SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Ridículo! Quando ao político só resta dançar. Por Egidio Guerra



Por que a política virou um palco de TikTok enquanto o mundo queima?

Assista. Preste atenção. Veja o espetáculo.

Enquanto a temperatura global sobe, enquanto a fome aperta, enquanto a democracia é esfacelada dia após dia, o que vemos? Um senador, pré-candidato à Presidência da República, desce a passarela ao som de um jingle feito por inteligência artificial, tentando emular o "passinho" do funk. Flávio Bolsonaro dança. O consultor de marketing político explica: "Dançar gera a percepção de que ele é saudável e mais em forma do que Lula". É isso. É para isso que serve a política hoje. Para parecer "jovial" no TikTok.

Um aliado do senador comparou seus movimentos aos de um orangotango. Os próprios auxiliares de campanha disseram que as cenas "nunca deveriam ter existido, porque deram uma impressão ridícula". Ridículo. Exatamente. É a palavra que define o que a política se tornou.

Mas não é só um caso. É um sintoma. Um sintoma de uma classe política que há décadas troca o debate de ideias por coreografias, que troca propostas por intrigas feudais, que troca a vida do povo por migalhas de atenção nas redes sociais. Como palhaços. Como fantoches. Ao ritmo do TikTok.

Prometer e mentir. De novo. De novo. Há décadas.

Os dados são implacáveis. Um levantamento do g1 sobre as promessas de campanha dos prefeitos das 26 capitais mostrou que, após três anos e meio de mandato, apenas 39,3% dos compromissos haviam sido cumpridos. 37,6% simplesmente não foram cumpridos. Em 2022, com um ano de mandato, o índice de cumprimento era de meros 15%.

E não pense que isso é privilégio do Executivo municipal. Jair Bolsonaro, em quatro anos de governo, cumpriu integralmente apenas 7 das 47 propostas do programa de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral. Apenas 15%.

Quinze por cento.

E ainda assim, os mesmos políticos que não cumprem nada voltam a pedir voto. Voltam a prometer. Voltam a mentir. E dançam. Dançam enquanto o país sofre.

Compra de votos: a perpetuação da vergonha

Enquanto isso, a compra de votos segue como uma chaga aberta na democracia brasileira. Pesquisa inédita do Ipsos-Ipec revelou que um em cada cinco brasileiros (22%) já recebeu oferta para vender o voto em algum período eleitoral. A maioria — 62% — não sabe como denunciar o crime, e 52% não se sente segura para fazê-lo.

No Nordeste, o índice de pessoas abordadas para vender o voto chega a 32% — dez pontos percentuais acima da média nacional. Os cargos municipais são os que mais motivam essas tentativas, sobretudo vereadores (59%) e prefeitos (43%).

"A compra de votos é mais comum em regiões pobres e carentes de serviços públicos". Claro. Porque a miséria é o combustível da corrupção eleitoral. Quanto menor a cidade, mais compra de votos. Quanto mais dependente do emprego na prefeitura, mais vulnerável.

E o que fazem os políticos? Dançam.

Ameaça à democracia: o golpe ronda

Não é exagero. Não é alarmismo. A democracia brasileira está sob ameaça real. O cenário de extrema polarização, fragmentação partidária e baixa confiança nas instituições é grave e pode ameaçar a democracia no Brasil.

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo. "A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou". E candidatos à Presidência relativizam os atos golpistas de 8 de janeiro, dizendo não saber se houve tentativa de golpe.

O mesmo candidato promete "anistiar todo mundo". Anistiar golpistas. Anistiar quem tentou destruir a democracia. Enquanto isso, a "ameaça invisível" esvazia a democracia não por um gesto abrupto, mas pelo esvaziamento cotidiano.

E os políticos? Dançam.

Trump, o destruidor: o Brasil entregue à voracidade

E não pense que isso fica por aqui. A direita brasileira se espelha no que há de pior: Donald Trump. O homem que chamou a mudança climática de "farsa" e "golpe". O homem que promoveu a maior reversão de políticas climáticas já feita nos EUA, revogando a "declaração de perigo" de 2009 que reconhecia que a poluição prejudica a saúde pública e o meio ambiente.

Trump classificou a crise climática como "a maior farsa" do mundo. E entregou o planeta ao desastre.

Enquanto isso, suas políticas de deportação em massa resultaram em mortes em centros de detenção do ICE em uma taxa 2,36 vezes maior que a anterior. Pelo menos 50 pessoas morreram sob custódia do ICE desde o início de seu segundo mandato. A taxa de mortalidade nesses centros é a maior em duas décadas.

Trump ameaçou usar armas nucleares contra o Irã. Ameaçou genocídio. Disse que vai "provavelmente" usar uma bomba nuclear. E enquanto isso, a pandemia de COVID-19 sob sua gestão deixou centenas de milhares de mortos — estima-se que 129 mil mortes poderiam ter sido evitadas apenas nos EUA.

E a direita brasileira quer repetir isso aqui. Quer entregar o Brasil à voracidade maligna de Trump. Quer destruir a Amazônia, destruir os direitos, destruir a democracia.

E dançam.

Enquanto o mundo queima

E o que enfrentamos enquanto isso?

Crise climática: a temperatura do Oceano Atlântico está entre 2°C e 3°C mais alta que o habitual. O ano de 2026 é um marco crítico para que o Brasil adote uma agenda climática. Chuvas mais intensas e concentradas, eventos extremos, colapso ambiental.

Crise econômica: o PIB brasileiro crescerá cerca de 2% em 2026, com projeções da OCDE de apenas 1,6%. A dívida pública se aproxima de 100% do PIB. O Banco Central projeta crescimento de apenas 1,5%.

Desigualdade social: a renda do 1% mais rico no Brasil é 31,5 vezes maior que a da metade mais pobre. Negros têm taxa de desemprego de 8,5%, a maior entre os grupos.

Ansiedade, violência, fome. O Brasil avançou em alguns indicadores sociais, mas as desigualdades persistem. A fome não acabou. A violência não acabou. A miséria não acabou.

E os políticos? Dançam.

O que você vai decidir no dia 3 de outubro

Não é apenas um voto. Não é apenas um político. É o destino do mundo.

Trump poderia ter apertado o botão vermelho nuclear. Não apertou — mas apertou outros que geraram guerras, ICE contra imigrantes, pobreza, milhares de mortes na pandemia, fome e crimes.

A direita não quer salvar o Brasil. Quer salvar a si mesma. Quer salvar seus privilégios, seu dinheiro, seu poder. Destroem a natureza. Destroem a democracia. Destroem o futuro.

Líderes da democracia de verdade: não entrem na onda da direita. Não dancem. Não mintam. Não roubem. Não deixem apagar a memória da verdadeira política. 

A política verdadeira é luta. É conscientização. É organização. É propor planos que tenham impacto real, que mudem vidas e comunidades. Sem corrupção. Sem mentiras. Sem danças.

Não se trata de salvar a si mesmos. Trata-se de salvar a todos nós.

Pare de dançar. Comece a governar.

O futuro não é uma coreografia. O futuro é uma escolha. E o dia 3 de outubro é o dia de escolher.


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