Em 1991, dois alpinistas encontraram um corpo congelado nos Alpes entre a Itália e a Áustria.
No começo, pensaram que fosse um acidente recente. Mas não era.
O homem havia morrido há mais de 5.300 anos. Ele ficou conhecido como Ötzi, o Homem do Gelo, e seu corpo preservado revelou uma das histórias mais impressionantes da arqueologia.
Ötzi carregava um arco ainda inacabado, 14 flechas, mas apenas duas prontas para uso, além de ferramentas, fogo e cogumelos medicinais presos ao corpo. Exames mostraram que ele sofria com parasitas intestinais e provavelmente usava fungos naturais como remédio.
Também foram encontradas mais de 50 marcas no corpo dele, posicionadas justamente em regiões afetadas por dores e desgaste nas articulações, levantando teorias sobre práticas terapêuticas muito antes dos primeiros registros conhecidos de acupuntura.
A causa da morte também chocou os pesquisadores. Uma flecha atingiu Ötzi pelas costas, rompeu uma artéria importante e provavelmente o matou em poucos minutos.
No equipamento dele, análises encontraram sangue de quatro pessoas diferentes, indicando que ele esteve envolvido em um confronto violento pouco antes de morrer. Até a última refeição foi preservada: carne de veado, gordura de íbex alpino, trigo einkorn e vestígios de plantas tóxicas que talvez tenham sido usadas como medicamento.
Durante décadas, reconstruções mostravam Ötzi com aparência diferente da real. Mas estudos genéticos mais recentes revelaram que ele tinha pele mais escura, olhos escuros e tendência à calvície. Parte das análises antigas havia sido influenciada por contaminação de DNA moderno.
Mais de cinco mil anos depois, Ötzi continua sendo um dos crimes não resolvidos mais antigos já descobertos. E também um retrato congelado de como os seres humanos já entendiam sobrevivência, medicina e combate muito antes da história escrita.
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