SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 24 de agosto de 2025

O QUE DEVEMOS AO FUTURO ! Por Egidio Guerra



1. Um Futuro Moldado por Riscos Catastróficos Globais (MacAskill & Singer) 

MacAskill, na esteira do Altruísmo Eficaz, argumenta que o maior impacto que podemos ter no longo prazo é reduzir os riscos existenciais – ameaças que poderiam destruir a humanidade ou truncar permanentemente seu potencial. 

  • O que esperar: Um futuro onde estaremos constantemente navegando por um campo minado de ameaças de alta consequência, mas baixa probabilidade. 

  • Riscos Principais: 

  • Inteligência Artificial Artificial Geral (AGI): MacAskill alerta que o desenvolvimento desalinhado de uma IA superinteligente é possivelmente a maior ameaça existencial. O futuro pode ser um de domínio humano, de coexistência, ou de obsolescência humana, dependendo de como gerenciarmos sua criação. 

  • Biotecnologia e Pandemias: A facilidade de editar genomas (ex: CRISPR) pode levar a pandemias deliberadas ou acidentais com taxas de mortalidade catastróficas. 

  • Mudança Climática Radical: Embora talvez não seja um risco existencial por si só para a humanidade, pode desestabilizar drasticamente a civilização, tornando-a mais vulnerável a outras ameaças. 

  • Guerra Nuclear: Continua sendo uma ameaça clássica, porém persistente. 

  • O Imperativo Moral: O foco deve ser na prevenção desses desastres. O futuro que devemos buscar é aquele onde sobrevivemos a essas ameaças do século XXI e garantimos um "longo futuro" próspero para a humanidade. 





2. A Expansão Radical do Círculo de Moralidade (Singer) 

Peter Singer é o pai da ideia de expandir nosso círculo de preocupação moral. Seu trabalho sugere que o futuro será (e deve ser) definido por uma preocupação ética que transcende fronteiras, espécies e até mesmo gerações. 

  • O que esperar: 

  • Preocupação Global: A ética continuará a se globalizar. Espera-se que nos importemos e ajamos perante a pobreza extrema no outro lado do mundo não como caridade, mas como uma obrigação moral. 

  • Direitos dos Animais e Bem-Estar Animal: O futuro provavelmente verá uma rejeição massiva da pecuária industrial, impulsionada por preocupações éticas (sofrimento animal) e ambientais. O crescimento do veganismo e de proteínas alternativas é um sinal disso. 

  • Altruísmo Eficaz: A ideia de usar evidências e razão para fazer o maior bem possível se tornará mais mainstream. Carreiras, doações e políticas serão cada vez mais avaliadas por seu impacto objetivo, e não apenas por intenções. 



3. A Transição para a Era da Empatia e do Custo Marginal Zero (Rifkin) 

Jeremy Rifkin oferece uma visão econômica e tecnológica mais específica. Ele prevê o surgimento de uma Economia Collaborativa radical, impulsionada por: 

  • A Internet das Coisas (IoT): Uma rede global de sensores conectará todos os aspectos da vida econômica, permitindo uma eficiência extrema na alocação de recursos. 

  • Custo Marginal Zero: O custo de produzir e distribuir unidades adicionais de energia, informação e muitos bens físicos (via impressão 3D) se aproximará de zero. Isso mina o modelo capitalista tradicional baseado no lucro de escassez. 

  • O que esperar: Um futuro com: 

  • Energia Verde Democratizada: A energia solar e eólica, distribuída por redes inteligentes, permitirá que produtores-consumidores ("prosumers") gerem e compartilhem sua própria energia. 

  • Commons Collaborativos: Uma esfera económica híbrida, onde a partilha colaborativa de bens e serviços (de carros a conhecimentos) coexiste com os mercados capitalistas, podendo até superá-los em importância. 

  • Consciência Biótopica: Rifkin acredita que esta infraestrutura tecnológica nos levará a uma expansão da empatia, não apenas para todos os humanos, mas para toda a biosfera, reconhecendo nossa interdependência fundamental. 




Síntese: O Futuro em Três Cenários Possíveis 

Combinando essas visões, podemos esperar que o futuro se desdobre em um destes caminhos: 

  1. O Cenário de Colapso (Falha Moral): Falhamos em lidar com os riscos existenciais. Uma guerra nuclear, uma pandemia engineered, ou uma IA descontrolada leva ao colapso da civilização global. Este é o futuro que MacAskill e Singer dedicam suas carreiras a prevenir. 

  1. O Cenário Estagnado (Inação): Conseguimos evitar a catástrofe total, mas falhamos em fazer a transição ética e económica. A desigualdade persiste, a exploração animal continua, e a economia de custo marginal zero é sufocada por interesses estabelecidos, levando a um futuro de conflitos e oportunidades perdidas. 

  1. O Cenário Próspero (Sucesso): É o futuro que estes autores nos exortam a construir. Superamos os riscos existenciais, expandimos radicalmente nosso círculo de compaixão (respeitando todos os seres sencientes), e aproveitamos a tecnologia para criar uma civilização global de abundância, cooperação e empatia, como previsto por Rifkin. Neste futuro, a humanidade não apenas sobrevive, mas finalmente floresce, realizando seu potencial positivo. 

Conclusão 

O consenso entre esses pensadores é que o futuro não é algo que simplesmente acontece conosco; é algo que nós construímos através de nossas ações presentes. Eles nos fornecem as ferramentas para pensar nisso: 

  • De MacAskill e Singer: A urgência de focar nos maiores problemas, com as soluções mais eficazes. 

  • De RifkinUm roteiro tecnológico e económico para um sistema mais sustentável e colaborativo. 

O que podemos esperar do futuro depende, em última análise, de nossa capacidade de agir com sabedoria, empatia e um compromisso inabalável com o longo prazo. 



 



Nenhum comentário:

Postar um comentário