SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
terça-feira, 9 de junho de 2026
ESCOLHA PEDAGÓGICA OU DEMANDA CLÍNICA?
ESCOLHA PEDAGÓGICA OU DEMANDA CLÍNICA?
Escola não é espaço terapêutico.
Escola é instituição de ensino e professor não exerce função de saúde.
Em tempos de crescente judicialização da educação e de diagnósticos cada vez mais precoces, essa realidade trata-se de um apelo em defesa da própria identidade da instituição escolar.
Nas últimas décadas, a legítima e necessária universalização da Educação, trouxe para o chão da escola regular uma rica diversidade de estudantes.
Contudo, essa transformação veio acompanhada de um fenômeno colateral complexo, a expectativa equivocada de que a escola deva assumir o papel de clínica e que o docente atue como um terapeuta de plantão.
Essa distorção desvirtua a essência do fazer pedagógico.
O compromisso legal do professor de sala comum e do especialista em AEE ancora-se na eliminação de barreiras, sejam elas arquitetônicas, atitudinais ou curriculares.
O foco do planejamento educacional, consubstanciado no Plano de Ensino Individualizado (PEI), deve ser estritamente a acessibilidade ao conhecimento, a apropriação do saber sistematizado e o desenvolvimento da autonomia cognitiva e social do estudante.
Intervenções de reabilitação, psicoterapia, fonoaudiologia ou treinos comportamentais estritos pertencem ao campo da saúde e demandam profissionais habilitados em seus respectivos espaços de atuação.
Essa necessária separação de papéis, contudo, não deve ser interpretada como um chamado ao isolamento ou à negação do sujeito em sua totalidade.
Uma análise fundamentada na complexidade nos mostra que os saberes não se anulam, mas se complementam.
Diante disso, o grande desafio contemporâneo reside na construção de uma verdadeira intersetorialidade.
A escola não precisa, e não deve, ser um espaço terapêutico, mas precisa ser um espaço que dialoga com a rede de saúde e assistência.
O desafio é garantir que as estratégias de comunicação e acessibilidade caminhem em sinergia, sem que o discurso pedagógico seja eclipsado por um viés puramente médico ou tutelar.
Ao delimitarmos com clareza as fronteiras entre o clínico e o pedagógico, não estamos excluindo o aluno; pelo contrário, estamos protegendo o seu direito de ser estudante.
É quando a escola reassume sua identidade de centro de ensino, e o professor o seu papel de mediador do conhecimento, que a inclusão deixa de ser um arranjo assistencialista e se consolida como um ato efetivamente educativo.
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