O excelente artigo de Ana Paula Vescovi na Folha de S.Paulo de hoje me faz refletir sobre um tema que há muito me inquieta: o Brasil não tem um projeto de futuro.
Não falo de planos de governo que mudam a cada eleição. Falo de uma visão estratégica nacional e integrada — aquela que orienta décadas de decisões, independentemente de quem esteja no poder.
O problema raramente é a ausência de política pública — é a ausência de quem saiba executá-la dentro de uma direção compartilhada e de uma visão de futuro pactuada com a sociedade.
Nossas instituições públicas de melhor desempenho — e elas existem — atuam como ilhas de excelência. Nessa atuação fragmentada, sem bússola, cada instituição otimiza seu próprio desempenho. Ninguém otimiza o Brasil.
Isso não é acidente. O Brasil nunca construiu os mecanismos institucionais que tornam o planejamento de longo prazo possível. O debate político gira em torno de “quem” vai governar. Raramente discutimos “como” se governa e menos ainda para “onde”.
Enquanto cada instituição seguir jogando seu próprio jogo, sem uma visão integrada e pactuada de para onde o Brasil quer ir, vamos continuar produzindo ilhas de competência num arquipélago de ineficiência.
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