SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Talvez a função mais importante da estabilidade não seja proteger a produtividade. É proteger a liberdade de correr riscos.


 Uma das críticas mais comuns à estabilidade acadêmica é que ela reduz os incentivos para atuar.


A lógica parece simples: uma vez que a segurança no emprego seja garantida, a produtividade deve cair.

Mas o que os dados realmente dizem?

Analisamos as trajetórias de pesquisa de mais de 12.000 professores em 15 disciplinas, acompanhando suas publicações, impacto e direções de pesquisa antes e depois da estabilidade.

As taxas de publicação aumentam bastante durante os anos de tenure-track e normalmente atingem o pico pouco antes da tenure. Mas depois da estabilidade, a história fica mais complicada. Em muitas áreas de laboratório, a produtividade permanece notavelmente alta — em alguns casos, até aumenta. (Em matemática, sociologia e alguns outros campos, tende a declinar.)

Mas o que muda mais drasticamente é para onde os pesquisadores direcionam sua atenção. Após a estabilidade, os professores passam a ser mais propensos a seguir novos temas e ideias que são mais inovadores em relação à literatura existente.

Existe uma troca. Esses novos projetos têm menos chance de produzir artigos altamente citados — a taxa de sucesso diminui mesmo com o aumento da novidade.

Quando os sistemas de avaliação recompensam o sucesso previsível, os pesquisadores têm fortes incentivos para permanecer próximos aos caminhos estabelecidos. A estabilidade cria um ambiente raro onde alguns cientistas podem se dar ao luxo de buscar questões com resultados incertos, mesmo que essa exploração muitas vezes pareça menos bem-sucedida no curto prazo.

Talvez a função mais importante da estabilidade não seja proteger a produtividade.
É proteger a liberdade de correr riscos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário