O adoecimento do professor não começa no corpo, começa no silêncio. Silêncio diante de salas superlotadas. Silêncio diante de metas irreais. Silêncio diante da desvalorização travestida de “vocação”. Por muito tempo, romantizou-se a ideia de que ensinar é um ato de amor, e é. Mas transformaram esse amor em obrigação de resistência infinita. Como se o professor precisasse suportar tudo: a sobrecarga, o desrespeito, a falta de estrutura… e ainda sorrir. O resultado? Uma geração de educadores exaustos, ansiosos, adoecidos. Não é sobre fraqueza. É sobre excesso. O professor de hoje não apenas ensina. Ele media conflitos, preenche relatórios intermináveis, adapta conteúdos, atende famílias, cumpre prazos, aprende novas tecnologias , muitas vezes sem formação adequada, e ainda precisa “engajar” alunos em um mundo que disputa atenção a cada segundo. E quando ele cansa? Vem a culpa. Culpa por não dar conta. Culpa por não conseguir inovar. Culpa por não ser o “professor inspirador” que os discursos idealizam. Mas aqui vai uma verdade incômoda: Não existe educação de qualidade com professores adoecidos. Valorizar a educação não é apenas investir em infraestrutura ou currículo. É, antes de tudo, cuidar de quem sustenta o processo: o professor.
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