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segunda-feira, 15 de junho de 2026

A Prova Nacional Docente é um avanço. Mas avaliar sem reformar a formação é remediar sem tratar a causa.


 O ESTADÃO publicou nesta semana um editorial contundente: a formação docente no Brasil está na UTI. Os dados da Prova Nacional Docente apontam que mais de 1/3 dos 760 mil participantes não atingiu o nível mínimo de proficiência. Em Matemática, mais da metade ficou abaixo do básico. Os números são graves. Mas antes de tomarmos decisões na velocidade do alarme, precisamos fazer as perguntas certas.


A questão aqui não é quantos professores estamos formando. É como estamos formando.

Em 2023, de acordo com o Censo da Educação Superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - Inep, o Brasil formou mais de 230 mil concluintes em cursos de licenciatura. No mesmo período, as estimativas de reposição da força de trabalho docente indicam uma necessidade anual próxima de 85 mil professores, segundo levantamento do Profissão Docente. O desafio, portanto, não é de escassez numérica: é de qualidade, perfil e alocação estratégica para suprir a demanda.

O foco deveria estar menos na expansão indiscriminada de vagas e mais na qualidade da formação, nos mecanismos de seleção e na construção de trajetórias que aproximem os melhores candidatos das salas de aula.

A demanda por professores não é uniforme. O que falta não é um número maior de licenciados, mas profissionais com a formação adequada nos lugares e áreas em que eles são mais necessários. Há redes que enfrentam dificuldades persistentes para contratar professores de Matemática, Ciências ou Língua Inglesa, enquanto outras áreas registram oferta abundante de egressos.

A qualidade da formação inicial importa mais do que nunca. Um professor com formação frágil nem se beneficia plenamente da formação continuada que as redes oferecem; ele chega com lacunas que limitam seu desenvolvimento. A expansão desordenada do EAD agravou isso. Assistir a um conteúdo gravado e entrar numa sala de aula são experiências completamente diferentes. Entre estudantes de licenciatura na modalidade a distância com nota no Enem, mais da metade está na faixa inferior de desempenho (Fonte: Todos Pela Educação).

Justamente por isso, é preciso evitar dois erros simultâneos: minimizar a gravidade do problema e desconsiderar a importância dos professores. Valorizar a docência começa por garantir uma formação inicial sólida, capaz de preparar profissionais para os desafios reais da sala de aula.

A Prova Nacional Docente é um avanço. Mas avaliar sem reformar a formação é remediar sem tratar a causa.

O problema docente no Brasil precisa ser tratado com estratégia, não com alarmismo que leva a decisões simplistas para um problema genuinamente complexo.

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