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sexta-feira, 12 de junho de 2026

22 de maio de 2011. Liverpool, Inglaterra.


 22 de maio de 2011. Liverpool, Inglaterra.

Carlo Ancelotti acabou de dar a entrevista coletiva. O Chelsea tinha perdido para o Everton em Goodison Park.

No corredor do estádio, o CEO do clube se aproximou e disse uma frase. Ancelotti estava demitido.

Um ano antes, ele havia entregado ao Chelsea o primeiro título inglês do clube em 55 anos. E a FA Cup no mesmo ano.

Recebeu seis milhões de libras de rescisão.

Quatro anos depois, em 2015, foi demitido pelo Real Madrid.

Tinha entregado a Décima - a décima Champions League do clube, perseguida durante 12 anos.

Quando perguntaram ao presidente Florentino Pérez por que demitia o homem que entregou a Décima, ele respondeu: "Hmm, não sei."

Em 2017, o Bayern de Munique o demitiu no meio da temporada. Primeira vez em 22 anos de carreira.

Cada um desses clubes pensou que estava fazendo a coisa óbvia. Pagaram caro por isso.

Em 2024, Ancelotti virou o primeiro técnico da história a vencer cinco Champions League.

O único a ganhar títulos nas cinco maiores ligas da Europa.

O único a comandar 200 jogos da Champions. O único técnico vivo a chegar em semifinais da competição em quatro décadas diferentes.

Em maio de 2025, virou o técnico mais bem pago do futebol mundial: assumiu o comando do Brasil para a Copa de 2026.

Aos 66 anos, depois de 31 títulos em sete clubes, vai disputar seu primeiro Mundial como treinador principal.

Cristiano Ronaldo, em 2015, escreveu sobre ele: "Quando aprendi com ele, ganhei muitos troféus. Espero trabalhar com ele de novo um dia."

Zlatan Ibrahimovic disse algo parecido. Sergio Ramos também. Toni Kroos. Luka Modric.

A lição não é sobre futebol.

É sobre a distância entre vencer e ser percebido como vencedor.

Quem é demitido depois de ganhar não perdeu. Está apenas em outro mercado.

Quem demite depois da vitória não está exigindo mais. Está confessando que não sabe o que tem.

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