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sexta-feira, 22 de maio de 2026

O último retrato do Tom.


 O último retrato do Tom.

Ele estava descontraído, de bom humor, achando graça na situação: havia deixado os destilados para trás e bebia apenas vinho.
A foto foi feita na Cobal do Leblon, que Tom frequentava há décadas. Era a tarde do dia 18 de novembro de 1994. Ele viajaria à noite para Nova York. Assim foi, só que não voltou mais. Faleceu semanas depois, no dia oito de dezembro, aos 67 anos.
Até onde sei, é o último retrato dele no Brasil.
Esta imagem tem, no momento em que escrevo, mais de trinta anos. Voltei a ela muitas e muitas vezes, tentando encontrar algo no olhar, no gesto, na atitude, que nos avisasse que eram os seus últimos momentos. Nada.
Estão ali o chapéu, o charuto, a bolsa, o copo, o de sempre.
Tom Jobim olha para algum lugar. No que estaria pensando?
Na viagem à noite, em alguma melodia nova, na família, nos amigos que frequentavam aquele lugar? Nunca saberemos.
Essa imagem, mais do que registrar os últimos momentos de um grande artista, me fala sobre a própria essência da fotografia. A força de um momento que é único.
Ele estava ali; em breve não estaria mais. Não há antes, nem depois.
A fotografia é o lugar onde se guarda o instante. Tom esteve aqui, nesta imagem.
A sua obra, a sua música, essa fica em nós, para sempre.

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