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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Em 2026, já atingiu 431 ppm em Mauna Loa (Hawai), observatório de referência desde 1958. Mas a média global já está em 428,5 ppm.


 108 PPM...


Nasci em 1964, em meio a uma concentração de 319 ppm de CO2 na atmosfera. Em 2024, no meu sexagésimo aniversário, ela já estava em 427 ppm. Os gráficos abaixo mostram a distribuição das anomalias de temperatura nestes dois anos. Áreas em azul correspondem a dias mais frios que a média entre 1880-1910, e áreas vermelhas correspondem a dias mais quentes que esta média. Qual é a leitura disso?

- Em 60 anos, a imagem mostra a passagem de um clima ainda centrado próximo da média histórica, em 1964, para um clima fortemente deslocado para o lado quente em 2024.

- A curva deixou de ter seu maior volume de dias ao redor de 0 °C de anomalia e passou a concentrar muito mais dias entre +1 °C e +3 °C, reduzindo drasticamente a frequência de dias frios e ampliando a cauda dos extremos quentes. Essa mudança acompanha o salto da concentração de CO₂ atmosférico de 319 ppm em 1964 para 427 ppm em 2024, um aumento de 108 ppm, ou 34%, em apenas seis décadas. São estes 108 ppm que estão fazendo a diferença no regime climático, alterando a circulação oceânica e atmosférica.

- O significado climático é profundo: não se trata apenas de “anos mais quentes”, mas de uma redistribuição estatística da temperatura terrestre, em que aquilo que antes era excepcionalmente quente passa a ocorrer com muito mais frequência.

- Na prática, o planeta mudou de regime: mais calor acumulado na atmosfera, mais energia disponível no sistema climático, maior probabilidade de ondas de calor, secas intensas, evapotranspiração elevada, estresse hídrico, incêndios, perdas agrícolas e eventos extremos mais severos.

- A imagem sintetiza, de forma visual, que o aquecimento global não desloca apenas a média; ele reorganiza a normalidade climática e empurra sociedades, ecossistemas e economias para uma faixa de risco muito maior.

Em 2026, já atingiu 431 ppm em Mauna Loa (Hawai), observatório de referência desde 1958. Mas a média global já está em 428,5 ppm.

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