SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 16 de junho de 2026

'Todos aqueles homens estavam abusando do meu corpo': mulher traumatizada por troca de casais acusa site de 'facilitar abusos'

 

Ruth O'Grady apoiada sobre um corrimão e olhando para a câmera, ao lado de uma parede de pedras, vestindo uma blusa de mangas longas
Legenda da foto,Ruth O'Grady conta que sofre flashbacks até hoje
    • Author,Catrin Nye
      Author,Jamie Bartlett
      Author,Kavita Puri
    • Author,Ruth Mayer
    • Role,BBC News e BBC País de Gales
  • Published
  • Tempo de leitura: 9 min

Importante: esta reportagem contém descrições detalhadas de atos sexuais.

Ruth O'Grady relutou a entrar em um website de troca de casais.

Ela conta ter sido convencida pelo seu marido, não sem dizer a ele que nunca faria sexo com um estranho dentro de um carro.

Mas, em questão de meses, ela estava fazendo exatamente isso e filmando a cena para enviar a ele.

O'Grady conta que fez sexo com estranhos mais de 100 vezes pelo website, em um período de 18 meses. Ela afirma ter ficado traumatizada e sofrer flashbacks até hoje.

Ela entrou em contato com a BBC pela primeira vez há três anos. Agora, depois de pensar cuidadosamente, O'Grady decidiu contar sua história, revelando seu nome completo. Sua intenção é que o relato seja um alerta para outras mulheres.

Ela sente raiva do seu ex-marido, Chris, mas também culpa o website, que é o maior do Reino Unido especializado em troca de casais. O portal deu a ele acesso a centenas de homens, segundo ela, a quem ele podia pedir para fazerem sexo com ela.

A BBC entrou em contato com o ex-marido de O'Grady, mas ele não respondeu às acusações.

A troca de casais envolve tipicamente encontros em que os casais trocam de parceiros. Mas ela também pode envolver apenas um deles, que mantém os encontros sexuais.

Após o alerta sobre a história de Ruth O'Grady, a BBC investigou o cenário da troca de casais no Reino Unido por oito meses. Algumas pessoas nos disseram que participam porque realmente desejam, mas a reportagem descobriu que nem sempre é este o caso.

O'Grady conta que um website chamado Fabswingers "facilitou o abuso" vivenciado por ela.

O site é o portal de troca de casais que detém mais visualizações. Ele afirma ter 600 mil membros ativos mensais e declarou à BBC que o consentimento é a base da troca de casais.

Paralelamente, forças policiais de todo o Reino Unido informaram que o site é mencionado em centenas de notificações de crimes recentes.

O'Grady também afirma que sua história não é igual à da francesa Gisèle Pelicot, que insistiu no julgamento público dos homens acusados de estuprá-la. Mas a reação das pessoas ao caso Pelicot a encorajou a fazer a denúncia.

"Todos ficaram muito abalados", ela conta. "Eu não fiquei nada surpresa."

Como tudo aconteceu

Desde que se conheceram no norte do País de Gales, em 2008, Chris mencionava frequentemente a ideia de que Ruth fizesse sexo com outros homens. Ela afirma ter resistido a esta possibilidade.

Mas, em 2021, O'Grady sofreu uma crise de saúde mental e ele passou a ser seu cuidador oficial. Ela conta que foi levada a se sentir culpada pela vida do casal não ter saído conforme o que eles haviam planejado.

Seu marido levantou novamente a ideia da troca de casais. O'Grady conta que, em dado momento, ela cedeu e concordou.

"Sei que pode parecer uma total loucura para alguém que apenas ouça a história, mas lembre-se de que isso não aconteceu da noite para o dia", explica ela. "Imagine estar com alguém por 12 anos e aquela pessoa simplesmente convence você de alguma coisa."

O casal entrou no FabSwingers. O'Grady conta ter esperado que eles pudessem conhecer outros casais, mas o acordo acabou se tornando algo diferente.

Ela fez sexo com homens do site enquanto Chris assistia, esperava por perto ou, às vezes, nem mesmo estava presente.

Os encontros aconteciam na casa deles, em carros, estacionamentos ou áreas de acostamento. Ela conta que, se fosse sozinha, deveria filmar o que estava acontecendo e enviar o vídeo para seu marido.

Ruth O'Grady conta que, meses depois, ela fazia sexo com vários homens por semana. Às vezes, eram até quatro em um mesmo dia.

Ela relembra que ela própria marcava alguns dos encontros e parecia entusiasmada com a troca de casais. Mas, agora, ela afirma que nunca quis realmente fazer aquilo.

Ela conta ter dito frequentemente ao seu marido que queria parar com aquilo e disse diversas vezes que o sexo a deixou assustada e traumatizada.

Às vezes, havia uma pausa, segundo ela, até que ele marcava novos encontros e Ruth aceitava.

Ruth O'Grady sentada nos degraus de uma escada, olhando levemente para o lado, vestida com jeans e blusa de mangas longas
Legenda da foto,'Alguns homens não me olhavam nos olhos e outros nem olhavam para mim. Era como se... eu não existisse', conta Ruth O'Grady

Ruth O'Grady afirma que os encontros deixaram marcas horríveis.

Ela conta que contraiu infecções sexualmente transmissíveis, ficou grávida e, enquanto se recuperava de um aborto, seu ex-marido marcou com alguém para que tivesse sexo oral com ela.

"Percebi que ele realmente não se preocupava com meu corpo, nem com a dor que eu estava sentindo", relembra ela.

"Todos aqueles homens estavam abusando do meu corpo, a ponto de ser infectada, ficar doente e, agora, com tudo isso acontecendo, ainda precisava encontrar aqueles homens."

O'Grady conta que, às vezes, era mais fácil e seguro parecer entusiasmada e desempenhar o papel esperado do que resistir, encerrando o encontro o mais rápido possível.

"Alguns homens não me olhavam nos olhos e outros nem olhavam para mim. Era como se... eu não existisse."

Examinando tudo o que aconteceu, será que ela considera que algum dos atos sexuais foi realmente consensual?

"Não", responde ela. "Eu não queria estar ali. Eu não queria estar [no site], para começar."

O'Grady denunciou seu ex-marido e a polícia o investigou sob controle coercitivo e usando outros dispositivos legais. Mas não houve acusações.

A polícia indicou mensagens no WhatsApp do casal que mostravam Ruth O'Grady aparentemente entusiasmada com a troca de casais.

Sua história levanta uma questão fundamental: como e por que as pessoas aparentemente concordam e parecem até motivadas para ter sexo quando não querem?

O consentimento pode ser algo complicado, segundo uma especialista.

"É muito possível que as pessoas pareçam consentir em ter sexo quando não querem", afirma a professora Nicola Gavey, da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia. Ela pesquisa sexo não desejado desde os anos 1980.

Gavey afirma ter ouvido de outras mulheres relatos similares ao de O'Grady.

"As pessoas podem levar tempo para compreender o que estava acontecendo com elas", explica a professora.

'Eu deveria ter ido embora'

Um homem que usa o site FabSwingers concordou em conversar com a reportagem da BBC.

Martin (nome fictício) nunca conheceu O'Grady. Ele conta ter usado o site por anos e conseguido sexo com cerca de 50 pessoas através dele. A maior parte eram mulheres casadas, cujos maridos queriam observar.

Ele tenta garantir que as mulheres que ele conheceu estavam felizes e de acordo com o sexo, mas destaca que houve ocasiões em que, quando ele entrava no quarto para um encontro, algo parecia errado.

Martin acredita que mais da metade das mulheres que ele encontrou não queriam participar daquilo.

Ele conta que, em uma ocasião, ele viu medo nos olhos de uma mulher quando ela contou que seu marido iria entrar e filmar.

"Eu deveria ter ido embora", conta Martin, chorando. "Eu deveria ter denunciado de imediato."

Ele relembra que, em outro encontro, uma mulher parecia ter sido "importunada para participar". Seu marido e outro homem a incentivavam a continuar, conta Martin.

Perguntamos a ele diretamente se, naquele momento, ele se sentiu como se estivesse estuprando alguém.

"Sim", foi a resposta.

Martin afirma ter acreditado que a mulher estivesse em total consentimento, até aquele ponto.

Em resposta às descobertas da reportagem, o website FabSwingers declarou que a plataforma não endossa, incentiva nem tolera qualquer sugestão de que discussões online anteriores eliminariam a necessidade de consentimento pessoal no momento do encontro.

Mão segura um telefone celular mostrando na tela, ligeiramente fora de foco, a página inicial do site FabSwingers
Legenda da foto,O FabSwingers afirma que as denúncias de atividade não consensual são tratadas como risco prioritário

A BBC apresentou pedidos com base na lei de liberdade de informação a todas as 45 forças policiais do Reino Unido, solicitando boletins de ocorrência mencionando o portal FabSwingers, desde o início de 2023.

Até o final de abril de 2026, 39 delas haviam respondido. Não houve resposta da maior força policial do país, a Polícia Metropolitana de Londres.

Elas identificaram 329 boletins de ocorrência mencionando o site, incluindo acusações de estupro, outros crimes sexuais sérios, comportamento controlador e coercitivo, assédio, chantagens, stalking, agressões e posse de pornografia extrema.

As forças policiais que responderam à reportagem da BBC também registraram 26 pessoas acusadas ou intimadas em casos mencionando o FabSwingers. Existem 23 casos em andamento.

Os números mencionando o FabSwingers não significam que o site era responsável pelas acusações. Em alguns casos, a plataforma pode ter sido mencionada apenas no histórico de uma ocorrência.

Mas eles demonstram que o portal apareceu repetidas vezes em boletins relacionados a acusações sérias.

A BBC não pediu informações sobre os demais websites britânicos de troca de casais.

O FabSwingers afirma que as denúncias de atividade não consensual são tratadas como prioridade e que a plataforma, quando toma conhecimento, atua e coopera com a polícia quando solicitado.

Ruth O'Grady ficou surpresa com esta resposta.

Ela conta ter denunciado ao FabSwingers o comportamento proibido dos homens que ela conheceu no site, incluindo ameaças de violência e estupro feitas a ela. Nenhuma ação foi tomada.

Rachel Horman-Brown, de óculos e usando um casaco escuro e camisa clara de botões, com fundo interno escuro, olhando para a câmera
Legenda da foto,A advogada Rachel Horman-Brown acredita que parceiros abusivos podem fazer uso da troca de casais para cometer abusos

A advogada Rachel Horman-Brown é conselheira-real honorária do Reino Unido, especializada em abuso doméstico. Ela afirma que a experiência de Ruth O'Grady não a surpreende.

"Ouvi ao longo dos anos dezenas e dezenas de mulheres se queixarem de terem sido pressionadas para praticar a troca de casais", conta ela.

Horman-Brown acredita que parceiros abusivos podem fazer uso da troca de casais porque, depois que a pessoa participou, a experiência pode criar profunda culpa, deixando as mulheres menos propensas a fazer denúncias.

A troca de casais também pode envolver frequentemente a elaboração de vídeos e fotos explícitas, que podem ser muito comprometedoras. Horman-Brown descreve este material como "munição" em potencial em um relacionamento.

Grupos de apoio às sobreviventes afirmam encontrar padrões similares nos relatos que chegam até eles.

Charlotte Eastop, da organização britânica especializada em abusos domésticos Refuge, atua como supervisora da linha de apoio nacional contra abusos domésticos. Ela conta ter ouvido mulheres afirmarem terem sido pressionadas a praticar a troca de casais.

Muitas mulheres nem mesmo sabem se o que estão vivenciando é abuso, segundo ela, nem como descrever o caso. Eastop disse esperar que "a denúncia de Ruth influencie outras pessoas".

Foi um episódio da distópica série de TV Black Mirror, repleto de "humilhação e degradação sexual", que despertou algo em O'Grady. Seu ex-marido havia achado o episódio engraçado e foi ali que ela percebeu: "É isso o que você pensa de mim."

Depois de mais de 18 meses no FabSwingers, ela contou a Chris que estava saindo do site. Mas ele continuou pedindo que ela encontrasse novamente outros homens ou experimentasse outras práticas sexuais.

O apoio externo permitiu que Ruth O'Grady planejasse deixar seu marido. Pouco a pouco, ela retirou documentos, roupas e dinheiro da casa e conseguiu um lugar seguro para ficar.

Ela finalmente saiu em 2023 e não o viu mais, nem falou com ele desde então.

Mas O'Grady conta que ainda está profundamente abalada e fica extremamente nervosa em relação aos homens. O simples ato de tomar banho pode despertar recordações das suas preparações para os encontros no FabSwingers.

Por que, então, ela conta sua história ao público?

Para Ruth O'Grady, se apenas uma mulher se identificar com ela e perceber que está fazendo algo que ela não quer, será suficiente.

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NASA e For All Mankind: Quando a Ficção Científica Inspira a Realidade. Por Egidio Guerra




A exploração espacial sempre foi um terreno fértil para a imaginação. Poucas obras capturam essa relação entre o sonho e a realidade tão bem quanto a série For All Mankind, da Apple TV+, que constrói uma história alternativa a partir de um ponto de divergência crucial: e se a União Soviética tivesse vencido a corrida à Lua? Para responder a essa pergunta, a série se apoia em um rigor científico notável, frequentemente espelhando e, em alguns casos, antecipando os passos reais da NASA. Esta é uma análise detalhada dos fatos históricos, das inovações tecnológicas e dos próximos passos da agência espacial americana, em diálogo com a série que reimagina seu futuro.


A NASA: Uma História de Superação e Inovação

Fundada em 29 de julho de 1958, a NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço) nasceu como uma resposta direta ao lançamento do Sputnik pela União Soviética, no auge da Guerra Fria. Mais do que uma agência espacial, ela se tornou um símbolo da engenhosidade humana e da curiosidade científica. Desde o início, sua missão foi "fomentar o futuro na pesquisa, descoberta e exploração espacial", ultrapassando os limites do conhecimento "para explorar o desconhecido em benefício de todos os cidadãos do nosso planeta".

Sua trajetória é marcada por feitos que capturaram a imaginação do mundo. O Programa Mercury colocou os primeiros americanos no espaço, enquanto o Gemini aperfeiçoou as técnicas de encontro e acoplagem. Contudo, foi o Programa Apollo que coroou esse esforço, com o pouso da Apollo 11 na Lua em 1969, um feito que, como descreveu um artigo, "não é apenas história, é poesia". As décadas seguintes viram a era do Ônibus Espacial, que tornou o espaço mais acessível e permitiu a construção da Estação Espacial Internacional (ISS), um símbolo de colaboração global. Esta jornada, no entanto, também foi marcada por tragédias como os acidentes da Challenger e da Columbia, que serviram como lembretes sombrios dos riscos inerentes à exploração.

Ciência, Tecnologia e Inovações que Mudaram o Mundo

O impacto da NASA, no entanto, vai muito além das fronteiras do espaço. A agência é uma das maiores geradoras de inovação tecnológica do mundo, com um programa de spinoffs que, por mais de 50 anos, documenta como tecnologias desenvolvidas para missões espaciais encontram aplicações na Terra.

Essa transferência de tecnologia resulta em produtos e serviços que usamos no dia a dia. O relatório Spinoff 2026, por exemplo, destaca como tecnologias criadas para a Lua e Marte estão sendo usadas para construir casas acessíveis com impressão 3D e para desenvolver robôs humanoides capazes de realizar tarefas em armazéns e linhas de montagem. Da mesma forma, a tecnologia de câmeras infravermelhas usada em telescópios espaciais evoluiu para os termômetros auriculares que medem a temperatura através da emissão de energia. Invenções como os sistemas de purificação de água, as células solares de alta eficiência e até mesmo os procedimentos de segurança alimentar desenvolvidos para os astronautas da Apollo formaram a base para regulamentações globais na produção de alimentos. São mais de 2.000 tecnologias spinoff documentadas desde 1976, demonstrando que "há mais espaço em sua vida do que você imagina".

Os Próximos Passos: O Programa Artemis e a Volta à Lua

Se o passado da NASA é glorioso, seu futuro é ambicioso. O Programa Artemis é o coração dessa nova era, com o objetivo de "enviar astronautas em missões cada vez mais difíceis para explorar mais da Lua" e, a partir daí, "construir a base para as primeiras missões tripuladas a Marte".

O programa já deu um passo histórico com a missão Artemis II, que ocorreu entre 1º e 10 de abril de 2026. Esta foi a primeira missão tripulada a ir além da órbita baixa da Terra desde a Apollo 17, em 1972. A tripulação, composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e o canadense Jeremy Hansen, realizou um sobrevoo lunar de nove dias a bordo da nave Orion. Lançada pelo poderoso foguete Space Launch System (SLS), a missão teve como principal objetivo testar os sistemas de suporte à vida e de navegação em um ambiente de espaço profundo, pavimentando o caminho para futuros pousos.

Após o sucesso da Artemis II, a NASA anunciou, em fevereiro de 2026, uma aceleração no programa. Os próximos passos incluem:

  • Padronização do foguete SLS: Simplificando a produção e reduzindo custos.

  • Adição de uma nova missão em 2027: Aumentando o ritmo de exploração.

  • Pousos anuais na Lua: A partir de então, a agência planeja realizar pelo menos um pouso na superfície lunar a cada ano.

O objetivo final é estabelecer uma presença humana sustentável na Lua, incluindo a construção de uma base lunar. A Lua, com seus 4,5 bilhões de anos, é vista como uma "cápsula do tempo" que guarda segredos sobre a evolução da Terra e do sistema solar, e servirá como um trampolim essencial para a jornada tripulada a Marte.


For All Mankind: A Ficção como Laboratório do Possível

É nesse contexto de exploração real que For All Mankind encontra sua força. A série, criada por Ronald D. Moore, não é uma fantasia científica, mas uma ucronia meticulosamente construída. Seu ponto de partida — a vitória soviética na corrida à Lua — impulsiona a NASA a um nível de investimento e inovação que nunca cessou, criando uma linha do tempo onde a tecnologia avança em um ritmo muito mais acelerado.

A Precisão Científica como Pilar

O grande trunfo da série é seu compromisso com o realismo. Para isso, conta com uma equipe de consultores técnicos liderada por Garrett Reisman, um ex-astronauta da NASA que passou quase 100 dias na Estação Espacial Internacional e hoje é conselheiro sênior da SpaceX. Como ele mesmo explica, o trabalho da equipe é "manter a série com os 'pés no chão'", mesmo tratando de uma realidade alternativa. O objetivo não é violar as leis da física, mas sim "manter tudo com base na realidade", criando uma ficção científica que é, antes de tudo, uma ficção especulativa sobre o que poderia ter sido.

Essa abordagem conquistou até mesmo os astronautas de verdade, que elogiam a fidelidade da série ao passado glorioso da NASA e sua precisão científica.

Tecnologia, Sociedade e a Temporada 5

Esse realismo se estende à própria tecnologia e à sociedade da série. A corrida espacial contínua levou a um mundo onde a mineração espacial e a energia nuclear limpa desbancaram o petróleo, adiando o aquecimento global. Tecnologias como chamadas de vídeo e carros elétricos são comuns desde os anos 1980, criando um fascinante universo retrofuturista onde o futuro chegou mais cedo, mas com a estética do passado.

A quinta temporada, que estreou em 27 de março de 2026 e terá seu final em 29 de maio, avança para a década de 2010. Neste novo arco, a trama se concentra nas tensões entre a Terra e a colônia de Marte, que agora abriga milhares de residentes. O enredo acompanha as consequências do "Golpe do Asteroide Goldilocks" da temporada anterior, enquanto Ed Baldwin (Joel Kinnaman) e os outros personagens enfrentam os desafios de uma sociedade marciana em crescimento e as crescentes animosidades com o planeta natal. A série já foi renovada para uma sexta e última temporada, prometendo concluir essa épica narrativa sobre a colonização do espaço.


Conclusão

A relação entre a NASA e For All Mankind é um exemplo brilhante de como a arte e a ciência podem se alimentar mutuamente. Enquanto a NASA, na vida real, constrói a infraestrutura para um futuro lunar com o programa Artemis, a série da Apple TV+ explora, com rigor e criatividade, as implicações sociais, políticas e tecnológicas de um avanço espacial ainda mais acelerado. For All Mankind não é apenas entretenimento; é um laboratório de ideias que nos convida a refletir sobre o nosso próprio mundo, sobre o que conquistamos e, principalmente, sobre o que ainda podemos alcançar. Afinal, como sugere a própria série, o limite para a exploração humana pode ser bem maior do que imaginamos.