Se a política cearense fosse uma peça de teatro, já teria sido vaiada e aplaudida ao mesmo tempo — como nas melhores comédias francesas de Molière ou nas paródias épicas de Bertolt Brecht. Afinal os Coronéis continuam a destruir a democracia e os partidos com Guimarães impedido de disputar o Senado e Luizianne fora do PT. Pior o que se anuncia para as próximas eleições promete ser, ao mesmo tempo, engraçado e ridículo. Engraçado, porque expõe o ridículo de um sistema que se repete há 40 anos como um disco arranhado. Ridículo, porque ninguém mais acredita no texto, mas todos insistem em representar seus papéis. Os Coronéis que foram tudo não sendo nada, roubando e enganado a todos, se mantem como uma Máfia usando o Estado de forma totalitária a serviço dos interesses das famílias e das elites. Enquanto a direita incentiva seus lideres doidos, a esquerda mata seus lideres racionais em nome do povo?. No Ceara não precisa de Bolsonaro! O Fascismo esta instalado pela Oligarquia
Nos últimos quarenta anos, os verdadeiros diretores da cena política cearense não foram os partidos, nem o povo, nem as urnas. Foram os Coronéis de novo figurino — os Gomes, os Benevides, os Santana. Ciro, Cid, Camilo e Mauro enganaram situação e oposição com a mesma habilidade com que um ator brechtiano quebra a quarta parede e diz ao espectador: “Você sabe que é mentira, mas vai aplaudir mesmo assim”. Usaram partidos como máscaras descartáveis, incluindo o PT — que ora vê Evandro Leitão dançar conforme a música dos coronéis, num velho truque de “dividir para conquistar”. Cooptam-se adversários com cargos públicos, mas, sem jamais, abrir mão do comando da cena. O palco é deles; os atores coadjuvantes que se revezem.
E nesse jogo, quantas vezes o Capitão Wagner, Roberto Cláudio e o PL foram enganados? Eles entram em cena como o campônio ingênuo da commedia dell’arte, achando que desta vez vão tomar o poder, mas saem de cartola e nariz vermelho. Wagner já perdeu a conta de quantas vezes foi levado à falsa expectativa de que a alternância chegaria. Roberto Cláudio, ex-prefeito, viu seu palanque desmontado pelos mesmos que o aplaudiam. O PL, legenda que se acha o novo vento da direita, repete o mesmo papel do PDS, do PFL, do DEM: ser coadjuvante de luxo num roteiro escrito pelos coronéis.
Agora, o ápice do ridículo: Ciro Gomes na oposição. O mesmo Ciro que, com a família, está no poder — direta ou indiretamente — há quatro décadas. Ele grita contra o “sistema” como se não fosse o sistema. É como assistir a um ator de Molière interpretar o avarento enquanto guarda o dinheiro arrecadado nos cofres da peça. Vai ser engraçado vê-lo esbravejar contra o “establishment” que ele mesmo ajudou a pavimentar. E vai ser ridículo porque, no fundo, todos sabem: a oposição faz parte do espetáculo.
O mais trágico — e, portanto, o mais brechtiano — é que nunca cumpriram suas próprias promessas. Mas isso não importa. O importante é gastar com falsa publicidade, com impérios de comunicação, com dinheiro vivo para calar todo mundo — incluindo a própria oposição comprada. O lema implícito é o mesmo desde os tempos do coronelismo clássico: “Tudo mude para que tudo permaneça no mesmo lugar”. Só mudam os nomes nas placas. O poder continua na mesma família, na mesma lógica, na mesma farsa.
No teatro de Brecht, o espectador é convidado a não se emocionar, mas a pensar. Pois aqui o convite é o mesmo: ria, mas desconfie. Aplauda, mas lembre-se de que, quando as cortinas se fecharem, os coronéis estarão nos camarotes, rindo de quem pagou o ingresso.
E o povo? O povo, mais uma vez, é apenas o cenário.
Tem tanto boas como mas colocações.
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