SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Está faltando mão-de-obra?


 Está faltando mão-de-obra?

Sim, e esse problema tende a se agravar com o envelhecimento da população, uma realidade em países desenvolvidos, como o Japão que deve ver um encolhimento de mais de 20 milhões de trabalhadores nas próximas 3 décadas, na China e também no Brasil.
E qual deveria ser a solução?
Em alguns lugares da Europa é comum vermos pessoas de mais idade trabalhando no setor de serviços com atendimento em bares, restaurantes ou hotéis, em escolas e hospitais ou ainda no comércio. E isso também já está acontecendo no Brasil.
Mas, estamos prontos para isso? A nossa legislação vai permitir uma maior flexibilidade nos contratos de trabalho para receber essa mão-de-obra com enormes diferenciais produtivos e muito para ensinar? Mas que tem outras demandas como por exemplo, um bom plano de saúde e carga horária adaptada, e não essa rigidez imposta pela CLT e na discussão da redução da jornada 6x1?
E qual a realidade hoje no Brasil?
Pois bem, fui atrás dos dados para descobrir o que motiva os 25% das 36 milhões de pessoas acima de 60 anos que ainda estão trabalhando por aqui. Para tanto, fiz a relação entre essa taxa de ocupação e a renda obtida para criar quatro possíveis resultados mostrados no mapa:
1. regiões vermelhas: muitas pessoas idosas trabalhando e ganhando abaixo da renda mediana do grupo. A essas classifico o trabalho como uma necessidade, provavelmente são idosos que precisam complementar a renda da aposentadoria e ajudar no domicílio. Estão concentrados no Norte, Nordeste e entorno de Brasília.
2. regiões em cinza: poucas pessoas idosas trabalhando e baixa renda. Grupo que representa uma inatividade forçada. São regiões onde a oportunidade não existe e estão concentradas no Nordeste.
3. regiões em laranja: é onde há muitos idosos trabalhando (em relação ao total de idosos da região), e ganham acima da renda per capita mediana. Esses trabalham por opção, ou seja, é uma escolha, e uma realidade de boa parte do Centro-Oeste e de São Paulo e Minas Gerais.
4. regiões em azul: Tem poucos idosos trabalhando e a renda per capita é alta. É o que podemos dizer dos que estariam com uma aposentadoria confortável e poderiam até migrar para a "cor laranja", ou seja, trabalhar por opção, mas escolhem não o fazer. Uma realidade no Rio de Janeiro e sul do Brasil mas com um detalhe: boa parte de Santa Catarina e o noroeste do Estado do RS, onde está Caxias e outras regiões de Passo Fundo e Santa Maria, escolhem trabalhar.
Sim, o Brasil é diverso. As oportunidades não estão em todos os lugares e isso acaba delineando a vida de uma pessoa, mesmo após a aposentadoria. E me parece que posso existir uma influência de atividade setorial (vide Centro-Oeste) e também de imigração, como no sul do Brasil.
Entende porque pensar o Brasil, do ponto de vista de política pública de forma igual não faz sentido?

Nenhum comentário:

Postar um comentário