De um lado, J. J Lampião (o espírito de revolta do cangaço) montam suas hostes com os que sempre foram carne de canhão da história: os pobres, os que ganham menos de cinco mil por mês, os que sonham com o fim da escala 6x1 para ter um sopro de vida, os Sem Terra e os Sem Teto que ocupam latifúndios e calçadas, e os que morrem nas estatísticas da violência e da desigualdade. Seu quartel-general é nas ruas, nos acampamentos, o chão de fábrica, Escolas, Universidades e os becos da periferia.
Do outro lado, organiza-se o exército bolsonarista sob o comando simbólico de Léo Miguel Trump – herdeiro das fake news e das tarifas brutais. Suas tropas são variegadas e barulhentas: os zambelis do ativismo digital, os malucos que tentaram o golpe com fogos de artifício e planos de papel, os que se pregaram no vidro do caminhão – em direção ao hospício de Narcisistas – mensagens de ódio e terra arrasada. A essa legião somam-se os ladrões do Master, que desviaram milhões enquanto pregavam moral, e os disseminadores do PIX como arma política, numa tentativa de criar caos financeiro e sabotar a economia popular.
Trump, lá de suas trincheiras americanas, já ensaiou o golpe contra a própria democracia dos EUA em 6 de janeiro, e contra o mundo com sua política de tarifação abusiva. Tentou enfraquecer o Brasil com ataques ao PIX e à soberania do Real, numa pirataria financeira que lembra os cercos econômicos do período colonial. Como se fôssemos ainda colônia a ser achacada.
Mas a história tem destas ironias: enquanto os golpistas digitam frenéticos, o exército de Lula cresce em São Paulo, nas periferias que aprenderam a se organizar; no Rio, onde o mito do herói solitário caiu diante da luta coletiva; em Minas, berço de tantas conspirações que agora se rende à pão e justiça social; no Rio Grande do Sul, onde a tradição farroupilha se renova na luta por dignidade; e em Santa Catarina, que vê na memória das guerras do contestado a alma de um povo que não aceita mais coronelismo digital se soma a maioria do povo nordestino.
E, como na madrugada de 1822, quando o grito silenciou os lusitanos, a vitória não virá de um só homem – mas da multidão que ocupa as ruas com fome de futuro. E essa multidão, cansada de cloroquina, fake news e arroubos golpistas, vence. Pela força dos que vivem, não dos que ameaçam viver. Pela democracia que respira, não pela que se posta com tanques de mentira. No fim, a independência de verdade é sempre dos que plantam, não dos que queimam a colheita.
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