O mundo inteiro atribui o carro elétrico ao Vale do Silício.
A história real começa no Brasil.
Em 1969, com quatro funcionários e dez mil dólares de capital, João Augusto Conrado do Amaral Gurgel fundou a Gurgel Motores em São Paulo.
A empresa seria a única montadora brasileira a desenvolver chassi, carroceria e motor próprios.
Em 1973, o mundo parou com a crise do petróleo.
O boicote da Opep derrubou mercados e forçou países inteiros a buscar alternativas aos combustíveis fósseis.
Gurgel enxergou uma janela.
Em 1974, em pleno choque do petróleo, ele apresentou o Itaipu E150.
Era um minicarro urbano de dois lugares, totalmente elétrico, com baterias recarregáveis em qualquer tomada de luz.
O nome era uma homenagem à usina hidrelétrica de Itaipu, que ainda estava em construção na época.
O projeto era pioneiro demais para o tempo que vivia.
O alto custo de produção e a falta de incentivo público frearam o avanço da ideia.
A empresa produziria cerca de 40.000 veículos em 25 anos de operação, mas encerrou suas atividades nos anos 1990.
Gurgel deixou uma frase que resume tudo.
"Eu fiz o que era impossível. O Brasil é que não soube o que fazer com isso."
O carro elétrico que o mundo celebra hoje já existia aqui.
Cinquenta anos atrás.
Feito por um engenheiro brasileiro, com recursos brasileiros, numa época em que ninguém acreditava que era possível.
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