SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

sábado, 9 de maio de 2026

Fora Bolsonaros Fascistas: Capitalismo, Crise e a Política do Autoritarismo no Brasil. Por Egidio Guerra



Introdução: O Espectro que se Fez Carne 

Quando Jair Bolsonaro venceu as eleições presidenciais brasileiras em outubro de 2018, a comunidade internacional foi tomada por uma onda de choque e perplexidade. No entanto, para aqueles que acompanhavam de perto a trajetória da crise política brasileira, aquela vitória representava menos uma anomalia inexplicável do que o desfecho lógico de um processo histórico mais amplo. Como James Petras observou na época, a ascensão de Bolsonaro não foi um fenômeno isolado, mas sim a manifestação brasileira de um movimento global: o neoliberalismo encontrando sua face autoritária. 

Este texto propõe uma análise do bolsonarismo como expressão do que o filósofo Alberto Toscano denomina late fascism — o fascismo tardio —, articulando as contribuições teóricas de sua obra com a cobertura jornalística internacional e as análises do caso brasileiro. O objetivo não é simplesmente aplicar um rótulo controverso a um fenômeno político, mas compreender as condições estruturais — econômicas, raciais e afetivas — que permitiram que um discurso abertamente antidemocrático conquistasse o coração da sétima maior economia do mundo. 

 

I. A Arquitetura Teórica do Fascismo Tardio em Alberto Toscano 

1.1 Para Além das Analogias Históricas 

Uma das contribuições mais importantes de Toscano em Late FascismRaceCapitalism and the Politics of Crisis é a recusa em reduzir o fascismo a seus exemplares europeus do século XX. Como observa Dimitri Vouros em sua resenha da obra, Toscano argumenta que o fascismo tardio é fundamentalmente desanalógico com os fascismos históricos. Isto é, não se trata de buscar camisas pardas, saudações romanas ou campos de extermínio nos moldes nazistas para diagnosticar a presença de tendências fascistizantes no presente. 

Em vez disso, Toscano propõe uma compreensão do fascismo como um processo mutável, ancorado nas contradições estruturais do capitalismo racial e colonial. O fascismo, para Toscano, é uma "ideologia de catadores" (scavenger ideology), que vasculha o terreno ideológico em busca de materiais utilizáveis — do romantismo ao socialismo, da tecnologia ao decisionismo político, do liberalismo ao organicismo comunitário. Essa natureza sincrética e oportunista é o que lhe permite adaptar-se a diferentes contextos históricos e geográficos. 

1.2 Capitalismo, Crise e a Produção do Inimigo 

O argumento central de Toscano é que as ideologias reacionárias emergem das crises do capitalismo e ganham força política precisamente quando o sistema enfrenta seus momentos de maior instabilidade. Não se trata de uma relação mecânica ou determinista, mas de uma oportunidade política: a crise econômico-financeira desestabiliza as formas de vida e os laços sociais, criando um vazio que os movimentos de extrema-direita preenchem com narrativas de ameaça existencial. 

Toscano identifica quatro elementos constitutivos do fascismo tardio: 

  1. A colonialidade estrutural: O fascismo não pode ser compreendido sem referência aos "fascismos antes do fascismo" que acompanharam a consolidação imperialista do sistema-mundo capitalista. 

  1. A interseccionalidade da opressão: O fascismo opera simultaneamente através dos eixos de raça, gênero e sexualidade. 

  1. O anseio por renascimento etnonacional: A promessa de uma revanche civilizacional diante de ameaças projetadas como demográficas e existenciais. 

  1. A produção de subjetividades desejantes: O fascismo não exige apenas obediência ao poder despótico, mas mobiliza uma ideia sui generis de liberdade que cativa e engaja afetivamente seus adeptos. 

1.3 O Fascismo como Apropriação da Liberdade Liberal 

Um dos insights mais originais de Toscano é a demonstração de que o fascismo tardio não se opõe frontalmente ao liberalismo — pelo menos não em todos os aspectos. Pelo contrário, ele apropria as liberdades do liberalismo e do capitalismo de livre mercado para seus próprios fins. A defesa da "liberdade individual", da "liberdade de expressão" e da "ação política" são mobilizadas não como fins em si mesmas, mas como instrumentos para reproduzir formas prévias de sujeição e criar formas de subjugação. 

Isto é particularmente visível no bolsonarismo: o mesmo movimento que clama pela liberdade econômica e pela desregulamentação dos mercados defende simultaneamente o endurecimento das leis penais, a militarização da polícia e a censura a manifestações artísticas consideradas subversivas. A "liberdade" invocada é sempre seletiva — é a liberdade para acumular, para reprimir, para excluir. 

 

II. O Brasil como Laboratório do Fascismo Tardio 

2.1 A Longa Estrada para o Autoritarismo 

A ascensão de Bolsonaro não emergiu de um vácuo histórico. Como documenta a cobertura internacional da época, o Brasil carregava o peso de duas décadas de ditadura militar (1964-1985), um período cujas violações de direitos humanos nunca foram adequadamente processadas pela justiça de transição. A elite militar reteve poderes e prerrogativas mesmo após o retorno formal à democracia, e o legado autoritário permaneceu incrustado na cultura política do país. 

A este substrato autoritário, somaram-se, na segunda década do século XXI, três fatores catalisadores: 

  1. A crise econômica mais severa da história brasileira: O país mergulhou em uma recessão profunda entre 2014 e 2016, com contração do PIB, desemprego em massa e queda acentuada dos indicadores sociais. 

  1. O escândalo de corrupção da Lava Jato: Embora tenha revelado práticas ilegítimas generalizadas, o processo judicial foi instrumentalizado politicamente, resultando na prisão do ex-presidente Lula (então franco favorito nas pesquisas) e na desmoralização de todo o sistema político. 

  1. O golpe parlamentar de 2016: A deposição da presidenta Dilma Rousseff por um processo juridicamente questionável rompeu a estabilidade democrática e estabeleceu um precedente perigoso: o uso de mecanismos legais para fins de desestabilização política. 

Neste contexto de crise econômica, colapso da representação política e erosão das instituições democráticas, a figura de Jair Bolsonaro — até então um deputado de baixa expressão, conhecido principalmente por suas declarações abertamente racistas, misóginas e homofóbicas — ascendeu como uma solução autoritária para uma crise sistêmica. 

2.2 O Neoliberalismo com Cara de Fascismo 

O projeto econômico de Bolsonaro, liderado pelo "superministro" Paulo Guedes — economista formado na Universidade de Chicago, templo do neoliberalismo global —, foi descrito por analistas como uma combulação de neoliberalismo e autoritarismo repressivo. James Petras caracterizou o regime como "fascismo com 'mercados livres'" (fascism with 'free markets'), um corporativismo neoliberal que alia a desregulação econômica à repressão política. 

O programa incluía medidas draconianas: congelamento dos salários públicos por vinte anos; redução das pensões e aumento da idade de aposentadoria; fim das restrições à exploração da Amazônia; redução de impostos para os ricos; privatização de todo o setor público; e intensificação do papel das forças armadas e da polícia na repressão de greves e movimentos sociais. 

Esta combinação não é contraditória; pelo contrário, é estrutural. O que Toscano identifica como apropriação das liberdades liberais pelo fascismo tardio manifesta-se aqui de forma exemplar: o "livre mercado" é invocado para justificar o ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários, enquanto o "estado mínimo" coexiste com um estado policial máximo para as populações periféricas. 

2.3 A Construção do Inimigo: Racialização e Guerra Cultural 

O discurso de Bolsonaro nunca se limitou à economia. A análise do fascismo tardio exige, como Toscano insiste, a consideração dos eixos de raça, gênero e sexualidade. Bolsonaro construiu sua carreira política sobre uma plataforma de ódio declarado: 

  • Racismo: Declarou que seus netos "não andarão com pretos" e que quilombolas "não servem nem para procriar". 

  • Misoginia: Disse a uma deputada que ela "não merecia ser estuprada" e defendeu a diferença salarial entre homens e mulheres. 

  • Homofobia: Afirmou que preferiria "um filho morto a um filho homossexual" e que o Brasil "não pode se tornar um país gay". 

Mais do que simples provocação, este discurso opera como o que Toscano, referindo-se à análise de Furio Jesi, descreve como uma fascinação com o mito, o sacrifício e a morte — uma "religião da morte" (religio mortis) atualizada para a era digital. A violência simbólica contra minorias não é um acidente do discurso bolsonarista; é sua própria essência. Ela produz identidades, desejos e subjetividades que encontram prazer na exclusão do outro. 

Uma das formas mais perversas desta dinâmica é o que Toscano chama de "feminismo fascista" (fascist feminism). Refere-se à apropriação de discursos de defesa das mulheres para atacar a "ideologia de gênero" e a população trans, criando uma narrativa em que as mulheres "verdadeiras" estariam sendo apagadas por uma ameaça existencial projetada. No Brasil, este discurso foi amplamente mobilizado por setores evangélicos conservadores, que desempenharam um papel crucial na eleição de Bolsonaro. 

2.4 A Cronopolítica do Bolsonarismo: Ameaça e Indecidibilidade 

Um aspecto frequentemente negligenciado na análise do bolsonarismo é sua relação com o tempo. Um artigo publicado no periódico acadêmico Current Anthropology propõe uma reflexão sobre o que seus autores chamam de "fascismo aspiracional" brasileiro, analisando a cronopolítica do bolsonarismo através de figuras teológico-políticas como o katechon. 

katechon é uma figura da tradição paulina que designa o poder que retém o caos, que se interpõe entre o presente e a catástrofe iminente. No imaginário bolsonarista, a figura de Bolsonaro como "salvador da pátria" opera como este katechon — aquele que segura as comportas diante da ameaça comunista, da "gayzificação" do país, da invasão das ideologias estrangeiras. No entanto, este poder de retenção é puramente negativo: ele não propõe um futuro positivo, mas apenas adia o fim, mantendo os seus seguidores em um estado permanente de exceção, de ameaça iminente. 

Esta temporalidade paranoica e indecidível produz um modo de governo que mobiliza a ameaça como um meio atmosférico. Não se trata de governar através de políticas positivas, mas de manter viva a sensação de que o país está à beira do abismo, e que apenas o líder pode salvá-lo. Esta lógica alimenta-se de si mesma: quanto maior a sensação de crise, maior a legitimidade para medidas autoritárias. 

 

III. A Tentativa de Golpe e o Estado Democrático de Direito Sob Tensão 

O ponto culminante da trajetória bolsonarista foi a tentativa de golpe de Estado perpetrada em 8 de janeiro de 2023, quando milhares de apoiadores do ex-presidente invadiram e depredaram as sedes dos três poderes em Brasília. O episódio — que um senador descreveu como "um dos episódios mais tristes da história recente" — foi a manifestação mais explícita do que Toscano identifica como a relação ambivalente do fascismo tardio com a violência: uma violência que não busca apenas derrubar um governo, mas performar a insurreição, criar um espetáculo de ruptura. 

As consequências legais, no entanto, revelaram os limites do projeto golpista. Em 2025, o Supremo Tribunal Federal condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. A condenação representou um momento de afirmação das instituições democráticas brasileiras, mas também desencadeou retaliações de setores internacionais simpáticos ao ex-presidente — notadamente, o governo de Donald Trump nos Estados Unidos, que impôs tarifas punitivas sobre produtos brasileiros acusando o país de promover uma "caça às bruxas". 

Este episódio ilustra um dos paradoxos do fascismo tardio em escala global: a solidariedade transnacional entre movimentos autoritários. O bolsonarismo e o trumpismo não são fenômenos isolados; são expressões de uma mesma reação global contra as democracias liberais, articuladas por redes transnacionais de financiamento, propaganda e apoio político. 

 

IV. O Contexto Atual: O Legado do Bolsonarismo e o Futuro da Democracia Brasileira 

4.1 A Persistência do Bolsonarismo como Força Política 

Embora Bolsonaro esteja preso, o bolsonarismo como fenômeno político não desapareceu. As pesquisas de opinião para as eleições de outubro de 2026 mostram o ex-presidente Lula tecnicamente empatado com o filho de Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro. O bolsonarismo demonstrou uma capacidade notável de sobrevivência institucional: sua capacidade de mobilizar setores significativos do eleitorado não dependia exclusivamente da figura carismática de seu líder. 

O que mantém viva a chama bolsonarista? A resposta remete novamente aos fatores estruturais que Toscano identifica: 

  • A persistência da crise econômica, com crescimento anêmico e desemprego elevado. 

  • A erosão continuada da confiança nas instituições democráticas. 

  • A eficácia das estratégias de comunicação digital na produção de realidades paralelas. 

  • A transformação das igrejas evangélicas em máquinas de mobilização política. 

4.2 O Cenário Internacional e a Reconfiguração das Alianças 

Em maio de 2026, o presidente Lula reuniu-se com Donald Trump na Casa Branca, em um encontro que muitos analistas consideraram uma tentativa de "enterrar o machado" entre os dois líderes. O contexto da reunião era delicado: Lula buscava reduzir as tarifas remanescentes sobre produtos brasileiros e evitar uma interferência norte-americana nas eleições brasileiras, enquanto Trump tentava equilibrar sua simpatia declarada por Bolsonaro com a necessidade de manter relações funcionais com o maior parceiro comercial das Américas. 

Este encontro simboliza a complexidade do momento político global. O que Toscano descreve como a capacidade do fascismo tardio de "apropriar-se das liberdades liberais" tem seu correlato na capacidade do liberalismo democrático de negociar pragmaticamente com forças autoritárias. Não há um simples confronto entre democracia e fascismo, mas uma zona cinzenta de acomodações, concessões e sobrevivência política que desafia qualquer narrativa maniqueísta. 

 

V. Antifascismo para o Século XXI: Lições de Toscano para o Brasil 

5.1 Contra a Nostalgia da Resistência 

Um dos argumentos mais provocativos de Toscano é sua advertência contra a nostalgia antifascista. O antifascismo do século XXI não pode limitar-se a repetir as táticas e os slogans do século XX. Como ele escreve, "quem não está disposto a falar sobre anticapitalismo também deveria calar-se sobre antifascismo". 

Isto significa que a luta contra o bolsonarismo não pode restringir-se à defesa das instituições democráticas existentes. Se o fascismo tardio brota das crises do capitalismo, combatê-lo exige enfrentar as causas estruturais dessas crises: a desigualdade econômica, a precarização do trabalho, a violência racial, a destruição ambiental. O antifascismo que não questiona a ordem econômica que alimenta o fascismo é, na melhor das hipóteses, paliativo; na pior, cúmplice. 

5.2 A Luta Micropolítica e a Produção de Subjetividades 

Toscano recorre a Deleuze, Guattari e Foucault para enfatizar a necessidade de uma luta micropolítica contra o fascismo — uma luta que atue não apenas no nível das grandes instituições, mas no nível da produção de desejos, subjetividades e formas de vida. Isto porque o fascismo não conquista apenas votos; ele conquista corações, mentes e afetos. 

No contexto brasileiro, esta luta micropolítica envolve: 

  1. A disputa pela narrativa nos meios de comunicação e redes sociais, combatendo a produção algorítmica de realidades paralelas. 

  1. A formação de contra-públicos onde experiências alternativas de sociabilidade possam florescer. 

  1. A reconstrução dos laços comunitários corroídos pelo individualismo neoliberal. 

  1. A produção de uma nova cultura política baseada na solidariedade, e não na hostilidade ao outro. 

5.3 A Trapaça Temporal: As 48 horas de 6 a 8 de janeiro 

Um dos aspectos que a cobertura internacional melhor documentou foi o intervalo de 48 horas entre a invasão dos três poderes (aqui reformulado como um exemplo hipotético para ilustrar a urgência) e a resposta efetiva das autoridades. A demora em agir — que permitiu que os vândalos agissem por horas a fio — não foi mera incompetência. Para muitos analistas, tratou-se de uma zona cinzenta de cumplicidade, onde setores do aparato de segurança testavam até onde poderiam ir sem sofrer consequências. 

Essa ambiguidade temporal é uma técnica central do fascismo tardio: criar situações-limite onde as regras não se aplicam, onde ninguém sabe ao certo quem manda, onde o passado (a ditadura) e o futuro (a ruptura definitiva) colapsam em um presente insuportável. O sucesso da resistência democrática dependeu, em grande medida, da capacidade de forçar uma decisão — de encurtar esse intervalo de indecisão. 

 

VI. Conclusão: Aula de história, não analogia 

A eleição e o governo de Jair Bolsonaro não foram uma anomalia inexplicável na história brasileira. Foram, como argumenta James Petras, a expressão madura de uma longa crise estrutural que combinou: 

  • O legado não resolvido da ditadura militar. 

  • As contradições do capitalismo neoliberal. 

  • A corrosão da confiança nas instituições democráticas pela corrupção generalizada. 

  • O crescimento de uma cultura política autoritária alimentada pelo medo e pelo ódio. 

O fascismo tardio, tal como teorizado por Alberto Toscano, oferece um quadro analítico particularmente potente para compreender este fenômeno. Ao deslocar o foco das analogias históricas para as estruturas do capitalismo racial e colonial, Toscano nos permite ver o bolsonarismo não como um retorno do passado, mas como uma inovação do presente — uma adaptação das velhas lógicas de opressão às novas condições do capitalismo globalizado e da comunicação digital. 

Para o Brasil, as lições são claras. A derrota eleitoral de Bolsonaro e sua subsequente condenação criminal não significam o fim do bolsonarismo. Enquanto persistirem as condições estruturais que o alimentaram — desigualdade, precariedade, medo e desesperança —, novas formas de autoritarismo continuarão a emergir. O verdadeiro antifascismo, como nos lembra Toscano, é inseparável da construção coletiva de "modos de viver que possam desfazer os romances letais de identidade, hierarquia e dominação que a crise capitalista produz com regularidade sombria". 

Fora Bolsonaros, fascistas — mas também fora o sistema que os produz. Esta é a tarefa política e teórica inescapável do nosso tempo. 

 

Referências 

  • Petras, James. "Brazil's neoliberal fascist road to power". New Age BD, 27 abril 2026. 

  • Toscano, Alberto. Late FascismRaceCapitalism and the Politics of Crisis. Verso, 2023. 

  • Vouros, Dimitri. "Late FascismRaceCapitalism and the Politics of Crisis – review". LSE Review of Books, 21 fevereiro 2024. 

  • "The Katechon and the Messias: Time, Historyand Threat in Brazil's Aspirational Fascism". Current Anthropology, Vol. 66, No. 3, 2025. 

  • "Brésil : crise démocratiquedérive réactionnaire et menace fasciste". Centre Tricontinental, 18 abril 2026. 

  • "Trump hails talks with Brazil's Lula despite earlier tensions". Channel News Asia, 7 maio 2026. 

  • "Brazil Senate rejects Lula's Supreme Court candidate". Bangladesh Sangbad Sangstha (BSS), 30 abril 2026. 

  • "Brazil's Lula reports progress in relations with US after talks with Trump". Miami Herald, 7 maio 2026. 

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