Você já deve ter ouvido que “o amor cura”. Hoje, a ciência mostra que essa frase tem fundamento biológico real, não como milagre, mas como influência direta no funcionamento do corpo.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia publicaram na Nature Neuroscience um estudo mostrando que a solidão ativa genes ligados à inflamação e enfraquece genes responsáveis pela defesa antiviral do organismo. Em contrapartida, vínculos afetivos saudáveis reduzem essa ativação inflamatória, favorecendo a proteção do corpo.
Outro trabalho publicado na revista Psychosomatic Medicine demonstrou que o apoio social e emocional influencia diretamente a expressão dos genes ligados ao sistema imunológico, através de mecanismos da epigenética, ou seja, o ambiente emocional é capaz de “ligar ou desligar” certos comportamentos genéticos, mesmo sem alterar o DNA.
Além disso, estudos em Biological Psychology confirmaram que o afeto ativa a liberação de ocitocina, conhecida como o hormônio do vínculo. Essa substância reduz o cortisol (hormônio do estresse), diminui processos inflamatórios, protege o coração e melhora a resposta do sistema imunológico.
Uma das pesquisas mais impressionantes sobre o tema foi uma mega análise publicada na PLOS Medicine, que acompanhou mais de 300 mil pessoas. O resultado foi direto:
pessoas com bons vínculos sociais vivem mais
a solidão crônica aumenta significativamente o risco de mortalidade.
Ou seja:
O amor não cura doenças por mágica,
mas cria um ambiente biológico favorável para o corpo se proteger, se reparar e se recuperar com mais eficiência.
Cuidar das emoções, das relações e do vínculo humano também é uma forma real de cuidar da saúde.
📚 FONTES
DOI: 10.1038/nn.2128 – Nature Neuroscience
Cole et al. – Solidão, inflamação e expressão genética
DOI: 10.1097/PSY.0b013e31815ce8e1 – Psychosomatic Medicine
Regulação social da expressão genética
DOI: 10.1016/j.biopsycho.2011.01.011 – Biological Psychology
Ocitocina, estresse e inflamação
DOI: 10.1371/journal.pmed.1000316 – PLOS Medicine
Meta-análise sobre relações sociais e mortalidade
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