Ou: Como Camilo Santana, Mauro Benevides e Ferreira Gomes Transformaram o Governo Lula em Degrau para a Permanência no Poder
Prólogo: A República dos Currais
O Ceará sangra há quarenta anos.
Sangra em mortes evitáveis nas filas da saúde. Sangra em crianças fora da escola. Sangra em jovens entregues ao desemprego e ao tráfico. Sangra em idosos que tiveram suas aposentadorias roubadas enquanto a elite cearense festeja em resorts de luxo financiados com dinheiro público.
E enquanto o povo sangra, os mesmos sobrenomes se alternam no poder como se o Estado fosse uma capitania hereditária do século XVI. Ferreira Gomes. Santana. Benevides. Três famílias. Quarenta anos. Um único projeto: a perpetuação no poder a qualquer custo.
Agora, esses juniores oportunistas — herdeiros de uma tradição de traição que faria Maquiavel corar de vergonha — acabam de dar o golpe mais ousado de todos: usaram o Presidente Lula, sua legitimidade, seu orçamento bilionário e seus votos para se infiltrar no governo federal, ocupar cargos estratégicos, e na hora certa — quando a conta chegou — viraram as costas e foram festejar com a oposição.
Camilo Santana, o atual ministro da Educação, não sabia? Não sabia que Mauro Benevides foi assessor econômico de Ciro Gomes em várias campanhas? Não sabia que Mauro Benevides foi secretário da Fazenda de Cid Gomes? Não sabia que Fernanda Pacobahyba — a indicada de Benevides para a Fazenda do Ceará e depois para o FNDE — é peça-chave desse xadrez de interesses?
Claro que sabia.
Camilo Santana é herdeiro direto dessa tradição. Seu pai, Eudoro Santana, opera nos bastidores há décadas, na gestão Roberto Claudio e outras, tecendo alianças, costurando acordos, garantindo que a máquina nunca pare. A família Santana com irmão, mulher, parentes estão entranhada na oligarquia cearense como o carrapato na carne do boi. E agora, de dentro do Ministério da Educação — pasta que deveria formar cidadãos para uma democracia —, Camilo ajuda a perpetuar o sistema que inviabiliza qualquer possibilidade de mudança real.
Este artigo é um grito. Um protesto. Uma denúncia. E um convite: que o povo cearense — e o povo brasileiro — acorde para a verdade mais incômoda de todas: no Ceará, a democracia é uma fantasia. O que existe é uma máfia familiar que opera na situação e na oposição, com um único objetivo — continuar no poder.
Parte I: O Xadrez da Traição — Como a Oligarquia Cearense Infiltrou o Governo Lula
Mauro Benevides: O "Fazedor de Rainhas" da Política Cearense
Vamos aos fatos — aqueles que a imprensa cearense, acuada pelos coronéis da comunicação, insiste em não aprofundar.
Mauro Benevides Filho é deputado federal, vice-líder do Governo Lula na Câmara, e um dos articuladores mais poderosos do Ceará. Sua biografia oficial — aquela que ele apresenta em campanha — omite convenientemente os detalhes mais sórdidos de sua carreira.
O que a biografia oficial não diz: Mauro Benevides foi assessor econômico de Ciro Gomes em várias campanhas. Foi secretário da Fazenda de Cid Gomes — irmão de Ciro e desafeto declarado de Lula. Foi peça-chave na engrenagem dos Ferreira Gomes, a família que há décadas se reveza no governo do Ceará como se o estado fosse uma propriedade privada.
A pergunta que não quer calar é: como um assessor de Ciro Gomes — o mesmo Ciro que chamou Lula de "ladrão" e "bandido" durante a campanha de 2022 — se torna vice-líder do Governo Lula na Câmara?
A resposta é tão simples quanto nojenta: oportunismo. Puro e simples oportunismo.
Mauro Benevides não tem compromisso com Lula, com o PT, com o projeto político do governo federal, com o povo brasileiro. Mauro Benevides tem compromisso com uma única coisa: a perpetuação da oligarquia cearense no poder. E se para isso ele precisa se dizer "governista" hoje e "oposicionista" amanhã, ele o fará sem pestanejar.
Maquiavel, em "O Príncipe", dedicou capítulos inteiros à arte da traição. Escreveu o florentino: "Os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio" . Mas Maquiavel também advertiu: "O príncipe que confia em palavras de reconciliação sem ter os compromissos selados por laços de sangue ou interesses comuns está fadado à ruína" .
Lula confiou. E agora colhe os frutos da confiança depositada em quem nunca a mereceu.
Fernanda Pacobahyba: A Peça no Tabuleiro
Se Mauro Benevides é o articulador, Fernanda Pacobahyba é a peça que ele moveu no tabuleiro.
Primeiro, Benevides a indicou para Secretária da Fazenda do Ceará — cargo estratégico, que controla o dinheiro do estado. Depois, com o aval de Camilo Santana (então governador, hoje ministro), ela foi alçada à Presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) .
O FNDE não é um cargo qualquer. É uma das maiores máquinas de distribuição de recursos públicos do país. É por ali que passam bilhões de reais destinados à merenda escolar, ao livro didático, à infraestrutura das escolas públicas. É um balcão de negócios dos mais apetitosos para quem quer — como a oligarquia cearense — usar o dinheiro público como moeda de troca política.
E quem está no comando dessa máquina? Uma indicada da oligarquia. Uma peça do tabuleiro de Benevides. Uma pessoa cuja lealdade é à família Santana-Ferreira Gomes-Benevides, não ao projeto de governo de Lula.
O que acontece quando uma pessoa assim comanda o FNDE? A resposta é previsível: o dinheiro público vira instrumento de barganha política, vira bilhões em cadeiras com preços mais altos que que a concorrência. Emendas parlamentares são liberadas ou retidas conforme a conveniência eleitoral. Contratos são direcionados para empresas ligadas à oligarquia. A máquina pública é capturada por interesses privados.
É o patrimonialismo em estado puro. O mesmo que Raymundo Faoro descreveu em "Os Donos do Poder": a elite burocrática que transforma o Estado em propriedade privada . A mesma tradição que Victor Nunes Leal analisou em "Coronelismo, Enxada e Voto": o sistema de reciprocidade onde o coronel entrega votos em troca de favores do governo .
Camilo Santana: O Ministro da PAZ dos acordos que "Não Sabia" com currículo de herdeiro do Estado, dos acordos e dos falsos cases.
E Camilo Santana? O ministro da Educação, o "gestor eficiente" que a grande mídia tanto elogia, o "nome técnico" do governo Lula — o que ele sabia?
Camilo sabia tudo. E se não sabia, é porque não quis saber.
Camilo Santana foi governador do Ceará por oito anos. Construiu sua carreira política sob as asas da oligarquia Ferreira Gomes. Sabe exatamente quem é Mauro Benevides, qual sua ligação com Ciro e Cid Gomes, qual o papel de Fernanda Pacobahyba no esquema.
E ainda assim, Camilo Santana deu o aval para a indicação de Pacobahyba ao FNDE.
Por quê? Porque Camilo Santana é parte do problema, não da solução. Porque Camilo Santana é herdeiro dessa tradição de poder familiar que trata o Estado como curral. Porque o pai de Camilo — Eudoro Santana — é um dos operadores do PSB no Ceará, articulando nos bastidores os acordos que mantêm a oligarquia no poder há décadas.
Camilo Santana traiu Lula? A pergunta pressupõe que ele algum dia foi leal a Lula. A verdade é mais simples: Camilo nunca foi leal a Lula. Ele usou Lula. Usou o governo Lula. Usou o dinheiro, o orçamento e os votos que só o presidente Lula tem. Usou tudo isso para fortalecer sua própria posição e a de sua oligarquia.
E agora, quando a conta chegou — quando ficou claro que os interesses da oligarquia cearense divergem dos interesses do governo federal —, Camilo e seus aliados simplesmente viraram as costas. Fingem que não sabem. Negam os acordos. Se fazem de vítimas.
É a política da traição como método. É Maquiavel em ação, mas sem a genialidade do florentino — apenas com a canalhice dos oportunistas de província.
Parte II: A Anatomia da Oligarquia — Quarenta Anos no Poder, Bilhões em Corrupção Não Investigada
A Máquina de Poder: Ferreira Gomes, Santana, Benevides
Para entender o Ceará de hoje, é preciso entender a máquina de poder que o controla. E essa máquina tem três engrenagens principais:
Os Ferreira Gomes : Ciro, Cid, Ivo. A família que se reveza no governo do estado e nas prefeituras das maiores cidades. Ciro foi governador (1991-1994). Cid foi governador (2007-2015). Ivo foi prefeito de Sobral. A alternância no poder é meticulosamente planejada: quando um não pode mais concorrer, outro assume. O sobrenome continua no cargo, mesmo que o rosto mude.
Os Santana : Eudoro, o patriarca, que opera nos bastidores do PSB. Camilo, o filho, que foi governador e agora é ministro. A família construiu sua base eleitoral no interior do estado, onde o voto de cabresto ainda é a regra, não a exceção. Onde o "curral eleitoral" — como descreveu Victor Nunes Leal — é mantido com dinheiro público, com promessas de emprego, com a ameaça velada de demissão para quem votar "errado" .
Os Benevides : Mauro Benevides Filho, o articulador. Sua família tem raízes profundas na política cearense, remontando à época em que o "coronelismo" era abertamente praticado, sem a fantasia da democracia . Hoje, os Benevides operam na interface entre o poder estadual e o federal, garantindo que os recursos de Brasília fluam para as bases eleitorais da oligarquia.
Essas três famílias não são adversárias. São sócias. Operam na "situação" e na "oposição" como um cartel: uma hora um está no governo, outra hora na oposição. Mas o poder nunca sai da família. O dinheiro público nunca deixa de fluir para os mesmos bolsos. O povo nunca deixa de ser tratado como gado.
É o que Gilberto Freyre, em "Casa-Grande e Senzala", descreveu como a estrutura profunda da sociedade brasileira: a casa-grande, onde mora o senhor; a senzala, onde mora o escravo; e entre elas, um abismo de direitos, dignidade e humanidade .
No Ceará de 2026, a casa-grande tem endereço: Palácio da Abolição, residência oficial do governador. As senzalas estão espalhadas pelo interior: são as comunidades sem água tratada, sem esgoto, sem escola, sem posto de saúde, sem esperança.
E o sistema de produção — que outrora foi o açúcar, depois o gado, hoje são os incentivos fiscais e os contratos públicos — continua sendo o mesmo: extrair o máximo da força de trabalho da senzala, pagar o mínimo possível, e garantir que os lucros fiquem na casa-grande.
Bilhões em Corrupção Não Investigada
Onde está o dinheiro? Essa é a pergunta que a imprensa cearense — acovardada, comprada, ou simplesmente omissa — se recusa a fazer com a profundidade necessária.
O Ceará recebe bilhões de reais em transferências federais. Bilhões do FNDE para a educação. Bilhões do SUS para a saúde. Bilhões do Bolsa Família para os mais pobres. Bilhões em incentivos fiscais para "empresários amigos" se instalarem no estado.
Onde está o dinheiro? Por que o Ceará — mesmo depois de décadas de "gestão eficiente" — continua sendo um dos estados mais pobres do Brasil? Por que a mortalidade infantil continua alta? Por que o analfabetismo persiste? Por que a violência explode?
Porque o dinheiro público não vira política pública. Vira moeda de troca eleitoral. Vira superfaturamento de contratos. Vira caixa dois de campanha. Vira financiamento de "currais eleitorais" no interior.
A corrupção no Ceará é sistêmica. Não é obra de um "mau funcionário" ou de um "político corrupto isolado". É a própria engrenagem que mantém a máquina funcionando. Sem a corrupção, o sistema de poder oligárquico desmorona. Por isso ela é protegida. Por isso ninguém investiga a fundo. Por isso as denúncias são sempre "arquivadas por falta de provas" — ou melhor, por falta de vontade política de encontrar as provas. As CPIS na Assembleia Legislativa como Aquário, Tatuzões, Usina no Cariri, Consignados....Bilhões e uso do dinheiro da Cooperação internacional para fechar o equilíbrio fiscal mesmo com bilionários sem pagar impostos, e milhões de cerenses pagando com a vida.
E o resultado? Milhões de cearenses condenados à miséria, à exclusão, à morte evitável. Enquanto isso, os filhos da oligarquia estudam em universidades particulares de luxo em São Paulo ou no exterior. Viajam para a Europa nas férias. Compram apartamentos na praia. E festejam a "eficiência da gestão pública cearense" nos coquetéis da FIEC.
Os "Cases" de Mentira: Como a Oligarquia Engana o Brasil
A oligarquia cearense é mestra em uma arte: fabricar "cases de sucesso" para enganar o Brasil e garantir apoio político em Brasília.
O que a mídia não contou — ou contou nas entrelinhas, sem a ênfase necessária — é que o "sucesso" de Ceará foi construído sobre uma base de exclusão. Para chegar às médias altas no IDEB, o Estado simplesmente expulsou da rede pública os alunos mais pobres e com mais dificuldades de aprendizado, uma geração de jovens que foi ofertada para o crime. Jogou-os para o abandono. Maquiou as estatísticas. E vendeu ao mundo uma imagem falsa de "educação de qualidade para todos".
É a mesma lógica do "milagre econômico" da ditadura militar: o PIB crescia, mas a desigualdade explodia. Os pobres pagavam a conta, mas não apareciam nas estatísticas.
A oligarquia cearense não quer educação de qualidade para todos. Quer "cases" para apresentar em Brasília e garantir mais verbas. Quer estatísticas bonitas para justificar a continuidade no poder. Quer enganar o Brasil para continuar enganando o Ceará.
E enquanto isso, as crianças e jovens cearenses — as de verdade, as que vivem nas periferias de Fortaleza, nos grotões do interior, nas comunidades — continuam sem escola de qualidade. Continuam sem merenda decente. Continuam sem futuro.
Parte III: A Engenharia do Controle — Como a Oligarquia Produz Capitães do Mato e Divide as Cidades em Currais Eleitorais
A Produção de "Capitães do Mato" no Século XXI
No Brasil colonial, o capitão do mato era o homem encarregado de capturar escravos fugidos. Ele era pago pelos senhores de engenho para caçar seres humanos, devolvê-los à senzala, e garantir que o sistema de exploração continuasse funcionando. Hoje nos Presídios.
Hoje, a oligarquia cearense produz seus próprios "capitães do mato". Eles não usam chicotes nem algemas — usem cargos comissionados, emendas parlamentares, controle da máquina pública.
Quem são esses novos capitães do mato?
São os prefeitos aliados que recebem verbas federais e estaduais em troca de entregar os votos do município nas eleições. São os vereadores de base que votam conforme a orientação da liderança, sob pena de perder o acesso ao dinheiro público. São os secretários municipais que são demitidos se a cidade não votar no candidato certo.
O mecanismo é simples e brutal:
A oligarquia controla o governo estadual (ou o Ministério da Educação, ou o FNDE).
Desse controle, distribui recursos para os municípios: verbas para saúde, educação, infraestrutura.
Os prefeitos que entregam os votos recebem mais recursos. Os que não entregam — ou entregam para a "oposição" — são punidos com a escassez.
Os eleitores, que dependem dos serviços públicos para sobreviver, são coagidos a votar no candidato da situação. Se votarem "errado", a merenda pode faltar na escola dos filhos. O posto de saúde pode ficar sem médico. A estrada pode não ser asfaltada.
É o "voto de cabresto" que Victor Nunes Leal descreveu em 1949 . A diferença é que, hoje, o cabresto não é mais uma corda de couro — é a dependência do dinheiro público para sobreviver.
E quem opera esse sistema? Quem garante que os recursos fluam para os municípios "amigos" e sejam cortados dos municípios "inimigos"? A máquina do governo estadual. A máquina do FNDE. A máquina do Ministério da Educação. Todas controladas pela oligarquia.
Os novos capitães do mato não capturam escravos fugidos — capturam votos. Mantêm a população presa ao curral eleitoral. Garantem que a alternância de poder nunca aconteça de fato.
A Divisão das Cidades em Currais Eleitorais
O Ceará tem 184 municípios. Em cada um deles, a oligarquia tem um "curral": um espaço geográfico onde o controle político é exercido de forma direta, sem disfarces.
A cidade é tratada como feudo particular. O comércio local depende de contratos com a prefeitura e o governo estadual. Quem desagrada a família perde negócios, perde empregos, perde acesso.
Em Barbalha, o curral é dos Santana. A cidade é a base eleitoral de Camilo. Quem se atreve a apoiar a oposição sabe que pode perder o emprego na prefeitura, perder o contrato com a secretaria estadual, perder o acesso aos programas sociais.
Em Fortaleza, o controle é mais sofisticado. A capital é dividida em zonas de influência. Cada família oligárquica tem seus bairros, suas comunidades, suas lideranças. O dinheiro público — em emendas parlamentares, em convênios, em contratos — é distribuído conforme a geografia do poder.
É a balcanização da política cearense. O estado não é uma unidade democrática onde todos os cidadãos têm os mesmos direitos. É um mosaico de currais, cada um controlado por um senhor, cada um operando como uma pequena ditadura local.
E o povo? O povo é a mercadoria. O povo é o gado. O povo é tratado como massa de manobra, como número em urna eletrônica, como estatística em relatório de campanha.
A Comparação com o Voto de Cabresto Histórico
Victor Nunes Leal, em "Coronelismo, Enxada e Voto", descreveu o sistema com uma precisão que dói:
"O coronelismo é um sistema de reciprocidade: de um lado, os chefes políticos locais que controlam os eleitores e entregam os votos; de outro, o governo estadual que, em troca, fornece favores, empregos, verbas, proteção."
Substitua "coronel" por "oligarquia". Substitua "governo estadual" por "governo estadual + governo federal + FNDE + Ministério da Educação". E você terá a descrição exata do Ceará de 2026.
O que mudou? O figurino. Os coronéis de hoje usam terno Armani, têm mestrado em gestão pública, posam para fotos ao lado de presidentes da República. Mas o método é o mesmo: comprar votos com dinheiro público, controlar a máquina, punir quem desobedece, recompensar quem se dobra.
O que mudou? A tecnologia. Hoje, o controle é exercido com dados, com algoritmos, com sistemas de informação. A oligarquia sabe exatamente quem votou em quem, sabe onde estão os "eleitores indecisos", sabe quais comunidades precisam de mais "investimento" para entregar os votos.
O que não mudou? A essência. O povo continua sendo tratado como instrumento, não como fim. A democracia continua sendo uma fantasia. A República continua sendo um balcão de negócios.
Parte IV: A Traição como Método — A Lição de Maquiavel e a Realidade Cearense
O Príncipe e os Oportunistas: Como Maquiavel Descreveu a Oligarquia Cearense
Nicolau Maquiavel, em "O Príncipe", não foi um cínico. Foi um realista. Ele descreveu o poder como ele é, não como deveria ser. E ao descrever o poder, antecipou em cinco séculos a política cearense.
Escreveu Maquiavel: "Deve-se saber que os inimigos se vencem de duas formas: ou pelas leis, ou pela força. As leis são próprias dos homens; a força, dos brutos. Mas como muitas vezes as leis são insuficientes, é necessário recorrer à força."
No Ceará, as leis são insuficientes porque são feitas pela própria oligarquia. O código penal não alcança quem escreve as regras do jogo. A força — econômica, política, midiática — é o verdadeiro instrumento de dominação.
Escreveu também Maquiavel: "Os homens ofendem ou por medo ou por ódio." A oligarquia cearense ofende o povo por medo — medo de perder o poder, medo de que a alternância real aconteça, medo de que a Justiça um dia chegue. E ofende por ódio — ódio de classe, desprezo pelo pobre, convicção de que a senzala deve permanecer no lugar que lhe foi destinado.
Mas Maquiavel também alertou: "O príncipe que se apoia apenas na fortuna está sujeito a cair quando a fortuna muda." A fortuna da oligarquia cearense mudará. O apoio de Lula — um apoio baseado na confiança traída — já começou a se dissipar. O governo federal já percebeu que foi usado. E quando o governo federal cortar os recursos que hoje alimentam a máquina oligárquica, o castelo de cartas começará a desabar.
A Casa-Grande e a Senzala: O Brasil Profundo na Política Cearense
Gilberto Freyre, em "Casa-Grande e Senzala", descreveu a formação da sociedade brasileira como um encontro entre o senhor português, o escravo africano e o índio nativo . Desse encontro, nasceu uma sociedade hierárquica, paternalista, violenta — onde o lugar de cada um era definido pelo nascimento, pela cor da pele, pela quantidade de terra que possuía.
A oligarquia cearense é a herdeira direta dessa tradição. Eles são a casa-grande. O povo é a senzala.
O paternalismo está lá: "Cuidamos do povo", dizem os discursos oficiais. "Damos emprego, damos cesta básica, damos asfalto." Como o senhor de engenho que dava um pedaço de terra para o escravo cultivar seu próprio alimento — não por bondade, mas para evitar rebeliões.
A hierarquia está lá: quem nasce na senzala — na periferia de Fortaleza, no grotão do interior, na comunidade — tem seu destino traçado antes mesmo de aprender a ler. Estudo precário, trabalho precário, vida precária. E morte prematura.
A violência está lá: a violência simbólica de quem é tratado como objeto, não como sujeito. A violência econômica de quem trabalha a vida inteira e nunca consegue sair do lugar. A violência física da polícia que mata jovens negros nas periferias e nunca é punida.
E no centro de tudo, a naturalização da desigualdade. A aceitação tácita de que "sempre foi assim". O conformismo de quem já não espera nada diferente.
É contra esse conformismo — contra essa aceitação da exclusão como destino — que este artigo se insurge.
O Povo que Sobrevive de Migalhas Enquanto a Elite Festa
Enquanto a oligarquia festeja — em resorts no Ceará, em apartamentos de luxo em São Paulo, em viagens à Europa —, o povo cearense sobrevive de migalhas.
As migalhas da merenda escolar que não chega. As migalhas do posto de saúde que não tem médico. As migalhas da escola em condições precárias. As migalhas da segurança pública que não funciona.
As migalhas do orçamento participativo que foi extinto. As migalhas das conferências de políticas públicas que foram esvaziadas. As migalhas da democracia que foi sequestrada.
O Ceará é um dos estados mais ricos do Nordeste em potencial econômico. E é um dos estados mais pobres em distribuição de renda, em acesso a serviços públicos, em qualidade de vida para a maioria da população.
Por quê? Porque a riqueza gerada no estado — pelos trabalhadores, pelos pequenos empresários, pelos agricultores familiares — é sistematicamente apropriada pela oligarquia. Através de impostos que não retornam em serviços. Através de incentivos fiscais que beneficiam apenas as grandes empresas "amigas". Através de contratos públicos superfaturados que alimentam as contas bancárias dos "amigos do rei".
E o povo? O povo continua trabalhando. Continua pagando imposto. Continua votando. Continua esperando.
Esperando o quê? Esperando que um dia a justiça chegue. Esperando que um dia a oligarquia caia. Esperando que um dia o Ceará seja realmente democrático.
Este artigo é um grito para que esse dia chegue. E para que o povo pare de esperar e comece a agir.
Conclusão: A Sentença da Oligarquia — Traição, Oportunismo e o Fim da Democracia no Ceará
O que vimos nas últimas páginas é um retrato do Ceará contemporâneo: um estado controlado por uma oligarquia de três famílias — Ferreira Gomes, Santana, Benevides — que há quarenta anos se reveza no poder, opera na situação e na oposição, usa o dinheiro público como moeda de troca, fabrica "cases de sucesso" para enganar o Brasil, produz "capitães do mato" para controlar os currais eleitorais, e condena milhões de cearenses à miséria, à exclusão, à morte evitável.
Vimos como essa oligarquia usou o Presidente Lula, sua legitimidade, seu orçamento e seus votos para se infiltrar no governo federal, ocupar cargos estratégicos (como a Presidência do FNDE), e na hora certa — quando os interesses da oligarquia divergiram dos interesses do governo federal — simplesmente virou as costas.
Vimos como Camilo Santana — o ministro da Educação, o herdeiro dessa tradição — "não sabia" que Mauro Benevides foi assessor de Ciro Gomes, que Fernanda Pacobahyba é peça do esquema, que seu pai Eudoro opera nos bastidores do PSB.
Vimos como a corrupção sistêmica, a falta de investigação, a impunidade estrutural permitem que bilhões de reais em dinheiro público sejam desviados enquanto o povo morre na fila do SUS, na bala perdida, na falta de esperança.
E vimos como essa engenharia de poder produz novos "capitães do mato" — Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Prefeitos, vereadores, secretários — que dividem as cidades em currais eleitorais, controlam o voto com dinheiro público, e garantem que a alternância real de poder nunca aconteça.
O que precisa mudar
Se este artigo serve para alguma coisa, é para escancarar que o atual modelo de poder no Ceará é insustentável. E que mudanças profundas são necessárias.
Primeiro: é preciso investigar. O Ministério Público, a Polícia Federal, o Tribunal de Contas da União — todas essas instituições precisam fazer seu trabalho. Não pode haver mais "arquivamento " quando as provas estão escancaradas. Não pode haver mais "sigilo" quando o interesse público está em jogo.
Segundo: é preciso punir. A impunidade é o combustível da corrupção. Enquanto os corruptos souberem que não vão para a cadeia — que no máximo perderão o cargo, e olhe lá —, continuarão roubando. A Justiça precisa ser dura, implacável, exemplar.
Terceiro: é preciso mudar as regras do jogo. O financiamento de campanha, o uso da máquina pública para fins eleitorais, o controle da mídia local pela oligarquia — todas essas estruturas precisam ser reformadas radicalmente. A democracia não pode ser uma fantasia. Ela precisa ser real.
Quarto: é preciso que o povo acorde. O povo cearense não pode continuar sendo gado. Não pode continuar trocando voto por cesta básica. Não pode continuar aceitando migalhas enquanto a elite festeja. O voto é a única arma que o povo tem — mas precisa ser uma arma consciente, informada, indignada.
O réveillon da revolta
O Ceará está à beira do abismo. A miséria, a violência, o desemprego, a falta de perspectiva — tudo isso é combustível para uma explosão social que pode acontecer a qualquer momento.
A oligarquia sabe disso. Por isso tenta controlar tudo: a mídia, a polícia, a justiça, a política. Por isso tenta manter o povo anestesiado com programas sociais mínimos e promessas vazias. Por isso tenta impedir que a verdade venha à tona.
Mas a verdade é mais forte. A verdade escorre pelas frestas. A verdade aparece nas redes sociais, nos blogs independentes, nas conversas de bar, nos boatos que correm a cidade.
E um dia — talvez em breve, talvez não — a verdade se tornará incontrolável. O povo se levantará. E a oligarquia, que tanto tempo se achou invencível, será varrida como poeira.
Que esse dia chegue. Que o réveillon da revolta finalmente comece. E que o Ceará — o Ceará dos currais, o Ceará da exclusão, o Ceará da miséria — seja enfim livre.
Por um cearense que está de saco cheio — e que já não espera nada dessa oligarquia podre, mas que ainda assim, teimosamente, insiste em sonhar com um Ceará onde o dinheiro público é público, a justiça é justa, e o povo é soberano.
Com todas as vénia a Victor Nunes Leal, a Gilberto Freyre, a Nicolau Maquiavel — e a cada cearense que acorda cedo, trabalha duro, paga imposto, e ainda assim encontra forças para não desistir.
PQP. Que o dia da cobrança chegue. E que a oligarquia trema.
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