(Introdução - falado, com um tom de protesto)
Tô chegando de lá, do lado de cá do muro.
Onde a fome é projeto e o futuro é escuro.
E trago um pagode que é grito, que é veneno,
Pra cantar a verdade, porque o silêncio é pequeno.
Vai começar...
(Refrão - explosivo, com toda a força do samba)
Hoje vai ter BALACOBACO!
Contra a máfia, contra o pacto!
Oligarquia, ditadura, seu castelo é de vidro, eu sou o estilhaço!
Balacobaco!
Poe fogo nesse quartel!
Samba de revolta, porque o povo é fiel
À memória de quem tombou, ao grito de quem ficou!
Balacobaco!
(Verso 1 - estilo repente, rima forte)
Pitaco, pitaco, ninguém vai dar pitaco?
Mas na hora do desvio, o bando inteiro dá pitaco!
Tasso, Camilo, Ferreira Gomes, a dinastia sanguessuga
Quatro décadas de poder, a máquina que rouba e mata.
A esperança da molecada que morre antes dos vinte,
Enquanto o lucro dos bilionários sobe, sobe e não tem limite.
O menor salário da América não é acaso, é projeto!
É a senzala moderna, é o chicote, é o despejo!
(Ponte 1)
E eu tô firme, não fico fraco!
Boto a meta, de aba reta, mas o meu colar de prata
É a memória de quem tomba na calçada,
Vítima da pátria armada, da bala, da empreitada
Desse Estado que é privado, dessa toga acovardada.
(Verso 2)
O seu like não me viraliza, não esqueço de onde eu vim!
Eu prefiro a cachaça ao gin, Abya Yala não tem divisa,
Mas a sua cerca me humilha, me joga pra fora do mapa.
128 mil!
A conta que não fecha, a ferida que não tapa!
Palestina é aqui! O holocausto é agora!
No silêncio dos mandatos, nossa juventude chora.
O Aquário, o Tatuzão, a propina, a emenda, a farra...
Universidade vendida, pacto de sangue na barra
Dessa família que se perpetua, pai, filho, cunhado no poder,
Enquanto o povo definha sem ter o que comer.
(Refrão - ainda mais forte)
Hoje vai ter BALACOBACO!
Fogo na Casa-Grande, no Senhor, no seu capataz!
Samba de revolta, de guerra e de paz (a nossa paz)!
Balacobaco!
A cuíca ronca, o tambor anuncia:
Acabou a patifaria, a vingança é justiça!
O mundo dá voltas, e essa volta chegou!
Quem roubou e matou, vai ter que pagar o que levou!
(Ponte 2)
E eu não me importo com o seu glamour!
Não perco o foco, nem no pior dos sufocos!
A sua estrela de horário nobre apodreceu no meu sofrimento.
A história do povo pobre, vocês escreveram com sangue e com lamento.
Mas o vento mudou. É o povo no poder?
Não! É o povo em pé!
Exigindo um tribunal popular pra quem nos deve o que é nosso!
Confisco! Dignidade! Salário pra viver!
Chega de esmola, queremos o que é nosso por direito e por direito de morrer?
(Verso 3 - falado com raiva)
Olha! Eu sou o Robin Hood do agreste, de flow retirante high tech!
Espalho a peste da verdade no seu castelo de mentira!
A sua família que é uma "familícia", me fez refém, mas eu viro a mira!
Chamo o Lula, chamo Dino, chamo a PF pra testemunhar:
Não é fatalidade! É projeto de matar!
É o fascismo tropical, é a toga que se cala,
É a ditadura da corrupção que o povo já estala!
E vocês, capitães do mato, burocratas do horror,
Que cumprem ordens por um cargo, por um resto de favor,
A história vai lembrar de vocês, sim, vão ter nome e CPF.
Ou se juntam à revolta, ou serão varridos como pó e como EF!
(Refrão final - explosivo, quase um hino)
Hoje vai ter BALACOBACO!
Poe fogo no arquivo, na propina, no ato!
Que a senzala em chamas é o novo contrato!
Balacobaco!
Pelo Zumbi, pelos 128 mil, por quem há de vir!
Que o Ceará livre nasça pra não mais cair!
O mundo dá voltas, e o Ceará vai subir!
Balacobaco!
(Rufar de tambores e fade out com o grito)
A revolta é o alicerce do novo mundo!
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