SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.
domingo, 31 de maio de 2026
Com 104 anos, ele permaneceu surpreendentemente moderno.
Ele passou a ser considerado imortal.
Por anos, terminei meus discursos com o mesmo texto de Edgar Morin.
Esta manhã, quando soube da morte dele, pensei nisso novamente. Porque resume, na minha visão, a essência de seu legado: a convicção de que as respostas aos grandes desafios do nosso tempo muitas vezes já existem, mas permanecem dispersas, incapazes de produzir seu efeito total porque não estão conectadas.
"Tudo precisa ser repensado. Tudo precisa ser recomeçado. [...] Tudo, na verdade, já começou, mas sem que a gente perceba. [...] Já existem [...] efervescências criativas, uma infinidade de iniciativas locais. Mas tudo que deveria estar conectado está espalhado, separado, compartimentado. [...] Eles são o terreno fértil do futuro. Trata-se de reconhecê-los, listá-los, conectá-los para abrir a pluralidade de caminhos para a reforma. »
(O Caminho, 2011)
Morin é frequentemente resumido como pensamento sistêmico. Isso mesmo. Mas, acima de tudo, ele era o pensador de complexidade, incerteza e interdependências.
Ele nos ensinou que grandes desafios não são resolvidos por respostas simples ou por disciplinas isoladas, mas por um pensamento que possa conectar, entender a complexidade e agir diante da incerteza.
Com 104 anos, ele permaneceu surpreendentemente moderno.
Sua voz fará falta.
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