SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
sexta-feira, 29 de maio de 2026
O Governo vai gastar 28.000 milhões de euros para reduzir a proporção de alunos por sala de aula.
O Governo vai gastar 28.000 milhões de euros para reduzir a proporção de alunos por sala de aula. E um relatório da EsadeEcPol publicado esta semana no El País acaba de mostrar que grande parte desse dinheiro irá para os centros que menos precisam. A lógica da medida é compreensível: menos alunos por turma, melhor atenção, melhores resultados. É uma mensagem que conecta famílias, professores e sindicatos. O problema é que as evidências não o sustentam da forma como o governo está propondo. Primeiro, a ironia distributiva: as escolas que mais se beneficiarão da queda linear nas proporções são aquelas que agora têm as turmas mais cheias. E esses centros estão concentrados, de forma estatisticamente clara, em áreas urbanas com altos perfis socioeconômicos. Os 25% dos estudantes mais abastados absorverão 31,2% do custo da reforma. Os 25% mais vulneráveis, apenas 21,9%. Uma medida apresentada como equitativa que, na prática, amplifica a desigualdade que afirma combater. Segundo, e isso é o que mais me chama a atenção para mim: a EsadeEcPol já publicou em março que uma queda nas proporções assim não implica uma melhoria significativa no aprendizado. Não é uma opinião ideológica, é o resultado da análise de centenas de milhares de dados de alunos, professores e diretores. Um resultado que também coincide com uma meta-análise internacional em 2025. E quem melhora com grupos menores? Os alunos mais desfavorecidos. Apenas aquele que menos receberá dessa reforma conforme ela foi projetada. Os próprios autores do relatório, Lucas Gortazar e José Montalbán, propõem algo mais cirúrgico: concentrar a redução das proporções nos centros de maior complexidade social, e investir o restante em tutorias intensivas para os alunos mais vulneráveis e no ensino da MIR. Medidas com evidências reais de impacto, e com custo equivalente ao da reforma geral. Aqui está a pergunta que parece relevante para qualquer instituição de ensino que acompanhe esse debate: quando o regulador elabora políticas educacionais em larga escala, até que ponto escolas privadas e subsidiadas pelo Estado que trabalham com altos perfis socioeconômicos podem antecipar que receberão recursos adicionais, e como devem usá-los para justificar que esse dinheiro público gera valor real? O espanto com um valor elevado, 28.000 milhões, pode desviar a atenção da questão que importa: quem exatamente isso vai ajudar, e quanto? 📊 Professores, diretores, famílias: vocês prefeririam proporções de 28.000 milhões para menores em todas as escolas igualmente, ou concentrar esse dinheiro onde as evidências mostram que realmente funciona? 👇
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