SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
quarta-feira, 13 de maio de 2026
Berlim. Um dia comum em um parque qualquer.
Berlim. Um dia comum em um parque qualquer.
Uma garotinha chorava sem conseguir parar. Sua boneca favorita havia desaparecido e, por mais que procurasse entre as árvores e os bancos, não encontrava nenhum sinal dela. Para uma criança, parecia o fim do mundo.
Então, um homem magro, de olhar sério e ao mesmo tempo gentil, se aproximou. Ele poderia simplesmente ignorá-la. Poderia dizer aquelas frases prontas que os adultos costumam repetir: “não fique triste, compramos outra”.
Mas aquele homem era Franz Kafka. E ele decidiu transformar a dor da menina em algo inesquecível.
— Não chore — disse ele com calma, fazendo a menina erguer os olhos —. Sua boneca não se perdeu… ela foi viajar.
A garota ficou confusa, mas uma pequena esperança brilhou em seu rosto.
— E como o senhor sabe disso?
Kafka sorriu de leve.
— Porque ela me deixou uma carta para entregar a você.
No dia seguinte, ele voltou ao mesmo banco do parque com uma folha escrita à mão, cuidadosamente dobrada. Era a primeira carta da boneca.
“Querida amiga, não chore por mim. Resolvi viajar para conhecer o mundo. Vou escrever contando todas as minhas aventuras.”
E assim nasceu um ritual mágico.
Todas as tardes, a menina voltava ao parque. E todas as tardes Kafka estava lá, esperando por ela com uma nova carta. A boneca narrava viagens por lugares distantes, falava de cidades iluminadas, mares imensos e montanhas que pareciam tocar o céu. Aos poucos, a tristeza da perda foi dando lugar ao encantamento.
As semanas passaram, e Kafka percebeu que a viagem precisava chegar ao fim.
Então, certo dia, apareceu carregando uma nova boneca nos braços.
— Sua boneca voltou da viagem — disse ele com delicadeza.
A menina pegou a boneca, observou atentamente e franziu a testa.
— Mas… ela não se parece com a minha boneca…
Kafka então entregou a última carta.
“Minhas viagens me mudaram. Agora sou diferente, mas continuo sendo eu. Espero que ainda possamos viver muitos momentos juntas.”
A menina sorriu e abraçou a boneca com força. Sem perceber, havia aprendido uma lição que muita gente leva a vida inteira para entender: as coisas mudam, as pessoas mudam, mas o amor verdadeiro não desaparece — ele apenas se transforma.
Algum tempo depois, Franz Kafka morreu.
Décadas se passaram. Aquela menina cresceu, tornou-se mulher e seguiu sua vida. Até que, um dia, enquanto mexia em antigas lembranças, encontrou algo escondido dentro da boneca.
Era uma pequena carta amarelada pelo tempo.
Com as mãos trêmulas, ela abriu o papel e leu a última mensagem que Kafka havia deixado para ela:
“Tudo aquilo que você ama talvez um dia se vá. Mas, no fim, o amor sempre retorna… de outra forma.”
Com lágrimas nos olhos, ela percebeu que aquelas palavras haviam sido verdadeiras durante toda a sua vida.
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