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domingo, 24 de maio de 2026

E acabou criando um dos queijos mais conhecidos do país.


 1990. Vacaria, Rio Grande do Sul.


Raul Anselmo Randon já era conhecido pelas carretas e semirreboques.

Mas uma conversa mudou completamente o rumo de outro negócio da família.

Um amigo italiano contou detalhes sobre o Grana Padano.

O queijo duro, maturado e tradicional do norte da Itália.

Raul ficou obcecado com uma pergunta:

será que dava para produzir algo parecido no Brasil?

O problema era o leite.

Para fabricar um queijo tipo grana no padrão desejado, a matéria-prima precisava atingir um nível extremamente alto de qualidade e consistência.

Foi aí que começou uma operação improvável.

Raul viajou até Ohio, nos Estados Unidos.

Comprou 140 vacas prenhas.

E trouxe os animais ao Brasil em aviões cargueiros.

A aposta parecia distante do universo da Randon.

Mas virou um novo braço de negócios da família.

Nascia a RAR Agroindústria.

E depois dela, a Gran Formaggio.

O queijo foi lançado oficialmente em 1998.

E rapidamente ganhou fama como o primeiro queijo tipo grana produzido fora da Itália.

A empresa construiu uma operação integrada em Vacaria.

Produção de leite.

Melhoramento genético.

Nutrição animal.

Maturação dos queijos.

Tudo controlado internamente.

Décadas depois, a RAR virou a maior produtora individual de leite do Rio Grande do Sul.

E também um dos nomes mais relevantes do mercado premium de queijos no Brasil.

O mais curioso é que a origem de tudo não veio da gastronomia.

Veio da indústria pesada.

A mesma família que ajudou a movimentar cargas pelas estradas brasileiras resolveu tentar mover um pedaço da tradição italiana para dentro da Serra Gaúcha.

Uma empresa conhecida por caminhões decidiu investir em leite.

E acabou criando um dos queijos mais conhecidos do país.

Alguns negócios nascem de planilhas.

Outros começam quando alguém escuta uma história e decide testar o impossível.

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