SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
quinta-feira, 25 de junho de 2026
O argumento para a ação climática não pode ser apresentado apenas na linguagem da economia.
O argumento para a ação climática não pode ser apresentado apenas na linguagem da economia. Soluções tecnocráticas não podem fazer um futuro diferente parecer possível, desejável ou valer seu custo. Enquanto os sistemas energéticos e a infraestrutura pública digital são as bases técnicas da transição verde, as artes e a cultura formam sua infraestrutura social: como as sociedades imaginam futuros alternativos, constroem legitimidade para buscá-los e se mantêm unidas à medida que as mudanças acontecem.
Novo artigo publicado hoje como parte da nossa pesquisa Valor Público das Artes e da Cultura, antes do Seminário Internacional sobre Cultura e Mudanças Climáticas de amanhã na Somerset House, sediado pelo Ministério da Cultura do Brasil durante a Semana de Ação Climática de Londres.
A economia por trás da turbulência política britânica**
A economia por trás da turbulência política britânica**
O professor Anand Menon, do King's College London, estuda a fragmentação da política britânica, a ascensão da Reforma, a pressão sobre o Partido Trabalhista e os Conservadores, e o clima anti-establishment predominante. Mas quando perguntado o que mais importa, sua resposta é econômica.
A economia britânica mal cresceu desde 2008. Não contraíram, apenas estagnaram, crescendo muito mais devagar do que nas décadas anteriores. Menon argumenta que a estagnação está por trás de quase tudo o mais.
Crescimento prolongado e baixo gera insatisfação. Eleitores insatisfeitos perdem a fé nos partidos tradicionais e experimentam alternativas tanto à esquerda quanto à direita. Isso está acontecendo em todo o mundo desenvolvido, mas é impressionante que esteja acontecendo até no Reino Unido, cujo sistema majoritário simples foi projetado especificamente para sustentar uma estrutura bipartidária estável.
A imigração segue a mesma lógica. Sua relevância como questão, argumenta Menon, está pelo menos parcialmente enraizada na insegurança econômica. Quando a economia tem um desempenho inferior e as pessoas se sentem deixadas para trás, a hostilidade se intensifica. A política está a jusante da economia.
Por isso, sua resposta política é simples de afirmar e difícil de concretizar: restaurar o crescimento, aliviar o custo de vida, reparar os serviços públicos. A dificuldade, como Keir Starmer está descobrindo, é que crises geopolíticas continuam intervindo e desviando o foco exatamente dessas prioridades internas.
Nenhum ser humano é apenas o seu diagnóstico!!!
Há algo que me preocupa cada vez mais na prática clínica, na educação e nas conversas do cotidiano: a facilidade com que passamos a enxergar pessoas através de rótulos, como se uma condição, um diagnóstico ou uma classificação fossem suficientes para traduzir toda a complexidade de uma vida.
Os avanços da medicina, da psicologia e das neurociências trouxeram conquistas importantes. Muitas pessoas encontraram explicações para sofrimentos antigos, tiveram acesso a direitos, tratamentos e puderam compreender melhor suas próprias dificuldades. O problema não está nos diagnósticos. O problema surge quando eles deixam de ser instrumentos de compreensão e passam a ocupar o lugar da identidade.
Nenhum ser humano é apenas o seu diagnóstico!!!
Na clínica, é comum encontrar pessoas que chegam carregando não apenas seus sintomas, mas também as expectativas, os preconceitos e as limitações que outros construíram em torno delas.
Aos poucos, deixam de ser vistas como crianças, adolescentes ou adultos com histórias singulares e passam a ser percebidas apenas como "o autista", "o TDAH", "o ansioso", "o depressivo". O nome da condição, que deveria servir para orientar cuidados, acaba reduzindo a riqueza da experiência humana a uma única característica.
A Neurociência nos permite compreender mecanismos cerebrais e padrões comportamentais. A Psicologia busca entender emoções, relações e processos de desenvolvimento. A Psicanálise, por sua vez, nos recorda que existe sempre um sujeito por trás do sintoma. Há uma história, desejos, perdas, medos, vínculos, conflitos e recursos internos que não aparecem em nenhum código diagnóstico.
Reduzir pessoas a categorias pode produzir um efeito silencioso e perigoso: começamos a enxergar limitações antes de enxergar possibilidades. Passamos a interpretar comportamentos apenas pela lente do transtorno e esquecemos que a singularidade humana é sempre maior do que qualquer classificação.
Diagnósticos são fundamentais. Eles organizam o cuidado, orientam intervenções e ampliam o acesso ao tratamento. Mas cuidado e humanidade exigem algo que nenhum manual é capaz de oferecer: a capacidade de olhar para além dos rótulos e reconhecer a pessoa em sua totalidade.
Talvez uma das formas mais profundas de respeito seja justamente essa: compreender a condição sem permitir que ela apague a existência de quem a carrega.
Porque os diagnósticos explicam parte da história, mas nunca têm o direito de ocupar o lugar da pessoa.
A América Latina agora extrai mais ouro do que a China, com México, Peru, Brasil e Colômbia elevando a região acima de 390 toneladas ↓
A América Latina agora extrai mais ouro do que a China, com México, Peru, Brasil e Colômbia elevando a região acima de 390 toneladas ↓
Com a guerra entre o Irã causando estragos nos mercados globais de ações e energia, há uma alta demanda por ativos mais seguros nos quais investidores possam depositar seu dinheiro.
A estabilidade do dólar americano e de outros ativos de refúgio tem sido cada vez mais questionada no último ano, devido a anúncios caóticos de tarifas, políticas de redução de déficits, paralisações governamentais e agora o início de outra guerra no Oriente Médio.
Consequentemente, muitos estão recorrendo ao velho e confiável ouro, o metal precioso que tem sido usado como uma forma de moeda ou ativo desde que os humanos abandonaram o sistema de escambo há muitos séculos. O ouro está em ascensão e, felizmente, a América Latina abriga quatro dos maiores produtores do mundo: México, Peru, Brasil e Colômbia. Juntos, extraíram 390 toneladas no ano passado; A China, a próxima mais próxima, alcançou 380.
Grande parte dessa produção passa por gigantes estrangeiros como Newmont, que opera a maior mina de ouro da América do Sul (Yanacocha, no Peru) e uma das maiores do México (Peñasquito). Mas também há jogadores locais no jogo. FRESNILLO PLC, maior produtora mundial de prata, extraiu 600 mil onças de ouro no ano passado, e Compañía de Minas Buenaventura, no Peru, está investindo 750 milhões de dólares em uma nova mina que começará suas operações este ano.
Este ano marca o 55º aniversário do abandono do padrão-ouro por Nixon (o sistema que vinculava o dólar americano ao ouro a uma taxa fixa de $35 por onça, o que significa que, em teoria, cada dólar era garantido por uma barra de metal mantida em Fort Knox).
Para dar uma ideia do quanto avançamos, hoje uma onça de ouro vale mais de $4,6 mil, abaixo do máximo de final de fevereiro de $5,2 mil, mas mais que o dobro do valor há menos de dois anos.
💌 A história continua...
Trabalhando numa proposta para avaliar o grau de risco climático em 65.559 propriedades rurais em 45 municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, envolvendo quase um milhão de hectares.
Trabalhando numa proposta para avaliar o grau de risco climático em 65.559 propriedades rurais em 45 municípios do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, envolvendo quase um milhão de hectares.
MUITAS derivações vão resultar desta análise, em função da abordagem metodológica aqui desenvolvida:
- Risco climático baixo: imóveis localizados em áreas com baixa suscetibilidade dos solos, inundação e enxurrada, mesmo nos cenários climáticos futuros.
- Risco climático moderado: imóveis que apresentam alguma exposição física ou climática, mas sem sobreposição crítica entre solo vulnerável, inundação, enxurrada e uso agropecuário intensivo.
- Risco climático alto: imóveis onde há coincidência entre suscetibilidade ambiental elevada e agravamento previsto nos cenários climáticos de 2026–2040.
- Risco climático muito alto: imóveis situados em áreas onde solos frágeis, risco de inundação, risco de enxurrada e maior pressão climática futura se sobrepõem espacialmente.
- Áreas prioritárias para adaptação: municípios e imóveis onde as camadas indicam maior chance de perdas produtivas, danos à infraestrutura rural e necessidade de medidas preventivas.
- Áreas prioritárias para monitoramento: imóveis localizados em zonas sensíveis, onde pequenas mudanças de chuva, temperatura ou uso do solo podem ampliar significativamente o risco.
- Áreas com maior vulnerabilidade produtiva: propriedades com uso agropecuário relevante situadas sobre ambientes fisicamente suscetíveis e expostas a cenários climáticos mais severos.
- Áreas com maior segurança relativa: imóveis onde o uso agropecuário ocorre em locais com menor suscetibilidade territorial e menor agravamento climático projetado.
- Municípios estratégicos para gestão pública: municípios que concentram maior número de imóveis expostos e, portanto, devem ser priorizados em planejamento, defesa civil, crédito, seguro rural e políticas de adaptação.
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O novo e importante relatório da UNESCO mostra uma arquitetura institucional ampla, mas mal financiada e mal medida, que registra os sintomas da IA sem desenvolver sua dimensão ontológica.
A quarta edição do Re|Shaping Policies for Creativity, publicada pela UNESCO em 2026 sob edição de Jordi Baltà Portolés, reúne respostas de mais de 120 países (121 Partes da Convenção de 2005), em 133 relatórios e 3.908 políticas e medidas, para avaliar duas décadas da Convenção. O diagnóstico é desconfortável: a arquitetura pública da cultura se espalhou pelo mundo, mas se apoia em orçamentos minguados e nos "data deserts" que o próprio relatório admite.
Existência não é efeito. Ministério, lei e conselho podem existir sem orçamento, equipe ou poder de execução, e o relatório mede melhor a presença das estruturas que a distribuição de seus resultados.
✅ Estruturas e recursos:
📊 100% dos países relatores têm órgão de cultura; 92%, cooperação interministerial; 81%, instituição de estatística
🔎 61% têm escritórios estatísticos ou organismos de pesquisa que avaliam políticas, contra 46% no ciclo anterior
💼 85% das Partes relatam medidas de geração de emprego no setor
💰 O financiamento público direto à cultura segue abaixo de 0,6% do PIB global
🌍 Em 2022, só 0,15% da Ajuda Programável por País foi para cultura e recreação
✅ Direitos, desigualdade e IA:
🎭 O comércio de bens culturais somou US$254 bilhões em 2023, concentrado no Norte Global
⚖️ Mais de 90% das Partes garantem em lei a liberdade artística, mas as violações crescem
👥 Mulheres ocupam quase metade dos cargos de liderança, com fortes disparidades regionais, e são apenas 26% das fontes do noticiário
📶 Nos países desenvolvidos, 67% têm competências digitais básicas, contra 28% nos em desenvolvimento
🤖 Dos 148 projetos de lei sobre IA em 128 países entre 2016 e 2023, só um teve a cultura como tema principal
A IA atravessa o relatório como força transversal. Ele examina direitos autorais, transparência, remuneração e descobribilidade, e chega a tocar o ponto sensível: conteúdo sintético que ameaça identidades, valores e sentidos da criação humana, indistinção entre o humano e o automatizado, risco de colapso de modelos. Realmente relevante🎯
Falta o passo seguinte. O relatório registra esses sintomas sem oferecer uma linguagem conceitual para a pergunta que eles abrem: o que passa a contar como real quando sistemas algorítmicos participam da produção do visível e do provável.
Chamo isso de direito à realidade. Conhecer a origem, o contexto e as mediações dos conteúdos, e preservar as experiências que sustentam um mundo comum. As estruturas estão montadas. A pergunta que o relatório deixa aberta é o que protegemos quando o próprio real se torna disputado.