
- Catherine Heathwood
- Serviço Mundial da BBC
- Tempo de leitura: 5 min
Depois de viajar pela maior distância já percorrida pelo ser humano, os astronautas da missão Artemis 2 tiveram sucesso em uma das partes mais arriscadas da jornada: o retorno à Terra.
A cápsula Orion pousou no oceano Pacífico, perto do litoral de San Diego, no Estado americano da Califórnia, por volta das 21 horas de Brasília desta sexta-feira (10/4).
"Na verdade, venho pensando na reentrada desde 3 de abril de 2023, quando fomos designados para esta missão", declarou recentemente do espaço o piloto da Artemis 2, Victor Glover.
"Ainda nem comecei a processar tudo o que aconteceu... e pilotar uma bola de fogo pela atmosfera é algo extremamente profundo."

O retorno, passo a passo
No seu último dia completo no espaço, a tripulação começou a se preparar para o retorno à Terra, estudando os procedimentos de reentrada e pouso. Eles também experimentaram suas roupas de compressão, que podem ajudar a evitar vertigens na volta à gravidade terrestre.

O módulo da tripulação e o módulo de serviço se separaram cerca de 20 minutos antes que a Orion atingisse a atmosfera superior da Terra.
A cápsula, então, se virou, para que seu escudo térmico pudesse suportar a maior parte das ardentes temperaturas geradas e manter os astronautas em segurança no seu interior.
A espaçonave precisava entrar na atmosfera em um ângulo muito específico. O professor Chris James, do Centro de Hipersônica da Universidade de Queensland, na Austrália, explica que existe uma margem de erro, mas é muito pequena — um grau para mais ou para menos.

'Começa a diversão'
O diretor de voo da Artemis 2, Rick Henfling, explicou durante uma entrevista coletiva na quarta-feira (8/4) que a Orion atingiria a interface de entrada a uma altitude de 122 km. "É ali que realmente começa a diversão", segundo ele.
À medida que a Orion se arremessou pela atmosfera, seu escudo térmico foi exposto a temperaturas de cerca de 2.700 °C, equivalentes à metade do calor da superfície do Sol.
Houve muita preocupação com o escudo térmico, pois ele foi seriamente danificado durante a primeira missão Artemis, não tripulada. Mas os engenheiros conseguiram resolver o problema, ajustando o ângulo de reentrada na atmosfera.

Logo após a reentrada, a cápsula perdeu completamente o contato com a Terra por seis minutos.
James explica que, durante a descida pela atmosfera, o aquecimento do ar causado pela espaçonave faz com que elétrons sejam arrancados dos átomos de oxigênio e nitrogênio, formando um plasma eletricamente carregado que bloqueia os sinais de rádio.
Reduzindo a velocidade
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A espaçonave entrou pela atmosfera da Terra a mais de 40 mil km/h. E, para reduzir a velocidade, a primeira etapa foi usar a própria atmosfera como freio.
A cápsula Orion é projetada para não ser aerodinâmica. Por isso, "ela atinge a atmosfera literalmente como um tijolo voador e usa essa força de arrasto da própria atmosfera para reduzir sua velocidade", afirma James.
Os veículos não tripulados podem entrar na atmosfera em cerca de um minuto, a uma força de cerca de 100 Gs. Mas ele explica que os seres humanos não conseguem sobreviver nessas condições.
Para que a tripulação possa suportar a descida, entrar em ângulo faz com que ela possa levar cinco minutos em vez de um, reduzindo a força G a que eles serão expostos.
Com a espaçonave em segurança, diversos paraquedas foram abertos em sequência para reduzir a sua velocidade.
Os paraquedas de desaceleração são projetados para estabilizar e reduzir a velocidade da espaçonave antes da abertura dos paraquedas principais. A queda no oceano ocorreu a 32 km/h.
Uma equipe de resgate aguardava os astronautas, perto do litoral da Califórnia.
Airbags laranja brilhantes se inflaram para ajudar a manter a cápsula na vertical, permitindo a saída da tripulação em segurança.

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