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sábado, 6 de junho de 2026

Mas a capacidade de alimentar o planeta pode ser um dos ativos mais valiosos do século XXI.


 Sobra Petróleo. Falta Comida. E o mundo já percebeu isso.

Enquanto muitos países do Oriente Médio construíram sua riqueza sobre o petróleo, eles também carregam uma vulnerabilidade estratégica: a dependência da importação de alimentos.

Por isso, não deveria surpreender ninguém que grupos dos Emirados Árabes estejam investindo em infraestrutura logística no Brasil.

A aquisição da CLI pela Abu Dhabi Ports, em uma operação de aproximadamente R$ 4,2 bilhões, não representa apenas a compra de terminais portuários em Santos (SP) e Itaqui (MA). Ela sinaliza algo muito maior: a busca por segurança alimentar em um mundo cada vez mais instável.

O Brasil movimentou 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, um recorde histórico, crescimento de 6,1% em relação ao ano anterior. Em apenas 15 anos, a movimentação portuária nacional cresceu 67%.

Mais relevante ainda é observar que a iniciativa privada respondeu por cerca de dois terços dessa movimentação, demonstrando sua importância na expansão da capacidade logística brasileira.

Outro fenômeno transformador é o avanço do Arco Norte. Portos como Itaqui vêm ganhando protagonismo no escoamento da produção agrícola brasileira, aproximando os grãos dos mercados internacionais e reduzindo distâncias logísticas.

Mas existe um desafio que continua limitando nosso potencial.
O gargalo brasileiro raramente está dentro dos portos.

Ele está antes.
Está nas rodovias congestionadas ou degradadas.

Está nas ferrovias insuficientes.

Está na burocracia que aumenta custos e reduz competitividade.

A carga muitas vezes perde eficiência antes mesmo de chegar ao navio.

E é exatamente por isso que o Porto de Santos continua sendo tão estratégico. Quando Santos enfrenta dificuldades operacionais, grande parte do comércio exterior brasileiro sente os efeitos quase imediatamente.

A leitura geopolítica é simples:

Quem não produz comida em quantidade suficiente procura garantir acesso aos corredores logísticos de quem produz.

O Brasil possui terras férteis, água, energia, tecnologia tropical, capacidade produtiva e uma das maiores fronteiras agrícolas do planeta.

O mundo já entendeu o valor estratégico desses ativos.

A questão é:
Estamos aproveitando todo esse potencial ou ainda estamos deixando bilhões de reais sobre a mesa por falta de infraestrutura, planejamento e visão de longo prazo?

O petróleo continuará importante por muitas décadas.

Mas a capacidade de alimentar o planeta pode ser um dos ativos mais valiosos do século XXI.

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