Caravaggio, "A Vocação de São Mateus", 1599–1600, Capela Contarelli, San Luigi dei Francesi, Roma.
A luz é o assunto. Ela entra por fora do espaço pintado e cai sobre Mateus, enquanto os cobradores continuam contando moedas.
O gesto da mão de Cristo ecoa o do Criador na "Criação de Adão", de Michelangelo, ligando a vocação ao primeiro ato de iluminação divina.
A "illuminatio" de Agostinho sustenta que o intelecto humano, mutável e falível, precisa de uma luz além de si mesmo para conhecer verdades eternas.
Essa doutrina é expressa em "De Magistro", "De libero arbitrio II" e "De vera religione":
"In interiore habitat homines veritas"
"A verdade habita o interior, homem."
A luz de Caravaggio se ilumina sem ser convincente. Aqueles que não se transformam permanecem na mesma luz, mas cegos a ela.
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