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quarta-feira, 20 de maio de 2026

“Pirâmide da Aprendizagem”, que apresenta porcentagens como “aprendemos 95% ensinando”,



A chamada “Pirâmide da Aprendizagem”, que apresenta porcentagens como “aprendemos 95% ensinando”, se tornou extremamente popular em palestras, treinamentos e materiais educacionais. O problema é que esses números não possuem comprovação científica sólida. O modelo original foi inspirado no Cone da Experiência, de Edgar Dale, criado na década de 1940. Porém, Dale nunca atribuiu percentuais de retenção ao seu trabalho. Com o tempo, começaram a circular versões com números específicos, mas até hoje não há evidências robustas que sustentem essas porcentagens exatas. Isso não significa que a ideia central esteja completamente errada. Pesquisas atuais realmente mostram que a aprendizagem ativa tende a ser mais eficaz do que a passiva. Praticar, discutir, aplicar conteúdos e ensinar outras pessoas costumam aprofundar a compreensão e fortalecer a memória. O que merece cuidado é transformar esse processo complexo em uma fórmula matemática simplificada. Aprender envolve contexto, emoção, repetição, motivação, repertório prévio, qualidade da mediação e muitos outros fatores que não cabem em uma pirâmide com números fixos.  

Talvez isso explique por que algumas experiências aparentemente simples marcam tanto, enquanto outras, cheias de métodos “milagrosos”, desaparecem rapidamente da memória. 

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