O texto abaixo é uma reação indignada ao que foi o debate da Band no último domingo (18/10), entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro. É um desabafo sobre a postura do candidato do PL, que transformou o confronto em um espetáculo de cortes para redes sociais, fugiu de todas as acusações sérias e desrespeitou um homem de 80 anos.
Que vergonha alheia. Flávio Bolsonaro não foi a um debate presidencial; ele foi gravar conteúdo para o TikTok.
O sujeito passou o programa inteiro trabalhando para a timeline, não para o país. A estratégia, treinada com o marqueteiro Duda Lima, com Pablo Marçal e com Nikolas Ferreira, era clara: circular atrás de Lula, fazer caras e bocas, gesticular, virar o debate inteiro em cortes para viralizar nas redes sociais. Não apresentou uma proposta. Não mostrou nenhuma postura de um presidente que precisa lidar com líderes do mundo inteiro, grande parte deles idosos, com educação e valores. Flávio Bolsonaro não debateu o Brasil: ele só queria o frame perfeito para o Instagram.
E o desrespeito? Foi a tônica. Um homem de 45 anos, debochando, ironizando e tentando desestabilizar um presidente de 80 anos. A campanha do próprio PT classificou a postura como “desrespeitosa” e “infantil” com “um senhor”. Flávio não discutiu propostas e foi desrespeitoso com um homem idoso, resumiu um ministro de Lula. E não foi só a idade: foi a postura de moleque mesmo, de quem não tem argumento e apela para a piada, para o deboche, para a pirotecnia. A consequência disso é grave: ao apostar repetidamente no deboche diante de um adversário idoso — Lula tem 80 anos —, Flávio corre o risco de transmitir uma imagem de imaturo e, sobretudo, desrespeitoso.
Agora, o mais grave: o silêncio. Lula fez acusações sérias, uma a uma. E Flávio, simplesmente, fugiu de todas. Não respondeu sobre os R$ 134 milhões ligados ao filme “Dark Horse” e ao banqueiro Daniel Vorcaro — Lula chamou a resposta evasiva de “desfaçatez de miliciano”. Não explicou a rachadinha, o esquema de corrupção no seu gabinete na Assembleia do Rio. Não esclareceu a milícia, a relação com o crime organizado. Não respondeu sobre a garota de 5 anos, o caso em que atuou como advogado de um policial militar que matou uma criança com um tiro de fuzil. Não aceitou o desafio de abrir os sigilos bancários e telefônicos para provar quem é corrupto — desconversou.
Flávio Bolsonaro é o retrato de uma estratégia que Steve Bannon popularizou: inundar o ambiente com bobagem, com provocação, com “lacração”, para que o eleitor não preste atenção no que realmente importa. O debate não foi sobre o país. Foi sobre o corte. Foi sobre o engajamento. Foi sobre esconder, atrás de uma dancinha e de uma palavra escrita na palma da mão, a falta de projetos, o golpe, a corrupção, o envolvimento com a milícia e o fato de ter sido advogado de um assassino.
Enquanto isso, o candidato que deveria apresentar propostas para o Brasil se comportou como um influencer de quinta categoria, brincando atrás do presidente, sem responder a nenhuma das acusações sérias. E depois do debate? Ainda teve a cara de pau de fazer uma dancinha, como se tudo não passasse de um jogo, de uma brincadeira, de mais um conteúdo para as redes.
Não é sobre idade. É sobre respeito. É sobre decência. É sobre a diferença abissal entre quem tem propostas e quem tem apenas cortes. Flávio Bolsonaro mostrou, mais uma vez, que não está pronto para o cargo que disputa. E o pior: mostrou que não está pronto nem para o mínimo — o mínimo de respeito por um idoso, por um adversário e pelo próprio debate democrático.

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