Tenho conduzido alguns grupos focais para um cliente sobre a presença e progressão das mulheres em ambientes dominados por homens. Como parte dos grupos focais, temos falado sobre segurança psicológica. Isso me lembrou de um ótimo artigo de Michael Blanding da Harvard Business Review...
O que se destacou foi a frequência com que a segurança psicológica é tratada como algo opcional. Um "bom de ter". Algo que pode ser despriorizado quando a pressão aumenta, os orçamentos apertam ou o desempenho está sob escrutínio. Mas a pesquisa liderada por Amy Edmondson sugere o contrário. Segurança psicológica não é um luxo. É um recurso fundamental, especialmente quando as coisas estão difíceis.
O estudo descobriu que, quando as pessoas se sentem capazes de se manifestar sem medo de consequências negativas, têm significativamente menos probabilidade de se esgotar e de permanecer. E, crucialmente, não se trata apenas do momento. Se as pessoas têm um histórico de serem ouvidas, de levantar preocupações sem reação negativa, isso se torna um fator protetor quando a pressão aumenta. Em termos simples, as pessoas lidam melhor quando sabem que sua voz importa.
Agora, coloque isso no contexto das mulheres trabalhando em ambientes dominados por homens.
Nos grupos focais, um dos temas recorrentes não é a falta de capacidade ou ambição. É o cálculo. Quando falar. Como falar. Se vale a pena. Qual seria a consequência. Essa carga mental muitas vezes é invisível, mas é constante. E, com o tempo, contribui diretamente para o desengajamento, o esgotamento e as decisões de sair.
A pesquisa também destaca que a segurança psicológica tem um impacto ainda maior para grupos que historicamente são menos ouvidos, incluindo as mulheres. Isso não é surpreendente. Se você já está lidando com o fato de estar na minoria, a ausência de segurança não apenas silencia ideias, mas reforça quem sente que pertence e quem não pertence.
O que isso significa para as organizações é bastante direto.
Se você quer melhorar o progresso das mulheres, não se trata apenas de programas de liderança ou construção de confiança. É sobre o ambiente em que essas mulheres entram todos os dias. Perguntas são bem-vindas? Os desafios são bem recebidos? Erros são tratados como aprendizado ou como fracasso? Os líderes são abertos sobre não terem todas as respostas?
Porque quando a segurança psicológica é baixa, as mulheres não estão sem confiança. Eles estão tomando decisões racionais sobre risco.
E quando a segurança psicológica está alta, algo muda. As pessoas contribuem de forma mais aberta. Eles pedem apoio antes. Eles desafiam o pensamento. Eles ficam.
A lição é simples, mas não fácil. A segurança psicológica precisa ser construída de forma deliberada, consistente e muito antes de ser testada. Porque quando a pressão bate, você não atinge o nível das suas intenções. Você recorre à cultura que já criou.
E essa cultura determinará quem fala, quem permanece e, no fim das contas, quem progride.
Passamos tempo demais mudando "pessoas" para caber em um sistema que não as acolhe, é hora de "Perturbar o Sistema"!
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