrando para a Orla do Guaíba — mas também abrem caminho para a invasão biológica, considerada a segunda maior causa de perda de biodiversidade no planeta.

Nas margens do rio Taquari, espécies exóticas invasoras como o capim-annoni (originário da África) e a uva-japonesa (da Ásia) tomaram conta das áreas antes ocupadas por mata ciliar nativa. Como alerta a botânica Elisete Freitas, da Universidade do Vale do Taquari, essa cobertura vegetal é uma "ilusão" — as invasoras possuem raízes superficiais e caules frágeis, não cumprem a função ecológica de proteção das margens e aumentam o risco de erosão e deslizamentos. Um levantamento anterior às enchentes já identificaram 18 espécies exóticas invasoras na região; após o desastre, o problema se generalizou.

A perda das matas ciliares e o ciclo de vulnerabilidade

As enchentes de 2024 expuseram de forma cruel a vulnerabilidade das Áreas de Preservação Permanente (APPs). A perda da cobertura vegetal deixou o solo exposto, favorecendo a erosão e os desmoronamentos. Como bem sintetizou a deputada Maria do Rosário, "ao longo do tempo, as margens e as matas ciliares foram sendo degradadas, e sem raízes, a erosão se espalhou, trazendo prejuízos humanos, econômicos e ambientais".

A recuperação, no entanto, não é simples. Estima-se que restaurar um único quilômetro de mata ciliar custe, em média, R$1,5 milhão. O Núcleo de Estudos e Pesquisas em Recuperação de Áreas Degradadas (NEPRADE-UFSM), em parceria com o ICMBio, já realiza levantamentos da regeneração natural em dez áreas de encostas e oito áreas de matas ciliares no Corredor Ecológico da Quarta Colônia.

Água contaminada e a saúde da população

A contaminação da água foi um dos aspectos mais dramáticos da tragédia. As enchentes afetaram mais de 2,3 milhões de pessoas, e o colapso dos sistemas de esgoto fez com que a água da chuva se misturasse ao esgoto urbano, expondo a população a riscos sanitários gravíssimos.

Pesquisadores detectaram a presença de Enterobactérias em 100% das amostras de água de enchente coletadas em Porto Alegre, além de genes de resistência a carbapenêmicos (blaKPC e blaNDM) em proporções alarmantes — o blaKPC esteve presente em 100% das primeiras coletas. A alta prevalência desses marcadores de resistência antimicrobiana revela um cenário preocupante de disseminação ambiental de bactérias multirresistentes.

Mosquitos e doenças infecciosas

As águas estagnadas criaram o ambiente ideal para a proliferação de mosquitos vetores como o Aedes aegypti, elevando significativamente os casos de dengue, zika e chikungunya. Mas o dado mais contundente refere-se à leptospirose. Em 2024, o Rio Grande do Sul registrou 550 casos da doença entre janeiro e junho — um aumento de 204% em relação ao mesmo período de 2023. A mortalidade mais que dobrou, passando de 0,23 para 0,49 por 100 mil habitantes. Dos 55 óbitos registrados no período pós-enchente, 75% ocorreram entre homens, predominantemente na faixa etária de 40 a 59 anos.

Agricultura gaúcha sob impacto

A agricultura, pilar da economia gaúcha, foi gravemente impactada, com perdas significativas nas culturas de soja, arroz, trigo e milho. Em municípios como Nova Santa Rita e Esteio, mais de 50% do território foi afetado. O estado alterna agora entre estiagens severas e enchentes históricas, evidenciando a profunda desestabilização dos ciclos hídricos.

Microrganismos e a resiliência do solo

Pesquisas sobre a dinâmica das comunidades bacterianas em solos de arroz submetidos a ciclos repetidos de alagamento e drenagem no Rio Grande do Sul revelaram mudanças significativas, incluindo um declínio em Acidobacterias  e um aumento em Proteobactérias e Chloroflexi. Essas alterações na microbiota do solo têm implicações diretas para a fertilidade agrícola e a resiliência dos ecossistemas.

Biotecnologia e monitoramento: inovação a serviço da prevenção

A ciência gaúcha tem respondido com inovação. A startup TideSat, spin-off da UFRGS, desenvolveu um serviço de monitoramento remoto do nível da água que já presta serviços ao município de Estrela e à empresa Portos do Rio Grande do Sul. Na FURG, uma parceria com uma escola de Caraá criou um protótipo de sistema de prevenção de enchentes utilizando placa Arduino, sensor ultrassônico e energia solar. Drones com sensoriamento remoto e inteligência artificial também já são realidade no monitoramento de solos e plantações.

Casos de sucesso e caminhos para a recuperação

Há exemplos inspiradores. Na região do Vale do Taquari, a propriedade da família Mallmann tornou-se a primeira a implantar uma agrofloresta no âmbito do Plano Recupera Rural RS. O estado ampliou em quatro vezes seu efetivo de Defesa Civil após o desastre — investimento que se mostrou decisivo diante de novos eventos climáticos. O plano de reconstrução inclui desde estudos técnicos e modelagens hidrodinâmicas até investimentos em radares meteorológicos e sistemas contra enchentes.

Plantas e animais gaúchos: entre a resiliência e o risco de extinção

Espécies endêmicas do Rio Grande do Sul enfrentam ameaças sem precedentes. A Grindelia atlântica (Margarida-da-praia), uma das 50 espécies exclusivas do bioma Pampa, teve sua situação agravada pelas enchentes: a água avançou sobre a orla, submergiu as plantas, dificultou a fotossíntese e enfraqueceu as raízes. O sapinho-admirável-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus admirabilis), espécie ameaçada que ocorre apenas às margens do rio Forqueta, teve seu habitat drasticamente alterado.

O compromisso de toda uma vida

Como geógrafo, meu olhar para o Rio Grande do Sul é o de quem estuda a distribuição da vida, as conexões entre os ecossistemas e as marcas que a ação humana imprime no território. Como economista ecológico, compreendo que a economia não pode ser dissociada dos limites biofísicos do planeta. E como militante ecossocialista, tenho a convicção de que a superação desses desafios exige uma transformação radical do modelo civilizatório.

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul não foram um acaso. Foram a materialização de décadas de degradação ambiental, de ocupação desordenada do território, de destruição de matas ciliares e de um modelo agrícola e urbano que trata a natureza como mero recurso a ser explorado. A ciência nos fornece as ferramentas para monitorar, prevenir e recuperar — como mostram os trabalhos do Ceclimar, do NEPRADE-UFSM, da TideSat e de tantas outras instituições. Mas a ciência, sozinha, não basta.

É necessária uma mudança de paradigma. É preciso reconstruir não apenas pontes e casas, mas a própria relação entre a sociedade e seu ambiente. É preciso reconhecer que a natureza não é uma adversária a ser domada, mas uma aliada a ser protegida. E é preciso, acima de tudo, construir uma sociedade que coloque a vida — toda a vida, humana e não humana — no centro de suas decisões. Esse é o compromisso que carrego comigo, como geógrafo, como ecossocialista e como cidadão gaúcho e cearense que vivia na UFRGS e PUCRS fazendo ciência


Referências Acadêmicas e Institucionais Citadas

  • Tavares, M., Ribeiro, J.N.S., & Rocha, C.M. (2025). Nile tilapia (Oreochromis niloticus) in brackish and marine environments of the State of Rio Grande do Sul: impact of the 2024 flooding tragedy in Southern Brazil. Aquatic Ecology, Springer Nature.

  • Taborda, A.M., Schuck, A.H., Goergen, C., Jales, C.S., & Agostinetto, L. (2026). Leptospirosis in the context of the 2024 floods in Rio Grande do Sul: An ecological study. The Brazilian Journal of Infectious Diseases.

  • Global Health in Times of Climate Crisis: Leptospirosis Mortality in Rio Grande do Sul after the 2024 Floods. The Brazilian Journal of Infectious Diseases.

  • Michelon, W., et al. (2025). Increased leptospirosis incidence following flooding in Rio Grande do Sul, Brazil. International Journal of Environmental Health Research. doi: 10.1080/09603123.2025.2498623.

  • Bacteria That Made History: Detection of Enterobacteriaceae and Carbapenemases in the Waters of Southern Brazil's Largest Flood. Microorganisms, 13(10), 2365.

  • Projeto Gephyreus / ICMBio: Avaliação dos Efeitos do Desastre Natural decorrente das Mudanças Climáticas na Biodiversidade do RS (2025-2027).

  • NEPRADE-UFSM / ICMBio: Pesquisa sobre recuperação de matas ciliares e encostas no Corredor Ecológico da Quarta Colônia.

  • IBGE (2024). Impactos das enchentes na produção de grãos do Rio Grande do Sul.

  • TideSat/UFRGS: Monitoramento remoto de corpos d'água.


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

O que está em jogo acima de 1,5°C ⚠️


 
"Não há bons resultados em permanecer acima de 1,5°C." 🌡️
Essa frase, do novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente sobre limitar o excesso, estabelece os termos da conversa que o mundo agora precisa ter. O aumento da temperatura global deve ultrapassar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, provavelmente nos próximos anos. A questão não é mais se a superamos, mas em quanto, por quanto tempo e o que fazemos a respeito.

O que está em jogo acima de 1,5°C ⚠️

Os riscos aumentam a cada fração de grau, e podem crescer de forma constante ou surgir abruptamente:

🧊 Para aquecer até 3°C, as geleiras podem perder mais de um quarto de sua massa até 2100, elevando o nível do mar em 12,5 cm
🌾 A produção global de alimentos pode cair até 14% até 2050 sem uma adaptação eficaz
🏝️ Clima extremo intensificado, perda de ecossistemas e submersão de pequenos Estados insulares em desenvolvimento e cidades costeiras de baixa altitude
⚠️ Cruzar limiares que são difíceis ou impossíveis de reverter em escalas de tempo humanas, camadas de gelo, a Circulação de Reviravolta Meridional do Atlântico, a Amazônia

O caminho seguro: ultrapasso, pico, declínio 📉

Minimizar o pico de aquecimento por meio de cortes rápidos e sustentados nas emissões, incluindo o metano, é agora a melhor opção disponível. Alcançar o nível zero líquido é um marco essencial que não pode ser ignorado. Ser negativo líquido para trazer as temperaturas de volta a 1,5°C ou abaixo até o final do século é indispensável.

Dois pontos merecem ênfase, porque eles frequentemente são confusos:

🔬 A remoção de dióxido de carbono é um complemento, não um substituto. Só pode entregar de forma crível um retorno abaixo de 1,5°C se o aquecimento máximo permanecer bem abaixo de 2°C e as emissões restantes forem reduzidas. Mesmo uma escala otimista dificilmente vai baixar as temperaturas em mais do que alguns décimos de grau neste século
⏱️ Pico mais baixo, superação mais curta. Cada fração de grau evitada, e cada ano passado acima do limite evitado, reduz o risco de ponto de virada e torna o enfrentamento menos difícil e mais barato

E uma verdade que não devemos suavizar 💔

Mesmo que um retorno abaixo de 1,5°C seja garantido, muitas nações e comunidades enfrentarão perdas irreversíveis e condições permanentemente alteradas: o que será reconstruído, como os meios de subsistência são reconfigurados, como as perdas e danos são tratados e como a soberania e os direitos dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento são respeitados, mesmo que seus territórios possam desaparecer.

A abordagem que acho mais útil aqui é que mitigação e adaptação não são agendas concorrentes. Mitigação fraca aumenta os impactos e desvia fundos para resposta a emergências; Adaptações que não estão preparadas agora nos deixam indefesos contra riscos que surgem de forma não linear. Eles avançam juntos, ou nem avançam. 🤝

📄 Fonte: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente — Limitando a Ultracarga
https://lnkd.in/eUAhYQuP

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Uma narrativa da complexidade !


 Este livro – 15 anos em produção – foi possível graças a tantas pessoas. Certamente é um esforço coletivo. Por fim, pré-vendas estão disponíveis (link no primeiro comentário).

Como aprendemos com "Cachinhos Dourados e os Três Ursos", é natural evitar extremos, porque um equilíbrio entre eles é mais sustentável. Isso pode ser observado em toda parte ao nosso redor: pouca ou quantidade demais de qualquer coisa é pior do que "a quantidade certa". Este livro utiliza a narrativa do equilíbrio para explicar e integrar vários conceitos relacionados à complexidade, que pode ser descrita como o estudo das interações. Acessível para um público geral, as implicações das interações são exploradas. Todos nós podemos nos beneficiar de mais equilíbrio: individualmente, socialmente e globalmente.
Oxford University Press

PROJETO NÚCLEOS DE SAÚDE INTEGRADA NA ESCOLA E PRÊMIO MÉDICOS AMIGOS DA EDUCAÇÃO.

 



Fortaleza, 1 de setembro de 2026.

Ao Excelentíssimo Senhor Prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão,

Ao Ilustríssimo Senhor Presidente da Câmara Municipal de Fortaleza,

Ao Ilustríssimo Senhor Secretário Municipal de Saúde,

Ao Ilustríssimo Senhor Secretário Municipal de Educação,

Ao Ilustríssimo Senhor Superintendente do Instituto de Previdência do Município (IPM),

Senhores(as) Vereadores(as),

Venho, por meio desta, apresentar o projeto "Núcleos de Saúde Integrada na Escola", acompanhado da proposta de instituição do "Prêmio Médicos Amigos da Educação", iniciativa que visa integrar as políticas de saúde e educação no Município de Fortaleza, promovendo um cuidado integral e humanizado para alunos, professores e famílias da rede pública municipal.

1. Contexto e Justificativa

A intersecção entre saúde e educação é um dos pilares para o desenvolvimento pleno de crianças, adolescentes e adultos. Problemas de saúde não diagnosticados ou mal conduzidos — sejam eles físicos, mentais, nutricionais ou relacionados a transtornos de aprendizagem — comprometem diretamente o desempenho escolar, a qualidade de vida dos professores e o bem-estar das famílias.

A entrega de serviços de saúde e bem-estar por meio das escolas é promovida globalmente há várias décadas, tendo sido reconhecida pela Carta de Promoção da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 1986, que propõe que as escolas fortaleçam sua capacidade como "ambiente saudável para viver, aprender e trabalhar".

O presente projeto estrutura-se em torno da "Hora da Saúde", um momento semanal dedicado nas escolas à escuta ativa, às ações de prevenção e ao cuidado integral da comunidade escolar. Inspirado em modelos internacionais de sucesso, o projeto propõe uma abordagem integrada que coloca a saúde no centro do ambiente educacional.

2. Referências Internacionais de Sucesso

O modelo proposto fundamenta-se em práticas consolidadas internacionalmente:

School-Based Health Centers (SBHCs) – Estados Unidos: Os SBHCs são centros de saúde localizados dentro ou próximos às escolas, que oferecem uma combinação de atenção primária, saúde mental, saúde reprodutiva, oftalmologia, odontologia e serviços de nutrição. Estudos demonstram que esses centros melhoram a saúde, o bem-estar e o desempenho acadêmico dos estudantes atendidos. Pesquisa realizada em escolas rurais do estado de Nova York com mais de 66 mil estudantes mostrou que crianças em distritos com SBHCs tinham 15% menor probabilidade de serem consideradas em risco de absentismo crônico em comparação com aquelas em distritos sem clínicas. Outro estudo com estudantes do ensino fundamental e médio (K-8) demonstrou que os matriculados em um SBHC apresentaram crescimento significativamente maior em matemática (3,5 pontos) e leitura (2,1 pontos) em comparação com os não matriculados, além de uma redução 10,8% maior na taxa de absentismo diário.

Ngaramadhi Space (NS) – Austrália: Trata-se de um programa de cuidado integrado baseado na escola (SBIC) Co desenhado com escolas e a comunidade aborígene em Sydney, que oferece atendimento holístico e multidisciplinar centrado na criança e na família, com equipe composta por pediatra, enfermeiro de saúde juvenil, assistente social, conselheiro escolar, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e psiquiatra. A avaliação quantitativa do programa demonstrou melhor acesso a cuidados de saúde para múltiplas necessidades físicas, de saúde mental e sociais.

Kalgal Burnbona – Austrália: Programa de cuidado integrado baseado na escola implementado em Sydney metropolitana, que atende uma população com 75,4% de diagnósticos de saúde mental, demonstrando resultados positivos no engajamento e acesso aos serviços.

Modelo "Hospital-Escola-Casa-Comunidade" – China (Chongqing): Modelo integrado de saúde mental que envolve pais e a comunidade em geral no atendimento às necessidades de saúde mental de crianças e jovens, com resultados comprovados de sucesso.

Whole School Approach – Reino Unido e Europa: Abordagens de toda a escola que reconhecem a necessidade de apoiar tanto o bem-estar dos professores quanto o dos alunos, com estratégias que combinam práticas universais com apoio direcionado e cuidado personalizado quando necessário, trabalhando em estreita colaboração com as famílias.

OMS – Escolas Promotoras de Saúde (Health-Promoting Schools - HPS): O modelo multicomponente da OMS demonstra que a modificação do ambiente escolar e a promoção do ethos escolar dependem fundamentalmente do apoio ao bem-estar dos professores como pré-requisito essencial.

3. Objetivos do Projeto

  • Criar Núcleos de Saúde Integrada nas escolas da rede pública municipal de Fortaleza, com equipes multiprofissionais compostas por médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas e outros profissionais de saúde, em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade de Fortaleza (Unifor) e o Conselho Regional de Medicina (CRM). 

  • Instituir a "Hora da Saúde" semanal em cada escola, momento dedicado à escuta qualificada sobre a saúde de professores, alunos e famílias, com rodas de conversa, atendimentos individuais e ações coletivas de promoção da saúde.

  • Implementar programas de prevenção em saúde, com ações educativas e campanhas permanentes no ambiente escolar.

  • Aplicar testes padronizados para identificação precoce de transtornos de aprendizagem e altas habilidades, garantindo o devido encaminhamento para acompanhamento especializado.

  • Priorizar o atendimento de alunos e professores com problemas de saúde graves, assegurando agilidade no diagnóstico e no tratamento.

  • Instituir o Prêmio Médicos Amigos da Educação, concedido anualmente a profissionais da saúde indicados pelos professores, com base em critérios de melhoria efetiva da saúde dos professores atendidos e da qualidade da escuta e do atendimento prestado.

4. Parcerias Estratégicas

A proposta conta com o apoio e a colaboração das seguintes instituições:

  • Universidade Federal do Ceará (UFC) – suporte técnico-científico, formação de profissionais e pesquisa aplicada.

  • Universidade de Fortaleza (Unifor) – contribuição acadêmica e extensão universitária.

  • Conselho Regional de Medicina do Ceará (CRM-CE) – fiscalização e ética profissional.

  • Instituto de Previdência do Município (IPM) – integração com o IPM Saúde e a Perícia Médica para atendimento prioritário dos servidores.

  • Secretaria Municipal de Saúde – provimento de profissionais e insumos.

  • Secretaria Municipal de Educação – espaço físico nas escolas e articulação com a comunidade escolar.

5. Benefícios Esperados

  • Redução do absenteísmo e do adoecimento de professores e alunos, com base em evidências internacionais que apontam redução de até 15% no risco de absentismo crônico.

  • Melhoria do desempenho escolar, com ganhos comprovados em matemática e leitura.

  • Fortalecimento da rede de proteção social e da saúde pública no território.

  • Valorização dos profissionais de saúde que atuam com excelência e empatia no atendimento à comunidade escolar.

6. Encaminhamentos

Diante do exposto, submetemos à apreciação de Vossas Senhorias:

  • Ao Excelentíssimo Prefeito Evandro Leitão: o presente projeto para conhecimento, apoio e sanção, após aprovação legislativa.

  • À Câmara Municipal de Fortaleza: o Projeto de Lei que institui os Núcleos de Saúde Integrada na Escola e o Prêmio Médicos Amigos da Educação.

  • Ao Instituto de Previdência do Município (IPM): a proposta de integração dos Núcleos ao IPM Saúde e à Perícia Médica, garantindo atendimento prioritário aos servidores municipais.

  • Às Secretarias de Saúde e de Educação: a adesão e a implementação conjunta do projeto nas unidades escolares.

Certos da relevância social e do impacto positivo desta iniciativa, e do compromisso do Prefeito Evandro Leitão com a melhoria da qualidade de vida dos servidores e da população, contamos com o apoio e a sensibilidade de todos os envolvidos para a sua aprovação e efetivação.

Atenciosamente, 

Egidio Guerra de Freitas- Professor da Rede municipal de Fortaleza, Cineasta, atuou no Banco Mundial e ONU, Fellow Ashoka, Professor e Pesquisador de Universidades Americanas e Brasileiras, Conselheiro da EDISCA, Fundador do Movimento Empresas juniores, criador e Diretor do Vale de inovação em políticas públicas, Eleito Empreendedor de um novo Brasil pela Exame e Endeavor, Prêmios internacionais do Presidente da UNESCO e da Ministra da Ciência e Inovação da Espanha em Bilbao, na ONU em Nova York e Chile com a Presidente Bachelet