Li com muito interesse a obra "Nature-Based Solutions for Cities", editada por Timon McPhearson, Nadja Kabisch e Niki Frantzeskaki e publicada em 2023 em acesso aberto. Trata-se de uma publicação particularmente relevante para quem pensa cidades, território, sustentabilidade e políticas públicas a partir de uma perspetiva verdadeiramente integrada.
Num mundo em que a urbanização continua a concentrar população, riscos climáticos, pressões ambientais e vulnerabilidades sociais, as nature-based solutions surgem como uma forma exigente de reintroduzir natureza, resiliência e qualidade de vida no centro da governação urbana.
O livro recorda-nos, aliás, que já vivemos plenamente no “século urbano” e que se espera que cerca de dois terços da população mundial vivam em cidades até 2050.
Parece-me especialmente importante a ideia, transversal ao livro, de que as soluções baseadas na natureza não devem ser vistas como complemento ornamental das cidades, mas como infraestrutura crítica para enfrentar calor extremo, poluição, risco de inundação, degradação ecológica e fragilidade social.
Em muitos casos, pensar o futuro das cidades exige justamente isto: devolver centralidade à natureza, não como nostalgia, mas como inteligência territorial, capacidade adaptativa e condição de habitabilidade.
EN
I read with great interest "Nature-Based Solutions for Cities", edited by Timon McPhearson, Nadja Kabisch, and Niki Frantzeskaki and published in 2023 as an open-access volume. It is a particularly relevant work for anyone thinking about cities, territory, sustainability, and public policy through a genuinely integrated lens.
In a world where urbanisation continues to concentrate population, climate risks, environmental pressures, and social vulnerabilities, nature-based solutions emerge as a demanding way of bringing nature, resilience, and quality of life back to the centre of urban governance.
The book also reminds us that we are fully living in the “urban century”, with around two-thirds of the world’s population expected to live in cities by 2050.
What seems particularly important to me is the book’s broader message: nature-based solutions should not be seen as an ornamental complement to cities, but as critical infrastructure for addressing extreme heat, pollution, flood risk, ecological degradation, and social fragility.
In many respects, thinking seriously about the future of cities requires exactly this: restoring centrality to nature, not as nostalgia, but as territorial intelligence, adaptive capacity, and a condition for urban habitability.
Universidade de Évora
UMPP - Unidade de Monitorização de Políticas Públicas | Public Policy Monitoring Unit, Portugal
Centro de Investigação em Ciência Política
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