A importância de Milton Santos para o Planejamento Territorial
Ontem celebramos o centenário de Milton Santos, um dos maiores intelectuais brasileiros e referência fundamental para a geografia crítica e o planejamento territorial.
Sua obra desloca o olhar sobre o território: o espaço não é neutro nem vazio. É um conjunto indissociável de objetos e ações, produzido por relações sociais, políticas e econômicas. Planejar o território, portanto, não é apenas uma tarefa técnica, mas um exercício de leitura crítica das desigualdades e disputas que o estruturam.
Conceitos como o meio técnico-científico-informacional e a análise do circuito inferior da economia urbana seguem centrais para compreender os efeitos da globalização sobre territórios periféricos.
Na minha caminhada no Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental, especialmente na atuação com povos indígenas e comunidades tradicionais, Milton Santos é mais que referência teórica. É ferramenta de leitura. O território deixa de ser recorte técnico e passa a ser entendido como espaço vivido, atravessado por memórias, conflitos e resistências.
Nesse sentido, sua contribuição para o planejamento territorial pode ser compreendida a partir de alguns eixos fundamentais:
• Território como produção social
O espaço é construído por relações de poder, desigualdades e disputas.
• Crítica à neutralidade técnica
O planejamento não é neutro. Toda intervenção territorial é também política.
• Valorização do espaço vivido
Incorpora saberes locais, práticas cotidianas e formas de resistência.
• Análise da globalização
Compreende os efeitos das redes técnico-científico-informacionais, especialmente em contextos periféricos.
• Compromisso com a justiça social
Defende um planejamento que articule desenvolvimento com equidade, participação e reconhecimento da diversidade socioterritorial.
Mais do que um autor, Milton Santos é um chamado: pensar o território de forma crítica para transformar o mundo. 🌻