Cientistas descobriram que o Autismo (TEA), o TDAH e a Anorexia Nervosa compartilham um padrão de alteração na microbiota intestinal que é notavelmente similar. 🧬🔬 Este achado sugere que o intestino, muitas vezes considerado um órgão secundário, pode ter um papel central e até então subestimado na manifestação de sintomas neurológicos, comportamentais e metabólicos associados a esses transtornos.
O estudo em questão, de grande relevância para a comunidade científica, envolveu a análise detalhada de amostras fecais de 117 crianças diagnosticadas com um dos transtornos mencionados, comparando-as com as de 52 crianças sem esses diagnósticos. Os resultados foram consistentes e revelaram um perfil microbiano alterado nos grupos com transtornos. Entre as descobertas mais significativas, destacam-se uma relação elevada de Bacteroidetes/Firmicutes, um indicador de disbiose, e uma notável redução na diversidade microbiana, um sinal de um ecossistema intestinal menos saudável. Além disso, foram observadas alterações recorrentes em gêneros bacterianos como Faecalibacterium, Bifidobacterium e Escherichia–Shigella, que são conhecidos por sua influência na saúde gastrointestinal e na comunicação com o cérebro.
Este padrão de desequilíbrio microbiano compartilhado é um forte indício de que a microbiota intestinal pode desempenhar uma função mais proeminente do que se pensava na etiologia e na progressão dos sintomas neurológicos, comportamentais e metabólicos. A complexa rede de comunicação entre o intestino e o cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro, envolve a produção de neurotransmissores, a modulação da resposta imune e a manutenção da integridade da barreira intestinal. Disfunções nesse eixo podem ter implicações profundas para a saúde cerebral e o comportamento.
Embora a pesquisa ainda não tenha estabelecido se as alterações na microbiota são a causa ou a consequência desses transtornos, a descoberta abre um campo de investigação inteiramente novo e promissor. A possibilidade de que condições tão distintas possam ter um elo comum no microbioma intestinal oferece novas perspectivas para o desenvolvimento de abordagens diagnósticas e terapêuticas mais eficazes e integradas. Este é um passo crucial para desvendar a complexidade desses transtornos e, potencialmente, melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas afetadas.
A revelação de que o intestino pode ser um fator unificador para esses transtornos representa uma mudança significativa na forma como a ciência os aborda. Este achado inesperado conecta condições que, até agora, eram frequentemente estudadas de forma isolada, pavimentando o caminho para intervenções que considerem a saúde intestinal como um pilar fundamental.
Fonte: Soltysova M. et al. Gut Microbiota Differences in Children and Adolescents with Autism, ADHD and Anorexia Nervosa… Neuroscience (2025). DOI: 10.1016/j.neuroscience.2025.08.020; MDPI – Children 2025; 12(11):1561; ScienceAlert.
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