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terça-feira, 12 de maio de 2026

Imagination and Ethical Ideals: Prospects for a Unified Philosophical and Psychological Understanding

Sobre a Obra e o Autor 

Item 

Informação 

Título completo 

Imagination and Ethical Ideals: Prospects for a Unified Philosophical and Psychological Understanding 

Autor 

Nathan L. Tierney 

Publicação 

State University of New York Press (SUNY Press), 1994 

Coleção 

SUNY Series in Ethical Theory 

Páginas 

x, 184 páginas (edição impressa) / 206 páginas (edição brochura)  

ISBN (brochura) 

978-0791420485  

ISBN (capa dura) 

978-0791420478  

Idioma 

Inglês 

Nathan L. Tierney é Professor e Chair do Departamento de Filosofia da California Lutheran University. Sua obra se situa na interseção entre filosofia moral, psicologia moral e psicanálise, buscando construir pontes entre disciplinas que tradicionalmente operam de forma isolada. 

O livro é uma expansão e refinamento de sua tese de doutorado, Imagination and the Ethical Ideal, defendida na Columbia University em 1989. A obra representa um esforço pioneiro de diálogo entre a tradição filosófica (particularmente o idealismo alemão e o empirismo britânico) e as descobertas da psicanálise contemporânea, especialmente a psicologia do self de Heinz Kohut. 

Contexto e Gênese da Obra 

Imagination and Ethical Ideals surge em um momento de crise paradigmática na filosofia moral anglo-americana. O final do século XX testemunhou um progressivo desencanto com as éticas de princípio — sistemas morais baseados em regras universais e imperativos categóricos, como o kantianismo e o utilitarismo. Estas abordagens, embora tecnicamente sofisticadas, pareciam cada vez mais irrelevantes para a vida concreta que as pessoas efetivamente levam. 

Tierney identifica dois sintomas principais desta crise: 

  1. O problema do relativismo: Se os princípios morais são universais, como explicar a diversidade radical de sistemas morais entre culturas e ao longo da história? As éticas de princípio oscilam entre um universalismo rígido (que nega a legitimidade da diferença) e um relativismo frouxo (que abdica de qualquer pretensão de validade normativa). 

  1. O dilema do teórico (theoretician's dilemma): A filosofia moral produz sistemas tão abstratos e distantes da psicologia real dos agentes morais que se torna incapaz de motivar a ação ética. O indivíduo pode reconhecer a validade de um princípio ("é certo fazer X") sem sentir qualquer razão para agir de acordo com ele. 

Tierney propõe uma saída para este impasse: ao invés de focalizar princípios, devemos focalizar ideais. E, ao invés de uma análise puramente lógica dos conceitos morais, devemos incorporar uma compreensão psicológica de como os seres humanos realmente se orientam em direção ao que consideram valioso. 

Estrutura da Obra 

O livro está organizado em três partes principais, subdivididas em onze capítulos: 

Parte I — Imagination in EthicsPhilosophical Aspects (Capítulos 1-6) 

Capítulo 

Título 

Conteúdo Central 

1 

Contemporary Dilemmas in the Project of Ethical Understanding 

Crítica das éticas de princípio; o problema do relativismo; o dilema do teórico 

2 

Hume and Smith: Imagination in the Extension of Sympathy 

O papel da imaginação na simpatia moral segundo Hume e Adam Smith 

3 

Kant 

A teoria kantiana da imaginação; imaginação no juízo e no sentimento moral 

4 

The Seeing-As Concept of Imagination 

Wittgenstein e o "ver como"; estruturas esquemáticas de interpretação 

5 

Ethical Ideals 

Natureza dos ideais; Kierkegaard; ideais na reflexão moral 

6 

The Moral Philosophy of the Self 

O self na vida moral; introdução à dimensão psicológica 

Parte II — Psychological Aspects (Capítulos 7-10) 

Capítulo 

Título 

Conteúdo Central 

7 

The Self in Classical Psychoanalysis 

A noção de self na psicanálise freudiana clássica 

8 

Ethical Idealization in Classical Psychoanalysis 

Freud e o superego; desenvolvimentos posteriores (Hartmann) 

9 

Heinz Kohut's Psychoanalytic Self Psychology 

A psicologia do self de Kohut; o self bipolar 

10 

Narcissism and Ethical Idealization in Self Psychology 

Narcisismo e idealização ética na psicologia do self 

Parte III — Conclusions and Implications (Capítulo 11) 

Capítulo 

Título 

Conteúdo Central 

11 

Moral Authority for a Free People 

Autonomia e autoridade; ética das virtudes; relativismo e democracia  

Parte I: Fundamentos Filosóficos 

Capítulo 1 — O Diagnóstico da Crise 

Tierney inicia com uma afirmação provocativa: a filosofia moral contemporânea chegou a um beco sem saída (dead end). O problema não é técnico — é estrutural. Ao reduzir a ética a um conjunto de princípios universalizáveis, a tradição kantiana e utilitarista perdeu de vista aquilo que realmente importa para os agentes morais: a formação do caráter, a busca por sentido e a orientação para ideais. 

Duas dificuldades fundamentais são identificadas: 

1. O problema do relativismo 

Se os princípios morais pretendem validade universal, como lidar com o fato da diversidade moral entre culturas? As respostas disponíveis são insatisfatórias: 

  • universalismo simplesmente nega o problema, tratando as diferenças como erros ou desvios. 

  • relativismo dissolve o problema, mas ao preço de tornar impossível qualquer crítica moral transcultural. 

Tierney argumenta que a ênfase em princípios agrava este problema. Princípios são abstratos e descontextualizados — precisamente o tipo de coisa que varia mais radicalmente entre culturas. 

2. O dilema do teórico 

Mesmo que consigamos estabelecer princípios moralmente corretos, como garantir que as pessoas ajam de acordo com eles? A filosofia moral tradicional responde apelando à razão prática: agir moralmente é agir racionalmente. Mas Tierney, ecoando críticas humianas, questiona se a razão sozinha pode motivar a ação. A distância entre o "é racional fazer X" e o "vou fazer X" é precisamente o espaço onde a psicologia moral deve operar. 

"The widespread fascination with moral principles has led moral philosophers into a dead endwhich is revealed both by their inability to deal with the problem of relativismand by the felt irrelevancy of moral philosophy to the lives that people are actually striving to lead."  

Capítulos 2-3 — A Imaginação na Tradição Filosófica 

Tierney recorre a duas figuras centrais do Iluminismo para resgatar o papel da imaginação na vida moral, um papel que foi progressivamente marginalizado pela ênfase moderna na razão pura. 

David Hume e Adam Smith (Capítulo 2) 

Para Hume, a imaginação não é uma faculdade meramente recreativa ou ornamental. Ela é central para o mecanismo da simpatia (sympathy) — a capacidade de sentir o que o outro sente. Não podemos experimentar diretamente as dores e prazeres alheios; precisamos da imaginação para "transportar-nos" para a situação do outro. 

Adam Smith desenvolve esta intuição em sua Teoria dos Sentimentos Morais. O "espectador imparcial" — figura central de sua teoria moral — não é um mero cálculo racional, mas um produto da imaginação. Ao nos imaginarmos na posição de um terceiro desinteressado, adquirimos a distância necessária para julgar nossas próprias ações. 

Tierney argumenta que Hume e Smith oferecem um contraponto crucial ao racionalismo moral: a moralidade não se reduz à lógica; ela é fundamentalmente afetiva e imaginativa. 

Immanuel Kant (Capítulo 3) 

Kant, curiosamente, também atribui um papel central à imaginação — embora este aspecto de seu pensamento seja frequentemente negligenciado. Na Crítica da Razão Pura, o esquematismo transcendental é a operação pela qual a imaginação media entre os conceitos puros do entendimento e a intuição sensível. 

No domínio prático, Kant fala de uma "típica do juízo prático" — a capacidade de aplicar o imperativo categórico a situações concretas. Tierney sugere que mesmo Kant, o filósofo dos princípios universais, reconhece que a aplicação da lei moral requer habilidades interpretativas que não podem ser totalmente codificadas em regras. 

Capítulo 4 — O Conceito de "Ver Como" (Seeing-As) 

Tierney recorre a Ludwig Wittgenstein para desenvolver um modelo de como a imaginação opera na percepção moral. Wittgenstein mostrou que a percepção não é um registro passivo de dados sensoriais, mas uma atividade interpretativa moldada por estruturas conceptuais e práticas. 

O famoso exemplo do "pato-coelho" — uma figura que pode ser vista alternadamente como um pato ou como um coelho — demonstra que o mesmo estímulo sensorial pode dar origem a percepções radicalmente diferentes dependendo da organização interpretativa que trazemos para ele. 

Tierney aplica esta intuição ao domínio moral: 

  • Duas pessoas podem testemunhar o mesmo evento (um mendigo pedindo esmola, um político fazendo uma promessa, uma mãe punindo um filho) e vê-lo de formas moralmente diferentes porque operam com esquemas interpretativos distintos. 

  • Estes esquemas não são livres ou arbitrários — eles são aprendidosincorporados e, crucialmente, passíveis de revisão através da reflexão e da experiência. 

Tierney denomina estas estruturas interpretativas de "esquematismos de interpretação" (schematisms of interpretation) . Eles são os andaimes cognitivos e afetivos através dos quais o mundo moral se torna significativo. 

Capítulo 5 — A Natureza dos Ideais 

Este é o coração filosófico do livro. Tierney oferece uma teoria detalhada dos ideais éticos, distinguindo-os cuidadosamente dos princípios. 

Ideais vs. Princípios 

Princípios 

Ideais 

Expressos como imperativos universalizáveis de comportamento correto 

Expressos como modelos de vida boa essencialmente vinculados ao caráter do self individual 

Ditam o que devemos fazer 

Mostram quem podemos ser 

São externos ao agente (derivam da razão ou da lei) 

Ressoam com a estrutura do self 

Motivam pela obrigação e pela culpa 

Motivam pelo chamado e pela aspiração 

Operam no nível da regra 

Operam no nível da visão de mundo 

A distinção não é meramente taxonômica. Tierney argumenta que as éticas de princípio falham precisamente porque confundem essas duas lógicas. Não se pode deduzir um ideal de um princípio, nem reduzir a busca por sentido à obediência a regras. 

A dupla natureza dos ideais 

Tierney, seguindo sua dissertação, descreve os ideais como "estruturas mentais complexas" com uma dupla natureza: 

  1. Dimensão interna: O ideal como um princípio organizador da personalidade. É uma visão do que o self pode se tornar, uma imagem de excelência que orienta o desenvolvimento. 

  1. Dimensão externa: O ideal como uma lente interpretativa através da qual o mundo é significado e avaliado. Não vemos o mundo primeiro e depois aplicamos o ideal; vemos o mundo através do ideal. 

Esta dupla natureza é o que confere aos ideais seu poder transformador na vida ética. Eles não são meras representações mentais de estados de coisas desejados; são forças ativas que moldam tanto quem percebe quanto o percebido. 

Kierkegaard e a idealização ética 

Tierney recorre a Søren Kierkegaard como um pensador que compreendeu a centralidade dos ideais na vida ética. Para Kierkegaard, o "estádio ético" não é definido pela obediência a regras universais, mas pela escolha de si mesmo como uma tarefa concreta. O indivíduo não se torna moral ao se submeter à lei; torna-se moral ao assumir um ideal de quem deseja ser. 

A influência de Kierkegaard é particularmente visível na ênfase de Tierney na subjetividade e na singularidade como dimensões inelimináveis da vida ética. Não há ética sem um "alguém" que a vive. 

Capítulo 6 — A Filosofia Moral do Self 

Este capítulo prepara a transição para a parte psicológica da obra, argumentando que qualquer teoria moral adequada deve incorporar uma teoria do self. A pergunta "como devo viver?" não pode ser respondida sem uma resposta à pergunta "quem sou eu?" — ou, mais precisamente, "quem posso me tornar?" 

Tierney antecipa a crítica de que esta abordagem é "individualista" ou "subjetivista". Sua resposta é que o self nunca é puramente individual; ele é sempre socialmente constituído através da linguagem, das práticas e das relações. A psicologia do self que Tierney empregará nas próximas seções é explicitamente relacional. 

Parte II: Fundamentos Psicológicos 

Capítulos 7-8 — A Psicanálise Clássica e a Idealização Ética 

Tierney examina o tratamento do self e da idealização na psicanálise freudiana, identificando tanto contribuições valiosas quanto limitações significativas. 

Freud e o superego 

Para Freud, o superego é a instância psíquica que incorpora as proibições e os ideais internalizados dos pais e da sociedade. A idealização, nesta perspectiva, é primariamente um mecanismo de defesa — uma forma de lidar com a ansiedade e a culpa, projetando perfeição em figuras externas (os pais, o líder, Deus) e depois internalizando essas projeções como padrões. 

Tierney reconhece o valor desta análise para compreender formas patológicas de idealização (o fanatismo, o perfeccionismo neurótico, a dependência de figuras de autoridade). No entanto, argumenta que a psicanálise clássica reduz toda idealização à patologia, deixando sem explicação a idealização saudável — aquela que orienta o desenvolvimento sem o paralisar, que inspira sem escravizar. 

Desenvolvimentos posteriores: Hartmann e a ego psychology 

A psicologia do ego, particularmente o trabalho de Heinz Hartmann, representa um avanço ao distinguir entre idealização defensiva e idealização adaptativa. Idear não é apenas fugir do conflito; é também explorar possibilidades, projetar-se no futuro, organizar a experiência em direção a valores. 

No entanto, Tierney argumenta que mesmo estas revisões permanecem presas a um modelo que divorcia razão e afeto de forma problemática. O self aparece como um árbitro neutro entre impulsos e proibições, não como o locus da aspiração e do significado. 

Capítulos 9-10 — Heinz Kohut e a Psicologia do Self 

A grande virada do livro ocorre com a introdução da psicologia do self de Heinz Kohut, uma reformulação radical da teoria psicanalítica que Tierney considera fundamentalmente mais adequada para compreender os ideais éticos. 

O self bipolar de Kohut 

Kohut propõe que o self saudável é estruturado em torno de dois polos: 

  1. O polo das ambições (self grandioso-exibicionista): Fonte do impulso para o poder, o sucesso e o reconhecimento. Em desenvolvimento saudável, este polo é gradualmente transformado em ambições realistas. 

  1. O polo dos ideais (idealized parent imago): Fonte dos valores, padrões e ideais que orientam a vida. Em desenvolvimento saudável, as figuras idealizadas da infância são internalizadas como um sistema de ideais que dá direção e propósito. 

O self saudável é aquele que consegue integrar e equilibrar estes dois polos. O indivíduo não é apenas movido por ambições (o que levaria ao esgotamento narcísico) nem apenas por ideais (o que levaria à submissão ascética). A vida boa requer tanto a energia da ambição quanto a orientação do ideal. 

Narcisismo e idealização saudável 

Uma das contribuições mais importantes de Kohut é a reabilitação do narcisismo. Na tradição psicanalítica clássica, o narcisismo era visto como um estágio imaturo a ser superado em direção ao "amor objetal" (a capacidade de amar outros como distintos de si). Kohut argumenta que o narcisismo não desaparece — ele se transforma. 

O narcisismo maduro é expresso em: 

  • Criatividade: a capacidade de trazer algo novo ao mundo 

  • Empatia: a capacidade de se colocar no lugar do outro 

  • Sabedoria: a capacidade de aceitar a finitude com serenidade 

  • Engajamento com ideais: a capacidade de se dedicar a valores que transcendem o self imediato 

Tierney aplica estas ideias à ética: os ideais éticos não são (como queria Freud) meros resíduos do superego, expressões disfarçadas de medo e culpa. Eles são manifestações do self saudável, expressões da sua estrutura mais profunda. 

O chamado do ideal 

"The relationship between an agent and an ideal consists of a set of emotional dispositionsat the heart of which lies a feeling of a calling to be as represented by the ideal."  

Esta noção de chamado (calling) é central para a psicologia moral de Tierney. A relação com um ideal não é uma relação de obrigação ("devo") nem de cálculo ("é vantajoso"). É uma relação de ressonância — o ideal fala a algo no self, e o self responde porque o ideal o constitui. 

Isto resolve o dilema do teórico: o agente não precisa de um argumento externo para agir de acordo com seu ideal. Ele age porque o ideal faz sentido para ele, porque seguir o ideal é uma expressão de quem ele é. A motivação não é externa (punição, recompensa, coerção racional), mas interna. 

Parte III: Conclusões e Implicações 

Capítulo 11 — Autoridade Moral para um Povo Livre 

O capítulo final aplica as ideias desenvolvidas ao longo do livro a questões de filosofia política e social. 

Autonomia e autoridade 

Uma sociedade de indivíduos livres não pode basear sua autoridade moral em fontes externas (revelação divina, tradição incontestada, coerção estatal). Mas também não pode reduzir a vida moral a preferências subjetivas (como no relativismo). 

Tierney propõe uma concepção de autoridade moral enraizada no self, mas não reduzida ao self: 

  • A autoridade do ideal deriva de sua capacidade de organizar a experiência e orientar a ação de forma significativa. 

  • Mas os ideais são publicamente avaliáveis — podemos discutir se um ideal é coerente, se suas implicações são desejáveis, se ele promove ou prejudica o florescimento humano. 

Ética das virtudes reconsiderada 

Tierney dialoga com a tradição da ética das virtudes (Aristóteles, Alasdair MacIntyre), reconhecendo suas afinidades com sua própria abordagem (ênfase no caráter, negação da suficiência de princípios universais). No entanto, aponta uma diferença crucial: a ética das virtudes tende a focalizar traços de caráter estáveis (coragem, justiça, temperança), enquanto a abordagem dos ideais focaliza orientações dinâmicas em direção ao futuro. 

O ideal não é apenas um traço que se possui; é uma direção que se segue. Envolve projeto, aspiração, movimento. 

Democracia e autoridade moral 

Tierney conclui com reflexões sobre as implicações de sua teoria para a vida democrática. Uma democracia saudável não pode impor um único ideal aos seus cidadãos. Mas também não pode tratar todos os ideais como igualmente válidos. A tarefa é criar espaços públicos de deliberação onde os cidadãos possam articular, contestar e refinar seus ideais em diálogo com os outros. 

A autoridade moral em uma sociedade livre não é imposta de cima (pelo Estado ou pela tradição) nem reduzida ao gosto privado (cada um com seus ideais, sem comunicação). É construída coletivamente através do debate, do exemplo e da persuasão. 

Citações Notáveis 

Mark L. Johnson (Southern Illinois University), na contracapa do livro, oferece uma apreciação que sintetiza bem o valor da obra: 

"Tierney gives us an account of moral ideals that is philosophically sophisticatedpsychologically realisticand sensitive to our nature as imaginative moral creatures. Moral philosophy is desperately in need of such an accountif it is going to address the needs and motivations of actual human beingsWith brevitysubtletyand deep insight, Tierney shows us what is unsatisfactory about a morality grounded on universal rules and based on a notion of moral motivation as compulsion. He then offers his alternative accountwhich focusesnot on rulesbut rather on imaginativeethical idealsNobodyto my knowledgehas explored these dimensions of our moral experienceand nobody has addressed the issues of imaginative ethical ideals with this kind of sophistication and clinical adequacy."  

Do resumo da dissertação de Tierney: 

"Ideals are distinguished from principlesPrinciples are expressed as universalizable imperatives of right behaviorIdeals are expressed as models of the good life essentially tied to the character of the individual self."  

"I develop a theory of ideals as complex mental structures operating through the imaginationThese structures have a twofold naturean 'innerand an 'outeraspectOn the one handideals are a schematizing procedure for interpreting concrete situations in terms of their relevance to the realization of what the self takes to be its good lifeOn the other handidealization is a dynamic operation within the structure of the self which both generates the schematism and provides the ongoing motivation for pursuing modeled ideals."  

Recepção Crítica e Importância 

Imagination and Ethical Ideals foi recebido como uma contribuição inovadora para o diálogo entre filosofia e psicologia. Os revisores destacaram consistentemente três aspectos da obra: 

1. Interdisciplinaridade genuína 

Ao contrário de muitos trabalhos que invocam a psicologia de forma superficial, Tierney demonstra um domínio real tanto da tradição filosófica quanto da literatura psicanalítica. Sua leitura de Kohut é clinicamente informada, e sua aplicação à ética é filosoficamente rigorosa. 

2. Originalidade da tese dos ideais 

A distinção entre princípios e ideais, embora não inteiramente nova (há ecos em Kierkegaard, Nietzsche e na tradição romântica), é desenvolvida com sistematicidade e clareza incomuns. Tierney oferece uma teoria positiva, não apenas uma crítica. 

3. Relevância contemporânea 

A insatisfação com as éticas de princípio apenas se aprofundou desde a publicação do livro. O crescimento da ética das virtudes, da psicologia moral empírica e da filosofia experimental confirmaram a intuição central de Tierney: a filosofia moral precisa levar a sério o funcionamento real dos agentes morais, não apenas a lógica abstrata de seus julgamentos. 

Temas Complementares e Conexões 

Relação com Pippin e o Idealismo Alemão 

Embora Tierney não cite Robert Pippin (cuja obra sobre Hegel veio à tona posteriormente), há uma profunda afinidade entre os dois projetos. Ambos buscam resgatar uma compreensão do self como auto-determinante, não meramente reagente a estímulos externos ou a leis internas. Ambos veem a imaginação como uma faculdade central para a vida ética. Ambos recusam tanto o racionalismo abstrato quanto o relativismo frouxo. 

Onde Pippin (em The Culmination) vê no idealismo alemão uma tentativa de responder à questão do significado da vida, Tierney vê nos ideais a estrutura através da qual essa resposta é articulada. O ideal é o veículo através do qual o significado se torna operativo na vida concreta. 

Relação com Didi-Huberman 

Os textos de Georges Didi-Huberman sobre povos expostos e figurantes (discutidos anteriormente) podem ser lidos como uma aplicação política da teoria dos ideais de Tierney. Didi-Huberman nos mostra o que acontece quando certos povos são sistematicamente impedidos de articular seus ideais — reduzidos a figurantes, a fundo de imagem, a corpos sem voz. 

A tarefa de "dar voz aos sem nome" é, em termos tierneyanos, a tarefa de restaurar a capacidade de idealização daqueles que foram despojados dela. A mãe refugiada que não pode sequer imaginar um futuro para seu filho não está apenas sofrendo materialmente — está sendo despossuída de seu self, da estrutura que dá direção e sentido à existência. 

Pesquisas Atuais sobre Ideais 

A psicologia contemporânea tem confirmado muitas das intuições de Tierney: 

  • Psicologia positiva: A pesquisa de Angela Duckworth sobre "grit" (perseverança e paixão por objetivos de longo prazo) mostra que o engajamento com ideais é um preditor mais forte de sucesso e bem-estar do que talento inato ou QI. 

  • Psicologia do desenvolvimento: O trabalho de Jonathan Haidt sobre "intuição moral" sugere que o julgamento moral é primariamente afetivo e imaginativo, com a razão operando posteriormente como "advogada" que justifica intuições prévias. 

  • Neurociência: Estudos de neuroimagem mostram que a ativação de valores pessoais profundos (ideais) está associada a padrões específicos de atividade cerebral no córtex pré-frontal ventromedial — uma região associada à tomada de decisão emocionalmente informada. 

Estas descobertas empíricas estão todas de acordo com a ênfase de Tierney na prioridade dos afetos e da imaginação sobre o raciocínio puramente lógico na vida moral. 

Ficha Técnica Detalhada 

Item 

Informação 

Título 

Imagination and Ethical Ideals: Prospects for a Unified Philosophical and Psychological Understanding 

Autor 

Nathan L. Tierney (California Lutheran University) 

Editora 

State University of New York Press (SUNY) 

Ano 

1994 

Edição 

Primeira edição 

Coleção 

SUNY Series in Ethical Theory 

ISBN-10 (capa dura) 

0791420477 

ISBN-13 (capa dura) 

9780791420478 

ISBN-10 (brochura) 

0791420485 

ISBN-13 (brochura) 

9780791420485 

Páginas (capa dura) 

x, 184 p. 

Páginas (brochura) 

206 p.  

Dimensões 

6.00 × 9.00 in (15.24 × 22.86 cm)  

Peso 

431 g (capa dura)  

Bibliografia 

pp. 163-175  

Índices 

Índice de nomes (pp. 177-178); Índice de assuntos (pp. 181-184)  

Em Síntese 

Imagination and Ethical Ideals é uma obra que desafia classificações fáceis. É ao mesmo tempo: 

  • Uma crítica contundente das limitações das éticas de princípio 

  • Uma reconstrução positiva da noção de ideal ético 

  • Uma ponte entre a filosofia moral e a psicologia profunda 

  • Uma aplicação da psicologia do self de Kohut a questões normativas 

  • Uma contribuição para o debate sobre relativismo e universalismo 

Sua relevância para o pensamento contemporâneo é talvez maior agora do que no momento de sua publicação. Em uma época marcada por: 

  • Desencanto com instituições e narrativas coletivas 

  • Ascensão de populismos que oferecem ideais vazios ou destrutivos 

  • Dificuldade de articular fontes de significado que não sejam nem o consumismo nem o fundamentalismo 

A pergunta que Tierney nos força a fazer — que ideais orientam sua vida, e por quê? — é uma daquelas perguntas que não pode ser delegada a especialistas. Cada um de nós, de alguma forma, já está respondendo a ela, mesmo que não a formule em termos filosóficos. 

O mérito da obra é nos dar os conceitos e as ferramentas para respondê-la melhor. Não fornecendo respostas prontas, mas iluminando a estrutura da pergunta. 

 Referências 

  • Tierney, Nathan L. Imagination and Ethical Ideals: Prospects for a Unified Philosophical and Psychological Understanding. Albany: State University of New York Press, 1994.  

  • Tierney, Nathan L. Imagination and the Ethical IdealDissertation, Columbia University, 1989.  

  • Análise de Mark L. Johnson na contracapa do livro 

 

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