SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

domingo, 24 de maio de 2026

Talvez, sem perceber, uma das práticas mais brasileiras do cotidiano tenha raízes muito mais indígenas do que europeias.


 O brasileiro toma, em média, dois banhos por dia.

Segundo levantamento da consultoria Kantar, cerca de 68% da população brasileira mantém uma média próxima de 14 banhos por semana. Nenhum grande país do mundo chega perto desse número.

Mas o mais interessante não é a quantidade.
É a origem cultural desse hábito.

Muita gente imagina que a
hashtagculturadahigiene veio da Europa.
Não veio.

Quando os portugueses chegaram ao Brasil em 1500, os povos originários já mantinham hábitos de higiene corporal muito mais avançados do que grande parte da Europa da época.

Na famosa carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, os indígenas foram descritos como pessoas limpas, fortes e saudáveis. O banho de rio fazia parte da rotina diária de diversas etnias indígenas muito antes da formação do Brasil.

Enquanto isso, na Europa dos séculos XV e XVI, o banho era frequentemente evitado. Muitos médicos acreditavam que a água quente “abria os poros” e facilitava doenças. Em várias cortes europeias, especialmente após o Renascimento, o perfume passou a substituir o banho regular.

Catarina de Médici ajudou a popularizar perfumes e essências na França, consolidando uma cultura de mascarar odores em vez de higienizar o corpo com frequência.

Do outro lado do Atlântico, povos indígenas brasileiros já mantinham práticas de banho diário, cuidados com os cabelos, higiene corporal e hábitos que impressionaram os europeus recém-chegados.

Com o tempo, os colonizadores acabaram absorvendo parte desses costumes.

O brasileiro não toma dois banhos por dia apenas por causa do clima tropical.

Existe uma hashtagherançacultural profunda dos povos originários nessa relação com a água, com o corpo e com a hashtaghigiene.

Talvez, sem perceber, uma das práticas mais brasileiras do cotidiano tenha raízes muito mais indígenas do que europeias.

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