SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

ODISSEIA DA VERDADE: AULA DE EDUCAÇÃO E DEMOCRACIA.



Há 20 anos navego por mares nunca dantes navegados, mas hoje, ao completar 40 anos de travessia de baixo para cima, esta odisseia se torna uma aula viva – não para formar alunos passivos, mas para despertar cidadãos em revolta. Porque a verdade na educação de Fortaleza não se faz com giz e lousa apenas; faz-se com a coragem de escancarar os escombros que as oligarquias insistem em chamar de "progresso".


PRIMEIRA LIÇÃO: OS TÚMULOS DE CIMENTO, OS NÚMEROS DA VERGONHA E A CORRUPÇÃO QUE CALA

Os números não mentem, ainda que as gestões tentem soterrá-los em concreto armado. Escutem o grito das estatísticas: 60% dos cearenses são tragados pelo abismo sem concluir o ensino médio. O Ceará sangra como um dos piores estados em analfabetismo do país – uma ferida aberta que a propaganda oficial tenta maquiar com curativos de papel. O programa "Alfabetizar na Hora Certa" é vendido como joia rara na vitrine da mídia, gastando rios de dinheiro em marketing para se promover como case de sucesso, mas esconde a verdade cruel: atende a uma pequeníssima minoria, enquanto a grande maioria continua sem alfabetizar, jogada às traças, sem acesso às políticas públicas que salvam. Paulo Freire alfabetizou 300 trabalhadores rurais em 40 horas de aula, distribuídas ao longo de cerca de 45 dias (ou semanas de um curso intensivo) em 1963, na cidade de Angicos (RN).

E qual é a bússola desse naufrágio? O SPAECE — que reduz a vida inteira de uma criança e de um jovem a meras duas notas, português e matemática. A própria criadora desse modelo, lá nos Estados Unidos, Diane Ravitch, no livro Vida e Morte do Grande Sistema Escolar Americano: Como os Testes Padronizados e o Modelo de Mercado Ameaçam a Educação, pediu perdão público por sistemas como o SPAECE e suas ADRs, que escondem, sob a camada fria dos números, problemas profundos como os transtornos de aprendizagem. 

É contra essa lógica que vamos investir com programas e projetos de lei que criem Núcleos de Saúde Integrada nas escolas — para acompanhar, de fato, a saúde de professores e alunos. Nós defendemos a Educação Integral para a vida: aquela que acontece nas aulas no Território, que se tece com a família em corresponsabilidade e que se orienta pelo Boletim do Futuro. Todos chegaremos juntos — e não apenas alguns. Porque mesmo aqueles que atravessam o ENEM, muitas vezes não conseguem concluir o ensino superior, não ganham mais, nem veem mudança real de vida. É o caso do Ceará, onde a pobreza extrema se perpetua como uma sentença, ecoando tanto nos presídios superlotados quanto nas comunidades sitiadas pelo tráfico. 

Quando erguemos os olhos para o mundo, o PISA nos atira no fundo do poço: o Brasil rasteja entre os últimos colocados, provando que o caminho da fragmentação é o atalho mais curto para o abismo. Nenhum dos principais vencedores do PISA separa políticas educacionais das sociais, de saúde e de habitação — tudo é integrado, orgânico, indissociável. Sem saúde, por exemplo, não há quem aprenda nem quem ensine, como nos ensina os conatos de Spinoza, que define a Educação como a própria Alegria de aprender. 

A educação que defendemos é integral para a vida, entrelaçada com saúde, moradia e dignidade — e jamais pode ser comandada por ministros e secretários que nunca pisaram numa sala de aula. Porque educador não se faz com discurso de gabinete: educador se faz com o chão da escola na sola do sapato e o suor do aluno na alma. 

A corrupção, porém, não vem com capuz; vem de terno, com contratos de construtoras. Vem no estilo Mauro Filho e as construtoras, denunciado pelo próprio irmão, outras na compra superfaturada de livros e no desvio de emendas eleitorais que, neste exato momento, são vasculhadas pela Polícia Federal. Mas onde vão parar esses inquéritos? No fundo do poço da Assembleia Legislativa, onde processos como os Aquários, os Tatuzões e tantos outros – mesmo cheios de provas – são enterrados vivos. Deputados que deveriam fiscalizar se calam feito covardes, repetindo a podridão que vemos no Rio de Janeiro, no Maranhão e em cada canto onde a ficha corrida da impunidade se arrasta.


SEGUNDA LIÇÃO: AS DINASTIAS DO SANGUE E DO SILÊNCIO

Essa cumplicidade mantém, há décadas, oligarquias de direita e de esquerda no poder. Vejam os Mauros Benevides, plantando herdeiros em Redenção como quem planta grileiros. Vejam os Acylons, empurrando a família em cada cidade como gado para o curral. Vejam o André "Raspa-Cu" e o pai que, em um único mandato, já entope a máquina pública com sua parentela. E vejam Bismarck dos Aquários – e aqui a UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ não pode se calar! Não se podem "enterrar corpos no novo prédio" enquanto bilhões em propinas foram soterrados sob a maquiagem do Prédio Esqueleto. Esses bilhões mataram milhares de jovens, roubaram o orçamento da saúde e da educação, e transformaram o Estado no antro de bilionários – mesmo com apenas 2% do PIB, temos mais bilionários per capita que São Paulo. Desde Tasso até hoje, a engenharia política é a mesma: empresários e oligarquias vivendo do Estado. O cofre público virou balcão de incentivos fiscais para a elite, e o cadáver da juventude fica pelo caminho.


TERCEIRA LIÇÃO: A DITADURA DISFARÇADA DE DEMOCRACIA

Todos esses atentados são ataques frontais à Democracia. A corrupção é a ditadura do dinheiro, que amordaça a vontade popular. Mas eu vos digo: Lula, com sua história forjada no suor e no voto de verdade, sempre enfrentou essas estruturas. Não todas de uma vez, mas a hora chegou. Ele declarou recentemente que a política apodreceu – e podemos gritar em coro –, mas podemos ressuscitá-la pelo voto e pela democracia de verdade. É hora de vencer o centrão e a direita travestida de progresso.


QUARTA LIÇÃO: A INOVAÇÃO ROUBADA DAS PERIFERIAS

E por isso, com a voz trêmula de indignação, clamo ao Presidente da Assembleia, Romeu Aldigueri, e ao Acrísio do CENTEC: reconheçam que o Programa Ceará de Valor para a Juventude Cearense não nasceu em gabinetes refrigerados. Nasceu no suor do Jangurussu, com jovens da universidade e das comunidades, com 14 organizações locais oriundas do REAJE – que surgiu para lutar pelas vidas dos filhos das comunidades pobres. Em democracias de verdade, não se roubam ideias de jovens!

Da mesma forma, recordo a Senadora Luizianne e seu chefe de gabinete Afonso Thiago, que sempre reconheceram nossa colaboração ao trazer recursos para o PROJOVEM e para os CUCAS – embora depois tenham sido aparelhados por secretários de juventude e vereadores da direita.

Recordo também o Governador Cid Gomes e o Secretário Ivo Gomes, que reconheceram nossas ideias na Primeira Feira do Conhecimento da ONU realizada no Brasil – e foi no Ceará que colaborou com a eleição de Camilo Santana. E a Primeira Cartografia do Cinema, com contribuição de Luís do PCdoB. E o Geração Muda Mundo com a Ashoka – o Ceará, um dos poucos governos no mundo a firmar parceria com eles. E o nascimento do Instituto Educação Portal em Pacajus, que recebeu prêmio da ONU em Nova York. Tudo isso está detalhado em 20 anos de memória nesse blog que é testemunha e memória da nossa luta.


QUINTA LIÇÃO: OS MESTRES QUE ME INSPIRAM

São 40 anos que luto em todos os setores, de baixo para cima, pela democracia de verdade e por políticas públicas inovadoras no Brasil e no mundo. Por isso carrego o 40 de Alckmin – que sempre entregou com excelência e impacto social ao povo de São Paulo milhares de necessidades com gestão e sabedoria, e dele busco aprender a governar com competência. E que o Professor Haddad dará continuidade e inovação governando com o povo e todos os setores em São Paulo. Carrego o 13 de Lula – não apenas um número, mas a própria História, a Luta e a Sensibilidade que o colocam ao lado de Mandela, Gandhi e Bernie Sanders como um dos maiores líderes mundiais. Por isso, meu número é 4013 – EGIDIO GUERRA – DEPUTADO FEDERAL.


LIÇÃO FINAL: A REBELIÃO DOS ANCESTRAIS

Por isso, convoco a população cearense: lancem-se pré-candidatos a prefeitos e vereadores em suas cidades! Enfrentem as famílias e oligarquias no poder! Façam isso em homenagem e memória aos seus pais, avôs, bisavós – mortos pela corrupção e pelos privilégios de famílias políticas que cometem atentados contra a Democracia.

Que a memória do Caldeirão (que não se dobrou), de Canudos (que resistiu), de Bárbara de Alencar (que lutou), do Dragão do Mar (que libertou) de Rosa da Fonseca (que enfrentou) e Luizianne Lins nos guie. Esses são os faróis da nossa verdadeira democracia – a que não se curva, a que não enterra corpos no concreto, a que não troca o futuro dos jovens por migalhas de poder.


A odisseia continua. A aula não terminou. Meu grito ecoa das periferias ao palácio: a educação não se faz com duas notas, nem a democracia com duas famílias. Faz-se com a poesia da revolta e a ciência da justiça. 4013 – Para que a verdade ressurja das cinzas, e o Ceará seja, enfim, a pátria de todos os seus filhos.


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