SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
sábado, 6 de junho de 2026
Brasil, Noruega e Holanda estão conduzindo um estudo conjunto de viabilidade técnica e econômica para estabelecer o primeiro corredor verde de navegação do Atlântico Sul,.
Brasil, Noruega e Holanda estão conduzindo um estudo conjunto de viabilidade técnica e econômica para estabelecer o primeiro corredor verde de navegação do Atlântico Sul, com o objetivo de descarbonizar o transporte marítimo de alto mar entre a Europa e o Brasil. Conduzida pela consultoria norueguesa DNV, a nova avaliação segue uma cooperação de um ano iniciada em 2025 entre Noruega, Holanda e Brasil. O estudo apresenta três rotas prioritárias utilizando alternativas de combustível net-zero, como biodiesel (FAME), amônia verde e metanol verde.
As rotas principais visam conectar o Porto de Vila do Conde (PA) brasileiro a Karmøy, na Noruega, e os portos de Santos (SP) e Pecém (CE) ao Porto de Roterdã. Atualmente, operar embarcações com emissão zero representa um desafio financeiro significativo, com preços entre 43% e 109% mais caros do que o transporte convencional de combustíveis fósseis. O biodiesel oferece a vantagem operacional mais imediata porque funciona nos motores de navios existentes sem modificações custosas, embora as próximas penalidades de carbono da Organização Marítima Internacional (IMO) possam reduzir drasticamente a diferença de custos entre combustíveis verdes e fósseis até 2040.
Para tornar os corredores verdes de navegação viáveis, Brasil, Noruega e Holanda estão unindo suas respectivas forças: a rede de energia renovável do Brasil, a tecnologia marítima avançada da Noruega e a infraestrutura logística de classe mundial dos Países Baixos. No entanto, permanece um grande obstáculo estrutural, já que a maioria dos navios a granel opera com contratos de curto prazo de "mercado à vista" em vez dos acordos de longo prazo necessários para justificar grandes investimentos em modernizações de frotas. Segundo Tetsu Koike, diretor do Departamento de Políticas Setoriais, Planejamento e Inovação do Ministério dos Portos e Aeroportos do Brasil, o principal desafio para o corredor verde é a coordenação das partes interessadas, e não o financiamento, embora a legislação sobre combustíveis marinhos sustentáveis ainda esteja pendente. Para resolver isso, Brasil, Noruega e Holanda lançarão uma chamada conjunta de P&D de €76 milhões em 2026, em parceria com a Agência Brasileira de Inovação (FINEP) para financiar combustíveis ecológicos e pesquisas tecnológicas.
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