SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
A ESCOLA QUE NÃO SEGURA QUEM MAIS PRECISA
A ESCOLA QUE NÃO SEGURA QUEM MAIS PRECISA
11,9 milhões de jovens brasileiros vivem na pobreza.
O dado vem do estudo Juventudes Brasileiras Minorizadas, lançado em maio de 2026.
Ele não surpreende quem trabalha em sala de aula.
Incomoda porque tem rosto e cor.
Entre os jovens em extrema pobreza, 74,9% são negros.
Mulheres negras formam 40% da juventude pobre do país.
Quando a exclusão recai sempre sobre os mesmos corpos, ela deixa de ser acaso.
Vira método.
A pesquisa separa treze perfis de juventudes.
Indígenas, quilombolas, jovens do campo, mães adolescentes, pessoas com deficiência.
São grupos que a média nacional costuma diluir.
O acerto do trabalho está em olhar cada trajetória de perto.
Os números educacionais doem.
O país tem 7,9 milhões de jovens fora da escola sem concluir a educação básica.
Sete em cada dez são negros.
No campo, um terço larga antes do fim.
A escola, que deveria proteger, abandona quem chega com menos.
Aqui mora a questão que interessa a quem forma professores.
A evasão quase nunca é escolha do estudante.
É efeito de uma soma.
Falta de internet, transporte longo, trabalho precoce, fome.
A escola recebe esse jovem exausto e responde com a aula de sempre.
Falar em inclusão sem tocar nessa engrenagem é decoração.
Matricular não basta.
É preciso garantir permanência e aprendizagem reais.
Isso exige professor preparado para ler desigualdade, não para fingir que ela não está ali.
A formação docente entra como peça central.
Um professor que compreende raça, território e renda enxerga o aluno inteiro.
Sozinho, porém, sem política pública por trás, ele vira bombeiro do incêndio que o próprio Estado ateou.
O estudo escuta os jovens, e nisso reside sua força.
Natália Araújo, mãe aos dezoito, trabalhou em três lugares durante a gravidez.
Ela lembra que tratar isso como normal já é parte do problema.
A naturalização da dor é o primeiro silêncio.
Fica a pergunta de sempre.
Vamos usar esses dados ou apenas citá-los?
Pesquisa que não vira política pública envelhece na prateleira.
O Brasil conhece bem suas feridas.
Falta coragem para fechá-las.
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