SABERES TRANSDISCIPLINARES E ORGÂNICOS.

terça-feira, 7 de abril de 2026

BRASIL: UMA NAÇÃO SEM ESTADO — A Sentença de Fim da República

 



Prólogo: A Grande Mentira

O que acontece quando um país abandona seus deuses, enterra sua ética e corrompe suas instituições até o tutano? A resposta está diante de nossos olhos, fedendo a esgoto a céu aberto: o Brasil deixou de ser uma nação. Transformou-se num imenso balcão de negócios onde tudo se vende — sentenças, aposentadorias, verbas da educação, o sangue dos pobres. E a pergunta que ecoa nos infernos de Dostoievski é: Pode o Brasil roubar e mentir à vontade?

A resposta, meus caros, é um SIM retumbante. E não digam que não avisaram.


I. A Lição dos Deuses: Quando a Corrupção Atrai o Fogo Divino

Antes que os homens inventassem o STF e o Orçamento Secreto, os deuses já haviam deixado claro o destino das nações corruptas. A Bíblia, que tantos hipócritas carregam debaixo do braço enquanto roubam os cofres públicos, é impiedosa: "Não torcerás a justiça, não farás acepção de pessoas, nem tomarás suborno; pois o suborno cega os olhos dos sábios e perverte a causa dos justos" (Deuteronômio 16:19).

O que diria o profeta Isaías ao ver nossos "juízes desonestos que fazem a injustiça parecer justiça e condenam à morte os inocentes"? Diria o mesmo que disse a Sodoma e Gomorra: "Aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, repreendei o opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa da viúva" (Isaías 1:17). Mas o Brasil não aprendeu. Preferiu o caminho do suborno, que "cega os olhos dos sábios".

E a Cabala judaica, essa tradição mística que alguns poucos estudam em profundidade, vai além. Segundo certas interpretações cabalísticas, a corrupção e a degradação moral de uma nação não são meros acidentes históricos — são sintomas de que essa nação perdeu sua "centelha divina" e se tornou um "prepúcio a ser eliminado" no grande esquema cósmico. É duro? É. Mas olhem ao redor e me digam se o Brasil não se tornou irrelevante no concerto das nações sérias. Enquanto isso, os "donos do poder" brindam à própria impunidade, e o povo — o verdadeiro povo — definha.


II. O Estado Morreu. Quem Matou?

O filósofo Maquiavel, em "O Príncipe", ensinou que o governante sábio deve parecer piedoso, mas agir como leão e raposa. Os nossos governantes foram além: parecem cordeiros, mas são hienas. O Estado brasileiro — esse ente que deveria garantir justiça, segurança e bem-estar — morreu há décadas. Em seu lugar, ergueu-se uma oligarquia parasita que se alimenta do dinheiro público como se fosse seiva de uma árvore plantada para seu exclusivo benefício.

O Caso Master: bilhões de reais em fraudes. O banco quebrou, mas os banqueiros? Passeiam. A Polícia Federal prendeu um ou dois, soltou com tornozeleira, e o escândalo foi varrido para debaixo do tapete da eleição de 2026. O que restou? Aposentados que confiaram suas economias ao sistema financeiro e agora amargam perdas enquanto os investigados posam de vítimas.

O INSS: ah, o INSS... o carro-chefe da roubalheira. O "Careca do INSS" e seus comparsas desviaram milhões que deveriam alimentar velhos que trabalharam a vida inteira. E o que descobrimos? 

O Mensalão: o escândalo que abateu a cúpula do PT em 2006, mas que não impediu Lula de ser reeleito — escorado no bom momento da economia. Dinheiro público comprando votos de parlamentares. A República vendida por 50 mil reais por mês para alguns deputados. E os condenados? Muitos estão soltos, alguns voltaram ao poder.

A Petrobras: a Lava Jato prometeu acabar com a corrupção sistêmica. Prendeu dezenas, condenou centenas. Mas o que restou? O petróleo continua sendo roubado, os contratos continuam superfaturados, e os políticos que deveriam fiscalizar continuam de mãos estendidas. A Lava Jato morreu, e com ela morreu a ilusão de que o Brasil um dia seria sério.

E o que dizer de Camilo Santana? O atual ministro da Educação, que se elegeu no Ceará com o apoio da oligarquia Ferreira Gomes — que há décadas se reveza no poder como se o estado fosse uma capitania hereditária. Camilo, que agora aponta dedos para a corrupção na gestão Bolsonaro no FNDE, tem seu próprio esqueleto no armário: sob sua gestão no Ceará, a CGU identificou um rombo de R$ 4 bilhões. Isso mesmo: bilhões. Enquanto isso, as escolas públicas do Ceará continuam carentes de merenda e estrutura.


III. O Eterno Retorno: Oligarquias que Nunca Saem do Poder

Victor Nunes Leal, em "Coronelismo, Enxada e Voto", já explicava nos anos 1940: a República brasileira nunca foi uma democracia de fato. Foi sempre um sistema de reciprocidade perversa, onde os coronéis locais entregavam votos de cabresto em troca de favores do governo. Os coronéis de hoje usam terno e gravata, têm contas no exterior e assessores de imprensa, mas o método é o mesmo.

Os Bolsonaros: Flávio, o senador, investigado por "rachadinha" em seu gabinete quando deputado estadual — um esquema onde assessores devolviam parte do salário ao chefe. O faturamento suspeito de uma loja de chocolates, a compra de uma mansão de 6 milhões em dinheiro vivo. E Jair, o patriarca, que prometeu "varrer a corrupção" com uma "vassoura" — e terminou preso por tentativa de golpe.

Os Ferreira Gomes e Camilo Santana: no Ceará, a mesma família se alterna no poder há décadas. Camilo foi governador, agora é ministro. Seu padrinho político, Cid Gomes, também governador, também ministro. E o povo cearense? Continua pobre, continua votando, continua acreditando que "dessa vez vai ser diferente".

O que essas oligarquias têm em comum? Todas se alternam no poder, todas roubam, todas são investigadas, e todas continuam lá. O rodízio do crime. A gangorra da impunidade.


IV. O Povo das Migalhas: Uma Tragédia em Cinco Atos

Enquanto a elite brinda à própria esperteza, o povo brasileiro — aquele que Victor Hugo descreveria como "os miseráveis" — continua morrendo. Morre na fila do SUS, morre de bala perdida, morre de fome, morre de desesperança.

Dostoievski, em "Crime e Castigo", nos mostrou a alma do homem comum esmagado pela pobreza e pela injustiça. Raskólnikov, o estudante que mata a velha agiota, não é um monstro — é o produto de uma sociedade que lhe negou tudo, inclusive a dignidade. O Brasil de 2026 é Dostoievski em escala continental: milhões de Raskólnikovs potenciais, empurrados ao desespero por um sistema que os trata como lixo.

Shakespeare, em "Hamlet", nos deu a frase que define o Brasil: "Algo está podre no reino da Dinamarca". Mas na Dinamarca de Shakespeare, o podre era a corte. No Brasil, o podre é o reino inteiro — das bases ao topo.

cidadão comum brasileiro é um herói trágico que ninguém aplaude. Ele trabalha 10 horas por dia, paga 40% de imposto sobre o que ganha, e quando precisa do Estado — para um atendimento médico, para uma vaga na creche, para uma aposentadoria digna — recebe como resposta o silêncio ou a humilhação. E a cereja do bolo: quando tenta denunciar a corrupção, é tratado como chato, como inconveniente, como "inimigo do sistema".

E ainda assim, pesquisas mostram que 82% dos brasileiros acreditam que podem fazer a diferença na luta contra a corrupção. O povo ainda acredita! Mesmo depois de tudo! Mesmo sabendo que 53% dos entrevistados dizem que a corrupção está pior e que 57% acham que o governo faz um trabalho ruim ao combatê-la.

O brasileiro comum é Sísifo empurrando a pedra montanha acima, sabendo que ela vai rolar de novo. É Prometeu acorrentado, com o fígado sendo devorado pela águia da impunidade. É Jó, que perdeu tudo, mas não perdeu a fé — mesmo que a fé seja, neste caso, acreditar que um dia a justiça vai chegar.


V. O Silêncio dos Cúmplices: Bancos, Justiça e Polícia Federal

Onde estão os bancos enquanto o dinheiro dos aposentados é roubado no INSS e no Master? Calados. Cúmplices. O sistema financeiro lucra com a propina, financia as campanhas eleitorais dos dois lados, e quando o escândalo estoura, simplesmente lava as mãos como Pilatos.

Onde está a Justiça? O STF, que deveria ser a guardiã da Constituição, virou extensão do balcão de negócios. Ministros que viajam em aviões de advogados de investigados. Esposas de ministros com contratos milionários com bancos podres. E o ministro relator do caso Master determinando sigilo máximo e centralizando as investigações em suas próprias mãos. A The Economist, a revista britânica que não tem motivo para mentir, publicou que as ligações entre ministros do STF e o caso Master "reforçam a impressão de que a Suprema Corte do país carece de imparcialidade".

Onde está a Polícia Federal? Investigou, prendeu, soltou. Faz o teatro da legalidade enquanto os verdadeiros chefes da máfia continuam no poder. A PF é eficiente para prender o pobre que roubou um galinho, mas para prender o banqueiro que roubou bilhões? Ah, aí precisa de "provas robustas", de "devido processo legal", de "presunção de inocência". O mesmo tratamento que o sistema deu aos grandes corruptos da história: Collor renunciou para não ser cassado; Lula foi preso e solto; Bolsonaro virou inelegível mas continua influente; os figurões do Master e do INSS ainda não viram a cor da cadeia.


VI. Índice de Percepção da Corrupção: O Brasil no Espelho

A Transparência Internacional, que não tem compromisso com partidos mas tem com a verdade, acaba de divulgar o Índice de Percepção da Corrupção 2025: o Brasil obteve 35 pontos, ocupando a 107ª posição entre 182 países.

Isso significa que o Brasil está estagnado em um patamar historicamente baixo, com desempenho inferior à média global e inferior a países de renda semelhante. Desde 2012, o país oscila dentro de uma faixa restrita, sem conseguir sustentar avanços estruturais. As piores pontuações foram registradas em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos).

O relatório mostra que:

  • A maioria dos países segue estagnada ou piora

  • Corrupção e enfraquecimento democrático caminham juntos

  • A impunidade continua sendo um fator central — a dificuldade de investigar, julgar e punir crimes de corrupção em níveis altos do poder permanece como um dos principais elementos associados aos piores desempenhos

O Brasil é um país onde a corrupção não é exceção, é regra. Onde o corrupto é herói, o denunciante é perseguido, e o povo é otário.


VII. A Sentença de Fim da República

Por isso eu pergunto, e quero resposta: Pode o Brasil roubar e mentir à vontade?

A resposta, meus caros, é que pode. Pode sim. Porque não há mais Estado. Não há mais República. O que temos é uma máfia organizada, com ramificações em todos os Poderes, em todos os níveis da federação, abençoada por igrejas cúmplices e fiscalizada por instituições que ora são cegas, ora são coniventes.

O Carnaval acabou? Acabou, sim. Mas não acabou a festa. A festa continua nos gabinetes climatizados de Brasília, nos jatinhos que cruzam o país, nos resorts paradisíacos. A festa continua para a elite. Para o povo, acabou. O povo só recebe a conta.

Victor Hugo, em "Os Miseráveis", escreveu: "Existem homens que cavam a terra e homens que cavam os túmulos. A diferença é que os primeiros encontram ouro, os segundos encontram ossos." No Brasil, a elite cava os túmulos do povo e encontra ouro. E o povo? O povo encontra apenas ossos — os seus próprios.


VIII. Epílogo: O Despertar

Dostoievski também nos ensinou, em "Os Irmãos Karamazov", que se Deus não existe, tudo é permitido. No Brasil, os deuses morreram — ou foram assassinados pela ganância. E tudo é permitido: roubar, matar, mentir, comprar votos, fraudar licitações, desviar aposentadorias, destruir a educação.

Mas há uma diferença entre o Brasil e os infernos de Dostoievski: no inferno, pelo menos, há punição. No Brasil, há impunidade.

E o povo? O povo que não rouba, que trabalha, que paga imposto, que acorda às 5 da manhã para pegar três ônibus e chegar ao trabalho, que cria os filhos com dignidade apesar de tudo — esse povo é a única esperança. Não os políticos, não os juízes, não os banqueiros. O povo.

Shakespeare escreveu em "Júlio César": "A culpa, meu caro Bruto, não está em nossas estrelas, mas em nós mesmos." A culpa do Brasil não está nos deuses, nem nos astros, nem no acaso. Está em nós — na nossa passividade, na nossa crença de que "não adianta lutar", na nossa entrega ao destino.

Enquanto o povo não se levantar, o Brasil continuará sendo essa nação sem Estado, onde roubar e mentir é permitido, e onde a justiça é uma piada de mau gosto.

Que o povo acorde. Que o povo cruze os braços. Que o povo pare de trabalhar para essa elite parasita. Que o povo invada as ruas e tome o que é seu por direito.

Porque, como escreveu o poeta: "Tudo o que é sólido se desmancha no ar." E o Brasil, esse edifício podre, está prestes a desabar. Que venha a queda. E que, dos escombros, nasça algo novo — ou, pelo menos, algo justo.


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