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sábado, 13 de junho de 2026

O adoecimento do professor e o sofrimento do aluno são fios do mesmo tecido.


 ESCOLA EM CRISE


O ambiente que historicamente foi desenhado para ser o berço do desenvolvimento humano, enfrenta uma de suas crises mais silenciosas e profundas.

Longe de ser apenas um espaço de aprendizagem, a escola contemporânea tem se transformado, paradoxalmente, em um vetor de sofrimento psíquico.

É o que revelam os dados contundentes da pesquisa "Saúde Mental na Educação Básica", realizada pelo Instituto Educbank e divulgada pelo portal Porvir.

O levantamento, que ouviu mais de 18 mil pessoas entre o final de 2024 e o primeiro semestre de 2025, acende um sinal de alerta que não pode mais ser negligenciado pelas políticas públicas nem pela gestão pedagógica, ou seja, 75% dos educadores e 64% dos estudantes afirmam categoricamente que o ambiente escolar prejudica sua saúde mental.

Quando três em cada quatro professores e mais da metade dos alunos adoecem no mesmo ecossistema, o problema deixa de ser uma vulnerabilidade individual e passa a ser um diagnóstico estrutural de uma engrenagem que faliu em sua missão mais elementar, o de promover o pertencimento.

Entre os sintomas e sinais mais citados pelos respondentes figuram a ansiedade, o cansaço constante, o isolamento, a sobrecarga emocional, o bullying e a chamada "exclusão silenciosa".

Esta última merece atenção especial, pois, diferente da agressão física ou do confronto verbal direto, a exclusão silenciosa opera nas margens da invisibilidade.

É o aluno que se isola na última fileira, é o docente que engole o esgotamento em nome do cumprimento de metas burocráticas, é a indiferença institucionalizada travestida de normalidade.

Como bem resume a chamada da publicação, trata-se de um silêncio que adoece e coloca a saúde mental coletiva em risco nas escolas.

O adoecimento do professor e o sofrimento do aluno são fios do mesmo tecido.

Não há qualidade de ensino possível quando o corpo docente atua sob o peso do esgotamento, assim como não há aprendizagem real quando o estudante frequenta a sala de aula tomado pela linha de montagem de uma cobrança massificante e homogeneizadora.

Romper com essa lógica do adoecimento exige mais do que paliativos; exige repensar de forma integral a arquitetura pedagógica e relacional da instituição.

Ambientes rígidos, padronizados e estritamente punitivos geram exclusão e adoecimento, enquanto espaços flexíveis e pluralistas geram saúde e acolhimento.

A eficácia de legislações nacionais, como a Lei nº 13.935/2019, que prevê a inserção de profissionais de psicologia e serviço social nas redes básicas de ensino, precisa deixar de ser uma meta para se tornar uma realidade intersetorial viva.

Cuidar de quem educa e de quem aprende é um dever político e pedagógico incontornável.

Enquanto insistirmos em priorizar índices de produtividade em detrimento da ecologia humana que habita as salas de aula, continuaremos a alimentar um silêncio que, longe de pacificar, destrói o futuro da educação.

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