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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Cartografia é poder.



Cartografia é poder. O deslocamento da visão tradicional para outra, não comum, gera estranheza quando se olha para um mapa, especialmente o mapa-múndi.


A decisão gráfica, imagética, potencializa ou silencia a posição de poder. O mapa-múndi que crescemos vendo em livros e em outros meios de comunicação coloca a Europa no centro e dá destaque aos países do hemisfério norte. Parece uma visualização inofensiva, mas é a simbologia da construção de poder na consciência das pessoas.

Por isso, quando surge um mapa-múndi ou outro mapa de regiões com um foco diferente, cria-se um barulho danado, fruto de quem não aprendeu sobre cartografia ou aprendeu sobre a parte gráfica, mas não conseguiu entender a questão simbólica da representatividade.

Todo mapa é representação e toda representação é um viés, seja ele econômico, cultural, social, político ou religioso (para ficar só nesses). Não há mapa de ponta cabeça, há uma escolha sobre que perspectiva gráfica usar.

A terra segue no espaço, dá voltas em torno do Sol, não tem em cima ou embaixo, essas são referências humanas criadas a partir da idealização de que o hemisfério norte fica em cima e o hemisfério sul fica embaixo. Convenção apenas, que quando criadas tinham o objetivo de facilitar navegações e outras formas de localização.

Um mapa com o Brasil ao centro e que foge à visão habitual não está errado, segue as regras rígidas da cartografia, destaca perspectivas e silencia outras. Sim, há silêncios nos mapas. O que não há é polêmica por conta de perspectiva; essa só existe em quem, repito, não aprendeu cartografia corretamente.

Lá nos anos 1990 um atlas dos Estados Unidos distribuído por um grande jornal já trazia perspectivas bem diferentes do mapa-múndi e de regiões do planeta. Olhares nada convencionais. Em "Un atlas mondialet de-occidentalisé", Christian Grataloup também faz isso, em 2014, para ficar só nesses exemplos.

Isso nos leva à frase inicial do post, de que cartografia é poder. Esse poder é exercido a partir do discurso que é propagado pela perspectiva adotada para se produzir mapas.

Sugiro a leitura de dois artigos, que indico nos comentários, e que vão ajudar você a ampliar o seu olhar sobre cartografia.

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