SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

segunda-feira, 22 de junho de 2026

o que é, afinal, o crescimento económico, de onde vem e porque é que importa tanto.



Escrevo há muito sobre a economia portuguesa — sobre impostos, regulação, mercado de trabalho, o peso do Estado, as profissões fechadas. E, ao longo de dúzias de artigos e de centenas de comentários, fui percebendo uma coisa: grande parte do desacordo não é, no fundo, sobre Portugal. É sobre algo mais básico, que muita gente de boa-fé nunca teve oportunidade de estudar — o que é, afinal, o crescimento económico, de onde vem e porque é que importa tanto.


Vejo-o nos comentários, e digo-o sem qualquer condescendência. Pessoas inteligentes, que produzem valor todos os dias, escrevem-me convencidas de que a riqueza é um bolo de tamanho fixo a repartir; que os salários sobem por decreto e não por produtividade; que baixar impostos é "dar aos ricos"; que a inovação destrói empregos em vez de criar prosperidade; que o crescimento é uma obsessão de economistas, indiferente à vida real das pessoas. Cada uma destas ideias é compreensível. E cada uma delas está errada de uma forma que custa caro ao país — porque são estas crenças, repetidas e nunca examinadas, que sustentam as políticas que nos mantêm a estagnar.

Por isso resolvi parar de discutir os sintomas e ir à raiz. Este ensaio é uma tentativa de explicar, com rigor mas em linguagem clara, as principais ideias que dois séculos e meio de pensamento económico — culminando no Prémio Nobel de 2025 — produziram sobre o crescimento: de onde vem a prosperidade, porque é que quase não existiu durante quase toda a história, e o que é preciso para a criar e sustentar. E, no fim, o que tudo isto implica para Portugal.

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